PERSONNALITÉ. ney matogrosso. Alexandre delijaicov zaha hadid inácio neves. Tudo que a vida me oferecer de agradável eu vou desfrutar

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1 Revista do Itaú Personnalité n o 19 julho de 2012 Ano 5 PERSONNALITÉ ney matogrosso Tudo que a vida me oferecer de agradável eu vou desfrutar ney matogrosso alexandre delijaicov zaha hadid inácio neves Alexandre delijaicov zaha hadid inácio neves exemplar distribuído nas agências personnalité

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3 EDITORIAL O que faz a vida de cada um ser de uma maneira é a experiência acumulada com a passagem dos anos. Nas diversas bifurcações que surgem no caminho, a decisão do rumo a ser tomado implica a escolha de situações que vamos encarar em nosso cotidiano momentos ponderáveis e imponderáveis. Compartilhar a experiência vivida pelos personagens reunidos nesta edição provoca um fascínio por nos depararmos com tamanha diversidade de histórias, lembranças e reflexões. Conseguimos entrevistar Zaha Hadid, arquiteta nascida no Iraque, a primeira mulher a ser premiada pelo Pritzker, o Oscar da arquitetura. Mais do que falar sobre suas obras de destaque e da admiração de Niemeyer por seu trabalho, jogamos luz na história de sua família, nas preferências pessoais, nas cidades que mais lhe tocam o coração enfim, quem é Zaha Hadid. Não menos especial é a entrevista com Ney Matogrosso, que nos recebeu em casa para fazer um retrospecto de suas experiências em 70 anos de vida. Das revelações no bate-papo ao ensaio fotográfico, Ney mostrou na prática por que é um dos nomes mais admirados da MPB. Entre nossos personagens, João Emanuel Carneiro, no alto de seus 42 anos, explica as referências de Avenida Brasil (40 milhões de telespectadores) e dá detalhes de sua rotina, como nadar no Copacabana Palace e assistir aos capítulos da novela com uma máquina do Ibope ao lado. O mineiro Inácio Neves, por sua vez, idealizador do Cinema no Rio, já levou a grande tela para o deleite de 200 mil pessoas, que nunca haviam passado por essa experiência, às margens do rio São Francisco. Original também é a ideia do especial a ser exibido no Canal Brasil: cantoras atuais interpretando clássicos do passado, como Mallu Magalhães dando voz a Elizeth Cardoso. Não perca ainda a reportagem que traz soluções urbanísticas para São Paulo a partir da revitalização dos rios que cortam a cidade. Utopia? Não para o arquiteto Alexandre Delijaicov. Ele tem a fórmula para transformar a vida na metrópole em uma experiência muito mais saudável para todos nós. Um abraço e boa leitura, André Sapoznik Itaú Personnalité croquis da arquiteta zaha hadid, uma das quatro personagens principais desta edição

4 Colaboradores expediente Colaboradores Marcos López e David Torras trabalham juntos em Barcelona há mais de 20 anos na seção esportiva do El Periódico de Catalunya. A dupla assina artigo sobre Pep Guardiola, técnico que deixou o Barça após revolucionar o futebol. Foi um prazer contar para o país do futebol por que Guardiola é mais do que um símbolo, diz Marcos. Há sete anos, Zoran Luci trocou a Sérvia por Bijeljina (Bósnia) para estudar arte e dedicarse à ilustração. Aos 30 anos, coleciona clientes como o Financial Times, a British Royal Mail e a Fly Emirates. Nesta edição, ilustra o texto sobre Guardiola. Ele é um filho de Barcelona e tem muito a provar fora de sua zona de conforto. Foi uma entrevista genial, diz Pedro Alexandre Sanches. O jornalista paranaense assina o bate-papo com Ney Matogrosso. Um dos mais importantes críticos musicais do país, Pedro acumula passagens por Folha de S.Paulo e Carta Capital. É colunista do portal Yahoo e autor de livros sobre o Tropicalismo e a Jovem Guarda. Pupila de Samuel Wainer, a jornalista Maria Lucia Rangel foi editora de cultura da Rede Globo e diretora do programa Mudando de conversa, no Canal Brasil. Nesta edição, entrevistou João Emanuel Carneiro, autor da novela Avenida Brasil. João é inteligente, rápido e crítico. Adora o que faz, daí fazer bem-feito. De cima para baixo: arquivo pessoal / Arquivo pessoal / arquivo pessoal / arquivo pessoal de cima para baixo: arquivo pessoal / arquivo pessoal / arquivo pessoal / arquivo pessoal Editor Paulo Lima Diretor Superintendente Carlos Sarli Diretor Editorial Fernando Luna Diretora de Criação Ciça Pinheiro Diretora de Criação Adjunta Micheline Alves Diretora de Publicidade e Circulação Isabel Borba Diretora de Eventos e Projetos Especiais Proprietários Ana Paula Wehba Diretor de Núcleo Tato Coutinho Diretora de Desenvolvimento de Negócios Adriana Naves Diretor Financeiro Renato B. Zuccari Diretor de Redação Décio Galina Projeto Gráfico e Direção de Arte Elizabeth Slamek Editora de Arte Kiki Tohmé Produtor Executivo Alex Bezerra Assistente de Produção Bruna Serrano Editora Executiva de Conteúdo Digital Eliana Castro Moderador da Fan Page Luiz Henrique Brandão Repórter do Site Fernanda D Angelo Departamento Comercial Publicidade Diretor de Publicidade Heitor Pontes Diretor de Planejamento e Marketing Publicitário Rogério Rocha Assistente Comercial da Diretoria Bruna Ortega Gerente de Publicidade Mercado Segmentos Claudia Atala Coordenadora Comercial e Atendimento Vanessa Soares Assistente de Mkt Publicitário e Arte Renata Vieira Assistente Comercial Nathalia Rodrigues Gerentes de Contas Flavia Marangoni, Karina Dutra, Paulo Paiva e Roberta Rodrigues Executivos de Contas Marcelo Milani, Thais Meneghello, Vivian Viviani e Gabriela Llovet Gerente de Contas On-line Marco Guidi Assistente Comercial On-line Sharon Ajzental Tráfego Comercial Leticia Nobre Para Anunciar com.br Representantes Internacional Fernando Mariano multimediausa.com Argentina Roberto Rajmilevich net BA Romário Júnior DF Alaor Machado MG Rodrigo Freitas PE Wladmir Andrade PR Raphael Muller RJ Juliana Rocha RJ (Trip e Tpm) X² Representação RS/SC Ado Henrichs SE Pedro Amarante SP Interior Daniel Paladino Pesquisa de Imagens Aldrin Ferraz Pesquisador Fernando de Almeida Assistente de Biblioteconomia Daniel de Andrade Estagiárias Daniela Almeida e Renata Rodrigues Produção Gráfica Walmir S. Graciano Produtores Gráficos Mariana Pinheiro e Cleber Trida Tratamento de Imagens Roberto Longatto e Roberto Oliveira Revisão Ecila Cianni (coordenação) Adriana Rinaldi, Janaína Mello e Márcia Costa Projetos Especiais e Eventos Diretora Ana Paula Wheba Assistentes Pedro Toledo e Mariana Beulke Editora de Arte Camila Fank Comercial Trade e Circulação Diretora Daniela Basile Analista de Trade Renata Vilar Assistente de Trade Fábio Pinheiro Gerente de Circulação Adriano Birello Assistentes de Circulação Aline Trida e Vanessa Marchetti Projetos Digitais Diretor de Mídias Eletrônicas de Custom Publishing Beto Macedo Editora de Arte Débora Andreucci Negócios Diretor de Negócios Jan Cabral Gerente de Negócios Izabella Zuanazzi Núcelo de Vídeo Coordenação Ana Rosa Sardenberg Videomakers Vinicius Nora e Marco Paolielo Editor de Vídeo Pitzan Oliveira Produtora Camila Nunez Estagiário Ivanildo Ferreira Colaboraram nesta edição Edmundo Clairefont (edição), David Torras, Denis Russo, Egeu Laus, Leticia de Castro, Luis Patriani, Marcos López, Marcus Preto, Maria Lucia Rangel, Suzana Camargo, Pedro Alexandre Sanches, Rosane Queiroz e Vivian Sotocórno (texto), Beti Niemeyer, Beto Brant, Chris Valias, Felipe Gombossy, Fernando Martinho, Jacques Delacroix, Marcelo Correa e Nelson Mello (fotos) Ju Russo e Zoran Luci (ilustração) Kika Pereira de Sousa e Drica Cruz (produção) Comitê Itaú responsável por esta edição Fernando Chacon, André Sapoznik, Cristiane Portella, Danielle Sardenberg, Ligia Benavente e Mariana Couto de Arruda Colaboradores Marcello Barcelos, Maria Pestana e Mariana Salles DPZ Propaganda Capa Ney Matogrosso fotografado por Marcelo Correa Revista Personnalité é uma publicação trimestral da Trip Editora e Propaganda em parceria com o Itaú Personnalité. Endereço para Correspondência: rua Cônego Eugênio Leite, 767, , São Paulo, SP. A Trip Editora, cons ci en te das questões am bi en tais e sociais, utiliza papéis Suzano com certificado FSC (Forest Stewardship Council) para impressão deste material. A Certificação FSC garante que uma matéria-prima florestal provenha de um manejo considerado social, ambiental e economicamente adequado. Impresso na Gráfica Log&Print Certificada na Cadeia de Custódia FSC Veja e Dufry World estão entre os títulos para os quais Leticia de Castro já colaborou. Aos 35 anos, sete deles na Folha de S.Paulo, Leca assina perfil da iraquiana Zaha Hadid enquanto curte a gravidez do primeiro filho. A negociação para a entrevista durou mais de um mês, com direito a plantão no hotel onde ela estava. Denis Russo, 39 anos, tem no currículo uma década como diretor de redação da Superinteressante. O jornalista e escritor já passou um ano como pesquisador convidado da Universidade de Stanford, na Califórnia. Aqui, mergulha nas ideias de Alexandre Delijaicov. Estou convencido de que a visão dele é a salvação de São Paulo. Há dez anos, a artista plástica Juliana Russo divide seu tempo entre criações autorais e ilustrações inspiradas no cenário urbano. Com trabalhos publicados na revista espanhola Rojo e na francesa Étapes, a paulistana ilustrou para esta edição a reportagem sobre Delijaicov. Aprendi muito com essa matéria. Paulistano da Pompeia, Marcus Preto é repórter da Folha de S.Paulo e curador do site Música de Bolso. Atualmente se dedica à biografia de Tom Zé. Nesta edição, assina a reportagem sobre cantoras que interpretam nomes consagrados do passado. A ideia era escrever sobre a relação de cada uma com as homenageadas. Mas elas disseram coisas tão íntimas que viraram depoimentos.

