A Nova Escola Penal: Direito, controle social e exclusão no Brasil ( )

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1 A Nova Escola Penal: Direito, controle social e exclusão no Brasil ( ) Carlos Martins Junior (DHI/ CPAQ/ UFMS) É singular que, fazendo eles a República, não a fizeram de tal forma liberal que pudessem dar lugar de professor a um negro. É singular essa República. (Lima Barreto, 1953: 45) Apresentação A virada do século XIX para o século XX constituiu um momento de transformações estruturais para o Brasil. A substituição da mão-de-obra escravista pela assalariada (gerando a necessidade de normatizar o mercado de trabalho livre e de integrar principalmente o excativo a uma sociedade que começava a se conceber como uma comunidade de trabalhadores), o advento da República (que teoricamente alargava a possibilidade de participação, no jogo político, daqueles que não eram considerados parceiros dos grupos sociais dominantes) e a expansão das atividades econômicas (as quais se refletiam no crescimento físico e populacional dos centros urbanos) aumentaram a preocupação das autoridades públicas e reformadores sociais em relação ao estado de anarquia social que parecia ameaçar o país, o que, consequentemente, levou ao refinamento de mecanismos de controle social, pautados na permanente vigilância e policiamento do cotidiano do liberto e do trabalhador pobre em geral. Nesse contexto marcado por um forte sentimento de insegurança, e no bojo do debate mais amplo suscitado pela formulação, em 1876, da idéia do criminoso nato pelo médicoantropólogo italiano Cesare Lombroso 1, o Direito Penal brasileiro passaria por profunda revisão conduzida, sobretudo, por um grupo de professores e magistrados vinculados à Faculdade de Direito do Recife, entre os quais se destacaram os doutores João Vieira da Araújo, João Marcolino Fragoso e Francisco José Viveiros de Castro, considerados os responsáveis pela introdução e a divulgação da Nova Escola Penal no Brasil 2. Caracterizada por um discurso médico-científico de forte feição determinista, essa corrente do Direito Penal passou a conferir conotação patológica ao ato anti-social, opondo-se 1 Professor de Medicina Legal da Faculdade de Turim, Cesare Lombroso ( ) é considerado o fundador da antropologia criminal italiana. Sua principal obra, O Homem Delinquente, publicada em 1876, expõe as concepções sobre o criminoso nato, predisposto ao crime desde o nascimento em razão de fatores biológicos atávicos, que podiam ser identificados nas características físicas e psicológicas do indivíduo 2 Também conhecida por Escola Positivista, Escola Científica ou, ainda, Escola Italiana do Direito Penal, para a Nova Escola Penal o criminoso seria um doente ou degenerado, o crime um sintoma e a pena um tratamento. Para uma visão mais aprofundada do assunto ver, entre outros, MARTINS JUNIOR, 1995; ALVAREZ, 2003; FERLA, 2009.

2 veementemente ao eixo doutrinário da chamada Escola Clássica, consolidado em torno das idéias de Beccaria, Bentham e Von Feurbach, que associava o crime ao livre arbítrio, doravante apontado pelos partidários do Direito Positivista como uma abstração metafísica. Assim, partido do pressuposto de que no espaço de tempo que se estende de 1870 a 1920 o Direito Penal paulatinamente ocupou um lugar central nas discussões em torno dos principais problemas nacionais, notadamente a ênfase dada às determinações raciais como fator essencial na composição do povo e das causas da criminalidade, o objetivo deste artigo é, em linhas gerais, traçar minimamente a trajetória e a recepção da Nova Escola Penal no Brasil, bem como discutir, com base nos discursos de homens como Silvio Romero, Francisco José Viveiros de Castro, João Vieira de Araújo e Marcolino Fragoso, entre outros, tanto as premissas que levaram esses intelectuais a buscar saídas para a construção de uma possível homogeneidade nacional a partir de um pensamento jurídico específico, quanto seus desdobramentos no tocante à elaboração e manutenção de projetos estatais autoritários de controle social dos populares, os quais contribuíram para manter a maior parte da população (em particular parcela não-branca desta) distante da vida pública nacional. Um bando de idéias novas : a Faculdade de Direito do Recife O século XIX representou o momento em que se tentou recriar, no