CONFERÊNCIA SOBRE A POPULAÇÃO

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "CONFERÊNCIA SOBRE A POPULAÇÃO"

Transcrição

1 Exclusivo / Luis Inácio Lula da Silva Em entrevista a Mundo, o candidato do Pt à Presidência promete dobrar os investimentos em pesquisa, promover a reforma agrária e a democracia radical. Lula fala, ainda, do Real, da dívida externa, da corrupção e de temas sociais como drogas, aborto e homossexualismo. Mundo dá, assim, continuidade à contribuição para o debate, iniciado em agosto, com a entrevista de FHC (do PSDB). Págs. 6 e 7 Geografia e Política Internacional As sete regras do Nacionalismo um território pertenceu a nós por 500 anos e a 1. Se vocês por 50 anos, ele deveria pertencer a nós vocês são meros invasores. Mundo um território pertenceu a vocês durante 500 anos e 2. Se a nós nos últimos 50 anos, ele deveria ser nosso as ANO 2 - No 5 SETEMBRO 1994 Tiragem da 1a Edição: 25 mil exemplares Navio do Greenpeace faz protesto na Amazônia O barco MV Greenpeace vai percorrer durante um mês o rio Amazonas, a partir de 8 de outubro, em protesto contra o desmatamento selvagem e exploração predatória do Mogno. Pág. 11 fronteiras não devem ser mudadas. um território pertenceu a nós há 500 anos, e 3. Se depois não mais, ele deveria pertencer a nós é o Berço de nossa nação. a maioria de nosso povo vive ali o território 4. Se deveria pertencer a nós assim o exige o direito à autodeterminação. a maioria de nosso povo vive ali, o território deve 5. Se pertencer a nós é a única maneira de nos protegermos contra a vossa opressão. 6. Todas essas regras se aplicam a nós mas não a vocês. sonho de grandeza reflete a necessidade 7. Nosso Histórica, o vosso sonho é fascismo. CONFERÊNCIA SOBRE A POPULAÇÃO ONU ignora a miséria dos povos James Boyce / Gamma terceira Conferência Mundial sobre a População, patrocinada pela ONU e realizada no Cairo, atualizou a polêmica sobre os significados da expansão demográfica e as políticas de controle da natalidade. A primeira Conferência (Bucareste, 1974) e a segunda (Cidade do México, 1984) foram palco das teorias neomalthusianas sustentadas pelos países ricos. Ecoando as idéias do economista inglês Thomas Malthus ( ) sobre a relação entre crescimento populacional e recursos naturais, essas teses atribuíam a pobreza do Terceiro Mundo à explosão demográfica que, desde a 2ª Guerra, multiplicava s população da Ásia, África e América Latina. O neomalthusianismo foi uma reação às teses que pediam novas relações, mais justas, entre o Norte próstodo o mundo, 49 milhões de pessoas foram expulsas de pero e o Sul miserável. No Cairo, as propostas de controle de Em suas casas e terras por guerras, perseguições, epidemias e natalidade apareceram com roupagens ambientalistas, explica a fome, afirma Newton Carlos. Pág 8 profª Regina Araújo. O debate, que opôs neomalthusianos a religiosos, ignorou os problemas urgentes causados pela miséria, como na África (págs. 4, 5 e 9). A Conferência tampouco deu respostas a questões colocadas pela rápida redução da natalidade em países pobres como o Brasil (pág. 8). A ONU acumula, assim, uma nova frustração. A Irlanda do Norte: Em acordo histórico com Londres, IRA abandona o terrorismo Diário de Viagem: O futuro do paraíso sueco na nova realidade européia Anistia Internacional: Organização cobra compromisso dos candidatos com direitos humanos O Meio e o homem: Controle da água é questão estratégica no Oriente Médio Pág. 3 Pág. 10 Pág. 10 Pág. 11

2 Outubro de 1994 Mundo SEM FRONTEIRAS Esta seção acolherá cartas de alunos e professores contendo opiniões e críticas não apenas a respeito dos assuntos tratados no boletim, mas também sugestões sobre sua forma e conteúdo. Só serão aceitas cartas portando o nome completo, endereço, telefone e identidade (RG) do remetente. A Redação reserva-se o direito de não publicar cartas, assim como o de editá-las para sua eventual publicação. Mundo traz uma importante contribuição no sentido de permitir uma compreensão atualizada e crítica das transformações em curso na geopolítica internacional. O índice de aproveitamento de leitura do boletim por parte de nossos alunos tem sido excelente. (Prof Paulo Fanaia, coordenador do Colégio Master, Cuiabá-MT) Somos uma escola comprometida em desenvolver uma visão crítica que capacite nossos jovens ao exercício da cidadania, com duplo objetivo: torna-los cidadãos politizados, participantes, influentes (objetivo geral) e equipa-los de informação e consciência crítica para enfrentar os vestibulares (objetivo prático). Com esse ideal, vivíamos à cata de literatura que apresentasse uma visão problematizadora e para tanto reuníamos daqui e dali gotas espersas, publicações de peso, ao lado dos grandes jornais com seus editoriais e artigos profundos, porém de difícil acesso a uma clientela pré-universitária. Finalmente, a solução chegou: temos o Mundo em nossas mãos, porque nossa equipe pedagógica optou pela assinatura desse jornal, capaz de auxiliar os nossos jovens e fazer leitura consciente do mundo; e de prepara-los a enfrentar com sucesso os grandes vestibulares. (Profª Augustinha Luiz M. de Rio Campo, chefe do depto. De Comunicação e Expressão do Instituto Americano de Lins-SP) O mundo tornou-se uma aldeia, alargando nossas fronteiras, exigindo que o conheçamos em detalhes. Essa exigência torna-se presente e inevitável para os vestibulandos que dispões, entretanto, de um período de tempo exíguo. E nessa corrida contra o tempo Mundo será um auxiliar precioso. Os estudantes do Universitário de São José do Rio Preto aprovaram Mundo e o elegeram leitura obrigatória. Parabéns! (Prof Adaumir Rodrigues Castro, curso Universitário de S. José do Rio Preto SP) Thomas Malthus, o profeta da superpopulação, e não Adam Smith, paladino do livre mercado converteu-se no mais importante pensador dos tempos vindouros. (Paul Kennedy, historiador e pensador político norte-americano, O Estado de S. Paulo, 03.ago.1994, pág. A2) A volta de Malthus assinala uma tendência de pensamento cada vez mais freqüente, não raramente associada às teses ambientais e ecologistas. Mundo no Vestibular l) (Unesp) A desigual distribuição de homens sobre a superfície da Terra pode ser mais bem explicada, principalmente devido: a) ao clima ser muito variado b) às condições históricas e às formas de povoamento c) aos incentivos econômicos que atraíram mais populações para certos lugares d) aos diversos fatores que se conjugam no espaço favorecendo ou restringindo a ação do homem e) às condições ecológicas, notadamente orográficas, que impediram o desenvolvimento econômico 2) (UFF-RJ) Há alguns anos, 31 países realizaram conferências em Genebra e Montreal, nas quais, se comprometeram a reduzir a produção e o consumo dos compostos de CFC (clorofluorcarbono) em 50% até 1999 em relação aos níveis de Esses gases, altamente nocivos ao meio ambiente, entram, por exemplo, na composição de determinadas embalagens e de produtos do tipo aerossol (ou spray). Seus efeitos diretos já foram detectados na atualidade. Assinale a opção correia que indica esses efeitos: a) O ataque imediato às grandes formações vegetais, sob a forma de chuvas ácidas, atuando sobretudo nas folhas de suas espécies b) A destruição da camada de ozônio que protege o planeta ao filtrar os raios ultravioletas do sol c) A esterilização dos mares e dos rios, na medida em que retiram o oxigênio de suas águas, comprometendo a vida marinha d) A degradação dos monumentos arquitetônicos, ao potencializarem a ação bacteriana sobre eles e) A diminuição da capacidade das plantas de realizarem a fotossíntese e que reduz, assim, a quantidade de oxigênio na atmosfera 3) (FMU-Fiam) Considere os seguintes movimentos populacionais em escala mundial: I) Migração de norte-africanos para os países da Europa Ocidental II) Migração de latino-americanos em direção ao nordeste dos EUA III) Migração de italianos do sul em direção às áreas industrializadas do norte da Itália IV) Migração de nordestinos em direção ao sudeste brasileiro Embora as áreas exemplificadas tenham diferentes graus de desenvolvimento, é possível identificar como causa comum aos movimentos o fator: a) administrativo, pois a pequena atuação do Estado em setores de atividade pode gerar instabilidade política. b) psicológico, pois as sociedades de consumo tendem a atrair grande número de imigrantes c) econômico porque a maior parte da população que migra o faz em busca de emprego d) natural, uma vez que os problemas de ordem física (terremotos, secas, inundações) podem levar à imigração em massa. e) histórico, pois todas as áreas que passaram por processos recentes de industrialização apresentam migrações. 4) (Unicamp-modificada) Ao observarmos um mapa político da África, percebemos que vários trechos de fronteira foram traçados em linha reta. Sabe-se que essas fronteiras cortam acidentes naturais e freqüentemente dividem, em Estados diferentes, povos com a mesma identidade cultural. Explique os processos responsáveis por essa configuração territorial. 5) (PUC-SP) Sobre o México, afirma-se: a) sua população é composta principalmente de adultos e velhos. b) seu relevo é plano e, seu clima em geral é úmido. c) toda a exploração de seus recursos minerais e energéticos é feita por empresas estrangeiras multinacionais. d) a reforma agrária de 1917 criou os éjidos. e) pertence ao continente centro-americano ATIVIDADES & AGITOS Paz no Oriente Médio: necessidade ou utopia? Você está convidado para esse debate, organizado por Mundo. Debatedores: Rabino Henry Sobel (presidente do rabinato da Congregação Israelense Paulista); Prof Nicolau Sevecenko (historiador da Universidade de São Paulo); Hassan El Emleh (presidente da Federação Palestina do Brasil); José Arbex Jr. (editor de Mundo) Mediador: Prof Demétrio Magnoli (da Redação de Mundo) Data: 20 de outubro, às 19h30 Local: Anfiteatro da Faculdade de História da USP (campus universitário SP) RESPOSTAS Seção Papo Cabeça O mundo quer ser iludido; seja, pois, iludido (Paracelso ) 1) d 2) b 3) c 4) A África foi partilhada pelos países europeus no final do século XIX, quando da realização do Congresso de Berlim. A definição das fronteiras coloniais só levou em conta os interesses dos países europeus que, viam a África como um grande reservatório de matérias-primas. Por isso, muitas vezes o desenho das tonteiras acompanhou o traçado dos paralelos ou meridianos. As conseqüências dessa ação das potências colonialistas se refletem até hoje através de conflitos que envolvem grupos étnicos colocados no mesmo espaço contra a sua vontade. Os conflitos entre tutsis e hutus em Ruanda exemplificam bem o caso. 5) d 2