5 sumário 10 Cá entre nós Música, viagem, gastronomia e filmes dicas de quem sabe viver bem 15 Prestígio MORAES PAI, MORAES FILHO O cantor Moraes Moreira relembra os primeiros passos do filho Davi no palco, quando o menino dava canjas com o cavaquinho em seus shows DESCONSTRUINDO ZAHA A vida e a obra de Zaha Hadid, a maior arquiteta da atualidade, em entrevista exclusiva: Sou iraquiana, vivo na Inglaterra, não tenho um lugar particular. Estar deslocado é libertador 24 POR QUE PAROU? Pep Guardiola entrou para o Barcelona aos 13 anos, foi gandula, jogador, ídolo. Aos 41, esgotado, deixa o clube como o técnico que reinventou o jeito de jogar futebol 32 CASA NA ÁRVORE O sucesso na publicidade já não dizia nada para o francês Alain Laurens. Ele decidiu, então, criar uma empresa para construir cabanas a 10 metros do chão 40 CINEMA MARGINAL O mineiro Inácio Neves percorre o São Francisco levando filmes nacionais a comunidades ribeirinhas. Ele traz alegria com o cinema. A TV é só desgraça, diz Manoel dos Santos, 73 anos 48 O PAPEL DA CANA Dono de uma coleção de rótulos de cachaça, o designer e pesquisador Egeu Laus fez uma seleção para a Revista Personnalité: Eles engarrafam a beleza e a riqueza da cultura brasileira 40 fernando martinho / marcelo correa / Felipe Gombossy / marcelo correa 54 RIOS DE OPORTUNIDADE Como a equipe do arquiteto Alexandre Delijaicov pretende fazer dos rios de São Paulo a solução para o trânsito, a poluição, o saneamento público e a habitação da metrópole 62 eleito pelo povo Aos 42 anos, João Emanuel Carneiro escreve a novela Avenida Brasil. A TV tem uma coisa muito legal, que é o voto direto. Você só ocupa um lugar se for eleito pelo povo, diz o jovem autor 72 PALAVRA DE NEY Ué, não estão querendo saber da minha vida? Então, vou falar a verdade. Aos 70 anos, Ney Matogrosso abre sua cobertura no Leblon para receber a Revista Personnalité 82 ELAS POR ELAS Nina Becker, Mallu Magalhães, Lurdez da Luz e Luisa Maita criam pequenas biografias sentimentais de Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Nara Leão e Elis Regina 90 Primeira Pessoa O cineasta Beto Brant produziu três fotos que o representam e preferiu não se alongar com explicações: Sou da imagem ela fala mais do que palavras

6 cá entre nós viagem, gastronomia e cultura convidados especiais abrem suas preferências Por Rosane Queiroz objetos de desejo _ André Diniz, galerista A galeria virtual Urban Arts ganhou um espaço físico nos Jardins. Ali, André Diniz ocupa a mesa cercada por obras dos seus artistas preferidos cá entre nós o filme da minha vida _ Marin Alsop, maestrina Um clássico dos anos 50, estrelado por Marlon Brando, e uma obra-prima de Charles Chaplin regem o gosto cinematográfico da regente da Osesp A nova-iorquina Marin Alsop, 55 anos, é a mais importante maestrina da atualidade. O carimbo foi confirmado em 2005, quando recebeu o prestigiado prêmio MacArthur Fellowship por contribuições espetaculares à criatividade. Em março, Marin assumiu a batuta da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), a principal do país. Formada em violino, a regente é pop a ponto de ter sido convidada pela Apple para criar um podcast gratuito no itunes, o Clueless About Classical. Rei O peruano Cherman é um artista de street art que gosta de brincar com fotos de pessoas em serigrafias. Ele brinca com personagens como Roberto Carlos, Albert Einstein e Salvador Dalí. Superpop Este calendário foi um presente da ilustradora Nice Lopes. Gostei tanto que deixei aí. Viva México! A paulistana Saramelo é aficionada pela Frida Kahlo. Este quadro é de uma série independente e ficou bacana neste canto. Mil cores A escala de pantone fica à disposição para ajudar o cliente a escolher a cor da moldura. Ultimamente as cores mais pedidas são vermelho, lilás e preto. Abstração Esta obra é do paulistano Como dois e dois Marcelo Massis. Suas telas Tenho sempre por perto estão sempre em destaque. uma máquina para calcular Costumo brincar que ele é o preço das obras. o nosso Jackson Pollock Para mim, basta ter as pintor americano, ícone do funções principais. expressionismo abstrato. nelson mello divulgação / EVERETT COLLECTION/KEYSTOCK / Latinstock Album / Latinstock Album / EVERETT COLLECTION/GRUPO KEYSTONE O Chaplin favorito Luzes da cidade (1931), dirigido e estrelado por Charles Chaplin, conta a história de um vagabundo que se apaixona por uma florista cega (Virginia Cherrill) e se passa por rico para conquistar a moça. A comédia encanta Marin Alsop. Já vi este filme muitas vezes, diz. Nunca deixo de me surpreender. A cada vez percebo novas sutilezas. Carlitos compositor A regente destaca as músicas que embalam o clássico do cinema mudo. A trilha sonora foi composta pelo próprio Chaplin, conta. Ele escreveu, produziu, musicou, dirigiu, estrelou e distribuiu seus próprios filmes! A trilha favorita Aluna de Leonard Bernstein ( ), Marin destaca a trilha sonora de Sindicato de ladrões, composta por seu tutor, como um de seus momentos favoritos no cinema. Este filme trouxe nova vida a Nova York. Percebi o quanto a música pode capturar e motivar uma narrativa, diz. Trama fatal Em Sindicato de ladrões (1954), drama dirigido por Elia Kazan, Terry Malloy (Marlon Brando) é um boxeador decadente usado por sindicalistas para atrair à morte um jovem trabalhador do cais do porto. O filme venceu oito Oscars, incluindo melhor filme, diretor e ator

