FACULDADE NORTE CAPIXABA DE SÃO MATEUS CURSO DE PEDAGOGIA FERNANDA RIBEIRO SOUZA PANMELLA BARBOSA ALTOÉ ZILMARA SANTOS DA SILVA

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1 FACULDADE NORTE CAPIXABA DE SÃO MATEUS CURSO DE PEDAGOGIA FERNANDA RIBEIRO SOUZA PANMELLA BARBOSA ALTOÉ ZILMARA SANTOS DA SILVA EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UM ESTUDO DE CASO NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO PIO XII. SÃO MATEUS 2013

2 FERNANDA RIBEIRO SOUZA PANMELLA BARBOSA ALTOÉ ZILMARA SANTOS DA SILVA EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UM ESTUDO DE CASO NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO PIO XII. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao programa de Graduação em Pedagogia da Faculdade Norte Capixaba de São Mateus, como requisito parcial para a obtenção de título em Licenciatura plena em Pedagogia. Orientadora: Prof.ª Polyana Ziviani Contarato. SÃO MATEUS 2013

3 FICHA CATALOGRÁFICA 3

4 FERNANDA RIBEIRO SOUZA PANMELLA BARBOSA ALTOÉ ZILMARA SANTOS DA SILVA EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UM ESTUDO DE CASO NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO PIO XII. Monografia apresentada ao Programa de Graduação em Pedagogia da Faculdade Norte Capixaba de São Mateus, como requisito parcial para obtenção da Licenciatura Plena em Pedagogia. Aprovado em de de 2013 COMISSÃO EXAMINADORA Profª Polyana Ziviani Contarato Faculdade Norte Capixaba de São Mateus Orientador Profª Polyana Ziviani Contarato Faculdade Norte Capixaba de São Mateus Avaliador 4

5 Agradecemos a Deus pela iniciativa e perseverança que se fizeram brotar em nossas vidas, pelo desafio enfrentado incansavelmente nessa jornada. Também aos nossos familiares por abdicar de nossas presenças, nos compreendendo e incentivando rumo à trajetória do sucesso. 5

6 Dedicamos exclusivamente a construção deste trabalho ao nosso Deus, que mostra o quanto ele é fiel para conosco a cada dia. Aos nossos familiares pelo apoio, confiança, carinho, incentivo e nossas incansáveis aflições. A nossa orientadora Polyana Ziviani Contarato, pela paciência e dedicação. As professoras Carolina Dadalto e Josete Pertel pelas incríveis dicas habilidosas direcionando a uma proposta significativa. 6

7 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra, e tempo de paz. (Eclesiastes, 3:1-8). 7

8 RESUMO O presente desenvolvimento deste trabalho tem por objetivo entender e descobrir os reais motivos da Evasão Escolar na EJA haja vista um grande problema encontrado no contexto escolar atual. Abordaremos neste respectivo trabalho o histórico da EJA, o método Paulo Freire, a evasão escolar na EJA, a relação professor/aluno, dando embasamento a uma construção do processo e etapas para o entendimento do respectivo tema. Nessa pesquisa utilizou-se a pesquisa descritiva, exploratória, bibliográfica e estudo de caso para averiguação dos resultados. Aplicou-se um questionário para uma turma do primeiro, do segundo e do terceiro ano do segundo segmento do Ensino Médio e também a um professor de cada turma, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio PIO XII, com o intuito de ter uma estimativa quanto ao tema proposto, bem como também ir à busca de informações importantes que servirão de subsídio para o referido apresentado na temática. PALAVRAS-CHAVES: Educação de Jovens e Adultos, Evasão Escolar, Paulo Freire. 8

9 ABSTRACT This development of this work aims to understand and discover the real motives of School in EJA considering a major problem encountered in the context of current school. Discuss their work in this history of the EJA, the Paulo Freire method, truancy in EJA, the teacher /student relationship, giving a foundation building process and steps to the understanding of the respective subject. In this research we used a descriptive, exploratory, literature and case study to investigate the results. We applied a questionnaire to a group of first, second and third year of the second segment of the High School and also a teacher of each class, the State School of Elementary and Secondary Education " Pius XII ", in order to have an estimate as to the theme, and also go to find valuable information that will inform the above presented the theme. KEYWORDS: Education for Youth and Adults, Dropouts, Paulo Freire. 9

