Empreendedorismo e economia solidária: um estudo comparativo. Relatório final

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1 Projeto de iniciação científica Empreendedorismo e economia solidária: um estudo comparativo. Relatório final Bolsista: Maria Aparecida Bueno Ferreira N UniFEI: Orientadora: Renato Ladeia Departamento: Administração Início: abril, 2007 Conclusão: março, 2008 Local: UniFEI, campus SBC

2 2 RESUMO DO PROJETO Este trabalho tem como objetivo estudar a economia solidária no chamado terceiro setor. A importância do terceiro setor na economia moderna é notória, pois a sociedade, devidamente organizada, passa a assumir atividades que o Estado, por suas imensas dificuldades, não as desempenha de forma satisfatória ou não tem recursos para fazer frente a uma crescente demanda por serviços sociais. O terceiro setor é assim denominado para diferenciar as instituições voltadas para o voluntariado da sociedade civil, também denominas Organizações não Governamentais ONG s, daquelas ligadas ao poder público e das demais organizações de objetivos estritamente econômicos. Com a Lei do Voluntariado (Lei nº 9.608), de fevereiro de 1998, com a criação de duas novas qualificações para as entidades do terceiro setor: a de "organização social" (OS), também em 1998, pela Lei nº 9.637; e a de "organização da sociedade civil de interesse público" (OSCIP), no ano seguinte, pela Lei nº 9.790, houve grande avanço nos investimentos ao terceiro setor. O fenômeno da economia solidária no Brasil é recente e os grupos informais apresentaram uma maior taxa de crescimento após a segunda metade da década de 90, enquanto as associações apresentaram uma redução da sua expansão e o número de novas cooperativas também se mantém relativamente estável. Os três principais motivos para a criação de entidades de economia solidária, de acordo com o Ministério do Trabalho são: alternativas ao desemprego, complemento da renda dos sócios e obtenção de maiores ganhos. Através dos Estudos de Caso das Organizações Sociais escolhidas, busca-se encontrar o perfil de seus empreendedores, as idéias e motivações que os levaram a iniciativa no terceiro setor, bem como as dificuldades encontradas e soluções. Além disso, serão analisados os projetos idealizados, como estão sendo realizados e os seus reflexos na economia solidária. Pretende-se assim, com os dados coletados e a fundamentação teórica, ter uma visão mais ampla sobre o terceiro setor e a economia solidária, contribuindo para o desenvolvimento de futuras pesquisas e a conseqüente contribuição para o desenvolvimento acadêmico do autor.

3 3 1 REVISÃO TEÓRICA 1.1 O surgimento do terceiro setor A aceleração do processo de globalização, acompanhada por políticas neoliberais que propõem o denominado Estado Mínimo, vem mobilizando vários setores da sociedade no sentido de ocupar o vazio deixado pelo Estado quanto ao atendimento de setores sociais excluídos. Além disso, vem ficando cada vez mais patente a pouca eficiência do poder público, mesmo quando há disponibilidade de recursos. De acordo com Meister (2003), o terceiro setor adquiriu seu grande impulso quando o Estado do bem estar social (que presumia ser capaz de resolver os problemas sociais da população) e a democracia liberal não atingiram os objetivos preconizados. Pode-se afirmar, também, que as grandes mudanças provocadas nas relações do trabalho, como a informalidade, redução do nível de emprego e desemprego estrutural foram, também, conseqüências desse processo de mudança. Sobre o terceiro setor, que surgiu para diferenciar as instituições voltadas para o voluntariado da sociedade civil daquelas ligadas ao poder público e das demais organizações de objetivos estritamente econômico, Meister afirma: A utilização do nome terceiro setor, no Brasil surgiu para designar um tipo de entidade, com um trabalho específico. Esse trabalho em parte até então estava ligado à igreja. Mas as atividades da igreja não eram tão extensivas ao ponto de responder a todos os anseios. O que realizava era mais um trabalho de caridade: hospitais, escolas asilos, etc. Hoje as instituições terceiro-setoristas têm um campo de atividade muito mais amplo. Agem no sentido de construir uma sociedade mais justa e mais fraterna (MEISTER, 2003, p. 28). Historicamente, as atividades comunitárias estão intimamente ligadas à ideologia liberal, que propõe um estado menos atuante e mais distante da chamada sociedade civil. As intervenções do estado na esfera da sociedade civil, sempre foram vistas pelos liberais como uma ingerência que pode afetar a liberdade e a capacidade da sociedade resolver os seus próprios problemas. Neste sentido Tocqueville (1962) em Democracia na América, defende que o estado deve promover a igualdade de condições e se coloca contrário a qualquer tipo de caridade pública ou privada. Igualmente ele defende o modelo americano de independência da sociedade civil em relação ao estado.

