UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE URBANO. Ana Júlia Cunha Brito

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1 0 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE URBANO Ana Júlia Cunha Brito URBANIZAÇÃO E INTERFACES COM SAÚDE E AMBIENTE: o entorno da Unidade Municipal de Saúde da Cremação BELÉM - PARÁ 2012

2 1 Ana Júlia Cunha Brito URBANIZAÇÃO E INTERFACES COM SAÚDE E AMBIENTE: o entorno da Unidade Municipal de Saúde da Cremação Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Samuel Maria de Amorim e Sá. BELÉM - PARÁ 2012

3 2 Ana Júlia Cunha Brito URBANIZAÇÃO E INTERFACES COM SAÚDE E AMBIENTE: o entorno da Unidade Municipal de Saúde da Cremação Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Samuel Maria de Amorim e Sá. Banca Examinadora: Prof. Dr. Samuel Maria de Amorim e Sá (Universidade da Amazônia) Orientador Profa. Drª Sandra Maria Rickmann Lobato (Universidade da Amazônia) Examinador externo Prof. Dr. Marco Aurélio Arbage Lobo (Universidade da Amazônia) Examinador interno Apresentado em: 08 / 08 /2012 Conceito: BELÉM - PARÁ 2012

4 3 Aos meus pais, José Maria e Anamaria, pelo apoio e estímulo em minha vida profissional, Aos meus irmãos Ana Laura, Adriano (Gisele) e Rodrigo (em memória), por sempre torcerem por mim, Aos meus sobrinhos, João Pedro e José Victor, por tornarem meus dias mais alegres.

5 4 AGRADECIMENTOS A Deus, sempre presente em minha vida; À FIDESA Fundação Instituto para o desenvolvimento da Amazônia pela bolsa de estudo, que possibilitou a realização da pesquisa; A minha família, pais, irmãos, cunhada, sobrinhos, avós, tios e primos que torcem pelo meu sucesso e que me dão força para continuar desenvolvendo um bom trabalho; As minhas amigas, Daniela Corrêa Teixeira e Tainá Alves Teixeira por confiarem em mim e me apoiarem nessa e em todas as minhas evoluções profissionais, sempre acreditando no meu sucesso; As minhas amigas Biatriz Araújo Cardoso, fundamental para a conclusão desta dissertação, obrigada pela ajuda da coleta dos dados até os momentos em que eu não aguentava mais digitar e Iranete Corpes Oliveira França, companheira dessa etapa, valeu a força e o estímulo para alcançarmos essa vitória. Ao meu orientador, Prof. Dr. Samuel Maria de Amorim e Sá, por contribuir com os meus conhecimentos e conduzir esta pesquisa com compromisso, competência e responsabilidade; Aos Professores do Programa de Pós-Graduação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano da Universidade da Amazônia que contribuíram para o conhecimento adquirido durante essa trajetória; Aos colegas, estagiários e pacientes da Fisioclínica Unama, onde iniciei minha vida profissional e pude conviver com pessoas maravilhosas que me incentivaram a ser uma profissional cada vez melhor; Aos funcionários da UMS - Cremação, Alberto Simões Jorge Júnior e Taise Cunha de Lucena, que viabilizaram e disponibilizaram todos os recursos necessários a realização dessa pesquisa; Aos Professores Dra. Sandra Lobato e Dr. Marco Aurélio Lobo, que contribuíram de forma exemplar no direcionamento desse estudo.

6 5 É maravilhoso Senhor, sobretudo, ter tão pouco a pedir e tanto a agradecer. Michael Quoist

7 6 RESUMO BRITO, A. J. C. URBANIZAÇÃO E INTERFACES COM SAÚDE E AMBIENTE: o entorno da Unidade Municipal de Saúde da Cremação Defesa de Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano) Núcleo de Estudos e Pesquisas em Qualidade de Vida e Meio Ambiente, Universidade da Amazônia. Belém, PA, A pesquisa objetivou conhecer e avaliar a relação existente entre os serviços de saúde e o desenvolvimento urbano no contexto de aplicabilidade do Sistema Único de Saúde. Sendo assim, a pesquisa tratou identificar como foi constituído o espaço urbano de Belém e a maneira como ocorreu a integração das áreas de baixada, o que propiciou desequilíbrios ambientais no contexto do urbano que refletem direta ou indiretamente nas condições de saúde da população envolvida. No caso dessa pesquisa, o bairro da Cremação tornou-se foco de análise perante o seu processo de ocupação e que atualmente vem passando por mudanças estruturais mediante a implantação do Programa de Recuperação Urbano Ambiental da Bacia da Estrada Nova, possibilitando dessa forma compreender como são constituídas as políticas públicas que envolvem o ambiente e a saúde. Os dados utilizados para responder tais questionamentos foram obtidos por meio de documentação fotográfica das características urbanas do espaço estudado, de dados obtidos nos Censos de 2000 e 2010, assim como de um levantamento dos serviços prestados e das enfermidades comumente encontradas nos anos de 2010 e 2011 na Unidade Municipal de Saúde da Cremação, permitindo dessa forma relacionar a estrutura do bairro em vista ao processo saúde-doença e saúde ambiental da população pesquisada. Nesse sentido, evidenciou-se que as doenças encontradas no lócus da pesquisa podem ser facilmente relacionadas à desarmonia da estrutura urbana, o que mostra a dissonância entre as políticas públicas de saúde e ambiente no processo de reestruturação do urbano. Palavras-chaves: Urbanização. Saúde. Bairro da Cremação.

8 7 ABSTRACT BRITO, A. J. C. URBANIZATION AND INTERFACES TRETUCEN HEALTH AND ENVIRONMENT: The Environment of a Municipal Health Unit at Cremação (Belém Pará) Defense of Dissertation (Master of Urban Development and Environment) Center for Studies and Research in Quality of life and Environment, University of the Amazon. Belém, PA, The research aimed to identify and evaluate the expectations in relation to health services and urban development in the context of applicability of the Unified Health System, so the survey was addressed to identify how urban space consisting of Bethlehem and how the integration occurred of low areas, which provided environmental imbalance in the urban context that reflect directly or indirectly on the health of the population involved. In the case of this research, the neighborhood of Cremation has become the focus of analysis to the process of occupation and currently is undergoing structural changes through the implementation of the Urban Environmental Restoration Program Basin of New Road, where the neighborhood is inserted, thus enabling to understand how policies are made that involve public health and the environment. The data used to answer these questions were obtained by means of photographic documentation of urban characteristics, as well as data obtained from Census 2000 and 2010, as well as a survey of services and disease found in the years 2010 and 2011 in the Basic health Cremation, thus allowing to relate the structure of the district in view of the health - disease and environmental health of the population under study. In this sense, it was evident that the diseases are easily found related to disharmony in the urban structure, which shows the dissonance between public health policies and environment. Keywords: Urbanization. Health. District of Cremation.

9 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Delimitação do Bairro da Cremação Ilustração 2 - Situação do Canal da Quintino Bocaiúva Ilustração 3 - Indicação do principal eixo comercial do Bairro da Cremação Ilustração 4 - Fluxos migratórios para as áreas de expansão Ilustração 5 - Bacias Hidrográficas da Cidade de Belém Ilustração 6 - Bacia Hidrográfica da Estrada Nova Ilustração 7 - Gráfico da população residente por bairro na BHEN Ilustração 8 - BHEN em destaque área que corresponde ao Bairro da Cremação Ilustração 9 - Modelo da pirâmide: hierarquização e regionalização do SUS Ilustração 10 - Situação das margens do Canal da Caripunas Ilustração 11 - Esgoto a céu aberto no bairro da Cremação Ilustração 12 - Animais de grande porte soltos pelo bairro da Cremação Ilustração 13 - Localização dos setores censitários, Bairro da Cremação, Ilustração 14 - Percentual de domicílios situados em logradouros com pavimentação Ilustração 15 - Percentual de domicílios situados em logradouros com calçada Ilustração 16 - Situação do calçamento de um ponto do bairro da Cremação Ilustração 17 - Situação da pavimentação de um ponto do bairro da Cremação Ilustração 18 - Calçamento e pavimentação do entorno da UMS Cremação Ilustração 19 - Percentual de domicílios situados em logradouros com arborização Ilustração 20 - Percentual de domicílios situados em logradouros com acúmulo de lixo... Ilustração 21 - Por que você necessita jogar estes resíduos nestes locais Ilustração 22 - Acha que as doenças que aparecem na comunidade podem ter influência do lixo que está acumulado nas ruas e canais... Ilustração 23 - Acúmulo de lixo em via pública no bairro da Cremação Ilustração 24 - Acúmulo de lixo na Av. Alcindo Cacela no bairro da Cremação Ilustração 25 - Entulhos despejados as margens do canal da Dr. Moraes no bairro da Cremação... Ilustração 26 - Entulhos despejados as margens do canal no bairro da Cremação Ilustração 27 - Percentual de domicílios particulares permanentes urbanos, segundo as características do entorno dos domicílios Brasil Ilustração 28 -Crianças brincando no canal

10 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Configuração atual da BHEN Quadro 2 - Ciclo da política pública e sua relação com a aplicação do modelo de solução do problema... Quadro 3 - Síntese dos Princípios e Diretrizes do SUS Quadro 4 - Evolução histórica dos aspectos de saúde pública e meio ambiente no setor saneamento no Brasil... Quadro 5 - Variação mensal dos Índices Pluviométrico... Quadro 6 - Doenças de transmissão hídrica

11 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Dados referentes à demanda de atendimento pelos profissionais na UMS Cremação nos anos de 2010 e Tabela 2 - Dados referentes à demanda de atendimento por especialidade na UMS Cremação nos anos de 2010 e Tabela 3 - Dados referentes à demanda de atendimento por CID do clínico geral no período chuvoso dos anos de 2010 e Tabela 4 - Dados referentes à demanda de atendimento por CID do clínico geral no período seco dos anos de 2010 e Tabela 5 - Dados referentes à demanda de atendimentos pediátricos por CID no período chuvoso dos anos de 2010 e Tabela 6 - Dados referentes à demanda de atendimentos pediátricos por CID no período seco dos anos de 2010 e

12 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABRH BHEN CID CODEM IBGE PROMABEN SESAN SESP SUS UMS UNAMA ZEIS Associação Brasileira de Recursos Hídricos Bacia Hidrográfica da Estrada Nova Classificação Internacional de Doenças Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Programa de Recuperação Urbano Ambiental da Bacia da Estrada Nova Secretaria Municipal de Saneamento Serviço Especial de Saúde Pública Sistema Único de Saúde Unidade Municipal de Saúde Universidade da Amazônia Zonas Especiais de Interesse Social

13 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO DESCRIÇÕES DO LÓCUS DA PESQUISA: O ENTORNO DA UNIDADE MUNICIPAL DE SAÚDE DA CREMAÇÃO... 2 CAPÍTULO I: EVOLUÇÃO URBANA DA CIDADE DE BELÉM/PARÁ URBANIZAÇÃO A SITUAÇÃO DA MACRODRENAGEM EM BELÉM: UM ESTUDO SOBRE A BACIA HIDROGRÁFICA DA ESTRADA NOVA... 3 CAPÍTULO II: POLÍTICAS PÚBLICAS CONSTITUIÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE Sistema Único de Saúde POLÍTICAS PÚBLICAS DO MEIO AMBIENTE CAPÍTULO III: PERCURSO METODOLÓGICO CAPÍTULO IV: INTERFACES SAÚDE E AMBIENTE NO CONTEXTO URBANO DO BAIRRO DA CREMAÇÃO ANALISANDO DADOS E COMPARANDO RESULTADOS CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICE A ACEITE DA INSTITUIÇÃO ANEXO A MAPA DOS BAIRROS DO MUNICÍPIO DE BELÉM ANEXO B COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA ANEXO C MAPA DE CONSULTAS

