DIABETES MELLITUS TIPO I E INSULINOTERAPIA: O CUIDADO NECESSÁRIO

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1 DIABETES MELLITUS TIPO I E INSULINOTERAPIA: O CUIDADO NECESSÁRIO Juliana Cavallari de Oliveira 1 Faculdade de Enfermagem Centro de Ciências da Vida O Diabetes Mellitus Tipo 1 é uma doença crônica, e é citado entre as dez maiores causas de óbito na maioria dos países. As mortes precoces, geralmente causadas pelas complicações relacionadas a essa enfermidade poderiam ser evitadas. Os diabéticos e seus familiares necessitam de conhecimentos satisfatórios sobre a doença visando ao tratamento adequado e à conseqüente prevenção das complicações, melhorando sua qualidade de vida, que freqüentemente progride com seqüelas, tais como: cegueira, nefropatia( entre outras). Para se conseguir um bom controle do diabetes é extremamente importante a educação do paciente e da família, deixando explícito que esta deva ser introduzida no início do tratamento, tão logo tenha passado o primeiro impacto do diagnóstico, que normalmente acontece na é- poca da infância. Objetiva-se neste estudo verificar junto a familiares de indivíduos diabéticos tipo 1, freqüentadores de um ambulatório de endocrinologia de um hospital do município de Campinas, qual o entendimento que possuem da doença, identificando ainda, como é realizado o tratamento medicamentoso e cuidados gerais. Caracterizando essa população quanto ao sexo, idade, escolaridade e renda familiar. Metodologia: A população pesquisada foi constituída de 100 familiares de indivíduos insulinodependentes. A Coleta de dados foi realizada através de um questionário semi-estruturado, no período de novembro de 2008 a março de Resultados e Conclusões: revelaram conhecimento precário em relação às práticas medicamentosas, o cuidado com a administração de insulina. Concluindo assim, que a qualidade do entendimento que tais sujeitos possuem a respeito da Diabetes Mellitus Tipo I, é restrita a (cerca de 80%) : Diabetes é excesso de açúcar no sangue. E ao relatarem sobre o respectivo tratamento da doença em questão dão ênfase apenas às aplicações diárias de insulina, sem conhecer aspectos relativos a educação e insulinoterapia. Palavras-chave: Diabetes Mellitus insulinodependente, educação em enfermagem, insulinoterapia. Carmen Elisa Villalobos Tapia 2 Grupo de Pesquisa: Intervenções em Saúde: Avaliando Invenções Centro de Ciências da Vida Área do Conhecimento: Grande Área do Conhecimento Ciência da Saúde- Sub-Área do Conhecimento CNPq - Enfermagem. 1 Aluna quarto ano da faculdade de enfermagem 2. Prof.Dra da Faculdade de Enfermagem PUC-Campinas 1. INTRODUÇÃO O Diabetes Mellitus (DM) tipo I é um distúrbio metabólico caracterizado por ausência de produção e secreção de insulina devido uma destruição auto-imune das células beta pancreáticas. Também conhecido por diabetes insulino-dependente ou juvenil, é responsável por inúmeras mortes em diversos países em decorrência das complicações causadas por essa doença como: a cetoacidose metabólica, retinopatia, nefropatia, hipoglicemia, entre outras. Todas essas complicações podem ser evitadas a partir do momento que os diabéticos e seus familiares tenham conhecimento real sobre a doença e dessa forma alcancem o tratamento adequado, prevenindo conseqüentemente, as complicações e melhorando sua qualidade de vida [1]. O paciente diabético conseguirá o equilíbrio entre os múltiplos fatores exigidos pela sua oença, tais como dieta balanceada, atividade física regular, monitoramento da glicemia cpilar, auto-aplicação de insulina; a partir do momento que ele tenha uma boa orientação juntamente com sua família, assim que a doença for diagnosticada [2]. O pâncreas é o principal órgão afetado pelo distúrbio em estudo. Em estado sadio, além de possuir funções digestivas no duodeno [3], possui ação endócrina responsável pelo metabolismo da glicose, ácidos graxos e aminoácidos nas lhotas de Langerhans [4]. As Ilhotas de Langerhans recebem esta denominação devido à posição anatômica do agrupamento em forma de ilhas de células especializadas, que possuem funções específicas, participando da regulação do metabolismo energético. O mérito dado a estas células deve-se ao fato de as mesmas produzirem hormônios a serem lançados no sangue; são eles: células (glucagon), células (insulina) e células (gastrina) [5]. A glicose é essencial para o bom fun-