3 PANGeA ACORDO HISTÓRICO NA IRLANDA DO NORTE IRA troca terrorismo por argumentos Cessar-fogo no Ulster muda cenário de violência criado pela ocupação britânica e transforma o ETA basco no último bastião do terror europeu SERVIÇO: Vídeos sobre o IRA e a ocupação do Ulster: Jogos Patrióticos, Phillip Noyce, EUA, 1992 Em nome do Pai, Jim Sheridan, EUA, 1993 * Das pessoas mortas nos 25 anos de conflito, mais de 2 mil eram civis * Na Irlanda do Norte, cercas de arame farpado e guaritas do Exército britânico separam os bairros católicos dos protestantes *A Grã-Bretanha mantém 18 mil soldados na província;os gastos inte e cinco anos depois do desembarque das tropas britânicas, a Irlan- V da do Norte deixa de ser o principal cenário de guerra na Europa Ocidental. O comunicado do IRA (Exército Republicano Irlandês) de 31 de agosto, anunciando a suspensão completa da luta armada pela independência, representa um novo começo no velho conflito entre católicos e protestantes. A presença britânica na Irlanda tem oito séculos, pontilhados pela resistência tenaz mais infrutífera dos irlandeses. A Reforma Protestante na Inglaterra, liderada por Henrique VIII ( ) agravou o conflito, adicionando a poção religiosa ao caldo explosivo da opressão nacional. O desembarque das forças de Oliver Cromwell, em 1641, deflagrou o longo processo de desnacionalização das províncias do norte da ilha (Ulster): os soldados receberam terras irlandesas, antecipando o intenso movimento migratório de protestantes britânicos expulsos pela dissolução das aldeias feudais na Inglaterra. A população católica, sujeita à perseguição, deslocou-se em massa para a América do Norte, configurando um nítido grupo nacional no melting pot dos Estados unidos. Desde o século XIX, os protestantes tornaram-se maioria no Ulster. O domínio britânico foi formalizado em 1801, com a incorporação da Irlanda à Grã- Bretanha através da constituição do Reino Unido. A Guerra Anglo-Irlandesa de foi encerrada com o Ireland Act. A Irlanda do Sul (Eire), de ampla maioria católica, ganhou o estatuto de Estado Livre, vindo a proclamar a república e a independência em O Ulster permaneceu sob o domínio da Coroa, com autonomia limitada no sociais provocados pelo conflito somam US$ 6 bilhões anuais interior do Reino Unido. Na década de 60, os católicos da Irlanda do Norte encheram as ruas de Belfast e Londonderry pedindo o fim da legislação eleitoral discriminatória oriunda dos antigos regulamentos da Ordem de Orange. As tropas de ocupação britânicas, solicitadas pelo governo protestante de Belfast, chegaram em abril de Começava a saga do IRA. O IRA nasceu na guerra de Nos anos sessenta, participou do movimento pacífico pelos direitos civis. Depois do Domingo Sangrento de Belfast, a 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos abriram fogo contra um protesto de rua, transformou-se na mais temida organização terrorista européia. Até o Eire, que defende a reunificação irlandesa e não participa da Otan, afastou-se do IRA. Há um ano, o tabuleiro irlandês voltou a se mexer. Jornais ingleses noticiaram contatos secretos entre o Sinn Fein (braço político do IRA) e o governo de Londres. Em dezembro de 1993, o Reino Unido e o Eire emitiram uma Declaração propondo negociações cobre o Ulster e condicionando a participação do IRA ao abandono da luta armada. A Declaração Anglo-Irlandesa e o comunicado do IRA formam um trampolim para o desconhecido. O tabuleiro é complexo. Londres condiciona a hipótese de reunificação irlandesa a um plebiscito no Ulster, onde os protestantes representam 54% do 1,6 milhão de habitantes. O Eire (e o IRA) não podem aceitar uma consulta que não inclua os 3,5 milhões de irlandeses do sul (93% católicos). Os protestantes do Ulster, eleitores do partido Unionista, têm lideranças como o reverendo Ian Paysley, que rejeitam a própria idéia de negociações com o IRA. Mas circuito autofágico da violência e da repressão foi rompido. Se é verdade que a guerra é a continuação da política por outros meios, o inverso pode, às vezes, ser falso: britânicos e irlandeses, protestantes e católicos, não podem mais fugir do mundo dos argumentos. Outubro de 1994 EDITORIAL Votar? Para quê? Não resolve nada! milhares, talvez milhões pensem assim, e não sem motivos. Afinal, muita coisa termina em pizza no Brasil, e o que não falta é político corrupto, rico e alegremente solto por aí. Se fosse só isso, votar seria mesmo coisa de otário. Mas Mas tem muita coisa acontecendo. Bem ou mal, Collor foi defenestrado; a rede de corrupção no Congresso e a ação das empreiteiras e corporações corruptas começaram a vir à tona; num mundo cheio de problemas e crises, começam a surgir alternativas políticas concretas para o país. Não há muito, se alguém dissesse que a Presidência seria disputada por FHC e Lula, isso soaria como um delírio, um disparate. A ditadura governava com censura, tortura e atos institucionais. Os dois candidatos favoritos à Presidência na atual disputa eram, à época, e em graus distintos, mal vistos e eventualmente perseguidos pelo regime. Isso dá uma medida de como as coisas mudaram e estão mudando em nosso país. Certo: há muito por fazer na verdade quase tudo. A questão é: como você se coloca diante disso? Nada vai mudar se os cidadãos você entre eles não se mobilizarem. Se não exercerem no cotidiano os seus direitos à opinião e à expressão. Isso, é claro, passa pelas urnas. Mas se você ainda prefere fazer como o avestruz, OK, finja que você nada tem a ver com a política nacional. Só que, por favor,nada de queixumes depois. É feio e chato. EXPEDIENTE Mundo -Geografia e Política Internacional é uma publicação de Pangea -Edição e Comercialização de Material Didático LTDA. Redação: Demétrio Magnoli, Nelson Bacic Olic (Editor Cartográfico), José Arbex Jr. (Editor) Jornalista Responsável: José Arbex Jr. (MTb ) Diretor Comercial: Arquilau Moreira Romão Endereços: Em SP: Rua Romeu Ferro, 501, São Paulo - SP. CEP Fone: (011) Em Ribeirão Preto: Espaço Cultural Tantas Palavras - R. Floriano Peixoto, CEP Fone: (016) Fax: Colaboradores: Newton Carlos, J. B. Natali, Rabino Henry I. Sobel, Carlos A. Idoeta (Anistia Internacional), Guilherme Fiuza (Greenpeace), Hassan El Emlech (Federação palestina do Brasil). A Redação não se responsabiliza pela opinião ou informação veiculadas em matérias assinadas. Assinaturas: Por razões técnicas, só oferecemos assinaturas coletivas para escolas conveniadas. Pedidos devem ser encaminhados aos endereços acima. Exemplares podem ser obtidos nestes endereços, em São Paulo: Associação dos geógrafos Brasileiros (AGB), na Faculdade de Geografia da Universidade de SP (USP) Banca de jornais Paulista 900, à Av. Paulista, 900 Em Ribeirão preto: na Sucursal (v. endereço acima) 3

4 Outubro de 1994 Mundo CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE POPULAÇÃO MUNDIAL Relação entre explosão demográfica, pobreza e ecologia divide especialistas Neomalthusianos querem controlar a natalidade nos países pobres, para inibir crescimento vegetativo e liberar recursos em investimentos produtivos; outras correntes criticam os ricos, que somam 20% da população, mas consomem a maior parte dos recursos naturais e são responsáveis por 80% da poluição REGINA ARAÚJO Terra da gente Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo tem 5,5 bilhões de habitantes. A cada ano, 95 milhões somam-se a este contingente, a esmagadora maioria nascidos na Ásia, África e América Latina. Estes números e suas implicações pra o futuro da humanidade foram o centro Gente sem terra da Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento (CIPD), que reuniu 20 mil estudiosos no Cairo entre 5 e 13 de setembro. A CIPD foi a terceira conferência da ONU sobre o tema, e a primeira com o objetivo de explicar as correlações entre população e desenvolvimento. A população do mundo cresce de forma extremamente desigual. Países desenvolvidos apresentam índices de incremento demográfico baixos ou negativos, economias mais pobres convivem com taxas de crescimento superiores a 3% ao ano, projetando a duplicação do número de habitantes em menos de 25 anos. Assim, a associação simplista entre elevado incremento populacional e subdesenvolvimento é tentadora. Para muitos, o alto crescimento demográfico é uma das principais causas da generalização da pobreza em vastas regiões subdesenvolvidas. A miséria seria resultante da própria miséria. O aumento descontrolado do número de pessoas atrapalharia o desenvolvimento dos Estados pobres, desviando recursos para investimentos não produtivos e criando uma relação desfavorável entre o número de pessoas em idade de trabalhar e o total de habitantes. O controle de natalidade seria o passaporte para o desenvolvimento. Muitas vezes, essa forma de enxergar a dinâmica demográfica aparece com conotação verde, na voz dos que alertam para os riscos ambientais da explosão demográfica. Os ecomalthusianos exercem influência crescente na opinião pública, ancorados na força do movimento ambientalista mundial. Segundo eles, o rápido crescimento demográfico se traduziria em pressão sobre os recursos naturais em especial nos ecossistemas tropicais e equatoriais e em sério fator de risco para o futuro. O controle da natalidade seria uma forma de preservar o patrimônio ambiental. Em muitas áreas ecologicamente frágeis, o crescimento demográfico implica sérias pressões sobre o meio ambiente. Em algumas regiões dos trópicos semi-áridos o Sahel africano é o exemplo mais tristemente famoso o rápido incremento populacional tem como resultado a sedentarização dos rebanhos e a superutilização das terras férteis, implicando em rápida perda de fertilidade e em crises agudas de fome. Entretanto, o padrão de produção e consumo dos países ricos, cuja população parou de crescer, têm impactos ainda mais dramáticos sobre o meio ambiente. Os países desenvolvidos representam cerca de 20% da população mundial, mas consomem a maior fatia dos recursos naturais disponíveis e são responsáveis por 80% da poluição do planeta. Os neomalthusianos enfrentaram na CIPD a oposição dos representantes do Vaticano e dos países muçulmanos (v. o Box na pág. 5), contrário aos métodos anticoncepcionais, e principalmente, ao aborto. Mas a discussão entre neomalthusianos e religiosos oculta as grandes transformações recentes na dinâmica demográfica mundial. Apesar dos dogmas religiosos, e, em muitos casos, da ineficiência dos programas de planejamento familiar, as regiões subdesenvolvidas (à exceção da África subsaariana e África do Leste) diminuíram suas taxas de incremento demográfico nas duas últimas décadas. Atualmente, a América Latina e a Ásia meridional ocupam uma posição intermediária, entre as taxas explosivas da África e a estagnação demográfica européia e norte-americana (v. o mapa Crescimento Demográfico ). A modernização e a crescente urbanização imprimem novas características ao comportamento reprodutivo dos países pobres ao romperem com a unidade familiar de trabalho, na qual todos os membros da família participam juntos do processo produtivo. Em breve, o alto incremento demográfico vai deixar de ser característica comum ao mundo subdesenvolvido. Será circunscrito aos países marcados pela permanência do grupo familiar no meio rural e pela manutenção de um regime coletivo de trabalho. Regina Araújo é co-autora com Demétrio Magnoli, da coleção A Nova Geografia e de Geografia, Paisagem e Território (Ed. Moderna) 4

5 PANGeA Outubro de 1994 A TRAGÉDIA DOS REFUGIADOS E DESABRIGADOS 49 milhões expulsos de seus lares enfrentam a fome, a miséria e a peste Terra da gente Gente sem terra Em cada dia de 1993, 10 mil pessoas em todo o mundo fugiram de perseguições e execuções políticas e raciais, segundo o Alto Comissariado da ONU para refugiados (Acnur); em 1994, a situação é muito pior NEWTON CARLOS No ano passado, 10 mil pessoas se lançaram às estradas diariamente, fugindo de perseguições, para não morrer a tiro, de pancada ou de fome. Em 1994 a situação é muito mais trágica, de acordo com estatísticas e relatos do Alto Comissariado da ONU para refugiados (Acnur). Ele foi criado como agência temporária no começo da Guerra Fria, para cuidar do direito de asilo. Hoje, administra acampamentos, como o de ruandenses no Zaire, que mais parecem cidades grandes e miseráveis. Em 1951, supunha-se que o Acnur não duraria mais de três anos. Mas uma sucessão de tragédias faz com que o mandato do Acnur seja sistematicamente renovado. Sua ação acabou se espalhando pelo mundo, sobretudo na África, no sul da Ásia, na ex-iugoslávia e na extinta URSS. Na América Central, o Acnur deu teto e comida a guatemaltecos que se refugiaram no México de uma guerra civil de mais de 30 anos e da repressão brutal, e atuou na Nicarágua e em El Salvador. A derrubada da antiga ordem tornou o mundo mais volátil e números recentes dão idéia do tamanho das desgraças resultantes. No momento, é refugiado ou desabrigado, por expulsão, um em cada 114 habitantes do planeta. Em 1974,os refugiados eram 2,4 milhões. Aumentaram para 10,5 milhões dez anos depois e agora são 23 milhões. Quando o Acnur soltou o seu último relatório, em novembro do ano passado, eram 19,7 milhões. Os refugiados mais os 26 milhões de desabrigados somam 49 milhões de pessoas expulsas de suas casas, e lançadas a uma situação desesperadora, expostas a pestes, à miséria e à fome. Vaticano e fundamentalistas se unem contra o aborto O Vaticano aliou-se aos fundamentalistas islâmicos na tentativa de bloquear a aprovação de qualquer forma de controle de natalidade na Conferência do Cairo sobre populações. A ofensiva diplomática papal envolve sobretudo o Irã e a Líbia. Informações dadas pelas agências oficiais de notícias Irna (Irã) e Jana (Líbia), a iraniana falando de pleno apoio ao Papa nessa questão, foram confirmadas em parte por fontes do Vaticano. O entendimento, segundo é descrito por Teerã, poderá servir de base a ampla cooperação numa futura guerra entre religiosos e materialistas. O núncio apostólico, monsenhor Romeo Ponciroli, conversou com Mohamed Hashemi Rafsanjani, irmão do primeiro-ministro e vice-ministro do Exterior iraniano. A ele é atribuída a declaração w que existem muitas possibilidades de cooperação entre Estados religiosos, publicada pelo jornal Abrar do Irã. Para Rafsanjani, a luta para manter o aborto na ilegalidade é bom começo para a cooperação em outros campos. Informação da agência Jana reproduzida pelo The New York Times dá conta de uma viagem a Triplo, capital da Líbia, do núncio apostólico da Argélia, monsenhor Edmond Farhat, para tratar de interesses comuns. O Vaticano se ofereceu como intermediário entre a Líbia, de um lado, e Inglaterra e Estados Unidos de outro. Americanos e ingleses exigem do Líbano a entrega de dois líbios acusados de responsáveis pela explosão de um avião comercial americano sobre a localidade de Lockerbie, na Escócia. A ajuda diplomática do Vaticano teria como contrapartida a condenação da Líbia ao documento das Nações Unidas sobre a saúde reprodutiva e o direito das mulheres ao aborto em determinadas condições. A agência Jana destaca a identidade de opiniões. O Vaticano confirma a existência de contatos de alto nível, mas nega a existência de acordos. Tampouco o Irã e a Líbia fama de acordos formais, mas de entendimentos. (Newton Carlos) Essa escalada deixa o Acnur às voltas com falta de recursos. Logo depois de divulgado o relatório de novembro, mais de 700 mil fugiram do golpe militar e massacres raciais no Burundi. Em abril, começou a carnificina em Ruanda, com êxodo de dois milhões, trágico e escandaloso, pela omissão da comunidade internacional. O Acnur é financiado caso por caso e o de Ruanda só agora consegue parte da ajuda de emergência pedida. Trinta por cento do total de refugiados estão na África. Em casos de conflitos armados, é imperioso que a ajuda seja acompanhada de desmobilização militar, mas isso raramente acontece. A intermitência da guerra civil em Angola, onde chegaram a morrer mil por dia, torna mortíferos os trabalhos de repatriação e reintegração executados sob fogo que não cessa ou que cessa apenas por algum tempo. Em 18 países africanos há 30 milhões de minas terrestres, em boa parte herança de brigas passadas. Só em Angola são nove milhões. Em Moçambique, onde houve uma guerra civil que durou 16 anos, há um milhão de minas. Dois milhões na Etiópia e Eritréia, e um milhão no Sudão. No Afeganistão, depois de mais de uma década de combates de muçulmanos contra soviéticos, voltaram para casa um milhão de pessoas que haviam se refugiado no Paquistão e Irã. Nada de desmobilização militar, no entanto, e os tiros recomeçaram, agora disparados pelos próprios muçulmanos, uns contra os outros. Cabul, a capital, foi devastada, provocando outra fuga de povos civis apanhados no fogo cruzado. O direito de asilo, tradição de anos, e sob assédio xenófobo em muitos países desenvolvidos, é parte essencial da questão. Documento de sete pontos, assinado em junho pelos ministros do Interior e da Justiça da União Européia (UE), trata a imigração como caso de polícia. Como a comunidade tem 18 milhões de desempregados, é fechado o ingresso a cidadãos extracomunitários em busca de trabalho, sem que isso seja muito bem explicado. A imigração econômica está formalmente proibida na UE, ex-comunidade Econômica Européia, desde a metade dos anos 70. Nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, onde a xenofobia tema conta de regiões de concentração de estrangeiros, como o sul da Califórnia, Washington coloca a imigração entre suas maiores preocupações em política externa. Pediu ao presidente do México que feche seu território à passagem de latino-americanos e asiáticos em busca da América. No mar, são bloqueados haitianos e cubanos. Os países nobres são mais acolhedores, segundo o Acnur, que considera vital o desenvolvimento de nova estratégia capaz de proporcionar o direito de asilo. Ela teria como base a ação preventiva envolvendo respeito aos direitos humanos, conflitos étnicos e ajuda ao desenvolvimento. 5

