O Século XIX e as Exposições Universais

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1 - 1 - O Século XIX e as Exposições Universais RESUMO Cidades como Paris, Barcelona e Lisboa, assim como outras cidades da Europa passaram por profundas mudanças e forte crescimento durante o século XIX. Nesse momento as cidades eram caracterizadas pela continuidade de traçados clássicos e barrocos e pelo surgimento de novas tipologias que vão preparando a cidade moderna. Também foi o século das invenções, vinculadas nas Exposições Universais, que começaram a serem organizadas em Londres no ano de A sociedade da época, principalmente a européia assistia a consolidação do sistema de fábricas, as descobertas das novas invenções e ascensão de uma classe burguesa. As dezesseis exposições que ocorreram, condensaram o que o século XIX entendeu como modernidade. As cidades onde as exposições foram montadas Londres, Paris, entre outras foram os epicentros da modernidade. No Brasil durante a segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos, sociais e consequentemente na forma de ver e entender a nova realidade que estavam vivendo. O Rio de Janeiro se transformava em um novo projeto de Brasil, inserindo o país na modernidade, através do urbanismo e da arquitetura com a reurbanização do prefeito Pereira Passos. Desta forma o meio encontrado para a divulgação de todas estas reformas e civilização do progresso brasileiro foi a realização de uma grande Exposição. A data escolhida foi o Centenário da Abertura dos Portos em 1908 e o local do evento no bairro da Urca, a entrada oficial do Brasil no mercado internacional, acabando definitivamente com o vínculo colonial.

2 - 2 - SUMÁRIO RESUMO LISTA DE FIGURAS INTRODUÇÃO O SÉCULO XIX 2.1 A arquitetura e a cidade Paris palco de transformações AS EXPOSIÇÕES UNIVERSAIS A ciência e a técnica na construção do progresso As principais Exposições Universais O BRASIL E AS EXPOSIÇÕES O Rio de Janeiro no inicio do século XX A Exposição Nacional de CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS

3 - 3 - LISTA DE FIGURAS Fig As demolições para a Rue de Rennes Fig Divisão de Paris em 20 arrondissements Fig Palácio de Cristal, em Londres, Fig Palais de l'industrie Fig Grand Palais des Champs-Elysées Fig Galerie des Machine Fig Fora do edifício oval Fig Palais du Trocadéro Fig O Palais de Chaillot (Trocadero) Fig A multidão no Campo de Marte Fig Construção da Torre Eiffel Fig Torre Eiffel Fig Vista parcial da Av. Central Fig Alargamento da Rua da Carioca Fig Planta da Exposição de 1908 no Rio de Janeiro Fig Panorâmica da Exposição de Fig Vista aérea da Exposição de Fig Portal Monumental da Exposição de Fig Pavilhão do Estado de São Paulo Fig Teatro João Caetano Fig Palácio dos Estados Fig Pavilhão do Estado da Bahia e Pavilhão do Estado de Minas Gerais Fig Palácio Manuelino

4 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo investigar sobre as Exposições Universais, que tinham como objetivo reunir e celebrar os melhores resultados de todas as atividades do trabalho do homem, exaltando a produção mecanizada capitalista, sua importância para a sociedade industrial e como as idéias de modernidade vinculadas nesses eventos influenciaram a arquitetura e as cidades do século XIX. No primeiro capítulo deste trabalho, intitulado O século XIX, trata-se sobre a arquitetura e a cidade deste período, com destaque para a cidade de Paris, que foi palco de transformações e modelo de cidade no século XIX. No segundo capítulo, intitulado As Exposições Universais, pesquisou - se sobre a ciência e a técnica desenvolvida na construção desse período, e sobre as principais Exposições Universais. Foram citadas as dezesseis exposições realizadas no século XIX até a virada do século XX, ou seja, entre os anos de 1851 a 1900, destacando-se as mais importantes exposições universais. No terceiro capítulo, intitulado O Brasil e as Exposições, destaca- se a cidade do Rio de Janeiro, na época capital do Brasil e palco das transformações do prefeito Pereira Passos, inspirado nas idéias de Haussmann. Nesse mesmo período ocorre uma das maiores e mais importantes Exposições Nacionais, a de A importância deste trabalho justifica-se pela importância de se entender como a Europa influenciou o Brasil neste processo de inserção na modernidade. Esse novo paradigma vindo da Europa, no decorrer do século XIX, penetra na elite Latina - Americana, que também passa a querer trilhar os mesmos caminhos: ser moderna, participar da rota do progresso, tornar-se uma grande nação, desfazer a imagem do exotismo tropical do atraso e da inércia. (PESAVENTO, 1997, p. 16) No Brasil foi a cidade do Rio de Janeiro, influenciada pela França, o centro irradiador de costumes, hábitos, modas e idéias, que representava a entrada da modernidade no país. Em 1908, com a justificativa de comemorar o Centenário de Abertura dos Portos do Brasil para as nações amigas, o Rio de Janeiro sediou uma grande festa. Na realidade um dos objetivos da Exposição Nacional era apresentar a nova capital da República, urbanizada pelo prefeito Pereira Passos e saneada por Osvaldo Cruz para as diversas autoridades nacionais e internacionais.

