O PAPEL DO PROFISSIONAL DE RELAÄÅES INTERNACIONAIS NA SECRETARIA DE ESTADO DA ARTICULAÄÇO INTERNACIONAL

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÄ CRISTIANE LUIZA ZAGO O PAPEL DO PROFISSIONAL DE RELAÄÅES INTERNACIONAIS NA SECRETARIA DE ESTADO DA ARTICULAÄÇO INTERNACIONAL SÅo JosÇ 2004

2 CRISTIANE LUIZA ZAGO O PAPEL DO PROFISSIONAL DE RELAÄÅES INTERNACIONAIS NA SECRETARIA DE ESTADO DA ARTICULAÄÇO INTERNACIONAL RelatÉrio de ConclusÅo de EstÑgio apresentado como requisito parcial para a obtenöåo do tütulo de Bacharel em RelaÖáes Internacionais, na Universidade do Vale do ItajaÜ, Centro EducaÖÅo SÅo JosÇ. Orientadora: Prof.à M. A. Margibel Adriana de Oliveira. SÅo JosÇ 2004

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4 Dedico este trabalho aos meus pais, Jorge e Iracema, eternos incentivadores do meu saber e aos meus irmåos, NÑdia, Rojane e Gilson, pois, sem eles, minha vida nåo teria graöa.

5 AgradeÖo, inicialmente, ao SecretÑrio de Estado da Secretaria da ArticulaÖÅo Internacional, Sr. Roberto Colin, pela oportunidade do estñgio, pelo incentivo e por ter acreditado no meu potencial. Igualmente agradeöo ao SecretÑrio Adjunto, Sr. Roberto Timm, pelo apoio e pelas correöáes. Ao Consultor de Economia Internacional, Sr. Hans Kress, por ter me acolhido em sua consultoria. Assim como agradeöo tambçm a toda equipe de trabalho da Secretaria, em especial ao HercÜlio, â Luciane Santiago, â Luciana Brognoli, ao Maicon, â Rosa Beatriz, â Vanice, â Schirley e ao FÑbio. ä minha orientadora, professora M.A. Margibel Adriana de Oliveira, por ter aceitado o desafio. A toda minha famülia, pelo amor e dedicaöåo, especialmente âs minhas sobrinhas NatÑlia, Manuela e VictÉria e ao meu sobrinho Caio, pela felicidade e carinho que me passam. Aos amigos da turma: Dani, Gomercindo, Kelen, DÅo, BeÖa, China e Moacir, pelos momentos de descontraöåo e por terem compreendido a minha ausãncia a algumas jantas. Em especial ao Eliezer, pelo notebook, pelos CDés, pelas impressáes, pelo vai e vem que salvaram a minha vida! ä Regiane, pelo apoio e conselhos. äs minhas amigas ClÑudia, Jeane e Carina, pela amizade. äs minhas velhas amigas, D. Neusa, Eliane e Michele Fraga, por terem contribuüdo no meu crescimento profissional e se tornado amigas maravilhosas. Ao Gilberto Ramos, que, apesar da distència, sempre me apoiou. ä Rosie e Roy, pela temporada em Londres. Ao Diorni, por sempre alegrar os meus dias. Aos funcionñrios da UNIVALI, em especial, ao Felipe e Ricardo, pela compreensåo. Aos professores do curso de RI, que contribuüram para minha formaöåo. Em especial, ao professor Paulo Jonas Grando, pelas crüticas construtivas, ao professor Roberto Di Sena Junior, pelas contribuiöáes da prç-banca e banca final, igualmente ao professor Rolando Coto Varela. ä professora ClÑudia de Rost, pelas correöáes. Por fim, agradeöo a todos que contribuüram, direta ou indiretamente, para a realizaöåo deste trabalho.

