CRB-6 EMPREENDEDORISMO. nforma CRB-6 BIBLIOTECÁRIOS EMPRESÁRIOS. ISSN X CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA 6º REGIÃO 16ª Gestão

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1 CRB-6 nforma CRB-6 a m r o f n I I ISSN X CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA 6º REGIÃO 16ª Gestão CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n Sistema CFB CRB Sistema CFB// CRB CRB-6 Conselho Federal de Biblioteconomia Conselho Reginais de Biblioteconomia 16ª Gestão EMPREENDEDORISMO BIBLIOTECÁRIOS EMPRESÁRIOS Sistema CFB CONTAM SUAS TRAJETÓRIAS CRB-6 / CRB 16ª Gestão O BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO CORPORATIVO BIBLIOTECAS: LEITURA E APRENDIZADO MOVIMENTO EU QUERO MINHA BIBLIOTECA CONTABILIZA MAIS DE 80 INSTITUIÇÕES MOBILIZADAS

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3 PALAVRA DO PRESIDENTE Antônio Afonso Pereira Júnior, Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) CRB-6 Informa ISSN X Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Av. Afonso Pena, 867 Salas 1.110/1.111/1.112 Belo Horizonte - MG - CEP Telefones: (31) / Site: Blog CRB-6: Twitter: Facebook: Comitê Editorial e Coordenação de Número Álamo Chaves de Oliveira Pinheiro (CRB-6/2790) Antônio Afonso Pereira Junior (CRB-6/2637) É com muita satisfação que completamos um ano de gestão. Nesse período, os conselheiros da 16ª Gestão do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) conseguiram aumentar o número de visitas de fiscalização, em relação aos últimos anos. Até outubro último, foram mais de 400 visitas fiscalizatórias. Isso é um recorde! Julgamos um número sem fim de processos de organizações públicas e privadas e instituições, que, na maior parte das vezes, resultaram na contratação de bibliotecários, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Além disso, fortalecemos ainda mais nossa comunicação com a utilização do Blog CRB-6 e do Boletim Eletrônico semanal, agora com um novo desenho gráfico e interface amigável, além da atualização constante das nossas mídias Twitter e Facebook. Os trabalhos da Gestão são norteados pelo compromisso de trabalhar sempre com probidade e transparência, pautado pela ética profissional, garantindo o bom andamento das nossas ações, de modo que o nosso Conselho prospere e continue sendo referência em todo o sistema profissional brasileiro. Um de nossos principais objetivos é estreitar constantemente as relações institucionais com as empresas e as escolas de Biblioteconomia, além da própria comunidade bibliotecária, que deverá enxergar no CRB-6 um importante aliado, com objetivos comuns. Queremos vocês mais próximos do Conselho! Esta publicação destaca relatos de experiência do trabalho bibliotecário, dando ênfase ao empreendedorismo, um tema ainda pouco explorado em nossa área. Contamos com todos os bibliotecários, em especial os mineiros e capixabas, para que enviem artigos e textos literários para as próximas edições da revista CRB-6 Informa. Acompanhem também nossas mídias eletrônicas: Blog CRB-6, Twitter, Facebook e o Boletim Eletrônico enviado semanalmente aos profissionais com registro no Conselho. Enviem sugestões e comentários. Aproveitamos para desejar um feliz 2013 a todos. Muito obrigado e uma boa leitura! SUMÁRIO EDITORIAL Hugo Oliveira Pinto e Silva (CRB-6/2938) Jornalista: André Campos (17.362/MG) Editoração Gráfica: Limasoft Integradora de T.I. Ltda. Tiragem: exemplares Impressão: FUMARC Fevereiro de 2013 Sim, Biblioteconomia!...04 Bibliotecários empresários contam suas trajetórias...06 O bibliotecário no contexto corporativo...10 Comissão de Fiscalização do CRB-6 supera metas de trabalho e contribui para a valorização da profissão de Bibliotecário..14 Bibliotecas: leitura e aprendizado...16 Informatização do acervo e serviços do sistema integrado de blibiotecas do SENAI-MG...22 Lei /10: Movimento Eu quero Minha Biblioteca contabiliza mais de 80 instituições mobilizadas...26 CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

4 SIM, BIBLIOTECONOMIA! Brisa Pozzi de Sousa Bibliotecária do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP/Marília). Alguém já ouviu uma criança dizendo: Quando crescer quero ser bibliotecário?. Famosos já transpareceram o desejo, como Keith Richards (guitarrista do Rolling Stones) e o Papa Bento XVI. E nós, bibliotecários, realmente queremos ser? Tal pergunta também me intriga e cada dia é um novo aprendizado, uma barreira ultrapassada, uma etapa vencida. A profissão, para alguns, não é um sonho de infância, contudo, o a vida pode nos direcionar a essa carreira e cabe a cada um saber aproveitar as oportunidades. Nesse sentido, nos perguntamos por que a profissão não tem visibilidade no mercado. Ah, se tivéssemos apenas uma resposta para essa questão... entretanto, isso não significa que precisamos deixar tudo como está. Sabemos que a amplitude de atuação do bibliotecário circunda a informação e achamos que ela está em um universo imaginário e distante de nós. Temos a informação convencional (registrada), presente em qualquer documento (num livro, artigo, numa norma, patente, dentre outras). Algumas vezes, temos objeção em remeter nossa análise bibliotecária de forma estratégica para agregar valor ao nosso trabalho. Se em bibliotecas temos a linguagem controlada, por que não utilizá-la? E os tesauros, pode-se aplicar esse instrumento no ambiente web! Se tratamos da temática folksonomia, será que nos esquecemos da antiga e velha linguagem natural? E as ontologias, poderíamos remeter nosso entendimento de classificação? E as políticas de indexação? Será que encontramos tudo o que precisamos de forma rápida e precisa no catálogo da biblioteca? Ou queremos replicar o caos na recuperação da informação do Google? Vejam, não é objetivo criticar nenhuma ferramenta de busca e o que seria de nós hoje sem a internet. Não podemos esquecer que as Bibliotecas (Sistemas de Informação, Centros de Informação e outras designações) são instituições responsáveis na aplicabilidade social do acesso à informação e temos ferramentas que nos auxiliam. A Biblioteconomia está inserida na área de Ciências Sociais Aplicadas. Antes de taxarmos a indexação, a classificação e os demais serviços executados pelo bibliotecário como atividades meramente de cunho técnico, vale a pena pensarmos o envolvimento da profissão com o tratamento intelectual da informação e sua disponibilização para uso. É um caminho de descobertas [para todos, inclusive pra mim] mesmo que não tenhamos planejado desde a meninice arrolar por esse trajeto. Podemos progredir e dividir com a área nossas descobertas. A vida lhe retribuirá! 4

