UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE: A APOSENTADORIA COMO FATOR DETERMINANTE DE EPISÓDIOS DEPRESSIVOS EM IDOSOS Por: Alessandra Genê Mascarenhas Orientador Prof. Maria Poppe Rio de Janeiro 2010

2 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE: A APOSENTADORIA COMO FATOR DETERMINANTE DE EPISÓDIOS DEPRESSIVOS EM IDOSOS Apresentação de monografia ao Conjunto Universitário Candido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de Pós- Graduação Lato Sensu em Terapia de Família. Por: Alessandra Genê Mascarenhas

3 3 DEDICATÓRIA

4 4 AGRADECIMENTOS

5 5 RESUMO A depressão é um dos distúrbios psiquiátricos mais comuns do idoso, chegando a constituir-se em um problema de saúde pública. Apresenta elevada prevalência, acarreta sofrimento, causa desorganização familiar, tem conseqüências econômicas e é relacionada a um aumento de morbidade e mortalidade. Fatores de estresse como a aposentadoria, representando o fim da idade produtiva, a morte de amigos, familiares, cônjuge, falta de perspectiva de futuro, e a solidão podem somarse as perdas da idade e desencadear manifestações psíquicas de depressão. Busca-se com este estudo investigar as influências da aposentadoria na manifestação de episódios depressivos em indivíduos da terceira idade.

6 6 METODOLOGIA A metodologia utilizada nesta monografia foi a pesquisa bibliográfica. Utilizou-se como fonte de consulta de consulta livros, monografias, artigos e publicações eletrônicas que abordam o tema em análise.

7 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I A TERCEIRA IDADE CAPÍTULO II DEPRESSÃO CAPÍTULO III DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ÍNDICE FOLHA DE AVALIAÇÃO... 49

8 8 INTRODUÇÃO A depressão é um transtorno mental crônico que desafia a ciência a buscar formas mais efetivas de tratamento que conduzam os paciente deprimidos a uma remissão sintomática e a um desaparecimento do processo fisiopatológico e mórbido. Está presente no indivíduo provavelmente desde o início da humanidade, já que muitos são os mitos, lendas, relatos bíblicos e contos que abordam este tipo de sofrimento humano. Nos dias atuais, o termo depressão pode ser utilizado tanto para sintomas isolados (situações normais de vida ou associados à manifestações clínicas), como em síndromes clínicas com vários sinais e sintomas depressivos, ou ainda como uma perturbação primária do humor. Os afetos depressivos podem aparecer como uma resposta a situações reais, através de uma reação vivencial depressiva, quando diante de fatos desagradáveis, aborrecedores, frustrações e perdas. Trata-se, neste caso, de uma resposta a conflitos íntimos e determinados por fatores vivenciais. Daí denominação depressão reativa, ou seja, em reação a alguma coisa real e acontecida, a uma fonte exógena que pode ser casualmente relacionada àquela reação. Fatores de estresse como a aposentadoria, representando o fim da idade produtiva, a morte de amigos, familiares, cônjuge, falta de perspectiva de futuro, e a solidão podem somar-se as perdas da idade e desencadear manifestações psíquicas de depressão. A aposentadoria faz com que ocorra uma mudança concreta e real na vida das pessoas devido à interrupção de um ritmo com o trabalho estabelecido há anos. Ao aposentar-se, a pessoa vivencia o momento de afastar-se da rotina do trabalho formal que pode resultar em sofrimento e angústia devido à ruptura de costumes e hábitos.

