Gráfico nº 1 - Variação do Nível de Atividade 1T/08-1T/07 Elaboração Núcleo de Pesquisa Industrial da FIEA 52,08

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1 Resumo Executivo A Sondagem Industrial procura identificar a percepção dos empresários sobre o presente e as expectativas sobre o futuro. Os dados apresentados servem como parâmetro capaz de mensurar o provável desempenho futuro da indústria alagoana à vista da expectativa dos empresários sobre as diretrizes e estratégias a serem seguidas na condução de seus negócios. São avaliados os indicadores Nível de Atividade, Estoques e Lucratividade do trimestre anterior, as expectativas para os próximos seis meses e os principais problemas enfrentados pelas empresas. A trajetória de crescimento do PIB brasileiro alcançou no primeiro trimestre de 2008 em relação à igual período do ano anterior a taxa de 5,8% aa, sustentada pela expansão do crédito e seu poder de alavancar o consumo das famílias, que se expandiu 6,6% aa neste período; pelos níveis elevados de investimento, que cresceram a 15% aa em função do maior dinamismo das vendas; e pelo aumento dos gastos públicos a taxa de 5,8%aa impulsionados por programas de transferência de renda, custeio da máquina e pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Esta conjuntura macroeconômica favorável impactou positivamente a geração de emprego e renda tanto em nível nacional, como regional e estadual. Os dados obtidos na Sondagem Industrial no primeiro trimestre de 2008, principalmente para os casos das MPE e das médias e grandes empresas quando se exclui da amostra o setor sucroalcooleiro, refletem este bom momento da conjuntura nacional seja na comparação com trimestre anteriores, basicamente 1T/07 e 4T/08, seja em termos de expectativas para os próximos seis meses. A avaliação dos empresários da indústria do açúcar alagoana, para o mesmo período em análise, por sua vez, tem especificidades que a diferencia dos demais setores industriais e não podem ser desconsideradas no contexto econômico atual de política econômica de apreciação cambial e volatilidade internacional, tais como: forte dependência da dinâmica do mercado externo, da taxa de câmbio e da cotação do preço do açúcar que, em conjunto, têm um peso fundamental em sua rentabilidade e estratégias de vendas.

2 Nível de Atividade A avaliação dos empresários quanto à variável nível de atividade no primeiro trimestre de 2008 apresentou, para o caso das micro e pequenas empresas (MPE), um maior equilíbrio na freqüência das respostas quanto ao comportamento dos indicadores volume de produção, evolução do número de empregados e utilização da capacidade instalada, com um número muito próximo de empresas avaliando como estando abaixo ou acima do desempenho esperado para o trimestre. Sob o enfoque das médias e grandes empresas a freqüência média das respostas registrou avaliação dos resultados no trimestre acima das expectativas nos três indicadores. Na comparação com igual período no ano anterior, o destaque é para a significativa diferença nos escores da evolução do número de empregados, tanto no caso das MPE como das médias e grandes empresas, conforme gráfico nº 1. A explicação, no caso destas últimas, está basicamente no fato da indústria sucroalcooleira haver mantido o nível de emprego até o mês de março do corrente ano enquanto em 2007 a dispensa se deu no mês de fevereiro. Isto fica evidente quando se excluem da amostra das médias e grandes empresas os dados referentes às usinas, e obtém-se maior equilíbrio na avaliação da evolução do número de empregos - 55,0 e 48,3, respectivamente - na comparação do mesmo período ( e 1T/07). Quanto as MPE atribui-se tal performance a preservação de níveis elevados de consumo proporcionado pelo trinômio: aumento de renda, do crédito e das transferências de renda. 7 Gráfico nº 1 - Variação do Nível de Atividade -1T/07 48,58 56,25 51,25 52,08 47,73 54,17 51, ,57 23,75 1T/07 Mic/Peq Med/Gra Volume de produção Evolução do número de empregados Utilização da capacidade instalada Na comparação primeiro trimestre de 2008 com o trimestre imediatamente anterior, conforme gráfico nº 2, há uma maior estabilidade da avaliação das MPE, com a freqüência média das respostas em torno dos 50 pontos, vis-à-vis às médias e grandes empresas, que apresentam significativas reduções nas avaliações positivas basicamente em razão do desaquecimento das vendas típica do período posterior as festas de final de ano e do início da desaceleração da produção na indústria do açúcar. Aqui, mais uma vez, as expectativas mudam consideravelmente quando se retira o setor sucroalcooleiro da amostra das médias e grandes empresas, ou seja, as avaliações para os três indicadores volume de produção, evolução do número de empregados e utilização da capacidade instalada, na comparação dos dois períodos (1T /08 e 4T /07), se mantém no terreno positivo, com: 70,0 e 67,18; 55,0 e 50,0; e 65,0 e 60,93, respectivamente. Estes dados confirmam a necessidade de se prospectar a indústria alagoana com e sem o setor açucareiro e, deste modo, buscar avaliar em que medida os demais setores da industria alagoana estão sendo influenciados em sua dinâmica pela sazonalidade cíclica da indústria do açúcar.