7 cá entre nós cá entre nós trilha sonora _ Marcelo Jeneci, músico Um dos destaques do cenário musical brasileiro, Jeneci escolhe nove músicas que sintetizam sua história de referências fundamentais Desde que estreou com o álbum Feito pra acabar, em 2010, o cantor, compositor e multi-instrumentista já emprestou seu talento para artistas como Marcelo Camelo, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes e Leonardo. O ecletismo é evidente quando ele aponta suas canções favoritas. 9 Água na Boca _ DANIELLE DAHOUI, chef À frente do Ruella Caffé & Bistrô, a restauratrice é uma pesquisadora de sabores: sua culinária mistura ingredientes asiáticos a receitas da região da Provença por Fernanda D Angelo 2 7 PAVLOVA DE FRAMBOESA Ingredientes do suspiro (12 porções de 35 g cada) 200 g de claras 5 ml de essência de amêndoas 400 g de açúcar Modo de preparo 1 Misturar as claras e o açúcar em fogo baixo. Bater até ficar firme. 6 3 Acrescentar a essência e mexer. Em um saco de confeitar, com o bico perlê médio, fazer as pavlovas em formato redondo sobre assadeira 5 forrada com silpat. Levar ao forno a 100 o C com a porta entreaberta até que desgrudem do silpat, mas 1. Linha do horizonte, Azimüth Meu pai adorava esta música do trio carioca formado nos anos Foi a primeira melodia que aprendi a tocar. Eu tinha 5 anos. 2. Carruagens de fogo, Vangelis Quando a ouço, sinto sinestesia. Me lembra o cheiro da casa onde nasci. Eu tocava esta canção na entrada das noivas durante os casamentos realizados na igreja onde minha mãe me levava. Devia ter uns 7 ou 8 anos. 3. O portão, Roberto Carlos Ainda com 7 ou 8, meus avós paternos voltaram ao agreste pernambucano. Esta música, como tantas de Roberto, alimentavam a saudade e o amor na nossa casa. 4. Wave, Tom Jobim Aos 13, deparei com a obra de Tom. Wave, Dindi, Modinha, Chovendo na roseira e tantas outras canções começaram a fazer parte da minha vida, trazendo uma vontade de me dedicar seriamente à música Tema do filme Titanic, James Horner Hahaha! Momento brega! Foi a música que embalou o drama e as delícias do meu primeiro romance. Choraaaaaava quando a ouvia ao cruzar o oceano pela primeira vez a trabalho. Devia ter uns 17 anos. 6. De onde vem a calma, Marcelo Camelo Marcou a chegada do Los Hermanos para mim. Comecei a intuir um caminho à minha frente e até comprei uma guitarra. Acho que tinha Não tenho medo da morte, Gilberto Gil Aos 27, já no processo de composição do Feito pra acabar, ouvi esta música primorosa do Gil. Percebi que o que queria fazer na vida era perseguir de maneira simples e profunda os versos e as melodias que sintetizam os sentimentos inevitáveis. 8. Feito pra Acabar, Marcelo Jeneci, Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves Desculpem por citar uma música minha... É que esta não pode ser ignorada. Além 8 do significado da convivência com Zé Wisnik e Paulo Neves, é a canção que dá nome ao meu primeiro capítulo. 9. Rotina, Roberto Carlos Hoje, depois de ter conhecido pessoalmente Roberto Carlos, montei um show em sua homenagem. E descobri esta faixa linda. Muito do que persigo na música surgiu na infância e vem se unindo a novas descobertas. Pelo jeito, Roberto e Erasmo continuarão amarrando muito bem a minha história. divulgação/daryan Dornelles / reprodução nelson mello Danielle Dahoui, 43 anos, nasceu em Recife e cresceu no Rio de Janeiro. Aos 22 anos, foi a Paris estudar fotografia de cinema. O trabalho de ajudante de cozinha, porém, despertou os seus olhos para a gastronomia. Na volta, decidiu abrir em São Paulo o bistrô Ruella. No ano passado, ampliou os negócios e inaugurou o Ruella Caffé & Bistrô, em Pinheiros. O cardápio traz receitas autorais inspiradas na Ásia e na Provença. O confit de pato ao molho roisin e o salmão ao molho missô são duas de suas marcas. O Ruella Caffé & Bistrô faz parte do Menu Personnalité: experiencia > Gastronomia > Experiências Exclusivas > Menu Personnalité Ruella Caffé & Bistrô R. Vupabussu, 199. Tel.: (11) O QUE DÁ ÁGUA NA BOCA? A lasanha da minha avó e cassoulet [espécie de feijoada francesa com favas brancas e carne de pato]. 2. SEU TEMPERO ESSENCIAL. Gengibre: o ingrediente está em nosso chá, em alguns pratos salgados e sobremesas. 3. O QUE A COZINHA ENSINA PARA A VIDA? Foco, organização, amor à profissão e capricho. 4. TRÊS RESTAURANTES PREDILETOS NA FRANÇA. O L Atelier de Joël Robuchon [com unidades em Mônaco e Paris]. Outro de que gosto é o Les Cocottes [em Paris, nas cercanias da Torre Eiffel], com seus pratos servidos em minicaçarolas. Na Île de Saint Louis, tem o L Ilot Vache. O nome quer dizer a ilha da vaca, animal que inspirou a decoração do local: bistrô baratinho e com pratos deliciosos. 5. O QUE GOSTA DE COMER NO INVERNO? Receitas quentes que tragam conforto: risoto e sopas, além de doces, é claro. 6. SEU DOCE PREDILETO. Brigadeiro e bolo de cenoura da vovó. 7. UMA CULINÁRIA DESCOMPLICADA É... Perfeita! A minha culinária é prática, mas não deixa de ganhar no sabor e na qualidade. ainda estejam branquinhos. Calda de frutas vermelhas 125 g de morango 125 g de framboesa 125 g de amora 75 g de mirtilo 75 g de açúcar 40 ml de conhaque Castanhas-de-caju Modo de preparo Derreter o açúcar até virar caramelo. Acrescentar 500 ml de água e misturar até o caramelo dissolver. Incluir as frutas inteiras e levar ao fogo médio. Mexer até o ponto de calda. Finalizar com conhaque. Para montar a receita: coloque no centro do prato a pavlova aberta. Rechear com chantilly, sorvete de framboesa e decorar em volta com a calda e castanhas-de-caju salgadas

8 cá entre nós Prestígio Moraes Moreira Por Rosane Queiroz sonhos _ J. R. Duran, fotógrafo Viajante experimentado, Duran usa a mesma mala há 22 anos. Fã da África, destaca a Eritreia e mira o Iêmen como próximo destino Eritreia, 2010 jornada inesquecível O período em que vivi em Nova York [1989 a 1994], fotografando para revistas do mundo todo, foi dos mais ricos em termos de viagens. Posso dizer que arrumei a mala 120 vezes em dois anos. Nos últimos tempos, duas jornadas inesquecíveis ao nordeste africano: em 2005, para a Etiópia, que gerou o livro Cadernos etíopes [Cosac Naify]; e, em 2010, para Eritreia. Fui lá para seguir os rastros de Corto Maltese e de seu criador, Hugo Pratt [ ], dois de meus personagens favoritos de ficção e da realidade. Foram momentos intensos, arriscados, que marcaram minha retina para sempre. _ Moraes pai, Moraes filho Moraes Moreira relembra os primeiros passos do filho Davi no palco, quando o menino dava canjas com cavaquinho em seus shows _ A inseparável mala Viajo com a mesma Prada, dessas de nylon, há 22 anos. Já fui para a África, para o frio, para a praia, para o mundo todo, e ela continua resistindo. Levo o mínimo nas viagens. Tenho pouquíssima roupa: quatro calças duas para o verão, duas para o inverno. Compro quase nada, mas peças de qualidade. Não me desfaço das roupas: elas é que vão se desfazendo de mim! Iêmen próxima parada Em uma loja de Asmara, capital da Eritreia, encontrei um catálogo que listava tarifas a serem pagas em uma viagem pelo Iêmen [país berço da família de Bin Laden]. Ali, estavam incluídos até os valores para contratar escolta armada... O Iêmen me encanta por ser um desses lugares em que a fronteira entre passado e presente está diluída de tal forma que nunca se sabe em que século você está. Até hoje guardo esse catálogo sobre a minha mesa do escritório. arquivo pessoal j. r. duran / iêmen: caio vilela / zeca de sousa arquivo pessoal A parceria musical da foto acima é uma das mais longevas e íntimas da MPB. Ela dura mais de 30 anos e acaba de ganhar um novo capítulo com o disco A revolta dos ritmos. O primeiro álbum de inéditas de Moraes Moreira em sete anos conta com guitarras, cavaquinho e arranjos de seu filho Davi Moraes. Com 7 anos, o Davi subiu ao palco do antigo teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, imitando os músicos, conta Moreira. Pouco tempo depois, ele passou a fazer parte dos meus shows, tocando cavaquinho em alguns números. O baiano de Ituaçu não lembra exatamente onde a foto acima foi feita. Mas elege o retrato pela emoção de proporcionar a meu filho as condições para que desenvolvesse sua aptidão. Davi Moraes nasceu em plena atividade dos Novos Baianos, em 1973, quando a banda morava em seu famoso sítio em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro o mítico Cantinho do Vovô, onde os músicos criaram uma comunidade alternativa, em pleno regime militar. Ainda bebê, quando estava chorando, colocávamos Davi perto de onde aconteciam os ensaios da banda, diz Moreira. Ele ficava tranquilo, até dormia. Percebi ali que o menino gostava de música. Hoje, aos 39 anos, é um dos guitarristas e arranjadores mais disputados por artistas do primeiro time. Tocou com Caetano Veloso, Bebel Gilberto, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata, Marisa Monte e Ivete Sangalo (com as duas últimas, foi casado). O disco em família traz 13 canções. A ideia inicial era montar um repertório só de sambas. Aí entrei na viagem de que os outros ritmos começariam a reclamar, diz Moraes Moreira, prestes a completar 65 anos. A inspiração deu na letra: Eu quis fazer um disco só de samba/ Mas o baião ficou tão enciumado/ E foi aí que eu disse assim, caramba/ Como é que eu resolvo esse babado?. O baiano resolveu com variedade. O CD oferece frevo, rojão, caboclinho, xote, bossa nova, bolero e valsa. O sucesso dessa parceria é o grande amor e a amizade que rola entre nós, diz Moraes pai, com a bênção de Moraes filho