4 4 Evidentemente, as condições históricas que precederam este modelo são bastante peculiares na sociedade americana, entre as quais pode ser citada a relativa liberdade da colônia em relação governo imperial. 1.2 O que é o Terceiro setor? São denominadas como primeiro setor as instituições que desenvolvem atividades ligadas à esfera pública; de segundo, o setor privado, voltado fundamentalmente para as atividades econômicas com finalidades lucrativas. Assim, as organizações privadas que são públicas em relação às suas finalidades, as quais não se consegue encaixar em nenhuma das duas primeiras categorias mencionadas, são chamadas de terceiro setor. Essas instituições são também definidas como organizações nãogovernamentais, institutos, fundações, entidades de classe, associações profissionais, movimentos sociais os mais variados, enfim uma imensa gama de entidades atuando nas mais diversas áreas sociais. No Brasil se define o terceiro setor como um conjunto de organizações e iniciativas privadas que visam à produção de bens e serviços públicos (FERNANDES, 1994). As Organizações Não Governamentais (ONGs) são caracterizadas por serem organizações sem finalidade estritamente econômica, autônomas, isto é, sem vínculo com o Estado, voltadas para o atendimento de necessidades sociais, culturais..., complementando a ação do Estado (TENÓRIO ECT al., 2002). Sal amon e Anheier (1997) apud Maciel (2006), apresentam outra definição para o conjunto do denominado terceiro setor; segundo essa definição, as organizações que fazem parte deste setor apresentam as cinco seguintes características: a) Estruturadas: possuem certo nível de formalização de regras e procedimentos, ou algum grau de organização permanente. São, portanto, excluídas as organizações sociais que não apresentem uma estrutura interna formal; b) Privadas: estas organizações que não têm nenhuma relação institucional com governos, embora possam dele receber recursos; c) Não distribuidoras de lucros: nenhum lucro gerado pode ser distribuído entre seus proprietários ou dirigentes. Portanto, o que distingue essas organizações não é o fato de não possuírem fins lucrativos, e sim, o destino que é dado a estes, quando existem. Eles devem ser dirigidos à realização da missão da instituição;

5 5 d) Autônomas: possuem os meios para controlar sua própria gestão, não sendo controladas por entidades externas; e) Voluntárias: envolvem um grau significativo de participação voluntária (trabalho não-remunerado). A participação de voluntários pode variar entre organizações e de acordo com a natureza da atividade por ela desenvolvida. Alguns autores teorizam as atividades do terceiro setor sob outra perspectiva, como Rifkin, colocando a questão como uma crítica a instrumentalização das relações sociais. O Terceiro setor, também conhecido como setor independente ou voluntário, é o domínio no qual padrões de referência dão lugar a relações comunitárias, em que doar do próprio tempo a outros toma o lugar de relações de mercado impostas artificialmente, baseadas em vender-se a si mesmo ou seus serviços a outros (RIFKIN, 2000, p. 263). O mesmo autor também relaciona esse setor a qualquer atividade comunitária voluntária, chamando a atenção para a possibilidade de geração de trabalho e emprego nesse campo. As organizações do terceiro setor necessitam de atividades de controle e coordenação, bem como rotinas administrativas para atingir as suas finalidades. Essas atividades de suporte são desenvolvidas por profissionais contratados no mercado de trabalho, pois envolvem dedicação integral e fixa, diferentemente daquelas de natureza voluntária que envolvem trabalhos esporádicos ou projetos pontuais. Neste sentido essas organizações, como outras de qualquer natureza, não podem prescindir da racionalidade burocrática e administrativa na gestão dos seus recursos econômicos (Weber, 2004). 1.3 Os coadjuvantes do terceiro setor As ações do denominado terceiro setor dependem de vários coadjuvantes que atuam em paralelo ou associados a essa atividade, conforme são descritos a seguir: Associação Formação social que congrega pessoas interessadas em agir coletivamente a favor de um fim compartilhado; em termos jurídicos, é definida como pessoa jurídica criada por grupo de indivíduos que partilham idéias e unem esforços com um objetivo sem nenhuma finalidade lucrativa. Segundo Fagundes (2004) suas principais características são: a) Ter um mínimo de duas pessoas;

