RELAÇÕES DE CONSUMO FRENTE AOS ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS. Leonardo Ayres Canton Bacharel em Direito

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1 RELAÇÕES DE CONSUMO FRENTE AOS ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS Leonardo Ayres Canton Bacharel em Direito INTRODUÇÃO A primeira norma a tratar sobre as atividades envolvendo organismos geneticamente modificados no Brasil foi a Lei nº 8.974/95, que tinha por intuito regulamentar os aspectos de biossegurança concatenando-os ao desenvolvimento de produtos geneticamente modificados. Entretanto, após conflitos adventos da legislação ambiental e da biossegurança, houve a imprescindibilidade de se reestruturar a legislação a respeito da matéria. Em 1998, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança CTNBio -, aprovou, mediante parecer técnico, o pedido de liberação comercial da soja geneticamente modificada, a qual seria tolerante a herbicidas à base de glifosato. Monsanto do Brasil LTDA. foi a empresa que apresentou a soja "RR", como é conhecida a soja geneticamente midificada em questão. No entanto, apesar de legalizado o pedido de liberação, a CTNBio não exigiu que fosse realizado o Relatório de Impacto Ambiental - EIA/RIMA -, o que se deu em uma ação civil pública proposta pelo Instituto de Defesa do Consumidor - IDEC, levando a justiça a questionar a CTNBio por tal comportamento.

2 Assim sendo, iniciou-se um ponto extremadamente polêmico, no qual envolveram-se os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário acerca de adotar ou não tal tecnologia no país, afinal se tratava de uma discussão na qual englobava-se principalmente toda sociedade brasileira e o meio ambiente. Tal fato veio a fazer com que fossem criadas várias leis e dispositivos infralegais para regular e, assim, suprir a escassa segurança jurídica. Em 2003, o Governo Federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei propondo uma nova regulamentação para o assunto no Brasil e objetivando também sanar a imagem da fragilidade regulatória que passou a reinar no país após o episódio de O projeto foi aprovado no dia 24 de março de Após muitas deliberações no parlamento, o então Presidente da República sancionou a Lei nº /05, a Lei de Biossegurança Nacional, regulamentada pelo Decreto nº 5.591/05, alcançando assim um novo episódio sobre o assunto no país. O objetivo deste trabalho foi o de relacionar juridicamente relações de consumo com os organismos geneticamente modificados. DESENVOLVIMENTO A Lei nº 8.078/90, em seu artigo 6º, define alguns direitos básicos do consumidor como sendo: "I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; II - a educação e divulgação

3 sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral." Para a formação do artigo acima citado, os legisladores utilizaram como base normas e princípios tanto da Constituição Federal como de Atos Internacionais que vigoram no Brasil com o objetivo de assegurar os direitos do consumidor, seja de maneira individual ou coletiva. Relativo aos OGMs, a Lei n /00 estabelece normas para assegurar e fiscalizar o seu uso, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, liberação e descarte. Para que se efetivem as exigências da Lei acima mencionada, Custódio (2003) afirma que:

4 "Compete aos órgãos de fiscalização do Ministério da Saúde, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento e do Ministério do Meio Ambiente, dentre outras atribuições no campo das respectivas competências, observado o parecer técnico prévio conclusivo da CTNBio e os mecanismos estabelecidos em sua regulamentação: a) a fiscalização e o monitoramento das atividades e dos projetos relacionados a OGM; b) a emissão do registro de produtos contendo OGM ou derivados de OGM a serem comercializados para uso humano, animal ou em plantas, ou para a liberação no meio ambiente; c) a emissão de autorização para a entrada no país de qualquer produto contendo OGM ou derivado de OGM; d) manter cadastro de todas as instituições e profissionais que realizem atividades e projetos relacionados a OGM no Território Nacional." No tocante a rotulagens dos OGMs, Pereira (2008) diz que "a partir do momento em que os órgãos públicos autorizam a produção, comercialização e consumo de uma determinada espécie de origem transgênica, devem ser também transmitidas as informações relativas à procedência daquele produto. Devido aos riscos inerentes à inserção no mercado de produtos originados de novas tecnologias, cabe ao consumidor decidir pela sua aquisição ou não. Entretanto, essa escolha só se demonstra possível se forem transmitidos os necessários elementos informativos que garantam uma manifestação de vontade livre." Nesse sentido, Carpena (2004) dispõe que: "No momento pré-contratual, o consumidor se vê diante de sérios obstáculos para concluir a sua decisão de compra do produto ou serviço, seja porque não tem elementos para aferir a qualidade e os riscos, como porque todo o mecanismo de formação do vínculo é facilitado pela padronização e estimulado pela publicidade para propiciar a adesão imediata. Quanto menos elementos de informação possuir o consumidor, menor será a certeza de que a decisão foi acertada."

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O fato de o consumidor ser desprovido de informações cria para o fornecedor a obrigação de apresentar elementos essenciais para que aquele faça sua escolha. As informações apresentadas ao consumidor devem ser claras e de fácil entendimento, de modo que o mesmo não precise de ajuda técnica para compreender. Sendo assim, para que se garanta a livre escolha do consumidor, além do dever de informar e a necessidade que tais informações sejam adequadas, é importante a identificação de riscos ligados a uma certa avença. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei 8.974, de 05 de janeiro de Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 06 de janeiro de Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/lei8974.htm>. Acesso em 15 de junho de BRASIL. Lei no de 24 de março de Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 de março de Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2005/lei/l11105.htm>. Acesso em 15 de junho de BRASIL. Lei no 8.078, de 11 de setembro de Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 12 de set de Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em 18 de julho de BRASIL. Lei no 9.985, de 18 de julho de Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 19 de jul de Disponível em:

6 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm>. Acesso em 22 de julho de CARPENA, Márcio Louzada. Do Processo Cautelar Moderno. 2 ed. Rio de Janeiro, Forense, CUSTÓDIO, Helita Barreira. Direito do consumidor e os organismos geneticamente modificados. Revista de direito sanitário, vol. 4 n. 3, Disponível em: <http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rlbow0fowyyj:www.rev istas.usp.br/rdisan/article/download/81062/84711+&cd=4&hl=pt-br&ct=clnk&gl=br>. Acesso em 13 de agosto de PEREIRA, Fabio Queiroz. Os organismos geneticamente modificados e a proteção do consumidor: direito à informação e rotulagem de alimentos. PublicaDireito, Disponível em: <http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=71a8b2ffe0b594a5>. Acesso em 20 de junho de Artigo retirado e adaptado do projeto de conclusão de curso: Implicações jurídicas na utilização de organismos geneticamente modificados. Leonardo Ayres Canton

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