Climatologia Agrícola Ano de 2007

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1 Climatologia Agrícola Ano de 27 Relatório Anual No âmbito da actividade do Sistema Agrometeorológico para a Gestão da Rega no (SAGRA) e no seguimento de anos anteriores, apresenta-se no presente relatório, o resumo climatológico de maior interesse agrícola referente ao ano de 27. Devido à especificidade da actividade desenvolvida apresenta-se também o resumo do consumo hídrico das culturas mais representativas na área de cada uma das estações. Na Figura 1, apresenta-se, para o caso de Beja, a evolução da precipitação anual, temperatura média anual e evapotranspiração da cultura de referência anual (ETo) e a sua relação com os valores médios de precipitação anual e temperatura média anual do período de , para o posto meteorológico de Beja do Instituto de Meteorologia (IM). Os dados de precipitação anual e temperatura média anual no período de 1994 a 21 foram cedidos pelo IM e referem-se também ao posto meteorológico de Beja. A partir de 22 toda a informação foi obtida pela estação meteorológica automática (EMA) de Beja da rede SAGRA. A partir de 22 passou a disponibilizar-se também a evapotranspiração de referência (ETo) estimada de acordo com a metodologia recomendada pela FAO (Allen et al., 1998). 1 Termopluviograma e ETo 3, 12 2, 1 2, 7 1, C 1, 2, Anos Precipitação ETo T med T med (1961-9) P med (1961-9), Figura 1 - Relação entre ETo, Precipitação e Temperatura média anual para Beja. Mod.11/ Pela análise do gráfico da Figura 1, verifica-se que a temperatura média anual (linha laranja contínua) tem evoluído sempre muito próxima do valor médio do período de , representada pela linha laranja tracejado. Não se tendo evidenciado diferenças entre a temperatura média do ano de 27 e a temperatura média do período de Em relação à precipitação, observa-se um maior desvio em relação ao valor médio do período de (linha azul tracejada), notando-se que a precipitação registada em 27 foi de 4 % (aprox.) menos que o valor médio. A ETo calculada no ano de 27 apresentou o valor mais baixo desde que se iniciaram os cálculos (< 13 ). Quinta da Saúde, APT 34, Beja Telf.: FAX:

2 Após o enquadramento inicial de uma EMA de referência (no presente caso Beja), em relação a uma série de dados históricos, conforme apresentado na Figura 1, passa-se a descrever de seguida, a relação dos parâmetros mais significativos em termos de climatologia agrícola entre as diversas estações meteorológicas automáticas (EMA s) da rede SAGRA. Assim, na Figura 2, apresenta-se a relação entre todas as que compõem a rede SAGRA referente à precipitação anual ocorrida, à evapotranspiração da cultura de referência (ETo) estimada de acordo com a metodologia recomendada pela FAO (Allen et al., 1998) e à temperatura média anual verificada. Termopluviograma e Evapotranspiração (ETo) Beja Elvas Alvalade Moura Ferrreira do Aljustrel Redondo Évora Odemira Serpa Estremoz Viana do P () ETo () Tmed () Figura 2 - Relação entre ETo, Precipitação e Temperatura média anual para as diferentes estações da rede SAGRA. Da análise do gráfico da Figura 2, verifica-se que a evapotranspiração da cultura de referência (ETo) acumulada durante o ano foi cerca de 12 e que a precipitação foi inferior a, em grande parte das estações. As maiores exigências evapotranspirativas ocorreram nas estações de Beja, Alvalade do Sado, Aljustrel, Serpa, Redondo e Viana do. Em relação à precipitação, Évora, Estremoz, Elvas e Viana do foram os locais onde ocorreu maior quantidade de precipitação. As zonas mais secas foram Beja, Moura, Ferreira do e Odemira. Nas estações meteorológicas de Évora, Odemira e Estremoz foi onde se registaram as temperaturas médias anuais mais baixas (1,2 ). Desta figura ressalta ainda que, Évora, Estremoz e Odemira foram os locais onde existiu menor diferença entre a evapotranspiração e precipitação, ou seja, potencialmente menor exigência de rega, comparativamente com os outros locais. Na figura seguinte apresentam-se os valores mensais da temperatura média do ar, precipitação e evapotranspiração de referência, distribuídos pelas estações da rede P ETo Tmed P ETo Tmed 2

3 P ETo Tmed P ETo Tmed DO ALENTEJO P ETo Tmed P ETo Tmed P ETo Tmed P ETo Tmed ODEMIRA P ETo Tmed P ETo Tmed ESTREMOZ VIANA DO ALENTEJO P ETo Tmed P ETo Tmed Figura 3 - Relação entre ETo, Precipitação e Temperatura média mensal nas estações da rede SAGRA. 3