9 Por Leticia de Castro Foto Marcelo Correa (DES) CONS- TRUINDO ZAHA A vida e a obra de Zaha Hadid, a maior arquiteta da atualidade, em entrevista exclusiva: Sou iraquiana, vivo na Inglaterra, não tenho um lugar particular. Estar deslocado é uma experiência libertadora Ao lado, Foto feita pela missão Mars reconnaissance orbiter em agosto de 2008 mostra a cratera hale, no sul de marte; ramon de paula, na nasa, em washington

10 Personnalité Zaha hadid á 20 anos, uma iraquiana apareceu no escritório H do arquiteto Oscar Niemeyer, no Rio. Trazia um encadernado com imagens de seus iniciantes trabalhos. Passaram horas conversando. Ao final, quando a mulher se despediu, Niemeyer, observando o livro, comentou com um colega no escritório: Muito interessante o trabalho dela... Mas não entendi se é escultora, se é do ramo da moda ou se é arquiteta. A iraquiana em questão é hoje a cultuada arquiteta Zaha Hadid, 61 anos. O episódio ilustra muito bem o tipo de estranhamento que suas criações provocam. O esquisito e multiforme Centro Aquático de Londres, que abrigará disputas por medalhas nos Jogos Olímpicos, tem a sua assinatura. Nascida em 1950, em Bagdá, Zaha é discípula do holandês Rem Koolhaas, seu ex-professor na Architectural Association, em Londres, e tido como um dos homens mais importantes do mundo pela revista Time. Herdeira da tradição estética das vanguardas russas, ela desenvolve um estilo conceitual e abstrato. Usa materiais como aço, concreto e vidro para criar formas futuristas e assimétricas, com linhas fluidas e espaços integrados. São construções que embaralham os limites entre arquitetura e artes plásticas. A ousadia, aliada ao alto custo de execução, relegou os projetos Centro Aquático Olímpico Londres, Inglaterra (2011) A geometria fluida da água em movimento inspirou o desenho do Centro Aquático de Londres. O teto se projeta como se fosse uma onda, envolvendo o conjunto de piscinas. Planejado a partir de um eixo ortogonal perpendicular à ponte Stratford City, tem capacidade para espectadores, mas durante os Jogos Olímpicos duas arquibancadas em extensões laterais vão abrir espaço para mais visitantes. me apaixonei por istambul. você nunca sabe o que esperar na próxima esquina ao papel por muito tempo: nos primeiros 15 anos de vida, seu escritório ganhou prêmios, mas executou poucas ideias. Foi a partir dos anos 90, com o uso das novas tecnologias de computação, que a sorte mudou. Esses recursos tornaram possível a realização de muitas de suas ideias. Zaha virou definitivamente o jogo em 2004, quando se tornou a primeira mulher a receber o prêmio Pritzker, o Nobel da arquitetura dado pelo conjunto da obra. Hoje, sua empresa, fundada em 1979, tem mais de 300 funcionários, 34 obras assinadas ao redor do mundo e mais 41 em fase de projeto ou construção. Se em sua primeira visita à capital fluminense, 20 anos atrás, a iraquiana passou incólume, este ano a situação foi bem diferente. Ela retornou à cidade em março, para participar do congresso Arq.Futuro. Chegou com status de celebridade: falou para plateias lotadas, distribuiu autógrafos e tirou fotos com admiradores. Atendeu os fãs com gentileza e um terno sorriso que desaparecia no exato minuto em que o interlocutor virava as costas. Não circulou desacompanhada. Zaha trouxe dois assessores e o sócio, Patrik Schumacher, que a escoltaram em reuniões com o prefeito Eduardo Paes e uma construtora eles negociam uma obra da arquiteta para o Rio. O sucesso trouxe fama, contratos, mas não trouxe unanimidade algo bem parecido com o que acontece com Niemeyer, que desenhou a cidade mais feia ou a mais interessante do mundo, a depender dos olhos que miram Brasília. Ela tem a sua importância, mas acho que faz um trabalho um tanto aleatório, muito dependente da computação, diz o arquiteto Guilherme Wisnik. O fato de ser uma mulher que conquistou tanto espaço é, por si só, fundamental. Abriu espaço para uma nova geração de arquitetas, afirma Ciro Pirondi, que trabalhou no escritório de Niemeyer. Já a crítica americana Karen Stein defende que Zaha ajudou a redefinir a arquitetura contemporânea. Como seus mestres russos, seu trabalho não aceita restrições e rejeita convenções em prol das possibilidades das técnicas contemporâneas, diz. Para ela, o espaço nunca é estático, é algo que se move através das formas fixas e planas, de dentro para fora. A seguir, trechos da entrevista com Zaha Hadid. Riverside Museum Glasgow, Escócia (2011) À beira do rio Clyde, a obra guarda peças que contam a história do transporte e da tecnologia na urbe e faz a ligação entre o canal fluvial e a cidade, por isso é aberta nas duas extremidades. O telhado irregular assume formas pontudas e retas na fachada, e o interior é cheio de curvas que facilitam o trânsito e a observação do acervo. A senhora disse que o fato de ser iraquiana e mulher influenciou muito o seu trabalho. Como? Sou árabe, mas não fui educada de forma tradicional. Nesse sentido, não sou uma mulher comum. Sou iraquiana, vivo em Londres. Não tenho um lugar particular e acho que pessoas em situações como essa precisam se reinventar ou inventar seu próprio mundo. Estar deslocado é uma experiência libertadora e criativa. Também sou mulher, o que geralmente representa enormes obstáculos na vida profissional, principalmente no Reino Unido. Você não pode imaginar a enorme resistência que tive e ainda tenho de encarar simplesmente por ser árabe. Hoje você vê com mais frequência arquitetas estabelecidas e respeitadas. Isso não significa que seja fácil. Na prática, sigo sentindo alguma resistência, mas isso mantém o meu foco. As pessoas não me dizem sim o tempo todo. Ainda é uma luta. Alguns artigos se referem à senhora como uma diva, uma pessoa difícil. Como se sente? Acho incrivelmente frustrante, mas não me importo. Todas as coisas negativas de que fui chamada, tento encarar de uma forma positiva. O mundo profissional é muito difícil para as mulheres. Se um homem impõe suas opiniões, ele é tido como poderoso. Quando uma mulher defende seu ponto de vista nos negócios, é considerada difícil, diva. Michael Steele/Getty Images divulgação/huffon+crow photographers no alto, mars phoenix (2008), missão que analisou amostras do solo e ar; ramon com a phoenix; na página ao lado, o jipe curiosity que deve pousar em marte em agosto; foto feita por câmera da mars odyssey (2001)