6 6 b) Ter seu parimônio constituído pela contribuição dos associados, por doações, fundos e reservas. Não possui capital social; c) Ter seus fins alterados pelos associados, em Assembleia Geral; d) Participação democrática: seus associados deliberarem livremente em Assembleia Geral tendo, cada associado diteito a voto; e) Ser entidade de direito privado e não público Fundos Comunitários Para Maciel (2006) é um fundo administrado geralmente por empresários em que as empresas em vez de doarem para uma entidade, elas doam para um Fundo Comunitário, sendo que os empresários estabelecem prioridades, e administram a distribuição do dinheiro Filantropia É uma palavra que vem do grego e significa amor à humanidade, implicando uma ação altruísta e desprendida. Filantropia, no entanto não é igual a desenvolvimento social, que é uma ação tradicionalmente atribuída ao primeiro setor, o governo (IOSCHPE et al, p.1, 2000). A filantropia conta com a participação de pessoas físicas, sua maioria são da classe média, e com a solidariedade de pessoas jurídicas também Fundações Pessoa jurídica composta pela organização de um patrimônio, destacado pelo seu instituidor para uma finalidade específica; não tem proprietário, nem titular, nem sócios; o patrimônio é gerido por curadores ONGs (organizações não governamentais), podem ser assim definidas: As ONGs são sociedades civis sem fins lucrativos, normalmente se organizam nos seguintes orgãos: Assembléia Geral e Diretoria Executiva. Os membros da Assembléia Geral com direito a votar e a serem votados, são os sócios fundadores e os efetivos (TENÓRIO et al., 2002, p. 56). Ainda de acordo com Tenório et al (2002, p. 57), essas organizações são estruturadas administrativamente com uma Diretoria Executivo, Comissão Executiva ou Secretaria Geral composta pelos sócios fundadores ou efetivos, eleitos em Assembléia Geral. O número de membros de uma ONG é variável.

7 Responsabilidade Social Conjunto de metas sociais focadas na melhoria da qualidade de vida da população e estabelecidas com base em indicadores periodicamente mensurados. É uma forma de conduzir os negócios da empresa de tal maneira que a torna parceira e coresponsável pelo desenvolvimento social. Lima et al (2005), de forma mais abrangente, definem a Responsabilidade Social Empresarial pelo o grau de amadurecimento de uma empresa privada em relação ao impacto social de suas atividades. Abrange aspectos como desenvolvimento comunitário, equilíbrio ambiental, tratamento justo aos funcionários, retorno aos investidores e satisfação do consumidor. A empresa socialmente responsável é aquela que ouve os interesses das diferentes partes e consegue incorporá-los ao planejamento de suas atividades Voluntariado Meister (2003, p.159), aponta o significado de voluntário. O voluntário é aquela pessoa que, além de suas próprias obrigações pessoais, dedica seu tempo livre, altruísta e com outros, não em favor de si mesmo nem dos associados, mas em favor dos demais, dos interesses sociais coletivos, dentro de um projeto que não se esgota na intervenção mesma, se não tende a erradicar ou modificar as causas que o provocam. 1.4 Investimentos no Terceiro setor Segundo Ladeia (2007) até recentemente as empresas disponibilizavam em seus orçamentos, valores para serem doados a entidades filantrôpicas, mas não havia um controle por parte dos doadores, sobre os resultados dos investimentos realizados. Dessa forma as doações poderiam tomar rumos diferentes dos desejados pelos filântropos. Essa mudança reflete a a percepção de que os recursos devem ser geridos de forma racional em busca de resultados e não apenas como caridade em que o doador transfere para outros a responsabilidade pela destinação dos recursos. Para Maciel (2006) não se sabe ao certo a quantidade de entidades do terceiro setor e nem mesmo o volume de recursos financeiros por ele movimentado, pois ainda não se têm dados concretos que comprovêm com exatidão. A autora afirma que, na