10 LISTA DE SIGLAS CAEE - Centro de Atendimento Educacional Especializado E.E.E.F.M - Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio EJA Educação de Jovens e Adultos LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica MEC Ministério da Educação e Cultura MOBRAL Movimento Brasileiro de Alfabetização PNAC Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania 10

11 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Qual o seu sexo?...38 Gráfico 2 - Faixa etária...39 Gráfico 3 - Estado civil...39 Gráfico 4 - Série estudada...40 Gráfico 5 - Quantidade de filhos Gráfico 6 - Como você percebe seu professor...41 Gráfico 7 - Incentivo dos pais para o estudo...41 Gráfico 8 - O que o/a levou a voltar a estudar...42 Gráfico 9 - Volta aos estudos, o que mudou...42 Gráfico 10 - Primeira vez que estuda na EJA...43 Gráfico 11 - Gosto pelo estudo...43 Gráfico 12 - Você trabalha...44 Gráfico 13 Com estudo regular a vida seria melhor...44 Gráfico 14 - Vontade de abandonar a EJA...45 Gráfico 15 - Perdeu ao abandonar os estudos...45 Gráfico 16 - Onde deseja ir com seus estudos?...46 Gráfico 17 - Escolher da EJA para lecionar...47 Gráfico 18 - Papel do professor da EJA...48 Gráfico 19 - Desafio em lecionar na EJA...48 Gráfico 20 - Problemas/desafios encontrados com os alunos...49 Gráfico 21 - A EJA traz relevância para a vida?...49 Gráfico 22 - Professor da EJA quais as maiores dificuldades?...50 Gráfico 23 - Métodos utilizados para trabalhar em sala...50 Gráfico 24 - Alunos que conseguem concluir a EJA

12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA DO TEMA DELIMITAÇÃO TEMA FORMULAÇÃO DO PROBLEMA OBJETIVOS OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS HIPÓTESE METODOLOGIA CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA TÉCNICAS PARA COLETA DE DADOS FONTES PARA COLETA DE DADOS CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA PESQUISADA INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS TRATAMENTO E ANÁLISE DE COLETAS REFERENCIAL TEÓRICO HISTÓRICO DA EJA NO BRASIL MÉTODO DE PAULO FREIRE O PROCESSO DE EVASÃO ESCOLAR NA EJA RELAÇÃO PROFESSOR/ALUNO DA EJA APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS/ ESTUDO DE CASO E.E.E.F.M PIO XII OBJETO DE ESTUDO DA PESQUISA APRESENTAÇÃO DOS DADOS QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELOS ALUNOS QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELOS PROFESSORES CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO CONCLUSÃO RECOMENDAÇÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE APÊNDICE A QUESTIONÁRIO PARA OS ALUNOS APÊNDICE B QUESTIONÁRIO PARA OS PROFESSORES

13 1 INTRODUÇÃO A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de educação básica, que busca a preparação do aluno, do tempo perdido, propiciando a continuidade aos estudos, que envolve como campo abrangente questões sociais, econômicas, políticas e culturais. Dessa forma é assegurado por lei o acesso à Educação de Jovens e Adultos através da Lei no Art.37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria (BRASIL 1996, p.50). De modo que a educação de jovens e adultos busca um ensino de qualidade com foco no aprendizado do aluno, e uma real mudança na qualidade de vida, visando a sua realidade. De certo que a Educação de Jovens e Adultos enfrentou e vêm enfrentado várias dificuldades ao longo dos tempos. Desse modo, um dos principais desafios encontrados na EJA é que ao adentrar na escola o aluno já possui uma bagagem de vivências e histórias, nesse contexto são variedades de culturas que a escola deverá abraçar. É importante respeitar as condições culturais desse jovem e adulto. Eles precisam ser entendidos de fato, envolvidos com o meio criando um elo de comunicação entre o educador e o educando (GADOTTI, 2011). Segundo Gadotti (2011, p. 39): Ler sobre a educação de jovens e adultos não é suficiente. É preciso entender, conhecer profundamente, pelo contato direto, a lógica do conhecimento popular, sua estrutura de pensamento em função da qual a alfabetização ou aquisição de novos conhecimentos têm sentido. A educação de jovens e adultos não se baseia apenas em métodos, mas em processos e condições de conhecimento em formar cidadãos autônomos, críticos, reflexivos e capazes de buscar melhores condições de vida. Cabe ao educador criar situações que aproximem as relações de trocas de aprendizado dando ênfase na participação através da socialização. 13

