ENSAIOS DO IEEI. Número 4 OS ESTUDOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NA OBRA DE GILBERTO DUPAS TULLO VIGEVANI PETER DEMANT CLODOALDO BUENO

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1 ENSAIOS DO IEEI Número 4 OS ESTUDOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NA OBRA DE GILBERTO DUPAS TULLO VIGEVANI PETER DEMANT CLODOALDO BUENO São Paulo, abril de 2010

2 ENSAIOS DO IEEI O Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI-UNESP) é um centro multidisciplinar de análises e pesquisas sobre as questões econômicas e internacionais, congregando especialistas de diversas áreas para promover e enriquecer o debate dessas questões, produzir e divulgar trabalhos e promover parcerias com entidades públicas e privadas nas diversas atividades pertinentes ao seu objeto de atuação. URL: Publicação que objetiva divulgar os resultados dos estudos realizados pelos membros do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais. Conselho Editorial Andrés Serbin (CRIES/Argentina) Carlos E. Lins da Silva (IEEI-UNESP) Carlos Oliva Campos (UH/Cuba) Clodoaldo Bueno (IEEI-UNESP) Feliciano Garcia Aguirre (UV/México) Gary Prevost (Stjohns/EUA) Harry Vanden (USF/EUA) Lenina Pomeranz (USP e IEEI-UNESP) Luis Fernando Ayerbe (IEEI-UNESP) Marcos Cordeiro (IEEI-UNESP) Marta Loza (UDG/México) Sandra Colombo (UNICEN/Argentina) Tullo Vigevani (IEEI-UNESP) As opiniões divulgadas nesta publicação são de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es). É permitida a reprodução, desde que seja citada a fonte. ISSN

3 ENSAIOS DO IEEI Número 4 OS ESTUDOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NA OBRA DE GILBERTO DUPAS 1 TULLO VIGEVANI 2 PETER DEMANT 3 CLODOALDO BUENO 4 São Paulo, abril de Os textos presentes nesse ensaio são o resultado da Jornada Temática Os estudos das relações internacionais na obra de Gilberto Dupas, realizada pelo IEEI-UNESP em 01/10/ Professor da UNESP, pesquisador do CEDEC e do INCT-INEU, integra o IEEI. 3 Professor-doutor no departamento de História da USP, lecionando Relações Internacionais e História da Ásia. 4 Professor Titular da UNESP, docente do PPGRI San Tiago Dantas, membro efetivo do IEEI.

4 SUMÁRIO Gilberto Dupas ( ) 5 Tullo Vigevani O estudo das relações internacionais na obra de Gilberto Dupas 16 Peter Demant Os novos atores e seus efeitos nas relações internacionais: a contribuição de Gilberto Dupas 23 Clodoaldo Bueno 4

5 Gilberto Dupas ( ) Tullo Vigevani Gilberto Dupas morreu em São Paulo em 17 de fevereiro de Nascera em 30 de janeiro de 1943, em Campinas. No dia 1 de outubro de 2009 o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), integrado à Universidade Estadual Paulista (UNESP), fundado pelo próprio Dupas em 2000, organizou uma sessão de homenagem a ele, ocasião em que tomaram a palavra Peter Demant e Clodoaldo Bueno, e também quem assina esse texto. Agora, ao escrever, passou mais de um ano desde o seu desaparecimento. Logo após a sua morte, depois de uma rápida doença, câncer do pâncreas, que enfrentou de forma extremamente corajosa, de peito aberto, não aceitando curas invasivas que a essas alturas já não resolveriam, como escreveu em artigo no O Estado de São Paulo, inúmeras manifestações houveram, particularmente em São Paulo. Dupas foi ativo e enérgico até o último respiro. No quarto do Hospital Albert Einstein, antes de ir para sua casa, ao lado de Margarida e dos três filhos, onde morreu, ainda telefonava a amigos e colegas discutindo as questões que o haviam interessado ao longo da vida: política brasileira, relações internacionais, política de desenvolvimento, questões institucionais nas quais estava intensamente envolvido, segundo lembraram, em primeiro lugar, Margarida Dupas e Lenina Pomeranz. No enterro e na missa de sétimo dia, celebrada na Igreja de São Domingos, em Perdizes, fizeram-se presentes inúmeros intelectuais, profissionais, políticos, sobretudo muitos amigos, que com ele haviam compartilhado experiências e ideias, com ele haviam concordado ou discordado. Em ocasião do lançamento de livro resultado de uma pesquisa desenvolvida no IEEI (Uma nação com alma de Igreja, 2009), coordenado por Carlos Eduardo Lins da Silva, o governador José Serra, em texto muito pessoal lido por Marcos Gasparian, relembrou os tempos de Escola Politécnica, onde muitos de nós convivemos, ao menos até o golpe de estado de abril de Serra relembrou velhas militâncias, na Juventude Universitária Católica, na Ação Popular. Lembrou o papel de Dupas no IPEA, destacou seu papel no governo Franco Montoro, como vice-presidente do Banespa, Presidente da Caixa Econômica Estadual e depois como secretario da Agricultura. Dupas havia pronunciado o discurso de formatura dos engenheiros de sua turma, formados em 1966, ao lado do paraninfo Dom Helder Câmara. Em outubro de 2009, por iniciativa do 5