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6 BIBLIOTECÁRIOS EMPRESÁRIOS CONTAM SUAS TRAJETÓRIAS O brasileiro é, por essência, um ser empreendedor. Não que o senso comum já não tivesse levantado essa característica. O reforço dessa qualidade parte do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP). Em pesquisa publicada em agosto de 2012, o Brasil ocupou o posto de terceiro maior país em número de empreendedores, com 27 milhões de trabalhadores envolvidos ou em processo de criação do tão sonhado negócio próprio. China e Estados Unidos ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugar. A bibliotecária e professora da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG), Vera Lúcia Furst Gonçalves Abreu (CRB-6/544), possui um conceito interessante para designar o perfil do empreendedor. O empreendedorismo é mais que uma habilidade. Para mim, se dá através da atitude. Ou seja, um alguém empreendedor é aquele que tem uma atitude propositiva em resposta às demandas da sociedade. E a partir dos seus mais de 30 anos dedicados ao ensino, a professora vê na formação pessoal o fator determinante para que homens e mulheres se lancem nessa atividade. Eu acredito que o empreendedorismo não está ligado, necessariamente, ao perfil profissional e sim a questões pessoais. Vejo isso, por exemplo, quando um aluno tem uma atitude prepositiva em resposta aos desafios. É o aluno que não fica preso aos livros. Não que a teoria não seja importante, a teoria faz parte da resposta, mas ele se levanta da cadeira para responder aos desafios, exemplifica. Assim, o profissional da Biblioteconomia, tendo a seu favor as habilidades de organização e planejamento, além da sua bagagem particular, endossa essa massa de líderes. Nesse sentido, várias são as possibilidades de empreender: consultoria e assessoria em informação, inteligência competitiva, gestão de documentos, produção de conhecimento por meio de publicações especiais, cursos em áreas diversas, dentre várias outras possibilidades que podem ser adaptadas ou construídas. Nos relatos apresentados a seguir, algumas dessas áreas de atuação serão apresentadas junto às histórias de bibliotecários empreendedores entrevistados pelo CRB-6. 6

7 DESDE A GRADUAÇÃO O empresário Júlio Vítor Rodrigues de Castro (CRB- 6/2565) percebeu na graduação uma oportunidade que, anos depois, se transformaria na prestadora de serviços CDM Gestão da Informação. Antes da conclusão do curso, no ano de 2004, o bibliotecário oferecia os serviços de digitação e normalização de trabalhos acadêmicos para graduandos e professores do Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Arcos, no Oeste de Minas Gerais. Durante o mestrado continuei executando estes serviços e comecei a visualizar outros espaços de atuação, onde a prestação de serviços era necessária como, por exemplo, a gestão de documentos e informação, comenta Castro. A formação da equipe CDM aconteceu em 2009 após a conclusão do mestrado. Segundo Castro, a descoberta da insatisfação de certas empresas e sindicados com as empresas presentes no mercado foi outro fator para a construção da CDM. Une-se a isso a experiência que Castro possui na criação de centros de documentação, memória e informação, organização de arquivos empresariais e automação de bibliotecas. A habilidade que o profissional bibliotecário dispõe, que considero nosso diferencial, é a habilidade de sistematização e organização das informações de mercado, aponta Castro. O empresário também destaca que a gestão de recursos tanto humanos quanto financeiros também é um saber que os bibliotecários têm a seu favor. RUA AFORA A bibliotecária e empresária capixaba Todeska Badke (CRB-6/1100) também atua na prestação de serviços de gestão da informação, além de promover eventos nessa área. Formalmente, ela atua nesse mercado desde Hoje, para manter uma rotina intensa ela recorre, por exemplo, ao uso das vitaminas C e magnésio. Eu não consigo ficar dentro de uma sala, não consigo gostar de rotina. Tem uma frase que eu acho o máximo: Erra quem está fazendo, que erro você vai cometer hoje?, exemplifica. Segundo ela, sua carreira como empreendedora começou nos tempos em que era empregada de um órgão público, em Vitória (ES), ao propor para o diretor da organização a criação de um centro de informação. E se no início o centro de informação do Instituto Jones dos Santos Neves contava com apenas três salinhas, segundo Todeska, hoje é considerada uma das mais importantes bibliotecas do Espírito Santo. Nesse período, ela também se dedicava a criação de projetos de gestão da informação, algo que seria profundamente importante algum tempo depois. O segundo passo foi dado em Belo Horizonte (MG). Literalmente, sem lenço e sem documento, Todeska deixou a estabilidade do trabalho em uma instituição de pesquisa mineira para criar a sua empresa, hoje chamada edoc Consultoria e Capacitação. Criei a empresa por conta da insatisfação com os processos burocráticos. Os meus colegas me questionavam: pra onde você vai? Então eu disse para o meu chefe: eu vou sair por ai vendendo os meus serviços, revela. Dessa forma, ao se dedicar a projetos de gestão da informação, além de manter o trabalho formal, Todeska se munia de conhecimentos e técnicas para criar o seu próprio empreendimento. Alia-se a isso o senso de observação do mercado de trabalho e o perfil inquieto da bibliotecária. Das conquistas desse trabalho, Todeska faz questão de ressaltar o reconhecimento que tem dos três filhos. São três homens. Um com 34 anos, outro com 27 e o último com 25 anos. Eles são meus fãs. Isso é o máximo. Atualmente, a edoc realiza eventos nas cidades de Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Recife (PE). DESPRETENSIOSA Júnia Lessa (CRB-6/685) possui um perfil um pouco diferenciado, ao ser comparada com os empreendedores, digamos, mais tradicionais. O seu produto só foi lançado ao mercado após um período de adaptações e autocrítica. Em 1982, com a criação do setor de normalização bibliográfica da Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Júnia lidou com a tarefa de normalizar diversas dissertações e teses, o que requeria consultar, ao mesmo tempo, cerca de 20 normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