2 cionamento das células, sendo sua concentração regulada pela sua absorção no trato intestinal, a utilização pelas células, produção e excreção (4).A insulina exerce efeitos profundos sobre o metabolismo dos carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos, a- presentando-se diretamente à energia circulante no organismo [3],pois o aumento da densidade sanguínea de carboidratos estimula as células para aumentar a produção de insulina [4], que promove ao fígado e músculos o armazenamento de carboidratos (em excesso no sangue) sob a forma de glicogênio, bem como o armazenamento de gorduras no tecido adiposo (triglicerídios) e a conversão de aminoácidos em proteínas [3].O glucagon é um hormônio secretado pelas células das Ilhotas de Langerhans [4], possuindo uma função oposta à da insulina:pois este hormônio aumenta a concentração de glicose no sangue [3], ao promover a mobilização e utilização dos componentes armazenados pela insulina [4]. A secreção do glucagon é estimulada principalmente pela ação da insulina, com o intuito de impedir a o- corrência de hipoglicemia, sofrendo estímulo também pela ingestão de proteínas (alanina e arginina), pois o glucagon exerce sua conversão em glicose [3]. Os ácidos graxos também interferem na secreção deste hormônio, sendo inibido pelo aumento de sua concentração no plasma, uma vez que o glucagon estimula a lipólise, podendo ser inibida também pela gastrina (hormônio produzido por células D pancreáticas), dentre outras formas de estímulo [4]. A gastrina é secretada pelas células das Ilhotas de Langerhans [3], cuja concentração é elevada no estômago [5]. Sua secreção é estimulada pela ingestão de nutrientes como: glicose, ácidos graxos e aminoácidos; também é estimulada por hormônios gastrintestinais, glucagon e agonistas ß-adrenérgicos [4]. Segundo Guyton & Hall (2002), a gastrina exerce ações inibitórias,reduzindo a secreção de insulina e glucagon; a motilidade gástrica, duodenal, vesicular e absorção no trato gastrintestinal. As funções inibitórias deste hormônio provocam efeitos voltados para as ações gastrintestinais, promovendo a inibição da digestão e a redução de absorção de nutrientes pelos tecidosalvo, reduzindo a exaustão dos alimentos [2]. Embora haja um aumento significativo nos processos de tratamento, para promoção da melhora de qualidade de vida dos diabéticos, a insulina continua sendo o principal tratamento [6]. 2. METODOLOGIA Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa, desenvolvido no ambulatório de Endocrinologia de um hospital-escola do município de Campinas, SP. Para a obtenção dos dados, foi realizado um questionário semi-estruturado contendo a caracterização dos sujeitos e o conhecimento específico. O instrumento se constituiu de perguntas fechadas e abertas. A população foi constituída de 100 familiares (pai ou mãe) de pacientes insulino-dependentes que responderam com consentimento livre e esclarecido previamente. Os dados foram coletados no próprio ambulatório de endocrinologia, no período de novembro de 2008 a março de 2009; estes foram passados para o programa Excel para serem transportados e processados no programa estatístico específico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 12 para o Windows. Algumas variáveis qualitativas e quantitativas foram apresentadas em tabelas de freqüências absolutas. O projeto foi encaminhado e a- provado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos, da PUC-Campinas, e aprovado sob o protocolo n 322/ RESULTADOS A seguir estão expostos os dados obtidos na pesquisa: Tabela 1. Sexo dos sujeitos entrevistados. Sexo No. % Masculino 01 1,0 % Feminino 99 99,0 % Total ,0 % Nota-se predominância dos sujeitos do sexo feminino, correspondendo a 99% do total de entrevistados. Demonstrando, dessa forma, que os pacientes insulino-dependentes são, em sua maioria, acompanhados e consequentemente tratados pelo auxilio da figura materna. Tabela 2. Idade dos sujeitos entrevistados. Idade No. % entre 1 a 9 anos 0 0% de 10 a 18 anos 12 12,0 % de 19 a 25 anos 36 36,0% de 26 a 30 anos 43 43,0% acima de 30 anos 09 9,0 % Total ,0% A idade comumente encontrada foi de 26 a 30 anos (43%), seguida pela faixa etária de 19 a 25 anos (36%). Doze mães encontravam-se na faixa etária