6 Os modelos envelhecem, o conhecimento empärico, jamais. Paulo Vizentini

7 RESUMO O objetivo geral desse trabalho foi verificar uma opöåo de inseröåo do profissional de RelaÖáes Internacionais (RI) na Secretaria de Estado da ArticulaÖÅo Internacional (SAI) de Santa Catarina. Para tal constataöåo, foi realizado um estñgio, onde foi observada, de forma nåo participante, a evoluöåo histérica do projeto dos Nêcleos de Fomento âs ExportaÖáes Catarinenses alçm de ter sido efetuada pesquisa bibliogrñfica sobre o profissional de RI e a ComunicaÖÅo, para a fundamentaöåo teérica. Foi tambçm utilizado, para a coleta de dados, questionñrio aplicado aos egressos de RI da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC, para a identificaöåo das possüveis opöáes de inseröåo no mercado de trabalho desses egressos e uma entrevista com o SecretÑrio de Estado, o diplomata Roberto Colin, para a coleta de informaöáes sobre o projeto NUFEx. ApÉs, reuniu-se as informaöáes coletadas e foi feita a anñlise dos dados em conformidade com a teoria estudada. Concluiu-se que a SAI pode ser uma opöåo de posto de trabalho para os bacharçis em RI, por exigir, de seus funcionñrios, caracterüsticas que coincidem com as dos referidos profissionais, principalmente os que dominam a habilidade da comunicaöåo.

8 ABSTRACT The main objective of this research was to check the possibility of insertion for the International Relations (IR) professionals at the State Ministry of International Articulations (SIA) from Santa Catarina. In order to do that, it was completed a training, which was observed in a non participate way, the historical evolution of the project of Nucleus of Foment to Catarinenses Exports (NUFEx), besides, it was made a bibliographical research about the IR professionals and the Communication as theoretical background. It was also utilized, for the collected data, questionnaires applied to the IR egresses from UNIVALI of SÅo JosÇ/SC, to identify the possible alternatives of insert them in the job market and an interview with the Minister of State, the diplomat Roberto Colin, to collect information about the NUFEx project. After that, it was reunited all the collected information and it was done the analysis according to the studied theory. It was concluded that the SIA could be a job option for the IR egresses, because it needs specific characteristics that are the same found in a IR professionals, mainly the once who best master the communication skills.

9 LISTA DE ILUSTRAÄÅES FIGURA 1 Organograma FIGURA 2 O ato de comunicaöåo FIGURA 3 Esquema da comunicaöåo FIGURA 4 Barreiras no processo de comunicaöåo FIGURA 5 DivisÅo polütica atual do Estado de Santa Catarina FIGURA 6 Diagrama das Parcerias FIGURA 7 Diagrama das fontes para orientaöåo FIGURA 8 Diagrama das formas de divulgaöåo GRìFICO 1 Referente ao ano de conclusåo os egressos de RI GRìFICO 2 Referente â freqîãncia em cursos de especializaöåo GRìFICO 3 Referente âs alocaöáes dos egressos de RI GRìFICO 4 Referente â importència da comunicaöåo por parte dos egressos de RI... 47

10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BID Banco Interamericano de Desenvolvimento. BRIDA Banco Regional de Desenvolvimento e IntegraÖÅo. CEACEx Conselho Estadual de ArticulaÖÅo do ComÇrcio Exterior. CEPAL ComissÅo Econïmica para a AmÇrica Latina e o Caribe. FIESC FederaÖÅo das Indêstrias do Estado de Santa Catarina. FMI Fundo MonetÑrio Internacional. FUNCEX - FundaÖÅo Centro de Estudos do ComÇrcio Exterior. MERCOSUL Mercado Comum do Sul. MPEs Micro e Pequenas empresas. NUFEx Nêcleos de Fomento â ExportaÖÅo. OEA OrganizaÖÅo dos Estados Americanos. OMC OrganizaÖÅo Mundial do ComÇrcio. ONGés OrganizaÖáes nåo-governamentais. ONU OrganizaÖÅo das NaÖáes Unidas. OPEP OrganizaÖÅo dos PaÜses Produtores e Exportadores de PetrÉleo. PIB Produto Interno Bruto. PUC PontifÜcia Universidade CatÉlica. RI RelaÖáes Internacionais. SAI Secretaria de Estado da ArticulaÖÅo Internacional. SDRs Secretarias de Desenvolvimento Regional. SEBRAE ServiÖo Brasileiro de Apoio âs Micro e Pequenas Empresas. SECEX Secretaria de ComÇrcio Exterior. UNB Universidade de BrasÜlia. UNIVALI Universidade do Vale do ItajaÜ. USP Universidade de SÅo Paulo. UNESP Universidade Estadual Paulista.