Brasil, todo um aparato institucional com a finalidade de resolver o dilema mais agudo do período: a construção de uma sociedade que passava do regime tutelar colonial para o regime da lei como garantia de igualdade entre os indivíduos. Nesse contexto histórico surgiram, entre várias outras instituições de ensino superior, nossas duas faculdades de Direito, que a partir de 1828 começaram a funcionar em São Paulo e Pernambuco, às quais foi destinada a tarefa de formar uma elite intelectual capaz de desenvolver um pensamento original, que desatrelasse nossa cultura jurídica das amarras estrangeiras. Fundando novos modelos e imprimindo uma nova imagem ao país, pretendia-se conferir à nação que se gestava uma nova constituição. Originalmente instalada em Olinda e transferida para o Recife em 1854, a Faculdade de Direito do Recife voltou-se, desde o início, para uma atividade doutrinária, diferenciando-se da Faculdade de Direito de São Paulo, que se notabilizou por um perfil político liberal, produzindo um grande número de bacharéis em Direito dedicados a importantes cargos no cenário político nacional O ano de 1879 foi decisivo para a Faculdade de Direito do Recife. A reforma curricular, que implantou o ensino livre e dividiu o curso de Direito nas seções de Ciências Jurídicas e Ciências Sociais, refletiu um momento no qual a instituição passava por uma guinada teórica,

3 assumindo o objetivo de dar ao Direito nacional um estatuto científico assentado nos mais recentes modelos teóricos do evolucionismo, que no Recife tiveram larga aceitação após o impulso difusor de Tobias Barreto. Não obstante alguns autores considerarem exagerado o nome de escola para designar o movimento de idéias ocorrido no Recife a partir do final da década de 1860, quase todos são unânimes em reconhecer a importância de Tobias Barreto para o desenvolvimento da ebulição intelectual que praticamente provocou uma revolução do Direito brasileiro, devido à influência que o pensamento alemão teve em suas teses científicas e jurídicas. Conforme Lemos Britto, o papel mais importante desempenhado por Tobias Barreto foi o de levar ao conhecimento dos jovens estudantes de sua época as doutrinas de Jhering e Hermann Post, que aplicavam o darwinismo social ao Direito; o realismo científico de Buchner e o monismo filosófico de Haeckel, além de difundir o pensamento de autores como Spencer, Darwin, Buckle, Littré, La Play,Le Bon e Gobinal, entre outros (BRITO, 1939: 126). Destacado polemista, detido particularmente nas questões de Direito Criminal e muitas vezes criticado por ter sido homem de idéias gerais e não de particularidades das ciências jurídicas, a personalidade de Tobias Barreto cristalizou-se no tempo quase como a de um herói mítico, a ponto de ser apontado por autores mais contemporâneos, como o professor e magistrado Hermes de Lima, como o verdadeiro fundador da nossa literatura penal, aquele que trouxe para o foro e para a cátedra as primeiras e saudáveis reações contra o conceito do crime como fenômeno moral, embora a prevenção a respeito da sociologia lhe houvesse limitado a justa visão do crime, que não sendo, a seu ver, nem um caso de patologia, nem de atavismo, passava à categoria de monstruosidade ou irregularidade eliminável pela pena. Não se aprofundou, como devera, na gênese dessas irregularidades; antes a essa tendência reagiu, no desenvolvimento do seu próprio pensamento, pela convicção de que as raízes do crime também se prendiam à natureza do delinquente (BRITTO, 1939: 239). Motivados pelo espírito reformista de Tobias Barreto, o qual sobreviveu após sua morte no pensamento de Silvio Romero, os bacharéis do Recife da chamada geração de 1870 passaram a se auto-definir como a elite escolhida para introduzir a modernidade cultural no Brasil e imprimir ao Direito uma concepção estritamente científica. O alvo desses bacharéis era limpar o saber jurídico de qualquer subjetivismo, substituindo os antigos padrões religiosos e metafísicos da chamada Escola Clássica do Direito por modelos ancorados nas teses cientificistas em voga, interpretadas de acordo com as pretensões de cada analista. Com esse movimento, emergiu uma noção de ciência que fez com que a criminologia viesse a se aliar à psiquiatria, à biologia evolutiva, à geologia e à antropologia física e determinista, entre outras disciplinas.

