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1 OUTUBRO DEZEMBRO Principais áreas de atuação do Barbosa, Müssnich & Aragão: Administrativo e Concessões Ambiental Comércio Internacional Concorrencial e Defesa Comercial Contencioso e Resolução de Conflitos Esporte e Entretenimento Ética Corporativa e Compliance Imobiliário Mercados Financeiro e de Capitais Propriedade Intelectual Recuperação de Empresas Societário Trabalhista e Previdenciário Tributário 01 BM&A investe na área de Comércio Internacional 02 O novo regulamento de arbitragem da CCI 03 PPA, infraestrutura e participação privada nos grandes projetos 04 STJ afirma a isençãode IRPF sobre ganho de capital na venda de ações Responsabilidade de provedores sob a ótica do Judiciário 05 As Câmaras Reservadas a Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo 06 A nova lei do aviso prévio BM&A investe na área de Comércio InteRnacional Sempre atento às demandas cada vez mais sofisticadas do mercado, o Barbosa, Müssnich & Aragão BM&A decidiu investir na área de Comércio Internacional, trazendo de volta ao Brasil uma advogada de renome internacional e ampla experiência na área: Adriana Dantas. A iniciativa está associada à crescente importância do comércio exterior para as empresas que exploram o mercado brasileiro, que cada vez mais se deparam com barreiras e disputas comerciais, demandando assistência jurídica altamente especializada. Adriana Dantas: sócia da área de Comércio Internacional. Adriana advogou em Londres e Genebra e, nos últimos cinco anos, atuou nos Estados Unidos um dos países mais desenvolvidos nessa área, onde representou a indústria brasileira e empresas multinacionais em diversas questões e procedimentos de comércio internacional, inclusive perante autoridades brasileiras, norte-americanas, europeias, indianas e chinesas. A área atenderá demandas de clientes em questões aduaneiras e também relativas a defesa comercial e barreiras tarifárias e não tarifárias, que afetam o acesso aos mercados brasileiro e externo. Além disso, os profissionais da área têm vasta experiência em disputas comerciais internacionais. Os acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC), internalizados pelo Brasil, entraram em vigor em 1994, mas a indústria nacional demorou a identificar e utilizar as oportunidades que essas regras oferecem, explica a nova sócia do BM&A. As regras brasileiras que afetam o comércio internacional estão em constante evolução, com vistas a aumentar a eficácia dos instrumentos de defesa de setores da indústria. Entre as iniciativas, há um conjunto de medidas para impulsionar a produção nacional e o comércio exterior de bens produzidos no Brasil. A expectativa é de aumento das ações para a defesa comercial da indústria brasileira, com impactos sobre os interesses de exportadores e importadores. Além disso, a internacionalização de alguns setores da economia aumenta a sua vulnerabilidade a barreiras tarifárias e não tarifárias adotadas pelos parceiros comerciais brasileiros, o que requer análise estratégica dos impactos dessas regras sobre os negócios das multinacionais brasileiras. Adriana reconhece que o aumento do protecionismo a nível global representa um grande desafio, principalmente para setores exportadores da economia brasileira que só recentemente começaram a se internacionalizar, mas lembra que a área de Comércio Internacional do BM&A está preparada para atuar em todas as esferas do comércio exterior e a assessorar, com eficácia, seus clientes. O escritório já assessorava diversas empresas em questões relacionadas ao direito aduaneiro e defesa comercial e optou por expandir a equipe com profissionais extremamente qualificados, com vasta experiência internacional. A líder da área continuará a atuar em conjunto com os sócios Barbara Rosenberg e Antenor Madruga, ambos com experiência em questões internacionais. Para marcar o investimento na área, o BM&A promoveu uma mesa-redonda, no dia 7 de dezembro, em São Paulo, para discutir as perspectivas para 2012 na área de defesa comercial e regras que afetam o comércio exterior. O evento contou com a presença do ex-diretor jurídico da OMC, Bruce Wilson.