6 Outubro de 1994 Mundo PANGeA Outubro de 1994 ENTREVISTA EXCLUSIVA ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS BRASIL 94 LULA QUER DEMOCRACIA RADICAL COM REFORMA AGRÁRIA E TECNOLOGIA JOSÉ ARBEX JR. EDITOR Mundo Muitos jovens Caminhos da recebem o diploma universitário e deixam o Brasil para trabalhar em subempregos no exterior. Como você mudaria isso? Lula Há dois tipos de universitários que abandonam o país. Os que concluí- América latina ram seus cursos com objetivo de uma inserção imediata na carreira de trabalho, e os que continuam carreira na universidade. Embora as duas situações sejam dramáticas, a segunda tem um agravante, à medida que o Estado gasta centenas de milhares de reais para formar um professor/pesquisador durante anos, sem que seus conhecimentos possam reverter em proveito da sociedade. Exportamos cérebros. A retomada do desenvolvimento, com ênfase no mercado de bens de consumo que provocará o crescimento da economia, associada ao nosso programa de criação de empregos, serão os meios para atrair os jovens de volta. Em relação aos que estejam em universidades e centros estrangeiros, o instrumento fundamental para trazêlos de volta será a nova política de ciência e tecnologia que meu governo irá implementar e que pretende expandir em 100% os investimentos nessa área. Mundo O governo Lula tem um programa claro para combater a corrupção? Lula A experiência de nossas administrações municipais dá credibilidade às nossas propostas de combate de corrupção. A melhor maneira é tornar o Estado transparente, multiplicando os instrumentos de controle da sociedade sobre o governo. Em quase todas as prefeituras do PT temos hoje a experiência dos orçamentos participativos. A sociedade contribui na proposta orçamentária, eliminando o clientelismo, controlando os custos e a execução dos gastos. Esta experiência será retomada, com modificações, no plano federal. As empresas estatais terão a participação de trabalhadores e usuários em sua gestão. As políticas públicas (educação, saúde, ciência e tecnologia entre outras) serão geridas por organismos nos quais estarão presentes representantes do Estado e da sociedade. Mundo Muitos carapintadas sentem que forma manipulados por políticos interessados em derrubar Collor em benefício próprio, especialmente depois que a CPI da corrupção no Orçamento terminou em pizza. Como você avalia essa questão? Lula Não creio que tenha havido manipulação. Todos ficamos frustrados com o fato de que apenas alguns dos anões foram cassados, e nenhum preso, como ficamos frustrados com a impunidade do ex-presidente. Mas, talvez por ser mais velho, sou mais otimista. Há alguns anos, roubava-se tanto ou mais, e nem se ficava sabendo. Temos que pensar estas coisas numa perspectiva de longo prazo. Graças aos jovens parte da maracutaia foi descoberta e punida. Se a vigilância continuar, vamos ganhar mais transparência e fazer um governo fundado na ética. Mundo Como você vê as questões do direito ao aborto pelo Estado, do homossexualismo e das drogas? Lula O aborto, além de ser uma questão de saúde pública, tem dimensão ética e moral. Não pode ser uma decisão de governo, mas escolha da sociedade. Pessoalmente, não sou favorável ao aborto, mas não quero ser hipócrita. Cerca de 5 milhões de abortos clandestinos são feitos no Brasil por ano, a maioria em condições precárias. Mulheres da classe média e alta praticam o aborto com todos os cuidados. A maioria das mulheres pobres o fazem nas piores condições. AS conseqüências são conhecidas: mortes, graves seqüelas de saúde, esterilização. Aborto não é método anticonceptivo. Precisamos, e teremos no meu governo como tivemos e temos nas prefeituras governadas pelo PT políticas contraceptivas, não impositivas, acompanhadas de campanhas de educação. As mulheres que abortarem terão todo apoio médico e psicológico na rede hospitalar e ambulatorial. O problema dos homossexuais é diferente. Trata-se de uma questão de cidadania. Ninguém pode ser discriminado por sua orientação sexual. Ela será respeitada. O tema das drogas é angustiante. Não acredito que uma política de repressão aos que usam drogas tenha resultado. Mas o Estado tem que ser implacável com os traficantes, sobretudo porque cada vez mais eles se utilizam de crianças como escudo para suas atividades. Mundo Seus adversários dizem que você não tem experiência administrativa Lula Para governar um país, necessita-se de experiência política e sensibilidade social, e eu tenho as duas. Governar não é administrar uma empresa. Uma empresa busca o lucro, a rentabilidade. O Estado busca o bem comum. Minha qualificação política eu posso demonstrar com minha trajetória pessoal. Sobrevivi à fome e à seca nordestinas, consegui uma formação técnico-profissional qualificada. Na fábrica, ganhei consciência dos problemas de minha categoria e fui para o sindicato. Como sindicalista, ganhei consciência dos problemas de minha classe e participei dos mais importantes movimentos pela democracia, no fim doa anos 70. Na luta, ganhei consciência dos problemas do país. Fundei o mais importante partido dos trabalhadores da história da América Latina. Ajudei a construir a maior central sindical do país Luís Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência, pretende dobrar os investimentos em ciência e tecnologia, oferecendo aos que saem da universidade em busca de emprego. Ele acredita que o desenvolvimento deva ser sustentado numa reforma agrária contra o latifúndio ocioso, como parte de uma política agrícola para resolver o problema da fome. Lula qualifica o Plano Real como eleitoreiro e diz que a equipe de FHC, o candidato do PSDB, esconde as medidas recessivas que teria que adotar para manter o Real estável. Lula pretende fortalecer os laços com a América Latina, relacionar-se com todos os blocos, fazer uma auditoria na dívida externa e praticar um protecionismo necessário ao desenvolvimento de alguns setores da economia e à criação de empregos. Pessoalmente contrário ao aborto, Lula promete assistência médica e psicológica às mulheres que o praticam em condições clandestinas e precárias 5 milhões ao ano. Diz não acreditar na punição ao usuário de drogas, mas promete guerra aos traficantes. E ataca os que discriminam homossexuais. Lula defende o socialismo como uma democracia radical política, econômica e social. Lula não convence ao explicar que apoiaria uma invasão do Haiti mas não a de Cuba para acabar com a ditadura, preferindo tomar s dores do regime de Fidel Castro. E, como fez FHC, exagera a importância da participação que tiveram os carapintadas na vida política nacional, num claro apelo eleitoral. Leia, aqui, os principais trechos da entrevista. Laureni Fochetto e cheguei à condição de dirigente de uma grande alternativa política. Em reconhecimento a isso, milhares de quadros profissionais da mais alta qualidade estão conosco. Eles serão da maior importância para ajudar a administrar o Estado. Mas, francamente, os políticos tradicionais, com toda sua experiência administrativa, o que fizeram? Eles nos levaram para o buraco. Desta experiência eu não preciso, nem o Brasil. A melhor maneira de combater a corrupção é tornar o Estado transparente, sob controle da sociedade. Não creio que uma política de repressão aos que usam drogas dê resultado, mas o Estado tem que ser implacável com os traficantes. Os políticos tradicionais, com experiência administrativa, nos levaram para o buraco. O Plano Real é eleitoreiro. Os que criaram o Real vão enterrá-lo. A violência no campo não virá com a reforma agrária. Ela já existe, e tenderá a aumentar se a reforma não for feita. A prioridade de meu governo será a América Latina, em particular o Mercosul A Redação de Mundo não tem preferência por qualquer dos candidatos. Sua intenção é contribuir, no limite de suas possibilidades, para o debate nas escolas. Com esse objetivo, publicamos na edição anterior uma entrevista com FHC, que divide, com Lula, os maiores índices de preferência nas pesquisas de intenção de voto. Mundo A divisão do PT entre moderados e xiitas não diminuiria sua capacidade de dar coerência à Administração? Lula O PT é democrático, com muitas correntes e sensibilidades. Nossas diferenças são resolvidas em debates, encontros e congressos, onde sempre é assegurada a palavra a todos. Que partido faz isso? Meu partido não é governado por caudilhos ou camarilhas. Nossas diferenças são políticas. Não temos, por exemplo, PT-Ético e PT-Corrupto. Por que não se pergunta a outros partidos como governarão o país com as suas divisões irreconciliáveis? Mas meu governo não será do PT, nem da Frente Brasil Popular pela Cidadania, mas a expressão de uma nova maioria que se formou neste país. Mundo Você propões a reforma agrária. Como seria feita? O país pode assumir o risco de uma luta com latifundiários? Lula A reforma agrária, combinada com uma política agrícola ativa, será um dos instrumentos para uma revolução produtiva que assegure um aumento da oferta de alimentos, além de contribuir para o comércio exterior. A violência no campo não virá com a reforma. Ela já existe, e se não houver uma reforma, tenderá a aumentar. Os latifundiários que detém terras ociosas, que serão legalmente desapropriadas, não são acima da lei, que podem reagir com armas às políticas do governo e à vontade da sociedade. Mundo Qual a sua opinião sobre o Plano Real? Você ainda defende a moratória da dívida externa? Lula O Plano Real é eleitoreiro, um instrumento de curto prazo para favorecer a candidatura de FHC. Procura explorar o cansaço da sociedade com a inflação. Os que criaram o Real vão enterrá-lo, pois não pode haver um plano consistente de combate à inflação se não atacar as suas raízes. E isto os autores do plano não explicam. Eles querem esconder as receitas amargas que aprontam para a população. Vou criar condições para que a estabilidade seja duradoura, como para que os trabalhadores tenham mais dinheiro no bolso. O combate à inflação exigirá o controle dos monopólios e oligopólios, pôr fim à ciranda financeira, o que obrigará a um alongamento do perfil da dívida interna. É preciso fazer com que o dinheiro que se investe no curto prazo, na especulação, seja dirigido ao financiamento de longo e médio prazo da atividade produtiva. Para terminar a inflação, é preciso contrato coletivo de trabalho, câmaras setoriais para decidir preços e salários e, sobretudo, muita negociação entre governo, trabalhadores e empresários. O acordo que o governo assinou sobre a dívida externa é mau. Propomos uma auditoria sobre o conjunto da dívida, renegociar a parte em discussão no Clube de Paris e pagar o restante, desde que não comprometa nossas metas econômicas. Se isso produzir um impasse, tentaremos renegociar. Mundo Recentemente, você defendeu a possível invasão do Haiti para restabelecer a democracia. Essa posição não contradiz a condenação do bloqueio americano a Cuba? Lula Eu disse que a situação do Haiti é inaceitável, pois um presidente eleito foi deposto por uma camarilha de militares. Fico preocupado com a impotência da comunidade internacional diante desse fato. Estamos em contato com a equipe do presidente deposto Aristide para apoiar a melhor solução. A situação de Cuba é diferente. O boicote dos Estados Unidos é desumano e improdutivo. Isso eu disse pessoalmente ao deputado Torriceli, que é o autor da lei que autoriza o embargo. Se Washington pensa que vai derrubar Fidel com o bloqueio, estão enganados. A melhor maneira para que Cuba evolua democraticamente é permitir que supere suas graves dificuldades. Mundo Como o seu governo pretende situar o país em relação aos blocos? E a questão do protecionismo de mercado? Lula A prioridade de meu governo será a América Latina, em particular o Mercosul, que não pode se reduzir a apenas uma zona de livre comércio ou união alfandegária. Temos que articular políticas agrícolas e industriais comuns, cooperação científica e tecnológica e intercâmbio cultural, e inclusive pensar em formas de cooperação política mais estreitas. Devemos expandir nosso intercâmbio com a União Européia e com o Nafta. Mas o Brasil deverá estabelecer relações muito estreitas com países como a Índia, China, Rússia e África do Sul. O protecionismo persiste como prática mundial, apesar das declarações sobre livre comércio. O Brasil buscará abrir sua economia, mas pode estabelecer mecanismos de proteção provisória para favorecer a expansão de setores em vias de implantação além de garantir emprego e crescimento. Mundo Você se considera socialista? Lula Eu me considero socialista. O socialismo é uma forma de levar a democracia às últimas conseqüências, de socializar a política, de fazer com que todos possam ser sujeitos políticos. Mas para isso é preciso construir uma democracia que seja política, mas também econômica e social. Não sei que formas concretas terá essa nova sociedade. O socialismo que nós queremos não será conseqüência de nenhum modelo intelectual prévio, mas resultado das lutas e da eleição política dos trabalhadores. Mundo Por que um jovem leitor deveria votar em você para presidente? Lula Minha candidatura é expressão do mais importante movimento de renovação que esse país já viveu. Começou nos anos 70, unindo trabalhadores, intelectuais, estudantes e todos os que estavam excluídos do sistema político. Este movimento, do qual o PT foi conseqüência, mudou a cultura política do país. Minha candidatura é expressão de u sentimento libertário que foi invadido essa conservadora sociedade brasileira. Mundo no Vestibular Mundo no Vestibular l) Leia com atenção o texto abaixo: Na mesma medida em que tamanho e grandeza de um país desempenham um papel crítico na significação desse país no contexto mundial, as diferenças internas são essenciais ao equilíbrio e à própria viabilidade do país. Contudo, formas exageradas de concentração, tanto no que se refere à concentração de riqueza ao longo da hierarquia de pessoas, como nas unidades regionais do país, são focos de instabilidade social e, por via de conseqüência, de instabilidade política. Isso quer dizer que um objetivo nacional fundamental e permanente, que é o de assegurar a estabilidade social interna, para garantir o progresso geral do país, é afetado, em suas próprias bases, por eventuais excessos de concentração. a) A parte do texto que fala das desigualdades regionais poderia ser aplicado atualmente para a China? Justifique b) As desigualdades regionais poderiam ocorrer também na Itália? Justifique 2) (PUC-SP) No continente asiático pode, num mesmo dia, estar nevando em algumas regiões e fazendo um calor sufocante em outras. Pode também estar acontecendo um dilúvio em algumas regiões, e em outras a água pode quase nunca estar presente. a) Qual a principal razão da grande variação térmica apontada pelo texto? b) Aponte uma área do continente onde podem estar ocorrendo os dilúvios e outra onde a água seja muito rara. 3) O conflito em Ruanda foi talvez o mais brutal ocorrido na África. Responda: a) Em qual região da África Ruanda está localizada? b) Quais foram as duas potências coloniais que dominaram Ruanda? 4) (Unicamp) Belfast, a cidade onde a influencia britânica é visivelmente dominante (...). As lojas estão sempre abertas e cheias, mas nas ruas os soldados britânicos controlam a ordem do passeio público com carros blindados e metralhadoras (...) ( Folha de S.Paulo, 14/10/93) a) O texto refere-se a que território de influência britânica? b) Identifique as causas que conferem ao espaço urbano de Belfast as características descritas. 5) (Unicamp) O petróleo é uma riqueza estranha ao Oriente Médio (Pierre George) Identifique as condições de produção do petróleo no Oriente Médio e relacione-as à situação sócio-econômica da região considerando que a frase de Pierre George é contemporânea a essa exploração. RESPOSTAS I a) Sim. A China apresenta grandes desigualdades regionais entre o leste (litorâneo) e oeste do país (Tibet, Sinkiang e Mongólia Interior). Essa desigualdade é bastante antiga, mas se acentuou com a criação das Zonas Econômicas Especiais (ZEEs). l b) Sim, a Itália também possui grandes desigualdades regionais antigas. O norte é mais industrializado e urbanizado, o sul é mais agrário e subdesenvolvido. 2 a) A principal razão refere-se à grande extensão do continente no sentido norte-sul, isto é, das latitudes, já que ele se estende das regiões polares (Sibéria) às regiões equatoriais (arquipélago da Indonésia). 2 b) O subcontinente indiano detém o mais alto índice pluviométrico do planeta. Um dos pontos da Ásia onde quase nunca chove é o Oriente Médio, região de dominância do clima desértico. 3 a) Ruanda está localizada na porção oriental da África, junto à região do Planalto dos Grandes Lagos. 3 b) As duas potências coloniais foram a Alemanha e Bélgica após a Primeira Guerra). 4 a) O texto se refere à Irlanda do Norte. 4 b) Belfast é a capital da Irlanda do Norte, onde os católicos lutam para se libertar do jugo britânico e eventualmente se juntar à República do Eire (ou Irlanda do Sul). A presença de soldados britânicos tem o objetivo de combater o Exército Republicano Irlandês (IRA), grupo político-militar que luta pela independência, e para proteger os protestantes, que desejam permanecer súditos britânicos. Recentemente, o IRA resolveu deixar a luta armada e partir para uma solução negociada com os britânicos. 5) O petróleo é uma riqueza estranha ao Oriente Médio porque sua extração beneficiou apenas uma pequena parcela da população dos países produtores. A maior parte vive em condições tão precárias quanto as que sofriam antes da descoberta desse importante recurso mineral. 6 7