4 Ao propor o rompimento com o jus-naturalismo religioso da Escola Clássica do Direito (entendido como elemento que dava suporte à defesa do caráter imutável da monarquia), em prol de uma visão laica do mundo (o correspondente do processo civilizatório que seguia seu curso evolutivo), o discurso cientificista da nova geração de professores e magistrados do Recife transformou-se numa arma apontada tanto para o limbo da instituição acadêmica, quanto para uma série de instituições políticas e sociais estabelecidas. Nessa operação de adaptação da ciência jurídica aos novos modelos científicos, residia uma tentativa de aplicar o positivismo, o determinismo, o naturalismo evolucionista e o darwinismo social às concepções da realidade nacional, em especial no que dizia respeito à compreensão de nossa formação como povo e país. Tratava-se de buscar saídas para a construção de uma possível homogeneidade nacional, o que implicava, segundo o tino teórico dos intelectuais do Recife, sobretudo a partir dos estudos de Silvio Romero, enxergar no critério étnico a chave para desvendar o problema brasileiro (SCWARCZ, 1993). Uma nação de mestiços é uma nação de criminosos : Direito e raça Para Silvio Romero a mestiçagem correspondia à luta das espécies no processo de sobrevivência visão bastante paradoxal, uma vez que a teoria evolucionista condenava o hibridismo racial e que, conseqüentemente, o mestiço significava a coroação do branco no país e, com base nisso, inferiu que homogeneidade nacional e mestiçagem entrelaçavam-se numa mesma relação. Sublinhe-se, porém, que embora acreditasse no valor da mestiçagem para a formação do povo brasileiro, Silvio Romero jamais foi um partidário do ideal iluminista da igualdade entre os homens, tendo sempre insistido no fato de que o determinismo racial apenas comprovava que, em função de sua inferioridade, a raça negra seria absorvida e suplantada pela branca na luta pela sobrevivência. Essa tese foi compartilhada por um dos discípulos de Silvio Romero na Faculdade de Direito do Recife, Francisco José Viveiros de Castro, que em 1894 escreveu: O Brasil oferece nesse momento de sua evolução histórica, a um observador competente, um fenômeno curioso a estudar, uma raça que se forma pela fusão de três outras raças diferentes [...] E aqui na Capital Federal o problema ainda mais se complica pela concorrência de estrangeiros de toda a Europa. [...] assiste-se a mais uma comprovação da lei de Darwin, a raça mais forte suplantando a mais fraca na luta pela existência. Os negros tendem a desaparecer absorvidos na raça branca e desse cruzamento surge o tipo genuinamente nacional, influenciado pelo clima, o mulato (CASTRO, 1895: VIII). A partir daí, apoiado em considerações formuladas, em 1889, durante o II Congresso de Antropologia Criminal, pela educadora francesa Clemence Royer, esclarecia Viveiros de Castro que se era possível pensar na inevitabilidade do branqueamento da raça brasileira, não

5 era menos correto ter em mente que esse processo não viria acompanhado do que poderia ser chamado de branqueamento moral, posto que a hereditariedade atua com mais força nos mestiços. Para ele, a história, como demonstrara a queda do Império Romano, comprovava que os atos mais imorais, mais contrários à natureza humana e à natureza de todos os seres organizados multiplicavam-se em épocas de grande civilização, que eram aqueles em que ocorriam os maiores cruzamentos de raça (CASTRO, 1895: VIII). Partindo de uma reflexão que opunha no mestiço a presença de inteligência à ausência de consciência, advertia Viveiros de Castro que se os híbridos, no Brasil, não podiam ser considerados degenerados a priori, e se, ao contrário, algumas vezes eram dotados de energia vital e de inteligência, era preciso admitir, de outra parte, que essa inteligência tornava-se tanto mais ativa e poderosa quanto maior o refreio imposto pela consciência. Vai daí que, naquele final de século, uma grave ameaça pairava sobre o país, pois se vivia uma época das mais fecundas para o aumento da criminalidade e da corrupção dos costumes, à medida que os mestiços, a par de uma inteligência largamente desenvolvida, são baldos de senso moral e propensos à lubricidade (CASTRO, 1894: ; CASTRO, 1895: VIII). O jurista completava seu raciocínio afirmando que da troca inter-racial que se processava no país, o legado dos não-brancos para a constituição do povo e da nação seria uma espécie de mestiçamento moral, na expressão utilizada por Silvio Romero para definir a influência negra sobre a formação da raça brasileira. 3 Assim, do ponto de vista de Viveiros de Castro, se em seus aspectos positivos a mestiçagem manifestava-se pela produção de um tipo nacional inteligente e fisicamente vigoroso devido, fundamentalmente, às influências de um meio natural que lhe dava maior resistência e capacidade de adestramento para o trabalho, em seu aspecto negativo o processo de miscigenação racial expressava-se através da tendência demonstrada pelo mestiço em agir conduzido por impulsos mórbidos incontroláveis, em especial os impulsos sexuais, o que lhe conferia como principal traço de caráter a propensão para a sensualidade e o amor. Frente a isso, Viveiros de Castro chegava a questionar se os brasileiros já estariam na degenerescência ou se apenas apresentavam uma aberração do instinto sexual (CASTRO, 1895: IX). Seguindo a mesma linha de raciocínio, em artigo publicado no ano de 1919 pela Revista Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife, o doutor Joaquim Pimenta questionava: Somos o que somos será porque sejamos uma sub-raça, num país de mestiços, uma fusão de elementos étnicos inferiores ou porque sejamos uma nacionalidade em vias 3 Silvio Romero referia-se especialmente à influência das amas-de-leite negras sobre as famílias brancas. ROMERO, 1943: 294.