2 O novo regulamento de arbitragem da CCI André Abbud Gustavo Kulesza Passados quatorze anos da última revisão de seu regulamento de arbitragem, a Câmara de Comércio Internacional (CCI) acaba de divulgar suas novas regras, que entrarão em vigor em 1º de janeiro de Resultado de dois anos de trabalho coordenado pela Comissão de Arbitragem da entidade e impulsionado por uma força-tarefa de cerca de 200 membros, o regulamento 2012 foi enfim redigido por um comitê composto por 20 profissionais de 14 países e 5 continentes diferentes, integrado por membros da Corte, do Secretariado, advogados, árbitros e diretores jurídicos de empresas. Não havia nenhuma razão urgente ou imperiosa para se alterarem as regras; a posição da CCI como principal instituição de arbitragem do mundo segue inalterada 1. A revisão objetivou apenas incorporar novas ferramentas e atender a demandas da prática arbitral surgidas desde Três são as principais inovações: (a) a introdução da figura do árbitro de emergência, (b) de disposições de casemanagement e (c) de regras sobre casos envolvendo múltiplas partes e múltiplos contratos. Com a entrada em vigor das novas regras, a parte que necessitar de uma medida urgente poderá solicitá-la ao árbitro de emergência, mesmo antes da formação do tribunal arbitral (Art. 29.1). O árbitro de emergência, que não poderá integrar o tribunal de nenhuma arbitragem relacionada ao conflito (Anexo V, Art. 2.6), deve ser indicado pelo Presidente da Corte de Arbitragem da CCI (Corte) em até dois dias (Anexo V, Art. 2.1). Sua decisão sobre a medida urgente deve ser tomada no prazo de quinze dias (Anexo V, Art. 6.4) e as partes estão obrigadas a cumpri-la (Art. 29.2). Contudo, a ordem não vincula o tribunal arbitral, que pode alterar ou mesmo anular a medida (Art. 29.3). A possibilidade de as partes recorrerem à CCI para obter tutelas urgentes não é novidade. Vigora hoje o procedimento cautelar pré-arbitral, que permite às partes se socorrerem de um Terceiro Ordenador apto a expedir medidas urgentes. Mas além de mais complexo, o procedimento pré-arbitral em vigor aplica-se apenas às partes que tenham se vinculado expressamente a ele (opt in), ao passo que o novo árbitro de emergência estará disponível a todas as partes que celebrarem convenções arbitrais CCI a partir de 2012, a menos que decidam excluir essa opção (opt out Art b). Com isso, as partes terão a seu dispor um mecanismo aparentemente ágil e eficaz para a obtenção de medidas urgentes. De todo modo, a nova regra não impede que as partes se dirijam às autoridades estatais para o mesmo fim (Art. 29.7). A segunda principal mudança no regulamento foi a previsão de uma case-management conference, uma espécie de conferência preliminar entre árbitros e partes destinada a definir, logo no início do processo, as questões a serem resolvidas, os atos a serem praticados e o cronograma a ser seguido. Essa conferência, que pode ser feita por telefone ou vídeo, tem por objetivo aumentar a eficiência e diminuir os custos da arbitragem e, para isso, pode se valer das conhecidas Técnicas de Controle de Tempo e Custo em Arbitragem, parte das quais foi agora incorporada nas regras (Arts e 24.1; Anexo IV)..A terceira grande inovação diz respeito às arbitragens com pluralidade de partes ou contratos. Ao contrário do atual, o novo regulamento disciplina o tema em detalhes. Nos casos em que há múltiplos contratos, as novas regras permitem que as partes formulem seus pedidos em uma só arbitragem, independentemente de estarem fundados em mais de uma convenção (Art. 9). Neste último caso, no entanto, a cumulação só será admitida se as convenções de arbitragem forem compatíveis e as partes tiverem concordado (Art. 6.4.ii). O novo regulamento prevê também a possibilidade de qualquer das partes integrar um terceiro à arbitragem por meio de um requerimento de integração (Art. 7). A integração da parte adicional, contudo, estará submetida à análise da Corte, que deve se convencer de que o terceiro está vinculado a uma convenção