9 9 É nesse contexto que surge o ponto principal desse estudo, cujo questionamento que norteará toda a pesquisa: quais são as influências que a aposentadoria tem sobre a manifestação de episódios depressivos em indivíduos da terceira idade? A partir desse questionamento, o estudo apresentado tem como objetivo geral investigar a depressão na terceira idade. Os objetivos específicos consistem em: apresentar um breve levantamento teórico acerca do envelhecimento humano, apresentando o conceito de envelhecimento e suas características; apontar os principais aspectos clínicos da depressão, enfocando epidemiologia, sintomas e fatores causais; investigar a aposentadoria como fator de depressão na terceira idade

10 10 CAPÍTULO I A TERCEIRA IDADE 1.1 Envelhecimento humano: conceitos A conceituação do termo Terceira Idade mostra que o universo ao qual se refere apresenta algumas peculiaridades no modo de pensar, de sentir e de querer. Conceituar a Terceira Idade não é estabelecer associação com uma fase na qual ocorrem sucessivas deficiências. Para muitos especialistas e estudiosos da área da Biologia, o universo da Terceira Idade compreende a fase do envelhecimento que pode ser vista como um processo biológico, econômico e social. O termo pressupõe a fase da vida do ser humano onde ocorrem alterações de diversas ordens. Conforme Heschel (apud SHALOMI; MILLER, 1996), deve-se entrar a Terceira Idade da mesma maneira como se entra no último ano de uma faculdade: antecipando a realização. Os anos da Terceira Idade são anos de formação, ricos de possibilidades de desaprender as tolices de toda uma vida, de perceber as próprias ilusões, de aprofundar a compreensão e a compaixão, de ampliar o horizonte da franqueza, de refinar o sentido de justiça. A fase de maior maturidade do ser humano, compreende, conforme a Organização Mundial da Saúde, 4 estágios: meia idade - de 45 a 59 anos; idoso - de 60 a 74 anos; ancião - de 75 a 90 anos; e, velhice extrema - de 90 anos em diante. Furtado (1997) informa que estudos mais recentes já estabelecem outra classificação: "jovens-idosos" - de 60 a 69 anos; "meio-idosos" - de 70 a 79 anos; e, "idosos-velhos" de 80 anos em diante. Há outros modelos, como ressalta Furtado (1997), a velhice é percebida de formas variadas nas diferentes culturas e épocas da história do homem. Há,

11 11 assim, diferentes definições da velhice e diferenças entre as velhices socialmente construídas. Quaresma (1988, p. 227) afirma que a Terceira Idade terá que ser compreendida na sua totalidade enquanto "processo complexo para o qual concorrem fatores de ordem biológica, social, econômica e cultural, agindo no sistema de relação do indivíduo com a sociedade e o meio ambiente". Embora exista um indicador cronológico convencional para determinar a que faixa etária pertence a pessoa idosa, outros fatores individuais influenciam a classificação. Assim, o envelhecimento não estaria relacionado unicamente a um processo biológico ou genético, sendo significativa a participação dos fatores ambientais, sociais e culturais na especificação de seus processos e características. Envelhecer é um fenômeno natural, inerente ao desenvolvimento biológico do organismo humano, em vista disso, cabe ressaltar que as características da sociedade condicionam tanto a expectativa de vida de seus habitantes, como as condições de vida, durante a velhice. A concepção de envelhecimento como um processo social admite, como unidade de análise da sociedade e atenção centrados no estudo das suas características e na forma em que estas se configuram em similares oportunidades e condições de vida para os idosos. Papaléo Neto e Borgonovi (1999) definem o envelhecimento como um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que determinam a perda gradual da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e conseqüentemente maior incidência de processos patológicos. Robledo (1994) esclarece ainda que o envelhecimento pode ser conceituado através de diversos aspectos de referência, quais sejam: cronológico, biológico, psíquico e social. O cronológico considera o tempo decorrido desde o nascimento, no qual o envelhecimento é gradativo para alguns e mais rápido para outros, a depender de fatores socioeconômicos, doenças crônicas e modos de vida; o biológico compreende os aspectos expressos nos nível molecular, celular, tissular