8 8 verdade, o que se tem são apenas valores aproximados do terceiro setor porque a cada dia surgem novas instituições e novos recursos são doados ou transferidos. Representantes do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), associação que reúne 88 dos maiores investidores sociais privados do país, apresentaram recentemente aos parlamentares uma de suas principais iniciativas: o Projeto Marco Legal do terceiro setor e Políticas Públicas. O investimento feito por essas organizações de origem empresarial se caracteriza pelo repasse voluntário de recursos privados, de forma planejada, monitorada e a sistemática, para projetos sociais, culturais e ambientais de interesse público. Anualmente esta rede investe mais de R$ 1 bilhão nestas iniciativas. O crescimento e importância do terceiro setor brasileiro pode ser identificado pelos resultados de duas recentes e expressivas pesquisas. Segundo dados do estudo As Fundações Privadas e Associações Sem Fins Lucrativos no Brasil, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com apoio do GIFE e Abong (Associação Brasileira de ONGs), houve um aumento de 157% (passando de 107 mil organizações, em 1996, para 276 mil, em 2002). Uma outra pesquisa, divulgada recentemente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o John Hopkins Center for Civil Society Studies, revela a significativa participação que o setor tem atualmente na vida econômica do país, representando 5% do produto interno bruto (PIB) nacional e assegurando empregos diretos a 1,5 milhão de trabalhadores. Houve avanços no ambiente legal do Terceiro setor, como a Lei do Voluntariado (Lei nº 9.608), de fevereiro de 1998, que conferiu maior segurança jurídica à utilização de serviços voluntários por parte de entidades sem fins lucrativos. Outra mudança, de impacto ainda mais relevante, deu-se com a criação de duas novas qualificações para as entidades do Terceiro setor: a de "organização social" (OS), também em 1998, pela Lei nº 9.637; e a de "organização da sociedade civil de interesse público" (OSCIP), no ano seguinte, pela Lei nº De acordo com essa lei, as OSCIP s podem remunerar os diretores da entidade. Outro diferencial é a possibilidade de estabelecimento de parcerias com o poder público, possibilitando a transferência de recursos para a realização dos seus objetivos (LIMA et al, 2005).

9 9 Também foi importante o advento do novo Código Civil, em Embora tenha mantido as duas tradicionais formas básicas em que são estruturadas juridicamente as entidades do Terceiro setor (associações e fundações), o Código promoveu alguns ajustes no que se refere às normas de organização e funcionamento de tais entidades, no intuito nem sempre alcançado de aprimorá-las. 1.5 Economia solidária O fenômeno da economia solidária no Brasil é recente, teve seu início na década de 90, com gradativa expansão no século atual. Quanto à forma de organização, perecebe-se que os grupos informais apresentaram uma maior taxa de crescimento após a segunda metade da década de 90, enquanto as associações apresentam uma redução da sua expansão e o número de novas cooperativas se mantém relativamente estável. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego MTE (2005, p. 26) os três principais motivos para a criação de entidades de economia solidária são: alternativas ao desemprego (45%), complemento da renda dos sócios (44%) e obtenção de maiores ganhos (41%). Dois outros motivos têm destaque: possibilidades da gestão coletiva da atividade (31%) e condição para acesso a crédito (29%). Essa situação modifica-se de acordo com as várias regiões. O motivo alternativa ao desemprego é o mais citado nas regiões Sudeste (58%) e na região Nordeste (47%). Por sua vez, na região Sul o motivo mais citado é a possibilidade de obter maiores ganhos (48%) e fonte complementar de renda (45%). Nas regiões Norte e Centro Oeste, o principal motivo citado é o complemento de renda (46% e 53% respectivamente). Para a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento CMMAD (1988) apud Andrioli (2007), a economia solidária é um tipo de desenvolvimento que satisfaz as necessidades da geração presente, sem comprometer as possibilidades das futuras gerações em satisfazer as suas necessidades. Este conceito se confunde com o de Desenvolvimento Sustentável, que prevê a criação de um modelo econômico e social que atenda às necessidades presentes, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades. A proposta é defender o equilíbrio do planeta e alertar para os perigos da exploração irracional dos recursos naturais. Apesar de inicialmente enfatizar a preservação ambiental, o conceito reflete hoje uma preocupação também com os direitos humanos, o resgate da cidadania e o acesso ao consumo de bens e serviços (LIMA et al, 2005).

10 10 O conceito de economia solidária refere-se à organização de produtores, consumidores, poupadores etc, que se distinguem por duas especificidades: a) Estimular a solidariedade entre os membros mediante a prática da autogestão; b) Praticar a solidariedade para com a população brasileira em geral, com ênfase na ajuda aos mais desfavorecidos. A expressão economia solidária designa inúmeras experiências que incluem formas diversas de agricultura familiar; assentamentos do MST; empresas industriais recuperadas por meio da autogestão, cooperativas, redes de catadores e recicladores (LISBOA, p. 109, 2005). No Âmbito do Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária SIES (2005, p. 12) a economia solidária é compreendida como o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito organizadas e realizadas solidariamente por trabalhadores sob a forma coletiva e autogestionária. Nesse conjunto de atividades e formas de organização destacam-se quatro importantes características: a) Cooperação: Existência de interesses e objetivos comuns, união dos esforços e capacidades, propriedade coletiva parcial ou total de bens, partilha dos resultados ou responsabilidade solidária diante das dificuldades; b) Autogestão: Exercício de práticas participativas de autogestão nos processos de trabalho, nas definições estratégicas e cotidianas dos empreendimentos, na direção e coordenação das ações nos seus diversos graus e interesses; c) Atividades econômicas: Agregação de esforços, recursos e conhecimento para viabilizar as iniciativas coletivas de produção, prestação e serviços, beneficiamento, crédito e consumo; d) Solidariedade: Preocupação permanente com a justa distribuição dos resultados e a melhoria das condições de vida de participantes. Comprometimento com o meio ambiente saudável, com a comunidade e o bem estar de trabalhadores e consumidores. É necessário perceber que essas características, embora sejam complementares e nunca funcionem isoladamente, podem ser observadas e compreendidas como categorias analíticas diferentes, mas sempre presentes na economia solidária. Singer (2006, p. 38) aponta a característica essencial da economia solidária não é promovida por um governo, embora seja evidente que o apoio do governo possa ser