6 governador, foi atribuído o nome do Professor Gilberto Dupas a uma Escola Municipal de Ensino Fundamental pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim o condecoraram post-mortem, com o título de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco. Dupas foi importante interlocutor dos formuladores da política exterior do Brasil, nos diferentes governos democráticos, pensando de forma universalista e voltado aos interesses brasileiros. Também post-mortem, Dupas recebeu do Cônsul Geral da França, em nome do Presidente da República francesa, a condecoração da Ordre National de La Legion D Honneur, homenagem da qual havia tomado conhecimento, mas sem condições para recebê-la pessoalmente. O que queremos destacar com maior ênfase, ao discutir a ação de Gilberto Dupas, é o seu papel de intelectual público e de democrata convicto, talhado para o diálogo franco, para a polêmica, inclusive para a crítica dura, utilizando o recurso do prendere in giro, com o que fustigava alguns de seus melhores amigos. Dupas foi um profissional e um intelectual amplamente escutado pelo Partido da Social Democracia Brasileira mas também pelo Partido dos Trabalhadores, como antes havia sido pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Era ouvido com interesse por empresários, industriais, banqueiros, por sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores. Insistimos nestes aspectos porque se trata de característica incomum no Brasil do final do século XX e início do século XXI. Foi interlocutor ouvido por diferentes governos, fase que se iniciou ainda antes da eleição de Tancredo Neves e José Sarney e continuou até sua morte, passando pelos governos Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. Margarida Dupas lembra que ele conversou em Belo Horizonte com Tancredo Neves, quando este era governador, preparando-se para o cargo de Presidente, contribuindo para a elaboração das ideias que iriam ser as do primeiro governo civil depois de 20 anos de regime militar. Um fato significativo e militante: Dupas foi um dos idealizadores e o executor direto do painel das Diretas Já colocado no Vale do Anhangabaú em São Paulo. Contribuiu continuamente com ideias nos campos de economia, sobretudo de relações exteriores nos últimos 20 anos. Como ele sempre lembrava, nos meios intelectuais dialogou e colaborou com o CEBRAP, com o CEDEC, com o IDESP. Coisa excepcional, não sendo professor de carreira, colaborou intensamente com a USP, especificamente com o Instituto de Estudos Avançados, participando de seu conselho e coordenando sua área de relações internacionais na década de 1990, e com o 6

7 Instituto de Relações Internacionais. Concebeu e coordenou o Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (GACINT) a partir de No último período de vida, de 2005 a 2009, colaborou com a UNESP, onde era professor do Curso de Especialização em Negociações Econômicas Internacionais do Programa de Pós Graduação em Relações Internacionais da UNESP, UNICAMP e PUC/SP. Suas relações com o mundo acadêmico de diferentes países foram intensas, tendo contribuído com inúmeras universidades brasileiras, como a FGV/SP, e do exterior, onde inclusive foi professor visitante na Paris II e da Universidade Nacional de Córdoba. Fundou em 2000 o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, para cuja incorporação à UNESP trabalhou no último ano de vida. Particularmente relevante é sua atuação ao longo de anos, até sua morte, como Editor de Política Externa, compartilhando com Celso Lafer, seu grande amigo, a tarefa. A preparação da revista, seu pluralismo, a incessante busca de consolidá-la como momento de cruzamento de ideias diferentes, certamente foi uma preocupação contínua. Dupas passa a participar de seu Conselho Editorial em junho de A partir do nº 4, volume 8, de março de 2000, ele, juntamente com Celso Lafer, tornam-se os editores, trabalho que se mantém incessantemente até o nº 4, volume 16, de março de 2008, quando apenas Dupas permanece na qualidade de editor. O último número a levar sua assinatura é o nº 4, volume 17, de março de 2009, em virtude de sua morte. Carlos Eduardo Lins da Silva, editor-adjunto, é quem assume o cargo vazio em virtude da morte. As relações de Gilberto Dupas com Fernando Gasparian, da Editora Paz e Terra, facilitaram esse trabalho. Dupas também teve forte relacionamento com a Editora da UNESP. Não é nosso objetivo aqui discutir a biografia de Dupas, mas ressaltar a qualidade de intelectual público e de democrata convicto. Faremos algumas observações sobre sua produção intelectual, ressaltando sua formação humanista, seu interesse agudo por tudo o que é humano. Dupas teve nos últimos vinte e cinco anos, a partir de meados dos anos oitenta, coincidindo com a redemocratização, até a sua morte, influência no debate público brasileiro. O peso que alcançaram suas ideias resulta de suas pesquisas, de seus livros, de seus artigos na imprensa, de sua participação na mídia, sua presença em O Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo, nos debates e entrevistas na Globo News. Suas posições críticas, irônicas às vezes, seu desencanto, muitas vezes, com o politicamente correto refletem a singularidade de suas posições. 7