arbitral (Art. 6.4.i). Uma vez integrado, o terceiro poderá, em conjunto com o(s) requerente(s) ou o(s) requerido(s), nomear um árbitro para compor o tribunal (Art. 12.7). Contudo, essa integração tem limite temporal: após a confirmação ou nomeação de qualquer árbitro, o terceiro somente será integrado à arbitragem se todas as partes, inclusive ele próprio, estiverem de acordo (Art. 7.1). Finalmente, as novas regras dispõem sobre a consolidação de arbitragens paralelas, que somente ocorrerá mediante requerimento de uma das partes e desde que (i) as partes estejam de acordo ou (ii) os pedidos sejam baseados na mesma convenção arbitral, ou ainda, (iii) se os pedidos se fundarem em mais de uma convenção, estas forem compatíveis entre si e as arbitragens envolverem as mesmas partes e a mesma relação jurídica (Art. 10). 2 1 Cf. a pesquisa 2010 International Arbitration Survey: Choices in International Arbitration, p. 23.

3 Álvaro Palma de Jorge PPA, infraestrutura e participação privada nos grandes projetos Encontra-se em discussão no Congresso Nacional o projeto de lei que institui o Plano Plurianual da União para o período de ( PPA ). Este plano, cuja elaboração foi capitaneada pelo Ministério do Planejamento, é, conforme definido no artigo 3º do referido projeto de lei, instrumento de planejamento governamental que define diretrizes, objetivos e metas com o propósito de viabilizar a implementação e a gestão das políticas públicas, convergir a dimensão estratégica, orientar a definição de prioridades e auxiliar na promoção do desenvolvimento sustentável. O PPA organiza a atuação governamental por meio de dois tipos distintos de programas, os chamados Programas Temáticos e os Programas de Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado. Os primeiros orientam a atuação do Estado para a entrega de bens e serviços à sociedade e os últimos cuidam do conjunto de ações destinadas ao apoio, à gestão e à manutenção da atuação governamental. Para todos aqueles interessados no desenvolvimento da infraestrutura nacional, a análise do PPA , particularmente do seu Anexo I, onde estão descritos os seus Programas Temáticos, permite vislumbrar que os próximos três anos serão repletos de oportunidades para o desenvolvimento de grandes projetos. São previstos vultosos investimentos em diversos setores. Relativamente aos investimentos em infraestrutura, foram contemplados os seguintes setores: transporte rodoviário, transporte hidroviário, transporte ferroviário, transporte marítimo, aviação civil, energia elétrica, combustíveis, petróleo e gás, mineração e transformação mineral, gestão de riscos e resposta a desastres, comunicações, moradia, saneamento básico e mobilidade urbana e trânsito. Os números impressionam. Na área de petróleo e gás estão previstas duas rodadas de licitações de áreas do pré-sal e sete leilões de áreas localizadas em bacias maduras e campos marginais. No que tange aos aeroportos, a pretensão é a de aumentar a capacidade dos terminais para atender 305 milhões de passageiros/ano e 2,4 milhões de toneladas de carga aérea. A expansão da malha ferroviária deverá ser de quilômetros. Em termos de rodovias, há a previsão da concessão de quilômetros e a construção de quilômetros de rodovias fronteiriças e pontes internacionais. Em termos de esgoto e abastecimento de água a previsão é a de contratar algo em torno de R$ 19 bilhões. Não obstante as oportunidades de negócios que serão geradas para as empresas desses setores, há outra frente importante a ser lembrada, isto é, a dos financiamentos desses grandes projetos. Embora seja um programa essencialmente governamental, o PPA revela o interesse de atrair atores privados para participarem do financiamento dos projetos. De fato, na mensagem presidencial que encaminhou o PPA ao Congresso Nacional, fica claro o objetivo de ser expandida a participação privada, tendo sido afirmado que O outro desafio que se coloca para a economia brasileira consiste em elevar as fontes privadas de financiamento para os projetos de longo prazo com destaque para o aprofundamento do mercado de capitais e de crédito. Cabe ressaltar que a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) nesse financiamento de longo prazo continuará sendo fundamental, mas se reduzirá com o fortalecimento de fontes privadas de financiamento. 