Amazônia e Cooperação Internacional: Discursos e Contradições 1

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1 V Encontro Nacional da ANPPAS 4-7 de outubro de 2010 Florianópolis - Santa Catarina - Brasil Amazônia e Cooperação Internacional: Discursos e Contradições 1 Neusa Pressler Professora do Curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia UNAMA Doutoranda do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/ UFPA ) Este trabalho é parte da pesquisa referente à tese de doutorado Discursos e práticas da cooperação técnica internacional relativos a projetos socioambientais na Amazônia (UFPA/NAEA, ). A pesquisa foi realizada durante 2007 /2009, especificamente na Alemanha e no Brasil. O objetivo desta pesquisa é apresentar os discursos e as contradições existentes na interação, na experiência da cooperação técnica internacional na Amazônia e na implantação de projetos socioambientais a partir criação do PPG7 ( ). Nesse sentido, pressupõe-se que apesar dos impactos positivos dos projetos, há um campo de tensão e contradição implícitos nas relações dos técnicos e consultores das instituições e as populações tradicionais. Nesse campo ambiental de convergências e divergências de interesses de diferentes atores sociais encontramse as iniciativas dos projetos socioambientais na Amazônia implementados e supervisionados por consultores representando seus países por meio das agências bilaterais de cooperação internacional (GTZ) Alemanha, (USAID) Estados Unidos, (DFDI) Grã-Bretanha, (IRD) França. Essas organizações estabeleceram a razão de suas intervenções junto a atores sociais na capacitação das instituições e no empreendedorismo junto as populações tradicionais com base nos negócios sustentáveis, vistos como mecanismos de luta contra a pobreza e de preservação da natureza para conter o desmatamento. As relações e contradições construídas nesse campo são objetos de discussão deste trabalho. As conclusões são parciais e a propostas de debate interessante por abordar as relações internacionais e a comunicação institucional dos atores sociais sob o ponto de vista dos discursos sociais. Palavras-Chave: Cooperação Internacional; Organizações; Discurso. 1. Apresentação A Amazônia desde o século XIX revela ser a mais atrativa entre as regiões do Novo Mundo. A partir desse período o território Amazônico despertou um grande interesse que permanece na contemporaneidade. Há quem idealize uma Amazônia exótica, exuberante e cheia de encantos, fato comprovado quando se observa as diferentes narrativas amazônicas contadas por europeus em prosa ou em poesia, que em suas páginas relatam existir o Novo Mundo. 1 Trabalho apresentado no GT 15 - Relações Internacionais e Meio Ambiente - evento componente do V Encontro Nacional da ANPPAS.

2 Os relatos de Neide Gondim (2007) descrevem a questão das narrativas amazônicas, quando cita alguns pensadores europeus, entre eles, Montaiene, Buffon, Montesquieu, Hobbes, Locke, que mostraram variadas formas de descrever um espaço deslumbrante e utópico, baseadas na imaginação sobre a terra desconhecida e fragmentos verídicos influenciados pelas idéias Iluministas de buscar a comprovação daquilo que foi dito, defender o conhecimento racional e superar as concepções e preconceitos tradicionais. Assim, ao se observar as narrativas amazônicas contadas por europeus que vivenciaram o desembarque das grandes navegações rumo ao Novo Mundo nota-se que houve uma fusão entre a ficção e a realidade. Além de despertar para várias outras questões como a de que a Amazônia não foi descoberta tão pouco construída, a invenção da Amazônia se dá a partir da construção da Índia, formulada pela histografia grego-romana, comerciantes peregrinos, missionários, viajantes e indianos (GONDIM, 2007). Quando os europeus partiram rumo ao Novo Mundo, houve uma fusão de todos esses preconceitos perante a terra desconhecida: Os homens da época sonhavam encontrar o Paraíso e a fonte da juventude, à tradição religiosa, dizia que um grande Rio nascia na Amazônia e que este brotava riqueza e desaguava a fome, os males sociais, as pestes que dizimavam respeitáveis contingentes humanos, local encontrado pelos expedicionários de Orellana e se localizava na Região Amazônica, que ficou freqüentemente visitada principalmente depois de liberada a navegabilidade do Rio Amazonas pelo governo português (GONDIM, 2007, p. 14). O potencial imaginativo dos europeus tornou a Amazônia um território exótico, majestoso, que atrai muitos visitantes do mundo todo, e que ainda hoje é fantasiado por muitos autores de ficção, que em suas publicações ainda guardam a idéia proveniente do imaginário dos primeiros navegadores do Rio Amazonas e de seus braços. Por de trás da dimensão do verde da floresta Amazônica sabe-se que existe um potencial não apenas ambiental que ainda precisa ser desvendado. Assim, sob o ponto de vista da historia a imagem da Amazônia está vinculada à temática ambiental. Desde os relatos dos viajantes europeus do século XVI aos dias atuais no âmbito do mercado globalizado, o meio ambiente e a diversidade são os enunciados mais recorrentes que compõem a imagem e os diferentes discursos 2 e práticas discursivas sobre a Amazônia. Interpretada por sua grandeza por abrigar a maior rede hidrográfica do planeta, escoa cerca de 1/5 do volume de água doce do mundo, sendo 60% pertencente ao território brasileiro. As práticas discursivas, segundo Maingueneau (2000, p. 18), supõem um conjunto de regras anônimas, históricas e sempre determinadas no tempo e no espaço que possibilitam compreender o espaço de interdiscursividade dos campos (político, econômico, ambiental e 2 O conceito de discurso nessa pesquisa é com base nas abordagens formalista e funcionalista, que ressaltam a importância do equilíbrio entre forma e função nos estudos da linguagem e influências teóricas que contribuíram para se estruturar a concepção de linguagem como prática social, principalmente os estudos de Foucault (2003, p. 14) e de Bakhtin (2002), cujos trabalhos propõem as noções de discurso e poder incorporadas à abordagem crítica. Na visão desses autores o discurso é interpretado como prática social.