12 12 e orgânico do processo; o psíquico, evidenciado pela dimensão cognitiva e psicoafetiva, interferem na personalidade e afeto; e o social é aquele que engloba os papéis desempenhados pelos idosos. Existe ainda o enfoque fenomenológico, que representa a avaliação subjetiva da idade, que adquire valor quando analisados os mecanismos de adaptação que conduzem ao envelhecimento com êxito. Sob o ponto de vista fisiológico, diz Furtado (1997), o envelhecimento é o resultado de um processo contínuo de mudanças irreversíveis ao longo da vida, que ocorre desde o momento em que o ser humano nasce. Portanto, não é um fato estático ou determinado por uma única causa específica. O envelhecer de cada indivíduo relaciona-se com os múltiplos aspectos ambientais, além dos fatores genéticos. O declínio do organismo pode ser acelerado ou retardado por inúmeros fatores, como o nível de saúde, a hereditariedade, hoje chamado fator DNA, o meio ambiente familiar, as emoções, os hábitos passados de trabalho e a classe social. Birren et al. (1996) apresentam as seguintes definições aceitas hoje sobre o envelhecimento humano: envelhecimento primário, também referido corno senescência ou envelhecimento normal; envelhecimento secundário ou patológico, que engloba o estado de senilidade e terciário ou terminal. Envelhecimento primário trata se de um fenômeno universal, que atinge a todos os seres humanos pós reprodutivos, por mecanismos genéticos típicos da espécie: é progressivo e afeta gradual e 1acumulativamente o organismo. Seu resultado diminui a capacidade de adaptação e, diante disso, o indivíduo está sujeito à influência concorrente de muitos fatores, dentre eles: dieta, exercícios, estilo de vida, exposição a eventos, educação, posição social, e que podem ocasionar diferentes maneiras de envelhecer. O padrão de envelhecimento primário diz respeito às mudanças intrínsecas do processo irreversível, progressivo e universal, porém não patológico. Como exemplo, tem-se o embranquecimento dos cabelos, o aparecimento de rugas, a diminuição da estrutura óssea e massa muscular, dificuldades no equilíbrio, declínio da força e rapidez de movimentos e pensamentos, como também mudanças na memória, interesse em novos conhecimentos, entre outros.

13 13 Envelhecimento secundário ou patológico - diz respeito às alterações ocasionadas por doenças associadas ao envelhecimento que não se confundem com as mudanças normais desse processo. Tais doenças podem ser moléstias cardiovasculares, cerebrovasculares e certos tipos de câncer que aumentam a probabilidade de ocorrência com o passar da idade, causados, em parte, por mecanismos genéticos, ou por- fatores ambientais, estilo de vida e personalidade. O envelhecimento secundário está relacionado às mudanças causadas por doenças dependentes da idade. A progressão da idade acarreta o aumento da exposição a fatores de risco desencadeadores de doenças, a exemplo, as cardiovasculares e cerebrovasculares. Envelhecimento Terciário ou Terminal - está relacionado a um padrão de declínio terminal caracterizado por grande aumento de perdas físicas e cognitivas, quer por doenças dependentes da idade, quer pela acumulação dos efeitos do envelhecimento. Atualmente muito mais importante que o envelhecimento cronologicamente determinado é o envelhecimento bem sucedido. Este último é definido como a manutenção do funcionamento físico e mental e do envolvimento com as atividades sociais e de relacionamento (DREWNOSKI, 2003). Para Duarte (1998), envelhecer de maneira saudável significa, além da manutenção de bom estado físico, dar às pessoas reconhecimento, respeito e segurança, para que se sintam socialmente úteis. A valorização da velhice repercute direta e indiretamente no idoso, família e comunidade, refletindo sobre como alcançar um estilo de vida saudável. 1.2 Características do envelhecimento As principais transformações que ocorrem durante o processo de envelhecimento dizem respeito aos aspectos orgânicos, emocionais e sociais. Contudo, apesar de estarem sendo abordados de forma isolada, esses aspectos