5 - 5-2 O SÉCULO XIX A arquitetura e a cidade A arquitetura do século XIX passou por inúmeras transformações estéticas que se traduziram em movimentos chamados revivalistas e pelas inovações tecnológicas, ou ainda por razões culturais e contextos específicos, os arquitetos do período viam na cópia da arquitetura do passado os tratados de uma linguagem estética original. Como resultados das grandes transformações industriais, tiveram como consequências à degradação do meio urbano, más condições de vida das populações operárias, poluição atmosférica, má utilização do solo, concentração de mão de obra, concentração das unidades industriais nos centros urbanos com maior população. Começam a surgir zonas somente industriais geralmente em posições periféricas e surgem os bairros operários, onde em pouco espaço se tenta colocar o maior número de pessoas, embora sem quaisquer condições. Benévolo cita que os bairros operários tomaram formas e características diferentes nos vários países, mas todos tinham em comum uma regularidade fria e atroz, e uma grande densidade no que se refere ao aproveitamento do terreno, tirava-se maior partido do solo prescindindo-se de espaços livres e pátios. As casas tinham poucas janelas para a rua. Grande parte dos habitantes não tinham luz nem ventilação. A esta solução desumana seguiram-se outras com pequenos pátios intermediários que não passavam de um pequeno alívio para uma situação grave que subsistia. Foi de suma importância à presença deste capítulo na pesquisa, pois a partir do estudo das cidades no período do século XIX, pode-se compreender as transformações urbanísticas na qual irá se pensar em uma cidade para uma nova sociedade, em que a burguesia como classe dominante impõe uma nova ordem baseada no racionalismo, no liberalismo, no espírito de progresso e ânsia de modernidade Paris palco de transformações No século XIX Paris era a capital cultural do ocidente, fornecia o modelo de paisagens, gostos e hábitos cotidianos que deveriam ser seguidos por qualquer cidade que pretendesse ser moderna. Paris está inserida neste contexto pelo fato de ter sido a cidade de maior remodelação e reconstrução sistemática sofrida na época, tornando-se assim o berço da modernidade. As transformações promovidas pelo prefeito Eugenne Haussmann, que traçou o complexo plano de reordenamento do tecido urbano de Paris, permitiram a cidade segundo Benévolo (1989) um programa urbanístico coerente num tempo bastante curto. O mesmo

6 - 6 - ressalta o caráter militar do plano parisiense revelando que durante a crise operária, os movimentos revolucionários nasceram dos bairros da velha Paris, onde as próprias ruas forneceram, aos rebeldes, por algum tempo, as condições estratégicas de defesa e posicionamento de armas através das barricadas. Partindo desse pressuposto Haussmann, procura valorizar os grandes boulevards retilíneos, propícios para a movimentação de tropas, um dos principais símbolos do seu plano. Segundo Benévolo (1989) Haussmann abre no centro de Paris 95 km de novas ruas, retirando 49 km das já existentes; na periferia, constrói 70 km e retira 5 km das já existentes; corta o núcleo medieval em todos os sentidos, destruindo alguns bairros antigos, especialmente os situados à leste (focos das revoltas); sobrepõe ao antigo traçado da cidade, uma nova malha urbana, composta de ruas largas e retilíneas interligando os principais centros urbanos e as estações ferroviárias, facilitando o trânsito através de anéis e cruzamentos. Fig. 01 As demolições para a Rue de Rennes Fonte: Livro História da Cidade, Leonardo Benévolo, 1989, p. 591