14 13 1 INTRODUÇÃO A urbanização brasileira começa a partir do século XVIII, quando ocorre a transição populacional do meio rural para o meio urbano, atingindo seu ápice no século XIX quando a cidade se organiza mediante as necessidades de seus habitantes no âmbito político, econômico e administrativo. Possuidor de vários subespaços, o território brasileiro passa a se organizar seguindo lógica própria, onde as cidades crescem tanto no ponto de vista quantitativo quando qualitativo, mas não mantém relações umas com as outras, o que favorece uma disparidade entre as mesmas (SANTOS, 2005). A cidade de Belém ganha destaque a partir do século XX, fruto da extração da borracha, onde sua localização privilegiada a torna porta para a exportação e importação de mercadorias. No intuito de explorar a Amazônia foram surgindo novos eixos de integração e com isso o fluxo migratório foi aumentando assim como o desenvolvimento da cidade (PENTEADO, 1968). A segregação sócioespacial na cidade de Belém é constatada pela forma como ocorreu a ocupação do solo e a formação dos bairros. A população financeiramente mais favorecida se concentra em locais centrais e melhor estruturados enquanto que os indivíduos menos favorecidos financeiramente se concentram em espaços afastados ou quando próximos ao centro se caracterizam como baixadas, em áreas alagáveis e sem infraestrutura adequada (TRINDADE JR, 1997). Tal panorama faz surgir uma Belém de contrastes verificando-se a ausência de um planejamento territorial urbano adequado. Aparecem então vários problemas como: a falta de coleta de lixo, oferta insuficiente de equipamentos comunitários e da rede de água e esgoto, precariedade das condições de habitação, falta de estrutura de lazer, dificuldades de acesso a algumas comunidades e a degradação do meio ambiente com implicações no processo saúdedoença (SÁ et al., 2007). Nesse cenário, a questão da saúde avulta, em relação aos conceitos que envolvem o saneamento básico, pois, sendo parte constitutiva da sociedade contemporânea e síntese de múltiplas determinações e entrelaçamentos, seu conceito apresenta significados historicamente constituídos, fazendo emergir várias indagações sobre a situação em que o ser humano se distingue no meio. Daí resulta que a concepção de saúde e de doença depende do contexto sociocultural em que os indivíduos ou grupos estão inseridos e da maneira como constroem seus significados e importância dentro do ambiente (CHAMMÉ, 2002).

15 14 Sendo o espaço urbano repleto de contradições e indeterminações que refletem na produção de processos de adoecimento, os sujeitos inseridos em caóticas condições, econômicas e políticas, estão subordinados a situações de inclusão e exclusão social, onde a própria cidade se modifica estruturando e desestruturando o acesso aos serviços e equipamentos urbanos. Haja vista que existe uma grande relação entre um adequado planejamento territorial urbano, a constituição do processo saúde-doença e as ações de saúde pública (IANNI, 2000). Estabelecer essas relações é fundamental para o desenvolvimento e produção de conhecimento científico a respeito da influência do território como uma das questões centrais que constituem o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, sendo que, durante o processo de construção do SUS foi levantada a questão da realidade sociocultural e ambiental em que o ser humano está inserido. Concluindo-se que as diferentes concepções e representações sobre o processo saúde-doença e desenvolvimento humano interferem no modo de perceber e utilizar o sistema, principalmente às ações ligadas a manutenção do estado de saúde, como também estabelecer a maneira como são constituídas as políticas públicas e o jogo de interesses existentes entre os atores sociais envolvidos (IRIART, 2003). Dessa forma, o SUS, que foi concebido a partir de lutas de profissionais de saúde e de populares por reformas sanitárias, tendo como um dos seus objetivos prioritários montar um importante mecanismo de promoção da equidade no atendimento das necessidades de saúde da população, ofertando serviços de qualidade, adequados às necessidades e demandas dos usuários, independente do poder aquisitivo do cidadão, visto que, a participação dos atores sociais é um princípio fundamental para o sistema (CAMPOS, 2009). Nesse contexto o Bairro da Cremação 1 entra como objeto de pesquisa, uma vez que, constitui uma das áreas atingidas diretamente pelas ações das políticas públicas de saneamento referentes ao novo Projeto de Macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova, já que pelo mesmo passa grande parte dos canais referentes à Sub-bacia II e sua população na maioria vive em ambientes insalubres devido à degradação ambiental gerada no processo de ocupação das áreas de baixada. Antes o bairro ou teve desatenção por ser periférico ou teve 1 Bairro de Cremação, tem sua origem no antigo Forno Crematório construído durante a administração do Intendente Municipal Antônio Lemos ( ). Veio junto a outras medidas de saneamento da cidade. Atualmente, o Forno Crematório encontra-se desativado e funciona como uns dos logradouros de lazer do bairro a Praça Dalcidio Jurandir (PENTEADO, 1968).

16 15 uma drenagem parcial em decorrência da construção dos diques da Av. Bernardo Sayão dos anos da II Guerra Mundial ( ) (BELÉM, 2012). No caso desta pesquisa, o bairro da Cremação e sua Unidade Municipal de Saúde, aparecem como foco de análise para as questões do ambiente urbano, da saúde e da operacionalização do SUS, pois durante o processo de urbanização da cidade de Belém como referimos surgiram de maneira desordenada segregações que ocasionaram impactos na estrutura infraurbana do município e na forma de existir das pessoas com repercussões nos processos de saúde e doença da comunidade. Este não foi escolhido aleatoriamente e sim por se encontrar localizado em região próxima ao centro principal da cidade de Belém. A maioria de seus moradores pertence à classe média baixa e reside em casas modestas e sem infraestrutura adequada devido ao histórico de sua ocupação quando as áreas de baixada são incorporadas a cidade por um processo de segregação imposta entre as classes. A população que tem o espaço como moradia e/ou de trabalho convive com problemas relacionados aos igarapés ou aos canais que o cortam como: Dr. Moraes, Caripunas, Quintino e 14 de março, acarretando vários problemas estruturais de saneamento e de saúde (MACHADO, 2004; TRINDADE JR, 1997). Mediante tal situação, destaca-se a compreensão do real sentido de saneamento básico como um conjunto das dinâmicas de produção do espaço urbano, estabelecendo relações entre seres humanos e o ambiente, na intenção de garantir o controle de doenças, promover saúde, conforto e bem-estar. Mas, essa relação é prejudicada pela falta de conscientização da população residente em locais que margeiam os referidos canais, pois favorecem a contaminação das águas e bloqueiam a drenagem pelo acúmulo de lixo e resíduos em geral propiciando o aparecimento de enfermidades de transmissão hídrica como também da falta de diálogo entre os setores urbanos municipais o que impossibilita seu relacionamento (MACHADO, 2004; SOUZA, 2002). Diante da argumentação anterior, a seguinte questão se estabelece: Como se dá a interface entre saúde e ambiente mediante as reconstruções urbanas entre elas aquelas geradas pelo Projeto de Macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova nas demandas dos atendimentos da Unidade Municipal de Saúde (UMS) da Cremação? Os resultados da pesquisa podem fornecer à administração pública informações para delinear políticas públicas mais adequadas e integradas à população estudada, levando em consideração suas características peculiares e assim garantir um melhor e maior aproveitamento das transformações urbanas e da interface saúde e ambiente na qualidade de vida da população.

17 16 A pesquisa apresentou como objetivo geral conhecer e avaliar a relação existente entre os serviços de saúde e o desenvolvimento urbano no contexto de aplicabilidade do SUS. Para se chegar a tal objetivo metas de investigações foram traçadas, sendo estas: descrever as características atuais do bairro da Cremação; levantar os serviços ofertados na Unidade Municipal de Saúde em foco; relacionar a estrutura do bairro em vista ao processo saúdedoença e saúde ambiental na população em estudo e identificar os agravos coletivos com ênfase na saúde ambiental. Para a produção desta dissertação o pressuposto teórico baseou-se na construção de capítulos pertinentes ao assunto proposto. Portanto, o capítulo I aborda sobre a evolução urbana da cidade de Belém e a incorporação das áreas de baixada por meio de projetos de benfeitorias e macrodrenagem, levantando os fatores que influenciaram no surgimento de agravos ambientais e de saúde. O capítulo II apresenta a maneira como foram constituídas as políticas públicas, a interação entre as políticas de saúde, ambiente e saneamento, assim como seus instrumentos de ação. No capítulo III será exposto o percurso metodológico utilizado para alcançar os resultados da pesquisa. Já o capítulo IV mostra a interface saúde e ambiente por meio da análise dos dados encontrados na pesquisa de campo e por fim serão apresentadas as conclusões obtidas para responder o problema central que culminou esse estudo. 1.1 DESCRIÇÕES DO LÓCUS DA PESQUISA: O ENTORNO DA UNIDADE MUNICIPAL DE SAÚDE DA CREMAÇÃO. O bairro da Cremação situa-se na zona sul do espaço urbano da cidade de Belém, de caráter popular, em cota de nível de 5-10m. Apresenta um quadro de pobreza e violência, reflexo de diferenças na distribuição dos serviços e equipamentos urbanos. Penteado (1968, p.298) descreve suas características comuns como: seus quarteirões são amplos e traçados com uma regularidade que demonstra a existência de certo planejamento, através do qual o traçado de suas ruas foi, de certo modo, adaptado às condições do sítio. A imagem abaixo apresenta a delimitação espacial do bairro da Cremação mostrando seus bairros fronteiriços.

18 17 Ilustração 1 - Delimitação do Bairro da Cremação Fonte: Google Maps, Dados do Censo/2010 mostram uma população de habitantes distribuídos em 149 hectares de extensão, sendo 77 hectares de baixada (IBGE, 2012). Incluí um aglomerado de ocupações precárias, devido ao sítio inadequado ao estabelecimento de habitações saudáveis, típicas da população de baixa renda, com saneamento inapropriado e com precárias condições de saúde, principalmente após grande contingente de imigrantes que ocuparam a região (LOBO, 2006). Apresenta um sistema viário que permite acesso ao centro tradicional gerando vantagem locacional, suas principais vias são Avenida Alcindo Cacela, Travessa Nove de Janeiro, Rua Engenheiro Fernando Guilhon e Rua dos Caripunas. São cortadas pelos canais 2 da Dr. Moraes, Caripunas, 14 de março e Quintino Bocaiúva que desembocam as margens do Rio Guamá, vinculados a Bacia Hidrográfica da Estrada Nova. No período chuvoso, conhecido como inverno paraense, o local sofre com a presença de áreas alagadas, alagáveis ou com drenagem lenta, principalmente nas regiões próximas aos canais, o que gera transtornos quanto ao deslocamento e representam sérios riscos a saúde de seus moradores. A 2 Forma como comumente se denominam em Belém os córregos urbanos (RODRIGUES, 1996, p.167).