11 11 bastante decisivo, principalmente no Brasil em que a participação da comunidade empresarial em projetos comunitários é pequena em relação às necessidades. Mas, para o autor citado a economia solidária acontece, mesmo quando os governos a ignoram. Ainda citando Singer (2006, p. 39) o fato é que comunidades inteiras, em várias partes do Brasil, usando o cooperativismo em geral, acabaram promovendo um desenvolvimento que não é capitalista, [...] que realmente beneficia todos os membros da comunidade. São práticas fundadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de recursos. Assim, privilegiam o trabalho coletivo, a autogestão, a justiça social, o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade com as futuras gerações. 1.6 Formas de organização Quanto à forma de organização, os empreendimentos econômicos solidários estão distribuídos em: cooperativas, associações, grupos informais e outros (Sociedades Mercantis etc.). No Brasil, a maior parte dos empreendimentos está organizada sob a forma de associações (54%), seguida dos grupos informais (33%) e organizações cooperativas (11%) e outras formas de organização (2%). Esta distribuição é diferenciada de acordo com as regiões. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste predomina o perfil nacional, diferentemente das regiões Sul e Sudeste onde há uma menor participação das associações e maior participação dos grupos informais. 1.7 Empreendedorismo Para Dolabela (1999, p. 43) empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação. O vocábulo vem do francês entrepreneur e foi traduzido livremente para o português como empreendedor e é utilizada para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação (DOLABELA, 1999, p. 47). O conceito de empreendedorismo ou atividade

12 12 empreendedora é bastante discutido nos meios acadêmicos e se procura distinguir o empreendedor do investidor. Um indivíduo que investe seus recursos numa atividade conhecida por sua rentabilidade, barreiras de entrada baixas etc, não seria considerado um empreendedor, mas um investidor. O empreendedor é um indivíduo que capta novas oportunidades de aplicação ou inovação de um produto ou serviço no mercado ou mesmo a criação de um novo produto ou serviço de forma inovadora. Sobre a questão inovação versus empreendedorismo, o conhecido autor em administração, Peter F. Drucker afirma que montar um negócio de fast food que está dando certo não seria uma atividade empreendedora. O autor define com mais precisão a relação entre inovação e empreendedorismo: A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. Ela pode bem ser apresentada como uma disciplina, ser apreendida e ser praticada. Os empreendedores precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas que indicam oportunidades para que uma inovação tenha êxito (DRUCKER, 2003, p. 25). Do ponto de vista pessoal, Silva define o ato de empreender como algo pessoal, ligado a realização de um desejo, independentemente do resultado financeiro: Empreender é ter um objetivo. É ter um motivo para seguir em frente. Esse objetivo não precisa ser necessariamente, o de acumular riqueza material. Mas quaisquer que sejam os objetivos principais, o importante é o grau de satisfação pessoal que o trabalho será capaz de gerar. Isso dependerá em boa parte, da qualidade dos relacionamentos que você conseguirá estabelecer entre seus sócios e funcionários (SILVA, 2005, p.2). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE acredita que empreender é ter o objetivo de: motivar-se para criar idéias inovadoras; transformar as idéias em negócios atraentes comercial e financeiramente; permanecer com o negócio no mercado de forma saudável. O empreendedor é alguém que acredita que pode colocar a sorte a seu favor, é alguém capaz de desenvolver uma visão, mas não é só isso. Deve ter habilidade em persuadir terceiros, sócios, colaboradores e investidores, e convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no futuro. Kirzner (1973) apud Dornelas (2005, p. 39) tem uma abordagem diferente para o termo empreendedor. Para ele é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulências.