7 Outubro de 1994 Mundo UMA NOVA REALIDADE DEMOGRÁFICA NO BRASIL Cresce a proporção de idosos e cai a de jovens na estrutura etária do país A população cresce cada vez mais lentamente, superando o risco de uma explosão demográfica ; no atual ritmo, o Brasil chegará ao ano 2050 com crescimento populacional nulo, afirma Regina Araújo Brasil está vivendo a última fase de O um longo processo de transição demográfica. A população brasileira continua crescendo, só que cada vez mais lentamente. Mantidos esses ritmos, o Brasil chegará ao ano 2050 com um crescimento populacional nulo, e contará então uma população inferior a 250 milhões de habitantes (equivalente à dos Estados Unidos em 1990). No Brasil, o risco da explosão demográfica é coisa do passado. Entretanto, seu fantasma continua a assustar. Nos meios de comunicação, a miséria do país é freqüentemente associada ao elevado incremento vegetativo de sua população. Muitos dos candidatos às eleições gerais de outubro elegeram a multiplicação do número de novas escolas como plataforma de campanha. A dinâmica demográfica brasileira mudou, mas grande parte da sociedade brasileira ainda não se deu conta disso. A transição demográfica brasileira começou na década de 1940, com a queda generalizada das taxas de mortalidade. O avanço da medicina preventiva e dos programas de saúde tiveram como resultado a diminuição e, em alguns casos, a erradicação das doenças epidêmicas. Apesar da conhecida precariedade da saúde pública no Brasil, a disseminação do atendimento médico ajudou a aumentar a expectativa de vida do brasileiro, que passou de 40 para 65 anos entre 1940 e A queda da mortalidade teve um forte impacto no ritmo de crescimento da população brasileira. Entre 1890 e 1950, o incremento demográfico permaneceu estável em torno de 1,8% ao ano, passando para 2,4% nos anos 40, 3% nos anos 50 e 2,9% nos anos 60. Em 1940, o Brasil contava com 41,2 milhões de habitantes; em 1970, com 93,1 milhões. Isso significa que a população cresceu 130% em apenas 30 anos. O alarmismo que ainda está presente em amplos setores da sociedade brasileira deriva desses números. Só que ele desconsidera a segunda parte da história. Desde o final da década de 1960, a fecundidade começou a cair de forma generalizada, puxando para baixo as taxas médias anuais de incremento da demográfico. Na década de 190, registrou-se um crescimento médio de 2,5% ao ano. O último censo demográfico, realizado em 1991, acusou uma população de 147 milhões de pessoas, crescendo desde 1980 a uma taxa média anual de 1,9%. A rápida alteração do comportamento reprodutivo da população brasileira se relaciona com as transformações estruturais que se operaram na economia do país nas últimas décadas. O aumento do custo de formação dos filhos associado à modernização da economia e à acelerada urbanização funciona como um freio à natalidade, mesmo entre as famílias mais pobres. A queda das taxas de fecundidade no Brasil é um fato incontestável: na década de 1960, a cada mulher brasileira em idade reprodutiva correspondiam 6 filhos; atualmente, o número de nascimentos por mulher gira em torno de 2,5. Infelizmente, essa queda não revela a melhoria das condições de vida da população, mas apenas a sua adaptação às novas regras de inserção no mercado de trabalho. Desprovidas de informações acerca de seu próprio corpo e de sua fisiologia reprodutiva e com acesso limitado aos métodos contraceptivos modernos, as mulheres brasileiras estão recorrendo em massa à esterilização. De acordo com dados oficiais recentes, cerca de 70% das mulheres brasileiras casadas ou unidas, com idade entre 15 e 44 anos, recorrem a algum método anticoncepcional; destas, 44% fizeram laqueadura de trompas, e não terão mais nenhum filho. As transformações recentes na dinâmica demográfica projetam para um futuro próximo profundas alterações na estrutura etária do país. A proporção de idosos (acima de 65 anos) sobre a população total está aumentando rapidamente, enquanto a proporção de jovens está diminuindo. (v. as pirâmides etárias nesta pág.). Se o planejamento governamental não levar esses dados em consideração, o sistema de seguridade social já cronicamente falido será incapaz de atender a demanda das novas aposentadorias. Por outro lado, corre-se o risco de aumentar inutilmente o número de vagas nas escolas, e não investir no que realmente é necessário: a melhoria da qualidade do ensino público. 8