3 midiático) que construiu os diferentes significados e sentidos da Amazônia. Um deles foi consagrado em 1955 quando foi criada a Amazônia Legal, enunciado administrativo político e jurídico concebido na ordem e racionalidade do planejamento do Estado 3. Tal grandiosidade tem construído o imaginário simbólico apresentando a Amazônia como exótica, terra incógnita, eldorado, paraíso ou inferno e natureza intocada, dentre outras enunciações. Sob esse ponto de vista, a Amazônia destaca-se pela natural grandiosidade, pela degradação ambiental e pela desigualdade social, menos referida por meio de estudos científicos, pois predomina o discurso impressionista, presença constante da mídia local, da nacional e da global. Desta forma, isso tem proporcionado maior repercussão à Amazônia, em especial, a partir da década de Nessa década, o denominado desenvolvimento sustentável firmou-se como um dos assuntos das políticas econômicas globalizadas. A partir da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento CNUMAD em 1992 evidencia-se a construção de um campo 4 ambiental na Amazônia com diferentes atores sociais. Desse modo, na década de 1990 a Amazônia deixou de ser um tema limitado a questões de fronteira e de segurança nacional. Passou a constituir-se em um complexo: espaço multidimensional modelado por poderes e ações de atores transnacionais. Durante a década de 1990 foi alcançando importância na agenda da política mundial. A Floresta Amazônica transformou-se em um símbolo no campo ambiental ocidental. Com essa imagem, constituiu um dos vetores principais da cooperação técnico-científica no cenário da globalização ecológica. Isso não foi por acaso no imaginário ecológico internacional e nos centros mais urbanizados do país, a existência da Amazônia está vinculada à imagem simbólica da floresta (FERNANDES, 2006, p. 139). Com essa imagem, a partir da década de 1990, o Brasil passa a ser apresentado e visto como referência para a cooperação internacional pelas inúmeras vantagens que emergem de sua biodiversidade. Desse modo, a Amazônia torna-se um extenso espaço para investimentos e 3 A Amazônia Legal é uma área que engloba nove estados brasileiros pertencentes à Bacia amazônica e, conseqüentemente, possuem em seu território trechos da Floresta Amazônica. O governo brasileiro, com o intuito de melhor planejar o desenvolvimento social e econômico da região amazônica, instituiu o conceito de Amazônia Legal. Para isso tomou como base análises estruturais e conjunturais, reunindo regiões de idênticos problemas econômicos, políticos e sociais. Desse modo, a atual área de abrangência da Amazônia Legal corresponde à totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do estado do Maranhão (a oeste do meridiano de 44º de longitude oeste), perfazendo uma superfície de aproximadamente km² correspondente a cerca de 61% do território brasileiro. A legislação e criação da Amazônia Legal ocorreu em 1955, por meio da Lei 1.806, de 6 de janeiro de 1953, (criação da SPVEA). Com essa Lei foram incorporados à Amazônia Brasileira, o Estado do Maranhão (oeste do meridiano 44º), o estado de Goiás (norte do paralelo 13º de latitude sul - atualmente Estado de Tocantins) e Mato Grosso (norte do paralelo 16º latitude Sul). Depois desse dispositivo legal, a Amazônia Brasileira passou a ser chamada de Amazônia Legal. Portanto, o termo e delimitação da Amazônia Legal foi consequência da necessidade do governo de planejar e promover o desenvolvimento da região. Em síntese, os fatores para a criação desse termo foram baseados na necessidade de planejamento político e não no determinismo geográfico (Fonte: IBGE, 2009). 4 O conceito de campo, aqui citado, faz parte do corpo teórico da obra de Bourdieu. Essa noção significa um espaço de relações entre grupos com distintos posicionamentos sociais. O campo é o espaço de disputa e jogo de poder. Na conceituação de Bourdieu (1998), a sociedade é composta por vários campos e espaços dotados de relativa autonomia e regidos por regras próprias. Em síntese, o espaço social é definido como um campo de forças em que ocorre um conjunto de relações de forças objetivas, impostas a todos os que entram nesse campo e irredutíveis às intenções dos agentes individuais ou mesmo às interações diretas entre os agentes (BOURDIEU, 1998, p.134).

4 implementação de programas, projetos e pesquisas voltados para a preservação do meio ambiente e experiências sustentáveis. Dessa maneira, passa a configurar-se no campo da globalização da política ambiental (VIOLA, 1999; SILVA, 2004). Foram vários os fatores que contribuíram para essa visibilidade, dentre os quais a CNUMAD, 1992, a Agenda 21 e a implementação do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais - PPG7 5 do Brasil em Os referidos autores enfatizam que a região tem sido alvo de esforço multilateral, envolvendo a participação de vários países, instituições financeiras e segmentos da sociedade civil mundial, tendo em vista o desafio da gestão coletiva das crises ecológicas globais Segundo essa descrição, a Amazônia está no âmbito da globalização da política ambiental (VIOLA, 1999) 6. Sob essa descrição, a leitura bibliográfica aponta que, além das instituições internacionais que aportaram na Amazônia durante a implementação do PPG7 ( ), há vários atores sociais com diferentes interesses nos setores de energia, transportes, mineração e agrícola, o que tem provocado conflitos com os projetos que pretendem desenvolver de forma sustentável. Nesse campo ambiental de convergências e divergências de interesses de diferentes atores sociais encontram-se as ações dos países do G7 representados por suas agências internacionais bilaterais para o desenvolvimento. As principais são: Alemanha (GTZ), Estados Unidos (USAID), Grã-Bretanha (DFDI), França (IRD) 7 implementando projetos socioambientais na Amazônia. O exercício de rever como se desenvolveram as narrativas dos europeus ao se depararem com o Novo Mundo é fundamental para entender os atuais processos de interação e de experiência que se estabelecem dentro da região Amazônica no contexto globalizado. E, assim, compreender o pensamento dos pesquisadores e técnicos europeus que chegaram à região para implantar projetos socioambientais no âmbito do PPG7. Longe desse imaginário deslumbrante, a partir da implantação do PPG7, em 1995, juntamente com a pressão internacional, a Amazônia passou a contar com a participação e colaboração técnica e científica de fundos de cooperação internacionais que chegaram à região 5 O Programa Piloto foi proposto na reunião do Grupo dos Sete países industrializados (G-7), em Houston, Texas (EUA), em Em dezembro de 1991, foi aprovado pelo G-7 e pela Comissão Européia. Durante a Eco-92, o programa foi oficialmente lançado no Brasil. A sua execução compete ao governo brasileiro que, por meio do Ministério do Meio Ambiente, o qual coordena o Programa, conta ainda com o intermédio do Ministério da Justiça e do Ministério da Ciência e Tecnologia, com a participação do Banco Mundial, da Comunidade Européia e dos países membros do Grupo dos Sete. O PPG-7 foi instituído pelo Decreto nº 563, em junho de 1992, e modificado pelo Decreto nº em janeiro de Os primeiros projetos foram aprovados em 1994 e a implementação iniciada em Fonte: <http://www.mma.gov.br/ppg7> Acesso em 17 nov Eduardo Viola conceitua essa fase de globalização da política ambiental. Isso porque há a transnacionalização em graus diversos dos atores nacionais da política ambiental nacional (agências governamentais, empresas, ONGs) com a presença de atores plenamente transnacionais (ONGs transnacionais, corporações transnacionais, bancos multilaterais, agencias da ONU- Organizações das Nações Unidas, comunidade cientifica) produzindo a formação de clivagens e alinhamentos transnacionalizados (VIOLA; 1999, p. 84). 7 Essas quatro agências atuam em projetos ambientais na Amazônia seja em colaboração científica ou técnica. Ver história e dados institucionais sobre Agências de Cooperação internacional para o desenvolvimento nas respectivas páginas da web: Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit (GTZ) - <http://www.gtz.de/> United States Agency for International Development (USAID): <http://www.usaid.gov/> L'Institut de recherche pour le développement (IRD): <http://www.ird.fr/> Department for International Development (DFID): <http://www.dfid.gov.uk/> Centro para Pesquisa Florestal Internacional (CIFOR): Acessados em agosto 2010.