11 Personnalité Zaha hadid A senhora não se casou nem teve filhos. A carreira sempre foi uma prioridade na sua vida? Nunca tomei a decisão de priorizar um aspecto da minha vida. Arquitetura é uma profissão difícil. Todo arquiteto com quem falo, não importa quão bem-sucedido, mulher ou homem, concorda. Não é fácil. Exige foco constante, comprometimento e colaboração. Não temos o luxo de trabalhar com uma rotina. Com projetos em locais tão distantes quanto China, Europa, África e Estados Unidos, trabalho em diferentes fusos horários. Mas fiz o possível para não negligenciar amigos e família. Acredito no trabalho árduo, ele dá confiança a você. Trabalhar sob pressão pode oferecer ótimos resultados, mas é preciso cuidado para não desprezar a vida pessoal. O que gosta de fazer quando não está trabalhando? Relaxo ouvindo música. Gosto de assistir a espetáculos de dança contemporânea. Adoraria dar uma grande pausa no trabalho, mas o pessoal no escritório não deixa. Eles sempre encontram algo para me dizer ao telefone, geralmente às duas da manhã... Também amo moda. Sempre admirei designers que se arriscam a reinterpretar tecidos e proporções. Sigo os japoneses Issey Miyake e Yohji Yamamoto. A moda traduz o espírito do dia, do momento, como a música, a arte e a literatura. E quem são os seus artistas favoritos? Algum deles influenciou o seu trabalho? Essa é uma pergunta interessante porque me interesso pela forma como o movimento afeta a arquitetura. Como em um filme, vemos o mundo de perspectivas diferentes, nunca de um único ponto de vista. Nossa percepção não é fixa. Essa movimentação pelo espaço é muito importante para todas as Edifício central da Fábrica da BMW Leipzig, Alemanha (2005) A orientação da companhia era que o projeto facilitasse a comunicação entre executivos e trabalhadores da fábrica. Zaha criou um prédio com três espaços principais, onde os automóveis são produzidos. Do amplo átrio, é possível ver todos os ambientes de trabalho, que não possuem separação integrados. Os carros em fase de acabamento passam em esteiras transportadoras em frente às mesas de escritório. Vitra Fire Station Weil am Rheim, Alemanha (1993) Primeiro grande projeto executado pelo escritório de Zaha, a construção serviu de sede do corpo de bombeiros da Vitras, fábrica de móveis assinados por designers. Longo e estreito, o prédio de concreto armado é composto de camadas de paredes inclinadas e angulosas, que criam um espaço dinâmico. A ideia, segundo a arquiteta, era exprimir a tensão do estado de alarme inerente ao ofício do bombeiro. Hoje, o espaço abriga um museu. Lois & Richard Rosenthal Center for Contemporary Art Cincinnati, EUA (2005) O museu não possui acervo permanente, mas promove exposições itinerantes de arte contemporânea, instalações e performances. Por isso, o projeto privilegia espaços adaptáveis e mutáveis. Aqui, a integração de interior e exterior, tão cara ao ideal modernista de arquitetura, está presente: no térreo, a calçada avança para dentro do lobby, formando uma espécie de tapete urbano, convidando quem anda na rua a visitar o museu. divulgação/paul warchol / divulgação/roland halbe divulgação/werner huthmadres / divulgação/helene binet construções, principalmente a de prédios públicos e culturais, porque tem a ver com ação, tempo e relacionamentos que se dão ali. Os trabalhos de Ridley Scott, Pedro Almodóvar e Steve McQueen [o diretor de Shame] exploram isso. [Os artistas plásticos] Anish Kapoor e Richard Serra são intuitivos e provocativos, sempre relevantes. A senhora tem uma cidade favorita? Não consigo escolher só uma. Um dos lugares que mais gosto de visitar é Istambul, pela mistura de Ocidente e Oriente. Me apaixonei pela complexidade da cidade, você nunca sabe o que esperar na próxima esquina. Ela tem ricas camadas, é cheia de tesouros inesperados. E tudo isso em uma belíssima paisagem cortada pelo estreito do Bósforo. Londres sempre encorajou e acolheu a experimentação. A cidade inspira projetos imprevisíveis de arquitetura, arte, design e moda. Com seu ritmo e energia, o Rio é absolutamente de tirar o fôlego. A cidade é abençoada com sua topografia lindíssima. Em nenhum outro lugar do mundo a ideia de selva urbana é tão natural. E, como todos os brasileiros, a generosidade e a simpatia dos cariocas é muito acolhedora. Quais são as memórias de sua infância no Iraque? Já faz mais de 40 anos que não vivo no mundo árabe. Mas nunca vou me esquecer das professoras que ensinavam ciências na escola de freiras que frequentei. Elas eram todas universitárias, e o nível das aulas era incrível. A diretora, que era freira, foi uma espécie de pioneira em educação feminina naquela parte do mundo. Éramos todas garotas de diferentes religiões. Não tínhamos ideia do que isso significava. Também foram marcantes os piqueniques que fazia com minha família nas antigas cidades sumérias [ao logo do rio Eufrates, onde hoje está a fronteira do Iraque com a Síria]. Eu via árvores e rios que estavam lá havia 10 mil anos. Aquilo me passava uma sensação reconfortante de eternidade. Havia uma fluidez entre a terra, a água e a natureza que incorporava os prédios e as pessoas. Acho que estou sempre tentando capturar essa fluidez em um contexto urbano arquitetônico

12 Personnalité Zaha hadid Guanghzou Opera House Guanghzou, China (2010) Construída no Zhujiang Boulevard, no centro cultural da cidade, à beira do rio Pearl, a obra tem dois edifícios com formatos irregulares e arredondados, que lembram as pedras nas margens do rio. No primeiro e maior está o teatro com lugares; no segundo, um auditório para 400 pessoas e salas de ensaio. Na concorrência para escolher o projeto, Zaha venceu seu antigo professor e mentor Rem Koolhaas. Maxxi Roma, Itália (2009) Primeiro museu italiano dedicado à arte contemporânea, está localizado no bairro residencial de Flaminio, em meio aos prédios antigos da cidade. Sem fachada, frente ou fundos, é feito de concreto, ferro e vidro. Os três pavimentos são compostos de ambientes múltiplos, divididos por paredes que se cruzam. Por fora, me agride um pouco por destoar muito da paisagem do entorno. Mas o interior tem uma força gráfica, uma qualidade espacial, que é sedutora e muito interessante, diz o arquiteto Ciro Pirondi. divulgação/huffon+crow photographers divulgação/bernard touillon Seu pai foi um político importante no Iraque. Que tipo de influência ele teve na sua vida? Eu era muito próxima dos meus pais. Me deram uma criação moderna, secular. Meu pai estudou na London School of Economics num momento incrível de mudanças sociais. Quando voltou ao Iraque, antes que eu nascesse, havia o chamado grupo de Beirute, cujos integrantes formaram a base do que seria o Partido Democrático iraquiano. Meu pai fez parte disso. E como era o clima em Bagdá nessa época? Como em vários lugares do mundo em desenvolvimento, havia uma crença inabalável no progresso, um grande otimismo. Os anos 60 foram um momento de construção da nação, com ênfase na arquitetura. Acho que as ideias de mudança e liberdade foram fundamentais para o meu desenvolvimento como arquiteta. Meu pai acreditava na criação de um futuro melhor para o Iraque, com melhores relações com o resto do mundo. Em Bagdá, arquitetos modernistas como Frank Lloyd Wright [ ] e Gio Ponti [ ] desenhavam prédios. A senhora se envolve com a política atualmente? Me interesso pelo assunto. Construções para moradia, educação e saúde são muito importantes, têm um enorme impacto na vida das pessoas. O projeto da Evelyn Grace Academy [escola de ensino médio no bairro de Brixton, em Londres, cujo projeto é assinado por Zaha] tem sido muito recompensador. Está sendo construído em uma área decadente do sul da cidade, com as mais altas taxas de crimes violentos e relacionados a gangues na Europa ocidental. A escola oferece ensino de alta qualidade. Não é apropriado, nos dias de hoje, não ter consciência social

13 Por Marcos Lopez e David Torras, de Barcelona Ilustrações Zoran Lucić por que parou? Pep Guardiola entrou para o Barcelona aos 13 anos, foi gandula, jogador, ídolo. Aos 41, esgotado, deixa o clube como o técnico que reinventou o jeito de jogar futebol esafivelo o cinto porque ele está D muito apertado para mim. Mas para vocês não. Deixo-os em boas mãos. Com essa mensagem, Pep Guardiola abandonou o Camp Nou rendido a seus pés. Era uma imagem poucas vezes vista, um arrepio percorrendo a arquibancada. Avós, pais, filhos, netos, alguns engolindo as lágrimas e outros chorando intensamente. Todos ali dizendo adeus ao responsável por havê-los feito viver alguns dos melhores anos de suas vidas. Se você me diz adeus, quero que o dia seja limpo, que nenhum pássaro rompa a harmonia de seu canto. Que tenha sorte e encontre o que lhe faltou comigo, cantava em catalão boa parte das mais de 90 mil pessoas, enquanto o técnico do Barcelona andava pelo campo, com seus jogadores, Messi, Xavi, Iniesta, Daniel Alves e genial elenco, todos vivendo a cena a poucos metros. O calendário indicava: 5 de maio de O fim de uma era. Quatro anos atrás, Guardiola viveu essa mesma cena com uma diferença de tom. Era uma chance de sorrir, de dizer olá, a volta de um não tão velho ídolo. Era a noite da apresentação de Pep como novo técnico da equipe principal do Barcelona. Diante de seus torcedores, um Guardiola de 37 anos pedia ao público que se preparasse. Afivelem os cintos. Vamos nos divertir muito. Nessa data, encerrava-se o ciclo do holandês Frank Rijkaard, o treinador que de 2003 a 2008 fez de Ronaldinho Gaúcho o maior craque do mundo. Para Guardiola, era um retorno a uma história que sempre contou com um empurrão de Johan Cruyff. Aos 13 anos, Pep, um menino do interior da Catalunha, entrava para o clube para participar das categorias de base. Foi gandula, disputou amistosos e torneios até que, em 1990, com 19 anos, quase de um dia para o outro, Cruyff transformou aquele jovem desajeitado e com acne em uma das peças-chave de seu dream team. Deu-lhe a camisa número 4 e a função de cérebro da equipe que contou com Romário, Stoichkov e Laudrup. Seu período como volante o tornou ícone, uma lenda, e lhe incrustou na alma um DNA de futebol ofensivo. Guardiola tornava-se um fundamentalista do cruyffismo. Uma década depois, quando se aposentou dos gramados em 2006, depois de uma passagem pelo futebol árabe e mexicano, Pep já era mais cruyffista do que Cruyff. Sua meta era retornar como técnico e formar um escrete com toque e domínio de bola quase total, uma esquadra que assumiria riscos imensos para entregar ao torcedor um espetáculo de gols e títulos. De volta a Barcelona, Pep conseguiu um emprego como treinador da filial do Barcelona da terceira divisão. Reencontrou-se, então, com o antigo mestre. 25