11 SUMÉRIO RESUMO... ABSTRACT... LISTA DE ILUSTRAñóES... LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS INTRODUñòO APRESENTAñòO E CARACTERIZAñòO DA INSTITUIñòO OFERTANTE DO ESTìGIO AS RELAñóES INTERNACIONAIS: O PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO A COMUNICAñòO: SUA IMPORTôNCIA PARA O PROFISSIONAL DE RELAñóES INTERNACIONAIS Breve histérico sobre a ComunicaÖÅo Conceitos de ComunicaÖÅo Elementos da ComunicaÖÅo Feedback Barreiras â ComunicaÖÅo ComunicaÖÅo ascendente, descendente e horizontal DESCRIñòO DAS ATIVIDADES OBSERVADAS NO ESTìGIO ANìLISE DOS RESULTADOS SUGESTóES E RECOMENDAñóES... 49

12 CONSIDERAñóES FINAIS REFERöNCIAS... APöNDICES... ANEXOS

13 INTRODUÄÇO O fim da Guerra Fria, a abertura dos mercados, o avanöo tecnolégico das informaöáes e das comunicaöáes vãm contribuindo a cada dia para a formaöåo e transformaöåo do cenñrio global, o chamado fenïmeno da globalizaöåo, o qual jñ Ç estudado de vñrios èngulos e por diversos autores. Pode-se dizer que o campo de trabalho do bacharel em RelaÖáes Internacionais (RI) Ç uma das conseqåçncias desse mundo globalizado, devido aos novos postos de trabalho que surgiram e continuam a aparecer com esse fenïmeno, principalmente no èmbito internacional. Entretanto, tal profissional nåo possui caracterüsticas definidas, visto que a depender da instituiöåo de onde ele se graduou, terñ tendãncia a saber mais sobre comçrcio internacional ou diplomacia, por exemplo. Tampouco existe um nicho de mercado de trabalho especüfico aos profissionais de RI. Isso se deve â multidisciplinaridade encontrada na maioria dos cursos de graduaöåo da Ñrea em queståo, fazendo com que acadãmicos, mestres e empregadores compartilhem da dificuldade de se chegar a um consenso no que diz respeito ao perfil profissiogrñfico do bacharel em RI. A partir dessa constataöåo preliminar, pode-se dizer que o problema desta pesquisa Ç a inexistãncia de uma definiöåo adequada dos possüveis campos de atuaöåo de um bacharel em RI. Nesse sentido, uma possibilidade de inseröåo desse profissional pode ser, na esfera pêblica, em setores de assuntos internacionais, exigidos cada vez mais devido ao contexto global contemporèneo. Como exemplo, apresenta-se a Secretaria de ArticulaÖÅo Internacional (SAI), do Governo do Estado de Santa Catarina, a subsecretaria de Assuntos Internacionais, do Governo do Estado de Minas Gerais e, tal estrutura pode ser encontrada, atç mesmo, em municüpios, como Ç o caso de SÅo Paulo, que possui uma Secretaria Municipal de RelaÖáes Internacionais. Dessa forma, para que fosse constatada tal hipétese, o estñgio foi realizado na Secretaria de Estado da ArticulaÖÅo Internacional de Santa Catarina. Durante tal perüodo foi observado o avanöo histérico do projeto dos Nêcleos de Fomento âs ExportaÖáes (NUFEx) o qual serñ apresentado no capütulo 4, a ser implantado nas Secretarias de Desenvolvimento Regionais (SDRs).