5 com a proposta de desenvolver projetos socioambientais. A maioria desses projetos está inserida em programas do governo e da sociedade brasileira, em parceria por meio das relações exteriores com instituições internacionais que têm a finalidade de desenvolver estratégias para a proteção e uso sustentável da Amazônia. Em meados dos 1990, com o objetivo de cumprir o planejamento da Implantação do PPG7 chegaram à Amazônia vários pesquisadores e técnicos europeus que representando várias organizações Européias exerceram o trabalho de consultores no campo ambiental. Merece destaque, a discussão a cerca desses atores sociais antes, durante e depois de chegarem à Amazônia para estabelecer contato com os diferentes povos das Amazônia (seringueiros, ribeirinhos, quilombolas etc.). As relações de comunicação e interação promovidas por essas agências e construídas nesse campo é a proposta de discussão desse trabalho. Esta pesquisa discute os discursos e interação das Agências de Cooperação Internacional que a partir de 1995 desenvolveram projetos ambientais na Amazônia ( ). Sob o ponto de vista da comunicação institucional 8 o trabalho foi estruturado em três tópicos de forma a apresentar os discursos 9 das principais organizações internacionais que desenvolveram projetos ambientais junto a populações tradicionais na Amazônia. Com esse objetivo, serão discutidas as propostas centrais da cooperação internacional no âmbito do PPG7 e a visão crítica sobre a comunicação institucional das Agências de cooperação internacional na Amazônia Legal. O referencial teórico é baseado nas obras de Pierre Bourdieu (1998); Foucault (1995), João Pissarra Esteves (2003) e autores que estudam o tema Amazônia. 2. A Cooperação Internacional e a Realidade da Amazônia Como já referenciado, com a CNUMAD (1992) e a implantação do PPG7 em 1995, na Amazônia legal, houve um aumento significativo de programas e projetos ambientais provenientes de acordos de cooperação internacional, cuja proposta é: reduzir a pobreza e preservar o meio ambiente. O contexto de produção desse discurso é o da economia globalizada, das reformas liberalizantes em políticas comerciais e de cooperação entre organizações internacionais e de regulação BM-Banco Mundial, UNCTAD-Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento que estrutura um campo de poder econômico e ideológico-político no qual os Estados dos países pobres ou em desenvolvimento são assessorados para atuar no mercado internacional e preservar a 8 A Comunicação Empresarial (Organizacional, Corporativa ou Institucional) compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para criar e manter a imagem de uma empresa ou entidade (sindicato, órgãos governamentais, ONGs, associações, universidades etc) junto aos seus públicos de interesse (consumidores, empregados, formadores de opinião, classe política ou empresarial, acionistas, comunidade acadêmica ou financeira, jornalistas etc) ou junto à opinião pública Fonte: Bueno, Wilson (2006, p.14). 9 A partir dos anos 1970, a Escola Francesa conceitua discurso como praticas sociais determinadas por um contexto sócio-histórico e são constitutivas do contexto social. Nesse modo de conceituar também proposto por Foucault (1995), o discurso é entendido como um modo de ação ou uma forma em que as pessoas agem sobre o mundo e sobre os outros. É a maneira de representar a crença e o conhecimento (PINTO, 1999, 26).

6 natureza. Desse modo, a Amazônia discutida nessa pesquisa é pensada segundo novas estratégias como citada por Almeida (2008, p.106): (...) na Amazônia o campo da mediação se tornou mais complexo, com novas possibilidades de regulação, e verifica-se uma recusa cada vez maior, por parte das comunidades e povos tradicionais de delegar poderes a agências e agentes externos aos grupos sociais representados. No Brasil, ás agências internacionais tem atuações demarcadas que abrange as décadas de 1960 a 1970 e todas que atuam no Brasil tem contrato e autorização da Agência ABC por meio do ministério das relações exterior. Essa atuação, segundo Pantaleón (2002, p. 238) pode ser dividido em três períodos. As primeiras organizações eram predominantes religiosas e suas ações eram baseadas na militância política voluntária. Nesse primeiro período, as relações internacionais eram baseadas nos motivos religiosos, políticos e filantrópico. O segundo momento compreende a fase de redemocratização do país e a terceira o empreendedorismo e capital social com base nos objetivos do objetivo do milênio. Esses objetivos foram incorporados a maioria dos projetos socioambientais implantados na Amazônia no âmbito do PPG7 ( ). Essa fase também coincidiu com o direcionamento das relações internacionais por meio das agências multilaterais (PNUD e Banco Mundial, dentre outras). No desenvolvimento deste trabalho no campo social, há criação de instituições como a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - ABONG (1991); o compromisso de mediadores com setores populares. Nessa terceira fase as agências de cooperação promovem ajuda jurídica e reintegração dos direitos. As agências internacionais, juntamente com as ONGs, deixam o trabalho de caráter filantrópico e objetivam desenvolver o capital social 10, e o empreendedorismo com sustentabilidade socioambiental, seguindo programas das agências multilaterais (PNUD e Banco Mundial). Essa amplitude de trabalho, com as premissas do empreededorismo, ocorre no contexto globlizado é essa é uma das principais diferenças dessa terceira fase. Entretanto, para cumprir o planejamento dos programas das agências multilaterais, vários discursos são descontruídos, construidos e utilizados em torno do Desenvolvimento Sustentável, combate à pobreza e preservar a natureza, dentre outros. Embora essas organizações internacionais se mostrem com boas intenções no que se refere à implantação desses programas na região Amazônica, inclusive alguns projetos no âmbito do PPG7 como PPTAL, Promanejo e ProVárzea, esta pesquisa constatou que nessa relação há um confronto de relação de força, em virtude dos diferentes interesses dos diversos agentes sociais, em especial as populações tradicionais. O problema dessa relação não é somente as crises de comunicação e soberania, 10 Um dos primeiros teóricos a utilizar o termo capital social nos círculos acadêmicos foi Lyda Judson Hanifan, em Seguindo uma ordem cronológica, Pierre Bourdieu (1980), James Coleman (1988), Robert Putnam (1993) e Sen (2000), são referências na elaboração do conceito de capital social na contemporaneidade. Nesse sentido, a primeira análise contemporânea sistemátizada sobre o capital social foi de Bourdieu e tem como enfoque as estratégias de reprodução ou a mudança de posição na estrutura social. Dessa maneira, dos três autores é o único a incluir, na estrutura de análise do capital social, a noção de conflito. Ver mais referências sobre capital social em: SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Cia. de Letras, p O autor, além de citar Coleman (1990) e Putman (1993), Sen (2000, p. 345) apresenta outros autores que ampliam a discussão de capital social na visão de Coleman, Putman.