4 Pela análise dos gráficos da Figura 3, verifica-se uma tendência similar em todos eles, isto é, o período com a temperatura média mensal mais elevada foi aquele em que as necessidades de evapotranspiração também foram maiores, e coincidiu exactamente com o período de menor ocorrência de precipitação. Pelo contrário, o Inverno foi a estação com maior ocorrência de precipitação e mais fria, e simultaneamente a que teve menores exigências de evapotranspiração. As maiores amplitudes térmicas verificaram-se nas estações de Elvas e Moura com valores médios entre os 26 (Julho) e 7 (Dezembro), enquanto a estação de Odemira apresentou a menor amplitude térmica com 2 (Julho e Agosto) e 11 (Janeiro e Dezembro). A precipitação apresentou uma distribuição mensal aleatória, resultado da constante instabilidade atmosférica que caracterizou o ano, registando-se a ocorrência de alguma precipitação durante o mês de Agosto. Verificaram-se grandes amplitudes de evapotranspiração com valores de 2 por mês durante o Verão, baixando para valores de 3 durante os meses de Inverno. A excepção acontece na estação de Odemira onde os valores durante o Verão não ultrapassaram os 1 /mês. Na Figura 4, apresenta-se a variação da radiação solar global anual (MJ/m 2 ), registada em cada uma das EMA s. Radiação Global nas Estações 7 67 Rad G (MJ/m 2 ) Beja Elvas Alvalade Moura Ferrreira do Aljustrel Redondo Évora Odemira Serpa Estremoz Viana do Figura 4 - Radiação Solar Global anual para as EMA s da rede SAGRA. Da análise do gráfico da Figura 4, verifica-se que a radiação solar global acumulada ao longo do ano, por cada EMA, foi em média de 6 MJ/m 2. Em Évora, Estremoz e Moura não se atingiu o valor médio e em Beja, Odemira e Viana do superouse esse valor, atingindo os 6 MJ/m 2 em Beja e Viana do e no caso de Odemira devido à proximidade do mar, atingiu o valor mais elevado ultrapassando os 68 MJ/m 2. Nas figuras e 6, apresenta-se a evolução da radiação solar global comparativa entre estações ao longo do ano de 27, expressa em valores mensais. 4

5 Rad G (MJ/m2) Evolução Rad. Solar Global Zona Sul F. ALENTEJO ODEMIRA Figura Evolução da Radiação Solar Global mensal entre EMA s da rede. Pela análise dos gráficos da Figura e 6, pode-se observar uma crescente evolução nos valores da radiação até ao mês de Julho, durante o qual a radiação atingiu valor máximo entre os 8 e 9 MJ/m 2. A partir de Julho verifica-se um decréscimo progressivo até ao fim do ano, atingindo-se os valores mínimos em Dezembro e Janeiro de 2 MJ/m 2 (aprox.). Rad G (MJ/m2) Evolução Rad. Solar Global Zona Norte ESTREMOZ EVORA V. ALENTEJO Figura 6 Evolução da Radiação Solar Global mensal entre EMA s da rede (cont.). Fazendo a análise por estações, verifica-se que as EMA s de Viana do, Beja e Odemira, atingiram os valores máximos de 9 MJ/m 2 (aprox.). Pelo contrário, as estações de Ferreira do, Aljustrel, Serpa e Évora e Moura, apresentaram os registos mais baixos de radiação solar global mensal de 2 MJ/m 2 (aprox.) durante os meses de Inverno. Na Figura 7, apresenta-se a variação da velocidade média e máxima do vento anual para a rede de EMA s.

6 m/s 2, 18, 16, 14, 12, 1, 8, 6, 4, 2,, Beja Elvas Alvalade Moura Ferreira do Aljustrel Redondo Évora Odemira Serpa Estremoz Viana do Figura 7 Comparação da velocidade média e máxima do vento anual entre estações da rede. Pela análise da Figura 7, verifica-se que a velocidade média do vento entre todas as estações da rede SAGRA se aproximou dos 2 m/s, acima desta média destacam-se as estações de Redondo e Viana do. Pelo contrário, as estações de Moura, Ferreira do e Estremoz apresentaram valores mais baixos relativamente à média. Da análise dos valores máximos registados, verifica-se que as estações Alvalade, Aljustrel e Redondo atingiram os maiores valores de velocidade do vento, superando os 18 m/s. De acordo com o referido no início do relatório, apresenta-se em seguida a evolução das necessidades hídricas das culturas e das necessidades de rega, considerando apenas a contribuição da precipitação, durante o período de desenvolvimento da cultura. As figuras 8, 9 e 1 apresentam a evapotranspiração das culturas mais representativas da rede, estimadas de acordo com a metodologia recomendada pela FAO (Allen et al., 1998). Assim, no gráfico da Figura 8, apresentam-se as necessidades hídricas de beterraba de Outono, milho e girassol. Na Figura 9 e 1, respectivamente as culturas, tomate e melão e olival e vinha para vinho. No caso da vinha, as necessidades foram estimadas simulando a cultura em plena produção numa situação permanente de défice hídrico moderado. A determinação das necessidades em água do olival foram adaptadas às condições da região, para as quais se considerou o olival instalado com compasso 7 6, com um diâmetro médio de copa de 4 m, o que equivale a uma fracção de cobertura de cerca de 3% da superfície do solo. Os valores apresentados referem-se à evapotranspiração acumulada para um ciclo normal e para uma data de sementeira média ou início habitual de ciclo. 12 ETc () ODEMIRA Beterraba Outono Milho Grão Girassol Figura 8 Evapotranspiração das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27. 6