8 Foi essa dificuldade o que levou a bibliotecária a estruturar o Manual para Normalização de Publicações Técnico-Científicas, que hoje está na sua 9ª edição. Eu precisava fazer alguma coisa para facilitar o meu trabalho, já que a demanda era grande e eu era a única funcionária do setor. Comecei então, de forma despretensiosa, a fazer anotações, colher exemplos e registrar tudo que pudesse me ajudar a melhorar o meu desempenho, revela. Assim como os outros profissionais citados, Júnia também acredita que o profissional bibliotecário possui certas características que podem ser usadas a favor do ato do empreender. A profissão do bibliotecário exige que ele seja curioso, estudioso, investigador e saiba buscar e partilhar informações, habilidades necessárias a um bom empreendedor. O bibliotecário tem em mãos uma ferramenta preciosa: a informação que, aliada à experiência, pode transformar algo comum em uma boa ideia, aponta. A partir das demandas vivenciadas enquanto professor no curso de Biblioteconomia, percebi que no contexto de Campo Grande, precisaríamos de alguma empresa especializada no tratamento da informação, conta Pereira. Pereira percebe no planejamento do negócio e na formação continuada caminhos que podem ser seguidos para a consolidação do negócio próprio. A partir de um bom plano de negócio o próprio empreendimento fica mais claro e possível de alcançar êxito. Outras necessidades informacionais, relacionadas ao empreendimento, naturalmente aparecerão, portanto, a formação continuada é indispensável nesse cenário competitivo, afirma. Graduado pelo Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG), Pereira recebeu logo após a formatura convite para atuar como professor no único curso de Biblioteconomia do Mato Grosso do Sul, oferecido pelo Instituto de Ensino Superior da Fundação Lowtons de Educação e Cultura (FUNLEC). A falta de profissionais capacitados no mercado de Biblioteconomia foi outro fator que o levou a empreender. OUTRO LUGAR Rodrigo Pereira (CRB-1/2167) também percebeu no ambiente acadêmico a oportunidade de empreender. Como mestre em Biblioteconomia e professor no estado do Mato Grosso do Sul, Pereira notou que a cidade de Campo Grande precisava de uma empresa especializada no tratamento da informação. Dessa percepção surgiu a Triagem Consultoria, promotora de cursos e serviços na área da gestão da informação e conhecimento. 8

9 EMPREENDER TAMBÉM ENVOLVE CERTOS CUIDADOS. VEJA ALGUNS Pode não restar dúvida de que empreender é uma via de liberdade profissional. Mas certos cuidados devem ser tomados e os erros, calculados. Para se ter uma ideia, 48% das empresas existentes no Brasil, em 2010, fecharam as portas após três anos de existência. A apuração parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do estudo Demografia das Empresas, divulgado em agosto de O Brasil contava com 4,5 milhões de empresas ativas em Cada um ao seu modo, os bibliotecários empreendedores entrevistados pela Comissão de Divulgação do CRB-6, repassaram certos cuidados que tomaram ao por em prática os seus negócios ou projetos. Com uma visão otimista, Rodrigo Pereira (CRB-1/2167), da Triagem Consultoria, acredita que empreender no campo da Biblioteconomia é se enveredar por caminhos de descobertas, oportunidades e possibilidades múltiplas, mas acrescenta que a formação continuada é indispensável nesse cenário competitivo e dinâmico. Júnia Lessa (CRB-6/685), após conseguir consolidar o Manual para Normalização de Publicações Técnico- Científicas como manual de referência para a classe bibliotecária, passou por outro desafio: adaptar o conteúdo do manual para o formato ensino à distância. Ou seja, ensinar normalização bibliográfica à distância exigiu da bibliotecária trabalho, estudo, planejamento, busca de parcerias, apoio institucional e muita confiança. Uma autocrítica era feita a todo o momento, pois para tornar público um trabalho que não nasceu com esse objetivo, eu me questionava se de fato aquele trabalho teria para o usuário a mesma utilidade que tinha para mim, acrescenta. INFLEXIBILIDADE Júlio de Castro (CRB-6/2565), da CDM Consultoria, por sua vez, critica certa inflexibilidade dos profissionais bibliotecários. Uma das características que me surpreendeu, ao se falar de mercado, veio do depoimento de clientes que já tiveram experiências anteriores com bibliotecários, onde a maior queixa é a inflexibilidade, afirma. O empresário acrescenta que um ponto importante a ser considerado pelos bibliotecários é a filosofia do servir sempre, o que torna uma empresa essencialmente em uma prestadora de serviços. A capixaba Todeska Badke (CRB-6 ES/1100) acrescenta, sem rodeios, que o empreendedor deve gostar de desafios, já que coisas inesperadas, numa infinidade de situações, acontecem em um empreendimento. Tem que sair da cadeira, estar aberto a aprender, gastar energia. Não é bonitinho, não é facinho, enumera a bibliotecária. CARACTERÍSTICAS O bibliotecário e empresário Júlio de Castro enumerou as características que considera necessárias ao empreendedor, listadas no quadro a seguir: Visão Persistência Dedicação Espírito de líder de si mesmo e de sua equipe Postura autodidata Conhecimento do Ramo Busca constante de novas informações Ser otimista e criativo Acompanhar o desenvolvimento dos concorrentes Saber correr riscos calculados Sempre buscar novas oportunidades Visualizar, plenejar e realizar um monitoramento sistemático das ações Ter ou desenvolver autoconfiança Estabelecer METAS (Mensuráveis, Específicas, Tempo para ser atingida e Atingível) por ANDRÉ CAMPOS CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