13 13 A palavra empreendedor, de emprego amplo, é utilizada também para designar as atividades de quem se dedica à geração de riquezas, seja na transformação de conhecimentos em produtos e serviços ou na geração do próprio conhecimento (DOLABELA, 1999, p. 28). Para Degen (1989, p.1), o empreendedor é o agente do processo de destruição criativa que, de acordo com Schumpeter, é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos e novos mercados. Quem são os empreendedores? Quais são as suas características de personalidade, de comportamento? Para responder a isso, Mclelland (apud CHIAVENATO, 2004, p. 15) desenvolveu uma teoria para identificar as razões racionais ou emocionais a respeito de empreendedores. As características que, segundo Mclelland, os empreendedores devem possuir para serem bem sucedidos, são: a) Iniciativa e busca de oportunidades; b) Perseverança; c) Comprometimento; d) Busca de qualidade e eficiência; e) Coragem para assumir riscos, mas calculados; f) Fixação de metas objetivas; g) Capacidade de persuasão e de estabelecer redes de contato pessoais; h) Independência, autonomia e autocontrole. Além disso, o autor afirma que também é necessário ousadia e tolerância para o empreendedor ter sucesso. Neste sentido, as características individuais tem um peso significativo na formação do empreendedor. Britto e Wever (2004, p. 15) definem empreendedores como: seres especiais, dotados da incrível qualidade de transformar sonhos em lucrativos negócios. Gente que enxerga longe e que consegue vislumbrar alternativas e saídas para os mais diversos cenários. Para Ribeiro, Oliveira e Jinno (2004, p. 21)...os empreendedores se tornam populares no mundo dos negócios. Fornecem empregos, inovam e incentivam o crescimento econômico. E é através deles que a economia brasileira e mundial trabalha.

14 14 Todos os autores citados são enfáticos ao afirmarem que o empreendedor é um exímio identificador de oportunidades, sendo um indivíduo curioso e atento às informações, pois sabem que suas chances melhoram quando seu conhecimento aumenta. Pode-se afirmar que O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século XX (TIMMONS, 1990 apud DORNELAS, 2005, p. 17). Dos diversos conceitos elaborados para a definição de empreendedorismo, a concepção de Say alguém que inova e é agente de mudanças é o conceito utilizado por todos os pesquisadores e estudiosos na área do empreendedorismo (DOLABELA, 1999, p. 47). Essa concepção permanece até hoje e Jean Baptiste Say é considerado o pai do empreendedorismo, embora tenha sido o economista austríaco Schumpeter quem deu projeção ao tema e associou o empreendedor ao conceito de inovação. O movimento de empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma e ritmo na década de 1990, quando algumas entidades como SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) foram criadas. Fernandes (2002) afirma que o termo empreendedorismo, vem sendo utilizado de forma abrangente, referindo-se às ações inovadoras e dinâmicas em busca de resultados concretos em empresas e em organizações, tanto governamentais como não governamentais. Empreendedorismo é, portanto, o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de idéias em oportunidades de negócios, em desenvolvimento sustentável, em realizações sociais e culturais. E a perfeita implementação destas oportunidades leva a criação de negócios de sucesso. 1.8 Dicas do empreendedor Bygrave e Zacharakis (2004, p. 6), estabeleceram dez dicas para o sucesso do empreendedor. a) Visão (Dream): Os empreendedores têm a visão de como o futuro será para eles e seu negócio. Eles possuem a habilidade de implementar os sonhos. b) Decisão (Deciviness)

15 15 Eles não reclamam. Eles tomam decisões de maneira suave. O modo como tomam as decisões é fator chave para o sucesso. c) Implementadores (Doers) Uma vez que decidem em um curso de ação, eles implementam de maneira rápida. d) Determinação (Determination) Eles implementam as idéias com devoção total. Eles raramente desistem, mesmo quando confrontam obstáculos que parecem insuperáveis. e) Dedicação (Dedication) Eles são totalmente dedicados ao negócio, algumas vezes a custos consideráveis em termos pessoais. Freqüentemente é comum vê-los trabalhar 24 horas e sete dias por semana. f) Devoção (Devotion) Empreendedores amam o que eles fazem. É este amor que os sustenta quando as coisas não vão tão bem. É este amor pelo produto e serviço que fazem deles bons vendedores. g) Detalhes (Details) Normalmente se diz que os problemas estão nos detalhes. Isto é uma grande verdade, especialmente quando o negócio está começando. O empreendedor deve estar no topo dos detalhes críticos. h) Destino (Destiny) Eles querem ter o controle do próprio destino, e não ser dependente de alguém. i) Dinheiro (Dollars) Ficar rico não é principal motivador para os empreendedores. Dinheiro é uma medida do sucesso. Eles assumem que o sucesso trará as recompensas. j) Distribuir (Distribute) Empreendedores distribuem seu sucesso com os demais empregados chaves que também são críticos para o sucesso do negócio. 1.9 Empreendedorismo e economia solidária no terceiro setor O terceiro setor caracteriza-se pela participação da iniciativa privada e voluntária nas atividades em que o Estado, por inúmeros motivos, não consegue realizála de forma satisfatória.