3 7 Gráfico nº 2 - Variação no Nível de Atividade - 4T/07 66,94 51,81 56,25 50,90 52,08 61,29 50,60 54,17 60,48 4 4T/07 Mic/Peq Med/Gra Volume de produção Evolução do número de empregados Utilização da capacidade instalada Nível de Estoques O nível dos estoques, como pode ser observado no gráfico nº 3, tem sido avaliado tanto pelas MPE como pelas médias e grandes empresas como baixos, em escores muito próximos nos dois períodos em análise: contra 1T/07. Isto tem se refletido em uma evolução dos estoques acima do esperado no caso das médias e grandes empresas e próximo ao planejado nas MPE. O aspecto favorável é que níveis baixos de estoques significam maiores volume de vendas e giro de mercadorias, o que se traduzem em custos de oportunidade menores. Os dados de estoques demonstram ainda que, principalmente as MPE, estão com seus mercados aquecidos em função do já mencionado trinômio aumento da renda, do crédito e das transferências de renda. A gestão dos estoques do setor sucroalcooleiro, buscando a obtenção de melhores cotações dos preços do açúcar assim como taxas de câmbio menos apreciadas, tem contribuído para uma maior discrepância entre efetivo e planejado. Tal distorção é explicitada pela pontuação das médias e grandes empresas para os dois indicadores nos dois períodos em análise ( e 1T/07), quando se excluí o setor sucroalcooleiro, ou seja, 63,3 e 51,66; 56,67 e 53,33 - nos quais se observa correlação mais estreita entre efetivo e desejado: à medida que a série de dados vai aumentando, a tendência é a maior correlação positiva entre o desejado e observado em função do ajuste das empresas a dinâmica do mercado Em períodos de maior intensidade de vendas, como no quarto trimestre, tanto os níveis de estoques efetivos como planejados ficam abaixo do esperado, como pode ser observado no gráfico 7 Gráfico nº 3 - Variação do Nível de Estoques -1T/07 49,71 58,33 56, ,50 35,00 24,01 25,86 1T/07 Estoques - Nível Estoques - Planejados

4 7 Gráfico n º 4 - Variação do Nível de Estoques - 4T/07 58,33 41,87 42,74 42, ,50 37,10 24,01 4T/07 Estoques - Nível Estoques - Planejados Variação da Lucratividade No Tocante aos indicadores de lucratividade, se observa que na avaliação das MPE no tanto o lucro operacional como a situação financeira, praticamente, veio dentro do esperado, situação melhor que no 1T/07 quando ficou abaixo do esperado. Já as médias e grandes empresas, diferentemente das MPE, apresentaram em termos de situação financeira um desempenho acima do estimado no 1T/07 diferentemente de e abaixo para ambos os períodos do ponto de vista do lucro operacional, conforme gráfico nº 5. Mais uma vez a diferença está na performance do setor sucroalcooleiro que teve em 2007, principalmente no preço do açúcar no mercado internacional, um ano muito favorável. Na comparação com IVT/07, ver gráfico nº 6, em função basicamente das festas de final de ano, a lucratividade das médias e grandes empresas teve suas expectativas superadas no indicador financeiro e sancionadas nos lucros operacionais. Na avaliação das MPE, o apresentou resultados mais próximos ao esperado em relação ao IVT/07, um pouco abaixo, o que pode estar a indicar estabilidade nos seus mercados e que a inflação ainda não afetou a lucratividade destas empresas. Na avaliação das médias e grandes empresas sem a indústria açucareira para todos os períodos analisados a evolução dos indicadores foi positiva refletindo um maior dinamismo do nível de atividade econômica, reforçando a idéia de descolamento da dinâmica cíclica da atividade do açúcar quando há crescimento em outros setores da economia do Estado. 7 Gráfico nº 5 - Variação na Lucratividade - 1T/07 61,25 47,70 45,40 48,75 47,04 43,10 4 1T/07 Lucro operacional Situação financeira