14 Por meio das experiências vivenciadas no espaço escolar no Estágio Supervisionado I, de observação e participação na sala de aula no ano de 2012 na EJA, verificou-se que não há uma efetiva comunicação entre os professores e alunos, chamando à atenção ao distanciamento no aspecto que diz respeito a um ambiente acolhedor, de um espaço e material adequado, de motivação, de acompanhamento desse aluno. Nesse caso o educador tem um papel de suma importância, pois ele precisa entender e conhecer o seu aluno, é necessário criar oportunidades nas quais ocorra uma troca não só de perspectiva de vida, mas de situações que preparam o aluno para o mundo. E tratando-se da Educação de Jovens e Adultos é importante frisar que: O professor é um educador... e, não querendo sê-lo, torna-se um deseducador. Professor-instrutor qualquer um pode ser, dado que é possível ensinar relativamente com o que se sabe; mas professor/educador nem todos podem ser, uma vez que só se educa o que se é! (GADOTTI, 2011, p.71 e 72). Assim o objetivo dessa monografia é compreender os motivos que levam a evasão escolar e sua(s) influência(s) no existencial pedagógico educacional. Empregando uma pesquisa bibliográfica e um estudo de caso a realizar-se em uma turma de cada série, juntamente com os professores das respectivas turmas da Educação de Jovens e Adultos, na E.E.E.F.M PIO XII, no Município de São Mateus/ES. 1.1 JUSTIFICATIVA DO TEMA A educação passa pelo processo em que a sociedade forma seus membros a uma determinada imagem e a uma determinada função ligada a seus próprios interesses. A educação é essencial e é insubstituível. Dentre todas as práticas culturais da vida humana e da experiência de sociedade como a nossa, dificilmente alguma outra será tão insubstituível quanto à educação. (BRANDÃO, 2002, p.18). Desta forma, o homem faz-se um ser em desenvolvimento constante em que se adapta ao meio em que vive e sobrevive, até porque precisa de uma instrução formal onde possa contribuir para a formação profissional qualificada e para o seu sucesso no futuro. É então através da escola que os jovens e adultos são orientados a buscar essas melhores condições de vida. Assim, em justificativa serão apontados 14

15 elementos bastante preocupantes que atigem a modalidadede ensino da EJA - Educação de Jovens e Adultos. De modo geral, os estudos/pesquisas procuram analisar quais são as causas que resultam neste alto índice de evasão, a fim de obter explicações por meio de pesquisas bibliográficas e questionários na escola da rede estadual apenas no ensino médio da EJA. A escolha do tema não foi para resolver ou reverter este quadro de evasão, até porque isto demandaria um bom tempo, mas sim para conhecer estas respostas acerca do índice de evasão escolar neste segmento. Neste sentido, o presente trabalho pode contribuir para uma conscientização coletiva em que a educação formal especialmente a de jovens e adultos aconteça de maneira siginficativa e prazerosa, em que desperte a busca pelo conhecimento, contribuindo assim para a formação educacional. É importante lembrar que todos podem contribuir para o desenvolvimento da Educação de Jovens e Adultos, permitindo que este aluno não vise somente à capacitação formal, mas que desenvolva suas capacidades em busca de saberes, descobrindo um novo mundo e que através das suas habilidades e competências possa ter uma formação indispensável no meio social para o exercício da cidadania, partindo do conhecimento cultural que já possui, refletindo sobre o que antes era desconhecida na sociedade a qual pertence, pois o jovem e o adulto busca na Educação de Jovens e Adultos recuperar o tempo perdido. Logo a importância desta pesquisa é entender como acontece à evasão e quais suas causas específicas, já que esta é também uma preocupação dos educadores, e é claro, despertar o interesse em busca de possíveis soluções. 1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA Esta pesquisa delimita-se em verificar através de questionários direcionados ao corpo discente e docente, os motivos do processo de evasão escolar em três turmas: uma do primeiro, do segundo e do terceiro ano e os professores da Educação de Jovens e Adultos, na E.E.E.F. M PIO XII do Ensino Médio, localizada 15