1 É importante ressaltar que a intenção governamental de aumentar o leque de oportunidades para o financiamento privado de projetos não se encontra apenas no plano das ideias. Como já tratado em edição anterior desta BM&A Review, 2 o governo vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos alguns mecanismos interessantes para fomentar a participação privada como fonte de financiamento em grandes projetos de infraestrutura. Dois deles merecem ser relembrados nesta última edição do ano. O primeiro desses instrumentos é o já conhecido Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura (FIP-IE), disciplinado pela Lei nº /07 e suas alterações. O investimento neste tipo de fundo, que deverá ocorrer através de sociedades de propósito específico com o fim de desenvolver projetos de infraestrutura, traz algumas vantagens tributárias para os seus quotistas. Entre as diversas vantagens está a de aplicação da alíquota de 0% para a taxação do lucro obtido com a venda das quotas do FIP-IE detidas por pessoas físicas e a alíquota de 15% para pessoas jurídicas. Na mesma linha, a Lei nº /11 permitiu a captação de recursos, através da emissão de debêntures de sociedades com o mesmo propósito descrito no parágrafo anterior. Os rendimentos obtidos com esses títulos por pessoas físicas serão isentos de imposto de renda e o de pessoas jurídicas será tributado na fonte à alíquota de 15%. Diante do quadro acima descrito, o setor de infraestrutura no Brasil aparece como uma fonte promissora de negócios para os próximos anos, tanto para as empresas do setor em si quanto para investidores nacionais e estrangeiros. 1 Trecho extraído da Mensagem Presidencial que encaminhou o Projeto de Lei do PPA ao Congresso. Disponível em 2 Vide, por exemplo, o artigo de Anna Carolina Malta e Rafael Gonçalves de Carvalho na BM&A Review nº 33. 3

4 Lígia Regini José Eduardo Pieri STJ afirma a isenção de IRPF sobre ganho de capital na venda de ações No 1º semestre de 2011, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) competente para a uniformização das questões tributárias pautadas na legislação federal consolidou entendimento favorável aos contribuintes quanto à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) incidente sobre o ganho de capital decorrente da venda de participação societária, prevista no Decreto-lei nº 1.510/76. De acordo com disposição legal revogada no final de 1988, é isento do IRPF o ganho de capital nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Tal benefício fiscal tinha o claro propósito de estimular aportes de capital nas empresas e, ao mesmo tempo, inibir operações especulativas. O STJ, após analisar diversos recursos, concluiu que a isenção do Decreto-lei n.º 1.510/76 era condicionada e onerosa e gerava direito adquirido às pessoas físicas que, no período da sua vigência, cumpriam o requisito de manutenção da participação societária por cinco anos. Com isso, o STJ resguardou tais contribuintes dos efeitos da revogação da isenção pela Lei nº 7.713/88. Nessa linha, é isento de IRPF o ganho de capital auferido na venda de participação societária adquirida até 1983, mesmo quando a venda ocorre após A decisão da matéria no âmbito da 1ª Seção do STJ não foi dada no regime dos recursos repetitivos e, por isso, não vincula a solução dos demais recursos e processos. De toda sorte, a decisão é importantíssimo precedente e deverá refletir nas decisões de todos os Tribunais Federais do país para afastar a cobrança do imposto. É importante registrar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem diversos precedentes igualmente favoráveis aos contribuintes, e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se pronunciou sobre o