10 BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO CORPORATIVO Livia Marangon Duffles Teixeira Mestre em Ciência da Informação e Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Contato: INTRODUÇÃO A atuação do profissional de biblioteconomia, apesar de diversas possibilidades dentro de um escopo mais definido ou ainda mais abrangente, depende exclusivamente de preparação adequada ao mercado de trabalho para o qual deseja se capacitar. Estamos dentro de bibliotecas, arquivos, centro de cultura, alinhados ao desenvolvimento de produtos da TI, e ainda, lidando com bens intangíveis que agregam valor a uma empresa e/ou organização: a informação corporativa. A informação e o conhecimento se configuram hoje como requisitos de excelência em gestão. O cenário em certificações de qualidade, como ISO, MEG e atendimento a SOX (dentre outros), demanda maturidade informacional das empresas, seja em aplicações diretas nas rotinas de trabalho ou em seu planejamento estratégico. E dentro dessa nova realidade, é possível enxergar o bibliotecário como peça fundamental para o desenvolvimento e manutenção dessa engrenagem. Bibliotecário? Profissional da informação? Analista de informação? Quem é esse profissional multifacetado, de formação definida e atuação variada? De forma bem específica, lidamos nesse momento com o bacharel em biblioteconomia, que se dedica, primordialmente, ao trabalho com a informação, seja no contexto físico, eletrônico, acadêmico ou corporativo. Não se configura como objetivo deste trabalho a preponderância de alguma atuação, uma vez que todas são essenciais para os fins aos quais se dedicam. No contexto apresentado, para a sustentabilidade de uma empresa frente à competitividade global, a manutenção de investimento de capital externo, e manutenção de certificados em processos de qualidade, surge mais uma oportunidade de trabalho para o bacharel em biblioteconomia. Desta forma, é necessário abordar a sua formação, algumas vezes mais direcionada à gestão de coleções e não à gestão de conteúdos que será apresentado a seguir, lidando mais objetivamente com a especificidade deste trabalho. FORMAÇÃO O mercado de trabalho exige criatividade para diagnosticar problemas, visão sistêmica para entender uma demanda e maturidade para sugerir melhorias, exigindo cada vez mais uma qualificação profissional de alto nível e boas noções de outras áreas do conhecimento que possam vir a ser correlatas. A competência informacional está no cerne do aprendizado ao longo da vida. Ela capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar, avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito humano básico em um mundo digital e promove a inclusão social em todas as nações. (FARIAS, VITORINO, 2009, p.11) Dentro deste ponto de vista, lidaremos com a angústia indicada pelas organizações, onde se pretende alcançar um nível de autoconhecimento através de fontes inicialmente não estruturadas. Geralmente essa demanda aparece em caráter emergencial, depois de alguma tentativa frustrada de trazer uma solução, como a implantação de um GED/ECM, da organização de um arquivo, de apoio à parametrização de um sistema de TI, um projeto de gestão do conhecimento

11 A concepção de um trabalho em gestão de recursos informacionais se baseia na premissa de que as fontes de informações disponíveis da organização precisam estar estruturadas para atribuírem sentido a um contexto. A simples mudança de suporte (como do físico para o eletrônico) não indica um bom caminho percorrido - e essa é a parte em que muitas vezes barramos a expectativa de um cliente ao sugerir cautela nesse processo. A grade curricular para atendimento de necessidade na formação do profissional para o contexto organizacional não se satisfaz plenamente na graduação, embora ofereça a base - noções conceituais - de gestão de recursos informacionais, estudos de usuários, aplicações de TI, gestão do conhecimento... É necessário expandir o ponto de vista, incluindo estudos de sistemas de gestão de qualidade, gestão de projetos, estratégia, sistemas de informação, arquivologia, mídias e suportes, legislação, sistemas normativos, modelagem de processos de negócios, arquitetura de informação dentre outros seja em cursos técnicos e/ou profissionalizantes, pós-graduação, especialização, listas de discussão, redes sociais, estudo autônomo ou em grupo, mestrado ou doutorado. GESTÃO DE DOCUMENTOS A gestão de documentos é uma aplicação direta dos parâmetros da arquivologia. Princípios da disciplina, como integridade, organicidade, proveniência, transparência e a teoria das três idades são o pilar da estrutura de um arquivo e/ou centro de documentação, assim como o primeiro passo para o trabalho com gestão de informações. ATUAÇÃO PROFISSIONAL A competência informacional aqui já possui um ponto de vista mais amplo, como apresentado por Taparanoff (2007) como um conjunto de competências colocado em ação ao trabalhar com a informação, podendo ser expressa pela expertise em lidar com o ciclo e as tecnologias da informação, e com os contextos organizacionais para tanto, é necessário desenvolver um corpo de conhecimento no nível de transmitir segurança ao cliente, ou seja, é fundamental ter ciência dos assuntos correlatos: possuir uma visão generalista desses enquanto a especialização é bem definida, aliando, conforme proposto por Durand (2000), o conhecimento (saber), a habilidade (saber fazer) e a atitude (saber ser). Uma característica positiva em não estar focado em um ponto de vista institucional para o desenvolvimento profissional é o constante monitoramento de demanda de mercado. E isso acontece quando entramos em contato com diferentes organizações que possuem demandas diferenciadas e necessidades específicas. Enfim, o que se pode relacionar como possibilidades de atuação nesse contexto já exposto? Para facilitar o ordenamento de exposição de ideias, dividiremos o conteúdo em: a) gestão de documentos, b) gestão de informações, e c) gestão do conhecimento. Embora pareça uma divisão sólida, trata-se de um processo único (de atuação do profissional em biblioteconomia) e de certa forma, linear, em que para o sucesso e segurança do próximo, o anterior precisa ter um histórico bem sucedido. CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