16 na Rua Cel. Constantino Cunha, nº 1890, no Centro da Cidade de São Mateus, ES, no Município de São Mateus/ES durante o segundo semestre no ano de FORMULAÇÃO DO PROBLEMA A Educação de Jovens e Adultos tem um longo caminho percorrido e infelizmente a evasão faz parte desse contexto. Sendo assim o problema estabelecido neste trabalho consiste no seguinte questionamento: Quais os motivos que levam os alunos da EJA a evadirem na escola E.E.E.F.M PIO XII em São Mateus/ES no segundo semestre no ano de 2013? 1.4 OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Compreender os motivos da evasão escolar e sua(s) influência(s) no existencial pedagógico educacional da E.E.E.F.M PIO XII São Mateus/ ES, no ensino da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Médio OBJETIVOS ESPECÍFICOS Investigar os principais fatores da evasão escolar no Ensino Médio da EJA, na E.E.E.F.M PIO XII São Mateus/ ES, buscando conhecer o perfil dos alunos através da aplicação de questionário, verificando os seguintes aspectos: Verificar em qual série acontece mais a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos; Observar como é o perfil do professor na EJA quanto a sua formação profissional e acadêmico; 16

17 Entender quais os motivos que levam os alunos a optarem por estudar na EJA. 1.5 HIPÓTESE Acredita-se que ao final deste trabalho serão conhecidos os principais motivos da evasão na modalidade EJA no Ensino Médio da E.E.E.F.M PIO XII no ano de 2013, tendo como tentativa buscar respostas sobre os principais aspectos a serem investigados no contexto educacional, a respeito do corpo discente e docente. 1.6 METODOLOGIA CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA A pesquisa foi classifica em Descritiva, Exploratória e Explicativa, buscando uma análise quantitativa acerca do assunto tratado. A pesquisa Exploratória tem como objetivo: o levantamento de dados, através de bibliografia, e estudo de caso, onde segundo GIL (2002, p.41) pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Logo, pois busca o aprimoramento do assunto estudado. Na pesquisa Descritiva trata-se de analisar e interpretar os dados coletados através de questionários aplicados. Na concepção de GIL (2002, p.42) as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. Já na pesquisa Explicativa visa estudar fenômenos, registros e interpretá-los, explicando a razão dos questionamentos encontrados, na visão de GIL (2002, p.42) esse é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. 17

18 1.6.2 TÉCNICAS PARA COLETAS DE DADOS A pesquisa tem por finalidade buscar respostas na realidade e na aquisição de conhecimentos. A abordagem metodológica adotada constitui-se em três: Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa de Campo e Estudo de Caso. Uma das fontes enriquecedoras do conhecimento é a abordagem Bibliográfica que se tem a oportunidade de conhecer as várias concepções de diferentes autores, para GIL (2002, p. 44): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora quase em todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Na abordagem a Pesquisa de Campo é onde coleta dados, vivencia situações, explora ambiente, investiga, observa os processos para maior compreensão do assunto proposto. Segundo GIL (2002, p.53): (...) a pesquisa é desenvolvida por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar suas explicações e interpretações do que ocorre no grupo. Através do Estudo de Caso usa-se a investigação para explorar e descrever um fato ocorrido onde não se tem a exatidão de uma resposta. Logo GIL diz que: Estudo de caso consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros delineamentos já considerados. (GIL, 2002, p. 54). É através do estudo de caso que se levantam dados para uma possível solução de problemas previamente observados FONTES PARA COLETA DE DADOS A presente abordagem é caracterizada por fontes primárias por constituir de material não elaborado, algo que não foi publicado, no caso dos questionários aplicados na instituição escolar. Na concepção de Andrade: 18