14 Assim, o objetivo geral da pesquisa foi verificar uma opöåo de inseröåo do profissional de RelaÖáes Internacionais na Secretaria de Estado da ArticulaÖÅo Internacional. Quanto aos objetivos especüficos, compreendiam: 1) constatar o interesse da SAI em ter bacharçis em RelaÖáes Internacionais como participantes do projeto NUFEx; 2) identificar as possüveis opöáes de inseröåo no mercado de trabalho dos egressos de RelaÖáes Internacionais da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC; e 3) verificar se a comunicaöåo Ç considerada, por parte dos egressos de RI da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC e da SAI, como a principal habilidade que estes devem dominar. No que diz respeito â metodologia e aos mçtodos cientüficos utilizados nesta investigaöåo foi de natureza exploratéria, ou seja, objetivou proporcionar uma visåo geral das caracterüsticas e do mercado de trabalho de um bacharel em RelaÖáes Internacionais. Segundo Gil (1999, p. 43), este tipo de pesquisa Ç realizado especialmente quando o tema escolhido Ç pouco explorado e torna-se difücil sobre ele formular hipéteses precisas e operacionalizñveis. Quanto ao mçtodo de abordagem utilizado foi o indutivo. De acordo com Gil (1999, p. 28), esse mçtodo parte do particular e coloca a generalizaöåo como um produto posterior do trabalho de coleta de dados. Dessa forma, para apontar as possüveis opöáes de inseröåo no mercado de trabalho para os bacharçis de RI da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC, utilizou-se a Teoria da ComunicaÖÅo como sustentaöåo das demais Ñreas em que esse profissional RI pode atuar. Com referãncia â coleta de dados da pesquisa, foram utilizados trãs instrumentos de coleta, a saber: (i) questionñrio, com perguntas abertas, aplicado aos egressos do curso de RI da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC; (ii) entrevista nåo estruturada, com o Diplomata Roberto Colin, SecretÑrio de Estado da SAI e supervisor do estñgio; e (iii) observaöüo nüo-participante, cujo pesquisador presencia o fato, mas nåo participa dele; nåo se deixa envolver pelas situaöáes; faz o papel de espectador. (LAKATOS e MARCONI, 1991, p. 193), ou seja, a estagiñria se integrou â equipe designada para desenvolver o projeto NUFEx, mas nåo se envolveu nas decisáes quanto aos procedimentos do mesmo, deixando apenas suas sugestáes em capütulo distinto. Segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 193), isso, porçm, nåo quer dizer que a observaöåo nåo seja consciente, dirigida, ordenada para um fim determinado. Por fim, para analisar os dados coletados, utilizou-se da abordagem quali-quantitativa, com predominència quantitativa, uma vez que os resultados foram observados em seu aspecto global e individual e, posteriormente, apresentados sob a forma grñficos. 13

15 Assim, organizou-se este trabalho, da seguinte forma: no capütulo 1, apresenta-se e caracteriza-se a instituiöåo ofertante e o estñgio; no capütulo 2, trata-se do tema das RelaÖáes Internacionais, o profissional e o mercado de trabalho; no capütulo 3, evidencia-se, em linhas gerais, a Teoria da ComunicaÖÅo; no capütulo 4, descrevem-se as atividades do estñgio; no capütulo 5, såo analisados os dados coletados; e, por êltimo, o capütulo 6, destina-se âs sugestáes e recomendaöáes. 14

16 1 APRESENTAÄÇO E CARACTERIZAÄÇO DA INSTITUIÄÇO OFERTANTE DO ESTÉGIO O estñgio realizou-se na Secretaria de Estado da ArticulaÖÅo Internacional 1, localizada na sede do Governo do Estado de Santa Catarina, situada â rodovia SC 421 Km 5, nõ 4.600, bairro Saco Grande II, FlorianÉpolis. A SAI foi criada pela geståo atual do Governo Luiz Henrique da Silveira com o intuito de acompanhar as transformaöáes do cenñrio mundial contemporèneo. Nesse sentido, constatou-se que, pela primeira vez, na histéria do Estado, as relaöáes internacionais såo contempladas por uma estrutura organizacional com a funöåo de identificar e articular as oportunidades internacionais de cooperaöåo, comçrcio, atraöåo de investimentos e inovaöáes tecnolégicas que habilitem o Estado a atingir novos patamares de competitividade econïmica e de qualidade de vida (SECRETARIA DE ESTADO DA ARTICULAñòO INTERNACIONAL, p. 5). Essa Secretaria estñ dividida em duas consultorias: uma de RelaÖáes Internacionais, que coordena a Ñrea de integraöåo do Mercosul, cooperaöåo internacional e defesa comercial; e outra de Economia Internacional, que coordena os projetos de comçrcio internacional, desenvolve pesquisas e avaliaöáes de mercado internacional, acompanha e recebe missáes comerciais e empresariais e promove capacitaöåo de empresñrios na Ñrea internacional e de agentes de comçrcio exterior em parceria com o MinistÇrio do Desenvolvimento da Indêstria e ComÇrcio Exterior (MDIC). No organograma a seguir, observa-se que, alçm de possuir o cargo de SecretÑrio Adjunto, de Oficial de Gabinete, de Tradutor, de Assistente, a SAI ainda apresenta, na sua estrutura organizacional, o Conselho Estadual de ArticulaÖÅo do ComÇrcio Exterior (CEACEx), um ÉrgÅo de deliberaöåo coletiva, destinado a orientar e coordenar a polütica estadual de comçrcio exterior, visando â inseröåo competitiva de produtos e serviöos catarinenses no mercado internacional, conforme Lei Estadual nõ / Ressalta-se ainda que cada setor possui seu corpo administrativo que auxilia a SAI nas execuöáes das tarefas diñrias. 1 Ver anexo A, referente â Lei Estadual sobre as atribuiöáes dessa Secretaria. 2 Ver anexo B para a Üntegra da Lei. 15