6 de formação, o que explica o estado de delinqüência social do povo brasileiro? (PIMENTA, 1919: 54) Portanto, a preocupação dos juristas de Pernambuco para com o fenômeno da criminalidade, a qual fez com que o Direito Penal viesse a ocupar lugar central nas discussões em torno dos principais problemas nacionais, destacando-se entre eles a ênfase dada às determinações raciais como fator essencial na composição do povo, não foi acidental. Ao contrário fez parte de um debate específico que, tendo como eixo a apreensão do comportamento do homem delinqüente, apontava para o problema mais abrangente de referir os fatores criminógenos à anarquia das raças reinante no país e a conseqüente necessidade de legislar sobre ela a partir de um Código Penal científico e genuinamente nacional. Nesse processo, caberia aos penalistas fixar os limites da liberdade coletiva e individual, bem como a determinação da realidade das punições e do grau de periculosidade da delinqüência. Noutros termos, tudo funcionava como se para o campo da criminalística devessem convergir as questões mais prementes sobre os rumos da nação. A Nova Escola Penal no Brasil O fato é que, a partir de Tobias Barreto e, principalmente, com Silvio Romero, o Direito, combinado à Antropologia e à Psiquiatria, por exemplo, emergia como uma ciência que se auto-delegava a prerrogativa de determinar os instintos e os problemas nacionais. Tendo por pressuposto que aquelas seriam algumas das disciplinas que ajudariam o saber jurídico a espantar o fantasma do subjetivismo, acreditavam os bacharéis do Recife do pós-1870 que garantir a modernidade significava assumir o apego a certos modelos teóricos e autores que tinham o fator raça como elemento central de análise, em especial no que concernia aos fatores criminógenos. Nesse contexto ganharam força, entre os juristas da escola do Recife, as teses da escola italiana de antropologia criminal, que a partir dos trabalhos de Cesare Lombroso, Luigi Garofalo e Enrico Ferri passou a estudar a criminalidade privilegiando a análise dos caracteres biológicos e sociais do homem delinqüente. Ao final do século XIX, João Vieira de Araújo, João Marcolino Fragoso e Francisco José Viveiros de Castro, três juristas oriundos da Faculdade de Direito do Recife, aceitaram quase incondicionalmente as teses da antropologia criminal. A partir dos seus trabalhos, as idéias do médico-antropólogo italiano Cesare Lombroso receberam forte impulso divulgador no Brasil. Desses três autores, Francisco José Viveiros de Castro revelou-se o mais preocupado com a demonstração e a didática. Combativo e ousado, no prefácio de A Nova Escola Penal, livro de divulgação publicado em 1894, atribuía à ignorância dos magistrados, professores e

7 advogados a incompreensão das teses de Lombroso, Ferri e Lacassagne (CASTRO, 1894: IX.). Não obstante essa combatividade muitas vezes chegou a deslizar no terreno teórico, como exemplifica o fato de ter omitido por uma questão estratégica ou devido à dificuldade em se aprofundar no assunto, visto ter escrito seus artigos para o jornal O Paiz um tanto à ligeira, no calor da querela com os clássicos o debate travado, em 1892, entre italianos e franceses no Congresso de Antropologia Criminal realizado em Bruxelas, do qual saíram definitivamente abaladas as conclusões de Lombroso (DARMON, 1991). Por sua vez, nas respostas aos oponentes do direito positivista o professor João Marcolino Fragoso detinha-se na discussão da reputação dos críticos e no esclarecimento do que entendia ser o real significado das objeções feitas a Cesare Lombroso por teóricos como