8 Ainda que de modo extremamente fino e articulado, mostrou que não tinha medo de desagradar aos poderosos de todas as partes. Nos últimos vinte anos, de 1990 em diante, conseguiu estabelecer diálogo com diferentes correntes, possibilitando intercâmbios não marcados pela extrema ideologização ou pela lógica do pertencimento a uma ou a outra facção. Talvez nisso aprendendo de Franco Montoro, antes dele de Oscar Pedroso d Horta, políticos paulistas com essa capacidade. Trata-se de posição impar num Brasil democrático, mas onde subsistem herdeiros declassés do Clube da Lanterna ou nostálgicos de modelos de esquerda não adequados aos tempos modernos. Nesse sentido, Dupas foi um exemplo. Democracia é respeitar a opinião do outro, considerar posições diferentes, dando-lhes legitimidade no debate. Argumentar e contraargumentar, buscando entender sistemas lógicos distintos. Agir para promover o debate de ideias. Ele costumava dizer, com certo orgulho, que conseguia, milagrosamente, colocar na mesma mesa opostos ou quem se atribuía a posição de oposto a outro. Deve-se acrescentar que Dupas tinha algo do homem culto da Belle Époque. Qual a especialidade do engenheiro? Economia e Relações Internacionais. Seus conhecimentos e erudição dirigiram-se a diferentes campos. Não podemos dizer que se trate de um especialista num campo particular do saber. Sua sensibilidade para alguns temas, centrais em sua obra, economia internacional, exclusão social, globalização, deve-se à sua formação, sua disciplina no estudo e no trabalho intelectual. A experiência pessoal e a trajetória profissional têm grande peso. IPEA, bancos, indústria, governo, universidade, convivência acadêmica e de pesquisa, consultoria empresarial, foram todos momentos bem aproveitados que o levam a uma percepção muito interessante do papel das cadeias produtivas e das formas como a economia passou a funcionar a partir dos anos oitenta. Seu olhar o leva a análises realistas, no sentido da identificação do sentido das coisas. Justamente esse desvendamento da realidade é o que propiciou o interesse pela sua obra. Nos seus trabalhos, diria em todos, inclusive nos literários (Retalhos de Jonas, 1994; O incidente, 2008), há inconformidade com as injustiças. Mas sua denúncia não o leva a um tipo de análise normativa, concentra-se nas realidades efetivamente existentes. Suas preocupações pelas cadeias produtivas, pela exclusão social, pela financeirização da economia mundial, pelo papel dos fluxos de capital, pelo trabalho informal, têm em conta a realidade. A perspectiva crítica deriva da descrição dos fatos, do desvendamento dos mecanismos que os causam. Seu papel dirigente em empresas não impediu de visualizar os movimentos profundos, de entender 8

9 o que está por trás da aparência e dos discursos. Ao contrário, utilizou-se desse papel para o trabalho analítico. Mostra, particularmente em seu livro, talvez o mais importante, Economia Global e Exclusão Social, de 1999, as adaptações do sistema capitalista e seu rastro inevitável, a exclusão social. Isso na medida em que é deixado ao sabor do mercado, em verdade ao sabor de alguns poucos centros que o controlam. A economia global, apesar de toda a sua vitalidade, está agravando a exclusão social. O seu contínuo avanço não parece garantir que as sociedades futuras possam gerar unicamente por mecanismos de mercado- postos de trabalho, mesmo que flexíveis, compatíveis em qualidade e renda com as necessidades mínimas dos cidadãos (p. 208). Trata-se, diz ele, da necessidade de acelerar a competitividade e a atualização incessante da tecnologia. Realisticamente, diz Dupas, as grandes corporações transnacionais, responsáveis por boa parte do desenvolvimento tecnológico, têm como missão competir e crescer. É isso que levaria à precarização do trabalho. Esse livro, escrito no final dos anos noventa, reflete objetivamente o quadro existente. Afirma que o espaço para a ação dos Estados, para políticas públicas vê-se diminuído, gerando assim uma enorme capacidade das cadeias globais na determinação das tendências. Não restaria outra possibilidade de controle senão a recuperação da capacidade de indução dos Estados nacionais, de forma a que estes retomem seu papel na formulação de políticas, o que seria possível, segundo ele, por um novo acordo entre governos e sociedade civil (p. 115). Claro que há nessa indicação uma perspectiva normativa, mas atenuada pelo reconhecimento da extrema dificuldade para evoluir nessa direção. Sua visão dos problemas e seus diagnósticos mostraram uma significativa capacidade de construção de cenários, que hoje sabemos terem-se materializado. Mais interessante do que mensurar a capacidade de previsão, já que a história desenvolve-se por vias tortas, é tentar entender se ele captou aspectos essenciais da contemporaneidade que viveu. Ainda no livro Economia Global e Exclusão Social parece estarem inseridas questões que marcam a vida política e econômica. Uma refere-se a uma contradição essencial, que a crise iniciada em 2008 parece ter evidenciado: a contradição entre a democracia e a centralização das decisões econômicas em poucas mãos. O Estado nacional vem sendo chamado em toda parte e especialmente nos países que possuem uma estrutura de welfare a garantir a sobrevivência dos cidadãos que estão sendo expulsos em grande quantidade do mercado formal. Ocorre claramente o que se poderia chamar efeito democracia : aumenta o número de desempregados e pobres, crescendo 9