8 PANGeA Outubro de 1994 DESTRUIÇÃO E MORTE DA TERRA DOS GORILAS Guerra na Ruanda deixa 1 milhão de mortos e 2,5 milhões de refugiados Os grupos étnicos hutus (90% da população) e tutsis (quase 10%) disputam o poder, reproduzindo um conflito herdado do período colonial Terra da gente Nos últimos meses, uma feroz guerra entre hutus e tutsis deixou um trágico saldo em Ruanda, até há bem pouco conhecida como a terra dos últimos gorilas da África: 1 milhão de mortos, 2,5 milhões de refugiados, milhares de feridos e epidemias como cólera e tifo. As causas do conflito recordista em número de vítimas refletem o processo de colonização do país e as especificidades de sua política interna. Localizada nos altos planaltos da África oriental, Ruanda é do tamanho de Alagoas, com uma população de 7,5 milhões, formada por hutus (90%), e tutsis (quase 10%). Os hutus são originários da Gente sem terra Bacia do Congo e se estabeleceram primeiro em Ruanda. No século XV foram dominados pelos tutsis, originários das regiões próximas à Etiópia. O Congresso de Berlim (1885) destinou Ruanda aos alemães, que dominaram o país até a Primeira Guerra (1914/18), quando a área foi cedida à Bélgica. Os belgas permitiram, em geral, que os tutsi mantivessem o poder. Em 1959, acreditando que o rei tutsi pretendia a independência, a monarquia foi abolida e os hutus passaram a controlar a política interna. A mudança estimulou perseguições de tutsis. Muitos fugiram para países vizinhos, especialmente Uganda. Em 1962, o país tornou-se independente. Em 1973, Juvenal Habiarimana instaurou sua ditadura. Desde então, a política interna passou a três componentes: o partido do governo, formado só por hutus, a oposição legal de hutus, e a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), de tutsis exilados em Uganda. Em outubro de 1990, depois de várias tentativas frustradas, grupos da FPR formados pelos filhos dos que fugiram de Ruanda nos anos 50 invadiram o norte do país, reclamando o direito de retorno. De 1990 a 93 Ruanda viveu uma guerra civil intermitente, que parecia se resolver com a assinatura dos Acordos de Arusha, na Tanzânia (agosto de 1993). Mas, a demora de Habiariama em cumprir os acordos agravou a situação. A guerra explodiu no início de abril, quando o seu avião foi derrubado por um míssil. Embora sem provas, os tutsis da FPR foram acusados. Hutus começaram a matar tutsis e os hutus da oposição. A FPR inicia, então, uma ofensiva que culminaria com a tomada do país três meses depois. Os massacres praticados pelo governo e o avanço da FPR ocasionaram um êxodo gigantesco em direção ao oeste, para a fronteira do Zaire. A comunidade internacional só depois de muita vacilação e de centenas de milhares de vítimas definiu uma intervenção humanitária, efetuada inicialmente por soldados franceses. Esses soldados tinham como objetivo proteger os civis e se interpor entre as forças em luta. A intervenção que durou dois meses (de junho a agosto), criou uma zona de segurança no sudoeste do país (v. o mapa). A FPR venceu a guerra, formou um novo governo com a participação de hutus moderados que têm apelado para que os refugiados voltem às suas casas e ajudem reconstruir a Ruanda. Mas esses refugiados parecem achar mais seguro correr o risco da fome e epidemias. Fonte: Le Monde Diplomatique N o 484 e 485 Super natalidade reflete miséria africana Na América Latina e na Ásia, explosão demográfica é coisa do passado. As curvas de crescimento populacional, que registraram taxas anuais ao redor de 3% há três décadas, cederam sob o impacto da modernização econômica. A pobreza perdura, mas a natalidade declina com a urbanização e a dissolução da unidade familiar de produção. A transição demográfica marcha na direção de um crescimento populacional inferior a 2% ao ano. A África desafia a lei da transição demográfica. Nos países do leste africano, Golfo da Guiné e Sahel encontram-se taxas de incremento populacional de 3,5% (Quênia e Níger), 3,3% (Uganda e Costa do Marfim) e 3,1% (Malavi, Mali e Togo), só comparáveis às de certos países islâmicos. Na África não é o tradicionalismo religioso que sustenta a natalidade explosiva, mas a miséria. Não é essa a causa essencial da tragédia africana. O continente foi integrado à economia mundial de maneira perversa, ao longo dos séculos. O tráfico negreiro, entre os séculos XVI e XIX, drenou a população em idade produtiva, freou o aumento populacional e criou conflitos etno-tribais que ainda perduram. A colonização européia inventou fronteiras artificiais, agravou rivalidades regionais e gerou elites tribais autocráticas, que até hoje controlam os aparelhos de Estado. Nas últimas três décadas, a concorrência entre americanos e europeus no mercado mundial de alimentos sabotou o desenvolvimento da agricultura africana e dissolveu as estruturas comunitárias rurais. A miséria africana alimenta a natalidade descontrolada, que compensa com sobras as catástrofes humanas provocadas pela fome, guerras tribais e disseminação de epidemias (entre elas, a AIDS). A natalidade explosiva reforça o círculo vicioso da miséria, esculpindo pirâmides etárias achatadas, que refletem o predomínio numérico das crianças: na Quênia, Uganda e Ruanda 49% da população tem menos que 15 anos. 9

9 Outubro de 1994 Mundo carro, cheio de compras distraidamente O jogadas no banco traseiro, permanece aberto em pleno centro da capital. Centenas de pessoas passam, mas ninguém pensa em roubar a mercadoria dando sopa. Medo da polícia? Improvável. Nem há policiais por perto. As lojas em volta nem instalaram sistemas contra roubo. E não há pedintes na rua. Estas cenas, do cotidiano de Estocolmo, convidam a refletir sobre um país que apenas começa a sentir alguns dos efeitos da crise que assola os ricos. Qual o segredo da Suécia? A resposta certamente não agradará aos neoliberais de plantão, que receitam o mercado como panacéia de todos os males e confundem estatismo qualquer estatismo com atraso e miséria. A Suécia é um dos países mais estatistas do mundo. A política tributária, construída ao longo de décadas de hegemonia política do Partido Social- Democrata, determina uma carga de impostos que oscila entre 40% e 60% dos rendimentos. Mas isso se reflete numa excelente infraestrutura de bens e serviços sociais. É o Estado de Bem-Estar Social. Cada um dos 8,5 milhões de suecos tem estudos e saúde plenamente garantidos. Ricos e pobres têm, em média, a mesma estatura. Isso significa que há décadas não diferença substancial na qualidade de alimentos básicos à disposição de uns e outros. O sistema estatal de seguro-desemprego parece gozação se comparado ao brasileiro. Ao ser demitido, o trabalhador sueco tem a garantia de que durante o primeiro ano de desemprego, receberá, mensalmente, o equivalente a 90% de seu último salário. No segundo ano 80%, no terceiro 70% e no quarto 60%. Só então é que deixará de receber, mas continuará desfrutando da assistência e de todos os direitos sociais. O estatismo não impede o florescimento da economia privada (o PNB per capita é de US$ 26 mil, comparado com US$ 22 mil dos EUA), que muitas vezes recorre ao subsídio público em nome da democracia. É o caso de pequenos jornais que têm assegurado pela Constituição o direito de subsídios para competir com jornais poderosos. Considera-se que não há perigo maior do que o monopólio da informação, e se os impostos servirem para impedi-lo, tanto melhor. Este é o mais significativo componente do segredo sueco : convicção democrática e sentimento de independência nacional baseados na tradição religiosa (luterana). Esse sentimento permitiu que a Suécia se mantivesse neutra na 2 a Guerra, preservando- DIÁRIO DE VIAGEM Memórias do paraíso A crise européia coloca questões vitais para os suecos, habituados a uma vida calma e abastada, comenta José Arbex Jr. se da destruição (isso explica a sólida posição que sua economia passou a ocupar no pós-guerra). A mesma convicção levou o país a apoiar os comunistas do Vietnã na guerra com os EUA, causando uma breve ruptura diplomática com Washington ( ). À época, o premiê era social-democrata Olof Palme, assassinado em 28 de agosto de 1986, quando estava na fila do cinema de Estocolmo. A tolerância para com os imigrantes é outra característica. Nesses dias de xenofobia, a direita nacionalista sueca está em recuo. Os imigrantes são bem recebidos, embora as restrições à sua entrada sejam crescentes. Cada cidade tem um Comitê de Imigrantes que zela para que todos tenham seus direitos preservados. E a crise? Pergunte a um sueco, e ele se queixará. Mas é difícil que um brasileiro entenda como crise uma inflação anual que não chega a 3% e desemprego de 5%. Mas discute-se muito, principalmente quando o tema é aderir ou não à União Européia (haverá um plebiscito em novembro). Os favoráveis à adesão dizem que o país não pode isolar-se da Europa rica. Os contrários argumentam que a Suécia, aderindo, estaria abrindo mão de sua neutralidade, e acabaria importando problemas. A cúpula social-democrata é favorável à adesão, embora o PSD esteja dividido, como a própria sociedade. O PSD perdeu as eleições em 1991, após três décadas no governo, para uma coligação conservadora que tinha um programa privatizante. Mas recuperou parte de seu prestígio com a defesa do estatismo. O componente mais grave da crise sueca não é imediatamente econômico. É um sentimento de monotonia responsável pelos mais altos índices de suicídios do mundo. A Suécia racionalizou a vida em excesso. Não há lugar para o imprevisto. O caminho de cada um está praticamente definido, do berço ao túmulo. Um sintoma de obsessão pela ordem é o respeito religioso com horários. Tudo funciona como máquina. Um atraso de 15 minutos, mesmo entre namorados, pode ser tomado como insulto. O extraordinário crescimento do funcionalismo público a partir dos anos 70 (seu número foi multiplicado por cinco, para somar quase 1,5 milhão de empregados) agravou a situação psicossocial de uma vida cinzenta e regulamentada em demasia pela máquina estatal. Em qualquer hipótese, a Suécia chegou muito mais perto da sociedade planejada, igualitária e abastada pretendida por Marx do que qualquer Estado socialista chegou a sonhar. ANISTIA INFORMA Nesta seção, Mundo divulga relatórios, campanhas e denúncias da Anistia Internacional (AI) sobre o comportamento dos países em relação aos Direitos Humanos. Caso você tenha dúvidas, queira saber mais ou pretenda participar da AI, anote o endereço: São Paulo: Rua Vicente Leporace, 833 CEP fone: (11) Os últimos números da Procuradoria Geral do Brasil indicam que a polícia registrou mortes violentas de crianças entre 1988 e De setembro de 1993 a junho de 1994, pessoas teriam sido mortas pelos esquadrões da morte e nove entre dez casos permaneceram sem solução. Quando a polícia mata, a impunidade é quase total, especialmente se as vítimas são pobres. A polícia de SP matou civis em Em Nova York, cidade de tamanho comparável, morreram 27. Lá, o número de mortos foi menos da metade do número de feridos. Aqui, foi mais do que o triplo. A tortura e os maus tratos são comuns nas delegacias e até dentro o sistema penitenciário, superlotado e carente de assistência médica e legal. Os presidiários são majoritariamente pobres (95%), jovens (68%) e negros (65%). Tudo isso não interessa só às vítimas e seus entes queridos. A segurança de todos nós depende de reformas profundas e urgentes. As eleições de 1994 oferecem uma oportunidade única para o início do fim desse medo institucionalizado. A AI pretende manter reuniões com os candidatos à Presidência para pedir o compromisso intransigente com um programa efetivo de proteção e promoção de direitos humanos. O país é uma federação em que cada Estado tem jurisdição sobre os crimes em seu território, mas esse modelo não pode justificar o abuso persistente em qualquer parte do território nacional. O governo federal é responsável diante da nação e do mundo pelo respeito a direitos fundamentais. Aos tribunais federais caberia investigar e instaurar processo quando uma violação não for pronta, total e imparcialmente investigada a nível estadual. Os poderes da Procuradoria Geral da República poderiam ser ampliados para que participe ativamente das investigações. Os órgãos oficiais de direitos humanos deveriam receber os recursos humanos e materiais necessários. Também o Judiciário precisa ser aparelhado para a administração da justiça pronta e imparcial. As conclusões das investigações devem ser publicadas. A Lei justa não é obstáculo, é instrumento. Freio ao crime não é pena perversa, é pena infalível. A ferocidade primitiva, de governados ou governantes, é incompatível com a ordem justa e solidária que o Estado de Direito busca. 10