19 18 ilustração a seguir exibe as condições viárias das margens de um dos canais de cortam o bairro da Cremação (BELÉM, 2012; MACHADO, 2004). Ilustração 2 - Situação do Canal da Quintino Bocaiúva. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J.C. Brito, 19 de março de O bairro foi estabelecido a partir das reformas sanitaristas ou urbanizadoras da era Antônio Lemos ( ), que tinha como metas prioritárias o cuidado com a saúde pública e os serviços sanitários por meio da limpeza urbana e a cremação de lixo, já que a população citadina e seus arredores sofriam com grandes epidemias. Em área localizada na atual travessa Nove de Janeiro esquina com Fernando Guilhon foi montado um forno crematório de lixo e animais mortos. Na época a Cremação era afastada do centro da cidade no intuito de tratar ares fétidos causados pelo lixo urbano (CASTRO, 2009). Vale resaltar que o acelerado crescimento urbano não foi seguido da implantação de infraestrutura adequada, a qual aliada à falta de equipamentos urbanos gera baixos índices de educação, saneamento básico, saúde e emprego para garantir bem-estar e qualidade de vida para população local. Sendo assim, o processo de urbanização tem como consequência vários problemas ambientais, dentre as mesmas a deterioração do ambiente, que acaba crescendo por efeito indireto de sobrevivência da população excluída (BECKER, 2001; JACOBI, 2002).

20 19 A partir da década de 1970, ocorre o processo de expansão do centro urbano da cidade de Belém, quando áreas de baixada são incorporadas precariamente às ações de políticas públicas de urbanização, o que provocou relativas melhorias das condições de vida dos moradores das áreas de baixada repercutindo tanto na estrutura física quanto social do bairro (LOBO, 2006). Por ser um espaço limítrofe ao centro urbano desenvolvido, ao longo da década de 1990, deixa de abrigar apenas a população de baixa renda, típica do espaço disponível nas áreas de baixada e passa a acolher população do tipo médio e médio superior, apresentando uma tendência de ascensão às tipologias socioespaciais oriundas da intervenção do Estado e da especulação capitalista (CARDOSO et al., 2006). Dentre os seus principais corredores de tráfego, constituídos após intervenções nas condições de infraestrutura do bairro a Avenida Alcindo Cacela (destacada na ilustração 3) que atravessa praticamente toda a extensão do bairro e começa no bairro do Umarizal e finda à beira do Rio Guamá no bairro da Condor tornou-se um corredor de subcentro de comércio e serviços urbanos, gerando uma diferenciação do status dessa região. Nela estão situados a Unidade Municipal de Saúde que opera para atender as necessidades de saúde, a Feira Municipal - que após anos situada no meio da rua passou por uma revitalização e foi entregue em 2011, comércios de variedades, grandes armazéns, consultórios médicos populares, praça pública - local onde antes funcionava o Forno Crematório, dentre outras (BELÉM, 2012). Passando da paisagem natural a paisagem humana, a história da Cremação reflete o vai e vem das mudanças de lideres políticos. As ações ordenadoras de Antônio Lemos na primeira década do século 20 e as mais recentes nos anos 40 e 70 tiveram uma inflexão indireta com a drenagem do canal da Estrada Nova e da qual existem vestígios do então Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) como se vê em algumas comportas de madeira que são parte da Avenida Bernardo Sayão; apenas marginalmente o bairro foi beneficiado e ademais esse saneamento não incluiu tratamento de dejetos. Entre o forno de lixo e o primeiro canal da Estrada Nova, a urbanização se fez quantitativamente e o ambiente não avança de todo qualitativamente (PENTEADO, 1968).

21 20 Ilustração 3 - Indicação do principal eixo comercial do Bairro da Cremação. Fonte: Cardoso et al. (2006). Atualmente, a Cremação encontra-se em processo de reconstrução estrutural devido à implantação do Projeto de Macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova iniciado em 2009, e que visa solucionar os problemas de caráter socioambiental, provocados pelas enchentes do Rio Guamá e pelo acúmulo de lixo o qual provoca o surgimento de condições sub-humanas de moradia e saúde. Para isso, a Prefeitura de Belém realiza obras de drenagem dos canais referentes à Sub-Bacia II que atravessam o bairro e que quando concluídas receberão serviços de acabamento como pavimentação e adaptação das vias que os margeiam o que favorecerá um maior e melhor escoamento nessas regiões. Ultimamente vem sofrendo uma renovação urbana, mediante aos grandes impactos na sua estrutura física com o projeto de revitalização do espaço urbano, asfaltamento de vias, reforma da feira municipal e o novo projeto de Macrodrenagem da Estrada Nova que vem gerando tratamento dos canais referentes à sua sub-bacia.

22 21 2 CAPÍTULO I: EVOLUÇÃO URBANA DA CIDADE DE BELÉM/PARÁ Este capítulo aborda sobre o processo de construção urbana e a configuração desse ambiente na cidade de Belém assim como a incorporação das áreas de baixada no espaço citadino para interligar setores e garantir moradia e trabalho próximo ao centro. Abordará ainda a situação da macrodrenagem em especial a Bacia Hidrográfica da Estrada Nova no município e as questões relecionadas aos agravos coletivos e as soluções encontradas para resolver tais questões. 2.1 URBANIZAÇÃO A cidade de Belém apresenta uma localização geográfica estratégica, encontra-se no nível mais alto da cota de 15 m, às margens da Baía do Guajará e do Rio Guamá, dista 120 quilômetros do mar no estuário do Rio Pará, o que favorece um sistema hidroviário independente o que lhe permite um fácil acesso ao Oceano Atlântico, e assim, se beneficia com a criação de portos para dar vazão à importação e exportação (COUTO; CASTRO; MARIN, 2002). Ao longo do século XX ocorreu a consolidação da estrutura urbana de grandes cidades, época está em que a cidade de Belém se vê inserida ao resto do Brasil, em virtude de grandes projetos para a ocupação e exploração da Amazônia. Entre os séculos XIX e XX, Belém viveu um tempo áureo, conhecido como Belle Époque, devido à exploração da borracha, onde o modelo europeu de urbanização adotado gerou a ocupação do território e a implantação de vários elementos de infraestrutura como calçamento de ruas, iluminação, arborização, construção do cais do porto e medidas de saneamento (BARROS et al., 2008; TRINDADE JR, 1997). A ocupação se deu de forma diferenciada devido a condições geográficas do território, o que desencadeou as manifestações de desequilíbrio espacial da estrutura urbana Belém é formada por vários acidentes hídricos que no processo de ocupação do solo foram contornados em vez de serem saneados o que segundo Penteado (1968) mascarou as características próprias do sítio de Belém, momento este que origina os problemas referentes à rede de água e esgoto e escoamento da cidade. Constituída por terras altas e baixas, a cidade estabeleceu uma segregação espacial imposta, onde as terras altas e firmes eram ocupadas pela elite local, detentora de poder e de influências gerando investimentos de infraestrutura. Já as terras baixas e alagadas, próximas à

23 22 área central, conhecidas como baixadas 3 eram ocupadas pelas classes trabalhadoras e de poucos recursos, área está de precária ou nenhuma infraestrutura (TRINDADE JR, 1997; VILLAÇA, 2001). Esse fenômeno é explicado por Villaça (2001) como o padrão das metrópoles brasileiras, divididas entre o centro e a periferia, onde a segregação urbana torna-se um processo de organização espacial, sendo desencadeada pela concentração cada vez mais diferenciada das regiões gerais da metrópole com classes sociais distintas; mas essas regiões não são necessariamente exclusivas de uma determinada classe. Com a dinâmica econômica brasileira, novos padrões de ocupação urbana foram surgindo devido à intensificação do processo de industrialização e a construção de grandes eixos rodoviários a partir de 1960, o que induziu um novo fluxo migratório ao longo das rodovias e provocou o surgimento de meios diferenciados no processo de organização do espaço urbano, distanciando a população menos favorecida da área central, esta foco das principais atividades da cidade (BARROS et al., 2008). Segundo Duarte e Gomes (2002), a cidade se constrói por um processo social contínuo, onde o fluxo de produção, de troca e de população entra em ação no jogo de forças para a crescente urbanização. Atualmente, a cidade de Belém é o principal polo metropolitano da Região Norte, mais para compreender esse status um breve levantamento da dinâmica de crescimento urbano deve ser explorado. Constituída por uma área territorial de 50,5 mil hectares, dividido em território continental 17,3 mil hectares e território insular com 33,2 mil hectares. Passou por vários momentos de crescimento populacional como apresentado por Rodrigues (1994), entre os períodos de havia habitantes, entre eram habitantes e entre foram habitantes e mais recentemente no censo de 2010 apresenta uma população em torno de milhões de habitantes (IBGE, 2012). Seu crescimento partiu da exploração da primeira légua patrimonial 4, que iniciou em ocupações pioneiras as margens do Rio Guamá e se expandiu para o interior do continente, constituindo um semicírculo de 6,6 km de raio, composto pelos bairros Jurunas, Batista Campos, Nazaré, São Braz, Marco, Condor, Guamá, Terra Firme e ao redor da Baía do 3 As baixadas são classificadas como áreas urbanas sujeitas às oscilações da maré, encontram-se em nível de cota de aproximadamente 5-10 metros e que no período chuvoso é atingido por inundações e/ou alagamentos (PENTEADO, 1968). 4 Corresponde a uma área de aproximadamente uma légua (6.600m), sendo o ponto geográfico que deu origem à cidade de Belém se estendendo até os limites da atual Dr. Freitas (TRINDADE JR, 1997).

24 23 Guajará composto pelos bairros Cidade Velha, Comércio, Reduto, Umarizal e Telegrafo (DUARTE; GOMES, 2002; UEMURA et al., 2009). Dados do IBGE mostram a dinâmica crescente da região metropolitana composta pelos municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara e Santa Izabel, cada um com características peculiares de desenvolvimento, que geraram degradação ambiental e social no intuito da população em garantir moradia e trabalho, mesmo assim, a cidade de Belém foi por anos o polo atrativo de contingente populacional, a ilustração 4 apresenta o modo como ocorreu essa dispersão para além da primeira légua patrimonial. Atualmente, esse crescimento é baixo, 1,3% ao ano, em relação às outras cidades da região amazônica (CARDOSO et al., 2006; UEMURA et al., 2009). Ilustração 4 - Fluxos migratórios para as áreas de expansão. Fonte: Barros et al. (2008).