12 BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO CORPORATIVO Art. 3º Considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. (LEI FEDERAL Nº DE 08 DE JANEIRO DE 1991) Trata-se de um trabalho onde serão originados instrumentos de gestão documental, como a Tabela de Temporalidade e Destinação - TTD, o Plano de Classificação Documental PCD, o Plano de Arquivo e Procedimento Técnico Documental PTD, que darão instruções de serviço para como proceder na manutenção da metodologia aplicada e nas alterações desses próprios documentos, uma vez que, o arquivo é uma unidade viva da empresa e novas tipologias documentais e novos processos de trabalho surgem a todo momento. É importante para a visão organizacional a implantação de uma metodologia única de gestão documental, onde é visualizada a identidade da empresa, conforme afirmado por Rodrigues (2010, p.40), onde ignorar os recursos arquivísticos na gestão informação orgânica pode significar a perda de informações relevantes no presente e no futuro. Metodologia é a palavra chave da gestão de documentos e deve ser difundida por toda sua estrutura de forma contínua, levando-se em consideração a otimização de espaços e recursos sem lançar mão da memória da empresa. GESTÃO DE INFORMAÇÕES A gestão de informações procede à gestão de documentos, uma vez que a segunda deve refletir a organização da primeira. A coleta, processamento, armazenagem e distribuição das informações são o cerne deste módulo, onde a sua análise e disseminação configuram como resultado do processo, além de indicar as fontes e sistemas de informação, definir modelos processuais e de workflow, pensar em possibilidades de integração entre os sistemas de TI. (...) é o conjunto estruturado de atividades que incluem o modo como as empresas obtêm, distribuem e usam a informação e o conhecimento. (DAVENPORT, 2000, p.173) Maiores habilidades em tecnologia são demandadas, seja em conhecimento aplicado e específico para desenvolvimento (ciência da computação), seja em conhecimentos práticos específicos. Os sistemas de informação mais trabalhados são o ERP (planejamento de recursos empresariais, CRM (Gerenciamento das relações com consumidores), SCM (Gerenciamento da cadeia de suprimentos), GED (Gestão Eletrônica de Documentos), ECM (Gestão de conteúdos), enfim, todo um macro sistema de tratamento e disponibilização da informação corporativa. Nesta etapa, já é possível visualizar o que sabe a empresa. Seus recursos informacionais estão estruturados (ou semiestruturados) e compõem o conhecimento organizacional, fonte indispensável para um projeto em gestão do conhecimento. GESTÃO DO CONHECIMENTO A gestão do conhecimento é um conceito muito discutido atualmente, com possibilidades práticas e estudos acadêmicos teóricos e empíricos. Sabemos que existem metodologias diferenciadas para a gestão do conhecimento, mas o que realmente difere é o olhar para o contexto favorável à sua capacitação - a gestão do conhecimento deve ser entendida como um processo contínuo e constante. O pilar desse trabalho é a memória organizacional, compreendida pelos processos de trabalho, documentos, suas 12

13 bases de dados, trocas de experiências, lições aprendidas, fórum de discussões e outros. O objetivo geral desta etapa é capturar o conhecimento tácito e explícito dos funcionários, definir e vincular termos e conceitos relacionados, manter a porta aberta para a contribuição voluntária, possibilitar a reutilização e compartilhamento de informações e principalmente criar novos conhecimentos. Os projetos em gestão do conhecimento são participativos, colaborativos, contínuos e fomentam a criação de novos conhecimentos. Ou seja, se baseiam principalmente na capacidade intelectual da empresa. Francini (2002, p.8) apresenta a fórmula do capital intelectual de uma empresa, mesmo se tratando de um item intangível: Capital Humano + Capital de Processos + Capital de Relacionamento + Capital de Inovação = Capital Intelectual Este ciclo que culmina na geração de novos conhecimentos não tem fim. É um processo cíclico dentro de uma abordagem sistêmica, que influencia a cultura organizacional e precisa trabalhar constantemente no sentido de sensibilizar e conscientizar da necessidade de participação contínua assim como o trabalho do bibliotecário como mediador e incentivador constante. CONSIDERAÇÕES FINAIS A primeira parte deste estudo fez uma introdução ao assunto, apresentando subsídios para a necessidade de se trabalhar com essa abordagem explicitada. A segunda parte nos trouxe uma perspectiva da necessidade do mercado, da formação acadêmica do bacharel em biblioteconomia e um ponto de vista de formação constante desse profissional, que precisa estar em sintonia com o mercado corporativo. Já a terceira parte nos apresenta a atuação prática, dentro de um processo completo para a gestão integrada de recursos informacionais. Não foi considerada a possibilidade de tratar de metodologias específicas já implantadas, tanto comerciais quanto acadêmicas, uma vez que, dentro do escopo apresentado, procurou-se estabelecer uma linha de raciocínio que pudesse vir a estabelecer e demonstrar a ação pontual do bacharel em biblioteconomia no contexto específico. O objetivo de se explicitar um modelo de atuação desse profissional dentro do contexto corporativo é a necessidade de apresentar esse escopo com especificidades muitas vezes não elucidadas no curso de graduação. A importância desse profissional se revela ao observar o impacto deste trabalho em indicadores de desempenho (tanto em baixa, quanto em alta), em redução de custos com armazenagem, em otimização de processos como agilidade em recuperação de informação, acesso a lições aprendidas, cases de sucesso, efetividade operacional e atendimentos a auditorias. A visão gerencial torna-se insumo indispensável para manter o trabalho alinhado às diretrizes da empresa, suas especificidades em sistemas de gestão e estratégia. Mais uma vez, o bibliotecário apresenta sua versatilidade para atuar profissionalmente, mostrando que suas ações fazem diferença para a empresa/instituição que reconhece o seu próprio conhecimento inerente àqueles que efetivamente nela trabalham. As organizações em constante aprendizado são aquelas que podem se projetar em visões e missões audaciosas, buscando liderança no mercado em que atuam. REFERÊNCIAS BRASIL. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências: Lei 8.159/91. DOU: Seção 1-09/01/1991, Página 455. DAVENPORT, T. Ecologia da informação. São Paulo: Futura, p. DURAND, T. L Alchimie de la compétence. Revue Française de Gestion, n.127, p , janv./febr FARIAS, C. M.; VITORINO, E. V. Competência informacional e dimensões da competência do bibliotecário no contexto escolar. Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte, v.14, n.2, p FRANCINE, W. S. A gestão do conhecimento: conectando estratégia e valor para a empresa. RAE-eletrônica, v.1, n.2, jul-dez Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/raeel/v1n2/v1n2a14.pdf>. Acesso em: 16 maio RODRIGUES, A. M. L. Os recursos da arquivologia na gestão da informação orgânica. Revista Fonte, n.10, p.39-40, dez Disponível em: <http:// Acesso em: 16 maio TAPARANOFF, K. Bibliotecários e as organizações: gestão da informação e do conhecimento para a tomada de decisão. JORNADA NORTE-NORDESTE DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5, 2007, Recife. Conferencias e Mesas Redondas... Recife: APBPE, Disponível em: <http://www.apbpe.org.br/v2/jornada5/palestras/bib_org. pdf>. Acesso em: 16 maio 2011 CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

