Filosofia política na Antiguidade romana: Cícero

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1 Filosofia política na Antiguidade romana: Cícero

2 As influências de Platão e Aristóteles no terreno da reflexão política foram marcantes tanto na Antiguidade como na Idade Média. A ideia de que a política tem como objetivo o bem comum, que em Platão seria a justiça e em Aristóteles a vida boa e feliz, orientou grande parte da reflexão política até hoje. Tempos depois, entre os filósofos romanos antigos, como Cícero e Sêneca, a teoria política passou a privilegiar a formação do bom príncipe, educado de acordo com as virtudes necessárias ao bom desempenho da função administrativa (embora na prática essa teoria tenha se revelado muitas vezes catastróficas). Essa concepção política do bom governante predominou no período medieval.

3 Cícero (Marcus Tullius Cícero a.c.)

4 Cícero, no livro Da República, apresenta um programa político ideal, atento aos problemas apresentados pela organização do Estado e às soluções possíveis para melhorar a política. A república é coisa do povo (do latim re, coisa, e publica, do povo ). O povo é constituído por homens associados por direito a partir de interesses que lhes são comuns. Segundo as diferentes constituições possíveis, a direção do Estado pode ser assumida por um homem, um grupo ou o próprio povo; trata-se, respectivamente, da monarquia, da aristocracia e da democracia. Mas cada um desses governos provoca dissenções ou mesmo

5 disfunções, que fragilizam o equilíbrio do poder. É preciso, sobretudo, evitar que esses regimes degenerem em tirania, oligarquia ou oclocracia (tirania do povo). O ideal seria um gênero misto, a fim de assegurar relativa estabilidade do poder. Entre as qualidades necessárias ao exercício do poder, além da forma moral, da saúde física e da inteligência, o dirigente deverá demonstrar previdência, sabedoria e perspicácia. Para que a cidade seja justa e honesta, é indispensável educar tanto o dirigente quanto o povo. Esse tratado de Cícero influenciou enormemente a ideologia imperial romana.

6 ROMA Ao longo de sua trajetória política, Roma experimentou diferentes formas de governo. Entre os séculos VI a.c. e I a.c., inaugurou um novo regime político que descentralizou as esferas do poder: a República. Durante a República, observamos a ascensão do Senado romano que era encarregado pelas questões legislativas, administrativas e militares do governo.

7 Características da República romana: - Domínio da política exercido pelos patrícios (donos de terras); - Através do controle do poder e das instituições políticas, os patrícios buscavam sempre se beneficiarem; - Sociedade escravista; - Voto baseado em rendas (censitário); - Ausência de democracia, pois embora os plebeus pudessem votar, o poder político dos patrícios era superior já que tinham muito mais renda; - Sociedade hierarquizada composta por: Patrícios (minoria com domínio político e econômico); equestres (comerciantes); plebeus (homens livres); clientes (agregados dos patrícios); escravos (maior camada social). - Sociedade patriarcal.

8 Respostas da Atividade 3, pág. 96, do Volume Filosofia 1. Por que é um modo de constituição particular de um povo que tem seu fundamento no consentimento jurídico (lei) e na utilidade social comum. Na república romana, os patrícios lideravam as decisões políticas relacionadas ao povo. 2. Não, pois se trata sempre da constituição de um grupo. 3. Consentimento jurídico e utilidade comum. 4. Sim. Povo: pessoas associadas numa forma de organização política; Estado: organização política instituída; governo: direção do Estado. 5. Critica as três monarquia, aristocracia e soberanias populares (democracias), afirmando que cada uma tem seus defeitos. Na monarquia, o governo fica apenas na mão de uma pessoa; na aristocracia, parte do povo está privado de ação; e na democracia, o que era justiça se torna injustiça porque os melhores não conseguem se destacarem e serem reconhecido em seu mérito.

9 República 1. Forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos. 2. Forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos(p.ex.: Poder Legislativo, Poder Executivo, Poder Judiciário). Dicionário Houaiss Etimologia res publica: negócios públicos dirigidos pelos patrícios ou cidadãos livres e iguais nascidos no solo de Roma; equivalente ao termo grego ta politiká.

10 República federativa do Brasil: Designação oficial do Brasil, que se refere à forma organização do Estado em federação (composto por determinado número de regiões com governo próprio, os Estados, unidas sob um governo federal) e república (indica que não é uma monarquia). No mundo contemporâneo, o oposto de República é monarquia. Mas é perigoso confundirmos República com democracia, ou dizer que regimes monárquicos são menos democráticos que os republicanos. Mesmo se considerarmos democracia como apenas a existência de eleições justas, periódicas e transparentes, veremos que nem toda República é democrática.

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