Tarde, Topinard, Codajiani, Carnevale, Manouvier e Joly. Segundo Evaristo de Moraes, nesse mister demonstrava o doutor Fragoso invulgar erudição e probidade científica, e o injusto menosprezo por ele recebido por parte daqueles que pretenderam historiar a trajetória da Nova Escola Penal no Brasil deveu-se, acima de tudo, ao fato do título dado por ele à sua tese, Do Genóide Alítrico, ter sido incompreendido à época, mas que nada mais significava que a expressão utilizada pelo autor para designar o criminoso típico lombrosiano, estando o livro voltado para a demonstração da veracidade das constatações do médico italiano a respeito do criminoso nato. (MORAES, 1939: 148) Mas foi no professor João Vieira de Araújo que a antropologia criminal encontrou seu maior teórico no país. Ao que tudo indica foi ele o primeiro brasileiro a mostrar-se mais bem informado a respeito das idéias criminológicas de Lombroso, Ferri e Garofalo, sendo considerado o introdutor da Nova Escola Penal no Brasil. O marco inicial foi a publicação, 1884, do livro Ensaio de Direito Penal ou Repetições Escritas sobre o Código Penal do Império, no qual João Vieira de Araújo destacava a necessidade de analisar a legislação nacional de um ponto de vista filosófico mais moderno, ponto de vista este que, no campo do Direito Criminal, seria representado sobretudo pela obra de Lombroso (ALVAREZ, 1996: 49). Porém, foi com a publicação, em 1889, de seu Comentário Filosófico Cientifico do Código Criminal e, posteriormente, em 1891, com a publicação pela revista Giusriprudenza Civile e Penale Nella Vitta Sociale do texto La sciense criminale al Brasile, no qual noticiava o acolhimento no Brasil da escola que denominava de positivismo- naturalista, que o doutor João Vieira de Araújo passou a ser reconhecido internacionalmente como um dos mais autênticos adeptos e propagandistas das idéias de Lombroso, tendo seu nome citado por

8 Havelock Ellis e Frassatti nas obras The Criminal e La Nuova Scuola di Diritto Penale in Itália ed all Stero, respectivamente. Ao contrário de Viveiros de Castro, nas respostas que enviava aos mais intransigentes críticos do direito positivista João Vieira de Araújo esforçou-se sempre em manter o mais alto nível de rigor teórico na exposição das idéias. Contra os argumentos de que Lombroso exagerava ao tipificar os criminosos e os loucos com base na exclusiva verificação de uma constituição anatômica mal formada, João Vieira de Araújo afirmava que a anatomia para a nova ciência era apenas um fundo de quadro, um apêndice da psicologia criminal que, por sua vez, dependia de uma base anatômica sob o risco de se transformar em pura quimera (ARAUJO, 1889: 180). Para ele, o mérito de Lombroso foi o de aplicar os estudos desenvolvidos pela frenologia exclusivamente no genus homo, criando no campo da criminologia uma síntese de conhecimentos obtidos pelos processos científicos da observação e da experiência no estudo do homem criminoso, considerado por todos os seus caracteres somáticos e psíquicos (ARAUJO, 1889: 181). De acordo com João Vieira de Araújo, a genialidade e a atualidade de Lombroso relacionavam-se ao fato dele ter baseado suas teses na idéia que regia a ciência moderna de seu tempo, de que o homem devia ser estudado nos próprios elementos indissolúveis que o compõem com todas as suas qualidades físicas e psíquicas, como agente e agido no ambiente que o circunda e que é o meio em que se pode conceber vivo (ARAUJO, 1889: 181). Em última análise, esse jurista brasileiro considerava que a síntese criada por Lombroso, permitindo a associação entre a antropologia criminal, a psiquiatria e as