10 PANGeA Outubro de 1994 MEIO E O HOMEM Água, questão estratégica no Oriente Médio Em 1987, quando ainda não era o Secretário-Geral das Nações Unidas, o egípcio Boutros-Ghali alertava: As guerras do Oriente Médio, daqui para frente, terão muito mais a ver com a água do que com a política. A água no Oriente Médio é escassa em função do domínio de clima áridos. Por isso, o acesso a fontes de água pode levar países a situações conflitivas, já que quase nunca há adequação entre os recursos hídricos (precipitações anuais e fluxo das águas superficiais e subterrâneas) e as necessidades presentes e futuras. Essa inadequação é explicada por várias razões: o elevado crescimento demográfico que gera demandas crescentes de água; a má distribuição dos recursos hídricos com a contaminação de mananciais e do lenço freático pela utilização de produtos químicos na agricultura; a falta de planejamento na hora de se estender as redes de irrigação; os desacordos entre países no que diz respeito à utilização de recursos hídricos comuns. Especialmente este último fato, pode levar ao surgimento das chamadas zonas hidroconflitivas. As duas mais importantes no Oriente Médio estão juntas às bacias dos rios Jordão, Tigre e Eufrates. Esses dois últimos rios atravessam áreas da Turquia, Síria e Iraque, países que enfrentam um alto crescimento demográfico, fato que os obrigam a aumentar a produção agrícola. A Turquia tem o domínio sobre as nascentes dos rios, enquanto que o Iraque tem sob seu controle partes do médio e baixo vales. Desde os anos 80, a Turquia vem desenvolvendo o Projeto da Grande Anatólia (PGA), com o objetivo de modificar radicalmente a região sudeste do país, com a construção de barragens, hidroelétricas e irrigando quase dois milhões de hectares de terras. Esse projeto lhe permitiria se tornar um grande produtor de cereais e garantiria 50% de suas necessidades em energia. A grande retenção de água por parte dos turcos, prejudica tanto a Síria (que depende em 90% do Eufrates) como o Iraque, localizado à jusante (rio abaixo). Como domina as nascentes dos rios e, não existe uma legislação internacional clara sobre o assunto, a Turquia tende a negociar com seus vizinhos desde uma posição de força. Por isso, o PGA para a Turquia pode se constituir numa etapa do projeto geopolítico de restaurar as antigas glórias do Império Otomano. GREENPEACE DENUNCIA Navio protesta contra devastação do mogno Em outubro, o MV Greenpeace percorrerá o rio Amazonas para denunciar o impacto nefasto na busca predatória do ouro verde JOSÉ AUGUSTO PAIVA passagem do barco MV A Greenpeace pelo rio Amazonas em uma viagem de um mês que terá início no dia 8 de outubro representará um novo impulso na luta da entidade para enfrentar o problema do corte predatório de madeiras na Amazônia, que vem causando profundos estragos na floresta (v. o boletim Mundo n. o 3, à pág. 11). A Greenpeace participou, em 1992, da Coalizão contra o Corte Predatório de Madeiras na Amazônia, que reúne 80 entidades e vem conduzindo a campanha contra o corte do mogno basicamente em quarto frentes: 1) Documentação dos estragos causados pelas madeireiras. Nesse sentido a Greenpeace realizou o vídeo Mogno: Estradas da Devastação ; 2) Conscientizar o consumidor para que não compre a madeira enquanto ela estiver sendo produzida de forma predatória. Isso tem sido feito tanto no exterior (dado que Inglaterra e EUA consomem cerca de 80% do mogno produzido na Amazônia), quanto no Brasil. Em outubro de 1993, a Greenpeace invadiu o Shopping Lar Center em São Paulo para alertar os consumidores sobre o problema; 3) Ações na justiça. A Greenpeace apoiou o Núcleo dos Direitos Indígenas, de Brasília, em ações judiciais que resultaram na expulsão de madeireiras de várias áreas indígenas; 4) Pressão direta sobre as madeireiras. Entre as ações neste campo, ativistas da Greenpeace ocuparam pacificamente a Madeireira Maginco, em Rio Maria (PA), paralisando sua serraria. Outro objetivo da campanha é apoiar a inclusão do mogno no Apêndice II do Cites (a convenção internacional sobre o comércio das espécies ameaçadas de extinção). A próxima reunião dessa convenção acontecerá em novembro, e vários países estão se dispondo a votar a favor desta inclusão. O Apêndice II não proíbe o comércio das espécies, mas estabelece controles mais rígidos sobre a forma de Se você está interessado em participar do Greenpeace, ou simplesmente que mais informações, anote: São Paulo R. dos Pinheiros, 240 cj. 32 CEP fone (11) Rio R México, 21 cjs CEP fones (21) e sua produção. Se refere a espécies que não estejam necessariamente em extinção, mas que possam se extinguir no futuro, caso sua produção não seja controlada. Quando a espécie se encontra claramente em vias de extinção, recomenda-se a sua introdução no Apêndice I que proíbe o seu comércio. O governo brasileiro vem se posicionando contra a inclusão do mogno no Cites, atendendo à pressões das madeireiras. É tempo ainda de lutar para que essa posição seja mudada, e a presença do barco MV Greenpeace na Amazônia certamente contribuirá para expor à opinião pública a importância desta medida. Do contrário, o mogno será extinto comercialmente, assim como o foram o Pau Brasil e o Jacarandá, e mais uma vez uma riqueza natural do Brasil será explorada até suaexaustão, apenas para enriquecimento de pequenos grupos. José Augusto Paiva coordena a Campanha de Florestas Tropicais da Greenpeace na América Latina Divulgação 11

As Novas Migrações Internacionais

As Novas Migrações Internacionais As Novas Migrações Internacionais As novas migrações ganharam novas direções, as realizações partem de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos, e o novo modelo de migração internacional surge

Leia mais

Guerras tribais ou conflitos étnicos?

Guerras tribais ou conflitos étnicos? Guerras tribais ou conflitos étnicos? O continente africano padece das conseqüências de um longo e interminável processo de exploração que espoliou a maior parte de suas nações, determinando, na maioria

Leia mais

Como está a situação da população mundial e que expectativa razoável podemos ter para o futuro?

Como está a situação da população mundial e que expectativa razoável podemos ter para o futuro? População mundial Leia as manchetes abaixo: População mundial superará 9,2 bilhões em 2050, estima ONU BBC Brasil Casais ricos burlam lei do filho único na China BBC Brasil A população mundial atingiu

Leia mais

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar)

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Somos parte de uma sociedade, que (re)produz, consome e vive em uma determinada porção do planeta, que já passou por muitas transformações, trata-se de seu lugar, relacionando-se

Leia mais

A Irlanda do Norte, ou Ulster, e a República da Irlanda, ou Eire, situam-se na Ilha da Irlanda. Na Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, vivem

A Irlanda do Norte, ou Ulster, e a República da Irlanda, ou Eire, situam-se na Ilha da Irlanda. Na Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, vivem QUESTÃO IRLANDESA A Irlanda do Norte, ou Ulster, e a República da Irlanda, ou Eire, situam-se na Ilha da Irlanda. Na Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, vivem cerca de 1,8 milhão de habitantes,

Leia mais

Matéria da Recuperação. Industrialização Urbanização População

Matéria da Recuperação. Industrialização Urbanização População Disciplina: Geografia Roteiro de Recuperação Ano / Série: 7º Professor (a): Gabriel Data: / / 2013 Matéria da Recuperação Industrialização Urbanização População 1- A função urbana de uma cidade diz respeito

Leia mais

GEOGRAFIA. Prof. Marcus

GEOGRAFIA. Prof. Marcus GEOGRAFIA Prof. Marcus Migração e xenofobia Migração Trata-se de um fluxo de pessoas. Existe por diversos motivos, como: Fluxos globais, regiões superpovoadas, desemprego, desorganização, desigualdade,

Leia mais

O continente africano

O continente africano O continente africano ATIVIDADES Questão 04 Observe o mapa 2 MAPA 2 Continente Africano Fonte: . A região do Sahel, representada

Leia mais

África. Palavras amáveis não custam nada e conseguem muito. Blaise Pascal 30. www1.folha.uol.com.br

África. Palavras amáveis não custam nada e conseguem muito. Blaise Pascal 30. www1.folha.uol.com.br África Acredita-se que a situação atual da África seja resultado da maneira em que foi colonizado pelos Europeus. Por meio de colônia de exploração de recursos mineiras, separação dos territórios tribais

Leia mais

CORREÇÃO TAREFAS. Aulas 1 4 Pág. 24-31

CORREÇÃO TAREFAS. Aulas 1 4 Pág. 24-31 CORREÇÃO TAREFAS Aulas 1 4 Pág. 24-31 Paginas 24 e 25 1. a) População absoluta é a população total de um determinado local. b) População relativa é a densidade demográfica, ou seja, média de habitantes

Leia mais

Professor Thiago Espindula - Geografia. África

Professor Thiago Espindula - Geografia. África África A seguir, representação cartográfica que demonstra a localização da África, em relação ao mundo. (Fonte: www.altona.com.br) Europeus partilham a África A Conferência de Berlim, entre 1884 e 1885,

Leia mais

ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade

ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade Origem dos povos ORIENTE MÉDIO: Conflitos árabes-israelenses: 1948 Independência de Israel 1949 Guerras da Independência 1956 Crise de Suez 1964 Criação da OLP` 1967

Leia mais

Ensino Fundamental II

Ensino Fundamental II Ensino Fundamental II Valor do trabalho: 2.0 Nota: Data: /dezembro/2014 Professora: Angela Disciplina: Geografia Nome: n o : Ano: 8º Trabalho de Recuperação Final de Geografia ORIENTAÇÕES: Leia atentamente

Leia mais

Exercícios sobre África: Características Físicas e Organizações Territoriais

Exercícios sobre África: Características Físicas e Organizações Territoriais Exercícios sobre África: Características Físicas e Organizações Territoriais 1. Observe o mapa a seguir. As partes destacadas no mapa indicam: a) Áreas de clima desértico. b) Áreas de conflito. c) Áreas

Leia mais

DÉCADA DE 80. Profa. Dra. Regina S. A. Martins

DÉCADA DE 80. Profa. Dra. Regina S. A. Martins Eventos Marcantes: Guerra das Malvinas Guerra nas Estrelas Glasnost e Perestroika Queda do Muro de Berlim Massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) Tragédias sociais e ambientais ESTADOS UNIDOS 1981-1988:

Leia mais

O IMPERIALISMO EM CHARGES. Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com. 1ª Edição (2011)

O IMPERIALISMO EM CHARGES. Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com. 1ª Edição (2011) O IMPERIALISMO EM CHARGES 1ª Edição (2011) Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com Imperialismo é a ação das grandes potências mundiais (Inglaterra, França, Alemanha, Itália, EUA, Rússia

Leia mais

O globo em jornal. Nesta aula vamos aprender que existem

O globo em jornal. Nesta aula vamos aprender que existem A U A UL LA Acesse: http://fuvestibular.com.br/ O globo em jornal Nesta aula vamos aprender que existem muitas diferenças e semelhanças entre as nações que formam o mundo atual. Vamos verificar que a expansão

Leia mais

A era dos impérios. A expansão colonial capitalista

A era dos impérios. A expansão colonial capitalista A era dos impérios A expansão colonial capitalista O século XIX se destacou pela criação de uma economia global única, caracterizado pelo predomínio do mundo industrializado sobre uma vasta região do planeta.

Leia mais

07. Alternativa c. Seja PABC a pirâmide regular, com as medidas indicadas. Tem-se:

07. Alternativa c. Seja PABC a pirâmide regular, com as medidas indicadas. Tem-se: + + = = = + = = = = = = 07. Alternativa c. Seja PABC a pirâmide regular, com as medidas indicadas. Tem-se: (1) PP'A: 4 = cos60º = 1 = () PABC é regular P' é baricentro y = y = () ABC é equilátero + y =

Leia mais

EUA: Expansão Territorial

EUA: Expansão Territorial EUA: Expansão Territorial Atividades: Ler Livro didático págs. 29, 30 e 81 a 86 e em seguida responda: 1) Qual era a abrangência do território dos Estados Unidos no final da guerra de independência? 2)

Leia mais

HABILIDADES PARA RECUPERAÇÃO

HABILIDADES PARA RECUPERAÇÃO Componente Curricular: Geografia Professor (a): Oberdan Araújo Ano: 6º Anos A e B. HABILIDADES 1º Bimestre Conceituar e caracterizar: espaço cultural (urbano e rural) e espaço natural. Identificar e caracterizar

Leia mais

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA Clodoaldo Meneguello Cardoso Nesta "I Conferência dos lideres de Grêmio das Escolas Públicas Estaduais da Região Bauru" vamos conversar muito sobre política.

Leia mais

As regiões com maior e menor crescimento previsto para 2050

As regiões com maior e menor crescimento previsto para 2050 Introdução: O aumento da população ficará na história da Humanidade como o facto mais extraordinário do século XX. Há quarenta anos estimava-se a população em cerca de 3000 milhões de pessoas. Daí em diante

Leia mais

Estrutura Populacional e Indicadores socioeconômicos

Estrutura Populacional e Indicadores socioeconômicos POPULAÇÃO BRASILEIRA Estrutura Populacional e Indicadores socioeconômicos Desde a colonização do Brasil o povoamento se concentrou no litoral do país. No início do século XXI, a população brasileira ainda

Leia mais

2011/2012 Geografia 8º Ano de escolaridade

2011/2012 Geografia 8º Ano de escolaridade 2011/2012 Geografia 8º Ano de escolaridade O aumento da população ficará na história da Humanidade como o facto mais extraordinário do século XX. Há cerca de cinquenta anos estimava-se a população em cerca

Leia mais

Israel e o mundo Árabe

Israel e o mundo Árabe Israel e o mundo Árabe Leonardo Herms Maia¹ Regina Cohen Barros² Para uma compreensão espacial e econômica deste assunto, irei abordar temas principais que nos mostram como Israel se tornou uma grande

Leia mais

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO [25] TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO Entendendo que: 1. O sistema sócio-econômico e político internacionalmente dominante, ao qual se articula o modelo industrial de produção agrícola e

Leia mais

Sugestões de avaliação. Geografia 9 o ano Unidade 7

Sugestões de avaliação. Geografia 9 o ano Unidade 7 Sugestões de avaliação Geografia 9 o ano Unidade 7 Nome: Unidade 7 Data: 1. Sobre o relevo e a hidrografia da África, marque V (verdadeiro) ou F (falso) nas sentenças a seguir. ( ) a maior parte do relevo

Leia mais

GEOGRAFIA. Distribuição e crescimento populacional. Distribuição da população. Taxas de crescimento 14/08/2012. Prof. Marcus

GEOGRAFIA. Distribuição e crescimento populacional. Distribuição da população. Taxas de crescimento 14/08/2012. Prof. Marcus GEOGRAFIA Prof. Marcus Distribuição e crescimento populacional INFOGRÁFICO SOBRE A POPULAÇÃO MUNDIAL Distribuição da população Taxas de crescimento País populoso grande número de habitantes (pop. absoluta)

Leia mais

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ POLÍTICA E SOCIEDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO A DINAMICA POPULACIONAL A PARTIR DA DECADA DE 1960 NO BRASIL

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ POLÍTICA E SOCIEDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO A DINAMICA POPULACIONAL A PARTIR DA DECADA DE 1960 NO BRASIL UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ POLÍTICA E SOCIEDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO A DINAMICA POPULACIONAL A PARTIR DA DECADA DE 1960 NO BRASIL Thaís Schmidt Salgado Vaz de Castro thaissalgado@hotmail.com; Felipe José

Leia mais

Por que defender o Sistema Único de Saúde?