14 14 estão intimamente ligados, pois, quaisquer alterações em um deles reflete diretamente nos demais Aspectos orgânicos Várias transformações decorrentes do envelhecimento podem iniciar-se na idade adulta e culminar na terceira idade, um desgaste contínuo que irá influenciar o funcionamento de determinado órgão ou tecido. Por exemplo, o enfarte, que aparece na Terceira Idade, pode ter as causas originadas na fase da vida ativa. Furtado (1997) afirma que apesar das diferenças individuais, alguns sinais marcam o envelhecimento, como o embranquecimento dos cabelos, a calvície, as rugas, a obesidade, a diminuição da força muscular e da agilidade motora. O sistema respiratório tem a sua capacidade ventilatória máxima reduzida à metade a partir dos 60 anos, o que provoca uma perda da elasticidade torácica e da atividade dos músculos respiratórios. Ocorrem também modificações importantes na função cardiovascular. O coração tem que trabalhar mais devido ao aumento da resistência vascular, causado pelo processo da esclerose. A freqüência cardíaca máxima declina e observa-se, também, uma diminuição do miocárdio e como conseqüência, uma redução na capacidade de fluxo sangüíneo periférico. A pressão arterial tende a aumentar. Ainda conforme Furtado (1997), a alteração da circulação é um fator preponderante na redução do desempenho físico da pessoa da terceira idade; isso afeta a sua capacidade de trabalho, limitando o seu desempenho em exercícios de longa duração. As alterações do sistema nervoso central e do periférico podem interferir negativamente na sensação, na percepção e na compreensão de estímulos internos e externos, dificultando a adaptação. O sistema nervoso central sofre uma involução. Há diminuição no volume do encéfalo e da medula nervosa, os neurônios atrofiam-

15 15 se e tornam-se menos excitáveis, o tempo de reação fica mais lento, a atenção e a capacidade de concentração diminuem, a compreensão das idéias é mais lenta. Assim, as mudanças neurológicas afetam as funções cognitivas e afetivas da pessoa da terceira idade (FURTADO, 1997). A diminuição do fluxo sangüíneo cerebral em torno de 30% é outra característica importante na involução do sistema nervoso central, acarretando a diminuição da reserva de oxigênio, da atividade enzimática, entre outras. As alterações do sistema nervoso também são responsáveis pela redução da ação do sistema proprioceptivo, da cinestesia e pela menor sensibilidade dos órgãos dos sentidos que, tendo a sua ação reduzida, principalmente em resposta a movimentos bruscos, pode ocasionar desequilíbrio e quedas (FURTADO, 1997). Sabe-se que a pele vai perdendo a suavidade, o frescor, a tonicidade, a elasticidade e enruga-se. Nos mais velhos, há diminuição da percepção das variações de temperatura tanto ao tocar um objeto quanto ao ajustar-se às variações climáticas. Os ouvidos e os olhos são os órgãos que mais sofrem ao longo dos anos com as agressões externas. A sensibilidade auditiva diminui, o cristalino e a córnea ficam cada vez mais comprometidos. O processo de envelhecimento implica ainda na diminuição do tônus muscular, na perda da força e na diminuição da velocidade de condução nervosa. A diminuição da massa muscular provoca perda da mobilidade e limitações do desempenho físico. O corpo, e especialmente os ombros, curvam-se para frente, a cabeça inclina-se, a curvatura dorsal acentua-se, os joelhos tendem a dobrar-se, produzindo uma curvatura geral e, em conseqüência disso, a altura do indivíduo diminui. Além disso, pode-se incluir também a diminuição do líquido dos discos intravertebrais e compressão das vértebras o que produz uma redução de até 5 centímetros na estatura do indivíduo. Para muitos, o corpo perde sua atração, sua capacidade de criar sociabilidade, de agradar. A diminuição do vigor físico pode tornar a pessoa dependente de terceiros na realização de suas tarefas pessoais, diminuindo a