25 24 A queda do crescimento populacional deve-se ao processo de exploração do solo ao longo de novas rodovias o que favoreceu o processo de conurbação da região metropolitana, a valorização imobiliária das terras da primeira légua e a saturação das terras baixas próximas ao centro urbano metropolitano (LOBO, 2006). Quando as cidades são analisadas por dentro há outra percepção. Visto que, a organização interna das cidades segue padrões diferenciados mediante as condições socioeconômicas de sua população, pois todas partem de um Centro Principal, local de fundação da cidade, de grande valor histórico e detentora de uma área comercial ativa; Subcentros de Comércio e Serviços, para atender moradores de diferentes bairros afastados do centro; Bairros Residenciais, zonas de segregação espacial, onde a variável renda é definidora do espaço e as Áreas Industriais, zona de atrativo para trabalhadores, muitas vezes situadas ao longo de eixos rodoviários para facilitar o escoamento da produção. Portanto, as grandes cidades são classificadas como entidades socioespaciais complexas, que se modificam mediante os interesses capitalistas, esse crescimento econômico gera vantagens e desvantagem no processo de urbanização, onde o centro é bem servido de serviços urbanos e comunitários, já as periferias e/ou baixadas, são constituídas de pouco ou nenhum serviço urbano, geralmente classificado como insalubres (SOUZA, 2003; VILLAÇA, 2001). Com a criação de eixos viários acessíveis, a cidade passa a expandir seus limites territoriais, onde os valores dos imóveis determinam as características da ocupação, mediante tal situação, a população de alta renda ocupa terrenos bem maiores que no centro e geram uma separação crescente entre os locais de moradia e trabalho; também o próprio Estado contribui com a especulação imobiliária quando gera ações de infraestrutura urbana em determinados bairros, atendendo uma classe social dominante e formando então zonas mais afastadas para a população carente que não consegue se manter em zonas centrais ou com estrutura urbana satisfatória (BARROS et al., 2008; SOUZA, 2003). No caso específico de Belém, seu centro principal detém uma grande concentração de emprego e renda devido seu comércio ativo e a presença de grandes instituições públicas e privadas, e possui grandes vantagens estruturais como infraestrutura urbana, saneamento básico e serviços urbanos e comunitários, apresentando alta especulação imobiliária. O crescimento desordenado do Município foi desencadeado por descontinuidades e alta especulação imobiliária, pela falta de uma política de desenvolvimento urbano que gerasse melhor distribuição de serviços urbanos, principalmente de saneamento básico e de infraestrutura de equipamentos urbanos nos bairros ocupados pelos mais pobres. Esse processo de expansão e transformação urbana proporciona uma baixa qualidade de vida a

26 25 parcelas significativas da população e um forte impacto ambiental na cidade (GROSTEIN, 2001). Em seus estudos sobre a dinâmica de urbanização da cidade de Belém, Rodrigues (1996) afirma que o desenvolvimento histórico do município gerou uma somatória de problemas e conflitos socioambientais e de situações de risco que afetam diretamente à saúde, à qualidade de vida da população e à qualidade ambiental do espaço físico, os bairros são locais de reprodução da dominação social, econômica e política através do espaço. Uma vez consolidado, o espaço urbano cria uma diferenciação de seus setores tanto paisagísticos quanto funcionais onde os preços do solo são frutos da segregação. Com a valorização das terras altas e bem estruturadas e a saturação das terras baixas, a dinâmica urbana se modifica e a população passa a morar ou deixar de morar em um determinado setor (PENTEADO, 1968; VILLAÇA, 2001). No caso da Cidade de Belém, a lei nº 7.806, de 30 de junho de 1996 delimita as áreas que compõem os 71 bairros do Município (ANEXO A). Observa-se a concentração de bairro tipicamente de classe alta e baixa, como também sua concentração populacional. Atualmente, as áreas mais densas em população são próximas ao centro Jurunas, Condor, Cremação e Umarizal. Portanto, o bairro da Cremação encontra-se como foco de análise desse estudo, uma vez que, faz parte do centro urbano expandido em área de baixada, localiza-se contíguo a bairros de extrato mais rico (Nazaré e Batista Campos) e com maior e melhor estrutura de serviços urbanos, como também com bairros de infraestrutura urbana e de serviços deficientes (CARDOSO et al., 2006). Sendo assim, algumas considerações a respeito das áreas de baixada de Belém devem ser feitas. Essas áreas correspondem a aproximadamente 40% da área urbana da capital, situadas em regiões em parte próximas ao centro principal, com dificuldade de acesso e a população que ocupava esses espaços é de baixo poder aquisitivo. O fluxo populacional dessas extensões aumenta a partir da década de 60 com o elevado êxodo rural provocando uma alta densidade demográfica nesse sítio que associado a carência e a insuficiência de equipamentos urbanos e comunitários proporcionam situações de insalubridade e precariedade das condições de vida dessa população o que os deixam excluídos do direito à cidadania. Essas áreas foram inseridas lentamente na estrutura urbana da cidade de modo a solucionar os problemas referentes à moradia e trabalho da classe operária, atraindo a atenção do poder público que em momentos específicos, como os chamados anos eleitorais, e circunstâncias diversas recebem obras de recuperação, saneamento e controle de endemias redefinindo o seu papel dentro do urbano (TRINDADE JR, 1997).

27 26 Entorno de 20 bairros do município corresponde às áreas de baixada e são cortados por cinco grandes bacias hidrográficas sendo as mesmas: Bacia do Reduto; Bacia da Tamandaré; Bacia do Una; Bacia da Estrada Nova e Bacia do Tucunduba. Algumas dessas bacias já sofreram interversão governamental em parceria com a Prefeitura Municipal no intuito de garantir integração entre setores da cidade, saneamento básico, tratamento de água e esgoto e melhores condições de saúde, o que gerou valorização do espaço e reestruturação social configurando-se como zona nobre da cidade (TRINDADE JR, 1997). Um exemplo relacionado à situação exposta é encontrado nos bairros da Pedreira e do Marco a partir da Macrodrenagem da Bacia do Una, proporcionando melhoras na infraestrutura urbana e despertando o interesse do setor imobiliário que vem reformulando as características socioeconômicas do local mesmo com a existência de políticas públicas voltadas para as zonas especiais de interesse social, que visa à manutenção da população típica da área. 2.2 A SITUAÇÃO DA MACRODRENAGEM EM BELÉM: UM ESTUDO SOBRE A BACIA HIDROGRÁFICA DA ESTRADA NOVA. Devido à sua localização, a cidade de Belém sofre com inúmeros problemas no seu sistema de drenagem, uma vez que, o município é entrecortado por furos e igarapés que no decorrer dos séculos foram aterrados ou canalizados em canais de esgoto, devido à dinâmica de crescimento urbano (LIMA, 2004; TAVARES, 2008). Isso traz consequências negativas de várias naturezas. Dentre estas destacamos as expostas por Rodrigues (1996, p.168): problemas relacionados à saúde da população que ocupa as margens dos canais; o assoreamento como consequência dos movimentos de terra mal projetados ou espontaneamente realizados; a poluição do espaço ambiental e a ocorrência de significativas alterações no meio biológico. Mediante as características físicas da cidade, principalmente no período chuvoso, surgem várias áreas de retenção hídrica devida a grande deficiência de escoamento, sobretudo nas áreas de baixada foco de grandes problemas sociais e ambientais. Mesmo a paisagem que circunda os canais é prejudicada entre outros fatores por lixo não retirado, além das águas pluviais retidas. Ao longo dos anos Belém vem se desenvolvendo na luta contra sua topografia, em uma visão global da situação da cidade, vários programas de recuperação foram implantados.

28 27 Com o desenvolvimento urbano, em meados do século XIX, se dá início ao aterramento da baixada do Piri, que dividia a cidade em dois extremos (leste oeste), o que impedia à expansão contígua da mesma. Sendo assim, as formas naturais do sítio urbano não foram respeitadas na justificativa de integrar, higienizar e embelezar o município. O mesmo ocorreu com outros igarapés no interior do espaço citadino principalmente nos trechos das áreas de baixada (PENTEADO, 1968; TRINDADE JR., 1997). Por intervenção do Serviço Especial de Saúde Pública, na década de 40, houve obras de drenagem das áreas baixas para proteção da orla fluvial criando-se o dique da Estrada Nova que compreende no trecho entre o igarapé do Tucunduba e o igarapé da Tamandaré. Tendo em vista que essa área permanecia parcialmente alagadas o que favorecia a proliferação de microvetores causadores de doenças (TRINDADE JR., 1997). Na década de 80, foi realizada a limpeza de canais, coleta de entulhos e a roçagem de mato nas áreas de baixada. Já na década de 90 foi iniciado o Programa de Macrodrenagem do Una, parceria entre o Estado do Pará e a Prefeitura Municipal de Belém que só veio a ser finalizada em 2005, mas que, atualmente, é considerado um grande projeto de saneamento e que gerou muitos resultados positivos no âmbito da qualidade de vida da população e transformou a região em uma grande área de especulação imobiliária, principalmente por se localizar próximo ao centro (RODRIGUES, 1996). O município de Belém conjuga 13 das 14 de suas bacias hidrográficas 5 a maioria das quais integradas por várias sub-bacias que penetram extensamente o sítio urbano por quase todos os lados, conforme mostra a ilustração 5. Vale resaltar que com o processo de urbanização atual muitas dessas bacias de drenagem já sofreram algum tipo de intervenção (TRINDADE JR., 1997). 5 Sistema hídrico no qual a drenagem é feita a partir da conversão, por diferença de cota, de toda a massa líquida para um único ponto, chamado enxutório, seguindo para um rio, mar ou oceano, como ponto final de deságue (ABRH, 2000 apud LIMA, 2004, p.31).

29 28 Ilustração 5 Bacias Hidrográficas da Cidade de Belém. Fonte: Belém (2012).

30 29 Atualmente, um novo projeto de saneamento está sendo implantado na cidade. O Programa de Recuperação Urbano Ambiental da Bacia da Estrada Nova (PROMABEN), iniciado em 2009 e com prazo de finalização em 2014, surge para solucionar problemas ambientais, dentre os mesmos aqueles relacionados às questões de saneamento básico e melhorar as condições de acessibilidade habitacionais, de lazer e recreação que afetam os moradores das áreas de baixada (BELÉM, 2012). A Bacia Hidrográfica da Estrada Nova (BHEN) apresenta uma extensão de 9,54 km², sendo a quinta maior bacia hidrográfica existente na Cidade de Belém (Ilustração 6), com 72,70% de seu solo sujeito a alagamento devido sua localização em cotas altimétricas iguais ou inferior a 4,0 metros e pelos efeitos das marés e/ou das chuvas constantes. Dados do PROMABEN mostram que o entorno da bacia apresenta em média habitantes, distribuídos em oito bairros Batista Campos, Cidade Velha, Condor, Cremação, Guamá, Jurunas, Nazaré e São Brás (Ilustração 7), o que corresponde a 15,6% da população do município de Belém (BELÉM, 2007). Ilustração 6 Bacia Hidrográfica da Estrada Nova. Fonte: Belém (2007).

31 30 Ilustração 7 Gráfico da população residente por bairro na BHEN. Fonte: Belém (2007). Em pesquisa de campo realizada por Lima (2004), o complexo hidrológico da BHEN é formado por um conjunto de 10 sub-bacias distribuído entre os bairros já citados anteriormente e comporta uma extensa rede de canais receptores como mostra o quadro 1. Quadro 1 Configuração atual da BHEN. Sub-Bacias Canal Receptor Largura Extensão (m) Área (ha) 1, 2, 4 e 8 Bernardo Sayão 2, , de maio 4, , de março 4, ,15 6 Dr. Moraes 4, ,70 7 Quintino 4, ,77 9 Caripunas 2, Timbiras 3, ,28 10 Arsenal 4, ,68 Fonte: CODEM (1998) apud Lima (2004, p. 77).

32 31 A partir da década de 1960 quando as áreas de baixada são incorporadas ao espaço urbano, estas não se encontravam com infraestrutura adequada para garantir condições de vida saudáveis à população que ali se instalara. Nesta época algumas intervenções foram realizadas pelo governo como o asfaltamento do dique da Estrada Nova que gerou uma pequena elevação da cota favorecendo o tráfego local e o adensamento populacional (LIMA, 2004). Já os habitantes que passaram a ocupar de maneira desordenada as margens dos canais geram um assoreamento dessas margens devido ao lixo, os entulhos jogados dentro de valas e canais e o mal cheiro por a falta de esgotamento sanitário, provocando um grande impacto ambiental e de saúde. Essa situação se estendeu por vários anos e agora com a implantação do PROMABEN deverá garantir melhora da qualidade de vida e da saúde ambiental e social da população residente nessa bacia (LIMA, 2004; PINHEIRO; GIRARD, 2009). O programa de macrodrenagem que contempla o bairro da Cremação se encontra em andamento. Cerca de quatro quilômetros de canais pertencentes à BHEN estão sendo executado o aprofundamento do leito, com limpeza e retirada de entulhos, elementos que favorecem a ocorrência de alagamentos e até o assoreamento permanente dos igarapés e canais, provocando caos ao sistema viários, risco e agravos de saúde e comprometimento do sistema de água e esgoto. O tracejado contínuo na ilustração 8 pode ajudar a perceber em imagem aquilo que nosso texto procura destacar (BELÉM, 2012). Ilustração 8 - BHEN em destaque área que corresponde ao Bairro da Cremação. Fonte: Belém (2007).

