Tendência Sazonal das Temperaturas mínimas e máximas no Rio Grande do Sul. Amazônia, Manaus, AM.

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1 Tendência Sazonal das Temperaturas mínimas e máximas no Rio Grande do Sul Cláudia da Costa 1, Júlio Renato Marques 2 1 Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazônia/Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM. 2 Departamento de Meteorologia Faculdade de Meteorologia/UFPEL-Pelotas-RS ABSTRACT: The knowledge of the variability and change in the climate of the southern region in Brazil is extremely important for the economy as it is one of the largest agricultural production regions of the country. This study aimed to evaluate possible seasonal changes in maximum and minimum temperatures of the air during the 1961 to 2005 period in the Rio Grande do Sul regions. The minimum and maximum air temperature data were collected daily from the 13 meteorological stations installed along the State. Data were organized seasonally, considering October, November and December as spring, January, February and March as summer, April, May and June as autumn and July, August and September as winter. Temporal trends (total variation) were obtained applying simple linear regression (by the product of the slope with the study period of the 45 years). In general, the minimum seasonal temperatures have increased in most of the stations, especially in the extreme north of the state. On the other hand, trends in maximum temperatures were significant and positive in the east and southeast of the state and negative in the southwest regions of the State. 1 INTRODUÇÃO As temperaturas máximas e mínimas do ar juntamente com a precipitação são os elementos climáticos mais observados e estudados. A variabilidade e a mudança do clima global e regional exercem uma influência significativa na atividade humana e econômica. O conhecimento desta variação e alteração do clima na região sul do Brasil, por exemplo, é de extrema importância para a economia, visto que é uma das regiões de maior produção agrícola do País. De acordo com Marengo (2001), as evidências científicas sobre a possibilidade de mudança do clima mundial são significativas desde a década de Acredita-se que a interferência antropogênica no meio ambiente seja uma das maiores causas de mudança climática em várias partes do mundo. A descontrolada emissão de gases do efeito estufa (dióxido de carbono, ozônio, monóxido de carbono, metano, entre outros) muda a composição da atmosfera e afeta o clima global. Assim como, o aumento da concentração de aerossóis na atmosfera devido às queimadas e queima de combustíveis fósseis, os quais são provenientes das fábricas, dos automóveis também são capazes de afetar o clima. As variações temporais e espaciais das temperaturas máxima e mínima diárias na Região Sul do Brasil, causam uma grande diferença entre as médias mensais e sazonais. Essa diferença térmica marcante exerce um papel na diversificação climática desta região (NIMER, 1989). Araújo et al. (1998) verificaram que a amplitude dos invernos vem diminuindo devido ao aumento das temperaturas mínimas em oposição ao comportamento estacionário das temperaturas máximas. Mas, apesar disso, ainda persistem os eventos de frio extremo que levam a um aumento mais suave das temperaturas no período de inverno. Desta forma, este trabalho propôs verificar possíveis mudanças sazonais nas temperaturas mínimas e máximas do ar que ocorreram durante o período de 1961 e 2005 em algumas regiões do Rio Grande do Sul. 2 METODOLOGIA Para a execução deste trabalho foram utilizados dados diários de temperaturas mínimas e máximas do ar de 13 estações meteorológicas de superfície distribuídas no estado do Rio Grande do