7 como apontado por Imme Scholz e Regine Schönenberg (2007, p. 104), mas também relação de poder de ordem financeira e de conhecimento. À categoria conhecimento relacionada à gestão e ao conceito de capital social, não há convergência. Ao analisar os perfis dos profissionais sob o ponto de vista da categoria capital social, como conceituada por Bourdieu (1998), observou-se, no âmago das atividades dos consultores (mediadores) na execução dos projetos ambientais, uma outra realidade, ainda não revelada. Não se trata apenas de consultores com formação acadêmica, mas de profissionais com curso técnico, especialistas, mestrandos, doutorandos e pós-doutores que representando organizações internacionais (DFID, GTZ, USAID), em especial da Alemanha, escolheram a Amazônia para ampliar seus estudos têcnicos e acadêmicos por meio dos projetos socioambientais. Esse perfil de consultor se apresentou de forma diferenciada do profissional que presta consultoria para área comercial e que visa resultados em recursos humano e produção. Aqui emergiu a influência dos ideiais do movimento ambiental ou partido verde alemão, pois esses tem como ideal além do exigido nos projetos,acreditam na mudança social e acabam até se envolvendo com as comunidades,chegando a ficar dividido entre o que precisa ser feito e o que dever ser feito. Nesse campo é preciso esclarecer sobre o papel e o objetivo das agências de cooperação internacional e das organizações não-governamentais ONGs, uma vez que, esses papeis nem sempre se apresentam com clareza. Na verdade, a agência é uma organização pública ou privada que representa um pais, no exercício das atividades e em alguns casos trabalham com organizações sem fins lucrativos. Nessa conceituação podem ser citados pela ordem de fundação, quatro exemplos de agências: (1) Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (United States Agency for International Development - USAID (1961), (2) Department for International Development - DFDI e a (3) Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit GmbH- GTZ (1974), e (4) L'Institut de Recherche pour le Dveloppement (IRD). Na visão de Ribeiro (1994, p. 20) o campo ambiental é composto por cinco segmentos de diferentes atores: agências governamentais, órgãos ou instâncias do Estado brasileiro; as agências multilaterais e bilaterais de financiamento e cooperação, nesse contexto destaca-se o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Organização das Nações Unidas; o capital privado, ou seja, o agrupamento de empresários conscientes da produção responsável e não predatória aos recursos naturais; ONGs nacionais e internacionais e, as populações locais que participam nos processos de desenvolver projetos ambientais, representadas por mediadores e/ou movimentos sociais. que: No que se refere a atuação e investimentos dessas agências na Amazônia o MMA informa Os recursos investidos, cerca de 463,1 milhões de dólares, canalizados e administrados por meio do Fundo Fiduciário das Florestas Tropicais (RFT), gerenciado pelo Banco Mundial, foram doações dos países mais industrializados do mundo (G7), da Comissão Européia (CE), dos Países Baixos e de

8 contrapartidas do governo brasileiro. A contribuição internacional ocorreu por meio de cooperações financeiras e técnicas viabilizadas pela Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID). Parcerias que atravessaram a virada do século, um arranjo inovador com potencial para inspirar experiências similares em outros contextos (MMA, 2009, p. 2). Quanto esse investimento, participação e parcerias das agências e fundos de cooperação internacional, evidencia-se um campo na Amazônica que se constitui em uma rede de atividades voltadas para populações tradicionais e pequenos agricultores e o manejo de produtos sustentáveis com a intersecção de diversas instituições de diferentes nacionalidades. A consultoria técnica e científica foi a metodologia empregada para o intercâmbio de experiências, não só da cooperação técnica alemã, mas do DFID, USAID e IRD. Nesse sentido, em que se refere a Alemanha é por meio do Centro de Migração Internacional e Desenvolvimento CIM. De acordo com o CIM trata-se de pessoal experiente com a atuação no mercado de trabalho europeu (ALEMANHA, 2003, p. 28). Há tambem a participação de institutos e universidades que provem pesquisadores e técnicos que por meio do DAAD - Deutscher Akademischer Austausch Dienst - Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico ou outras instiuições alemãs participam como consultores em projetos sociais e ambientais em paises parceiros. No caso do PPG7 contou com vários tipos de consultorias, mas predominou essas como aqui citadas (ALEMANHA, 2003). A presença de várias instituições e consultores suscita enunciados e idéia de que está sendo desenvolvido o capital social e a qualidade de vida na região Amazônica. Entretanto, ao visitar comunidades, algumas delas inclusas nos projetos da cooperação internacional, constatase outra realidade. A imagem encontrada nas comunidades tradicionais difere da apresentada em eventos, projetos, documentos, relatórios e narrativas das organizações. De acordo com o IBGE (2009) e visitas realizadas em alguns municípios evidencia-se que as comunidades tradicionais que se dedicam ao extrativismo artesanal possuem condições de vida muito rudimentares. São componentes do cotidiano destes atores sociais: a falta de água potável, atendimento médico, educação básica, habitação confortável, condições de trabalho saudáveis. Algumas regiões do litoral não têm infraestrutura de canalização de esgoto, recolhimento público de lixo, água encanada, luz elétrica e serviços de telecomunicações. Falta o comprometimento do poder público e das instiuições locais responsáveis por esses serviços. A abrangência do assunto, o escopo teórico e o espaço do artigo não relatam todos os discursos e tampouco explicam completamente todas as etapas da atuação e consultorias das organizações internacionais na Amazônia. Essa discussão é pautada nas narrativas tradicionais e modernas no quadro das experiências comunicacionais referente à relação de pesquisadores, consultores e técnicos que representam essas instituições na Amazônia.

9 Os discursos e sentidos em torno da atuação das Agências internacionais e das populações tradicionais têm um caráter etnográfico e organizacional no campo da comunicação e das relações sociais. Apresenta uma visão de vida dos técnicos e consultores com formação especializada no âmbito de uma sociedade urbana nos principais países da Europa e sua interface com as populações tradicionais da Amazônia. Penetrar nesse mundo de diferentes experiências é descobrir significados mais profundos das convergências e divergências das relações sociais. Na relação para negociar valores monetários e subjetivos sobre os produtos da floresta, as populações têm interesses e necessidades que diferem dos interesses dos discursos do mercado globalizado. Nos discursos e histórias de vida das populações tradicionais há diferentes quadros das experiências tradicionais, modernas e significados do trabalho de mulheres, crianças e adultos que organizam sua existência em torno dos produtos da floresta (MARIN, 2007; GOFFMAN, 1991). Em ambos discursos está implícita a construção da realidade na Amazônia. Há várias obras que procuram compreender a construção da realidade social e da experiência. Na perspectiva da construção social destaca-se a contribuição de Berger e Lukmann (1997), que descreveram a construção social como uma combinação de realidade social e interação simbólica. Afirmaram que a realidade de que fazemos coletivamente a experiência, de fato, foi construída pelas nossas interações sociais. Nesse contexto do processo da construção social faz-se necessário compreender as experiências modernas e tradicionais. A tradição e a modernidade são representações do mundo que se encontram em qualquer época e que coexistem em todas as culturas. Assim, esses dois termos nomeiam representações do mundo, modos de ser e de estar e estilos de vida que podem ser encontrados em diferentes épocas histórica, em qualquer situação social, conforme os ideais, valores e experiência estética de cada indivíduo. Essas representações de mundo permite legitimar e racionalizar os comportamentos, as ações e os discursos, como também de integrar os acontecimentos na construção de um todo coerente e com isso dar sentido às experiências (RODRIGUES, 1997). Com essa reflexão teórica da construção da realidade evidenciou-se que as agências de cooperação internacional por meio de seus técnicos e consultores como também a realização do trabalho das populações tradicionais (produtos florestais) são permeadas de histórias, de tradição e de experiências de vida. Ambas as situações vividas por esses atores sociais (agentes) colaboram para formar e estruturar experiências. Do ponto de vista do paradigma discursivo, esses relatos permitem compreender parte da construção da vida social na Amazônia no âmbito da globalização da política ambiental.