10 sua base política. Introduz-se, assim, clara dissonância entre o discurso liberalizante das elites e a sua práxis política (p.199). O que sucedeu em 2009, e parece prolongar-se, comprova que essa linha de raciocínio tinha fundamento. O Estado foi levado, com algum êxito, à necessidade de remediar os efeitos perversos do fundamentalismo liberal e da desregulamentação. Parte das saídas visando a atenuação dos efeitos perversos estaria na recuperação da capacidade de indução dos Estados nacionais (p. 201). Um seu colaborador, Adalton Oliveira, chamou-me a atenção para o fato que a percepção de Dupas sobre o Estado era contraditória. Havia, como acabamos de ver, a expectativa de que caberia ao Estado retomar responsabilidades. Por outro lado, havia forte ceticismo a respeito dessa possibilidade. Em outro livro, de 2003, Tensões contemporâneas entre o público e o privado, insiste no papel do espaço público. Mas é também nele que surge a ideia dos limites do Estado, capturado pelas forças dominantes. Para ele, essa captura nada tem a ver com espíritos diabólicos, é a forma que adquire a modernidade. O sistema político unificado foi substituído por uma miríade de poderes organizados dispersos e não relacionados, cada vez mais hierarquizados entre eles em razão do grau das relações de força que o novo sistema pode mobilizar. Com isso, o conteúdo da regulação das relações sociais e sua orientação estrutural escaparam ao Estado e à representação política na qual buscavam legitimidade; agora essa legitimidade flutua totalmente ao sabor de uma opinião submetida ao poder mediático, apontando para uma crise no liberalismo e para uma nova organização dos papéis sociais em que as grandes empresas e a sociedade civil entendem ter espaço fundamental (p. 68). Por isso, nos últimos anos, remetia-se com insistência a Ulrich Beck, que também apresenta fortes ambigüidades. Como este, sabia que havia espaço para a globalização, defendia a necessidade de uma visão transnacional, mas assinalava riscos e limites. Beck aponta os riscos da desumanização. Dupas chamou com ênfase a atenção sobre esse risco, por isso preocupou-se com temas tão diferentes, informação, meio-ambiente, religião. Acrescentemos uma possível ideia com a qual trabalhar ao analisar a obra de Dupas, um utópico. Um utópico com os pés bem apoiados no chão, que analisava esquadrinhando-o. A tensão entre a realidade e a utopia está bem caracterizada. Em dois livros. O mito do progresso (2006) e Meio ambiente e crescimento econômico (2008), surge a crítica do progresso. De modo contraditório, como quase sempre em suas análises. No alvorecer do século XXI, o paradoxo está em toda parte. A capacidade de produzir mais e melhor não cessa de crescer e é assumida pelo discurso hegemônico como sinônimo 10

11 do progresso trazido pela globalização. Mas esse progresso, discurso dominante das elites globais, traz também consigo exclusão, concentração de renda, subdesenvolvimento e graves danos ambientais, agredindo e restringindo direitos humanos essenciais (2006, p. 14). Aqui, evidencia-se já não um autor das luzes, fascinado pelo progresso, mas um ser do século XXI atormentado pelos problemas que podem colocar em risco a humanidade. Não se trata de combater o progresso, mas de dar-lhe características humanas. A relação do homem com a natureza; a aceitação da ideia dos limites dos recursos naturais; a compreensão de que é decisivo ter em conta a necessidade do uso racional dos recursos e da adequação da ciência e da tecnologia, são temas que se inserem no centro de sua reflexão em seus últimos anos de vida. É no livro Tensões contemporâneas entre o publico e o privado que se torna mais clara sua ideia de democracia. Certamente está embebido da tradição liberal que, desde Locke, valoriza a ideia de tolerância. Mas parece avançar mais, a tolerância é um passo no caminho da democracia e da igualdade, mas não é tudo. A tolerância, pois, pressupõe a não-aceitação de uma diferença cognitiva entre convicções e atitudes que perdura de maneira racional (p. 84). Para Dupas, na coletividade política deve-se ter o pressuposto de que todos são iguais e do mesmo valor. Ele sabe bem que há ocasiões em que a vontade da maioria resulta da capacidade hegemônica. Por isso se trata, a todo momento, de buscar o equilíbrio entre indivíduo e coletividade. Democracia, portanto, é a combinação da afirmação de uma liberdade individual com o direito de identificar-se com uma coletividade social, nacional e religiosa particular, sem degenerar em comunitarismo agressivo (p. 89). Mas não apenas isso, democracia implica a revalorização do espaço público e a volta ao debate político. A disputa política no início do século XXI trava-se, principalmente, mas não exclusivamente, entre incluídos e excluídos. Para Dupas, questão importante a ser considerada, é a necessidade de dar sentido à vida. Atribui os problemas que preocupam o mundo atual à falta de capacidade de, como havia sido nas luzes ou no século XIX, afirmar a condição humana na tensão entre a transitoriedade da vida e a aspiração de eternidade. Em outras palavras, falta um projeto, quando se torna visível que os objetivos que alguns diziam que prevaleceriam ao final do século XX surgem em frangalhos. A idealização do fim da Guerra Fria, que levaria à transformação de espadas em arados, mostra-se fracassada. Sua crítica à crença no fundamentalismo de mercado é implacável, mesmo reconhecendo sua grande força. Ele interpreta movimentos de protestos, formas 11