7 - 7 - Haussmann triplica a rede de iluminação, reordena o sistema de transporte público, modifica a Sede administrativa da Capital, levando o limite da cidade a coincidir com as fortificações, além de criar uma via que circunda a cidade; abaixo na figura podemos observar a linha mais grossa que define o antigo cinturão alfandegário do século XVIII. Fig. 02 Divisão de Paris em 20 arrondissements Fonte: Livro História da Cidade, Leonardo Benévolo. Com todas essas mudanças, Paris ressurge como uma nova metrópole, a cidade luz, efervescente, que conta com largas avenidas para facilitar a rapidez do tráfego expansão da rede de esgotos e abastecimento de água, a sextuplicação da rede ferroviária ligando todo o país a Paris e a todo o continente, assim como a valorização dos terrenos, as novas oportunidades de emprego, o amplo afluxo internacional possibilitado pela centralização dos entroncamentos, enfim, esses e outros benefícios foram possíveis mediante a ousadia e empreendimento do prefeito Eugéne Haussmam. 3 AS EXPOSIÇÕES UNIVERSAIS A primeira exposição industrial francesa teve lugar no Champ-de-Mars em Paris, em 1791, o local das manifestações nacionais após a queda da monarquia. Teve lugar numa galeria arqueada que contornava um largo espaço quadrado remanescente de uma praça de mercado. Durante o meio século seguinte, similares exposições tiveram lugar em Manchester, Leeds, Birmingham, Dublin, Ghent, Berlim e Viena. Estas feiras nasceram devido ao crescimento da

8 produção da indústria mecanizada, e por outro lado, tiveram um enorme efeito nas artes e manufaturas dos próprios países A ciência e a técnica na construção do progresso As cidades estavam crescendo trazendo a necessidade de construções maiores e mais altas. As fábricas floresciam e se tornavam mais complexas, exigindo novas tecnologias para superar os limites. Ferrovias e portos precisavam ser ampliados e modernizados para garantir o transporte mais barato de mercadorias e pessoas. Segundo Pesavento (1997) as Exposições Universais apresentaram-se como manifestações de prestígio e ostentação, exposições onde as nações afirmavam seu poder econômico, tecnológico e até cultural, revelando suas aspirações ao progresso. As dezesseis exposições que ocorreram condensaram o que o século XIX entendeu como modernidade. As cidades onde as exposições foram montadas Londres, Paris, entre outras foram os epicentros da modernidade. A idéia era mostrar e ensinar as virtudes do tempo presente e confirmar a previsão de um futuro excepcional. No tópico a seguir, será comentada as principais exposições universais, o ano e o local em que cada uma delas aconteceu e sua importância para a evolução da modernidade As principais Exposições Universais Segundo Benévolo (1989), a primeira exposição universal foi aberta em Londres em Através de um concurso onde participaram 245 competidores, o projeto de Horeau foi escolhido para abrigar a exposição. Este projeto consistiu num armazém construído em ferro e vidro. Contudo, todos os projetos, até mesmo o vencedor, foram considerados inviáveis por se tratarem de construções que utilizariam grandes elementos não recuperáveis depois de sua demolição. A partir desta decisão, Joseph Paxton, um construtor de estufas, juntamente com o Comitê de Construção e alguns empreiteiros, sugeriu um projeto todo em ferro, madeira e vidro que pudesse ser reaproveitado. Benévolo (1989) explica que o sucesso da construção do Palácio de Cristal em Londres, ocorreu principalmente em função da formação de seu projetista que não era arquiteto e sim experiente construtor de estufas para plantas e engenheiro perito em jardins.

9 - 9 - Fig. 03 Palácio de Cristal, em Londres, 1851 Fonte: omundopreepostorreeiffel.blogspot.com/ Acesso em: 07/03/2009 Na exposição de Nova York em 1853, Paxton também é o projetista, porém nesta construção foi inserida uma cúpula monumental no projeto semelhante ao do Palácio de Cristal de Londres. A terceira Exposição Universal realizou-se em Paris no Champ de Mars, desde 15 de maio de 1855 a 15 de novembro do mesmo ano. Esta exposição aconteceu no Palais de l'industrie junto aos Champs-Élysées. Nesta exposição foram expostos artigos relacionados com a agricultura, a indústria e as belas artes. Fig. 04- Palais de l'industrie Fonte: acesso em: 22/04/2009