tema, embora seu histórico jurisprudencial indique a proteção do direito adquirido a isenções instituídas sob condição onerosa (Súmula 544). A venda de posições acionárias antigas merece, portanto, ser avaliada também da perspectiva tributária, de modo a preservar eventual direito à isenção do IRPF sobre o esperado ganho de capital. Responsabilidade de Provedores sob a ótica do Judiciário Atualmente o Brasil é o quinto país em número de usuários de internet, atrás de China, EUA, Índia e Japão. Estima-se que o volume de vendas no comércio eletrônico tenha saltado de 0,5 milhão em 2001 para 20 milhões em 2011, com crescimento anual médio de mais de 30%. 1 Diante da atual ausência de legislação específica, principalmente com relação à responsabilidade de provedores de internet no caso de violações cometidas por usuários tais como ofensa a direitos de propriedade industrial, a direitos da personalidade, a direitos do consumidor, especialmente nos casos envolvendo comércio eletrônico nas relações de consumo, a jurisprudência brasileira evolui em busca de soluções para os problemas concretos que chegam às portas do Judiciário. Os tribunais brasileiros, em geral, têm firmado posição no sentido de não se exigir um controle prévio de conteúdo por parte dos provedores de conteúdo, hospedagem, acesso etc. Segundo essa linha de entendimento, os provedores são responsáveis pelo conteúdo gerado por terceiros apenas quando há omissão ou demora em eliminar a violação identificada. Na esteira do entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, os provedores: (i) não respondem objetivamente pela inserção no site, por terceiros, de informações ilegais; (ii) não podem, em regra, ser obrigados a exercer um controle prévio do conteúdo das informações postadas por seus usuários; (iii) devem, assim que tiverem conhecimento inequívoco da existência de dados ilegais no site, removê- -los em tempo hábil, sob pena de responderem pelos danos respectivos; (iv) devem manter um sistema minimamente eficaz de identificação de seus usuários. Contudo, essas premissas não isentam indiscriminadamente os provedores de responsabilidade pelo tráfego de informações em seus sites. Elenca-se, como contrapartida, o dever do provedor, uma vez ciente da existência do conteúdo ofensivo, de providenciar sua retirada em tempo hábil, sob pena de responsabilização. 2 Nesse sentido, os principais sites de internet já disponibilizam áreas específicas para notificação de infração, com regras próprias para comprovação do direito alegado e identificação do usuário e da infração. A eficácia desse tipo de mecanismo tem auxiliado na solução amistosa de conflitos provenientes de atos ocorridos na arena da internet. Enquanto o Projeto de Lei nº 2126/11, que propõe ser o marco civil da internet no Brasil, ainda aguarda apreciação da Câmara dos Deputados, recomenda-se que violações praticadas no ambiente de internet sejam notificadas ao provedor para que se adotem as providências necessárias a fazer cessar a violação este, por sua vez, na hipótese de injustificadamente deixar de ou demorar a solucionar o problema, poderá ser responsabilizado pelos danos causados. 1 Informações estatísticas disponibilizadas pelo ebit em novembro de STJ, 3ª T., Resp SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 14/12/2010, DJe 8/8/

5 Felipe Galea As Câmaras Reservadas a Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo Seguindo a tendência de instalar câmaras especializadas no julgamento de matérias segmentadas do direito, iniciada com a formação da Câmara Reservada ao Meio Ambiente e da Câmara Reservada a Falência e Recuperação, o Tribunal de Justiça do estado de São Paulo criou, mediante a Resolução nº 538/11 de seu Órgão Especial, a Câmara Reservada a Direito Empresarial, cujas atividades foram iniciadas em 16 de agosto de Inicialmente estava prevista apenas uma câmara reservada a essa matéria, mas, em sessão do dia 9 de novembro de 2011, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça decidiu unificar