14 _ Uma vida no Barcelona Em 28 anos de trajetória, Pep foi gandula, protegido de Cruyff, craque e o maior treinador do clube Com 13 anos, chega ao Barcelona e mora em La Masia, o centro de treinamentos das categorias de base ao lado do Camp Nou 1986 Aos 15, atua como gandula no Camp Nou durante uma semifinal da Copa da Europa (a atual Liga dos Campeões), entre Barcelona e Gotemburgo 1990 O técnico Cruyff convoca Pep para estrear na equipe principal aos 19 anos e, em seguida, vive a era gloriosa do dream team ao lado de Romário Como jogador, despede-se do Barcelona aos 30 anos, depois de ter ganhado seis campeonatos espanhóis e uma Copa da Europa 2008 O presidente do clube, Joan Laporta, seguindo os conselhos de Cruyff, convida Pep, aos 37 anos, para se tornar treinador do time principal 2012 Guardiola deixa o clube com 41 anos, depois de ganhar 14 títulos, entre eles duas Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes e três Campeonatos Espanhóis: Me sinto esvaziado, preciso voltar a me preencher, disse ram a viagem mais inesquecível da sua história. Nunca um treinador havia tido uma estreia tão esmagadora. Em sua primeira temporada, em , o catalão conquistou praticamente tudo: a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões, o Mundial de Clubes, a Supercopa Espanhola e a Copa do Rei. No total, foram 14 títulos três ligas, duas Champions, dois Mundiais de Clubes, além de passeios, como a goleada de 6 a 2 sobre o Real Madrid no Santiago Bernabéu, a casa do time merengue. Os rastros do Barça de Guardiola ultrapassaram o campo de jogo e entraram no terreno dos valores, da reivindicação de um estilo, de uma filosofia, de uma maneira de entender o futebol na qual o fim não justifica os meios. É justamente o contrário. Os meios estão acima do fim. Não se trata de ganhar a qualquer custo; Diante da crise que ameaçava o reinado de Ronaldinho e Rijkaard, Cruyff articulou a subida galopante de Guardiola. Pep passava à frente de outro grande candidato, pelo qual, naquele momento, muitos culés (os torcedores do Barça) estavam dispostos a aceitar e vender a alma em troca de sair da maré decadente. José Mourinho, hoje comandante do Real Madrid e inimigo público número um do barcelonismo, esteve até o último instante fazendo o bem me quer, malme-quer com a margarida que nascia nas entranhas enegrecidas do Camp Nou. Por alguns meses, a diretoria e os catalães dividiram-se. Por fim, decidiuse pela recomendação de Cruyff. Mourinho é hoje o diabo; e Pep, o anjo que levou o Barça ao paraíso. Guardiola cumpriu sua palavra. Desde que os culés apertaram os cintos, vivetrata-se de ganhar pagando um único preço: ser fiel ao estilo. Persistiremos, persistiremos, persistiremos, disse o técnico naquele primeiro dia. Seu time não deixou de fazer isso. Pep, mais do que ninguém. A FILOSOFIA DE STEVE JOBS Convencido de não ter a genialidade de seu mestre, Cruyff, e admirador de figuras perfeccionistas como Tiger Woods (o golfe é uma de suas grandes paixões), Guardiola exerceu seu trabalho com uma obsessão quase doentia. Durante esses quatro anos, depois de deixar seus três filhos na escola, era possível ver sua Land Rover branca estacionada na Cidade Esportiva do Barça. Ali, ele instalara sua base, num simples cômodo que dividia com seu ajudante, Tito Vilanova (alçado por Pep a novo técnico do Barcelona). Nesse local, as janelas oferecem uma panorâmica dos divulgação/ricard fadrique / EFE/EPA divulgação / JOSEP LAGO Getty/Images / Latinstock Marc Atkins/Corbis campos de treinamento. Diariamente, entrando de manhã e saindo à noite, assistia a vídeos, revisava relatórios dos técnicos, falava com os preparadores físicos e com os jogadores, numa rotina que se tornava cada vez mais longa até que lhe parecesse uma eternidade insuportável. Na sua mesa, junto a um Mac que ele mesmo comprou e que carrega sempre consigo, foram sendo amontoados livros, muitos deles nunca abertos. Há de todos os tipos. Romance, ensaio, poesia. Biografias... A de Steve Jobs, por exemplo. Foi nessa época que um amigo envioulhe o vídeo de um discurso do antigo CEO da Apple na Universidade de Stanford. Pep devorou-o emocionado e destacou passagens que, no dia de sua despedida do Camp Nou, ganharam um sentido especial: Se hoje fosse o último dia de minha vida, gostaria de fazer o que vou fazer hoje?, perguntava Jobs. Se a resposta for não muitos dias seguidos, sei que preciso mudar algo. O tempo que vocês têm é limitado, então, não o desperdicem vivendo a vida de alguém diferente. Não deixem que o barulho das opiniões dos demais abafe sua voz interior. E o mais importante: tenham coragem de seguir seu coração e sua intuição. De alguma maneira, eles já sabem o que alguém realmente quer ser. Todo o resto é secundário. O final do discurso ficou gravado na pele de Pep Guardiola: Continuem famintos, continuem loucos. Um lema que repetiu mais de uma vez a seus jogadores no vestiário. Aí estava o segredo: no desejo, na ilusão, nesse ponto de loucura necessário para seguir adiante sem olhar para trás. Continuem famintos, continuem loucos. Assim foi o Barcelona de Pep. Uma fera com fome, maluca para ganhar. pep repetia a seus jogadores o lema de steve jobs: continuem famintos e loucos 26 27