17 Local do estñgio Figura 1 Organograma Fonte: <www.sai.sc.gov.br> Acesso em: 06/10/2004. Ao demonstrar interesse em inserir a participaöåo acadãmica junto aos trabalhos desenvolvidos pela SAI, a Secretaria vem firmando convãnios com universidades, a fim de incentivar e promover essa prñtica, buscando relacionar o conhecimento teérico com as necessidades do seu mercado de trabalho. Nesse sentido, a SAI tomou a iniciativa de abrir espaöo para que esses profissionais pudessem pïr em prñtica o que aprenderam em teoria, gerando um estreitamento com as academias e ressaltando o seu interesse na produöåo cientüfica. Dessa forma, todas as partes saem beneficiadas: organizaöáes, comunidade acadãmica e comunidade em geral. Entretanto, tal abertura proporcionou, inicialmente, a inseröåo de acadãmicos somente na Sede do Governo Estadual, especificamente na SAI. Portanto, com base nas palavras do ExcelentÜssimo SecretÑrio de Estado da SAI, o diplomata Roberto Colin, que apontou o projeto NUFEx como um dos mais importantes da Secretaria, resolveu-se priorizñ-lo e defini-lo como alvo principal das atividades do estñgio, 16

18 desenvolvidas, dessa forma, na Consultoria de Economia Internacional, setor este responsñvel pelo projeto em queståo. Dessa maneira, para se verificar o interesse da SAI em ter bacharçis de RI atuando no NUFEx, Ç necessñrio abordar a temñtica das RelaÖáes Internacionais, apontando as caracterüsticas desse profissional e descrevendo as suas possüveis Ñreas de atuaöåo, tema este, do capütulo a seguir. 17

19 2 AS RELAÄÅES INTERNACIONAIS: O PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO As RelaÖáes Internacionais jñ såo praticadas hñ centenas de anos, considerando que, desde a Antigîidade ClÑssica, havia contatos e acordos entre cidades, principados e reinos. Todavia, as visáes interpretativas das RI modificaram-se com o passar dos tempos, assim como seu objeto de estudo e sua importència. As RelaÖáes Internacionais såo um dos campos de conhecimento multidisciplinar da Ñrea das Ciãncias Sociais Aplicadas. Costuma-se afirmar que essa Ñrea Ç decorrente de disciplinas mais antigas como Ciãncia PolÜtica, Economia, Direito, AdministraÖÅo, Sociologia e Diplomacia, mas com enfoque voltado para o èmbito internacional. Assim, pode-se dizer que a multifuncionalidade caracteriza o profissional de RelaÖáes Internacionais, por possuir, na matriz curricular do curso que o forma, uma diversificada gama de disciplinas, que vai desde noöáes de direito, economia e marketing, passando por filosofia, antropologia, atç as teorias das RI, diplomacia, polütica externa, comçrcio internacional, lünguas estrangeiras e comunicaöåo empresarial. Desse modo, Halliday (1999, p ), definiu as RelaÖáes Internacionais de forma clara e simples. Para o autor, o objeto de estudo das RI abrange trãs formas de interaöåo: as relaöáes entre os Estados, as nåo-estatais e as operaöáes do sistema como um todo, dentro do qual os Estados e as sociedades såo os principais componentes. JÑ para Strenger (1998, p ), os Estados såo os principais atores das RelaÖáes Internacionais, atuando como representantes do povo, com o objetivo de alcanöar equilübrios de convivãncia, operados pelas regras do direito internacional. Todavia, para Oliveira (2001, p ), nem todas as relaöáes que ultrapassam fronteiras, podem ser consideradas objeto de estudo das relaöáes internacionais contemporèneas, somente as que possuem relevante importència desse èmbito internacional. Assim, pode-se definir RelaÖáes Internacionais como qualquer contato relevante com o exterior, por meio de atores pêblicos, privados ou nåo-governamentais. Nesse sentido, questiona-se: qual Ç o papel do profissional das RelaÖáes Internacionais no contexto atual? 18