33 32 3 CAPÍTULO II: POLÍTICAS PÚBLICAS Este capítulo desenvolve-se a partir de um entendimento sobre Políticas Públicas, como estas são constituídas e no caso específico desta pesquisa se analisa a interação entre as Políticas Públicas de Saúde e do Ambiente, assim como, os instrumentos que expressam suas ações dentro do ambiente urbano. 3.1 CONSTITUIÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS O Estado é a organização dentro de um país com a função de estruturar a sociedade que o compõe, promovendo o seu desenvolvimento, garantindo sua ordem, segurança e equilíbrio. O Estado atinge seus objetivos por meio de políticas públicas focalizadas em questões específicas que são articuladas mediante interesses individuais e/ou coletivos dependendo do problema a ser solucionado. As relações de troca entre governantes e aqueles que lhes dão apoio é a essência da ação do Estado (BRESSER-PEREIRA, 2004). As políticas públicas são construídas para impulsionar o desenvolvimento econômico do Estado e promover a inclusão social de grande parte dos cidadãos. Para construir e entender os desdobramentos das políticas de saúde e do ambiente no Brasil certas formulações teóricas e conceituais devem ser evocadas; aqui se usarão os conceitos de Peters em 1986, Política pública é a soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou por delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos e a clássica de Lowi em 2004, em que política pública é uma regra formulada por alguma autoridade governamental que expressa uma intenção de influenciar, alterar, regular, o comportamento individual ou coletivo através do uso de sansões positivas ou negativas (SOUZA, 2007, p.68). Com base nesses conceitos pode-se mencionar que as políticas públicas servem para explicitar relações do governo com a sociedade e como surgem os instrumentos para sua aplicação, por meio da formulação de programas, sua implantação, acompanhamento e avaliação; respeitam o ciclo constituído de: definição do problema a ser resolvido; consciência coletiva para enfrentar o problema; e os participantes envolvidos nesta arena política. O quadro 2 ilustra a situação exposta e demonstra as fases que compreende o ciclo das políticas públicas.

34 33 Quadro 2 - Ciclo da política pública e sua relação com a aplicação do modelo de solução do problema. Fonte: Howlett e Ramesh (1995) apud Giovanella et al. (2008, p. 74). As instituições são instrumentos criados para colocar em prática as políticas públicas ocorridas dentro de uma dada arena social, ou seja, resolvem os problemas da ordem do coletivo. Levi (1991) apresenta a construção dessas instituições e como são articuladas as políticas sociais e econômicas, sofrendo as devidas adaptações à estrutura organizacional do Governo e à cultura social local. Levi (1991, p.80) define que uma instituição caracteriza-se pela capacidade de delimitar escolhas e por possuir mecanismos de decisões, o que acarreta a redução de certos custos de transação. Instituições de diferentes tipos possuem diferentes arranjos para monitorar e decidir, onde o poder de barganha e o acesso a recursos são desiguais, o que implicaria em utilizar pressões sociais para se alcançar um benefício coletivo. Portanto, a partir do entendimento de como se constitui a criação das políticas públicas, se observa que setores específicos da sociedade se articulam com a finalidade de garantir resultados que atendam a seus interesses. Ressaltando que muitos setores se entrelaçam e se sobrepõem no intuito de manter a dinâmica estrutural necessária ao convívio entre os cidadãos, sendo o caso das políticas públicas envolvendo a saúde e o ambiente. 3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE O direito à saúde é fundamental, garantido na Constituição Federal de Sendo que sua expressão enquanto fundamento inicia-se no art.1º, inciso III que se refere à dignidade da pessoa humana, ou seja, um princípio básico e fundamental para as condições dignas da existência humana, pois o Estado deve proporcionar aos cidadãos condições de vida decente. Mediante tal princípio, a saúde é firmada como um direito social no art. 6º da Constituição Federal e ao consistir-se enquanto um direito social deve-se analisar sua materialização efetiva e sua relevância pública nas ações e nos serviços do Estado.

35 34 A saúde abrange vários segmentos do sistema público, sendo fundamental a maneira como esses sistemas se articulam para assegurar um direito garantido pela Constituição Federal que em seu art. 196, expressa: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 2008, p.114). O conceito de saúde envolve uma abrangência interdisciplinar, se complexifica e diversifica cada vez mais em vista de novas demandas que se multiplicam no processo de existência no urbano. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS): Saúde é o completo bem estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença. Assim como variável dependente e independente, causada e causadora, a saúde ambiental 6 perpassa aqueles elementos elencados no conceito da OMS (CAMPOS, 2009, p.116). Dentre as múltiplas interpretações é notório considerar a saúde como uma qualidade inata do homem mediante o seu comportamento individual e resultante das suas condições de vida aos aspectos sociais do ambiente urbano entre os mesmos, a moradia, o lazer, a infraestrutura e a educação. Ressalta-se ainda que a saúde é influenciada, não apenas por fatores específicos, ou seja, por processos biológicos e sociais, mas pela interação entre os mesmos constituindo um sistema complexo e dinâmico em contínuo processo de adaptação e evolução (AUGUSTO; BELTRÃO, 2008; CAMPOS, 2009; RIBEIRO, 2004). É mister inserir neste conceito, à qualidade de vida 7, relativizando as questões inerentes à ela e ao ambiente, visto que, este é apresentado como o primeiro princípio do direito ambiental e assegurado também no art. 225 da Constituição Federal que expõe: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 2008, p.127). Desta maneira, podendo assim traduzi-lo como: o Estado tem por obrigação garantir um ambiente saudável por meio de políticas públicas, dentre estas o saneamento básico, a 6 A Saúde Ambiental compreende a intervenção do setor saúde em nível de território para garantir o desenvolvimento humano (AUGUSTO; BELTRÃO, 2008, p.30). 7 Termo subjetivo entendido como a percepção do indivíduo sobre o seu próprio estado de saúde, a sua influência no contexto cultural e no sistema de valores em que o indivíduo esta inserido. Relaciona-se ao grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social, ambiental e à própria estética existencial (RIBEIRO, 2004, p.61).

36 35 coleta de lixo, a moradia, a educação, a saúde, mais emprego e renda visando manter a integridade biopsicossocial dos cidadãos, a fim de evitar uma extrema desigualdade e iniquidade ambiental e na saúde. Vale ressaltar que, a saúde não pode ser avaliada apenas baseada no modelo biomédico 8, sem considerar a sua dimensão subjetiva, a mesma inclui folclore, costumes, leis entre outros e a necessária socialização via educação para dar suporte ao que pode ser de fato mente sã, corpo são, ou seja, analisar toda e qualquer manifestação dos sujeitos viventes, ressaltando seu modo de vida e suas maneiras de se relacionar com o ambiente (CAMPOS, 2009). O que Leff (2001) apresenta em seus estudos sobre a interdisciplinaridade entre as relações sociedade-natureza, articulando a caracterização do ambiente e a conscientização dos cidadãos na manutenção do seu estado de saúde. Dessa forma, faz-se necessário analisar o processo saúde-doença 9 como um todo, que Tancredi, Barrios e Ferreira (1998 apud Silva, 2006, p.3) descrevem como: um processo social caracterizado pelas relações dos homens com a natureza (meio ambiente, espaço, território) e com os outros homens (através do trabalho e das relações sociais, culturais e políticas) em um determinado espaço geográfico e em um determinado tempo histórico. Para alcançar tal proposto se devem cunhar políticas públicas que relacionem o modo como à sociedade se organiza social e economicamente e as condições de saúde da população (alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação), visto que estão diretamente relacionadas. A saúde e o ambiente são categorias sociais multifacetadas inseridas em um mesmo contexto espacial e que interferem diretamente na dinâmica da cidade e do cidadão. Assim a saúde é um fenômeno forjado dentro e fora do indivíduo e este age de acordo com suas características socioculturais. A mesma é, particularmente, importante para as populações das periferias urbanas e rurais, uma vez que, a carência em estruturas físicas e a ação do homem neste meio são fatores condicionantes da percepção do estado de saúde. A construção do espaço urbano estimula os indivíduos a adaptar-se física, mental e socialmente as variações do ambiente ocasionando percepções diferenciadas do processo saúde-doença (IANNI, 2000). Mediante a interrelação entre o processo de construção do urbano por meio de seus serviços públicos 10 e as dimensões que envolvem a saúde, se inicia a reforma do Sistema de 8 Atenção médica individualizada relacionando a doença apenas ao processo biológico (CAMPOS, 2009). 9 Segundo o Ministério da Saúde representa um conjunto de relações e variáveis que produzem e condicionam o estado de saúde e de doença de uma população, que varia em diversos momentos históricos e do desenvolvimento científico da humanidade (BRASIL, 2006, p.27).

37 36 Saúde brasileiro após lutas de classes que envolveram atores sociais distintos em busca de tornar real o direito fundamental à Saúde, analisando sua materialização efetiva e sua relevância pública nas ações e nos serviços do Estado. Dessa forma, regulamenta-se o Sistema Único de Saúde (SUS), expressão institucional da política pública de saúde no Brasil (CAMPOS, 2009) Sistema Único de Saúde O SUS foi criado no Brasil pelo art. 198 da Constituição Federal de 1988, quando a sociedade se mobilizou por meio de Conferências, inclusive internacionais, conforme a Carta de Ottawa em 1986, em busca de uma Promoção de Saúde 11 justa e igualitária, constituindo uma das metas sociais mais importantes no mundo. Visto que, o subdesenvolvimento de alguns países está relacionado à pobreza, as doenças e às epidemias e o acesso aos serviços de saúde era garantido apenas àqueles que podiam pagar, ou seja, uma minoria. Sendo assim, o SUS é fruto da Reforma Sanitária Brasileira que mobilizou vários atores sociais, no intuito de propor novas políticas e novos modelos de organização do sistema, dos serviços e das práticas de saúde (CAMPOS, 2009). Os atores sociais responsáveis pelas reformas sanitárias não foram os mesmos que levaram adiante a implantação do sistema, visto que, durante sua implantação, novos atores foram surgindo na arena política em questão. O processo de formulação da política de saúde é consolidado por um sistema híbrido público e privado e que repercute no acesso aos serviços de saúde. A rede social que impulsiona o SUS é composta pelos pagadores, Estado e empresário, responsáveis por gerar os serviços; os provedores, movimento médico organizado, interessado em prestar os serviços e aproveitar as oportunidades geradas pelo contexto e o movimento popular de saúde, Conselhos de Saúde e Usuários do Serviço, ainda com pouca possibilidade de interferência real no mesmo Sistema ou condições de mobilização e sustentação à Reforma do Sistema (GERSCHMAN; SANTOS, 2006). A seção da saúde na Constituição Federal de 1988 e as Leis Orgânicas nº. 8080/90 e nº. 8142/90 12 que regulamentam suas ações formulando os papéis dos entes governamentais 10 Lobo (2004) considera serviços urbanos, de acordo com a Lei nº 6.766/79, Art 2º, como sendo compostos pelo escoamento das águas pluviais, iluminação pública, redes de esgoto sanitário e abastecimento de água potável, e de energia elétrica pública e domiciliar e as vias de circulação, pavimentadas ou não. 11 Silva (2006, p.3) define promoção de saúde como processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde. 12 As Leis Orgânicas nº. 8080/90 e nº. 8142/90 foram criadas para regulamentar a legislação que rege o SUS e dispõe sobre o planejamento, seus instrumentos de ação, bem como, seu financiamento (BRASIL, 2009a).