a Câmara Reservada a Direito Empresarial e a Câmara Reservada a Falência e Recuperação para formar duas Câmaras de Direito Empresarial, pelo fato de ambas julgarem questões empresariais e pela coincidência de parte dos desembargadores que as integram. A atual Câmara Reservada a Direito Empresarial é presidida pelo desembargador Romeu Ricupero, e também integrada pelos desembargadores Manoel de Queiroz Pereira Calças, José Reynaldo Peixoto de Souza, Ricardo José Negrão Nogueira e Enio Santarelli Zuliani. Já a câmara até então reservada a falência e recuperação era presidida pelo desembargador Hamilton Elliot Akel, e também composta pelos desembargadores Manoel de Queiroz Pereira Calças, José Araldo da Costa Telles, Romeu Ricupero, Ricardo José Negrão Nogueira e Roberto Nussinkis Mac Cracken (suplente). As Câmaras Reservadas a Direito Empresarial têm competência para apreciar matérias tratadas no Livro II da Parte Especial do Código Civil (artigos 966 a 1.195), na Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76), na Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96) e na Lei de Franquias (Lei nº 8.955/94). Segundo estatísticas do próprio Tribunal de Justiça, essas matérias foram objeto de pelo menos recursos ao longo do ano de Com a referida unificação das câmaras, ambas passarão a julgar também recursos relacionados à Lei nº /05, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresarial. Com o funcionamento das Câmaras Reservadas a Direito Empresarial, espera-se uma maior harmonia entre as decisões afetas a direito empresarial no Tribunal de Justiça, aumentando a previsibilidade dos julgamentos ao jurisdicionado, além de se supor que os conceitos jurídicos característicos a essa área do direito sejam bem aplicados pelos julgadores e as lides atinjam o maior grau possível de profundidade técnica. No entendimento do desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, divulgado pelo Tribunal de Justiça na ocasião da primeira sessão de julgamento da câmara especializada, esta permitirá o alcance da segurança jurídica decorrente da interpretação de regras comerciais. A expectativa é de que haja uma melhoria na prestação jurisdicional e que o direito comercial tenha uma interpretação especializada em razão de sua autonomia como ramo do direito privado. Outra tendência decorrente dessa medida é uma maior agilidade nos julgamentos dos recursos, especialmente nesse início do funcionamento das Câmaras Reservadas a Direito Empresarial, pelo fato de que somente os apelos interpostos após a sua instalação serão julgados por elas, permanecendo aqueles já distribuídos nas suas respectivas câmaras ordinárias da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça. Os profissionais da área de contencioso do BM&A, frequentemente envolvidos como patronos em relevantes lides de natureza empresarial, têm acompanhado as sessões de julgamento das Câmaras Reservadas a Direito Empresarial e notado que as pautas costumam ser mais enxutas e as sessões de julgamento mais rápidas que aquelas das Câmaras de Direito Privado anteriormente competentes para a resolução de litígios dessa natureza. Embora apenas algumas sessões da Câmara Reservada a Direito Empresarial do Tribunal de Justiça tenham sido realizadas até o momento, pois sua periodicidade é quinzenal, percebe-se que a maior parte dos julgamentos se refere a questões contratuais e de propriedade industrial, ainda restando um menor volume de decisões sobre direito societário. 5

