A Inovação em Higiene e Segurança no Trabalho em Portugal Um caso de estudo/ Innovation in Health and Safety at Work in Portugal - A case study

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1 A Inovação em Higiene e Segurança no Trabalho em Portugal Um caso de estudo/ Innovation in Health and Safety at Work in Portugal - A case study Hélder Silva/Lília Rodrigues/ Marisa Rebelo/ Matilde Rodrigues Resumo O presente trabalho cruza o papel da Inovação no sector da higiene, segurança e saúde no trabalho em Portugal com um caso prático de criação de um equipamento de prevenção de riscos. O protótipo, insere-se no que genericamente se define como área das tecnologias facilitadoras essenciais. O estudo partiu da formulação de hipótese de que determinado equipamento de trabalho na área administrativa não correspondia quer em termos de eficiência organizacional quer em termos de a segurança, saúde e conforto para o trabalhador. Este artigo, desenha o caminho percorrido desde a fase inicial de criação ao pedido provisório de patente. Apresenta ainda os resultados em todas as fases do processo, na expectativa de alavancar novos projetos inovadores na área de segurança e higiene no trabalho. Palavras-chave: Inovação; SHT; Portugal;LME;Prevenção. Abstract This work crosses the role of innovation on health, safety and health sector in Portugal with a case study of creating a device to prevent risks.the prototype, which is within the generally defined as an area of key enabling technologies. The study was based on the formulation of the hypothesis that certain work equipment in the administrative area corresponded not in terms of organizational efficiency in terms of safety, health and comfort for the worker. This article draws the path from the initial stage of creating the provisional patent application. It also presents at all stages of the process, hoping to leverage innovative new projects in the area of health and safety at work. Keywords: Innovation; SHT; Portugal; LME; Prevention. 0. Organização do Conteúdo / Organization of Contents Introdução A inovação é um conceito muito variável que depende da área da aplicação, podendo-se aplicar aos mercados, modelos de negócio, produtos e/ou processos e métodos organizacionais. Peter Drucker, referência indiscutível da administração moderna, menciona numa das suas obras que a inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o processo pelo qual exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou

2 um serviço diferente". Neste sentido, a conceção de postos, métodos de trabalho e equipamentos tecnológicos encontram-se cada vez mais saturados e a procura, consequentemente, acaba por incidir em produtos que apresentem diferenciais inovadores, Neves (2011). No meio laboral e mais especificamente na área administrativa as lesões músculo-esqueléticas (LME) são a patologia mais frequente no meio laboral. A sua diminuição figura como onerosa para as entidades, pois necessitam de investigações meticulosas antes do desenvolvimento e lançamento de novos produtos no mercado. De acordo, com a Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho As Lesões Músculoesqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) são o problema de saúde ocupacional mais comum na Europa. Na UE-27, um quarto dos trabalhadores queixa-se de lombalgias e quase um quarto diz sofrer de lesões musculares. Estas lesões configuram-se como motivo de grande preocupação que afetam a saúde dos trabalhadores a nível individual e aumentam os custos empresariais e sociais das empresas e dos países europeus. É do conhecimento geral que a falta de descanso, o esforço excessivo e as posições repetitivas com longos períodos de trabalho vão acumulando danos no corpo. As consequências do uso excessivo de ferramentas como o computador não são imediatas mas sim de médio ou a longo prazo. Estas, aumentam com a utilização diária e/ou pelo excessivo número de horas contínuas de trabalho. É de salientar que ao longo do tempo não tem sido valorizada a avaliação individual do trabalhador no que se refere aos riscos a que está exposto ou do que deles advém. Sendo já aceite pela maioria dos vários intervenientes no mercado que a inovação está presente naquilo que são considerados os gadgets é fundamental que o mesmo seja efetuado nos equipamentos de trabalho na área administrativa. É também imprescindível que no processo de desenvolvimento, seja integrado o vetor higiene e segurança e saúde na área laboral. O crescimento em simultâneo destas vertentes proporcionará não só novos produtos, mas produtos mais eficientes e mais seguros. Objetivo Geral Destacar o eventual papel da Inovação no sector da Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho em Portugal. Objetivos Específicos Tendo como base o objectivo geral, desenvolveram-se os seguintes objetivos específicos: Valorizar a autonomia dos trabalhadores na prevenção; Interligar a investigação em Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho com a área de propriedade industrial; Avaliar a possibilidade de integração de uma nova função em equipamento já existente.