12 aparentemente desconexas de ação, como possíveis partes de um puzzle que tenderia à reconstituição do objetivo de dar sentido à vida das pessoas, dos grupos, das nações. Se os estudos de Dupas sobre as formas que foi tomando a economia internacional a partir dos anos oitenta constituem a parte mais elaborada de sua obra, sua influência no debate brasileiro de relações internacionais se fez sentir decididamente. Sua intervenção em ocasião do lançamento do livro A nova configuração mundial do poder, de 2009, publicada na revista Política Internacional, uma de suas últimas presenças públicas, comentando a crise financeira iniciada em setembro de 2008, não prevê o fim da hegemonia norte-americana, ela continuaria, mas seriam necessários consensos multipolares que aliviem as tensões mundiais e gerem condições de governabilidade sistêmica" (p. 136). Também nesse caso, a mesma metodologia: Gostemos ou não, busca identificar as realidades, as relações de poder existentes, sem esconder as próprias posições. É interessante verificar a posição de Dupas no tocante à configuração da política internacional, numa época em que no Brasil parece haver polarização de posições, inclusive no tocante às relações com os Estados Unidos. Para ele não se trata de alimentar o antiamericanismo. Ele é claro nesse sentido. Trata-se da argüição dos riscos em que se incorre se o diagnóstico não é preciso. Tem a ver com uma interpretação que encontra suas raízes em parte da tradição da política exterior do Brasil. Dupas, analisando a política do governo W. Bush, afirma que define um estilo de exercício hegemônico fronteiriço à coerção (...). Compartilho das reflexões de John Ikenberry que atribui a essa estratégia perigos e grandes riscos de insucesso, podendo deixar os Estados Unidos em meio a um mundo ainda mais hostil e dividido (Tensões Contemporâneas entre o público e o privado, 2003, p ). A visualização de que não há nenhuma tomada de posição de tipo amigo inimigo a encontramos na conclusão do mesmo livro. Dupas, sem dúvida, acredita que o poder americano está longe de declinar irreparavelmente. De certo modo, é o mesmo raciocínio que desenvolveu sobre o capitalismo: não está morrendo. Para ele, o mundo tem necessidade dos Estados Unidos. Trata-se de uma realidade. O mundo global não pode prescindir das virtudes hegemônicas de sua maior potência, até porque tão cedo não haverá candidato à vista que possa substituí-la (...). Se os Estados Unidos não assumirem o papel condizente com seu próprio poder, o que inclui antes de tudo a tolerância com as diferenças, teremos grandes probabilidades de um século marcado pelas dores de um forte retrocesso" (p. 133). 12

13 Para Dupas a ideia de intolerância tem diferentes significados. Para ele, a intolerância tem a ver com o medo e com a incerteza no mundo contemporâneo. Para o pensamento liberal, sabemos, a tolerância é um valor fundamental. Locke debruçou-se sobre isso. Para Dupas, a questão é mais complexa. Trata-se de uma virtude política componente da cultura liberal, ideia que recolhe de Habermas. Ao mesmo tempo, a tolerância seria um estado intermediário. Assim avança mais, como outros autores que também discutiram essa ideia. Portanto, a tolerância tem a ver exatamente com a dificuldade no estabelecimento da cooperação duradoura. Desse modo, a ideia de intolerância tem a ver com a irreconciabilidade. Quando há situações onde não são possíveis as reconciliações, a tolerância intervém para permitir a convivência, níveis aceitáveis de relações. Por isso fala em tolerância ao analisar a falta dela na política norte-americana. Dupas afirma: A recusa a aceitar crenças diferentes é que torna necessária a tolerância (...). A tolerância, pois, pressupõe a não aceitação de uma diferença cognitiva entre convicções e atitudes que perdura de maneira racional (p.84). Por isso, como está na filosofia política dos séculos XVII e XVIII, a ideia está ligada a conflitos religiosos e Dupas a utiliza para discutir o fundamentalismo e os que alegam estarem em luta contra esse mesmo fundamentalismo. No fundo, para ele, o fundamentalismo, o ressurgimento do conceito de tolerância, são todas questões ligadas ao fim das utopias, ao fim das ideias que articularam a vida social nos séculos XIX e XX. Ideias tão importantes como as de comunidade nacional, comunidade religiosa, grupo social. Muitos dos movimentos contemporâneos têm a ver com a necessidade de dar sentido à vida, provavelmente à necessidade da busca do equilíbrio de democracia com novas possibilidades de identificação. Por isso compreende e discute o fundamentalismo, os protestos antiglobalização, enfim tudo o que é aparentemente antissistêmico. Para ele são manifestações na busca de novas identificações. Essas me parecem serem as linhas mestras do pensamento de Dupas. Um crítico acérrimo do capitalismo, mas acreditando que é o modo prevalecente de organização do sistema produtivo na modernidade. O futuro do capitalismo global depende de radical revisão de seus conceitos. A economia tem ao mesmo tempo grande vitalidade e grande propensão ao aumento da exclusão. As grandes corporações são as responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico, o direcionam, com isso aumentando os bolsões de pobreza, que dialeticamente são incorporados ao mercado global, visando à diminuição de custos, o que é inerente ao capitalismo. Como dissemos, Dupas acredita no papel do 13