10 Como cita Benévolo (1989), desta vez utilizou-se revestimento de alvenaria circundando o edifício, o que limitou o uso do ferro, foi utilizado em todas as exposições subseqüentes até 1900, quando foi demolido dando lugar ao Grand-Palais que foi considerado o maior ambiente coberto construído em ferro sem sustentação. Fig.05 Grand Palais des Champs-Elysées Fonte: acesso em: 22/04/2009 Benévolo (1989) descreve que a segunda exposição de Paris, em 1867 foi construída no Campo de Marte. Na Galerie des Machine foram expostos objetos de ferro que comprovavam o avanço da indústria siderúrgica, no campo da construção civil a novidade era o elevador hidráulico. A exposição desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do movimento da indústria francesa. Fig.06 Galerie des Machine Fonte: - acesso em 01/05/2009 Segundo Benévolo (1989) somente após seis anos aconteceu em Viena a Exposição Universal de 1873, na qual foi construído um edifício que é composto por uma gigantesca rotunda com 102 metros de diâmetro.

11 Fig.07 Fora do edifício oval Fonte: - acesso em 01/05/2009 A Exposição Universal de Paris de 1878 foi a terceira exposição universal que teve lugar nesta cidade, realizando-se entre 20 de Maio a 10 de Novembro de A mostra teve como tema: Agricultura, Artes e Indústria e serviu para demonstrar a recuperação econômica e a pujança industrial da França depois da crise causada pela derrota na Guerra Franco-Prussiana de Nesta Exposição foram construídos dois grande edifícios, segundo Benévolo (1989), um no Campo de Marte chamado de provisório e outro na colina de Chailot, que é o Palais du Trocadéro. O provisório possuia as paredes de cerâmica multicolorida, já o Trocadéro possuía uma estrutura em alvenaria e o ferro estava apenas na cobertura. O edifício foi demolido para a construção do Palais de Chaillot. Fig Palais du Trocadéro Fonte: - acesso em 01/05/2009

12 Fig. 09- O Palais de Chaillot (Trocadero) Fonte: - acesso em 01/05/2009 Segundo Benévolo (1989) depois da Exposição de 1878 surgem em todas as partes do mundo Exposições Universais: Sidney (1879), Melbourne (1880), Amsterdã (1883), Antuérpia e New Orleans (1885), Barcelona, Copenhague e Bruxelas (1888). A mais importante Exposição do século XIX, segundo Benévolo (1989) é a Exposição em Paris de 1889, que acontece no centenário da tomada da Bastilha. É realizada no Campo de Marte e é composta de vários prédios porém a atração principal foi uma torre de 300 metros construída por Gustave Eiffel. Fig.10 A multidão no Campo de Marte, Paris, Fonte: Livro Exposições Universais, Sandra Pesavento, 1997, p.43.

13 Fig. 11 Construção da Torre Eiffel Fonte: parisseculoxix.blogspot.com/- - acesso em 01/05/2009 A Torre Eiffel, apesar de ter sido a grande atração da festa, era uma estrutura revolucionária para a época, sendo inaugurada pelo Príncipe de Gales, futuro Rei Eduardo VII da Inglaterra. Até 1889, a estrutura mais alta do mundo era a Pirâmide de Quéops no Egito. A partir deste ano, e até 1930, a Torre Eiffel seria a construção mais alta do mundo. A sua construção e design não acolheram opiniões unânimes e muito favoráveis na época. De fato passaram muitos anos até a torre ser integrada nas representações obrigatórias da cidade de Paris. Previa-se, de qualquer modo, a sua demolição no final da Exposição. Fig. 12 Torre Eiffel Fonte: - Acesso em : 05/05/2009