ciências penais, desembocou não só no estudo do crime como uma ação humana, mas também na visão da pena como reação social e dos sistemas de uma aplicação e execução por meios eficazes, que correspondiam ao designo final da suprema função de punir que exerce o estado (ARAUJO, 1889: 182). Sempre em comum acordo com Lombroso, afirmava Araújo que a genialidade e a loucura eram duas qualidades que ora podiam andar associadas, ora dissociadas, sendo, por outro lado, uma verdade inegável que a inteligência e o senso moral poderiam aparecer desencontrados no mesmo indivíduo. Desta forma, como ato exclusivamente humano, o crime, o suicídio e a loucura confundiam-se e se substituíam, revelando o estado de anormalidade psíquica do seu agente. Daí ser indispensável o estudo do homem criminoso de uma perspectiva estritamente médico-antropológica, sem que isso viesse a constituir uma ameaça de invasão ou substituição da ciência jurídica pela medicina como postulavam os

9 metafísicos. Tomando por principio ser o crime um fenômeno complexo de ação puramente humana e cuja origem podia ser reduzida a fatores de ordem física, social e individual, justamente as três ordens de influência predominante no cosmos, o doutor João Vieira de Araújo atacava a base de sustentação teórica da Escola Clássica do Direito, afirmando que a tese do livre arbítrio, ou responsabilidade moral, não passava de um hábito mental, uma fantasmagoria sobrevivendo em espíritos superficiais que não conseguiam distinguir entre o homem são e o louco. Do seu ponto de vista, no mundo moderno ninguém em sã consciência poderia mais admitir que o indivíduo enlouquecesse ou cometesse crimes por vontade própria. Para ele tal procedimento somente se reforçava a responsabilidade individual sobre o social, retirando-se do Estado um dever que deveria ser o seu: o de reconhecer o direito de garantia dos honestos e pacíficos contra malfeitores e desonestos, fossem loucos ou sãos; exatamente o estado de coisas que a Nova Escola Penal pretendia inverter (ARAUJO, 1889: ). Se Viveiros de Castro, Marcolino Fragoso e João Vieira de Araújo são arrolados como os maiores adeptos e propagadores da Nova Escola Penal no Brasil, vários nomes merecem destaque pela postura simpática em relação ao direito positivista. Se no Recife Clovis Bevilaqua mantivera-se mais reservado quanto à antropologia criminal, Adelino Filho e Martins Junior, dois de seus colegas de professorado, foram imediatamente atraídos para as teses de Lombroso, influenciados por João Vieira de Araújo. Também na Bahia, devido ao impulso dado pelo doutor Nina Rodrigues aos estudos de Medicina Legal, alguns jovens estudantes da época passaram a se interessar pela antropologia criminal, destacando-se entre eles Manuel Calmon e Afrânio Peixoto que, como médico legista no Distrito Federal, inspirou a criação do Instituto de Identificação do Rio de Janeiro (CORRÊA. Em São Paulo, através da tese Classificação dos Criminosos, o delegado Candido Motta também mostrava uma atitude simpática em relação às idéias de Lombroso, Ferri e Garofalo. Finalmente, resta destacar o advogado sergipano Ciro Azevedo, futuro diplomata e governador de seu estado, como o primeiro a apresentar, na pratica, perante o júri, as teses abraçadas pela Nova Escola Penal. Isso se deu por ocasião em que Azevedo se propôs a defender Adelino de Sousa Leite, empregado de uma carvoaria acusado de ter matado seu patrão a marteladas em 1885, imitando, segundo Evaristo de Moraes, outro crime cometido em Campinas por Almeida Junior, do qual fez vitima um mercador de escravos de nome Menezes (MORAES, 1939: 149).