14 Estado, por isso é mordaz com os defensores do Estado mínimo e com aqueles que acreditam no seu desaparecimento. Em seu Ética e poder na Sociedade da Informação, de 2001, essa ideia é transparente, mas se repete no conjunto de sua obra. O Estado, se autêntico representante da sociedade civil, deveria ter a função de garantir essas condições que permitam fazer prevalecer a justiça sobre o valor econômico (p. 134). Acredito que um dos pontos mais importantes de sua obra é sua sinalização da contradição em que incorre o Estado. Por um lado, expressa os interesses das categorias dominantes da economia global, mas por outro, é ao mesmo tempo o locus de grande contradição, nele podem exercer a sua influência os milhões de excluídos. Para isso, porém, devem estar organizados. A mesma ideia se repete no livro de 2005 Atores e poderes na nova ordem global. Os Estados apresentam caráter paradoxal, ao mesmo tempo em que se fala em reduzi-los, são indispensáveis. Os acontecimentos posteriores à crise de setembro de 2008 que ele presenciou em seu início, confirmariam plenamente essa equação. Gilberto Dupas, como dissemos, destacou-se por sua presença no debate brasileiro de questões internacionais. Com esse perfil foi interlocutor importante de destacadas universidades e think thanks latino-americanos, europeus, norte-americanos. De universidades argentinas, mexicanas, das Fundações Konrad Adenauer, Friedrich Ebert, Ford, do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais de Lisboa. Foi um crítico dos processos de integração latino-americanos, em particular do Mercosul. Não desconheceu seu significado, mas insistiu em sinalizar seus limites com origem na instabilidade macroeconômica. Para ele a única forma de superar as dificuldades que acabam por desestabilizar a integração, seria compreender o mundo transnacional e promover complementaridades que o tenham em conta. Em verdade, não tinha confiança na capacidade dos governos e das elites da região de se mobilizarem nessa perspectiva (América Latina no início do Século XXI, 2005). Como dissemos, característico de Gilberto Dupas é a de um ser humano culto, com reflexão e opiniões fortes sobre diferentes temas, muitos dos quais não abordamos nesse breve comentário sobre sua obra. Apenas fizemos referência a suas incursões pela literatura. No capitulo Dinheiro de seu Incidente (2008), conto com evidentes sinais autobiográficos, se afirma homem de esquerda. Hoje não é simples uma definição precisa a esse respeito. Gilberto Dupas foi uma pessoa extremamente democrática e generosa, carismática, tendo grande poder de convocação. Exercitou a democracia, foi muito além da tolerância, dialogou efetivamente com a diversidade, que a tinha como 14

15 parte natural da vida. São qualidades que estiveram e estão em falta no Brasil e no mundo dos séculos XX e XXI. Essas qualidades precisam ser registradas. Trata-se de uma lembrança dele. Lembrança que ensina. 15

16 O estudo das relações internacionais na obra de Gilberto Dupas Peter Demant Agradeço a oportunidade de compartilhar algumas impressões acerca do saudoso Gilberto Dupas, contudo é mister destacar de antemão que eu não me considero a pessoa mais adequada para falar dele. Como historiador focando o Oriente Médio e o mundo muçulmano, não possuo conhecimentos particulares sobre os principais campos de atuação de Dupas: a política econômica e a política brasileira. Nossas opiniões políticas também diferiam bastante. Contudo, cheguei a respeitar imensamente este cientista, autor e ator público, que era também um homem muito gentil, e cujo desaparecimento prematuro deixa um vazio em múltiplas esferas. Concentrar-me-ei na contribuição de Dupas ao estudo das RI, mas devo começar com algumas memórias pessoais. Quando cheguei ao Brasil há dez anos, Dupas foi uma das primeiras pessoas que conheci: uma pessoa de grande visão e percepção, eficaz em suas colocações, mas também como logo percebi - eficaz em intuir o que um evento sobre o conflito no Oriente Médio acrescentaria ao seu GACINT, à época, integrado no IEA (Instituto de Estudos Avançados na USP). Por meio de Umberto Cordani da CCInt da USP, fui-lhe apresentado. Dupas imediatamente me envolveu numa discussão sobre os desenvolvimentos do Oriente Médio, ai incluída a questão de Israel-Palestina. À época, eu ainda morava em Jerusalém e atuava em projetos de paz junto ao Harry S Truman Research Institute for the Advancement of Peace na Universidade Hebraica, fazendo reuniões conjuntas entre membros do campo de paz palestino e israelense. Dupas demonstrou um excelente entendimento da relevância dessa questão para o mundo, então ainda pouco estudado no Brasil e imediatamente solicitou que eu organizasse um evento sobre o conflito israelo-palestino no IEA, trazendo integrantes de ambos os lados. Tullo Vigevani em seguida me visitou em Jerusalém. Juntos, detalhamos o evento que tomou lugar em abril de 2000 contando com a participação dos Profs. Edy Kaufman e Ephraim Kleiman da academia israelense e dos Profs. Manuel Hassassian e Riad Malki do lado palestino. O simpósio foi seguido por um concorrido debate público no auditório da Folha de São Paulo e em seguida transformado no livro Israel-Palestina: A construção da paz vista de uma perspectiva global, com artigos e palestras apresentados no simpósio (Gilberto Dupas e Tullo Vigevani, Orgs., São Paulo: Editora UNESP, 2002). Foi meu primeiro contato com a capacidade que Dupas tinha de 16