3 Metodologia Após aprofundada revisão bibliográfica desenvolveu-se um plano de ações assente nas seguintes fases: Brainstorming Ideias relacionadas com SHT em termos de inovação Levantamento de todas as inovações em Portugal Adequar um título a cada um dos projectos Análise em equipa aprofundada de cada ideia Elaboração de um quadro de projectos, com as seguintes características: Viável, Não viável, Pouco Viável e Soluções Integração Projecto 1: Descanprod e Ratoides Projecto 2: Pintura anti/estática/spray nos postos de combustiveis Análise de viabilidade e escolha do tema final a ser desenvolvido Enquadramento no Projecto Horizonte 2020 Pesquisa de patentes relacionadas com o protótipo desenvolvido Pesquisa de fabricantes nacionais e internacionais Desenvolvimento do projecto para protótipo Figura 1:Mini-fluxograma

4 Destaca-se o largo período de tempo dedicado pelo grupo, na descoberta de ideias, tendo base o incentivo à total libertação da actividade mental, sem qualquer restrição, tendo sempre presente que a melhor forma de ter uma boa ideia é ter muitas ideias (Pauling, 1960). Foram ainda desenvolvidos, vários passos de consolidação e/ou tentativa de criação de pontes entre a investigação e o mercado, nomeadamente: Contacto com Centro de Investigação Economia e Gestão (CIEG), da ULHT; Pesquisa de mercado; Visitas a lojas de informática e novas tecnologias; Visita a fabricante; Desenvolvimento do projeto; Escolha dos materiais do protótipo. Resultados e Discussão A apresentação de resultados objetivos num artigo desta natureza torna-se difícil e muitas vezes redutora dadas as seguintes circunstâncias: 1- A necessária compatibilização neste artigo de resultados práticos do protótipo desenvolvido e sua aplicabilidade e a nossa aposta de fomentar a investigação na área da SHT, pela comunidade técnica e científica em Portugal; 2- A dificuldade de apresentar resultados finais no espaço de tempo útil em que assentou esta primeira fase do projecto; 3- A fase de desenvolvimento pedido provisório de patente. Independentemente destes constrangimentos pontuais, destacamos os resultados divididos pelas seguintes subáreas de trabalho: Pesquisa bibliográfica Assente nos vetores, riscos, prevenção nos locais de trabalho, investigação aplicada e inovação em Portugal na área da segurança, higiene e saúde no trabalho. Após a definição do projeto e seus objetivos a pesquisa tornou-se de imediato mais focada no risco que se pretende minimizar, no equipamento a desenvolver, na sua viabilidade e utilidade. Foram catalogadas todas as fontes. Deste estudo inicial foram ainda efetuados vários contactos, nomeadamente na área da propriedade industrial. Propriedade industrial Para a conceção do protótipo em causa, será necessário uma patente juntamente com um modelo de utilidade. De forma sucinta o conceito assenta num contrato entre estado e o requerente com a finalidade de se obter um direito de exclusividade de produzir e comercializar a ideia, tendo como contrapartida a sua divulgação pública.

