ACONSELHAMENTO e TESTE RÁPIDO DE SÍFILIS

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1 ACONSELHAMENTO e TESTE RÁPIDO DE SÍFILIS A implantação do teste rápido para sífilis, como método alternativo de triagem, é uma iniciativa do Departamento DST, AIDS e Hepatites Virais que visa contribuir para a ampliação do acesso da população brasileira ao diagnóstico precoce desta infecção Além de ser um importante fator para o controle da infecção no nível coletivo, o teste rápido permite que pessoas com resultado positivo sejam encaminhadas para confirmação do diagnóstico e tenham o acesso ao tratamento e a outros cuidados com maior brevidade. Além disso, o acesso de mulheres gestantes ao diagnóstico da doença é decisivo para prevenção da transmissão vertical da sífilis. ACONSELHAMENTO O aconselhamento é uma abordagem onde o usuário pode expressar o que sabe, pensa e sente acerca das DST/aids e o profissional de saúde, ao escutá-lo, pode contribuir para avaliação de suas vulnerabilidades e para a identificação de medidas preventivas viáveis, segundo as possibilidades e limites de cada pessoa em atendimento. (MS 2010) Pressupõe a capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre os interlocutores, visando potencializar as capacidades do usuário para que ele se reconheça como sujeito de sua própria saúde e transformação. Ação importante para a quebra na cadeia de transmissão das DST, o aconselhamento auxilia o paciente a: a) compreender a relação existente entre o seu comportamento e o problema de saúde que está apresentando; b) reconhecer as capacidades que tem para cuidar da sua saúde e evitar novas infecções; c) avaliar a necessidade de mudança de valores, atitudes e práticas a partir das reflexões feitas;

2 d) reconhecer a importância da convocação de seus contatos sexuais para tratamento e quebra da cadeia epidemiológica. O bom resultado desta prática depende da participação ativa entre profissional e usuário e deste no processo terapêutico. O profissional deve utilizar uma linguagem acessível e o diálogo é contextualizado ao cotidiano, estilo de vida e às vivências sexuais da pessoa em atendimento. Neste encontro se oferece a oportunidade de acolher, revelar, esclarecer, interrogar, mobilizar, negociar, integrar. Para que seja produtivo para o usuário e para o profissional de saúde é importante que seus componentes sejam compreendidos: Educativo Permite a troca de informações sobre a doença, suas formas de transmissão, prevenção, diagnóstico e tratamento. Esclarece, de forma mais personalizada, as dúvidas e receios do usuário. Apoio Emocional Auxilia o usuário a lidar com os problemas emocionais relacionados às DST/aids. Avaliação das Vulnerabilidades e riscos. Busca desenvolver a capacidade pessoal do usuário para compreensão de suas vulnerabilidades e riscos para as DST/aids. Identificação das Possibilidades e limites para o enfrentamento das Vulnerabilidades Favorece a escolha do usuário sobre as opções de prevenção mais convenientes para si.

3 Estes componentes se desenvolvem de forma dinâmica no processo de aconselhamento e de acordo com o conhecimento da doença e as necessidades de cada usuário. A TROCA é uma característica marcante no processo e alguns conteúdos e procedimentos são fundamentais: Confidencialidade e o sigilo das informações; Identificação das necessidades de cada usuário e avaliação dos riscos de infecção: histórico de outras DST, uso de álcool e outras drogas e uso do preservativo associando situações de risco e vulnerabilidade que levaram a esta DST; Troca de informações específicas sobre a sífilis, diferença entre cicatriz sorológica e doença recente e o método de testagem utilizado; Informações sobre as complicações decorrentes de não tratar, interromper o tratamento ou da automedicação; Necessidade do tratamento dos parceiros sexuais com contato de 30 a 90 dias dependendo dos sintomas e quadro clínico; Necessidade de retorno ao serviço se persistir sintomas ou caso estes reapareçam; Identificação de barreiras para a mudança das situações de risco; Orientações para adoção de práticas mais seguras e redução de riscos; Fortalecimento das capacidades para a redução de riscos; Orientações sobre o uso correto do preservativo; Encaminhamento dos casos positivos para exames confirmatórios nos serviços de referência PARCERIAS SEXUAIS Para que se rompa a cadeia de transmissão das DST, é fundamental que os contatos sexuais das pessoas infectadas sejam tratados. Este é um momento delicado do aconselhamento, pois convidar o parceiro para o serviço implica, muitas vezes, em revelar relações eventuais com outros parceiros, entrar em contato com relacionamentos passados, refletir sobre a sexualidade, o uso do preservativo ou a ética na relação. Além