19 Fontes primárias são constituídas por obras ou textos originais, material ainda não trabalhado, sobre determinado assunto. As fontes primárias englobam as obras que ainda não foram analisadas ou interpretadas e constituem o subsídio das pesquisas documentais. ANDRADE (2001, p. 43). Já fonte secundária retrata-se sobre o processo de materiais já elaborados e publicados, tais como: livros, revistas, artigos, etc. Na visão de ANDRADE (2001, p. 43): Fontes secundárias referem-se a determinadas fontes primárias, isto é, são constituídas pela literatura originada de determinadas fontes primárias e constituemse em fontes das pesquisas bibliográficas CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA PESQUISADA A pesquisa será realizada no universo que envolve três salas de aula contendo: uma turma do primeiro ano, com vinte e dois alunos, uma turma do segundo ano, com vinte oito alunos e uma turma do terceiro ano com vinte e três alunos do Ensino Médio. Quanto aos professores será aplicado a um professor de cada sala, num total de três professores, e aos alunos um total de setenta e três alunos, sendo a aplicação dos questionários feitos com uma amostragem de uma pesquisa ocorrendo no exercício do ano letivo de INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS A realização da coleta de dados será por meio de um questionário para os alunos e outro para os professores, da EJA na E.E.E.F.M PIO XII, em três turmas da Educação de Jovens e Adultos, no Município de São Mateus/ES que será no segundo semestre no ano de Segundo Andrade: Questionário é um conjunto de perguntas que o informante responde, sem necessidade de presença do pesquisador. O formulário também é constituído por uma série de perguntas, mas não dispensa a presença do pesquisador. ANDRADE (2001, p. 148). Desse modo o questionário possibilita a diagnosticar e auxiliar no levantamento de possíveis questionamentos e a sua aplicabilidade será a possível resolução da formulação do problema proposto na monografia. 19

20 1.6.6 TRATAMENTO E ANÁLISE DE COLETAS As informações coletadas serão analisadas de forma quantitativa, de acordo com: O processo de análise de dados envolve vários procedimentos, codificação das respostas, seleção e tabulação dos dados. A codificação, análise e tabulação para a obtenção de informações só se efetivam após a coleta de dados. GIL (2002, p.125). São através dos gráficos que se podem interpretar os dados coletados, é de suma importância que essas informações estejam claras e objetivas para melhor compreensão. 20

21 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 HISTÓRICO DA EJA NO BRASIL A história da Educação teve início com a chegada dos jesuítas, aproximadamente em 1549, tendo em vista a catequização de adultos com funções religiosas, tendo o aspecto mais religioso do que o educacional. Segundo Azevedo: [...] Em dois séculos, ou precisamente, em 210 anos, que tanto se entendem desde a chegada dos primeiros jesuítas até a expulsão da Ordem pelo Marquês de Pombal, em 1759, foram eles quase os únicos educadores do Brasil. (AZEVEDO, 1976 p. 9-11). Com a chegada da família real ao Brasil, percebeu-se a necessidade de mão-deobra para atender e servir a realeza. Segundo Piletti (1988, p. 165) a realeza procurava facilitar o trabalho missionário da igreja, na medida em que esta procurava converter os índios aos costumes da Coroa Portuguesa. Em 1881 foi intitulada a Lei Saraiva homenageando o então Ministro do Império José Antônio Saraiva, através do Decreto nº 3.029, a Lei tinha por objetivo ser responsável pela primeira reforma eleitoral do Brasil, conceder o título de eleitor, aos homens, modo que proibia analfabeto ao voto, começou então a pensar que o voto era de grande contribuição política, pois grande parte não sabia nem ler e escrever (PAIVA, 1973). Entre 1887 a 1897 no Império-República, grandes discussões na educação surgiram tais como as ligas contra o analfabetismo que visava o direito ao voto e tendo o Estado assumir suas reais obrigações em relação à educação, voltadas para melhorias na qualidade do ensino, com intuito a população analfabeto. (PAIVA, 1973). As discussões ainda não pararam segundo Paiva: 21