16 16 autonomia. O reconhecimento social fica afetado, assim como a capacidade de criar novas relações Aspectos emocionais Outro elemento que costuma modificar-se consideravelmente com o passar da idade é o temperamento das pessoas. Grinberg (1999) destaca quatro tipos principais de mudanças, apontando as formas de procedimento que vão caracterizar as pessoas: Eufóricos ou ativos: têm auto-estima, apreciam a vida. São otimistas. Procuram sempre estar em atividade. Odeiam ficar sem fazer nada. Amam e, provavelmente são amados. Embora possam ter algum distúrbio orgânico, mantêm-se sob controle. Sociáveis, trabalhadores, criativos. Dizem que costumam viver mais. Deprimidos: angustiados, atormentados, desanimados, pessimistas. Esperando sempre o pior. Estão em dificuldades por algum problema psicológico ou físico. Podem se sentir desprezados ou humilhados. A auto-estima está abalada. Ociosos ou não, hipocondríacos, no geral. Melancólicos. Assustados: pessimistas, hipocondríacos, preocupação doentia com o funcionamento dos órgãos. Preocupação excessiva. Tristeza profunda. Medo à flor da pele. Receio permanente com uma ou mais causas ou efeitos. Queixamse amargamente da vida, das pessoas que poderiam auxiliá-los nos transes, nos momentos aflitivos. Improdutivos, estão sempre pensando em marcar uma consulta com o médico, ou fazer exames laboratoriais. Indiferentes: em qualquer situação não se queixam. Parecem não ter uma exata idéia da vida em si. Podem até se considerar muito seguros, mesmo que seja aparentemente. Insensíveis, apáticos. Pessoas que no geral não têm ódio, nem amizade por outras. Desinteressados de qualquer religião ou sistema político. Podem até se considerar felizes. Para eles a vida só é para ser vivida. Vão matando o tempo, até com um certo desprezo ou mesmo desinteresse. Não

17 17 aborrecem e não gostam de ser incomodados. Tanto faz ter amigos ou não ter amigos. Deixam o tempo passar. Aparentemente desprendidos, despreocupados. Não existe uma resposta exata que explique a ocorrência de todas essas modificações emocionais na terceira idade. Essas variações podem ser causadas por vários fatores reais que estão diretamente ligados às variações de humor ou mesmo de desvio/alteração da personalidade. Azambuja (1995, p. 97) afirma que: (...) a estas condições somam-se o declínio de suas características físicas tais como rugas, cabelos brancos, diminuição da memória e dos sentidos e muitas outras, que unidas à sua marginalização, determinam alterações psíquicas como a perda da confiança, a angústia e a depressão (...). Na terceira idade as pessoas sentem-se incapazes como homens e mulheres após perceberem que seus filhos já saíram de casa. Acreditam que sua missão no mundo está cumprida. Não recebendo incentivo por parte dos mais novos para iniciar outro projeto de vida, a auto-estima e a motivação ficam abaladas, deixando-as, por vezes, sem ânimo para continuar ou re-aprender a viver em clima de felicidade Aspectos sociais Segundo Penteado (2000, p. 86), o envelhecimento do ser humano e o que isso reflete social, econômica e politicamente, representa desafios prementes enfrentados por políticos, administradores de empresas, médicos, gerontólogos e educadores do mundo inteiro. E complementa o autor afirmando que: As sociedades modernas escondem preconceitos de muitos matizes e perpetuam estas discriminações de forma, muitas vezes, insidiosa, além de alimentar a desvalorização de minorias étnicas, raciais, de sexo e de pessoas idosas. Há falta de informação mais exata sobre a realidade da dimensão social das pessoas idosas no mundo, e tal precariedade de dados dificulta, ou mesmo impede, a formulação de campanhas de conscientização junto à população e a conseqüente