15 _ A construção de Lionel Messi Ainda em Pequim, no verão de 2008, com a medalha de ouro em seu peito, Leo Messi dirigiu-se a alguns jornalistas de Barcelona. Quase não falou com a imprensa de seu país, que insinuara que ele não queria ir aos Jogos Olímpicos defender a seleção. Mas esqueceram que Messi continua sendo um garoto nascido em Rosário. Com a diferença de que vive circunstancialmente em Barcelona desde os 13 anos. Seu coração continua ali, onde não houve dinheiro e ajuda para administrar os hormônios de crescimento dos quais seu minúsculo corpo necessitava quando criança. Por isso, e só por isso, o jovem Lionel pegou o avião, deixou sua cidade e fixouse na Europa com a família. Assim, naquele dia, com o ouro olímpico brilhando, tímido como sempre foi, Messi quis enviar uma mensagem a Guardiola: Gostaria de dizer ao professor obrigado, muito obrigado. Foi Guardiola quem lhe deu permissão para ir aos Jogos, apesar de o Barcelona estar jogando a vida em uma prévia da Liga dos Campeões diante do Wisla de Cracóvia. O técnico, ou o professor, como é chamado por Messi, entendeu que era melhor a felicidade de um jovem que precisava provar seu amor pelo país do que o interesse coletivo, sabendo que nessa decisão construiria uma relação de cumplicidade. Já no primeiro dia em que se encontraram, houve uma conversa transcendente: Pep me disse: Comigo, você marcará três ou quatro gols por partida. Pela forma como me faz jogar e pela posição em que me coloca no campo, Guardiola me deu tudo, conta o argentino. Sinto muito, não há outro jogador como Leo. O trono pertence a Messi e somente ele decidirá quando deixá-lo, afirma Guardiola, orgulhoso por haver participado da eclosão de um menino pequeno (chamavam-no de A Pulga). Messi hoje é um gigante. Conquistou três Bolas de Ouro consecutivas, 19 títulos com o Barça (cinco Ligas, três Champions, dois Mundiais de Clubes...) e ultrapassou os limites do futebol contemporâneo. Continua sendo baixinho. Joga como em Rosário. Nunca penso em dribles, no que vou fazer, aprendi tudo na rua. Jogo igual a quando era criança, diz. Em março passado, marcou seu gol 234 em 314 partidas, superando o recorde de César Rodrigues (232 gols em 348 confrontos). Aos 24 anos, marcou 50 gols na Liga e 73 nesta temporada (feitos jamais conseguidos). O desafio, no entanto, começa agora para Messi. Uma vida sem Guardiola. _ Ronaldinho e o resgate do Barça Em dezembro passado, uma comoção tomou de assalto o Brasil. No Japão, pela TV, viu-se o Barça de Guardiola construir um inesquecível monumento ao futebol. Diante dos olhos do mundo e, sobretudo, diante da surpresa de muitos brasileiros, que pareciam orbitar outro planeta até então, o time espanhol massacrou o Santos de Neymar e Ganso. A conquista do Mundial de Clubes por 4 a 0 foi uma surra que despertou o país do futebol para uma estranha realidade: a arte não vivia mais neste ponto da América do Sul. Ao final do jogo, quando se sentou diante dos jornalistas, Guardiola foi iluminador. Pep ouviu a pergunta de um jornalista brasileiro: Como vocês podem jogar assim?. E outro repórter lhe secundou: De onde é que você tirou a inspiração?. E, então, Guardiola levantou a voz. Berrou, na verdade. Porque cada vez que está rouco é sinal de que a partida foi extraordinária. Eles jogam, ele fica sem voz. E você me pergunta isso?, respondeu. Pois isso é o que o Brasil fazia há anos, durante toda a vida. Isso foi o que escutei meus pais e meus avós sempre me contarem. Tirei isso de vocês! O futebol brasileiro, um esquecido futebol brasileiro, inspirara Guardiola. No final, tudo é mais simples do que parece: entendemos o jogo por meio do passe e o que tentamos é passar a bola o mais rápido possível, contou. Foi um dia histórico, pela primeira vez demos um banho nos brasileiros, afirmou Cruyff. Um, Pep, no Japão; o outro, Johan, em Barcelona. O discípulo e o mestre unidos como sempre. E o Brasil, a fonte de tudo. O Barça de Guar- diola não é compreendido sem o Brasil. Foi Ronaldinho, chegado de Paris, quem levou a alegria ao Camp Nou, no verão de 2003, para resgatar um clube que estava mergulhado na mais absoluta depressão. Sem o gaúcho Ronaldinho, não teria existido Messi. Como aconteceu antes com Cruyff, que resgatou Romário da fria Holanda (1994) para culminar no dream team, onde jogava Guardiola, enquanto Ronaldo, o fenômeno, pousou sua nave espacial no Camp Nou (1996) para brindar um futebol galáctico de um atacante sideral. E, por fim, Rivaldo (1997), melhor do mundo, que surgiu para demonstrar que o legado brasileiro era imprescindível e se misturava às raízes de La Masia, a fábrica de talentos, o centro de treinamentos que respira uma alma brasileira. Ali, em Yokohama, o Barça do filho de Valentí disfarçou-se do melhor Brasil jamais visto. Não sonho em ser um jogador do Barça, mas gostaria que me deixassem jogar uma partida com eles. São muito bons, disse Paulo Henrique Ganso. Hoje aprendemos a jogar bola. Eles nos deram uma aula de futebol, afirmou Neymar. Não houve dúvidas. Não foi o Barça que jogou no Japão. Nem o Santos. Jogou o Brasil. 28

16 Guardiola, o Steve Jobs do futebol, um revolucionário criado na ideologia cruyffista do jogo ofensivo, afinou seu estilo realizando uma peregrinação que diz muito sobre sua obsessão pela bola. Pouco depois de abandonar os gramados, em julho de 2006, Pep frequentou uma escola de técnicos em Madri. Lá, estudou regras, estratégias e diplomou-se treinador. Ainda insatisfeito, em outubro partiu em uma viagem de iniciação. E assim acabou em Buenos Aires, sentado diante de César Luis Menotti, comandante do título mundial argentino de Depois, visitou Marcelo El Loco Bielsa. Dois de seus gurus. Guardiola atravessou o Atlântico ao lado de seu amigo, o escritor e diretor de cinema David Trueba. E é impossível não lamentar que Trueba não tenha registrado essa turnê com sua câmera. Com Menotti, a conversa durou sete horas; com Bielsa, 11, em um churrasco que se prolongou até a madrugada. Onze horas! Futebol, futebol e mais futebol... Três fanáticos dando voltas em seu mundo redondo, o mundo em que gostariam de viver sempre. Mas neste planeta nem tudo gira ao redor da bola. Desgastado pela rotina, pela pressão extracampo, Pep passou a sentir que seu cinto o apertava cada vez mais. Até que um dia começou a lhe faltar o ar. Imagine a energia necessária para manter por longos quatro anos uma equipe fiel ao lema vital do continuem famintos, sejam loucos. Além disso, outros esforços, pequenos e grandes problemas internos do clube, coletivas de imprensa em que é obrigado a sempre ser brilhante, criativo, generoso, em catalão, em castelhano, em inglês, em De onde veio a ideia de jogar assim? Ora, de vocês!, disse pep a jornalistas brasileiros italiano e, sobretudo, na guerra permanente com o endiabrado José Mourinho, incansável em seu afã de tirá-lo do sério, de provocá-lo. Esse pacote todo minou as forças de Pep. Assim, Guardiola decidiu deixar esse escritório com vista para a essência do Barça, para a grama que formou Messi e Xavi, para esses campos onde crescem meninos como aquele Josep Guardiola i Sala, o garoto nascido em Santpedor que chegou aqui, a La Masia, assustado. Um garoto que chorava à noite com saudades da família. Um menino do interior da Catalunha que diziam ser muito pequeno e franzino para chegar a jogar no Camp Nou, sem saberem que seu grande tesouro não estava em suas pernas, mas em sua cabeça. Como Steve Jobs, Pep teve fome. E foi um pouco louco. o futuro de guardiola é ser pep Ele não sabe aonde irá. Ou não quer dizer. Se pudesse, desapareceria imediatamente, amassado pela fama, cons- trangido pela dimensão da obra que construiu. Pep busca recuperar algo que perdeu quando menino. Filho de Valentí, um pedreiro de Santpedor, pequeno município situado no coração da Catalunha, próximo a Montserrat, Josep busca ser simplesmente Pep. Nem Guardiola. Nem o mito. Nem o símbolo. Nem o revolucionário que transformou o futebol. Ser Pep, apenas isso. Mas, quando a bola voltar na próxima temporada, em agosto, ele irá. Talvez para a Inglaterra. Talvez aos Estados Unidos. Pouco importa o país. O que ele anda buscando é recuperar o anonimato. Algo tão simples, mas tão complexo. Quase uma utopia. Vocês verão pouco os meus cabelos por aqui. O pouco cabelo que tenho, né?, disse com um sorriso, enquanto não podia evitar olhar para si mesmo. Ali em cima, onde cresce seu escasso cabelo, que já não é o mesmo, está retratado o desgaste de Guardiola. Não é unicamente um desgaste físico (mudaram notavelmente a figura e a imagem do técnico em quatro anos), mas mental. Por isso, Pep, e não Guardiola, precisa descobrir os prazeres mais cotidianos. Fugir de um escritório, passar uma manhã jogando golfe, sentar-se em um teatro londrino ou nova-iorquino e aproveitar, explorar novas gastronomias (é um apaixonado pela tradicional comida catalã: pão com tomate, carne na brasa, devorador de caracóis). Por fim, Pep Guardiola quer acompanhar, ao lado da esposa, Cristina, o crescimento de seus três filhos: Marius, 11, Maria, 9, e Valentina, nascida justamente há quatro anos. 30

17 Por Suzana Camargo casa na árvore O sucesso na publicidade já não dizia nada para o francês Alain Laurens. Decidiu, então, criar uma empresa para construir casas a 10 metros do chão O francês Alain Laurens estudou ciências políticas, bandeou-se para a publicidade e, durante 30 anos, trabalhou na área. Começou como redator, foi diretor de criação. Nos últimos dez anos, atingiu a presidência da agência Lintas Paris. Sucesso da publicidade. Chegava ao topo. Um dia, em 1999, aos 52 anos, olhou para cima e não viu coisa alguma. Parecia não haver mais para onde subir. Foi quando se lembrou da história de Cosme Chuvisco de Rondó, personagem de O barão das árvores, de Italo Calvino: garoto de 12 anos, de família rica e rígidas normas de etiqueta, tem ataque de fúria durante o jantar, grita com os pais e foge em direção aos galhos de uma árvore. Eu era muito feliz, estava realizado na minha carreira, fazia coisas interessantes, conta Alain. Mas queria ter uma segunda vida. Queria começar um negócio novo, do zero. O francês decidiu construir uma cabana na árvore da casa de campo que tinha na região da Provença. Gostei e imaginei que, se eu queria ter uma casa na árvore, outros poderiam ter o mesmo desejo. Seis meses depois de deixar meu emprego na Lintas, fundei a minha companhia. La Cabane Perchée (a casa da árvore) é hoje a mais famosa empresa da Europa para esse tipo de construção. A sede fica no vilarejo de Saint-Saturnin-lès-Apt (sul da França). divulgação A suíte projetada para o hotel la piantata (itália) está entre os trabalhos prediletos de alain laurens