Por que defender o Sistema Único de Saúde? Por que defender o Sistema Único de Saúde? Diferenças entre Direito Universal e Cobertura Universal de Saúde Cebes 1 Direito universal à saúde diz respeito à possibilidade de todos os brasileiros homens

Leia mais

O candidato deverá demonstrar uma visão globalizante do processo transformacional

O candidato deverá demonstrar uma visão globalizante do processo transformacional CIÊNCIAS HUMANAS (HISTÓRIA/ATUALIDADES/GEOGRAFIA) O candidato deverá demonstrar uma visão globalizante do processo transformacional das sociedades através dos tempos, observando os fatores econômico, histórico,

Leia mais

Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens

Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens Um país de idosos Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens A expectativa de vida do brasileiro aumentou mais de 20 anos em

Leia mais

DATA: VALOR: 20 PONTOS NOME COMPLETO:

DATA: VALOR: 20 PONTOS NOME COMPLETO: DISCIPLINA: Geografia PROFESSOR(A): Rodrigo/Saulo DATA: VALOR: 20 PONTOS NOTA: NOME COMPLETO: ASSUNTO: TRABALHO DE RECUPERAÇÃO FINAL SÉRIE: 2ªEM TURMA: Nº: 01. RELAÇÃO DO CONTEÚDO Demografia (Transição

Leia mais

História B Aula 21. Os Agitados Anos da

História B Aula 21. Os Agitados Anos da História B Aula 21 Os Agitados Anos da Década de 1930 Salazarismo Português Monarquia portuguesa foi derrubada em 1910 por grupos liberais e republicanos. 1ª Guerra - participação modesta ao lado da ING

Leia mais

Geografia Por Tabata

Geografia Por Tabata Geografia Por Tabata População População Absoluta: total de habitantes de um dado lugar Ex.: China = maior população cerca 1 bilhão e 300 milhões de habitantes China = país populoso Populoso é o país que

Leia mais

As Novas Migrações Internacionais

As Novas Migrações Internacionais As Novas Migrações Internacionais As novas migrações ganharam novas direções, as realizações partem de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos, e o novo modelo de migração internacional surge

Leia mais

Oriente Médio. Geografia Monitor: Renata Carvalho e Eduardo Nogueira 21, 24 e 25/10/2014. Material de Apoio para Monitoria

Oriente Médio. Geografia Monitor: Renata Carvalho e Eduardo Nogueira 21, 24 e 25/10/2014. Material de Apoio para Monitoria Oriente Médio 1.(VEST - RIO) A Guerra do Líbano, o conflito Irã/ Iraque, a questão Palestina, a Guerra do Golfo, são alguns dos conflitos que marcam ou marcaram o Oriente Médio. Das alternativas abaixo,

Leia mais

A questão da Irlanda do Norte

A questão da Irlanda do Norte A presença de vários grupos étnicos e religiosos num determinado país pode desencadear conflitos internos, principalmente quando um desses grupos aspira à conquista de sua autodeterminação política. Enquadraram-se

Leia mais

MENSAGEM AOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE FMU

MENSAGEM AOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE FMU MENSAGEM AOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE FMU OS REFUGIADOS: * A MAIOR TRAGÉDIA HUMANA DA NOSSA ÉPOCA * A AMEAÇA DE MORTE VIOLENTA DOS REFUGIADOS * E A MORTE CERTA PELA MISÉRIA E PELA FOME * DESAFIO DE UMA UNIVERSIDADE

Leia mais

TRÁFICO HUMANO E AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS

TRÁFICO HUMANO E AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS TRÁFICO HUMANO E AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS INTERNACIONAIS 1. RAZÕES DAS MIGRAÇÕES FATORES ATRATIVOS X FATORES REPULSIVOS - CONDIÇÕES DE VIDA - OFERTAS DE EMPREGO - SEGURANÇA -

Leia mais

PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE

PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE PLANO DE ENSINO DE HISTÓRIA 5ª. SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL 1º BIMESTRE - Sistemas sociais e culturais de notação de tempo ao longo da história, - As linguagens das fontes históricas; - Os documentos escritos,

Leia mais

População é o conjunto de habitantes de um determinado lugar em um determinado tempo;

População é o conjunto de habitantes de um determinado lugar em um determinado tempo; INTRODUÇÃO À GEOGRAFIA DA POPULAÇÃO 1 Aspectos teóricos e metodológicos da geografia da população População é o conjunto de habitantes de um determinado lugar em um determinado tempo; A importância de

Leia mais

CRESCIMENTO POPULACIONAL NO BRASIL

CRESCIMENTO POPULACIONAL NO BRASIL GEOGRAFIA CRESCIMENTO POPULACIONAL NO BRASIL 1. ASPECTOS GERAIS O Brasil atualmente apresenta-se como o quinto país mais populoso do mundo, ficando atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.

Leia mais

É o estudo do processo de produção, distribuição, circulação e consumo dos bens e serviços (riqueza).

É o estudo do processo de produção, distribuição, circulação e consumo dos bens e serviços (riqueza). GEOGRAFIA 7ª Série/Turma 75 Ensino Fundamental Prof. José Gusmão Nome: MATERIAL DE ESTUDOS PARA O EXAME FINAL A GEOGRAFIA DO MUNDO SUBDESENVOLVIDO A diferença entre os países que mais chama a atenção é

Leia mais

Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACAFE PARECER DOS RECURSOS

Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACAFE PARECER DOS RECURSOS 11) China, Japão e Índia são três dos principais países asiáticos. Sobre sua História, cultura e relações com o Ocidente, analise as afirmações a seguir. l A China passou por um forte processo de modernização

Leia mais

Lista de Recuperação de Geografia 2013

Lista de Recuperação de Geografia 2013 1 Nome: nº 9ºano Manhã Prof: Francisco Castilho Lista de Recuperação de Geografia 2013 Conteúdo da recuperação: Europa: industrialização e agropecuária, economia dos países europeues, Ásia: divisão regional,

Leia mais

Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar

Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar GEOGRAFIA 1ª Série Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar http://karlacunha.com.br/tag/charges Geografia - 1ª Série Prof. Márcio Luiz Conferência do Clube de Roma Considero que um dos documentos mais

Leia mais

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2 1º ano O absolutismo e o Estado Moderno Capítulo 12: Todos os itens A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10:

Leia mais

O Complexo Jogo dos Espaços Mundiais

O Complexo Jogo dos Espaços Mundiais O Complexo Jogo dos Espaços Mundiais O Mundo está fragmentado em centenas de países, mas ao mesmo tempo, os países se agrupam a partir de interesses em comum. Esses agrupamentos, embora não deixem de refletir

Leia mais

Exercícios Reorganização Política Internacional

Exercícios Reorganização Política Internacional Exercícios Reorganização Política Internacional 1. (Ufg 2013) Analise a charge a seguir. A charge refere-se a dois temas: o papel do Estado na economia e as relações de trabalho. A respeito desses temas,

Leia mais

Capítulo 21 Meio Ambiente Global

Capítulo 21 Meio Ambiente Global Capítulo 21 Meio Ambiente Global http://karlacunha.com.br/tag/charges Geografia - 1ª Série Prof. Márcio Luiz Conferência do Clube de Roma Considero que um dos documentos mais importantes, em termos de

Leia mais

PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA TREZE COLÔNIAS Base de ocupação iniciativa privada: Companhias de colonização + Grupos de imigrantes = GRUPOS DISTINTOS [excedente da metrópole;

Leia mais

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815)

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815) NAPOLEÃO BONAPARTE 1 Profª Adriana Moraes Destaca-se política e militarmente no Período Jacobino. DIRETÓRIO Conquistas militares e diplomáticas na Europa defesa do novo governo contra golpes. Golpe 18

Leia mais

Gabarito oficial preliminar: História

Gabarito oficial preliminar: História 1) Questão 1 Segundo José Bonifácio, o fim do tráfico de escravos significaria uma ameaça à existência do governo porque Geraria uma crise econômica decorrente da diminuição da mão de obra disponível,

Leia mais

GEOGRAFIA. Prof. Daniel San. daniel.san@lasalle.org.br

GEOGRAFIA. Prof. Daniel San. daniel.san@lasalle.org.br GEOGRAFIA Prof. Daniel San daniel.san@lasalle.org.br África -Físico Segundo maior continente (Ásia), tanto em população quanto em extensão. Maior deserto do planeta: Saara, desconsiderando a Antártica

Leia mais

Conflitos Geopolíticos II. Oriente Médio, África, Índia, Curdistão e Timor Leste

Conflitos Geopolíticos II. Oriente Médio, África, Índia, Curdistão e Timor Leste Conflitos Geopolíticos II Oriente Médio, África, Índia, Curdistão e Timor Leste Oriente Médio Histórico Israel X Palestina 1947 Partilha da Palestina/Israel pela ONU 1948-49 implantação do Estado de Israel

Leia mais

Aluno(a): Nº. Professor: Anderson José Soares Série: 7º Disciplina: Geografia. Pré Universitário Uni-Anhanguera

Aluno(a): Nº. Professor: Anderson José Soares Série: 7º Disciplina: Geografia. Pré Universitário Uni-Anhanguera Pré Universitário Uni-Anhanguera Questão 01) A distribuição da população pela superfície do planeta é desigual, orientada por fatores históricos, econômicos ou naturais. No caso do Brasil, conclui-se que

Leia mais

ATIVIDADES 8º ANO 1) a) Identifique no mapa abaixo, de acordo com a regionalização da África, a região em amarelo e a região representada em verde.

ATIVIDADES 8º ANO 1) a) Identifique no mapa abaixo, de acordo com a regionalização da África, a região em amarelo e a região representada em verde. ATIVIDADES 8º ANO 1) a) Identifique no mapa abaixo, de acordo com a regionalização da África, a região em amarelo e a região representada em verde. b) Aponte as principais diferenças (naturais e humanas)

Leia mais

Oriente Médio Oceania

Oriente Médio Oceania 1 Fonte: Para viver juntos: Geografia, 9º ano: ensino fundamental. São Paulo: Edições SM, 2008, p. 206. O mapa acima nos mostra uma região que tem sido motivo de disputas e conflitos entre os europeus

Leia mais

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do p. 110 A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do México até sua independência a partir de 1823; Em 1839 tornam-se independentes fracasso da

Leia mais

ATIVIDADES ONLINE 9º 3. Cidade chinesa que estreou economia de mercado completa 30 anos

ATIVIDADES ONLINE 9º 3. Cidade chinesa que estreou economia de mercado completa 30 anos ATIVIDADES ONLINE 9º 3 1) Leia atentamente. Cidade chinesa que estreou economia de mercado completa 30 anos Deng Xiaoping, pai da reforma econômica da China, decidiu no começo dos anos 80 testar as regras

Leia mais

7ºano 2º período vespertino 25 de abril de 2014

7ºano 2º período vespertino 25 de abril de 2014 GEOGRAFIA QUESTÃO 1 A Demografia é a ciência que estuda as características das populações humanas e exprime-se geralmente através de valores estatísticos. As características da população estudadas pela

Leia mais

Nome: n o : Geografia. Exercícios de recuperação

Nome: n o : Geografia. Exercícios de recuperação Nome: n o : Ensino: Fundamental Ano: 7 o Turma: Data: Professor(a): Maria Silvia Geografia Exercícios de recuperação 1) Para a geografia, qual é o conceito de região? 2) Entre os aspectos utilizados para

Leia mais

GABARITO ATIVIDADE DE CLASSE DESVENDANDO A NOTÍCIA. Pastor recua e garante que nunca irá queimar o Alcorão (Folha UOL/ 10/09/2010)

GABARITO ATIVIDADE DE CLASSE DESVENDANDO A NOTÍCIA. Pastor recua e garante que nunca irá queimar o Alcorão (Folha UOL/ 10/09/2010) GABARITO ATIVIDADE DE CLASSE Questão 1 DESVENDANDO A NOTÍCIA Certos acontecimentos que ganham destaque na mídia internacional costumam, como se diz na linguagem corrente, esconder problemas ou polêmicas

Leia mais

Cidade e desigualdades socioespaciais.