20 Ainda nåo hñ uma identificaöåo formal desse profissional, como ocorre com as ciãncias mais antigas como Direito, Medicina e AdministraÖÅo. Apesar de jñ ter havido uma proposta para tal regulaöåo, nåo consta, atç o momento, que esse ato tenha sido levado adiante, ou melhor, aprovado. Isso causa inseguranöa por parte de alguns acadãmicos, uma vez que estes nåo contam com a formalizaöåo da profissåo, ou seja, nåo existe atualmente uma entidade de classe que represente essa formaöåo. Isso fragiliza tambçm a conquista do espaöo no mercado de trabalho por esses profissionais, pois nåo hñ um delineamento de suas funöáes, assim como, talvez, nåo seja possüvel conseguir constituir um grupo formal que lute e defenda os mesmos objetivos e interesses. Por outro lado, â exceöåo daquelas profissáes regulamentadas e reservadas a um cürculo de especialistas registrados, como advogados, mçdicos, administradores, as atividades desempenhadas por um egresso em ciãncias sociais, como economia, histéria, comunicaöåo podem, tambçm, ser desempenhadas por um profissional de RI, sobretudo se ele combinar com uma especializaöåo ou atç mesmo com outro curso de graduaöåo (ALMEIDA, 2002, p. 248). Acerca disso, o autor (2002, p. 244) destaca ser desnecessñria e, atç mesmo, indesejada tal regulamentaöåo profissional, uma vez que seria uma maneira de manter a adequada flexibilidade do mercado laboral e propiciar uma demanda adaptada a um maior espectro de capacidades intelectuais e acadãmicas. Em outras palavras, as exigãncias feitas ao profissional em RI såo tåo variadas quantas såo as possibilidades diversificadas de emprego hoje existentes no Brasil e exterior. Desse modo, a prñtica profissional do bacharel em RI se abre para um amplo mercado de oportunidades, visto que Ç notério o aumento da demanda por profissionais dessa Ñrea, capazes de integrar as perspectivas econïmica, social e polütica em termos internacionais e identificar oportunidades, avaliar riscos, planejar e executar aöáes internacionais. AlÇm disso, com o fim das duas Grandes Guerras e o inücio da Guerra Fria, houve a necessidade de se formarem pessoas que soubessem compreender e analisar as modificaöáes do cenñrio internacional. Assim, o curso de RelaÖáes Internacionais comeöou a ser lecionado na Europa e nos Estados Unidos por volta de No Brasil, o primeiro curso instituüdo com o tütulo de RelaÖáes Internacionais foi o da Universidade de BrasÜlia (UNB), em 1974, criado, inicialmente, para preparar ao ingresso da carreira diplomñtica. Logo apés, em 1981, foi a vez da Universidade EstÑcio de SÑ, no Rio de 19