38 37 na prestação de serviços e na gestão do sistema de saúde constituem as bases jurídicas do SUS e são complementadas por legislações estaduais e municipais. Esses conglomerados de ordenamentos jurídicos do sistema de saúde (abrangente e detalhista) quando colocados em prática, geram diversas dificuldades ao empregar o sistema e a maneira como o serviço é prestado os cidadãos brasileiros (BRASIL, 2009a). As ações e serviços de saúde públicos e privados são desenvolvidos de acordo com Princípios 13 e Diretrizes 14 que passam a constituir as regras pétreas do SUS. O quadro 3 apresenta essas regras mostrando os direitos dos cidadãos e os deveres do Estado que são: a Universalidade; a Integralidade; a Equidade; o Direito à informação; a Descentralização e a Participação comunitária. Podemos observar no quadro que dentre os deveres do estado para garantir uma política de saúde eficiente deve-se buscar a integração entre outros instrumentos de ação do poder público. Quadro 3 Síntese dos Princípios e Diretrizes do SUS. PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO SUS Universalidade no acesso e igualdade na assistência DIREITOS DOS CIDADÃOS Igualdade de todos às ações e aos serviços necessários para promoção, proteção e recuperação da saúde. DEVERES DO ESTADO Garantia de ações e serviços necessários a toda a população, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie, independentemente da natureza das ações envolvidas, da complexidade e do custo do atendimento. Integralidade na assistência Acesso a um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços resolutivos, preventivos e curativos, individuais e coletivos, de diferentes complexidades e custos, que reduzam o risco de doenças e agravos e proporcionem o cuidado à saúde. Garantia de condições de atendimento adequadas ao indivíduo e à coletividade, de acordo com as necessidades de saúde, tendo em vista a integração das ações de promoção de saúde, a prevenção de doenças e agravos, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. Articulação da política de saúde com outras políticas públicas, como forma de assegurar uma atuação intersetorial entre as diferentes áreas cujas ações tenham repercussão na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Fonte: Giovanella et al. (2008). 13 De acordo com o Ferreira (2010, p.611) principio é definido como momento ou local ou trecho em que algo tem origem; causa primária; origem; preceito, regras. 14 Diretriz pode ser definida como linha reguladora de um caminho ou estrada, de um plano, um negocio, ou de procedimento (FERREIRA, 2010, p.257).

39 38 Quadro 3 Síntese dos Princípios e Diretrizes do SUS (continuação). PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO SUS Participação da comunidade DIREITOS DOS CIDADÃOS Participação na formação, na fiscalização e no acompanhamento da implantação de políticas de saúde nos diferentes níveis de governo. DEVERES DO ESTADO Garantia de espaços que permitam a participação da sociedade no processo de formulação e implantação da política de saúde. Transparência no planejamento e na prestação de contas das ações públicas desenvolvidas. Descentralização, regionalização e hierarquização de ações e serviços de saúde. Acesso a um conjunto de ações e serviços, localizados em seu município e próximos à sua residência ou ao seu trabalho, condizentes com as necessidades de saúde. Atendimento em unidades de saúde mais distintas, situadas em outros municípios ou estados, caso isso seja necessário para o cuidado à saúde. Garantia de um conjunto de ações e serviços que supram as necessidades de saúde da população e apresentem elevada capacidade de resposta aos problemas apresentados, organizados e geridos pelos diversos municípios e estados brasileiros. Articulação e integração de um conjunto de ações e serviços, de distintas naturezas, complexidades e custos, situados em diferentes territórios político-administrativos. Fonte: Giovanella et al. (2008). O SUS é formado por um conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas nos três âmbitos de governo, mantidos pelo Poder Público por meio de administração direta e indireta, não se prestando a um simples sistema assistencialista. Essa política de saúde se caracteriza por ser uma política redistributiva, ou seja, atinge um grande número de pessoas e impõem perdas e ganhos para grupos distintos a curto e longo prazo. A arena política em questão inclui grupos distintos de atores e excluem outros, formando grupos sociais de interesses específicos, que na visão de Olson (1999) expõe o papel crucial dos pequenos grupos na obtenção de resultados rápidos e seguro em benefícios próprios ou coletivos, já que estes se encontram mais organizados e ativos o que favorece seu potencial de ação. Diferente dos grandes grupos em que a quantidade de participantes, não permite a tomada de decisão segura e confiável, pois apresentam visões diferenciadas em relação à mesma questão. Este argumento explica o papel dos atores social que compõem a arena política da saúde no Brasil compondo o arranjo institucional do SUS. Dessa forma, observa-se que as Políticas Públicas de Saúde e de Meio Ambiente, assim como as demais, são concebidas sem considerar hierarquias ou protocolos legais e sim armadas pelo poder de barganha de grupos de interesse focados em criar ou manter abertas as janelas de oportunidades para ganhos futuros (GERSCHMAN; SANTOS, 2006).

40 39 A criação do SUS ocorreu no bojo do processo de democratização do país, em que o Governo Federal delegou aos Estados e aos Municípios grande parte das funções de gestão das políticas sociais. Arretche (1999, p.119) afirma que: o grau de sucesso de um programa de descentralização está diretamente associada à decisão pela implantação de regras de operação que efetivamente incentivem a adesão do nível de governo ao qual se dirigem. A implantação do SUS esbarra nas questões da descentralização e do financiamento. Uma vez que, o Brasil possui uma quantidade elevada de municípios pobres e a adesão destes envolve um alto custo político e financeiro de arcar com a responsabilidade pública da oferta universal de serviços de saúde devido às condições de elevada incerteza quanto ao fato de que o Governo Federal venha efetivamente a cumprir com sua função de financiamento do sistema, sem contar com os atrasos desse repasse (ARRETCHE, 1999). O Estado não possui suporte financeiro suficiente para efetivar a materialização e universalidade da rede pública de saúde, o que acarreta uma degradação na qualidade dos serviços prestados mediante aos fortes investimentos tecnológicos da iniciativa privada, ficando o SUS apenas para atender a classe economicamente desfavorecida, excluídos da assistência privada, com serviços de atenção básica e com os tratamentos de alta complexidade, muitos desses que não são cobertos pelos planos de saúde, o que vem a atrapalhar sua efetividade (MENICUCCI, 2007). Vale ressaltar que os serviços e programas no SUS estão ordenados em três níveis de atenção, que são a Básica, a Média e a Alta complexidade que seguem uma lógica organizacional de forma regionalizada e hierarquizada, como indicado na ilustração 9, permitindo um conhecimento maior dos problemas de saúde da população. Esse sistema de rede de serviços conforme apontado por Giovanella et al. (2008, p.627) favorece a realização de ações de vigilância epidemiológica, sanitária, controle de vetores e educação em saúde, além do acesso ao conjunto das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade.

41 40 Ilustração 9 Modelo da pirâmide: hierarquização e regionalização do SUS. Fonte: Giovanella et al. (2008). A atenção básica é o ponto de contato inicial com o SUS, tem o objetivo de cobrir as afecções e condições mais comuns, assim como, o acompanhamento rotineiro do estado de saúde da população. Para tal um dos requisitos iniciais esta relacionada à acessibilidade da população, ou seja, a eliminação de barreiras financeiras, geográficas, organizacionais e culturais e, portanto garantir à equidade de seus serviços (AUGUSTO; BELTRÃO, 2008; GIOVANELLA et al., 2008). As estruturas físicas que proporcionam o funcionamento desse nível de atenção são providas pelo município e corresponde às Unidades Municipais de Saúde. Neste nível de atenção os serviços são ambulatoriais compostos por: clínica médica, pediatria, ginecologia e acompanhamento nutricional. Como também outros procedimentos simples (curativos e vacinas) e o encaminhamento para outros níveis de atendimento. Sendo que sua configuração pode variar dependendo das necessidades de cada região (BRASIL, 2009b). Campos (2009, p.783) resalta ainda que: um Centro de Saúde primário deveria modificar-se de acordo com o tamanho e complexidade das necessidades locais, assim como da situação da cidade. Uma Atenção Básica bem organizada garante resolução de cerca 80% das necessidades e problemas de saúde da população de um município, bem como se torna menos oneroso a gestão da saúde e consolida um dos pressupostos do SUS: a integridade das ações (CAMARGO; MORRONE, 2005). Baseado nessas informações observa-se a necessidade do diálogo entre as políticas de saúde e ambiente visando garantir a harmonia da população. Quando ocorre a conexão entre as políticas se reduz os custos individualistas e amplia as possibilidades de novos investimentos, já que estudos mostram a influência positiva e negativa do ambiente na constituição do estado de saúde.

42 POLÍTICAS PÚBLICAS DO MEIO AMBIENTE Na Constituição Federal de 1988 o meio ambiente é apresentado como um direito (art. 225); sendo definido como: conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as formas (BRASIL, 2006, p.14). Constitui o habitat social do ser humano e nesse contexto o homem é o único ser vivo que tem o poder de projetar, organizar e destruir o próprio ambiente que ocupa atingindo proporções individuais e coletivas, onde os valores econômicos, políticos e culturais interfere diretamente nos impactos gerados (JACOBI, 2006). O desenvolvimento das cidades vem ocorrendo de maneira muito rápida sem um planejamento infraestrutural adequado e controlado, levando a uma desorganização financeira e administrativa das cidades o que acarreta problemas urbanos em nível de segregação espacial e impactos na saúde (SANTOS, 2005). As ações do poder público, na maioria das vezes, são influenciadas pelos interesses da classe dominante do que pelo propósito de gerar bem-estar coletivo, e suas omissões se manifestam de forma negativa e desorganizada no planejamento e na gestão urbana afetando dessa maneira diversas ações políticas nos aspectos que envolvem a saúde pública e o meio ambiente (GIOVANELLA et al., 2008). Dentro das relações que compreendem a saúde e o ambiente urbano se encontra as questões do saneamento, o quadro 4 a seguir traz informações a respeito do panorama histórico que envolve essa questão.

43 42 Quadro 4 Evolução histórica dos aspectos de saúde pública e meio ambiente no setor saneamento no Brasil. Fonte: Soares, Bernardes e Cordeiro Netto (2002, p.1715).