5 De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, se a patente ou o modelo de utilidade forem concedidos, passa o seu titular a deter um exclusivo que lhe confere o direito de impedir que terceiros, sem o seu consentimento, fabriquem artefactos ou produtos objeto de patente, apliquem os meios ou processos patenteados, importem ou explorem economicamente o produtos ou processos protegidos. Os custos inerentes ao desenvolvimento do dossier e seu acompanhamento são elevados, caso assentem em gabinetes de especialistas de direito. Apoio ao desenvolvimento Como é do conhecimento geral o apoio existente atualmente em Portugal é diminuto e sem tendência definida. Salienta-se no entanto, a grande esperança depositada por todos os investigadores dentro do continente europeu no projeto horizonte 2020, programa-quadro que apoia projetos de investigação e inovação da União Europeia. Após avaliação exaustiva e troca de informações com outros parceiros de investigação, encontra-se em desenvolvimento a nossa candidatura na área das tecnologias facilitadoras essenciais e na inovação. Para o desenvolvimento deste projeto é crucial a aprovação de um programa desta natureza visto que o seu apoio cofinanciador é fundamental para o estreitamento da fase de conceção e desenvolvimento. Protótipo A exigência colocada na pesquisa teve como preocupações a minimização do risco, o design, qualidade, durabilidade e aceitação pelo sector assim como, pelo público em geral. Foram efetuadas várias atividades de campo e os seus dados reintroduzidos no projeto. Fabricantes Foram detetadas algumas lacunas nas valências existentes no grupo de trabalho, nomeadamente na conceção técnica. Procura-se atualmente uma parceria estratégica, tendo como principais objetivos: a partilha do risco; ganhar economias de escala; internacionalizar; ter acesso a novas competências; criar valor. Conclusão Este artigo pretendeu destacar a necessidade premente de não só inovar mas acima de tudo efetuar pontes entre as várias organizações que produzem conhecimento e as empresas que comercializam equipamentos e serviços no sector da Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho em Portugal. No decorrer de um processo desta natureza é natural que sejam encontrados vários entraves muitos deles por, em nossa opinião, sermos ainda uma sociedade pouco aberta ao trabalho entre vários grupos e sectores. Estamos certos que ultrapassando esta lacuna seremos não só

6 uma sociedade aberta às novas tecnologias, como seremos cada vez mais uma sociedade aberta à exportação destas. Não querendo destacar de maneira nenhuma o financiamento como o fator principal, ele é sem dúvida parte fundamental para o sucesso pleno face à complexidade e dimensão do ciclo de criação e colocação no mercado de um novo equipamento. No atual panorama organizacional e tecnológico devem privilegiar-se as parcerias público-privadas, o aproveitamento das oportunidades que as tecnologias de informação e comunicação oferecem, o contributo para resolver desafios de cariz social, o foco em determinadas áreas específicas e, ainda, a cooperação internacional na investigação e inovação. Está na hora de agir afirmou Márie Geoghegan-Quinn, Comissária europeia responsável pela Investigação, Inovação e Ciência. 5. Referências / References Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (2007). Lesões músculo-esqueléticas de origem profissional: Regresso ao trabalho. Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho. Factsheet ISSN Acedido em 13 de Maio de 2014 em <https://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/75/view.> Brandão S., Carrelhas V., Nunes I. (2008) «Stretching/Ginástica Laboral e Lesões Músculo- Esqueléticas Relacionadas com o Trabalho.» em Revista Segurança, 286. Setembro/Outubro de 2008, ISSN BRITO et. al., (2003). Análise da relação entre a postura de trabalho e a incidência de dores na coluna vertebral. XXIII encontro Nacional de Eng. de Produção; MG Out. Acedido a 13 de Maio de 2014 em <http://www.uva.br/sites/all/themes/uva/files/pdf/importancia_da_fisiotera pia_preventiva_para_os_operadores_de_telemarketing.pdf> Cast, Lda. (1999). Técnicas Cognitivas: Brainstorming.Sociedade Portuguesa de Inovação. Ed. Principia. Acedido em 05 de Junho de 2014 em <http://www.spi.pt/documents/books/inovint/gi/acesso_ao_conteudo_integ ral/capitulos/3.7/cap_apresentacao.htm> Comissão Europeia (2014) Horizonte Acedido em 28 de Abril de 2014, em <http://ec.europa.eu/programmes/horizon2020/en> Compete (Programa Operacional Factores de Competitividade) - Fonte: Edifícios e Energia. Acedido em 23 de Maio de 2014, em <http://www.pofc.qren.pt/media/noticias/entity/horizonte candidaturas-abertas?fromlist=1> Diniz E. (2011) Principios da Ergonomia. Rede de Reabilitação Lucy Montoro, Unidade Jaú. Acedido a 16 de Maio de 2014, em <http://www.slideshare.net/erikadiniz/princpios-da-ergonomia>

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