Contribuição à Audiência Pública ANEEL nº 10/2016

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1 Contribuição à Audiência Pública ANEEL nº 10/2016 Obter subsídios para o aperfeiçoamento dos artigos 16, I e 18 da Resolução Normativa nº 414, de 2010, para tratar os aspectos comerciais relativos ao fornecimento de energia elétrica aos condomínios industriais Brasília, 03 de maio de 2016.

2 SUMÁRIO 1. VISÃO GERAL DA CONTRIBUIÇÃO EXPERIENCIA INTERNACIONAL DE CONDOMÍNIOS INDUSTRIAIS E A POTENCIAL INTERAÇÃO COM CONDOMINIOS DE ENERGIA RENOVÁVEL LEGALIDADE CONTRIBUIÇÃO... 6 Contribuição à Audiência Pública nº 10/2016 2

3 1. VISÃO GERAL DA CONTRIBUIÇÃO A Nota Técnica n 0104/2015-SRD/ANEEL objeto desta Audiência Pública propõe a melhoria da redação do inciso I do art. 16 da Resolução Normativa nº 414/2010, de forma a deixar mais clara a possibilidade de contemplar no compartilhamento unidades consumidoras não contíguas separadas por via pública, desde que seja obtido ato autorizativo pelo interessado junto à ANEEL. A proposta desta contribuição é fazer um processo mais expedito, que não exija a solicitação de emissão de atos autorizativos da ANEEL. Ao longo deste texto de contribuição serão expostos pontos de vista a respeito da importância de flexibilizar a classificação de unidades consumidoras reunidas por comunhão de fato, quando localizadas em um condomínio industrial ou próximas deste, para que os benefícios esperados na regulamentação que advirá desta audiência pública sejam de fato atingidos. A proposta é que a existência de uma via pública - uma rodovia, por exemplo deixe de descaracterizar a contiguidade entre unidades consumidoras quando localizadas em uma área geográfica delimitada por um raio em torno de um condomínio industrial. Ou seja, permitir que unidades consumidoras industriais não contíguas situadas em um determinado raio a partir do centro de um complexo industrial possam ser consideradas pertencentes a um único consumidor - o condomínio industrial - para fins de aquisição de energia elétrica no mercado livre independentemente do fato de haver vias publicas entre estas unidades consumidoras. Nesta contribuição serão expostas experiências internacionais que ilustram os benefícios dos condomínios industriais para a atratividade econômica regional e sua potencial interação com as externalidades positivas das Fontes Alternativas criando assim um circulo virtuoso de desenvolvimento econômico e social (figura 1). Figura 1 potencial círculo virtuoso Benefícios das Fontes Alternativas: (i) Redução/postergação de necessidade de investimento na rede elétrica, (ii) redução das perdas elétricas, (iii) menor prazo para entrada em operação comercial e (iv) aumento da confiabilidade por estarem localizadas próximas aos centros de carga. Benefícios dos condomínios industriais: (i) Desenvolvimento de infra-estrutura, (ii) geração de empregos, (iii) incentivos à qualificação da mão de obra local e (iv) aumento da arrecadação de impostos. Contribuição à Audiência Pública nº 10/2016 3

4 2. EXPERIENCIA INTERNACIONAL DE CONDOMÍNIOS INDUSTRIAIS E A POTENCIAL INTERAÇÃO COM CONDOMINIOS DE ENERGIA RENOVÁVEL A partir da década de 90, nos países desenvolvidos, uma nova forma de competição entre as empresas passou a prevalecer. Ocorreu um movimento de diminuição da competição local para dar lugar a um modelo de competição pelos mercados globais a partir de células de excelência, dentre elas os complexos industriais. A localização continua a ser fundamental para usufruir de vantagens comparativas locais iniciais (ex.: incentivos fiscais, proximidade de matéria prima), porém atualmente a vantagem competitiva repousa sobre uma utilização mais produtiva de insumos e da inovação contínua. Na figura 1, ilustram-se exemplos nos EUA e Portugal. Estes complexos industriais tiveram um crescimento orgânico à medida que começaram a atrair novos fornecedores, empresas de inovação e universidades para os arredores destes complexos. O crescimento do número de empresas participantes destes complexos industriais permitiu o barateamento na aquisição de matérias primas e insumos, dentre eles a energia elétrica. Na regulamentação do setor de energia naqueles países, as distribuidoras, na maioria verticalizadas, podem comercializar energia no mercado atacadista. A distribuidora local compete na comercialização de energia com outros agentes de geração localizados ou não em sua área de concessão. Figura 1 Condomínios Industriais nos EUA e Portugal Fonte : No Brasil, os contratos de concessão e a regulamentação estabelecem que o seguimento de distribuição seja desverticalizado e que as unidades consumidoras estejam localizadas em uma mesma propriedade ou em propriedades contíguas, sendo vedada a utilização de vias públicas, de passagem aérea ou subterrânea e de propriedades de terceiros não envolvidos no referido compartilhamento. Portanto, os condomínios industriais brasileiros não conseguem usufruir do ganho de escala advindo do crescimento dos seus participantes e atuar como um único grande consumidor, com poder de barganha na compra de energia, no ACL. Contribuição à Audiência Pública nº 10/2016 4