44 43 Os problemas provocados pelo acelerado desenvolvimento urbano geraram ações públicas no intuito de estabelecer normas e regulamentar à propriedade urbana e o bem coletivo. Dessa forma se estabelece o Estatuto da Cidade pela Lei nº de 10 de julho de 2001, a fim de regulamentar os art. 182 e 183 da Constituição Federal referente às políticas urbanas na intenção de ordenar as funções sociais da cidade. Em seu art. 2º, inciso IV, do Estatuto da Cidade, funda-se um plano de desenvolvimento das cidades ficando o gestor municipal responsável por garantir a organização interna do município em âmbito social, econômico e territorial, na intenção de restabelecer o controle sobre o crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre meio ambiente. Já o inciso V deixa ciente sobre a oferta de equipamentos urbanos e comunitários, transporte e serviços públicos adequados aos interesses e necessidades da população e às características locais (BRASIL, 2001, p.1). Como instrumento de ação para a execução do Estatuto da Cidade, surge então o Plano Diretor do Município de Belém, que apresenta em seu art. 3º os princípios fundamentais para sua gestão que compreende em seu inciso I a função social da cidade em todos os sistemas públicos. O Plano Diretor Municipal oferece no art. 4º, inciso II, promover as condições básicas de habitabilidade por meio do acesso de toda a população à terra urbanizada, à moradia e ao saneamento ambiental, bem como garantir a acessibilidade aos equipamentos e serviços públicos. Entre os serviços públicos garantidos se destaca aqui as Unidades Básicas de Saúde, levando em consideração sua localização, seus acessos e serviços, uma vez que, a estruturação da cidade está diretamente liga ao oferecimento e a qualidade dos atendimentos oferecidos à população e reforçando a relação existente entre as condições de vida geradas pela problemática urbana e sua interface com a as questões ambientais e da saúde (BELÉM, 2008, p.3; JACOBI, 2006). Na cidade de Belém, um dos problemas urbanísticos mais preocupantes na constituição do espaço urbano refere-se à ocupação do solo na garantia de moradia, com esse objetivo a população de baixa renda concentra-se nas áreas de baixada passando a ocupar as margens de canais e de rios provocando o desmatamento da área gerando desequilíbrio do ecossistema, outra situação encontrada refere-se ao tipo de moradia e a ausência de infraestrutura, como saneamento básico. O descaso momentâneo do poder público para essas regiões fere o direito constitucional referente à dignidade da pessoa e a sadia qualidade de vida. Atualmente, grandes investimentos já foram realizados em parcerias entre o Estado e a Prefeitura Municipal, no intuito de atender as necessidades da cidade. As interversões ocorridas principalmente nas bacias hidrográficas do interior da cidade mediante as obras de

45 44 macrodrenagem são exemplos de investimentos que incorporam as áreas de baixada ao espaço urbano, pois apresentam localização privilegiada, e após as obras passam por processo de valorização do território. A urbanização dessas áreas tende a expulsar seus moradores, visto que, tornam-se áreas de especulações do setor imobiliário. Para essas situações o Plano Diretor também atua por meio das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) que garantem um tratamento diferenciado as áreas afetadas pelas obras de macrodrenagem o que permite a manutenção da população envolvida no local após as melhorias do espaço (BELÉM, 2008; TRINDADE JR, 1997).

46 45 4 CAPÍTULO III: PERCURSO METODOLÓGICO Esta dissertação se iniciou a partir de um levantamento de dados sobre a situação geográfica do bairro da Cremação, com base nos dados estatísticos encontrados no site do IBGE e com dados sobre os fatores intraurbanos e as transformações estruturais sofridas pelo espaço nos últimos anos, informações encontradas em jornais locais disponíveis no Arquivo Público da Biblioteca Arthur Vianna, da Fundação Cultural Tancredo Neves. Em seguida um registro fotográfico foi desenvolvido pela pesquisadora no entorno da UMS- Cremação para reconhecimento das características do território em virtude de suas necessidades e possibilidades mediante as obras decorrentes da implantação do Programa de Recuperação Urbano Ambiental da Bacia da Estrada Nova (PROMABEN). O entorno da Unidade de Saúde destaca-se, pois se apresenta em situação crítica em relação às questões de saneamento básico, visto que exibe esgoto a céu aberto, excesso de lixo nas ruas, mato alto e animais de grande ponte soltos pela rua. As ilustrações 10, 11 e 12 são referencias as características territoriais do entorno da Unidade o que nos ajuda a perceber as situações do espaço urbano referido e as questões sanitárias estudadas. Ilustração 10 Situação das margens do Canal da Caripunas. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de 2011.

47 46 Ilustração 11 Esgoto a céu aberto no bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de Ilustração 12 Animais de grande porte soltos pelo bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de 2011.

48 47 Após autorização do gerente da Unidade (APÊNDICE A), o projeto precisou ser submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade da Amazônia (UNAMA) para então ter acesso às dependências e aos documentos da UMS Cremação, local principal do desenvolvimento dessa pesquisa, sendo aprovado conforme CAAE nº (ANEXO B). A coleta de dados ocorreu no período de maio e junho de 2012 e foi constituída de um levantamento documental dos relatórios de produção mensal e dos mapas de consulta diária referente aos anos de 2010 e 2011, assim como observações feitas durante as visitas na unidade. Os anos escolhidos para construção do banco de dados foi definido a partir do início das obras decorrentes do PROMABEN em 2009 a fim de registrar e conhecer as condições de saúde da comunidade para posteriormente comparar e demostrar a efetividade das ações de integração entre as políticas públicas de saúde e do ambiente relacionada às reconstruções urbanas sofridas pelo local em estudo mediante as obras de macrodrenagem. A pesquisa constituiu-se de um estudo descritivo de caráter quantitativo, visto que buscou descrever as características de uma determinada população, fenômeno ou estabelecimento de relação entre variáveis (XAVIER, 2010). A escolha do método quantitativo em assuntos que abordam a área da saúde é apresentada por Viana e Baptista (2008, p.84) como uma ferramenta essencial para medir o alcance de uma determinada política, sua linha de base, isto é, a situação inicial de sua implantação, do seu desempenho e de sua reformulação entre outros. Sendo assim, realizou-se a correlação dos dados referentes às características urbanísticas do entorno do domicílio no bairro da Cremação encontradas no Censo Demográfico Brasileiro com as demandas gerais dos serviços prestados pela Unidade de Saúde em específico os atendimentos médicos prestados pelas especialidades: clínica geral e pediatria, na intenção de levantar quais são as enfermidades comumente registradas pela UMS Cremação. Foram excluídas da pesquisa as doenças notificadas a Secretaria Municipal de Saúde (SESMA) devido falhas no preenchimento dos cadernos de controle e porque a partir de 2010 as anotações começaram a ser feitas nos prontuários dos pacientes, o qual a pesquisadora não teve acesso por questões éticas, uma vez que precisaria de autorização de cada paciente por meio de um termo de consentimento livre e esclarecidos o que ficaria inviável a execução da mesma. A UMS Cremação é uma das mais antigas unidades de saúde da cidade de Belém e até hoje apresenta a mesma estrutura física; esta unidade é composta por uma equipe de saúde multidisciplinar (clínico geral, pediatra, ginecologista, odontólogo, nutricionista e equipe de enfermagem) e oferece os seguintes serviços vinculados à atenção básica: Programa de

49 48 Aleitamento Materno (Pró-Ame); Controle e Tratamento da Pressão Arterial (Hiper Dia); Prénatal; realização de exames de Tuberculose e Hanseníase; Saúde Mental; Tabagismo; Planejamento Familiar e Sala de Vacina. A análise documental constituiu-se de um levantamento quantitativo dos atendimentos realizados na unidade através do mapa de produção mensal dos anos de 2010 e 2011, a partir desses dados obteve-se o universo de cada ano, atendimentos em 2010 e atendimentos em 2011, e assim realizou-se o cálculo estatístico para identificar o n amostral (773 por ano). Os anos foram somados e por meio dos mapas de consulta diária (ANEXO C) das especialidades clínica geral e pediatria colheram-se os CIDs 15 para construção de tabelas referentes às enfermidades que mais acometeram adultos e crianças. Em media foram coletados de três a cinco códigos de cada mapa, de maneira aleatória, em dias alternados e divididos de forma proporcional aos doze meses do ano. Os dados também foram divididos em período seco e chuvoso, uma vez que, a cidade de Belém não apresenta condições climáticas para a distinção de estações do ano e divide-se em estação de chuva e de seca ou com mais e menos chuva. O período chuvoso corresponde aos meses de dezembro a junho, devido o elevado número de dias de chuva, como observado no quadro 5 que registra os dados pluviométricos em duas regiões distintas para determinação do chamado inverno e verão paraense (PENTEADO, 1968); Isso acarreta vários transtornos na cidade quando canais transbordam e ruas alagam favorecendo o surgimento de vetores e a contaminação das águas pluviais, principalmente nas áreas de baixada devido suas características ambientais e o perfil dos ocupantes nessa região deixando o ambiente propício ao surgimento de agravos à saúde e ao ambiente. Dados mostram que o volume pluviométrico em Belém encontram-se acima da média histórica dos últimos 30 anos e devido às instabilidades climáticas na Região Norte a tendência é um aumento entorno de 14% da média anual (O LIBERAL, 2010b). Quanto à análise estatística esta foi realizada por meio da tabulação dos dados utilizando o programa Microsoft Excel, também empregado para a confecção das tabelas. 15 Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde.

50 49 Quadro 5 - Variação mensal dos Índices Pluviométrico. Fonte: Penteado (1968).

51 50 5 CAPÍTULO IV: INTERFACES SAÚDE E AMBIENTE NO CONTEXTO URBANO DO BAIRRO DA CREMAÇÃO. Os resultados apresentados correspondem à pesquisa de campo referente à Urbanização e Interfaces com a saúde e ambiente no entorno do bairro da Cremação no município de Belém, descrevendo suas características ambientais e os serviços de saúde encontrados no mesmo, assim como a maneira como esses elementos se interrelacionam na constituição do processo saúde-doença e saúde ambiental da população envolvida buscando responder ao problema central da pesquisa. 4.1 ANALISANDO DADOS E COMPARANDO RESULTADOS Os Censos Demográficos originalmente tinham a função de contabilizar o tamanho da população de um país, atualmente é utilizado para quantificar a demanda de bens e serviços públicos e privados assim como uma gama de informações gerais a respeito das características demográficas, socioeconômicas, urbanísticas, entre outras. Dessa forma, se tornou uma ferramenta importante no planejamento público do país e fonte de informação para a produção de pesquisa científica (JANNUZZI, 2006). Visando atingir um dos objetivos específicos dessa pesquisa que corresponde à descrição das particularidades atuais do bairro da Cremação se utilizou dados do Censo Demográfico dos anos 2000 e 2010 com a finalidade de avaliar como o bairro se encontra em relação às características urbanísticas e sua influência nas questões da saúde pública, da constituição do processo saúde-doença e do ambiente urbano. A ilustração 13 mostra a delimitação do bairro em estudo dividido por setores censitários 16, destaque para a localização da Unidade Minicipal de Saúde, local onde a pesquisa foi desenvolvida. Nesta imagem, observa-se a configuração do bairro que apresenta um traçado bem definido, o que possibilita um fácil escoamento de tráfego e deslocamento ao centro principal. 16 Entende-se por setor censitário a unidade geográfica de coleta que, na zona urbana, compreende cerva de 300 domicílios (JANNUZZI, 2006, p.40).