22 As reformas da década de 20 tratam da educação dos adultos ao mesmo tempo em que cuidam da renovação dos sistemas de um modo geral. Somente na reforma de 28 do Distrito Federal ela recebe mais ênfase, renovando-se o ensino dos adultos na primeira metade dos anos 30. (PAIVA, 1973, p.168). Com a falta de políticas consistentes voltadas para a educação de jovens e adultos o governo viu a necessidade de criar um fundo destinado à alfabetização de adultos, pois o índice de analfabetismo surgiria em meados de Já em 1945 no final da ditadura de Vargas, ocorreu o movimento de fortalecimento dos princípios democráticos do país, (PORCARO, 2011). No ano de 1949 na Dinamarca foi realizada a I Conferência Internacional sobre a Educação de Adultos. Essa Conferência trouxe a ideia de uma educação de adultos como uma espécie de educação moral, onde contribuiria para o respeito aos direitos humanos. Já a II Conferência Internacional realizada em Montreal em 1963, baseava-se em dois enfoques: a educação permanente, a educação de base ou comunitária. Na III Conferência Internacional em Tóquio em 1972, a educação de adultos ficou entendida como suplência da educação fundamental (escola formal), e em Paris aconteceu IV Conferência Internacional em 1985 caracterizando-se pela pluralidade de conceitos, onde se discutiu temas relacionados à educação de forma que proporcionasse melhorias no aspecto técnico, pedagógico e metodológico da EJA, (GADOTTI, 2011). De acordo com Gadotti (2011, p.43), a história da educação de adultos dita, no Brasil, poderia ser dividida em três períodos : 1º De 1946, em que foram realizadas grandes campanhas nacionais de iniciativa oficial, chamadas de cruzadas, sobretudo para erradicar o analfabetismo, entendido como uma chaga, uma doença como a malária. Por isso se falava em zonas negras de analfabetismo. 2º De 1958 a Em 1958 foi realizado o 2º Congresso Nacional de Educação de Adultos, que contou com a participação de Paulo Freire. Partiu daí a ideia de um programa permanente de enfrentamento do problema da alfabetização que desembocou no Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, dirigido por Paulo Freire e extinto pelo Golpe de Estado de 1964, depois de um ano de funcionamento. A educação de adultos era entendida a partir de uma visão das causas do analfabetismo, como educação de base, articulada com as reformas de base, defendidas pelo governo popular / populista de João Goulart. Os CPCs (Centros Populares de Cultura), extintos logo depois do golpe militar de 1964, e o MEB (Movimento 22

23 de Educação de Base) apoiado pela Igreja e cuja duração foi até 1969, foram profundamente influenciados por essas ideias. 3º O governo militar insistia em campanhas como a Cruzada do ABC (Ação Básica Cristã) e posteriormente, com o MOBRAL. Nessa perspectiva o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) ficou marcado na história da EJA, com finalidade de redemocratização, que visava o controle da população rural. No ano de 1989 foi criada a Comissão Nacional de Alfabetização com o então coordenador Paulo Freire, com intuito de preparar o Ano Internacional da Alfabetização (1990), GADOTTI (2011). Ainda no ano 1990 foi lançado o PNAC (Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania), que proporcionou uma ambiciosa estratégia de mobilização nacional, contudo o mesmo não foi instaurado devido à crise do governo do presidente Fernando Collor, pelo impeachment. Tempo depois o MEC formalizou em destinar mais recursos na educação infantil do que na EJA, objetivando reduzir a geração de analfabetos. A União voltou a investir na EJA no ano de 1997, com o Programa Alfabetização Solidária, que atendia os municípios com maiores taxas de analfabetismo. Todos esses fatos históricos contribuíram para uma mudança na educação da EJA, tornando-a mais igualitária, focada na valorização do Adulto e do Jovem, e na capacitação dos professores vinculados ao Programa/ Modalidade. 2.2 MÉTODO PAULO FREIRE Tratar de Paulo Freire consiste em falar de libertação, conscientização e visão de mundo transformado. Freire defendia os direitos do povo, daqueles que não tiveram a oportunidade de fazer valer seus direitos como cidadãos. De acordo com Cecília de Lora: Paulo Freire revela-nos de forma vivencial as exigências mais sutis do processo de conscientização. Penso que o grande mérito de Paulo, o mestre bondoso e estimulante, está precisamente em ser catalizador honesto de uma série de inquietudes que se agitam em nosso meio. [...]. (DE LORA, 2006, apud FREIRE, 2006, p. 10). O método Paulo Freire era voltado para a realidade vivenciada do indivíduo, onde o aluno identifica-se com a aprendizagem. Prezava por uma alfabetização que 23