5 Expectativa (Próximos 6 meses) A ampliação dos programas de transferência de renda e do crédito para as classes C,D e E, como já foi assinalado, tem sido fundamental para manter a estabilidade das expectativas favoráveis das MPE para os próximos seis meses. As exceções são lucro operacional, situação financeira e níveis de estoques efetivos e planejados. As estimativas de estoques elevados se devem aos preparativos para as vendas de final de ano e a subida dos juros e da inflação pode estar impactando negativamente nas expectativas de lucratividade. No caso das médias e grandes, a média das expectativas é de baixa para todos os indicadores em razão da dinâmica cíclica do nível de atividade na indústria açucareira. Como vem sendo salientado nessa Sondagem, as expectativas dessas empresas mudam completamente com a retirada do setor sucroalcooleiro da amostra, como pode ser observado no gráfico nº 7, e apontam para uma avaliação de continuidade dos atuais patamares de crescimento econômico. Gráfico nº 6 - Variação na Lucratividade -4T/07 55,65 47,70 49,70 51,61 51,51 47,04 4 4T/07 Lucro operacional Situação financeira Gráfico nº 7 - Expectativa para os Próximos Seis Meses (1º Trim- 2008) Elaboração Núcleo de Pesquisa da FIEA Situação Financeira 21,88 33,22 56,67 Lucro Operacional 19,79 28,95 56,67 Produto Final - Planejado e Desejado 33,33 56,67 56,60 Produto Final - Evolução do Nível 36,46 55,60 63,33 Utilização da Capacidade Instalada 37,50 52,63 65,00 Evolução do Número de Empregados 32,29 55,00 50,99 Volume de Produção 43,75 58, MPE Média-Grande (c/usinas) Média-Grande (s/usinas)

6 Principais Problemas O peso das questões macroeconômicas no elenco de problemas das MPE e médias e grandes empresas, mesmo que diferenciado, dá uma dimensão das dificuldades impostas pela política econômica ao dia a dia das empresas, conforme gráfico nº 8. A carga tributária, que hoje beira aos 38% do PIB, é apontada como a principal dificuldade. Taxas de câmbio e de juros, juntamente com a falta de financiamento a longo prazo, são apontadas pelas grandes e médias empresas como fatores preponderantes na redução de suas margens de lucro. Deste modo, para estas empresas, a política de combate a inflação tem impactado negativamente em seus negócios. Do ponto de vista das MPE, além dos tributos, fatores de natureza estrutural têm sido preponderantes na explicação de níveis mais baixos de suas margens de lucro, tais como a disponibilidade de recursos humanos qualificados, o que se reflete em baixa produtividade, escassez e elevado custo da matéria-prima, a falta de capital de giro e juros altos, competição acirrada. Ou seja, as MPE têm importantes restrições em termos de estrutura de custos para produzir. É relevante destacar, ainda, que a falta de demanda é um problema maior para 36% das grandes e médias empresas contra 22% das MPE. A explicação pode está na sustentabilidade das transferências de rendas, que impactam diretamente no mercado das MPE. Gráfico nº 8 - Principais problemas enfrentados no I Trimestre Redução da margem de lucro Carga tributária Falta de financiamento a longo prazo Taxa de câmbio Taxas de juros Falta de demanda Alto custo da matéria-prima Competição acirrada de mercado Falta de capital de giro Med/Gra Mic/Peq Capacidade produtiva Racionamento de energia Distribuição dos produtos Falta de matéria-prima Falta de trabalhador qualificado % % % % 4% % % 7% 8%

7 Notas técnicas A Sondagem industrial é elaborada pela Unidade Pesquisa Industrial da FIEA. A construção da amostra teve como base o Cadastro de Estabelecimentos Empregadores (CEE) do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), ano-base 2005 e do Cadastro Industrial da FIEA (2006). A metodologia de geração das amostras é conhecida como Amostragem Probabilística. Os parâmetros de precisão e confiança foram especificados em precisão de 5% e nível de confiança de 95%. As informações solicitadas são de natureza qualitativa e resultam do levantamento direto com base em questionário próprio, cada pergunta permite cinco alternativas excludentes a respeito da evolução ou expectativa de evolução da variável em questão. As alternativas estão associadas, da pior para a melhor, aos escores 0, 25, 50, 75 e 100. As perguntas relativas à sondagem propriamente dita (nível de atividade, estoques e lucratividade e situação financeira) têm como referência o trimestre anterior. As questões de expectativas referem-se aos próximos seis meses. O indicador de cada questão é obtido ponderando-se os escores pelas respectivas freqüências relativas das respostas. Os resultados gerais para cada uma das perguntas são obtidas mediante a ponderação dos indicadores dos grupos Pequenas e Médias e Grandes utilizando-se como peso a variável Pessoal Ocupado em 31/12, segundo a RAIS/MT de 2005, considerando-se as empresas com mais de 25 empregados.

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