2 Sul pertencentes ao 8º DISME/INMET (Distrito de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia) e FEPAGRO-RS (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do estado do Rio Grande do Sul) no período de tempo compreendido entre 1961 e Para melhor representar as variações temporais, os dados diários das temperaturas mínimas e máximas foram organizados de forma sazonal, considerando os meses de Out-Nov-Dez como Primavera, Jan-Fev-Mar como Verão, Abr-Mai-Jun como Outono e os meses de Jul-Ago-Set como Inverno. E assim, determinadas, para ambas as temperaturas, as médias sazonais de cada ano para o período de tempo estudado. Estas médias, por sua vez, foram utilizadas para o cálculo das tendências temporais (variação total), através do produto do coeficiente de inclinação da reta com o período de estudo (45 anos). As tendências foram determinadas usando o método de regressão linear simples, onde é possível estimar uma variável dependente (temperatura) em função de uma variável independente (tempo) sendo expressa matematicamente pela equação da reta de regressão de mínimos quadrados (Equação 01). ID a + bt = Equação 01 Sendo: ID é a variável; t é o tempo (que varia entre 1961 e 2005); b é o coeficiente de regressão linear; a é o intercepto da reta. 3 RESULTADOS As Figuras 01 e 02 representam as distribuições espaciais ao longo do ano da tendência sazonal das temperaturas mínimas e máximas no Rio Grande do Sul no período do estudo (1961 a 2005), respectivamente. Foram observadas, na primavera (Figura 1a), tendências positivas na temperatura mínima na maior parte do Estado, sendo mais intenso em Iraí, São Luiz Gonzaga, Pelotas e Santa Maria, representando a parte norte-noroeste e centro-sul do Estado. Isto pode estar associado à influência maior de massas de ar quente vindas das regiões tropicais. Marques & Diniz (2007) mostraram que o norte e noroeste do Estado foram às regiões que apresentaram maior tendência de aumento de vapor d água na baixa atmosfera, um dos principais gases de estufa. No verão (Figura 1b), em geral, os gradientes de temperatura se dão nos sentidos de sudoeste para o centro e de noroeste para o centro do Estado. Já no outono (Figura 1c), os centros de tendência mais intensos ocorreram em Iraí, São Luiz Gonzaga e Pelotas, representando a parte norte-noroeste e centro-sul do Estado. Na estação mais fria do ano (Figura 1d), observam-se dois centros mais significativos de tendência: um ao nordeste do Estado, localizado na região da Serra, indicando declínio das temperaturas mínimas diárias; e o outro no extremo norte, onde a temperatura mínima tendeu a aumentar nos 45 anos de estudo. Observando-se a distribuição da temperatura máxima ao longo do período sazonal (Figuras 2a, 2b, 2c e 2d), nota-se o aparecimento freqüente de dois núcleos de tendências positivas localizados a noroeste e a sudeste do Estado, sendo que, durante a primavera e o verão, as variações de aumento observadas foram maiores. Nos extremos sul e norte do Estado, as médias sazonais da temperatura máxima vêm aumentando em todas as estações do ano. Já em Bento Gonçalves, o comportamento da temperatura foi oposto ao observado nas regiões anteriores. Este comportamento de redução nas temperaturas máximas, ao longo do ano, também foi observado nas regiões da Campanha, exceto no inverno (Figura 2d), onde esta redução ocorreu apenas em Bagé. É válido verificar, ainda, que em quase todo o litoral do Estado, as tendências positivas da temperatura máxima foram persistentes durante as quatro estações do ano, em especial em Bom Jesus e Torres.

3 (a) (b) (c) (d) Figura 1 Distribuição espacial da variação total da média sazonal da temperatura mínima no Rio Grande do Sul no período entre 1961 e 2005 no (a): Primavera (a); Verão (b); Outono (c); Inverno (d). (a) (b)

4 (c) (d) Figura 2 Distribuição espacial da variação total da média sazonal da temperatura máxima no Rio Grande do Sul no período entre 1961 e 2005 no (a): Primavera (a); Verão (b); Outono (c); Inverno (d). 4 CONCLUSÃO Em geral, as temperaturas mínimas sazonais aumentaram na maior parte do Estado ao longo do período sazonal, sendo mais forte no extremo Norte do Estado. Enquanto que, tenderam a diminuir significativamente em Bom Jesus. Já as tendências das temperaturas máximas apresentaram grande variabilidade espacial ao longo do período sazonal. Sendo mais significativo no Leste e Sudeste do Estado, onde as temperaturas máximas aumentaram, e no Sudoeste do Estado, onde essas temperaturas diminuíram. AGRADECIMENTO: O primeiro autor agradece ao Prof. Dr. Prakki Satyamurty pela revisão deste trabalho e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo auxílio financeiro. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, G.P., GONÇALVES, F.L.T. Análise climatológica preliminar de eventos extremos de frio no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga IAG/USP. CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, 10; 2000, Brasília. Anais do... Brasília: SBMET, BONSAL, B. R.; ZHANG, X.; VINCENT, L. A.; HOGG, W. D. Characteristics of daily and extreme temperatures over Canada. Journal of Climate, v.14, p , MARENGO, J. A. Mudanças Climáticas Globais e Regionais: Avaliação do clima atual do Brasil e projeções de cenários climáticos do futuro. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 16, n.1, p.1-18, MARQUES, J. R., DINIZ, G. Variação temporal da temperatura mínima e máxima no sudeste da América do Sul e sua relação com o vapor d água. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, 15, Aracajú-SE. Anais do...sergipe. 2007, 1CD-ROM. NIMER, E. Climatologia do Brasil. Rio de janeiro: IBGE Departamento de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. 2.ed, p.

5 PEREIRA, A. R.; ANGELOCCI, L. R.; SENTELHANS, P. C. Agrometeorologia: fundamentos e aplicações práticas. Guaíba: Agropecuária, p. ZHANG, X.; VINCENT, L. A.; HOGG, W. D. Temperature and precipitation trends in Canada during the 20 th Century. Atmosphere and Ocean, v.38, p , 2000.

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