5 Outro exemplo, sobre como a formação de condomínios de consumidores pode dar dinamismo ao setor de energia, é o da contratação de produtores independentes de energia para instalarem e operarem plantas de energia renovável, para fornecer energia aos consumidores desse condomínio (link abaixo) LEGALIDADE Regulamentando o 5o do art. 26 da Lei no 9.427, de 26 de dezembro de , a ANEEL criou a figura do consumidor especial, como sendo a unidade consumidora ou unidades consumidoras reunidas por comunhão de interesses de fato ou de direito cuja carga seja maior ou igual a 500 kw e que não satisfaçam, individualmente, os requisitos dispostos nos arts. 15 e 16 da Lei no 9.074, de 7 de julho de Deve-se deixar explícito que a reunião dos consumidores, de fato ou de direito, para o atingimento da carga necessária ao seu fornecimento por agente diverso da Concessionária de Serviço Público, só foi legalmente autorizado para um conjunto específico de geradores, a saber: PCH s, centrais hidrelétricas até 50 MW, CGHs, aqueles com base em fontes solar, eólica e biomassa cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a kw. Portanto, considerando se que a Lei nunca contém expressões inúteis, a autorização que o Legislador concedeu a estas fontes, torna o fornecimento de energia por outras fontes, para reunião de consumidores de fato ou de direito, totalmente ilegal. Caso contrário não existiria esta especificidade na Lei e o Legislador teria autorizado outras fontes, ou no máximo, sido omisso com relação ao referido assunto. Dessa forma, o entendimento desta Associação é o de que deve ser previsto pela ANEEL, em ato normativo, que somente podem comercializar energia nas condições acima apresentadas aqueles empreendimentos com características definidas em Lei. 1 Lei 9.427/2006 Art. 26. Cabe ao Poder Concedente, diretamente ou mediante delegação à ANEEL, autorizar: I - o aproveitamento de potencial hidráulico de potência superior a kw (três mil quilowatts) e igual ou inferior a kw (trinta mil quilowatts), destinado a produção independente ou autoprodução, mantidas as características de pequena central hidrelétrica; VI - o aproveitamento de potencial hidráulico de potência superior a kw (três mil quilowatts) e igual ou inferior a kw (cinquenta mil quilowatts), destinado à produção independente ou autoprodução, independentemente de ter ou não característica de pequena central hidrelétrica. 5 o O aproveitamento referido nos incisos I e VI do caput deste artigo, os empreendimentos com potência igual ou inferior a kw (três mil quilowatts) e aqueles com base em fontes solar, eólica e biomassa cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a kw (cinquenta mil quilowatts) poderão comercializar energia elétrica com consumidor ou conjunto de consumidores reunidos por comunhão de interesses de fato ou de direito, cuja carga seja maior ou igual a 500 kw (quinhentos quilowatts), observados os prazos de carência constantes dos arts. 15 e 16 da Lei n o 9.074, de 7 de julho de 1995, conforme regulamentação da Aneel, podendo o fornecimento ser complementado por empreendimentos de geração associados às fontes aqui referidas, visando à garantia de suas disponibilidades energéticas, mas limitado a 49% (quarenta e nove por cento) da energia média que produzirem, sem prejuízo do previsto nos 1 o e 2 o deste artigo. Contribuição à Audiência Pública nº 10/2016 5

6 4. CONTRIBUIÇÃO Na tabela a seguir, apresentamos nossa proposta de redação dos artigos 16 e 18 da minuta proposta para alteração da Resolução Normativa 414/2010, apresentada nesta Audiência Pública. Legenda : Texto vigente; Inclusão ANEEL na AP; Inclusão, exclusão TEXTO PROPOSTO AUDIÊNCIA PÚBLICA Art. 16. O fornecimento de energia elétrica a mais de uma unidade consumidora do grupo A pode ser efetuado por meio de subestação compartilhada, desde que atendidos os requisitos técnicos da distribuidora e observadas as seguintes condições: [...] I as unidades consumidoras devem estar localizadas em uma mesma propriedade ou em propriedades contíguas, sendo vedada a utilização de vias públicas, de passagem aérea ou subterrânea e de propriedades de terceiros não envolvidos no referido compartilhamento, salvo nos casos em que o interessado obtiver ato autorizativo da ANEEL; e TEXTO PROPOSTO Art. 16. O fornecimento de energia elétrica a mais de uma unidade consumidora do grupo A pode ser efetuado por meio de subestação compartilhada, desde que atendidos os requisitos técnicos da distribuidora e observadas as seguintes condições: [...] I as unidades consumidoras devem estar localizadas em uma mesma propriedade ou em propriedades contíguas; ou II unidades consumidoras não contíguas, localizadas em uma área geográfica delimitada por um raio de até 10 km de complexo industrial, desde que apresentem comprovações de que utilizam processo industrial ou compartilhem operações de unidades consumidoras pertencentes a esse mesmo complexo industrial; ou III nos casos em que o interessado obtiver ato autorizativo da ANEEL. Art. 18. O empreendimento com múltiplas unidades consumidoras, cuja atividade predominante seja comercial, industrial ou de prestação de serviços, pode ser considerado uma única unidade consumidora, observado o que estabelece este artigo. Art. 18. O empreendimento com múltiplas unidades consumidoras, que adquira energia elétrica proveniente de instalações de geração definidas em conformidade com o 5o do art. 26 da Lei no 9.427, de 26 de dezembro de 1996, cuja atividade predominante seja residencial, comercial, industrial ou de prestação de serviços, pode ser considerado uma única unidade consumidora, observado o que estabelece este artigo. Contribuição à Audiência Pública nº 10/2016 6

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