16 16 Destaca-se neste seguimento a participação voluntária de pessoas com o objetivo de realizar trabalhos sociais dirigidos à população, cujos excedentes são destinados à manutenção desses projetos. Como já foi abordado anteriormente, a essência do empreendedorismo é a iniciativa na busca de algo novo, assumindo todos os riscos inerentes à atividade. O empreendedor do terceiro setor busca resultados concretos, mas não objetivando lucro para si ou para os seus investidores, detalhe este, que o distancia do empreendedor voltado para a geração de negócios com lucratividade e o conseqüente retorno do investimento. Pode-se apontar características do empreendedor do terceiro setor, tais como: a) Iniciativa; b) Perseverança; c) Comprometimento; d) Fixação de metas e objetivos. O objetivo da economia solidária é o desenvolvimento de uma forma organizada de determinadas atividades econômicas de forma coletiva e autogestionária. O empreendedor do terceiro setor encontra na economia solidária a forma mais eficaz para realização e manutenção dos projetos sociais. Dentre as Organizações não governamentais ONG s, destacamos as OSCIP Organização Social Civil de Interesse Público, criada pela Lei nº 9.790, que recebe do Estado recursos financeiros e, por força de lei, deve prestar contas A importância da Unisol nas relações institucionais estabelecidas junto aos empreendimentos e à sociedade. Criada em 1995, a Associação Civil Universidade Solidária (UniSol) articula e implementa projetos e ações sociais de universidade brasileiras, em parceria com empresas públicas e privadas, organizações do Terceiro Setor e comunidades. Com base no saber acadêmico e na prática extensionista das universidades brasileiras, as ações contribuem para o desenvolvimento social e incentivam o

17 17 empreendedorismo e a liderança jovem, além de aumentar o compromisso social dos profissionais em formação Números Até hoje, a UniSol já mobilizou mais de 23 mil estudantes e professores, 200 universidades, em mais de 1300 comunidades brasileiras. A UniSol é parceira do Fórum de Extensão das Universidades públicas, privadas e comunitárias e da Associação das Mantenedoras do Ensino Privado. Por seu trabalho, a UniSol foi reconhecida internacionalmente pela Unesco com a medalha Comenius, distinção concedida pelo governo da República Tcheca a programas e personalidades que desenvolvem trabalhos inovadores na área da educação. Em 2005, foi finalista do Prêmio Empreendedor Social concedido pela Folha de S.Paulo e Fundação Schwab Quando há solidariedade, todos saem ganhando a) Articulação de parcerias: A UniSol acredita, com o comprometimento de todos, é possível mudar a realidade social do país. Por isso, incentiva e articula parcerias entre universidades e entidades governamentais e não governamentais. b) Participação ativa da comunidade em todas as etapas do projeto: O empoderamento da comunidade é um dos nossos principais focos de atuação. c) Adesão voluntária: Universidades, estudantes, professores e comunidades aderem voluntariamente aos projetos. d) Capacitação na metodologia UniSol: Todos os envolvidos em nossos projetos são capacitados com base no documento de autoria da UniSol e constantemente atualizado e aperfeiçoado: Guia de Referência para implementação de projetos sociais e) Formação de multiplicadores locais: Ao capacitar multiplicadores, garante se a continuidade dos projetos. Ao mobilizar e capacitar agentes locais, busca-se garantir a continuidade dos projetos. f) Trabalho com equipe multidisciplinares:

18 18 Estudantes e professores das mais diversas áreas atuam num mesmo projeto social g) Descentralização de responsabilidades: Universidades, comunidades, governos, empresas e demais envolvidos dividem responsabilidades. h) Flexibilidade: Os projetos são planejados de acordo com a realidade da comunidade e podem ser reformatados a partir da experiência da equipe em campo, durante a implementação das atividades A importância do trabalho coletivo A Universidade Solidária (UniSol) e seus parceiros vêm juntos desenvolvendo ações sociais em parceria com universidades brasileiras e comunidades de todo o país. Projetos simples, mas de impacto, que utilizam o intercâmbio do conhecimento acadêmico e popular na busca de uma mudança da realidade local dessa populações. Com o apoio de empresas, organizações e governos, foi possível realizar centenas de projetos em todo o pais até hoje, além de ter aberto novos caminhos para a sustentabilidade das atividades e o aperfeiçoamento dos resultados alcançados até então. Com uma rede de universidades, a UniSol articula projetos onde estudantes põem em prática seus ideais de engajamento e usam seus conhecimentos para promover o desenvolvimento social. Um trabalho baseado na parceria, instrumento importante para aumentar a eficácia dos projetos sociais, baixar os custos e envolver mais profissionais e beneficiários nas ações. E é essa parceria que reforça cada vez mais a importância do trabalho conjunto para promover a melhoria da condição de populações pobres e os valores de cidadanias e de responsabilidade social em jovens universitários, futuros profissionais do país.

19 19 2 PROJETO DE PESQUISA 2.1 Objetivos e justificativas O objetivo desse projeto é pontuar os elementos mais importantes da relação que existe entre as organizações civis de interesse público, também chamadas de Terceiro setor e a economia solidária. A natureza emergencial dos inúmeros problemas que afetam as várias esferas do poder público, movimentam parte da sociedade que demonstra estar cada vez mais preocupada com o destino das pessoas, levando-as a reflexões e ações sociais: aqueles que têm mais estão procurando ajudar aqueles que têm menos. Para Tavares (1996) tem crescido no Brasil e no mundo o número e o espectro de organizações que buscam, por meios de ações globais, respostas para os problemas sociais e ambientais decorrentes do tipo de desenvolvimento que experimentamos nos últimos 50 anos. No entanto, a gestão desse tipo de empreendimento segue caminhos diversos dos setores privado e governamental. Pretendeu-se com esse estudo, possibilitar no campo das pesquisas, caminhos e soluções em relação a esse novo modelo de economia solidária dentro do universo denominado Terceiro setor. Espera-se, também, contribuir com o curso de Administração de Empresas do Centro Universitário da FEI, e, fundamentalmente, proporcionou o meu desenvolvimento acadêmico sobre esse sistema de organização civil. 3 METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida a partir de estudo de casos que representa o estudo de um indivíduo dentro de um universo mais amplo, possibilitando o aprofundamento da análise com vistas a testar uma teoria ou mesmo levantar questões relevantes para o desenvolvimento científico. Apesar do seu caráter exploratório e da impossibilidade de se fazer generalizações a partir dos resultados obtidos, tem sido largamente utilizado por todas as áreas de conhecimento (GIL, 1999). O estudo de caso pode também ser um estudo empírico que investiga um

20 20 fenômeno da atualidade dentro de sua realidade, quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidência (YIN, 1981, apud GIL, 1999). Uma das críticas mais comuns para os estudos de caso se refere às possibilidades de generalização dos resultados obtidos. Entretanto, mesmo os estudos de caso de natureza qualitativa podem ser bastante relevantes, como é o caso do estudo de Pagès e colaboradores sobre o poder em uma empresa multinacional hiper-moderna na França. Este é um ótimo exemplo de que um estudo de um único caso pode ser generalizado para vários outros, pois muitos trabalhadores identificaram sua relação com a organização onde trabalham com aquela descrita por Pagès (VIEIRA,2006). Churchill (2000) argumenta que a pesquisa exploratória é utilizada quando o pesquisador procura descobrir idéias e percepções em relação a um determinado assunto ou questão. Através dessa forma de pesquisa é possível obter informações que possam contribuir para uma explanação do tema explorado, bem como proporcionar novas perspectivas em relação à idéia inicial. 3.1 Encontros com o orientador Foram realizados encontros periódicos com o orientador nos quais pude discutir dúvidas, apresentar idéias e obter esclarecimentos em relação aos caminhos escolhidos e métodos adotados à pesquisa. Além disso, houve uma troca constante de informações via e.mail, que se transformou em um canal aberto para solução de dúvidas. Pesquisas, leitura e resenha de livros, textos de internet, revistas e cd roons, meios através dos quais pude concluir esse trabalho. 3.2 Instrumentos de coleta de dados O desenvolvimento do trabalho envolveu entrevistas estruturadas e não estruturadas com os gestores e colaboradores das organizações selecionadas. Essa interação foi bastante útil, pois criou canais de comunicação com os envolvidos e permitiu a obtenção de uma visão real sobre o processo ampliando a compreensão do problema. A entrevista é um instrumento por excelência e o mais constantemente usado pelos pesquisadores em todos os campos da ciência. Além disso, é também usada no

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