14 Comissão de Fiscalização do CRB-6 supera metas de trabalho e contribui para a valorização da profissão de Bibliotecário. O Conselho Regional de Biblioteconomia 6º Região (CRB-6), através da sua Comissão de Fiscalização, mais uma vez, supera as metas estabelecidas. As atividades realizadas pela Comissão de Fiscalização do CRB-6 vem contribuindo sistematicamente para tornar o trabalho do profissional bibliotecário mais reconhecido nas diversas instituições públicas e privadas visitadas em todo Estado de Minas Gerais e no Espírito Santo. As instituições, ao serem fiscalizadas, se tornam mais conscientes da importância das bilbiotecas como núcleo estratégico para o desenvolvimento de suas atividades e da obrigatoriedade de um bacharel bibliotecário como profissional gestor de uma unidade de informação. Para avaliar a efetividade da Comissão de Fiscalização do CRB-6, destacamos que foram realizados, ao longo de 2012, 34 julgamentos de instituições em situação irregular (ou seja, instituições que não possuíam um bacharel em biblioteconomia atuando em suas bibliotecas e que, mesmo após o prazo dado para regularização, continuaram irregulares.). A seguir, um comparativo que mostra o aumento no número de julgamentos realizados no último quadriênio. ANO Jugamentos Diversas instituições julgadas foram multadas. Algumas estão com processos em andamento na Justiça e outras tantas já regularizaram a situação. É importante frisar que todo o processo fiscalizatório segue a resolução 033/2001 do Conselho Federal de Biblioteconomia que considera infrações às Leis 4.084/62, 9.674/98 e ao Decreto /65 condutas como o exercício da profissão de bibliotecário sem o devido bacharelado em biblioteconomia; a inexistência do profissional bibliotecário, como responsável técnico, junto a pessoas jurídicas e de direito privado que prestem serviços da área de Biblioteconomia; a contratação, admissão, nomeação ou posse de pessoa física ou jurídica sem o devido registro no CRB da região; e toda e qualquer conduta que venha obstruir e/ou dificultar o trabalho da fiscalização. Um ponto importante a ser destacado é o fato de diversas bibliotecas em situações irregulares, após serem fiscalizadas, terem contratado profissionais habilitados e o processo ter sido arquivado, portanto sem a necessidade de julgamento, ou de multa. Isso demonstra que a fiscalização realizada pelo CRB-6 não prima pela punição da instituição, mas sim pela verificação de irregularidades, favorecendo a abertura de mais vagas para bibliotecários. 14

15 Já no começo de 2013, a Comissão de Fiscalização do CRB-6 começou a enviar um ofício preventivo para os novos prefeitos que assumiram as prefeituras de Minas Gerais e do Espírito Santo. A intenção é alertar os novos gestores municipais sobre a legislação que regulamenta a profissão de bibliotecário, as atribuições do próprio Conselho e, principalmente, para destacar a importância das bibliotecas para o exercício da cidadania e desenvolvimento das comunidades no qual os municípios estão inseridos. Vale ressaltar a enorme extensão geográfica da jurisdição da 6º Região, que compreende todo o Estado de Minas Gerais e Espírito Santo, e as particularidades de cada instituição fiscalizada, sejam elas públicas ou privadas. Ainda assim, os trabalhos da Comissão de Fiscalização do CRB-6 deverão se intensificar nos próximos anos. Com os números apresentados e com as propostas e atividades que tem sido implementadas, o CRB-6 conclui que, apesar das dificuldades enfrentadas, principalmente no âmbito jurídico, os procedimentos fiscalizatórios estão alcançado grandes conquistas. Esperamos que, a cada nova biblioteca fiscalizada, tenhamos um bibliotecário em atuação como determina a Lei, possibilitando não somente a valorização e a dignificação da profissão, mas a defesa da sociedade dos maus profissionais, que é a grande razão de ser dos conselhos profissionais. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO TOTAL: Visitas realizadas 439 Visitas realizadas em Belo Horizonte 184 Visitas realizadas no interior de Minas Gerais 219 Visitas realizadas no Espirito Santo 36 Autos de infração 32 Fiscalização preventiva 19 Fiscalização através de Carta de Regulamentação 110 Questionamentos de concursos públicos 20 Bibliotecários fiscalizados 427 Bibliotecários irregulares (sem registro, com registro em outro CRB ou registro cancelado) 12 Bibliotecário que regularizam a situação 06 Julgamentos 34 Texto: Lúcio Alves Tannure (CRB-6/2266) Revisão: Álamo Chaves de Oliveira Pinheiro (CRB-6/2790) Comissão de Fiscalização Mariza Martins Coelho (CRB-6/1637) Coordenadora Álamo Chaves de Oliveira Pinheiro (CRB-6/2790) Cleidivânia Janaína de Paula (CRB-6/1870) Bibliotecários Fiscais Lúcio Alves Tannure (CRB-6/2266) Orfila Maria Mudado Silva (CRB-6/745) CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