7 Pela análise do gráfico da Figura 8, verifica-se que a beterraba de Outono apresentou o maior consumo de água, superando na maioria das regiões os 9, atingindo inclusive, os 1 em Aljustrel. Em relação à cultura do milho, as exigências em água para completar o ciclo foram, em média, de 7 (aprox.), podendo-se verificar que a cultura na região de Odemira teve menores exigências em água (< 6 ) e que em Aljustrel e no Redondo atingiu as necessidades hídricas máximas, aproximando-se dos 8. No caso do girassol, esta cultura apresentou, durante a campanha, uma exigência média em água de 6. Em relação às culturas hortícolas aqui consideradas, apresenta-se no gráfico da Figura 9, o consumo hídrico das culturas de tomate para indústria e melão. 12 ETc () Tomate Melão Figura 9 Evapotranspiração das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27 (cont.). Relativamente à cultura do tomate, pela análise do gráfico da Figura 9, verifica-se que, de um modo geral, a cultura apresentou uma exigência em água de 6, evidenciando-se uma exigência ligeiramente superior no Redondo, seguido de Aljustrel. A cultura do melão apresentou uma exigência em água ligeiramente inferior, em termos médios, situando-se em valores ligeiramente inferiores a 6. Apresenta-se no gráfico da Figura 1, o consumo hídrico das culturas do olival e vinha para produção de vinho. 12 ETc () Olival Vinha para vinho Figura 1 Evapotranspiração das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27 (cont.). 7

8 Pela análise do gráfico da Figura 1, pode-se observar que o olival apresentou um consumo em água ligeiramente inferior a 4, e a vinha para produção de vinho apresentou um consumo de 3 (aprox.). Os valores apresentados nas Figuras 8 a 1, referem-se às necessidades de hídricas das culturas para reporem as suas exigências de evapotranspiração durante o ciclo anual de vida, para transformar essas necessidades em necessidades de água de rega foi considerada a precipitação efectiva ocorrida durante o período correspondente ao ciclo cultural. Desta forma, nas Figuras 11, 12 e 13, apresentam-se as necessidades em água de rega estimadas para maximizar a produção da cultura, considerando a precipitação efectiva como 8% da precipitação ocorrida durante o período de desenvolvimento da cultura, e não considerando a contribuição do armazenamento do solo, nem qualquer outra contribuição, como seja a existência de lençol freático ao alcance das raízes. 7 NA () ODEMIRA Beterraba Outono Milho Grão Girassol Figura 11 Necessidades em água de rega das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27. Pela análise do gráfico da Figura 11, verifica-se que a beterraba de Outono apresentou necessidades em água de rega idênticas ao milho, em média, de 6 (aprox.), podendo-se verificar que as culturas na região do Redondo têm maiores exigências em água superando os 6. Em Ferreira do, Évora e Odemira as exigências em água de rega do milho foram as mais baixas, de (aprox.). Em relação à cultura do girassol as exigências de água de rega foram de, sendo que em Elvas e Ferreira do ficaram ligeiramente abaixo deste valor. 7 6 NA () Tomate Melão Figura 12 Necessidades em água de rega das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27 (cont.). 8

9 De acordo com o gráfico da Figura 12, pode-se observar que o tomate para indústria apresentou necessidades em água de rega que variaram entre os em Ferreira do e Évora e os 6 em Aljustrel e no Redondo. As necessidades de rega da cultura do melão foram, em média, de 4 (aprox.), sendo que no Redondo atingiram os e em Ferreira do, em pouco superaram os NA () Olival Vinha para vinho Figura 13 Necessidades em água de rega das culturas mais representativas da área de influência rede SAGRA no ano de 27 (cont.). Para finalizar o presente relatório, verifica-se que, pela análise do gráfico da Figura 13, o olival apresentou necessidades em água de rega de 1 (aprox.), sendo que em Alvalade do Sado, Beja, Ferreira do e Redondo, superaram esse valor, atingindo os 1. Em relação à vinha para produção de vinho, esta apresentou necessidades em água de rega que atingiram os 1 no Redondo e Beja, e em Aljustrel, Évora e Redondo foram de, em valores médios. Beja, 3 Março 28 Os Técnicos de Área SAGRA Jorge Maia Marta Santos O Director Técnico (Isaurindo Oliveira) 9

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