REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO PROFISSIONAL

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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO PROFISSIONAL Síntese do Workshop Nacional sobre o Projecto de Centros de Excelência do Ensino Superior para África Austral e Oriental (ACE II) Maputo, 30 de Abril de

2 Teve lugar no dia 30 de Abril de 2015 o Workshop Nacional sobre o Projecto de Centros de Excelência do Ensino Superior para África Austral e Oriental (ACE II), uma iniciativa do Banco Mundial em colaboração com a Associação das Universidades Africanas que visa fortalecer o ensino superior em África, de modo a torná-lo mais relevante para o desenvolvimento dos países do continente. O Workshop contou com sessenta (60) participantes, entre representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP), das Instituições de Ensino Superior (IES), Instituições de Investigação, Professores com Cátedras, Parceiros de Cooperação do MCTESTP e das IES (casos da Suécia, Itália e Holanda), facilitadores e representantes do Banco Mundial, Empresas privadas parceiras das IES bem como representantes dos Ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano, Economia e Finanças, Agricultura e Segurança Alimentar, Saúde, Recursos Minerais e Energia. A sessão de trabalho teve a cerimónia de abertura presidida por S.Excia o Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional, Prof. Doutor Eng ᵒ Jorge Olívio Penicela Nhambiu, que no seu discurso, focou a importância do projecto para as instituições de ensino superior e de investigação moçambicanas. Considerou que os referidos Centros de Excelência deveriam ser muito especializados para resolver problemas específicos de um país, podendo transcendê-lo, actuando da seguinte forma: Os Centros devem ser alojados nas Instituições de Ensino Superior (IES) e, as mesmas IES devem demonstrar que têm Recursos Humanos competentes e com experiência, isto é, que detêm massa crítica. Exortou o estabelecimento de parcerias entre as IES e os institutos de investigação, em algumas áreas. Apresentação do Projecto ACE II Na apresentação do Projecto ACE II, os consultores do Banco Mundial destacaram os aspectos positivos que conduziram ao desenho deste projecto como o crescimento económico dos países africanos nos últimos anos, o aumento do investimento estrangeiro, crescimento do ensino básico e a descoberta de recursos naturais, que trazem novos desafios para o continente. Entretanto, apesar dos aspectos positivos, mencionaram que existem outros aspectos que ainda requerem atenção como os baixos níveis de produção na agricultura; deficiência em pesquisa 1

3 científica e inovação, as assimetrias entre os países da região no que concerne às publicações científicas, com destaque para o grande número de publicações da Africa do Sul em comparação com os outros países. Estas diferenças podem ser reduzidas com a criação dos Centros de Excelência que podem permitir: Maior colaboração entre os países africanos na realização de pesquisas; Colaboração para maximizar os recursos existentes, principalmente recursos humanos; Partilha de conhecimento na região, com trocas de pesquisadores e estudantes. Este projecto inovador teve o seu início em 2013 na África Ocidental e foi designado ACE I. Foram seleccionados competitivamente dezanove centros nos seguintes países: Camarões, Burkina Faso, Gana, Nigéria, Senegal e Togo. ACE I foi considerada uma iniciativa boa e as instituições académicas apoderaram-se do projecto. Na segunda fase do projecto, o Banco Mundial pretende expandir o mesmo para os países da África Austral e Oriental. O Workshop de Maputo foi precedido por um Seminário realizado na Tanzânia onde foi apresentada a proposta conceptual da segunda fase do projecto, as modalidades e os critérios de selecção dos centros, formatos de implementação, harmonização regional e os indicadores dos resultados. O Workshop Nacional sobre Centros de Excelência teve como objectivos: Informar aos participantes sobre o projecto de Centros de Excelência; Informar sobre os procedimentos e elegibilidade; Esclarecer dúvidas sobre a elaboração dos projectos. Sobre ACE II, foram propostas áreas prioritárias regionais como Energia, Gestão de Riscos de Calamidades, Agricultura, Saúde, Desenvolvimento de capacidades em Ciência e Tecnologia, Biotecnologia e TICs, entre outras. Nove (9) países manifestaram oficialmente interesse em participar, entre os quais Moçambique. Foi esclarecido que o projecto tem 2 componentes: 1. Estabelecimento dos Centros de Excelência. A maior parte dos fundos será alocado para o estabelecimento e reforço dos Centros; 2

4 2. Reforço das actividades de colaboração regionais, para melhorar o ensino de ciências exactas na Pós-graduação. Foi explicado que: Os fundos estão estimados em 2 a 6 milhões de dólares, dos quais 15% deve ser usado com parceiros regionais; O processo de selecção será competitivo e para garantir a transparência do processo, o mesmo será público, através da publicitação nos media e nas paginas de web; O reembolso dos fundos será com base nos resultados, para isso deverá existir uma planificação adequada; O Governo é a entidade responsável por coordenar o projecto; A implementação será feita pelas Instituições de Ensino Superior e deverá estar assegurada a transparência na gestão administrativa do projecto. Comentários dos Intervenientes sobre a apresentação Após a apresentação do projecto, pelos consultores do Banco Mundial, vários aspectos foram debatidos, dos quais destacam-se: 1. Papel das Ciências Sociais tendo em conta que se dá mais enfase às Ciências Exactas, possivelmente por existir défice de graduados nesta área Sobre este ponto foi esclarecido que a prioridade são as áreas ciências exactas mas as ciências sociais podem ser integradas dentro dos projectos. 2. Expectativas do Banco Mundial sobre o projecto, tendo em conta que Moçambique é falante de português, e se haverá um incentivo para o país Foi esclarecido que as propostas serão submetidas em inglês, encoraja-se que as instituições moçambicanas submetam propostas com instituições de outros países, para criar parcerias regionais. 3. Garantia da inclusão e maior envolvimento de mulheres, para estimular a sua participação na Pós-graduação Foi esclarecido que existem vários indicadores que serão considerados no processo de avaliação dos projecto e a questão do género será um deles. Deverão ser submetidas propostas 3

5 com planos de acção, serão criados incentivos para as propostas que incluam mais mulheres, mais estudantes, aspectos que vão apoiar a educação das raparigas na ciência. 4. Participação das empresas na iniciativa dos centros de excelência Sobre este ponto foi dito que os centros serão seleccionados na base competitiva, em função dos departamentos existentes em cada universidade, mas os Centros não são meramente académicos, por isso se encoraja a parceria, ligação e alinhamento com a indústria. 5. Participação de Moçambique, com poucos programas de Doutoramento Sobre este aspecto os consultores afirmaram que as instituições moçambicanas não devem encarar como limitante, mas procurar fazer parcerias com outras instituições regionais que tenham cursos de doutoramento. Os participantes chamaram à atenção ainda sobre a necessidade de ser esclarecido o papel do Governo na iniciativa dos Centros de Excelência, que os fundos devem olhar para o capital humano para que o país possa ter mais cursos de Mestrado e Doutoramento assim como a necessidade de definição clara das áreas estratégicas para o país. S.Excia o Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional procedeu ao encerramento do evento. 4

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