4 disso as pessoas receiam ser identificadas e ter sua intimidade exposta nos serviços de saúde de referência na comunidade em que vivem e são conhecidos. Estes aspectos geram ansiedade, medo de preconceito, de perder o parceiro e outros conflitos. É importante encorajar a pessoa em atendimento para o enfrentamento da situação e obter o consentimento para envolver os contatos sexuais. Uma abordagem convincente inclui conteúdos sobre: - a possibilidade de parceiros sem sintomas estarem infectados - a possibilidade de reinfecção se um parceiro permanece infectado - as consequências para o parceiro, se não tratado * - as consequências para os outros contatos do parceiro, se esse não for tratado * - os diversos locais onde conseguir tratamento, se não quiser que o parceiro se trate no mesmo serviço - auto estima e qualidade de vida * Como conseqüências do não tratamento dos parceiros e das reinfecções, o paciente terá que fazer o tratamento novamente. Além de incômodo (injeções de penicilina), aumenta o risco de resistência bacteriana com o uso prolongado de antimicrobiano. O paciente pode não apresentar sinais e sintomas na próxima vez que for infectado e a sífilis sendo uma doença sistêmica poderá evoluir para suas fases secundária e terciária. Para as mulheres, há risco de DIP (Doença Inflamatória Pélvica) e infertilidade. Para o homem, orquite (inflamação dos testículos), epididimite ( inflamação do epidídimo) e infertilidade. Há o risco ainda de a gestante passar a doença para o feto com sérias conseqüências. É importante lembrar: - a necessidade de evitar contato sexual até que seja finalizado o tratamento, para não ocorrer o contato com a bactéria treponema pallidum presente nas secreções e sangue - há situações no cotidiano das vivências sexuais de impossibilidade de evitar contato sexual, como por exemplo sexo comercial, uso de substâncias e violência e outras. Nestas situações é importante o profissional discutir estratégias de negociação do uso do preservativo caso a caso, considerando singularidades pessoais e da conjugalidade. A prescrição use camisinha em todas as relações sexuais não contribui para a mudança de valores, atitudes e adoção de práticas sexuais seguras.

5 A comunicação deve ser baseada nos princípios de confidencialidade, ausência de coerção, proteção contra a discriminação e legalidade da ação. No caso do não comparecimento dos parceiros convidados através do paciente índice (convite ou cartão), pode-se realizar a comunicação por correspondência (aerograma), abordagem consentida por meio de profissionais de saúde habilitados. Serão considerados parceiros, para fins de comunicação, aquelas pessoas com quem o usuário relacionou-se ou relaciona-se sexualmente e/ou compartilha ou compartilhou equipamentos durante o consumo de drogas injetáveis. Serão considerados parceiros para fins de comunicação as pessoas com quem o paciente relacionou-se sexualmente entre 30 e 90 dias segundo a tabela abaixo: Sífilis congênita Sífilis primária Sífilis secundária Sífilis latente recente Sífilis latente tardia ou indeterminada Infecção pelo HIV - Mãe e seus parceiros sexuais atuais Até 90 dias (3 meses) antes do início do quadro Até 180 dias (6 meses) antes do início do quadro Até 01 ano antes do início do quadro - Avaliar - Avaliar É imprescindível convocar as parceiras grávidas de homens portadores DST pelos riscos de transmissão congênita de diversas destas infecções. Estas gestantes (parceira sexual) e os parceiros de gestantes com sífilis que não atenderem ao chamado para tratamento devem ser objeto de busca ativa consentida, através da equipe de vigilância epidemiológica ou saúde da família da área de abrangência de sua residência. Em caso do não-comparecimento dos parceiros, o uso de cartões para comunicação é recomendado. Caso os parceiros não atendam à comunicação por cartão, ou o paciente-

6 índice não queira entregar os cartões, mas concorde em fornecer dados de identificação do(s) parceiro(s), pode-se realizar as comunicações por meio de aerogramas. Na eventualidade do não comparecimento do(s) parceiro(s) convidado(s) por aerograma ou outro instrumento de comunicação, pode-se proceder à busca ativa por meio de profissionais qualificados (ACS ou outro da equipe). O profissional realizará não apenas a comunicação, mas também informará e orientará sobre aspectos relacionados à prevenção da infecção pelo HIV e de outras DST. É preciso entender, que a revelação deve ser feita, em princípio, com a concordância e a colaboração do usuário (a). A iniciativa do médico deve ser precedida de todos os esforços possíveis para que o próprio usuário informe ao(s) parceiro(s) sobre sua condição. Sendo infrutíferos esses esforços, a comunicação deverá ser feita pelo médico. É importante lembrar que essa atitude poderá romper a relação de confiança da pessoa-índice com a equipe, embora configure justa causa, prevista no artigo 102 do Código de Ética Médica (CFM nº 14/88). A definição de um profissional responsável pelo sistema de comunicação de parceiros em cada UBS colabora para o desenvolvimento dessa atividade.

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