18 18 implantação de políticas públicas ou privadas mais eficazes para estancar a contínua desqualificação social dos mais idosos (PENTEADO, 2000, p. 86). Para Hutz (1983, p ), Outro problema que enfrenta o idoso são os preconceitos em relação à velhice, tanto por parte dele próprio, quanto por parte das pessoas das demais faixas etárias. Os mais comuns são: a rejeição da velhice como se fora uma doença incurável, o impedimento de execução de certas atividades tendo como falsa justificativa, apresentada muitas vezes ao velho de uma forma carinhosa o fato de por já ter trabalhado muito, deve descansar. Estas são algumas das pressões bastante castradoras que fazem com que o idoso reforce sua impressão de ser incapaz. [...] A inatividade é sempre uma forma de parasitismo. É porque o problema gravíssimo do relacionamento dos idosos, é devido, principalmente à interrupção definitiva do trabalho profissional e das atividades físicas e recreativas que os priva do contato diário e interestado com muitas outras pessoas [...]. Nesse mesmo sentido, Brito (1992, p. 6) afirma que a idade não significa apenas um espaço de tempo, mas um modo diferente de vida. Na Terceira Idade, surge grande sentimento de inutilidade. O indivíduo sente-se só e marginalizado no contexto social. Aliados a esses aspectos orgânicos, sociais e emocionais estão as habilidades e dificuldades do indivíduo idoso. Todas estas características inerentes ao processo de envelhecimento permitem compreender que a abordagem do paciente idoso é bastante complexa e marcada por muitas nuances. 1.3 Dados demográficos da terceira idade no Brasil Nos anos de 1900, menos de 5% da população tinha 65 anos de idade. Atualmente, as pessoas idosas com mais de 65 anos contabilizam mais de 12% da

19 19 população dos EUA. Por volta de 2020, o departamento de Censo americano estima que a população idosa com mais de 85 anos triplique (ROACH, 2001). O Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possuía uma população de 7,7 milhões de indivíduos com mais de 60 anos de idade em 1980, sendo que este número dobrou nas últimas décadas, e de acordo com o Censo populacional de 2001, a população brasileira com idade ou superior a 60 anos é da ordem de 15 milhões da habitantes, correspondendo a 9,1% da população do país. As projeções indicam que em 2025 o Brasil deverá possuir uma população de 30 milhões de idosos, o que corresponderá a aproximadamente 14% de sua população (IBGE, 2001). De acordo com Ramos (1993), por essa época, o Brasil terá a sexta maior população de idosos do mundo, situação essa que acarretará grande inquietação social, uma vez que essa parcela da população vive, em sua maioria, em situação financeira precária, o que poderá desencadear problemas de dimensão política com repercussões agravantes sobre a qualidade da atenção à saúde, aumentando, assim, as deficiências nessa área. Estima-se que a partir de meados do século XXI, a população brasileira com mais de 60 anos será maior que a de crianças e adolescentes com menos de 14 anos (GOLDSTEIN, 1999).

20 20 CAPÍTULO II DEPRESSÃO 2.1 Conceito A depressão está presente na história da humanidade de maneira constante, podendo ser observada nos relatos de Hipócrates no séc. IV a.c., sob a nomenclatura de melancolia. Vários autores, destacando-se os romantistas, descreveram em suas obras sintomas claramente depressivos que só foram melhor estudados e aglutinados em uma única síndrome no século XIX, época em que a doença passou a ser denominada depressão, do grego depremere ou "empurrar para baixo". É a partir do século XX que a depressão passa a ser considerada uma doença mental, catalogada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) e no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM), recebendo abordagens científicas, como a biomédica, a psicanalítica e a cognitiva (KAPLAN; SADOCK, 1997). O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s). A tristeza constitui-se na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades. Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas. Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite). Enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: transtorno