14 O estudo das exposições universais serviu para conhecermos as primeiras manifestações da industrialização triunfante do século XIX, pois as exposições universais foram espelhos de sua própria época, exibindo a ostentação das nações que pretendiam afirmar o seu crescimento tecnológico, econômico, industrial e a grandiosidade ostensiva da própria arquitetura. Elas representaram, de certo modo, a mais convincente exposição de arquitetura que se possa imaginar, servindo, neste sentido, de campo fértil para o debate arquitetural. 4 O BRASIL E AS EXPOSIÇÕES Durante a Segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos, sociais e conseqüentemente na forma de ver e entender a nova realidade que estavam vivendo. Foi nesse período que se mudou a forma de governo, foi feita a Constituição, se iniciou a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado e as fazendas de café e outras lavouras brasileiras modernizaram-se. As cidades cresceram e nelas as primeiras indústrias se instalaram. Pereira Passos, particularmente, além de ter exercido um papel importante na ampliação da malha ferroviária brasileira, havia estudado em Paris, onde tivera a oportunidade de acompanhar de perto o final das ações de Haussmann. A tão sonhada inserção do Brasil no mundo moderno, trouxe grandes transformações, tanto ideológicas, quanto espaciais. As transformações no espaço urbano, ficam evidentes no deslocamento de pessoas e atividades, para outras áreas da cidade e na construção do próprio espaço para as exposições, conforme veremos no Rio de Janeiro do início do século XX. 4.1 O Rio de Janeiro no inicio do século XX Com a reurbanização do Rio, muitas ruas e avenidas foram alargadas, e algumas outras abertas. Destas, a mais importante foi a Avenida Central, que cortou a cidade com seus 2 quilômetros de comprimento e seus 33 metros de largura, ligando as avenidas do Cais e Beira- Mar. Além de estabelecer um anel viário que facilitaria o fluxo dos transportes, essa avenida seria o marco de uma cidade renovada. Ela reformularia sua paisagem, instituindo uma nova arquitetura, e substituindo os cortiços, estalagens, e pequenas lojas, por grandes estabelecimentos comerciais, instituições religiosas, escolas, teatros e museus. A cidade arejada estaria livre das epidemias, mas também da presença do proletariado, dos ociosos, dos mestiços e de todos os rostos considerados inadequados à imagem de um Brasil moderno. Para abrir a Avenida Central, foram desapropriados e demolidos, cerca de 600 prédios, que compunham 1700 propriedades, numa ação que ficou conhecida como botaabaixo.

15 Fig. 13 Vista parcial da Av. Central do Rio de Janeiro, atual Av. Rio Branco Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 A seguir temos o alargamento da Rua da Carioca em 1905, tendo todos os seus imóveis, em um dos lados da rua (direito) sendo demolidos. Fig. 14 Alargamento da Rua da Carioca Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 Para abrigar a população que habitava o centro, foi proposta a criação e adequação de bairros proletários mais afastados, a exemplo do que ocorrera em Paris. Mas não há dúvida de que os investimentos se voltaram mais para a remodelação do centro, do que para esses

16 assentamentos. E, dadas as particularidades geográficas dessa cidade, abandonar as moradias do centro significou, já nesse momento, uma ocupação ainda mais desordenada dos morros. 4.2 A Exposição Nacional de 1908 O Rio de Janeiro se transformava em um novo projeto de Brasil, inserindo o país na modernidade, através do urbanismo e da arquitetura. Desta forma o meio encontrado para a divulgação de todas estas reformas e civilização do progresso brasileiro foi a realização de uma grande Exposição, inicialmente de caráter nacional, para mostrar as obras de reestruturação do espaço público e saneamento, realizadas no inicio do século. A data escolhida foi a comemoração do Centenário da Abertura dos Portos em Essa exposição ocorrida em 1908 iria sacramentar, segundo Pesavento (1997), a entrada oficial do Brasil no mercado internacional e marcaria um novo caminho do Brasil, tentando acabar definitivamente com o vínculo colonial. Outras exposições nacionais já haviam sido realizadas no Rio de Janeiro, mas tinham sido instaladas em prédios já existentes. Na realidade, a Exposição Nacional de 1908 foi a primeira para a qual foi criado um espaço, um cenário, com a construção de prédios destinados especificamente à realização do evento. Abaixo temos a planta de implantação do evento, com destaque para os pavilhões e uma imagem panorâmica da Exposição de Fig. 15 Planta de implantação da Exposição de 1908 no Rio de Janeiro Fonte: - Acesso em: 22/08/2009

17 Fig. 16 Panorâmica da Exposição de 1908 no Rio de Janeiro Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 O local escolhido para a exposição foi o atual bairro da Urca, até então desconhecido de muitos habitantes da cidade na época. Abaixo a foto mostra a Avenida dos Estados, a principal da Exposição, e a Praça Brasil. Fig.17 Vista aérea da Exposição de 1908 no Rio de Janeiro Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 A variedade de estilos que aparece nas construções nos dá bem a dimensão do repertório eclético adotado.