18 No ateliê trabalham 12 pessoas: marceneiros, eletricistas, encanadores, além do designer e aquarelista Daniel Dufour, responsável pela concepção e desenho das casas. Fecha o time o mestre carpinteiro e diretor do estúdio, Ghislain André. Alain Laurens coordena a parte financeira, faz a interface com clientes e é o relações-públicas. No início, a construção das cabanas gerou publicidade espontânea. Tivemos uma cobertura massiva da imprensa francesa, diz Alain. A exposição na mídia atraiu clientes. Recebemos telefonemas de interessados e o negócio deslanchou rápido. Em 2000, foram 15 projetos. Ano passado, esse número dobrou. Em 12 anos, La Cabane Perchée fabricou cerca de 350 casas. O custo varia entre 20 mil e 120 mil euros. As cabanas criadas pela equipe francesa podem ser vistas em propriedades na França, Bélgica, Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal, Suíça, Estados Unidos e Rússia. O diretor de La Cabane Perchée calcula que atualmente 60% dos clientes da empresa são privados. Os outros 40% são corporativos, principalmente hotéis que transformam as cabanas em suítes de luxo. Assim que o cliente demonstra interesse em ter uma cabana, a equipe de Laurens analisa a árvore em que a construção será colocada: altura, circunferência, idade. As espécies mais apropriadas são carvalhos e pinheiros. E, quanto mais antigas, melhor. O ideal é que a casa fique a uma altura entre 8 e 14 metros do solo. Depois que Daniel Dufour finaliza o projeto e o cliente o aprova, é preciso seguir os mesmos trâmites legais da construção de uma residência normal, erguida no solo. Enfim, chega a hora de construir as peças no ateliê em Saint- Saturnin-lès-Apt. A madeira utilizada é o cedro vermelho. Importada do Canadá, essa espécie é bastante sólida, enas cabanas se encaixam no tronco com uma cinta que pode ser ajusatada divulgação/jacques delacroix / Sipa Photos/Newscom Glow Images tretanto leve, e não apodrece, resistindo a pragas e condições climáticas. Uma casinha infantil leva pouco mais de três semanas para ficar pronta; já as com mais de um aposento ou sofisticadas requerem dois meses e meio de trabalho. Nenhum prego sequer é colocado no tronco ou galhos. O sistema criado pela equipe francesa faz com que a cabana se encaixe nos galhos, com uma cinta colocada em volta do tronco, que pode ser ajustada. As árvores continuam crescendo de forma natural. A cada dia precisamos desenvolver uma nova técnica, tudo depende de onde estamos trabalhando no momento, diz Alain. 64, com cabeça de 22 O sonho de Alain surgiu ainda criança e, um pouco por causa disso, o trabalho realizado em La Cabane Perchée precisou ser inventado. O que fazemos é diferente de tudo. Quando comecei o negócio não sabia nada sobre ele, conta. No início, ele precisou encontrar um carpinteiro que tivesse afinidade com esse tipo de arquitetura. Buscou profissionais em escolas especializadas, até que recebeu o contato de Ghislain André, um compagnon charpentier. A nominação em francês é dada para os mestres carpinteiros e tem origem nos construtores das catedrais europeias na Idade Medieval. Outro cuidado foi com a imagem da empresa. O site está disponível em sete línguas e há representantes na Escandinávia, Rússia, Austrália e Estados Unidos. Por todas essas razões, o produto que a companhia francesa oferece não é barato. Quando são construídas fora da França, ao custo do projeto e da montagem é adicionado o valor do transporte e da viagem da equipe. Construímos os sonhos dos clientes, mas focamos em qualidade, e isso torna o produto caro. _ Livro reúne as 50 criações mais emblemáticas Questionado sobre qual criação é a mais bonita, Alain Laurens afirma que sempre é a mais recente. Apesar de não falar abertamente quais cabanas foram as mais marcantes, em 2006 o francês revelou de maneira sutil suas preferidas. A suíte projetada para o hotel La Piantata, na Itália, estava entre elas. Naquele ano, o criador da La Cabane Perchée escreveu o livro Vivons Perchés (vivendo nas alturas, em tradução livre). A obra mescla o texto, escrito pelo próprio Alain, com fotografias das 50 criações mais originais da empresa. Em 2008 foi lançada uma nova edição, Tree house living, com fotos de projetos mais atuais. Em parceria com o designer francês Ambroise Maggiar, o ateliê produziu uma cabana com estilo futurista. Chamada de Cyclope House, tem 3,5 metros de altura e é sustentada por duas longas pernas. Duas unidades já foram encomendas. O projeto inclui o design interno e móveis. Preço: 84 a 91 mil euros. 34 na página ao lado, casa construída pela la cabane perchée 35 em sologne, na frança, com a técnica de sustentação que fixa a residência sem a necessidade de perfurar os galhos com pregos; acima, alain laurens, fundador da empresa

19 a empresa construiu 350 casas, com custo de 20 a 120 mil euros cada uma E quem são as pessoas que encomendam as cabanas? A maioria, homens. Boa parte deles, com saudade da infância. Quando encontro meus clientes pela primeira vez eles sempre se lembram de quando faziam cabanas no quarto ou embaixo da cama, diz Laurens. Entretanto, as cabanas que no passado eram sinônimo de refúgio e solitude infantil, hoje se tornaram o lugar perfeito para ler, ouvir música, sonhar, namorar. Ou ainda, simplesmente, passar um final de semana em meio à natureza. Nossa primeira casa na árvore, a suíte Bleue, foi uma enorme surpresa e sucesso, conta o italiano Renzo Stucchi, proprietário do hotel-fazenda La Piantata, localizado a pouco mais de uma hora de Roma. Erguido junto a um centenário carvalho de 23 metros de altura, o quarto tem vista para campos de lavanda. Uma reserva para a cabana durante a alta temporada precisa ser feita com um ano de antecedência. Atualmente, Alain Laurens divide seu tempo entre Paris e Provença. No alto de um velho pínus, uma espécie de pinheiro, no quintal da casa na capital francesa, ainda repousa a primeira cabana concebida pela La Cabane Perchée. É uma pequena construção, de 6 metros quadrados. Os filhos adultos de Laurens brincaram lá quando crianças e agora é a vez de os netos aproveitarem o legado do avô. Ela é linda, diz orgulhoso. Fiquei muito emocionado quando a vi pela primeira vez. Tinha dúvidas se seria possível realizar meu sonho e mais ainda se encontraria pessoas que estivessem dispostas a compartilhá-lo. Laurens encontrou. Tenho 64 anos, mas minha cabeça ainda tem 22, diz o homem que remoçou ao chegar ao topo de sua carreira, olhar para cima e ver... uma árvore. _ Cabanas ficam sobre campos de lavanda e o mar Vários estabelecimentos, principalmente na Itália e na região francesa da Provença, encomendaram casas à La Cabane Perchée. O château de Valmer, em Saint- Tropez, tem duas suítes nas árvores: uma para casais e outra para famílias. A mais romântica tem vista para o mar e, abaixo do imenso carvalho onde foi construída, estendem-se quilômetros de vinhedos. O hotel La Piantata fica em uma paisagem idílica na região de Arlena di Castro, entre Siena e Roma. Quase por acaso a fazenda da família Stucchi virou um refinado hotel. Após trabalhar 30 anos como diretor da Cacharel, uma das mais famosas casas de moda italianas, Renzo Stucchi conheceu Alain Laurens em uma viagem. Do encontro surgiram as lembranças de brincadeiras junto ao pai perto de um damasqueiro e os planos para a cabana no Piantata. A suíte Bleue está na árvore que talvez seja a mais antiga do país: um carvalho com idade entre 600 e 700 anos. O serviço na cabana de 44 metros quadrados, que inclui champanhe e café da manhã, é servido com a ajuda de uma polia. Da varanda pode-se ver o mar lilás da plantação de lavanda. divulgação divulgação/jacques delacroix / divulgação / divulgação 36 à esquerda, suíte do hotel la piantata; no alto, casa construída em deauville (frança); acima, interior do hotel francês a 37 pignata, na córsega, e café servido no la piantata

20 Zaha Hadid pergunta: A vida ribeirinha melhorou? Inácio Neves responde: Em 2004, quando iniciei o projeto Cinema no Rio, a maioria das cidades às margens do rio São Francisco não tinha saneamento básico ou asfalto. Até encontrar verduras para as refeições era difícil. Hoje, melhorou. Mas falta muito. Inclusive medidas para salvar o Velho Chico.

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