3 entre 10 a 18 anos, correspondendo a 12% do total; e apenas nove dos sujeitos tinham mais de 30 anos de idade (9%). Foi traçado também, o perfil de escolaridade dos sujeitos em questão; sendo que 55% dos entrevistados cursaram até o ensino fundamental; logo em seguida encontram-se 32% dos sujeitos com ensino médio completo. Apenas sete possuíam ensino técnico (7%), seguido por seis sujeitos com formação superior (6%). Tabela 3. Renda Mensal dos sujeitos entrevistados. Renda Mensal No. % 1 salário mínimo 20 20,0 % 2 salários mínimos 40 40,0 % 3 salários mínimos 30 30,0 % Mais de 3 salários 10 10,0 % Total ,0 % Identificamos que a renda mensal da população em questão varia entre 01 a 03 salários mínimos. Tendo predominância a renda de 02 salários mínimos (40%), seguido de 03 salários mínimos (30%, o que corresponde a 30 pessoas), e ainda 20% (20 sujeitos) com renda mensal de 01 salário mínimo. Apenas 10% (10 pessoas) possuem renda maior que 03 salários mínimos. Já quando questionados a respeito do que entendem sobre diabetes, como podemos observar no gráfico a seguir, a maioria das pessoas, correspondendo a 46% dos entrevistados, acredita que a diabetes é o aumento da glicose no sangue; 21% relacionaram com a falta de insulina no organismo; outras 17 pessoas (equivalente a 17%) relatam que é uma doença incurável; 10% não souberam responder; 5% acham que se trata de um problema no pâncreas; e apenas 1% acreditam que é uma doença hereditária Não sabem responder 46 Aumento da glicose no sangue 17 Doença sem cura 5 Problema no pâncreas 21 Falta de insulina no organismo 1 Doença hereditaria Série1 Gráfico 1. Entendimento sobre Diabetes dos suejeitos entrevistados No que se refere ao tratamento da diabetes, 45% dos sujeitos entrevistados acham que o mesmo deve ser feito através de uma dieta balanceada associada a insulinoterapia; já 36% acreditam ser apenas a insulinoterapia a forma de tratá-la; 16 pessoas não souberam responder (16%); outras 2 pessoas responderam que o tratamento é feito apenas com a dieta balanceada(2%); e apenas 1% acredita que o tratamento é feito com associação da insulinoterapia, de uma dieta balanceada juntamente com a pratica de exercícios físicos. 4. DISCUSSÃO A educação é uma estratégia fundamental para a promoção da saúde, visando atuar sobre o conhecimento das pessoas, para que elas desenvolvam a capacidade de intervenção sobre suas vidas e sobre o ambiente, criando condições para sua própria existência [7, 8]. Considerando-se a especificidade do diabetes como doença crônica e o controle glicêmico como fundamental na prevenção de complicações e seqüelas, o conhecimento da doença por meio de educação constitui aspecto muito relevante no tratamento. Para o sucesso da educação destes pacientes, é imprescindíveis considerar os aspectos motivacionais para o autocuidado, a participação da família e o estabelecimento de vínculos efetivos com a equipe multiprofissional [6, 9]. Cônscios da importância de prevenir ou retardar as complicações que trazem um impacto socioeconômico considerável que pode ser comprovado através de números cada vez maiores de hospitalização podendo muitas vezes, implicar na invalidez total ou parcial do individuo trazendo grave repercussão para o paciente, família e sociedade, é que o enfermeiro deve envolver o paciente em programas que favoreçam a compreensão da patologia e formas de prevenção, a partir de uma proposta terapêutica orientada e acompanhada. Entre as ações que o enfermeiro deverá incentivar durante o processo educativo é importante que a e- quipe multidisciplinar ao propor um esquema de automonitorização capilar, seja capaz de ensinar a criança com diabetes a analisar o seu perfil glicêmico [10]. O exercício aumenta a eficiência da insulina, e o exercício moderado é responsável pela utilização de gordura e hidratos de carbono em pacientes diabéticos, podendo estabilizar a dosagem de insulina quando acompanhadas de refeições freqüentes. É recomendada ao paciente com Diabetes Mellitus tipo I (DMID), uma redução na dose de insulina e ingestão de hidrato de carbono suplementar antecipadamente a uma atividade forçada, para evitar uma súbi-