52 51 Ilustração 13 - Localização dos setores censitários, Bairro da Cremação, Fonte: Google Earth (2012). Os dados apresentados são resultados de estudos sobre as Características Urbanísticas do Entorno do Domicilio baseados no Censo Demográfico de 2010, com o objetivo de conhecer a infraestrutura urbana do país e no caso desta pesquisa, em especifico, o bairro da Cremação por meio de mapas disponibilizado pelo professor Dr. Marco Aurélio Arbage Lobo do Grupo de Pesquisa em Indicadores de Qualidade de Vida da Amazônia. Informa-se que os dados abordados abaixo se referem à pavimentação, calçamento, arborização e acúmulo de lixo e a maneira como essas características interferem de forma direta e indireta na condicionante do estado de saúde e de doença da população. As ilustrações 14 e 15 mostram as características do bairro a respeito da pavimentação e do calçamento, observa-se que, aproximadamente, % do mesmo encontra-se pavimentado, mas em relação ao calçamento esse percentual é bastante diversificado, com referencia ao entorno da UMS Cremação esse percentual não ultrapassa 20% de áreas com calçada. O maior nível de calçamento pode ser encontrado nos setores censitários que margeiam os bairros de extratos mais elevados como o bairro da Batista Campos e Nazaré como exposto pelo Censo (IBGE, 2010) observando que as melhores condições do entorno

53 52 dos domicílios esta ligado ao poder aquisitivo da população. Isso chega a ser ambivalente já que os órgãos públicos providenciam estrutura de acesso à passagem de veículos, mas não proporcionam acesso ao deslocamento seguro de pedestres, uma vez que, a manutenção das calçadas é de responsabilidade dos moradores. Ilustração 14 - Percentual de domicílios situados em logradouros com pavimentação. Fonte: Mapa cedido pelo grupo de pesquisa em indicadores de qualidade de vida da Amazônia (2012).

54 53 Ilustração 15 - Percentual de domicílios situados em logradouros com calçada. Fonte: Mapa cedido pelo grupo de pesquisa em indicadores de qualidade de vida da Amazônia (2012). Durante a pesquisa de campo, ao realizar a documentação fotográfica, encontrou-se situações contraditórias ao apresentado pelos dados estatísticos como veremos nas ilustrações 16, 17 e 18, onde as áreas compreendidas por canais e algumas transversais não apresentam pavimentação tão pouco calçamento adequado e quando pavimentadas se depara com calçadas irregulares, desnivelas ou inexistente, já o entorno da UMS Cremação apresenta pavimentação e calçamento regular e constante, o que vai contra os dados apresentados pelo IBGE. Esclarecendo que as informações coletadas pelo Censo são do ano 2009/2010 e o registro fotográfico refere-se ao ano de 2011 podendo ter ocorrido alterações da paisagem urbana no intervalo de coleta dos dados. Uma consideração importante a fazer mediante a situação apresenta anteriormente diz respeito à permeabilidade do solo 17 nas áreas de baixada, já que os materiais impermeáveis utilizados no processo de urbanização como asfalto, cimento, entre outros, impedem o escoamento natural das águas e favorecem mudanças no comportamento da drenagem e que dependendo das características físicas e climáticas locais trazem como consequência o 17 A permeabilidade do solo é um dos atributos físicos mais importantes para indicar a qualidade de um solo. Podendo ser definida como a maior ou menor facilidade que os solos oferecem à passagem de água (SAMPAIO et al., 2006, p. 798).

55 54 surgimento de áreas alagadas no interior da cidade o que propicia locais favoráveis ao surgimento de enfermidades (LIMA, 2004). Ilustração 16 Situação do calçamento de um ponto do bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de Ilustração 17 Situação da pavimentação de um ponto do bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de 2011.

56 55 Ilustração 18 Calçamento e pavimentação do entorno da UMS Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de Outro elemento, que deve ser avaliado diz respeito à arborização, já que a mesma apresenta benefícios tanto para a saúde ambiental como a saúde da população. Segundo Shuch (2006) uma arborização bem planejada proporciona a estabilização e melhora do microclima, reduz a poluição atmosférica e sonora como também contribui para a melhoria estética da cidade e ações sobre a saúde humana. Nesse sentido, o nível de arborização afeta os fatores intraurbanos e consequentemente melhora a qualidade de vida da população. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam que deva existir no mínimo 12m² de área verde por habitante devido sua importância para a regulamentação climática e purificação do ar. A poluição do ar é um problema mundial que gera repercussões tanto na saúde ambiental quanto na saúde humana e atinge altos índices na população urbana. Por esta associada à inalação do ar poluído, as doenças do sistema respiratório são as mais comuns, em estudos realizados em São Paulo foi constatado que o SUS gasta em torno de 24 milhões de reais em doenças respiratórias, fato esse que poderia ser alterado caso houvesse um maior número de árvores por habitantes como preconiza a OMS, já que as mesmas tem a capacidade de reter partículas e poluentes, o que minimiza os efeitos gerados pela poluição do ar (GOUVEIA, 1999; SCANAVACA JUNIOR, 2011; SHUCH, 2006).

57 56 Scanavaca Junior (2011, p.2) afirma que a arborização bem feita também está relacionada com uma maior expectativa de vida, menor pressão arterial, menores índices de diabetes e colesterol, menores estresse e irritabilidade. Desta forma, torna-se relevante mencionar a realidade de Belém, onde dados do último Censo/2010 mostram que a cidade apresenta apenas 22,4% de árvores no entorno do domicilio, situação essa preocupante visto que a capital paraense localiza-se dentro da floresta Amazônica. Lembrando ainda da existência de tipos específicos de arborização para os centros urbanos, já que nem todo o tipo de vegetação atinge os objetivos preconizados pela OMS (D ALMEIDA; SANTOS, 2012). A ilustração 19 representa os dados encontrados no bairro da Cremação com relação à arborização, na qual se observa uma desigualdade no percentual de distribuição. O entorno da UMS encontra-se bem arborizada entre %, pois está localizada ao lado da Praça Dalcídio Jurandi, que apresenta vegetação variada, mas que não contemplam de maneira satisfatória as necessidades de saúde humana e ambiental do bairro. Na região, também se observa áreas que apresentam até 20% de arborização, essas se localizam nas proximidades de bairros que se caracterizam pelo processo histórico de ocupações desordenadas e degradação ambiental com a finalidade de garantir moradia. Scanavaca Junior (2011) relaciona a arborização com a pavimentação alegando que a falta de árvores na cidade ocasiona danos ao asfalto, já que as alterações provocadas pelo microclima urbano geram dilatações e contrações diárias favorecendo o surgimento de rachaduras.

58 57 Ilustração 19 - Percentual de domicílios situados em logradouros com arborização. Fonte: Mapa cedido pelo grupo de pesquisa em indicadores de qualidade de vida da Amazônia (2012). O último componente avaliado por essa pesquisa diz respeito ao acúmulo de lixo em via pública, dados do Censo/2010 mostram que o percentual de depósito/acúmulo de lixo no entorno do domicílio é proporcional ao tamanho do município e afeta diretamente a qualidade de viva de seus habitantes deixando-os expostos a ambientes insalubres, visto que proporcionam o aparecimento de roedores e animais peçonhentos provocando impactos na saúde da população, na cidade de Belém esse percentual corresponde a 10,4% (IBGE, 2012). O despejo irregular do lixo em via pública acarreta o entupimento de valas, bueiros e o assoreamento de rios e canais que quando associados ao volume intenso de chuva acarreta transtornos no trânsito e no deslocamento da população devido à dificuldade do escoamento, trazendo consequências graves à dinâmica ambiental da cidade. Desta forma, o lixo e o entulho despejados sem maiores cuidados passam a ser arrastados pela chuva gerando destruição das áreas verdes, provocando mau cheiro, proliferação de bichos e agravos à saúde ocasionando doenças em adultos e crianças. Quem mais sofre com esse fenômeno é a população localizada nas áreas de baixada, principalmente aqueles que habitam em áreas cortadas por canais (GOUVEIA, 1999; RÊGO; BARRETO; KILLINGER, 2002; O LIBERAL, 2008).

59 58 No caso do bairro da Cremação, essa situação é sempre recorrente, tendo em vista que, os canais dispostos no espaço sofrem com o assoreamento provocado pelos dejetos jogados dentro e ao redor dos mesmos, quando se encontram transbordados chegam a ser visualmente impossíveis de se delimitar o canal da via pública. No censo de 2000, dos domicílios visitados 99,7% afirmam que o lixo domiciliar é coletado, mas na prática o que se vê são a formação de bolsões de entulho nas vias públicas que se expandem rapidamente e pioram após fortes chuvas. O conjunto de fatores apresentado até agora refletem diretamente na saúde da população estudada, sobretudo nas crianças que se encontram vulneráveis as condições ambientais urbanas como veremos nos dados discutidos adiante (IBGE, 2000; O LIBERAL, 2010a). A ilustração 20 expõe os resultados do Censo de 2010 a respeito do percentual de domicílios situados em logradouros com acúmulo de lixo no bairro da Cremação, os dados mostram uma situação preocupante, isto é, praticamente todos os logradouros apresentam lixo urbano espalhado no decorrer das vias públicas. Até mesmo no entorno da UMS Cremação a taxa não ultrapassa 20%, mostrando uma discrepância enorme se comparado com os dados apresentados no censo de Ilustração 20 - Percentual de domicílios situados em logradouros com acúmulo de lixo. Fonte: Mapa cedido pelo grupo de pesquisa em indicadores de qualidade de vida da Amazônia (2012).

60 59 Em um estudo realizado sobre o gerenciamento integrado dos resíduos sólidos da bacia da Estrada Nova, Pinheiro e Girard (2009) mostram que mesmo possui coleta de resíduos e serviço de limpeza, os bairros compreendidos pela BHEN permanecem com pontos fixos de acúmulo de lixo domiciliar, devido à própria população não respeitar os horários de coleta do lixo e de entulhos nas vias e canais. No estudo realizado pelas autoras mencionadas, duas perguntas e suas respectivas respostas merecem destaque como veremos nas ilustrações 21 e 22 em relação à situação ambiental vivenciada pelos moradores dos bairros envolvidos pelo PROMABEN a respeito do porque jogam lixo e entulhos nas vias públicas ou canais e qual a influência do lixo de modo geral na saúde da comunidade. Ilustração 21 Por que você necessita jogar estes resíduos nestes locais? Fonte: Pinheiro e Girard (2009). Ilustração 22 Acha que as doenças que aparecem na comunidade podem ter influência do lixo que está acumulado nas ruas e canais. Fonte: Pinheiro e Girard (2009).

61 60 Os resultados encontrados pelas autoras fundamentam os dados apresentados nas tabelas a seguir em relação à influência do lixo no surgimento de enfermidades nos moradores do bairro da Cremação atendidos em sua UMS. A seguir serão mostradas algumas ilustrações (23, 24, 25 e 26) realizadas durante a pesquisa de campo em relação aos pontos de acúmulo de lixo nas vias públicas e nos canais do bairro da Cremação, confirmando os dados apresentados pelo Censo/2010 e pelas autoras Pinheiro e Girard (2009). Ilustração 23 Acúmulo de lixo em via pública no bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de 2011.

62 61 Ilustração 24 Acúmulo de lixo na Av. Alcindo Cacela no bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de Ilustração 25 Entulhos despejados aa margens do canal da Dr. Moraes no bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de 2011.

63 62 Ilustração 26 Entulhos despejados as margens do canal no bairro da Cremação. Fonte: Pesquisa de Campo, A. J. C. Brito, 19 de março de Finalizando esta etapa da coleta de dados sobre as características urbanísticas do entorno do domicílio a partir do Censo Demográfico 2010, em especial, o que envolve o bairro da Cremação observa-se que a inserção desses fatores apresentam grandes valores a pesquisa e a exploração dos resultados proporciona um olhar diferenciado na aplicação e integração das políticas públicas de saúde e ambiente. A seguir, na ilustração 27 serão apresentados outros determinantes que também foram levantados pelo Censo Demográfico de 2010 e não utilizados nesta pesquisa, mais com grande relevância na constituição do urbano. Ilustração 27 - Percentual de domicílios particulares permanentes urbanos, segundo as características do entorno dos domicílios Brasil Fonte: IBGE (2010).

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