21 Janeiro, com ãnfase no ComÇrcio Internacional. Depois vieram muitos outros, em conseqîãncia da demanda e da aposta numa expectativa positiva em relaöåo â nova profissåo, como exemplos citam-se a PontifÜcia Universidade CatÉlica de Minas Gerais (PUC/MG), que criou o curso de RI em 1996, a Universidade do Vale do ItajaÜ (UNIVALI), que iniciou em 1997 e a Universidade de SÅo Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (UNESP) que cunharam seus cursos no ano de Todos esses novos cursos såo embasados na demanda atual criada pelos novos arranjos sociais, polüticos e econïmicos da era internacional. Desde o inücio da dçcada de noventa, o estudo das relaöáes internacionais tem passado por um processo de expansåo contünua em todo o Brasil. O aprofundamento teérico dessa Ñrea, sua transformaöåo em campo especüfico de reflexåo acadãmica e prñtica profissional tem acontecido em um ambiente marcado pela crescente importència do sistema internacional tanto para as polüticas de vñrios Estados, quanto para a atuaöåo de empresas privadas e de organizaöáes nåo-governamentais. A prépria carreira diplomñtica, antes procurada, majoritariamente, pelos egressos dos cursos de Direito, Economia e HistÉria, hoje tambçm Ç muito requisitada por egressos dos cursos de RI, por este oferecer uma fundamentaöåo multidisciplinar capaz de preparar o candidato para as atuaöáes internacionais demandadas pela carreira. Intencionalmente, a inicial preocupaöåo dos cursos de RI era preparar o egresso para auxiliar os agentes de Estado na formulaöåo e implementaöåo das polüticas exteriores, exercendo o papel de crütico e interlocutor do poder pêblico na preparaöåo de sua inseröåo internacional, ou melhor, um diplomata. Com a recente abertura dos mercados, principalmente por parte dos paüses em desenvolvimento, o contexto internacional modificou-se, fortalecendo as relaöáes entre atores privados e, conseqîentemente, abrindo espaöo no mercado de trabalho para esses profissionais, que agora nåo se limitam apenas â esfera governamental, mas sim assumem posiöáes em organizaöáes privadas e nåo-governamentais. Nos dias atuais, pode-se perceber que nåo Ç somente por meio do MinistÇrio das RelaÖáes Exteriores que as relaöáes entre paüses estrangeiros acontecem, pois, com o crescente modelo de descentralizaöåo polütica dos Estados, o papel de um bacharel em RI se torna mais demandado e conhecido, por ele ser um profissional capaz de entender e atuar em uma nova conjuntura internacional, as autarquias pêblicas, como prefeituras, Secretarias de Estado, outros ministçrios, assim como empresas privadas e organizaöáes 20

22 internacionais passam a estabelecer relaöáes com o estrangeiro por si mesmas e nåo apenas atravçs dos centros diplomñticos. Almeida (2002, p ) destaca trãs grandes Ñreas de atuaöåo para os bacharçis em relaöáes internacionais: governamental, acadãmica e privada. O autor destaca que as tarefas especüficas iråo depender do entorno e do contexto laboral, mas, em todas as Ñreas, a atividade Ç geralmente dominada pelo processo da informaöåo. Afinal, conforme o autor, esse profissional, antes de mais nada, Ç um processador de informaöáes, ou seja, capaz de digerir massas de insumos externos e produzir volumes de soluöáes possüveis aos problemas que såo colocados âs suas instituiöáes (grifos do autor). Assim, pode-se afirmar que o profissional em RI jñ conquistou seu espaöo no mercado de trabalho e cabe, agora, aos egressos e mestres comprometidos com o curso em queståo, darem continuidade aos estudos da Ñrea e assegurarem esse espaöo, demonstrando suas habilidades e competãncias. Necessita-se, tambçm, que as universidades faöam a promoöåo do curso, incentivando seus alunos â prñtica, buscando parcerias com organizaöáes pêblicas, privadas e nåo-governamentais que pretendam empregar esse profissional e impulsionem a pesquisa cientüfica na Ñrea. Dessa forma, apés ter-se analisado o perfil profissiogrñfico de cinco universidades (EstÑcio de SÑ/RJ, PUC/MG, PUC/SP, UNB/DF e UNIVALI/SC), escolhidas aleatoriamente, destacam-se as Ñreas, a seguir, como preferenciais aos egressos de RI, uma vez que esses profissionais reênem atributos essenciais para o desempenho de tais funöáes: a) Da tradicional diplomacia, que, no Brasil, envolve o exame de ingresso no Itamaraty; b) Da crescente necessidade dos governos Estaduais e Municipais de terem assessoria internacional, por conta dos processos que envolvem o estrangeiro e do aumento da mobilidade do capital; c) Das Cèmaras de ComÇrcio, Consulados e Embaixadas estrangeiras, que prestam assessoria a respeito da atuaöåo polütica e comercial do Brasil no contexto internacional; d) Dos sindicatos patronais e de trabalhadores, que buscam se adequar âs mudanöas no plano internacional, elaborando estudos, estratçgias e projetos de cooperaöåo; e) De OrganizaÖáes NÅo-Governamentais e Intergovernamentais, que atuam em diversos paüses; 21