21 21 depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc (DEL PORTO, 1999). Kaplan e Sadock (1997) caracterizam a depressão como um episódio patológico no qual existe perda de interesse ou prazer, distúrbios de sono e apetite, retardo motor, sentimento de inutilidade ou culpa, distúrbios cognitivos, diminuição da energia e pensamento de morte ou suicídio. 2.2 Epidemiologia De acordo com Takei e Scivoletto (1999), ao menos 2-3/100 homens e 5-10/100 mulheres apresentam depressão atualmente. A expectativa durante toda a vida é de 10% para homens e 20% para mulheres. A idade média de início do quadro é de 40 anos, sendo que 50% ocorrem antes dos 40 anos e 10% ocorrem após os 60 anos. Pode atingir qualquer raça, havendo risco aumentado para os pacientes que possuam parentes de primeiro grau com história de alcoolismo, depressão ou que tenham história de perda de um dos pais antes dos 13 anos. 2.3 Classificação da depressão De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais - DSM IV (1994), o episódio depressivo pode se manifestar da seguinte forma: transtorno depressivo (que se subdivide em transtorno depressivo maior, transtorno distímico e transtorno depressivo sem outra especificação) e transtornos bipolares (que se subdividem em transtorno bipolar I, transtorno bipolar II e transtorno bipolar sem outra especificação). O episódio depressivo maior apresenta, como característica essencial, um período mínimo de duas semanas durante as quais há humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por quase todas as atividades, além de alterações no apetite ou peso, sono e atividade psicomotora, diminuição da energia, sentimento de desvalia

22 22 ou de culpa, dificuldades para pensar, concentrar-se ou tomar decisões, ou pensamentos de morte ou ideação suicida. Tais sintomas devem persistir na maior parte do dia, sendo acompanhado de sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo do funcionamento social, profissional ou de outras áreas importantes da vida do indivíduo (DSM-IV, 1995). seguintes: Os critérios diagnósticos para o episódio depressivo maior são os A) Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma mudança no funcionamento anterior; pelo menos, um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer: 1. humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observações por outros (por ex., parece prestes a chorar). Obs: em crianças e adolescentes pode ser humor irritável. 2. interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias 3. perda ou ganho significativo de peso quando não está realizando dieta ou diminuição ou aumento no apetite quase todos os dias 4. insônia ou hipersonia quase todos os dias 5. agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias 6. fadiga ou perda de energia quase todos os dias 7. sensação de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias 8. capacidade diminuída para pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias 9. pensamentos recorrentes sobre morte (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico para cometê-lo. B) Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto. C) Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

23 23 D) Os sintomas não são devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou uma condição médica geral. E) Os sintomas não são melhor explicados por Luto, isto é, após perda de alguém amado, persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por acentuado comprometimento funcional, preocupação mórbida com inutilidade, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor (BALLONE, 2010, p. 01). O transtorno distímico, também chamado de distimia, está classificado pela CID-10 dentro dos transtornos persistentes do humor como uma depressão crônica na qual os pacientes apresentam, usualmente, períodos de dias ou semanas quando descrevem a si mesmos como estando bem, mas na maior parte do tempo (com freqüência por meses) se sentem cansados e deprimidos. Tudo é um esforço e nada é desfrutável. Eles se preocupam e se queixam, dormem mal e se sentem inadequados, mas são usualmente capazes de lidar com as exigências básicas do dia a dia. O transtorno bipolar é caracterizado por episódios repetidos nos quais o humor e os níveis de atividade do paciente estão significativamente alterados, sendo que em algumas ocasiões há uma elevação do humor e aumento da energia e atividade (mania ou hipomania) e em outras há um rebaixamento do humor e diminuição de energia e atividade (depressão). A recuperação entre os episódios é usualmente completa. Os episódios maníacos, quando não tratados, tendem a durar, em média, quatro a cinco meses, enquanto que os episódios depressivos duram seis meses. No transtorno bipolar, os critérios para o episódio maníaco são: A) Um período distinto do humor expansivo anormal e persistentemente elevado ou irritável, durando pelo menos, uma semana. B) Durante o período de perturbação do humor, 3 ou mais dos seguintes sintomas persistiram e estiveram presentes em um grau significativo: 1. auto-estima inflada ou grandiosidade 2. necessidade diminuída de sono 3. mais falante do que o habitual ou pressão para continuar falando

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