10 3. Projetos Socioambientais e Discursos na Amazônia Como estão estruturados as agências internacionais e os Projetos socioambientais na Amazônia junto as organizações das populações tradicionais? Técnicos, consultores e peritos da cooperação internacional mesmo estando distante dos escritórios centrais e de seus respectivos países utilizam práticas de comunicação para implantar seu trabalho de consultoria técnica. A distância não impede de implementar e introduzir os discursos e a gestão propostos pelos objetivos das agências como demonstrados a seguir: Agências Internacionais GTZ Alemanha Cooperação Técnica Alemã para o Desenvolvimento USAID Estados Unidos Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento DFID Reino Unido Departamento Internacional para o Desenvolvimento IRD França Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Discursos mudar a atual realidade através do apoio ao desenvolvimento e adoção de sistemas sustentáveis de manejo florestal na Amazônia Assistir ao governo e à sociedade por meio de programas de qualidade que fomentem o desenvolvimento social e econômico sustentável, preservem o meio ambiente e que busquem mitigar a disseminação de problemas transnacionais promover o desenvolvimento sustentável para eliminar a pobreza do mundo uma instituição singular no panorama da investigação europeia para o desenvolvimento Tabela elaborada pela autora com base em material institucional das respectivas agências O quadro acima, resume os discursos e os sentidos, em que está implícito o ideal de desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida para as populações da Amazônia. Os discursos são diferentes, mas os objetivos são os mesmos, principalmente do Banco Mundial que propõe um Mundo sem Pobreza. Esses discursos são direcionados para toda a sociedade, mas é no campo ambiental e econômico que está a maior parte dos projetos ambientais relacionados ao extrativismo de produtos florestais não madeireiros implementados em comunidades financiadas por organizações internacionais: religiosas, ONGs (Grupo de Trabalho da Amazônia GTA, agências de cooperação internacional (USAID, DFID, IRD, GTZ). Complementando os discursos das Agências internacionais, nas palavras do MMA: o PPG7 apostou na inovação, na participação social e nas parcerias para testar alternativas sustentáveis de manejo dos recursos naturais compatibilizando ações de proteção com a geração de renda e a melhoria das condições de vida das populações locais (MMA, 2009, p. 7). A pesquisa evidenciou que a participação social é um enunciado presente em todas as organizações aqui citadas (GTZ, PNUD, BM, GTA). Entretanto, constata-se que sem

11 comunicação não há participação. De acordo com Bordenave (2002, p. 68): sem comunicação não pode existir a participação. De fato a intervenção das pessoas na tomada de decisões requer pelo menos dois processos comunicativos: o de informação e o de diálogo. Sob essas premissas e conforme evidenciado, se houve participação, foi somente para alguns segmentos de atores sociais, pois, a principal organização de cooperação técnica GTZ não teve uma política de comunicação abrangente que atendesse os diferentes públicos (agentes sociais) envolvidos com o PPG7 na Amazônia. Então, pode-se afirmar que a participação, como citada nas práticas comunicacionais dessas organizações não ocorreu, pelo menos no período de implementação do PPG7. Vejamos em um conceito, mais ampliado, o que significa participação: A participação democrática se baseia em canais institucionais. Em primeiro lugar, de informação; não há participação popular sem informação qualitativamente pertinente e quantitativamente abundante sobre os problemas, os planos e os recursos públicos. Em segundo lugar, canais de consulta. Em terceiro lugar, canais de reivindicação e de protesto (BORDENAVE, 2002, p. 68). Ainda sobre essa conceituação de participação o autor esclarece que esses canais têm que ser visíveis de amplo e fácil acesso. Além disso, é preciso que se saiba o que se pode reclamar e com quem (BORDENAVE, 2002, p. 68). Quanto as experiências alternativas, citadas pelo MMA (2009) e consultorias estão os negócios sustentáveis (econegócios) que devolvem seringa, frutas, produtos para uso cosmético e medicinal, fibras naturais, sementes e produtos artesanais. A questão para os produtores dos pequenos econegócios é agregar valor e qualidade aos produtos extrativistas também denominados de agroflorestais. De acordo com os econegócios e/ou agroflorestais envolvem empreendimento de grande e pequena escala com o apoio de grandes corporações nacional e internacional e empresas que lideram o mercado. As populações tradicionais por meio de associações e cooperativas produzem e comercializam produtos denominados sustentáveis. Os discursos evidenciados nos entrevistados em algumas comunidades no nordeste paraense e nos documentos pesquisados revelaram algumas adequações e transformações da organização de trabalho em função do contato com modernas experiências. Nesse quadro de experiência contatou-se que anterior a essa fase da globalização da política ambiental as populações locais entendiam os recursos naturais como capital produtivo. Em especial os produtores familiares considerava como meio de subsistência e um bem econômico e uma experiência a ser transmitido para os filhos. Como apresentado por (BENTES, 2004) no artigo A apropriação ecológica de seringais na Amazônia e a advocacia de plantations. A exemplo de Bentes (2004) há várias pesquisas que evidenciam que os habitantes da Amazônia desflorestavam, mas igualmente, devido às experiências tradicionais acumuladas e

12 transmitidas por gerações manejaram e conseguiram preservar as florestas nativas. No entanto, na Amazônia as empresas e pequenos produtores familiares das populações tradicionais ora tiveram visibilidade na mídia como produtores de produtos sustentáveis ora foram tratados como vilões ambientalistas. Nesse contexto da globalização da política ambiental passaram a ter contato com políticas burocráticas e com leis que penalizam infratores. Assim, por meio dessas políticas e acordos burocráticos firmados com o PPG7 ocorreu o contato das populações tradicionais com técnicos das instituições da cooperação internacional. Contudo, mesmo com a assessoria das organizações internacionais a informação sobre essas experiências com negócios sustentáveis ainda é ineficaz. Nesse sentido, as agências de cooperação internacional no Brasil não trabalham com política de comunicação e tampouco com dados transparentes para informar a sociedade. Apesar do montante investido de capital alemão em projetos ambientais na Amazônia somente no primeiro trimestre de 2010 a GTZ estruturou serviços de assessoria de comunicação no Brasil em sua sede em Brasília. Vale ressaltar que o PPG7 encerrou atividades em 24 de setembro de Por conseguinte, há divulgação em diversas mídias e com diferentes discursos sobre a intervenção internacional da Amazônia em vez da palavra cooperação. Isso é visível, e especialmente, quando Paulo Adário do Greenpeace diz que a economia da Amazônia é tão ou mais globalizada do que a de outras regiões já que os principais produtos da região soja, madeira e carne são commodities no mercado internacional. Ainda sob a constatação de Adário, quando o assunto da internacionalização na Amazônia é discutida na mídia não falam das multinacionais, mas citam a intervenção das ONGs e das organizações dos Países do G7, enquanto as maiores empresas estrangeiras de soja Cargil, Bunge, ADM e Dreifuss não são sequer citadas. Isso resume a atual relação de comunicação e poder sobre o debate acerca do campo ambiental da Amazônia. Assim, essas relações de comunicação desse campo são, dessa maneira, relações de poder que dependem do capital simbólico dos atores sociais e instituições envolvidas, relacionado às estruturas materiais e institucionais da sociedade. Nesse sentido, é preciso questionar como é a comunicação no interior dos campos discursivos sobre a Amazônia e as organizações internacionais dos países do G7. Para (ESTEVES, 2003, p. 24), a comunicação no interior dos públicos pode, então ser assim qualificada: Uma comunicação reflexiva, agonística, argumentativa e racional, desenvolvida em torno de exigências de validade assumidas através de discursos. Na visão de (ESTEVES, 2003, p. 28), a importância da comunicação está patente ao nível da capacidade performativa dos públicos, na sua qualificação como verdadeiros agentes sociais, com um padrão de ação pautado por elevadas exigências racionais e reflexivas.