17 aglutinar pessoas e ideias, e o primeiro livro de sua mão, dos muitos que vi nos anos a vir. Em 2001 fui convidado para ser responsável pelo Oriente Médio junto ao Gacint (mais tarde acrescido de Samuel Feldberg) e pude constatar em diversas ocasiões o papel muito dinâmico de Dupas à frente tanto do GACINT quanto do IEEI. No decorrer dos anos tivemos muitos debates e encontros, inclusive diante das câmeras de TV. Nem sempre concordamos, mas sempre ele acrescentou algo ao meu pensar as coisas. Os debates eram não apenas sobre o Oriente Médio, mas envolviam questões mais amplas, muitas vezes relacionadas a temas da relação entre Ocidente e Oriente. As reflexões de Dupas estão entre os fatores que inclusive inspiraram minha tese de livre docência (Choque dos universalismos: Estudos sobre a interação ocidente-islã - FFLCH USP, 2007). Lembro da figura de Dupas como um grande e carismático organizador, uma fonte de inspiração. Suas esferas de interesse incluíam a economia, a filosofia e as relações internacionais, que para ele não constituíam campos separados, mas um total interligado. Dupas era um homem renascentista multifacetado, mais do que pensador sistematizador. No entanto, no campo das Relações Internacionais no Brasil ele conta sem dúvida entre os 10 ou 15 principais articuladores de vanguarda. Não li todos os seus livros e artigos. Ele era sempre um intelectual muito produtivo, mesmo durante o período de sua doença. Já doente, participou, a meu convite, em maio de 2008, de um debate no Laboratório de Estudos da Ásia (LEA) no Departamento de História da USP, onde teve uma presença muito forte, quando muitos pensavam que ele nem conseguiria vir. Dupas e as Relações Internacionais De certa maneira Dupas expressou em sua obra uma visão que cheguei a entender como sendo algo como o informal consenso progressista brasileiro sobre as relações internacionais. Destaco sete pontos que considero notáveis em sua visão: 1) Radicalismo. Dupas era sem dúvida um homem da esquerda. Se levarmos em conta as três principais correntes na teoria das RI: (a) o realismo, com autores como Mearsheimer ou até Huntington; (b) o neoliberalismo exemplificado por Fukuyama; e (c) a linha radical representada por Chomsky e Wallerstein, fica claro que Dupas tinha 17

18 maior afinidade com esse último grupo. Contudo, ainda que o marxismo tenha influenciado seu pensamento, ele nunca foi um marxista no sentido formal. 2) Economicismo. Dupas era materialista a ponto de algumas vezes superestimar os fatores financeiros. Seu background profissional naturalmente o influenciava nesta tendência. Uma certa negligência de fatores ideais teve como conseqüência que Dupas prestava relativamente pouca atenção aos desenvolvimentos culturais. Seria, porém, um erro acusá-lo de cegueira em relação à importância do soft-power, que ele mencionou em particular em relação aos EUA. 3) Crítica aos EUA: Assim como tantos de seus colegas brasileiros, Dupas era muito ácido em relação aos EUA. Mesmo assim, conseguiu sempre evitar posições extremadas. Ele lamentava o que via como uma arrogância imperialista dos EUA e receava que o descaso dos EUA com as instituições e normas internacionais acabasse se tornando um boomerang contra os interesses dos próprios Estados Unidos. Esta opinião tinha muito a ver com sua visão sobre o ocidente em geral. 4) Pessimismo para com a União Europeia e o ocidente em geral. Dupas considerava a Europa dividida demais para preencher um papel predominante na cena internacional. Pois a Europa nem consegue resolver seus dois problemas inescapáveis: 1- a tensão entre o Estado social e a globalização selvagem ; e 2- o dilema entre o multiculturalismo oficial, e o islamismo radical de uma parte significativa das minorias muçulmanas imigradas ao velho continente. Vê-se claramente essa última questão nas reações europeias ao desejo da Turquia em ser aceita na UE. Antes de colocar a fonte do problema na imigração, no fundamentalismo, ou no próprio islã, Dupas acusa o que ele via como complexo de superioridade do ocidente pelos problemas. Assim, por exemplo, o significado das manifestações de 2005 na França seria facilitar a volta dos xenófobos de direita. Isto, por sinal ele considerava um padrão crescente no continente. Dupas presta especial atenção à França, talvez conseqüência de seu background pessoal. Ele era, de fato, um dos poucos especialistas aqui no Brasil que seguiam em detalhe a política europeia. Logicamente, sua ênfase era na parte latina do continente, mesmo quando isso implicava numa menor atenção para com Alemanha e Europa oriental. Em suma, para Dupas, estas duas formam um conjunto único: a arrogância dos EUA e a fraqueza europeia. Aliás, sua crítica aos EUA não se limita às suas políticas 18