6 Marina Motta Larissa Brechbühler A nova lei do aviso prévio No último dia 11 de outubro, foi publicada a Lei nº /2011, que regulamenta a concessão de aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, benefício que é assegurado aos trabalhadores pelo Art. 7º, inciso XXI, da Constituição Federal. Até aquela data, a CLT garantia aos empregados o direito ao aviso prévio de 30 dias, independentemente do tempo de serviço na mesma empresa. Com a alteração implementada pela nova lei, aos 30 dias de pré-aviso originalmente previstos, acrescentam-se outros três dias por cada ano de serviço completo. Assim, por exemplo, o empregado que estiver na mesma empresa por dez anos completos terá o direito a receber 60 dias de aviso prévio 30 dias a que já tinha direito mais os 30 dias referentes aos dez anos de trabalho (10 [anos] 3 [dias]). O aviso prévio proporcional foi limitado a um máximo de 90 dias, que serão concedidos àqueles empregados que contarem com 20 anos ou mais de trabalho completo para o mesmo empregador. A nova lei, contudo, deu margem a inúmeras dúvidas acerca de aspectos relevantes relacionados ao aviso prévio proporcional e sua aplicação nos casos concretos. A primeira delas diz respeito à eficácia da lei no tempo. Para que se respeite o direito adquirido e os contratos em vigor quando a lei foi sancionada, ela deveria, em tese, produzir efeitos apenas para as relações de emprego encerradas após a data de sua publicação. Entretanto, muitos sindicatos já manifestaram o entendimento a nosso ver equivocado de que os trabalhadores que já estavam cumprindo o aviso prévio por ocasião da entrada em vigor da lei poderiam reivindicar o acréscimo do período proporcional aos seus contratos de trabalho. Um segundo aspecto relevante diz respeito à projeção do período de aviso prévio proporcional na duração do contrato de trabalho. É que, de acordo com a CLT, o tempo do aviso prévio, ainda que indenizado, integra o contrato de trabalho para todos os fins, inclusive para pagamento de FGTS, 13º salários e férias. Assim, os dias adicionais de aviso prévio proporcional prolongarão o contrato de trabalho para todos os efeitos, de modo que os reflexos legais também terão que ser pagos, onerando os custos das empresas no momento das despedidas sem justa causa. Entretanto, a questão mais controvertida diz respeito ao aviso prévio que o empregado concede ao empregador quando pede demissão. O instituto do aviso prévio, assim como foi concebido originalmente na CLT, estabelece a reciprocidade entre patrão e empregado. Ou seja, o empregador é obrigado a avisar o empregado a sua demissão sem justa causa com antecedência de no mínimo 30 dias, devendo o empregado observar o mesmo procedimento e o mesmo prazo quando pretende desligar-se da empresa. Por este motivo, seria razoável que a proporcionalidade do aviso prévio fosse exigível também dos empregados (e não só das empresas), quando estes manifestem desejo de deixar o trabalho. Entretanto, como a nova lei não menciona expressamente a figura do empregador como destinatário do aviso prévio proporcional, alguns já defendem que o trabalhador não estaria obrigado à sua concessão quando pede demissão. É importante que as empresas estejam alerta para as dificuldades práticas que enfrentarão no seu dia a dia no processo de despedida de trabalhadores a partir de outubro de As respostas para estes questionamentos somente serão obtidas com o tempo, na medida em que forem sendo submetidos ao Judiciário. EXPEDIENTE CONSELHO EDITORIAL Paulo Cezar Aragão, Francisco Antunes Maciel Müssnich, Plínio Simões Barbosa. PRODUÇÃO Lígia Batista PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Soter Design IMPRESSÃO J. SHOLNA TIRAGEM 2500 EXEMPLARES FECHAMENTO DEZEMBRO DE 2011 A reprodução de qualquer matéria depende de prévia autorização. O BM&AReview é uma publicação redigida para fins de informação e debate, não devendo ser considerada como opinião legal para operações ou transações específicas. BM&A ADVOGADOS Brasília Tel. (+55) (61) Fax. (+55) (61) Rio de Janeiro Tel. (+55) (21) Fax. (+55) (21) São Paulo Tel. (+55) (11) Fax. (+55) (11) BM&A PROPRIEDADE INTELECTUAL Rio de Janeiro Tel. (+55) (21) Fax. (+55) (21) BM&A CONSULTORIA TRIBUTÁRIA São Paulo Tel. (+55) (11) Fax. (+55) (11) Rio de Janeiro Tel. (+55) (21) Fax. (+55) (21) Os textos do BM&A Review foram produzidos por profissionais de Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, BM&A Consultoria Tributária e BM&A Propriedade Intelectual. 6

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