13 Retomando a discussão da produção dos produtos sustentáveis e o desafio dos dados e informação constata-se algumas exceções como o projeto implementado pelo PPG7 11 que teve o apoio da cooperação internacional (Países Baixos). O PNS - Projeto Negócios Sustentáveis, intensificado em 2004, visava identificar e divulgar instrumentos e políticas que fortaleçam setores produtivos na Amazônia. Apesar da divulgação do PPG7 pelo MMA - Ministério do Meio Ambiente e de ONGs que atuam nesse campo, a questão da informalidade e a abrangência desse mercado ainda é complexo e não há informações e dados quantitativos e qualitativos sobre essa atividade. Por outro lado, essa pesquisa aponta que, apesar da importância dos produtos sustentáveis para a qualidade de vida e redução do desmatamento na Amazônia essa questão ainda não foi desenvolvida de modo sistemático no agendamento diário da imprensa brasileira, exceto os veículos especializados e a internet, que na maioria das vezes apenas reproduz os fatos divulgados na grande imprensa nacional. No âmbito local e nacional da cobertura jornalística brasileira observa-se que as informações relacionadas ao meio ambiente, à biodiversidade e ao meio ambiente geram notícias, como constatados por Costa (2008) e confirmadas pelos resultados preliminares dessa pesquisa, em geral são vinculadas às questões de ordem política e econômica. Melhor explicando, apesar do país apresentar comprovada biodiversidade relacionada aos negócios sustentáveis, exceto os veículos especializados, é no campo político e econômico e, efetivamente através de notícias sensacionalistas e política que o leitor toma conhecimento sobre a dimensão dos produtos sustentáveis. No âmbito da imprensa regional, a cobertura feita pelos veículos sobre meio ambiente e econegócios não antecipam os fatos, ou seja, de um modo geral noticiam apenas o que está sendo discutido na agenda diária da mídia nacional. Nesse campo ambiental de relação de poder, em que só se divulga informação quando o assunto gera notícia, também ficou visível a falta de políticas públicas mais abrangentes para essas populações no que diz respeito aos seus conhecimentos e experiência no manejo sustentável de seus produtos. Há falta mediação na articulação de interesses de diferentes atores sociais, particularmente as que englobam as reivindicações das sociedades indígenas e povos tradicionais (seringueiros, pescadores, ribeirinhos, quilombolas ) entre outras. O desafio continua sendo o combate à pobreza e a falta de estrutura dos serviços sociais complementada por uma coerente comunicação institucional para repassar informações às comunidades. Entretanto, o acesso a essas informações e a melhor compreensão desse campo de negócios sustentáveis e das ações da cooperação internacional na Amazônia poderia 11 No período de março a junho de 2004, o PNS apoiou a implementação de 50 iniciativas nos nove estados da Amazônia Legal: nove no Acre, uma no Amapá, 13 no Amazonas, oito no Maranhão, duas no Mato Grosso, cinco no Pará, quatro em Rondônia, quatro em Roraima e nove em Tocantins Fonte: (PPG7, 2005, p.72).

14 proporcionar lições e ensinamentos para buscar êxitos e sustentabilidade nos futuros negócios e criar subsídios a fim de direcionar o trabalho dos técnicos da cooperação internacional para conceituar as práticas comerciais das pequenas organizações das populações tradicionais na Amazônia. A pesquisa identificou que não houve a participação dos agentes sociais como descritos nos relatórios GTZ, MMA (2004), MMA (2009), pois sem informação não há comunicação como ficou comprovado pela ausência de algumas práticas de comunicação, conforme a conceitução Bordenave. A GTZ até 2009 não contava com profissional de comunicação para a sede em Brasilia, assim não havia um responsável para que o público (agentes sociais) pudessem recorrer. Na percepção sobre a Amazônia e o discurso ambiental ainda prevalece no imaginários da opinião pública, quatro grandes eventos comprovaram não só interesse, como também a participação efetiva no debate sobre o pelo enunciado Amazônia. Os mais importantes evidenciados por esta pesquisa foram: (1) European Development Days - The 2nd European Development Days in Lisbon (nov. 2007), (2) Colloque international Problèmes dans l appropriation territoriale du développement durable: une modernité réinventée - Pau/ França (Nov.2007), (3) KCTOS: Wissen, Kreativität und Transformationen von Gesellschaften - Viena/ Áustria (dez. 2007) e (4) Fórum de política de desenvolvimento da Fundação Heinrich Böll Klima und Wandel in Amazonien Clima e Mudanças na Amazônia, realizados em fevereiro de 2008, em Berlim/Alemanha. Eventos é uma das técnicas de comunicação aproximativa que constitui-se em veículo de significativa importância no mix de comunicação. Esse veículo de comunicação dirigida destina-se a públicos homogêneos com interesse comum e foi uma das práticas de comunicação mais utilizada pela cooperação alemã na Amazônia. Esses eventos ora patrocinado pela GTZ e na maioria das vezes pela Fundação Heinrinch Böll congregou muitos agentes sociais. Dessa maneira, foram realizados, cursos, oficinas, reuniões, palestras e uma infinidade de ações que reuniu comunidades tradicionais, técnicos, consultores representando suas respectivas instituições. No entanto, o uso dessa técnica não garantiu o consenso e tampouco a mudança de comportamento dos agentes sociais. Assim, as entrevistas e relatórios conferiram que em muitas reuniões houve contradições e discussões calorosas como o seminário promovido pela Fundação Heinrich Böll (HBS) com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA) propondo Um novo modelo institucional para o PPG7 realizado em Brasília em 15 de maio de Do mesmo modo, o Fórum de política de desenvolvimento da FHBS Klima und Wandel in Amazonien Clima e Mudanças na Amazônia realizados em fevereiro de 2008 em Berlin/ Alemanha. Em ambos foi travado muitas discussões, relações de força em que estava implícito a governança, a soberania permeada por discursos. O seminário de 2001 foram as acusações e a o problema das instituições brasileiras que ainda não estavam afinadas com o Programa Piloto e a cobrança dos financiadores. No seminário de 2008 a