19 externas concretas, mas inclui a situação ideológica interna no bojo da sociedade norteamericana, que impediria a reflexão sobre seu próprio papel. Dupas não considerava que as guerras unilaterais e preventivas dos EUA fossem uma reação ao terrorismo ou à ameaça de proliferação das ADM s, e sim que o terror e a proliferação fossem uma reação ao imperialismo norte-americano. Em um de seus últimos artigos na revista Panorama da Conjuntura Internacional, Dupas chamou atenção aos sinais de outono que para Braudel eventualmente iriam sinalizar o fim do capitalismo global. Dupas não compartilha esta esperança braudeliana, não acreditava que o outono chegará tão depressa. Portanto, o Sistema Internacional ainda precisa de alguma hegemonia benevolente que possa proporcionar uma boa governança a todas as nações: como a Europa é dividida, a Rússia não mais um verdadeiro candidato (Dupas implicitamente achava uma pena o desaparecimento da antiga URSS?), e a China ainda distante de se candidatar, o mundo ainda precisa dos EUA. Estes deveriam se comportar como irmão mais velho e sábio e não como valentão para com as demais nações. 5) Multilateralismo. Dupas valoriza a legalidade internacional, o papel das Nações Unidas, e as instituições internacionais. A violação da supremacia da lei internacional foi seu motivo mor para se opor à invasão do Iraque em 2003 (ainda que eu suspeite que uma ligeira e discreta admiração por Saddam Hussein se infiltrasse nesse legalismo). Mas de qualquer forma, o que Dupas rejeitava eram principalmente os motivos americanos e não apenas seus instrumentos, as supostas mentiras sobre as ADM no Iraque. Em seu multilateralismo, sua posição política se encaixa na linha tradicional da diplomacia brasileira. 6) Estruturalismo. Foi Dupas um estruturalista? Pode ser um exagero falar de uma influência de Lévi-Strauss, um dos patrões da intelectualidade brasileira progressista, em Dupas. No entanto, é certamente verdade que o pensamento dupasiano deixa relativamente pouca latitude aos indivíduos - ou a nações individuais - para que consigam escapar das determinações históricas. Mesmo assim, seu estruturalismo estava longe de ser extremo. Um de seus últimos artigos lidava, precisamente, com o papel da personalidade na história, citando como exemplo o presidente francês Sarkozy. Afinal de contas Dupas acreditava que as ações coletivas ainda têm as melhores chances de mitigar os efeitos nefastos da exclusão social. Interessantemente, através dessa ideia 19

20 de operar dentro das margens estreitas da realidade, ele provou ser em essência um socialdemocrata. 7) Relativismo. No final de sua carreira intelectual, provavelmente influenciado pelos pós-modernistas franceses, Dupas tendeu ao relativismo pessimista. Não por acaso chamou de O Mito do Progresso um de seus últimos livros: a História não mais aparece como o relatório consistente do progresso humano, mas doravante como um mero caminhar sem destino claro. Dupas não ficaria feliz com uma hagiografia, pois gostava de debates vigorosos. Portanto posso admitir que em diversos pontos estávamos em diametral oposição: ele era radical enquanto eu me considero bastante liberal; ele enfatizava a economia, eu sou bastante culturalista. Em contraste com seu antiamericanismo, sou relativamente favorável aos EUA. Em contraste com seu pessimismo, permaneço otimista no que tange à civilização ocidental e à expansão de confederações pacíficas de tipo UE em todo mundo. Continuo a acreditar no impacto de indivíduos e grupos, sendo antes voluntarista que determinista. Diferente de Dupas, apesar de minha apreciação da legalidade internacional, eu vindo de uma escola que nunca superou o trauma de Munique acho que esta deve às vezes ser infringida ou sacrificada com a finalidade de manter a segurança internacional - valor não menos vital para todos nós. Finalmente, não perdi minha fé (minimizada, mas ainda sobrevivente) na universalidade de certos valores para guiar a convivência humana e global. A especificidade do pensamento internacionalista dupasiano Nas sete características acima, Dupas expressou de forma muito nítida, aguda, mas ponderada, crenças que encontramos mas muitas vezes de maneira seja mais opaca, seja mais extrema entre um sem-número de participantes no país no debate público sobre as Relações Internacionais. Sua esperança na democracia, na paz internacional, e no vínculo entre ambas, embora não fortemente articuladas em sua obra, corresponde sem dúvida também a uma ideologia continental latino americana, hoje amplamente disseminada. Obviamente tudo isto não significa que Dupas era apenas um representante de ideias brasileiras, ou que sua obra se reduz a isto. De fato, em alguns pontos seu pensar divergiu significativamente desse hipotético consenso nacional. Salientemos a ausência de qualquer sombra de argumentação nacionalista. Mesmo 20

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