18 Fig. 18 Portal Monumental da Exposição de 1908 no Rio de Janeiro Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 O Pavilhão do Estado de São Paulo, foi um dos maiores da Exposição e apresentando características ecléticas. Fig. 19 Pavilhão do Estado de São Paulo Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 A Exposição de 1908, oferecia aos visitantes várias atrações como: restaurantes e o Teatro João Caetano, onde eram apresentadas as peças dramáticas, musicais, consertos sinfônicos e óperas atraindo a intelectualidade da época.

19 Fig. 20 Teatro João Caetano Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 A foto abaixo mostra o Palácio dos Estados ou Palácio da Exposição. É um dos prédios que ainda existem no bairro da Urca, da época da Exposição. Ao fundo da foto observase o Portal Monumental. Fig. 21 Palácio dos Estados Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 Na próxima imagem, observa-se o Pavilhão do Estado da Bahia (lado direito) e o Pavilhão de Minas Gerais (lado esquerdo), este último, juntamente com o Pavilhão do Estado de São Paulo eram os dois maiores da Exposição. Entre o Pavilhão do Estado da Bahia e o Pavilhão de Minas Gerais está a Avenida Brasil.

20 Fig. 22 Pavilhão do Estado da Bahia (à direita), Pavilhão do Estado de Minas Gerais (à esquerda). Fonte: - Acesso em: 22/08/2009 O único pavilhão estrangeiro, o Palácio Manuelino trouxe a imagem da colonização, com um estilo que homenageava a época dos grandes descobrimentos, ou seja, da colonização portuguesa em várias partes do mundo. Fig. 23 Palácio Manuelino. Fonte: - Acesso em: 22/08/ CONSIDERAÇÕES FINAIS As Exposições Universais, queriam ser um retrato em miniatura do mundo moderno avançado, composto de espetáculos nos campos da ciência, das artes, da arquitetura, dos costumes e da tecnologia, definindo sua importância para as cidades do século XIX e porque não dizer também as cidades do século XX. A idéia de mostrar e ensinar as virtudes do tempo presente e confirmar a previsão de um futuro excepcional. Elas surgem em um mundo onde desponta a cidade moderna, a grande metrópole que tem, inicialmente, em Londres e Paris os seus maiores expoentes. Com isso, as Exposições

21 Universais vêm determinar a marca da sociedade do espetáculo e transformar a ciência, a tecnologia e a engenharia, enfim, na marca do progresso humano. 6 - REFERÊNCIAS ALMEIDA, Roberto Schmidt de. Fragmentos discursivos de bairros do Rio de Janeiro: Urca. Rio de Janeiro: Uni - Rio, v., v.1 Curso de Mestrado em Memória Social e Documento. ALMEIDA, Paulo Roberto, Formação da Diplomacia Econômica no Brasil, ed. Senac, São Paulo, BARBOSA, Maria de Lurdes Mattos Dantas, Processo de Modernização da Paris do Século XIX, São Paulo, BARBUY, Heloísa. O Brasil vai a Paris em 1889: um lugar na Exposição Universal. Anais do Museu Paulista. São Paulo, n. ser, v.4, p , dez BENÉVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: perspectiva, FOLLIS, Fransérgio. Urbanização Urbana na Belle Èpoque Paulista. São Paulo: UNESP, HEIZER, Alda. O Jardim Botânico de João Barbosa Rodrigues na Exposição Nacional de Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro JBRJ - Revista de História e Estudos Culturais, KESSEL, Moyses Isaac. Crescimento e reforma urbana em metrópole não industrial: O caso do Rio de Janeiro no período Dissertação de Mestrado, São Paulo, Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP, LAMAS, José M. Ressano Garcia. Morfologia Urbana e Desenho da Cidade.São Paulo: Fundação Calouste Gulbenkian LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, MACADAR, Andréa Morón. Uma trajetória brasileira na arquitetura das exposições universais dos anos Dissertação de Mestrado, Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, MAÇOLA, Eloísa. Antecedentes à Torre: Exposições Universais do Século XIX. São Paulo: UNESP, MUNFORD, Lewis. A Cidade na História. São Paulo: Martins Fontes, NEVES, Margarida de Souza. As vitrines do progresso. Rio de Janeiro: Finep, 1986.

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