10 Considerações Finais Frente ao exposto, pode-se concluir afirmando que, durante as três últimas décadas do século XIX, a tese lombrosiana, orientadora da escola positivista de criminologia, de que o homem só agiria por impulso universal de suas tendências hereditárias fato que praticamente eliminava sua responsabilização criminal apriorística ameaçou promover uma verdadeira revolução no campo do saber criminológico e jurídico, haja vista que a descoberta do criminoso nato implicou o ponto de partida de uma efervescência de idéias a respeito da natureza do homem delinqüente e a abertura de um amplo debate em torno da medicalização do crime. Embora possuíssem pontos de vista discordantes sobre a definição do real fator da criminalidade, antropólogos italianos e sociólogos franceses concordavam que, do mesmo modo que existia uma etiologia e uma profilaxia para as doenças infecciosas como a sífilis e a tuberculose (o maior flagelo da saúde na época), também haveria uma etiologia e profilaxia do crime, que era percebido pelos reformadores sociais como o maior flagelo social do final do século. Por analogia, a tuberculose e a criminalidade permearam o imaginário dos criminólogos positivistas como males que apresentavam vários pontos em comum. Tanto uma quanto a outra proliferariam em meios urbanos insalubres, sem ventilação satisfatória, onde campeavam a promiscuidade e a libertinagem, podendo ser contraídas em múltiplos locais como os balcões de bares, bordéis, internatos e quartéis devido a diversos fatores, tais como a falta de estrutura familiar, a educação viciosa, a má literatura e a imprensa, além, é claro, de más-formações de origem congênita transmitidas hereditariamente. Assim, médicos e juristas abraçaram a tese de que, de maneira idêntica á proliferação da tuberculose, o aumento da criminalidade gerava a necessidade de tomadas de consciência fundadas em objetivos sanitários e políticos de primeira ordem. Isso implica afirmar que o combate ao crime estava intimamente relacionado à implantação de programas concretos de reformas sociais visando, principalmente, à eliminação dos bolsões de miséria, reconhecidos como substratos produtores da delinqüência de crianças e jovens e como locais de onde rescendia a ameaça política permanente de um estado de guerra revolucionária, bem como à promoção de progressos na instrução, apontada como um dos mais eficazes antídotos contra o crime. Exatamente por isso, ao refutarem as acusações dos juristas clássicos de que a antropologia criminal colocava em risco toda a ciência do Direito, na medida em que tendia a subordiná-la à Medicina, magistrados e professores brasileiros partidários do Direito cientifico afirmavam

11 que as idéias em desenvolvimento na Europa abriram novos horizontes ao Direito Penal, elevando-o definitivamente, como a economia política, ao nível de uma ciência social. A correlação entre economia política e direito cientifico não era, neste contexto, gratuita ou destituída de significado. Na realidade ela revelava toda a apreensão dos juristas para com a existência e o comportamento de uma multidão inconformada, gerada pelo inchamento das cidades brasileiras no final do século XIX. Universo urbano este composto por largas fatias das camadas medias, anteriormente mal agasalhadas pelos figurinos políticos do Império, somadas a uma arraia miúda turbulenta, em que figuravam tanto trabalhadores pobres quanto vagabundos e mendigos (imigrantes e ex-escravos), homens errantes, sem pátria nem família; grupos de feição combativa, como haviam demonstrado por ocasião dos levantes urbanos como a Revolta do Vintém em 1880 (e, posteriormente, durante a Revolta da Vacina), e cooptável, como ficou patente no final dos anos oitenta, quando o movimento abolicionista recrutou seus pares não apenas nos setores mais avançados das camadas médias, mas também entre a plebe urbana desordeira, transformada em linha de frente nos meetings abolicionistas e nos confrontos de rua, jamais titubeando em enfrentar as forças identificadas com a ordem escravocrata (CASTRO, 1894: 187). Numa sociedade sacudida por forte turbulência decorrente de transformações econômicas, sociais e políticas trazidas pelo avanço da ordem capitalista, da emancipação da mão-de-obra escravista e da consolidação do regime republicano, mais do que nunca se tornava necessário conhecer a nação que se transformava, a fim de se evitar, pela confusão de corpos e anarquia de raças, a degenerescência física e moral do povo. Exatamente por isso, no Brasil, a antropologia criminal parecia adequar-se perfeitamente às necessidades de ordenamento da nação. Através dela, sobretudo os teóricos do Direito Penal oriundos da Faculdade de Direito do Recife acreditavam ter encontrado o estatuto cientifico que os capacitaria a conhecer o povo mais de perto e a definir os novos rumos do país. Partindo da premissa de que o criminoso era o resultado da somatória dos caracteres físicos de sua raça e de sua correlação com o meio, juristas e criminólogos brasileiros passaram a definir seu fenótipo como o espelho da alma, no qual se refletiam as virtudes e os vícios. Por essa interpretação, nas características físicas do povo estariam estampadas e poderiam ser reconhecidas as marcas da criminalidade e dos fracassos de um país. A esse respeito, traduzindo toda a inquietação que tomou conta dos bacharéis do Recife à época, em artigo para a Revista Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife, onde relacionava a teorias da

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