16 BIBLIOTECAS: LEITURA E APRENDIZADO Ana Carolina Sobral Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contato: Ana Letícia de Coimbra Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contato: Caroline Soares Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contato: Edilene M. da Silva Docente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Registro: CRB-4/1391. Contato: Juliana Albuquerque Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contato: Micaelle Veríssimo Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contato: 16

17 INTRODUÇÃO Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas. Mário Quintana As bibliotecas comunitárias surgem como importante fenômeno social e se propõem a organizar espaços que promovem educação, cultura e lazer por meio de atividades literárias, oficinas e eventos. Elas emergem como alternativa para integrar a comunidade em torno de atividades culturais e literárias, propiciando meios para que o indivíduo exerça o seu direito a leitura e escrita, e assim exerça sua cidadania. No entanto, todo o esforço despendido para organizar a biblioteca, recolher materiais bibliográficos, montar espaços físicos e desenvolver atividades se depara com as limitações técnicas, formativas e financeiras da equipe gestora desses espaços. Estes equipamentos culturais denominados bibliotecas comunitárias são assim nomeadas por serem organizadas e geridas pela própria comunidade de acordo com suas necessidades. Em geral, estes espaços resultam de iniciativas individuais, ou seja, moradores da comunidade sensíveis à questão da leitura e da escrita que desejam transformar sua realidade marcada por problemas como a violência, drogas, desemprego e precariedade de serviços públicos de saúde, educação e cultura. Estas iniciativas começam despretensiosamente recolhendo livros e dispondo-os em algum espaço. Contudo, os idealizadores desses espaços percebem que somente ter os livros disponíveis nas estantes não garante a formação de leitores. Estes espaços têm a necessidade de desenvolver atividades que estimulem o ato da leitura e escrita, para atrair as pessoas para o novo e a reflexão, e desta forma provocar mudanças. A cidade do Recife conta com muitas bibliotecas comunitárias, e apesar de algumas semelhanças, comportam características e problemas singulares. Em visitas e conversas realizadas com as comunidades do Poço da Panela e Alto José Bonifácio, ao longo do ano de 2011, constatou-se que estes espaços apresentam dificuldades em organizar, recuperar e preservar o acervo atividades técnicas próprias da área de Biblioteconomia além de problemas espaciais internos (ventilação, iluminação, mobiliário), de edificação, e o entorno do espaço urbano, que fragilizam o desenvolvimento das atividades mencionadas. Nesse sentido, o presente artigo relata os resultados iniciais das atividades desenvolvidas entre os meses de fevereiro e agosto do corrente ano, do projeto de extensão Requalificação das Bibliotecas Comunitárias do Poço da Panela e Amigos da Leitura, realizado por discentes e docentes do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco. A Biblioteca Comunitária do Poço da Panela, aberta em 2011, tem um número significativo de livros. Esta biblioteca está sendo beneficiada com o tratamento técnico do acervo e desenvolvimento de oficinas de contação de histórias. Já a Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura situada no Alto José Bonifácio, inaugurada em 2003, acumula numeroso acervo e experiência com atividades culturais. Contudo, a equipe precisa de formação para desempenhar as atividades de descrição e recuperação de acervo, atendimento ao usuário e atividades literárias. A Biblioteconomia pode contribuir com a qualificação desses espaços por meio dos conhecimentos sobre gestão de unidade de informação, organização, representação, recuperação e acesso à informação. A atuação de professores e alunos permite que a teoria discutida em sala de aula seja experienciada nestes locais e, por conseguinte, proporciona aos alunos aprendizado diferenciado, por meio do contato com a realidade que exige criatividade, flexibilidade, audácia e persistência para solucionar problemas. Estas bibliotecas se constituem em uma oportunidade laboratorial onde a permuta de conhecimento entre alunos e comunidade gerará capital intelectual diferenciado. Igualmente, as comunidades são beneficiadas pela reorganização do acervo, atividades e espaço, e as equipes gestoras pela autonomia pro- CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

18 porcionada pela troca de informação e experiência com os alunos e professores. A apropriação de conhecimento pelas equipes gestoras oportuniza a compreensão do fazer e as qualifica para elaboração e explicitação dos objetivos, metas e missão das bibliotecas contribuindo assim, para a formulação de projetos e possível submissão de editais públicos. Espera-se melhorar a qualidade dos serviços prestados pelas bibliotecas à comunidade e, consequentemente, na vida dos indivíduos. Por fim, reconhece-se a Extensão como o momento em que a universidade ultrapassa as fronteiras físicas e faz com que o conhecimento produzido e sistematizado possa se converter em práticas e produtos sociais reelaborados por alunos e comunidades. ESTRATÉGIAS DE AÇÃO As ações propostas no projeto envolvem duas vertentes: a qualificação técnico-teórica da equipe gestora da biblioteca e o desenvolvimento da mediação de leitura. 1. A qualificação técnica refere-se à compreensão teórica e prática dos processos de registro, classificação e catalogação do acervo, formação e desenvolvimento de coleção e gestão de biblioteca. 2. Mediação de leitura literária visa estimular a leitura em crianças e adolescentes por meio da leitura literária e da confecção de livros escritos e ilustrados pelo próprio público. A equipe coordenadora da biblioteca e os alunos da universidade realizam quinzenalmente reuniões para discutir as práticas existentes e eleger as necessidades mais prementes e possíveis soluções. As atividades técnicas e de contação de histórias se relacionam com o ensino por meio da utilização dos conteúdos ministrados em disciplinas como: formação e desenvolvimento de coleções, estudo do usuário, representação temática e descritiva, gestão de bibliotecas e mediação cultural. Isso resulta em impacto positivo na formação do aluno e na reelaboração do conteúdo que retorna a universidade. Todas as atividades são discutidas por pesquisadores e participantes, de forma que o equacionamento do problema se configure como oportunidade de entendimento das necessidades, estudo e prática simultaneamente. A prática da pesquisa é estimulada em todas as fases do projeto por meio de pesquisa bibliográfica, leitura e discussão dos textos e sistematização de relatórios e artigos. A partir dos encontros com as equipes gestoras iniciou-se um período de pesquisa, estudo e construção conjunta de um documento que detalha os processos de formação e desenvolvimento de coleções, classificação e catalogação. Essas informações foram incorporadas ao Manual de Procedimentos das bibliotecas. Posteriormente, serão desenvolvidas pesquisas sobre estudo do usuário e atividades literárias, bem como estratégias de divulgação do acervo e conquista de novos usuários. 18