23 f) De assessoria tçcnica em Organismos Internacionais, tais como a OrganizaÖÅo dos Estados Americanos (OEA), a OrganizaÖÅo das NaÖáes Unidas (ONU), o Fundo MonetÑrio Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a OrganizaÖÅo Mundial do ComÇrcio (OMC), ou entåo nas burocracias constituüdas para o funcionamento dos blocos econïmicos regionais, por exemplo, como jñ acontece na UniÅo EuropÇia; g) Dos ÉrgÅos de comunicaöåo e entretenimento, com destaque para a Internet e os cadernos internacionais de jornais e revistas; h) Da atuaöåo em departamentos das empresas vinculados diretamente â queståo internacional; i) Como autïnomo, prestando consultoria internacional a entidades pêblicas, privadas ou nåo-governamentais; j) Por fim, a prépria Ñrea acadãmica. O curso de RI vislumbra, portanto, formar um profissional que possa atuar como pesquisador, professor, conselheiro, assessor, consultor ou executor nas mais diversas instituiöáes, pêblicas, privadas ou nåo-governamentais. A partir desse levantamento constatou-se que muitas universidades, dentre as disciplinas do seu nêcleo comum, incluüram em sua matriz curricular, a disciplina de comunicaöåo empresarial (tambçm denominada de ComunicaÖÅo Organizacional, Corporativa ou ainda Institucional, ou seja, ela nåo possui apenas um carñter privado), com o objetivo, por exemplo, de oportunizar a aprendizagem de estratçgias para a superaöåo das barreiras â comunicaöåo, construindo um perfil mais adequado do profissional de RI e desenvolvendo habilidades de relacionamento interpessoal que iråo aferir âs suas caracterüsticas uma contribuiöåo relevante dados esses extraüdos do Plano de Ensino dessa disciplina do Curso de RI da UNIVALI/SJ - semestre 2000/2 e 2001/1. Nesse sentido, por exemplo, para que o profissional de RI otimize um processo de negociaöåo, aprenda um idioma estrangeiro, redija um acordo entre dois paüses ou atue como um diplomata, ele deveria possuir como elemento articulador a boa comunicaöåo. Assim, apresentase a seguir, tépico relacionado a essa Ñrea de estudo, a fim de complementar o entendimento inicial dado sobre esta queståo no curso de RI da UNIVALI de SÅo JosÇ/SC e por se acreditar na 22

24 comunicaöåo como a base sustentadora e articuladora das demais disciplinas apreendidas no decorrer do processo acadãmico. 23

25 3 A COMUNICAÄÇO: SUA IMPORTáNCIA PARA O PROFISSIONAL DE RELAÄÅES INTERNACIONAIS A comunicaöåo pode ser considerada a vinculaöåo para o desenvolvimento de um quadro de referãncias comuns a todos os colaboradores de uma organizaöåo e, conseqîentemente, na consolidaöåo da identidade da mesma, jñ que, quando existe uma linguagem comum de comunicaöåo entre as hierarquias, os equüvocos se reduzem consideravelmente, proporcionando, assim, uma constante eficñcia nos trabalhos realizados. Por isso, o ato comunicativo nåo pode ser reduzido a um conjunto de canais por meio dos quais circulam as informaöáes, mas sim deve ser compreendido e empregado por todos na sua melhor forma e, principalmente, que essa seja de conhecimento, compreensåo e utilizaöåo comum. Assim, diz-se que, em um ambiente mais democrñtico e de compromisso entre as equipes e entre essas e seus superiores, com deliberaöáes conjuntas, poderñ se obter, com isso, a reduöåo ou atç mesmo, atenuar os conflitos. Desse modo, para averiguar a importència da comunicaöåo, serñ apresentado um breve histérico, sua evoluöåo atravçs dos tempos, apés, seråo abordados os conceitos da comunicaöåo por vñrios autores, os elementos do processo de comunicaöåo, o feedback, as barreiras, assim como ocorrem os fluxos da comunicaöåo, ou seja, descendente, ascendente e horizontal. 3.1 Breve histàrico sobre a ComunicaÖÜo A comunicaöåo pode se realizar de vñrias formas. As principais såo trãs: gestual, oral e escrita; as quais, por sua vez, misturam-se entre si, formando, dessa maneira, formas conjugadas de comunicaöåo, por exemplo, quando se cnjuga a fala com os gestos. A seguir, serñ abordado, em linhas gerais, o avanöo histérico da comunicaöåo, ou melhor, como ela progrediu com o passar dos anos. 24

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