4 ta hipoglicemia, bem como a aplicação de insulina em um músculo oposto ao envolvido no exercício [11, 12]. Ainda em relação à administração da insulina, foi identificado que quando, o rodízio nos locais de aplicação era limitado. Este fato mais uma vez indica a necessidade de uma atenção especial aos pacientes em estudo por parte dos serviços de saúde. Estes pacientes e suas famílias precisam ser capacitadas inicialmente, mas também precisam ser acompanhados de tempos em tempos com vistas a corrigir falhas. A não realização de rodízio pode provocar alterações nos locais de aplicação da insulina. Estas alterações costumam afetar de 10 a 50% dos pacientes insulino-dependentes, que são acometidos por lipodistrofias, dor, nódulos endurecidos, equimose, hematoma, hiperemia e ardência. 5. CONCLUSÕES Apresentamos as conclusões desta investigação de acordo com a seqüência dos objetivos propostos: Quanto às variáveis sócio demográficas, quanto ao entendimento que os sujeitos da pesquisa possuem sobre a doença em questão, e sobre o respectivo tratamento medicamentoso e os cuidados gerais. Os familiares da criança portadora de diabetes mellitus tipo 1 deste estudo, em sua maioria é do sexo feminino (99,0%) e com idade entre vinte e seis e trinta anos (43,0%), tendo como grau de escolaridade predominante o ensino fundamental (55,0%), e a renda mensal identificada é a de três salários mínimos (40,0%). Sendo que 46,0% das pessoas entrevistadas entendem que o diabetes trata-se apenas do aumento da glicose no sangue; e quanto ao seu tratamento 45% dos sujeitos questionados acham que o mesmo deve ser feito através de uma dieta balanceada associada a insulinoterapia. O estudo evidencia que o rodízio de locais utilizados na administração de insulina é limitado, revelando uma demanda importante para atuação dos profissionais de saúde junto a estas famílias, especialmente quando se considera que uma parcela considerável das mesmas também possui conceitos errados relacionados com alguns cuidados importantes como, por exemplo, no preparo das misturas de dois tipos de insulina, no seu estocamento, na durabilidade da insulina, na coloração dos diversos tipos de insulina, na técnica da administração. Acreditamos que pensar em um programa de educação em diabetes para os familiares das crianças e para as mesmas deve passar obrigatoriamente pela organização dos serviços, priorizando a capacitação dos profissionais, a fim de qualificar o atendimento a esta clientela, minimizar o impacto da doença na família e,minorar o sofrimento das crianças e adolescentes e dos próprios pais em relação ao diabetes. Assim, os dados encontrados nesta investigação merecem ser analisados pelos profissionais de saúde com vistas ao aprimoramento dos programas de assistência a criança diabética tipo 1. AGRADECIMENTOS A minha profª. Orientadora Carmen Elisa Vilallobos Tapia e ao apoio financeiro FAPIC/Reitoria. REFERÊNCIAS [1] Craig C.R., Stitzel R.E. (2005), Farmacologia moderna com aplicações clínicas. 6ª ed., Rio de Janeiro:Guanabara Koogan [2] Smeltzer, S.C., Bare, B.G. (2006), Tratado de enfermagem médico-cirurgica. 10ª ed., Rio dejaneiro: Guanabara Koogan. [3] Guyton, A.C., Hall, J.E. (2002), Tratado defisiologia Médica. 10ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan SA. [4] Costanzo, L.S. (1999), Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan SA. [5] Biazzi, E.(2001), Diabetes: um guia prático. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. [6] Brasil: Ministério da Saúde.Disponível em:http:/www.saude.gov.br - acesso em 16/02/2009 às 19:30 [7] Pousada, J.M.D.C., Britto, M.M.S.(2004), Tratamento do Diabetes Mellito Tipo 1. In: Coronho V,Petroianu A, Tratado De Endocrinologia e Metabologia e Cirurgia Endócrin, (52):.6, p [8] Silva Junior, G.R., et al. (1999), Inter-relação de variáveis demográficas, terapêutica insulínica e controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus do tipo 1 atendidos em um hospital universitário. Arq Bras Endocrinol Metab,vol. 43, n.2,p [9] Goes, A.P.P., Vieira, M.R.R., Junior, R.R.L.(2007), Diabetes Mellitus tipo 1 no contexto familiar e social. Rev Paul pediatria,vol. 25, n.2, p [10] Almeida, H.G.G., et al. (1995), Avaliação dos conhecimentos teóricos dos diabéticos de um programa interdisciplinar. Rev Latino-Am Enfermagem, vol. 3, n.2, p [11] Daal antonia, C., Zanetti, M.L.(2000), Autoaplicação de insulina em crianças portadoras de diabetes mellitus tipo 1. Rev. latino-am. Enfermagem, vol. 8, n.3, p

5 [12] Santos, J.R., Enuno, S.R.F (2003), Adolescentes com Diabetes Mellitus tipo 1. Psicol. Reflex.Crit. vol.16, n.2,p

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