Cidade e desigualdades socioespaciais. Centro de Educação Integrada 3º ANO GEOGRAFIA DO BRASIL A Produção do Espaço Geográfico no Brasil nas economias colonial e primário exportadora. Brasil: O Espaço Industrial e impactos ambientais. O espaço

Leia mais

CADERNO DE EXERCÍCIOS 3C

CADERNO DE EXERCÍCIOS 3C CADERNO DE EXERCÍCIOS 3C Ensino Fundamental Ciências Humanas Questão Conteúdo Habilidade da Matriz da EJA/FB 1 África: Colonização e Descolonização H40 2 Terrorismo H46 3 Economia da China H23 4 Privatizações

Leia mais

UFSC. Resposta: 01 + 02 = 03. Comentário

UFSC. Resposta: 01 + 02 = 03. Comentário Resposta: 01 + 02 = 03 01. Correta. 04. Incorreta. O número de trabalhadores no setor primário, principalmente na agropecuária, continuou diminuindo devido à automação. O aumento ocorreu no setor de serviço.

Leia mais

03. O Leste europeu sofreu grandes transformações nas duas últimas décadas do século XX, como as que são referidas a seguir, exceto uma. Assinale-a.

03. O Leste europeu sofreu grandes transformações nas duas últimas décadas do século XX, como as que são referidas a seguir, exceto uma. Assinale-a. VESTBULAR/2005 GEOGRAFA 01. Leia, com atenção, a notícia a seguir. Na véspera de um fim de semana prolongado, o mal faz um certo bem. O ar muito seco vem incomodando, mas é justamente a umidade baixa que

Leia mais

PROVA DE GEOGRAFIA 1 o TRIMESTRE DE 2010

PROVA DE GEOGRAFIA 1 o TRIMESTRE DE 2010 PROVA DE GEOGRAFIA 1 o TRIMESTRE DE 2010 PROF. FERNANDO NOME N o 9 o ANO A compreensão do enunciado faz parte da questão. Não faça perguntas ao examinador. A prova deve ser feita com caneta azul ou preta.

Leia mais

Leia a íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff

Leia a íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff 31/10/2010 23h56 - Atualizado em 01/11/2010 11h24 Leia a íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff Em Brasília, ela fez primeiro discurso após anúncio do resultado da eleição. Ela afirmou

Leia mais

Fichamento. Texto: O Terceiro Mundo

Fichamento. Texto: O Terceiro Mundo Fichamento Texto: O Terceiro Mundo I Descolonização e a revolução transformaram o mapa politico do globo. Consequência de uma espantosa explosão demográfica no mundo dependente da 2º Guerra Mundial, que

Leia mais

Resumo. 3º TRIMESTRE 8º Ano

Resumo. 3º TRIMESTRE 8º Ano Resumo 3º TRIMESTRE 8º Ano Chegada do homem à América Duas hipóteses Primeira: De que os primeiros habitantes tenham vindo da Ásia, atravessando o Estreito de Bering, num período glacial de cerca de 20

Leia mais

01. Com freqüência os meios de comunicação noticiam conflitos na região do Oriente Médio.

01. Com freqüência os meios de comunicação noticiam conflitos na região do Oriente Médio. 01. Com freqüência os meios de comunicação noticiam conflitos na região do Oriente Médio. Sobre essa questão, leia atentamente as afirmativas abaixo: I. Em 11 de setembro de 2001, os EUA sofreram um violento

Leia mais

RESOLUÇÃO: O QUE É GEOGRAFIA

RESOLUÇÃO: O QUE É GEOGRAFIA O QUE É GEOGRAFIA 01. (Ufpe) Vamos supor que um determinado pesquisador escreveu o seguinte texto sobre a Amazônia brasileira. "A Amazônia brasileira, uma das principais regiões do País, está fadada ao

Leia mais

VOLUME 1o. VOLUME 2o.

VOLUME 1o. VOLUME 2o. Programação Anual 1 ạ Série 1 ọ 2 ọ 1. A ciência geográfica Lugar, território e espaço 2. Astronomia Assim teve início a Astronomia Qual a origem do Universo? 3. Fusos horários Resolução de problemas com

Leia mais

América do Sul. Cerca de 300.000 deles se estabeleceram no seu país desde a fundação do Estado brasileiro em 1822.

América do Sul. Cerca de 300.000 deles se estabeleceram no seu país desde a fundação do Estado brasileiro em 1822. Discurso do Presidente Federal Horst Köhler durante o banquete oferecido por ocasião da visita de Estado do Presidente da República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva no dia 3 de dezembro de

Leia mais

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO A prova de História é composta por três questões e vale 10 pontos no total, assim distribuídos: Questão 1 3 pontos (sendo 1 ponto para o subitem A, 1,5

Leia mais

1) Caracterize a economia e a história recente da região insular da América Central.

1) Caracterize a economia e a história recente da região insular da América Central. 1) Caracterize a economia e a história recente da região insular da América Central. 2) Considere a tabela para responder à questão: TAXA DE CRESCIMENTO URBANO (em %) África 4,3 Ásia 3,2 América Lat./Caribe

Leia mais

01- ESPECIALISTA PROPÕE REDEFINIR CONCEITO DE IDOSO

01- ESPECIALISTA PROPÕE REDEFINIR CONCEITO DE IDOSO PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA BANCO DE QUESTÕES - GEOGRAFIA - 9º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================== 01- ESPECIALISTA

Leia mais

Sugestão de avaliação

Sugestão de avaliação Sugestão de avaliação 9 GEOGRAFIA Professor, esta sugestão de avaliação corresponde ao primeiro bimestre escolar ou à Unidade 1 do Livro do Aluno. Avaliação Geografia NOME: TURMA: escola: PROfessOR: DATA:

Leia mais

Resolução de Questões- Tropa de Elite ATUALIDADES Questões- AULA 1-4 NILTON MATOS

Resolução de Questões- Tropa de Elite ATUALIDADES Questões- AULA 1-4 NILTON MATOS Resolução de Questões- Tropa de Elite ATUALIDADES Questões- AULA 1-4 NILTON MATOS 2012 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. OBS: EM NEGRITO OS ENUNCIADOS, EM AZUL AS

Leia mais

Geografia (A) 1, 2, 4, 3 (D) 3, 1, 4, 2 (B) 2, 1, 3, 4 (E) 4, 3, 2, 1 (C) 2, 3, 1, 4

Geografia (A) 1, 2, 4, 3 (D) 3, 1, 4, 2 (B) 2, 1, 3, 4 (E) 4, 3, 2, 1 (C) 2, 3, 1, 4 46 As reformas neoliberais implementadas pelos dois últimos governos conferiram ao Brasil a imagem de um país conduzido segundo um determinado modelo econômico. O referido modelo busca um desenvolvimento:

Leia mais

TEMA I A EUROPA E O MUNDO NO LIMIAR DO SÉC. XX

TEMA I A EUROPA E O MUNDO NO LIMIAR DO SÉC. XX TEMA I A EUROPA E O MUNDO NO LIMIAR DO SÉC. XX A supremacia Europeia sobre o Mundo A Europa assumia-se como 1ª potência Mundial DOMÍNIO POLÍTICO Inglaterra, França, Alemanha, Portugal e outras potências

Leia mais

GEOGRAFIA - 2 o ANO MÓDULO 52 A EXPANSÃO DO BLOCO EUROPEU

GEOGRAFIA - 2 o ANO MÓDULO 52 A EXPANSÃO DO BLOCO EUROPEU GEOGRAFIA - 2 o ANO MÓDULO 52 A EXPANSÃO DO BLOCO EUROPEU Como pode cair no enem Sarkozy e Berlusconi encaminharam pedido à UE, solicitando a revisão do: a) Tratado de Maastricht, o qual concede anistia

Leia mais

Capitalismo, Revolução Russa e Crise de 29

Capitalismo, Revolução Russa e Crise de 29 Capitalismo, Revolução Russa e Crise de 29 Revolução Russa de 1917 A Revolução Russa de 1917 foi uma série de eventos políticos na Rússia, que, após a eliminação da autocracia russa, e depois do Governo

Leia mais

COLÉGIO ADVENTISTA DE CIDADE ADEMAR

COLÉGIO ADVENTISTA DE CIDADE ADEMAR COLÉGIO ADVENTISTA DE CIDADE ADEMAR Roteiro de Geografia - Professor: Vilson P. Rodrigues Oitavo Primeiro Bimestre de 2010 Observações Gerais: Alunos e Senhores Pais de Alunos - O roteiro sempre estará

Leia mais

PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA

PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA BANCO DE QUESTÕES - GEOGRAFIA - 8º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================= 01- Observe a figura

Leia mais

América anglo-saxônica. Diferentes povos construíram duas fortes economias

América anglo-saxônica. Diferentes povos construíram duas fortes economias América anglo-saxônica Diferentes povos construíram duas fortes economias A América Desenvolvida Conhecido também como Novo Mundo, a América é sinônimo de miscigenação, desenvolvimento e mazelas sociais.

Leia mais

CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA. Os últimos anos da República Velha

CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA. Os últimos anos da República Velha CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA Os últimos anos da República Velha Década de 1920 Brasil - as cidades cresciam e desenvolviam * Nos grandes centros urbanos, as ruas eram bem movimentadas, as pessoas

Leia mais

Demografia. População (milhões de habitantes) 1

Demografia. População (milhões de habitantes) 1 DEMOGRAFIA Em 2002, a população dos 38 Estados e territórios do espaço Caribe chega a quase 250 milhões de habitantes, com uma densidade populacional de 47 habitantes/km², representando 4% da população

Leia mais

Guerra por domínio territorial e econômico.

Guerra por domínio territorial e econômico. Guerra da Crimeia Quando: De 1853 até 1856 Guerra por domínio territorial e econômico. Cerca de 595 mil mortos Por que começou: A Rússia invocou o direito de proteger os lugares santos dos cristãos em

Leia mais

PLANEJAMENTO ANUAL / TRIMESTRAL 2012 Conteúdos Habilidades Avaliação

PLANEJAMENTO ANUAL / TRIMESTRAL 2012 Conteúdos Habilidades Avaliação Disciplina: Geografia Trimestre: 1º PLANEJAMENTO ANUAL / TRIMESTRAL 2012 1. População: - Crescimento populacional - O espaço urbano e o processo de urbanização - Teorias demográficas. 2. Mundo contemporâneo:

Leia mais

BLOCO DE ATIVIDADES / EXERCÍCIOS PROPOSTOS

BLOCO DE ATIVIDADES / EXERCÍCIOS PROPOSTOS Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo Colégio Nossa Senhora da Piedade Av. Amaro Cavalcanti, 2591 Encantado Rio de Janeiro / RJ CEP: 20735042 Tel: 2594-5043 Fax: 2269-3409 E-mail: cnsp@terra.com.br

Leia mais

Guerra fria (o espaço mundial)

Guerra fria (o espaço mundial) Guerra fria (o espaço mundial) Com a queda dos impérios coloniais, duas grandes potências se originavam deixando o mundo com uma nova ordem tanto na parte política quanto na econômica, era os Estados Unidos

Leia mais

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F Ensino Fundamental Ciências Humanas Questão Conteúdo Habilidade da Matriz da EJA/FB 1 Movimento operário e sindicalismo no Brasil H43 2 Urbanização nas regiões brasileiras H8,

Leia mais

1º ano. Os elementos da Paisagem Natural e Paisagem modificada

1º ano. Os elementos da Paisagem Natural e Paisagem modificada 1º ano Os elementos da Paisagem Natural e Paisagem modificada A origem da Terra; A origem dos continentes; A teoria da deriva dos continentes; A teoria das placas tectônicas; Tempo geológico; A estrutura

Leia mais

UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS

UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS UMA RESPOSTA ESTRATÉGICA AOS DESAFIOS DO CAPITALISMO GLOBAL E DA DEMOCRACIA Luiz Carlos Bresser-Pereira A Reforma Gerencial ou Reforma à Gestão Pública de 95 atingiu basicamente os objetivos a que se propunha

Leia mais

GEOGRAFIA BÁSICA. Características Gerais dos Continentes: África

GEOGRAFIA BÁSICA. Características Gerais dos Continentes: África GEOGRAFIA BÁSICA Características Gerais dos Continentes: África Atualmente temos seis continentes: África, América, Antártida, Europa, Ásia e Oceania. Alguns especialistas costumam dividir o planeta em

Leia mais

PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA

PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA BANCO DE QUESTÕES - GEOGRAFIA - 9º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================== 01- A imagem a

Leia mais