19 RESULTADOS Os resultados são apresentados considerando 3 eixos: Alunos (aprendizado), Biblioteca (prestadora de serviço) e comunidade (atividades e benefícios). Para os alunos a oportunidade de associar a teoria à prática, por meio do exercício contínuo de revisar, escolher e expor os conteúdos referentes aos processos técnicos e organizacionais pertinentes à gestão de acervose da biblioteca às equipes gestoras. Esta associação proporciona a reelaboração do conhecimento enriquecido com a prática e troca de experiência entre alunos e equipes gestoras das bibliotecas comunitárias. Estimula a pesquisa em outras áreas, como por exemplo, conceitos e gêneros da literatura infantil e juvenil e contação de histórias. O projeto se propõe a potencializar os serviços ofertados pelas bibliotecas por meio da reorganização do acervo, criação ou readequação de instrumento de gestão e de estudo do usuário, tais como, manuais, questionários e formulários. Isso implica em compreensão mais ampla das funções da biblioteca e da qualidade do serviço e acervo que se coloca à disposição da comunidade. Os resultados surgem paulatinamente, com o aumento da frequência do público e visibilidade da biblioteca como espaço de convivência e aprendizado. Já a comunidade pode contar com espaços mais adequados para a convivência e o desenvolvimento ou experimentação de atividades de estímulo à leitura literária integrada a outras artes. DISCUSSÃO De acordo com Castrillón (2011, p. 22) em primeiro lugar, é para a educação que se deve dirigir a maior parte dos esforços e, em segundo, são as bibliotecas os meios para a democratização do acesso, desde que nelas se produzam, também, importantes informações. Isto implica melhorias às duas instituições escola e biblioteca a proposta do projeto se coaduna com esse pensamento, pois preocupa-se com uma educação superior diferenciada e com as bibliotecas locais de troca, disseminação e acesso ao conhecimento produzido. As políticas públicas brasileiras voltam-se geralmente para a aquisição de livros para bibliotecas, mas apenas os livros não bastam para formar leitores, pois o instrumento não pode ser manuseado por quem o desconhece. Afinal, a promoção da leitura depende de espaços de leitura ou bibliotecas adequadas para a guarda da coleção, acolhimento do usuário e desenvolvimento de atividades de mediação e disseminação da informação (FERREIRA, 2011). O manifesto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para bibliotecas públicas, publicado em 1994, em cooperação com a Federação Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), estabelece que a biblioteca pública é o centro local da informação, tornando prontamente acessível aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros. As bibliotecas são por excelência os locais onde o conhecimento e a informação são preservados, disseminados e (re)produzidos pelos indivíduos. As bibliotecas comunitárias caracterizam-se como públicas, ou seja, espaços que proporcionam acesso livre ao conhecimento, e carregam a missão de promover o acesso livre à informação e cultura. Compreende-se que este acesso deve ser um ato dialético que envolve a disseminação e apropriação, portanto, disseminar e apropriar-se só existem juntos e isto implica em disponibilizar a informação e desenvolver competência nos indivíduos para produção de novos conhecimentos. É importante frisar que este projeto de extensão evidencia uma visão diferenciada do papel do bibliotecário, observando sua função como educador, quando desenvolve a mediação da leitura literária promovendo a formação não só do leitor, mas de um cidadão capaz que reconhecer seu papel na sociedade. CRB6 Informa - Belo Horizonte - v.5 - n

20 CONCLUSÃO Apesar de embrionário, pode-se perceber como tem sido importante, tanto para os pesquisadores quanto para as equipes gestoras, esta intervenção nos espaços das bibliotecas comunitárias. A troca de experiências entre a academia e a comunidade, revela a oportunidade de colocar em prática toda a teoria que costuma ser apenas apresentada, e consegue ir além, quando se trata de aprender a lidar com uma realidade distinta deixando de observar e analisar de longe, para aproximar-se do objeto estudado e tornar-se parte também deste estudo. Atuar em bibliotecas comunitárias representa a oportunidade de exercer a Biblioteconomia de forma diferenciada e empreendedora. Pois, proporciona a revisão, adaptação e inovação dos processos, métodos e técnicas ensinadas nas universidades. A experiência tem revelado a necessidade de revisar os conteúdos repassados no curso, mas também nossa postura diante da realidade tão distante da academia. Estes primeiros meses proporcionou aos alunos e professor a revisão de conteúdos, de olhares, de percepção e por que não de mitos. Esses espaços devem ser encarados como um nicho de mercado profissional, onde o bibliotecário pode atuar e realizar-se profissional e pessoalmente. Atualmente, existe financiamento para atividades de leitura e bibliotecas por meio de editais lançados pelo Ministério da Cultura e Fundação de Cultura de Pernambuco. O problema reside na falta de qualificação de profissionais e comunidade para apresentar projetos que atendam os critérios exigidos pelos órgãos. Quanto às equipes gestoras, percebe-se que o engajamento é cada vez maior, o que corrobora com a ideia de que esses espaços, muitas vezes esquecidos, precisam da participação e colaboração de profissionais e pesquisadores que se proponham a repassar e apreender conhecimentos para ampliar o leque de atuação. REFERÊNCIAS CASTRILLÓN, S. O direito de ler e escrever. São Paulo: Pulo do Gato, FERREIRA, I. C. Políticas públicas para bibliotecas públicas: um desafio para governo e sociedade f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Departamento de Ciência da Informação, CAC, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, MANIFESTO DA UNESCO sobre bibliotecas públicas (1994). IFLA Journal, [s.l.], v.21, n.1, Disponível em: <http://archive.ifla.org/vii/s8/unesco/ port.htm>. Acesso em: 28 jun

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