15 discussão foi a mudança climática e a responsabilidade do consumidor Europeu que precisava ser mais seletivo em suas compras. Chegaram a afirmar que, um bife no prato significa contribuir com o desmatamento na Amazônia. Foram palavras e enunciados que emergiram desse evento e também nas entrevistas. Muitos discursos e contradições atravessaram o campo da cooperação técnica e o debate foi para a mídia, mas não em qualquer veículo isolado, mas em rede e nos papers e relatórios de especialistas sobre a Amazônia (KOLK, 1998; SCHOL & SCHÖNENBERG, 2007). As autoras referem-se à política da Amazônia, que é influenciada pelo medo das instituições brasileiras, que têm medo do poder dos estrangeiros que poderiam deixar a região amazônica sob a custódia internacional, a fim de apropriar sua riqueza (do desconhecido) (KOLK, 1998). Nas palavras das entrevistas, assim como nos relatórios esse medo é um assunto constante das conferências, dos artigos de jornal e dos debates da Internet em Brasil. A discussão é tão forte nesse sentido que chega a atingir os doadores. Nesse sentido, os relatórios e noventa por cento das entrevistas alegaram que: isso força a cooperação internacional e os seus parceiros brasileiros (instituições) a serem cuidadosos e manter cautela ao se aproximar ou intervir no território brasileiro (SCHOLZ & SCHÖNENBERG, 2007). Assim, o trabalho da cooperação ficou um tanto limitado e os doadores tendem a mudar essa perspectiva em especial na Amazônia. Esse receio fundamentou o fato da qualificação de organizações brasileiras e os indivíduos envolvidos nas questões ambientais e nas técnicas para processos de negociação e de cooperação. Nesse contexto, percebe-se que o estabelecimento das redes ganharam importância (SCHÖNENBERG, 2007). Sob esse prisma as entrevistas e relatórios foram unânimes os doadores não podem controlar (ou mesmo influenciar) os parâmetros políticos responsáveis para a reforma da política. Nesse sentido, afirmaram verbalmente que não podem interferir na política, social e econômica do país. Desse modo, podem somente investir na criação do conhecimento alternativo (opções sustentáveis do uso de recurso) e do capital social, a fim aumentar as oportunidades para reforma da política" (informação verbal) 12. Para as referidas autoras, como para os demais consultores entrevistados, capital social significa uma massa crítica das pessoas que pelo menos compartilham parcialmente de uma visão comum nos problemas e nas soluções possíveis para a gerência de recursos naturais e do desenvolvimento sustentável no Amazônia, baseada em experiências práticas comuns com processos da negociação e da cooperação. A questão do capital social, categoria como conceituada por Bourdieu (1998), estava presente nos relatórios e durante as entrevistas foi citada em vários momentos, chegando a ser polifônica. Além dessa citação e da visão dos consultores, outro aspecto evidenciado refere-se ao 12 Informação verbal concedida em entrevistas durante o período de estágio em Berlim (set./2008) e constante no relatório do DIE (2007): SCHOLZ, Imme; SCHÖNENBERG, Regine. The pilot programme to conserve the Brazilian. In: ALTENBURG, Tilman (Ed.). Experiences of German Development Cooperation Rainforests. Bonn: DIE, p

16 papel dos consultores como mediadores na execução dos projetos ambientais. Não se trata apenas de consultores com formação acadêmica, mas de profissionais com curso técnico, especialistas, mestrandos, doutorandos e pós-doutores que representando organizações internacionais (BM, BMZ, GTZ, KFW), escolheram a Amazônia para ampliar seus estudos têcnicos e acadêmicos por meio dos projetos socioambientais. Nesse campo, não apenas simbólico, os desafios e a construção de discursos ora hegemônicos, ora divergentes, foi o espaço para a prática do capital social e da relação de poder. Segundo Bourdieu (1998, p. 29), o conhecimento é poder e compõem o capital social. 4. Considerações Finais O instrumental teórico da análise do discurso, assim como a teoria com base na comunicação e experiência utilizadas para discutir as narrativas das organizações da cooperação internacional, que desenvolvem projetos ambientais na Amazônia ( ), possibilitou examinar como as significações constituintes dos valores das diferentes experiências e valores tradicionais às vezes incluídos e excluídos nos discursos sociais. O contato com as populações tradicionais com o mercado competitivo como o econegócio foi inevitável e tem aspectos positivos e negativos. O positivo está relacionado ao sustento e meio de renda para a sobrevivência dessas populações e o desenvolvimento do saber local por meio da relação das diferentes experiências, entre outros. Entretanto, os discursos evidenciados nos entrevistados e em documentos revelaram que essas populações mesmo com assessoria internacional ainda desconhecem seus direitos e carecem de políticas públicas mais abrangentes e de informações institucionais básicas para implementar e manter seus negócios sustentáveis. No que concerne aos técnicos e as agências de cooperação internacional essa pesquisa preliminar identificou a falta generalizada de uma plataforma de intercâmbio de informações entre as diferentes formas de cooperação internacional técnica, científica e financeira na Amazônia. Além dos relatórios técnicos e científicos divulgado pelo PPG7 e para as próprias organizações e revistas especializadas, não há informações para o público fora do âmbito da cooperação técnica internacional. Nesse campo comunicacional há um verdadeiro vácuo, ou seja, quando se refere a relação da atuação da cooperação internacional relacionado ao meio ambiente na Amazônia, a informação vem, de um modo geral, em linguagem totalmente técnica ou através de artigos sensacionalista implícito num discurso de xenofobia. Assim, a mídia utiliza a linguagem da xenofobia com metáforas, cujos discursos estão fundamentado nos enunciados: intervenção internacional, a ameaça de internacionalização da Amazônia, alguns acreditam que uma