24 estimulasse a criação, o desenvolvimento psicológico, emocional e social do aluno, levando em consideração suas vivências, ou seja, um método inovador e transformador. De acordo com Freire: Contradizendo os métodos de alfabetização puramente mecânicos; projetávamos levar a termo uma alfabetização direta, ligada realmente a democratização da cultura e que servisse de introdução; ou, melhor dizendo, uma experiência susceptível de tornar compatíveis sua existência de trabalhador e o material que lhe era oferecido para aprendizagem. (FREIRE, 2006, p. 47). Desse modo, o processo de ensino deveria dar-se a partir da vivência da realidade de cada aluno, de sua visão de mundo, onde o conteúdo da aprendizagem estivesse de fato ligado ao processo de aprender. Passando assim por várias fases de elaboração e aplicação do método, procurava-se abordar as palavras principais dentro do universo e do dia a dia do grupo a ser pesquisado e trabalhado. O processo passa por três etapas importantes: a etapa da investigação onde o professor e o aluno buscam as palavras geradoras dentro do universo vocabular e da sociedade na qual ele está inserido, a etapa de tematização, em que os alunos aprendem a codificar e decodificar o significado das palavras tomando consciência do mundo e a etapa da problematização, transformando o modo que esse aluno vê para assim ter a possibilidade de mudar o contexto na qual ele vive. As palavras geradoras devem nascer desta procura e não de uma seleção que efetuamos no nosso gabinete de trabalho, por mais perfeita que ela seja do ponto de vista técnico (FREIRE, 2006, p.49). Selecionando as palavras dentro do contexto vocabular do aluno, criando e elaborando situações cotidianas que fazem parte da realidade do grupo ao qual se trabalha. Desse modo o educando sente-se familiarizado com o processo de ensino e aprendizagem, pois o que ele está aprendendo faz parte de fato de sua vida cotidiana. Através da metodologia de vivência do aluno, de acordo com Freire, é possível perceber as dificuldades fonéticas desse grupo a partir da identificação das palavras geradoras. (...) o educador propõe a visualização da palavra geradora, e não a memorização, quando se visualiza a palavra e se estabelece o laço semântico entre ela e o objeto a que se refere representado na situação, mostra-se ao aluno por meio de outro diapositivo, a palavra sozinha sem o 24

25 objeto correspondente. Imediatamente depois apresenta-se a mesma palavra separada em sílabas, que o analfabeto geralmente identifica como partes. Reconhecidas as partes, na etapa da análise, passa-se a visualização das famílias silábicas que compõe as palavras em estudo. (FREIRE, 2006, p.51). Levando assim o educando a possibilidade de analisar e classificar as palavras, a partir de uma sílaba e assim, identificar todo o resto da família fonética, formando a palavra final. Desse modo produzindo, não somente o conhecimento, mas levando ao reconhecimento, e a partir daí chegar a escrita. Em um dos seus livros Educação como Prática da Liberdade, Freire (2011, p.48) cita ainda, mais cinco fases para se executar a prática do método: o levantamento do universo vocabular com quem se trabalha; a escolha das palavras selecionadas do universo vocabular pesquisado; a criação de situações existenciais típicas do grupo com que vai se trabalhar; a elaboração de fichas de roteiro que auxiliem os coordenadores de debate no seu trabalho e a elaboração de fichas para a decomposição das famílias fonéticas. Freire procurava através dessas fases investigar e conhecer o educando para assim elaborar as atividades de forma que eles pudessem identificar-se com o processo de aprendizagem, sentisse-se parte do processo, e não meros reprodutores, mas sim, transformadores e agentes de sua própria história. Os conceitos e métodos a liberdade oferecida aos alunos segundo Freire é a: [...] matriz que proporciona sentido a uma educação que não pode ser efetiva e eficaz senão na medida em que os educandos nela tomem parte de maneira livre e crítica. Esse é um dos princípios essenciais da organização dos círculos de leitura [...] (FREIRE, 2006, p. 59). Tendo mais liberdade de expressão o educando consegue transferir para o educador a realidade a qual ele vive, de modo que consiga absorver desses diálogos coletivos as reais necessidades de aprendizagem desse aluno, podendo assim intervir de maneira qualitativa dando a necessária orientação. Dessa forma, tem-se o foco voltado para a alfabetização em conjunto com a conscientização, pois de nada adianta alfabetizar sem conscientizar, sem ampliar e transformar a visão de mundo dos educandos. Contribuindo para a vida social do 25

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