17 ocupação internacional já está acontecendo etc. Os enunciados são diversos, mas em todos estão implícitos a intervenção internacional na Amazônia 13. As organizações da cooperação internacional bilateral ainda não conseguiram reduzir totalmente o desmatamento e a pobreza, mas têm desempenhado um papel relevante no âmbito da implementação do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Contudo, a pesquisa preliminar no Brasil e na Europa identifica a falta de uma plataforma de intercâmbio de informações entre as diferentes formas de cooperação internacional técnica e científica na Amazônia. Nesse sentido, não há intercâmbio de informações entre os setores científicos, o governo e as associações de base, o que vem reforçar essa problemática, pois não ocorre a integralização de conhecimentos existentes com os instrumentos jurídicos institucionais disponíveis para viabilizar os interesses sociais e a exploração adequada dos recursos da região. Desse modo, buscou-se identificar nas narrativas os discursos no quadro da experiência das populações tradicionais e dos técnicos e consultores das organizações internacionais que atuam em projetos ambientais na Amazônia. Ao analisar os fragmentos desses discursos coletados, observa-se algumas mudanças que impulsionaram a transformação das significações das identidades e no cotidiano dessas populações e dos técnicos. A percepção acerca do campo do ambiental e o trabalho de consultoria técnica na Amazônia são de intensas disputas e negociações, reconstruindo e reproduzindo sentidos de poder, de comunicação, de conhecimento e de experiência. Ora essas experiências e contradições são excluídas, ora incluídas e às vezes tem significações simbólicas renovadas em relação ao poder e dominação. Por fim, esse trabalho procurou por meio dos discursos revelado no relato das experiências e interações das populações tradicionais e dos técnicos da cooperação internacional debater temas como, preservação do meio ambiente e negócios sustentáveis, temas sempre presentes no cotidiano da região Amazônica. Notas: A tese de doutorado é orientada pela profa. Dra. Rosa E. Acevedo Marin. A referida tese faz parte da linha de pesquisa Estado, Políticas Públicas e Cidadania desenvolvida pelo NAEA/UFPA, cujo objetivo é reunir trabalhos de pesquisa voltados para a discussão sobre o grau de intervenção dos aparatos do Estado e da iniciativa privada e as estratégias de poder adotadas na Região Amazônica, por segmentos sociais diversos. Esse trabalho é resultado da pesquisa campo realizada na Alemanha em A discussão teóricas tem por base o Seminário O Campo e o Discurso dos Media ministrado pelo Prof. Dr. Adriano Duarte Rodrigues no Curso de Mestrado e Doutorado da Universidade Nova de Lisboa no primeiro semestre de Durante o ano de 2007/2008, a autora desenvolveu pesquisa relacionada ao seu Estágio de doutorado no Departamento da Ciência da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa Portugal. Nesse período esteve sob a orientação do Prof. Dr. João Pissarra Esteves. A pesquisa de campo na Europa, entrevistas com cientistas, pesquisadores e técnicos e consultores das organizações alemães que prestam serviços de consultoria em projetos ambientais na Amazônia contou com o apoio institucional da Freie Universität - Berlin - Lateinamerika-Institut. 13 Compuseram o corpus de análise deste artigo várias matérias jornalísticas e entrevistas com técnicos e consultores de agências internacionais (USAID, IRD, GTZ, DFID). Entretanto, ressalta-se, que dada a grande quantidade de artigos, documentos e de entrevistas, não foi possível descrevê-los aqui em sua totalidade. As pesquisas foram realizadas na mídia impressa e eletrônica durante os anos: 2007, 2008, Principais Jornais pesquisados: O Diário do Pará e O Liberal.

18 Referências Bibliográficas ALEMANHA. Embaixada (Brasil). 40 anos de cooperação parta o desenvolvimento Brasil- Alemanha. Brasília, ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de. Antropologia dos archivos da Amazônia. Rio de Janeiro: Casa 8 - Fundação Universidade do Amazonas, BENTES, R. A apropriação ecológica de seringais na Amazônia e a advocacia das rubber plantations. Revista de História, ano 2004, n. 151, p BORDENAVE, Juan E. Diaz. O que é participação. São Paulo: Brasiliense, BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand, BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial: teoria e pesquisa. Barueri, SP: Manole, COSTA, Luciana. As madeireiras na berlinda do desmatamento: análise da cobertura do Jornal Diário do Pará nos anos 2003 e Trabalho apresentado no XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação Natal, RN 2 a 6 de setembro de Disponível em CD Rom: ESTEVES, João Pissarra. Espaço público e democracia. São Leopoldo, RS: Ed. Unisinos, FERNANDES, Marcionila; GUERRA, Lemuel (Orgs). Contra-discurso do desenvolvimento sustentável. 2. ed. rev. Belém: Associação de Universidades Amazônicas; Universidade Federal do Pará. Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Trad: Luiz Felipe Baeta Neves. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, GOFFMAN, Erving: Les cadres de l expérience. Paris: Éditions de Minuit, GONDIM, Neide. A Invenção da Amazônia. Manaus: Ed. Valer, LUCKMAN, Thomas; BERGER, Peter I. A construção social da realidade. 14. ed. Petrópolis: Vozes, l997. MARIN, Rosa Elizabeth Acevedo; ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno (Orgs.). Populações tradicionais questões de terra na Pan-Amazônia. Belém, PA: Associação de Universidades Amazônicas, PANTALEÓN, Jorge. Antropologia, desenvolvimento e organizações não-governamentais na América Latina. In: L'ESTOILE, Benoît de et alii. Antropologia, impérios e estados nacionais. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/FAPERJ, p PPG7. O caminho para a sustentabilidade. Brasília, DF: MMA, Disponível em: <http:/ Acesso em: 20 abr PINTO, Milton José. Comunicação e discurso: introdução à análise de discursos. São Paulo: Hacker Editores, RIBEIRO, Wagner Costa. A ordem ambiental internacional. São Paulo: Contexto, 2001.

19 . Cooperação internacional. In: Almanaque Brasil Socioambiental. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2007 RODRIGUES, Adriano Duarte. Tradição e modernidade. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, RODRIGUES, Adriano Duarte. Comunicação e experiência. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, SILVA, A. T. A Amazônia na governança global: o caso do PPG7. São Paulo, Tese (Doutorado) UNICAMP Universidade de Campinas. Disponível: Banco de tese da UNICAMP Biblioteca Digital: <http://libdigi.unicamp.br/document/list?tid=28>. Acesso em: 20 set SCHOLZ, Imme; SCHÖNENBERG, Regine. The pilot programme to conserve the Brazilian. In: ALTENBURG, Tilman (Ed.). Experiences of German Development Cooperation Rainforests. S. l.: Deutsches Institut für Entwicklungspolitik ggmbh, p SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, VIOLA, Eduardo. A globalização da política ambiental no Brasil, In: AGUIAR, Danilo; PINTO, J. B. (Eds.). Anais do XXXVII Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural: O Agronegócio do Mercosul e a sua Inserção na Economia Mundial. Brasília: SOBER, p Consultas Web: <Acesso em: 12 mar. 2010>. <Acesso em: 20 jun. 2010>. <Acesso em: 18 jun. 2010>. <Acesso em: 18 mai. 2010>. <Acesso em: 14 agos. 2010>. <Acesso em: 22 abr. 2010>. <Acesso em: 20 abr. 2010>. <Acesso em: 12 mai. 2010>. www. <Acesso em: 18 jun. 2010>. Eventos (2007 / 2008) European Development Days - The 2nd European Development Days in Lisbon (nov. 2007) Lisboa Portugal. Colloque international Problèmes dans l appropriation territoriale du développement durable: une modernité réinventée - (Nov.2007) - Pau/ França. KCTOS: Wissen, Kreativität und Transformationen von Gesellschaften - (dez. 2007) Viena/ Áustria Fórum de política de desenvolvimento da Fundação Heinrich Böll Klima und Wandel in Amazonien Clima e Mudanças na Amazônia, realizados em fevereiro de 2008, em Berlim/ Alemanha.

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