Os Rumos da Dermatologia no Brasil:

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1 Fóruns SBD RELATÓRIO FINAL Relator: Gabriel Gontijo, Vice-Presidente e Presidente Eleito da SBD São Paulo - 5 de abril de 2014

2 São Paulo - 5 de abril de 2014 Promoção Diretoria da Sociedade Brasileira de Gestão Presidente Denise Steiner Vice-presidente Gabriel Gontijo Tesoureira Leninha Valério do Nascimento Secretária Geral Leandra D Orsi Metsavaht 1 a Secretária Flávia Alvim Sant anna Addor 2 o Secretário Paulo Rowilson Cunhta

3 Preocupada com o contexto político de nosso país e o futuro de nossa especialidade, a atual Diretoria da SBD Gestão 2013/2014, realizou no dia 5 de abril de 2014, em São Paulo, a primeira edição do Fórum Os rumos da dermatologia reflexões, desafios, perspectivas e recomendações, com o objetivo de promover entre membros da Diretoria, presidentes das comissões, chefes de serviços credenciados, presidentes das regionais, associados representantes das redes sociais e da SBD e principais órgãos de saúde, a discussão sobre temas que envolvem o futuro da especialidade. Numa iniciativa histórica, a Diretoria da SBD reservou um importante momento para refletir sobre seus rumos, promoveu o debate a respeito da formação do dermatologista, do atual cenário e do futuro da dermatologia, das políticas institucionais, da publicidade médica, do combate à invasão da especialidade, entre outros temas de interesse. O encontro, que reuniu cerca de 150 pessoas, foi dividido em duas partes. No período da manhã, dermatologistas e convidados participaram de um ciclo de palestras que abordaram desde o início da dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica, passaram pela formação do acadêmico de medicina, defesa profissional, aspectos éticos legais no exercício da profissão e o futuro da dermatologia. Ainda pela manhã, o corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM) e coordenador da Câmara Técnica de, José Fernando Maia Vinagre, e o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino de Araújo Cardoso Filho, responderam perguntas feitas por escrito, pelos dermatologistas presentes. Na parte da tarde, dez grupos de 13 participantes se reuniram em mesas de discussões e compartilharam com a plenária as recomendações que apresentamos a seguir, para o acadêmico de medicina, para os residentes e chefes de serviços credenciados, para os presidentes das regionais, para os associados já inseridos no mercado, para a SBD e o futuro da especialidade.

4 para os acadêmicos de Medicina Promover ações junto às Faculdades de Medicina informando ao acadêmico o que é a dermatologia. Entregar a todos um pendrive com uma apresentação institucional, propiciando aos mesmos o acesso à informação da especialidade, bem como de suas doenças mais importantes. Mostrar a diferença entre a formação em serviços credenciados e em serviços não credenciados ou em entidades não reconhecidas pela AMB que oferecem graduação latosensu. Contratar uma empresa de comunicação, utilizando uma linguagem apropriada a estes jovens. (aproveitar o material da Dra. Sarita Martins a esse respeito). Atuar nas ligas acadêmicas e incentivá-las a participarem de congressos e reuniões científicas promovidas pela SBD. No congresso brasileiro da SBD, promover sessões científicas específicas para os acadêmicos de Medicina. aos residentes Estimular o residente, já no 1 o ano, a se tornar sócio aspirante, com todas as vantagens que a SBD lhe oferece. Mostrar a eles o que é e o que a SBD pode fazer por eles. Contribuir para a formação ética do residente, enfatizando que o êxito profissional depende de sua formação como dermatologista completo, da relação médico-paciente, preocupandose também com a etiqueta médica, sua imagem, sua postura profissional e sua forma de atendimento. Recomendar que participem apenas de atividades científicas promovidas ou apoiadas pela SBD.

5 aos chefes de serviços credenciados Ressaltar a importância de transmitir valores morais, éticos, de postura, de relação interpessoal, de relação médicopaciente e não considerar o residente apenas como simples executor de tarefas e deveres. Colaborar e ter compromisso nas relações com a SBD, respondendo às solicitações da sociedade. Participar de fóruns promovidos pela SBD para discutir e alinhar os interesses mútuos da sociedade e dos serviços credenciados. Avaliar em seu serviço a possibilidade de abrir mais vagas para residentes ou especializandos, sem comprometer a qualidade do ensino, na tentativa de diminuir a demanda reprimida de médicos com intenção de se especializarem em dermatologia e que acabam procurando entidades não reconhecidas pela AMB. Aprofundar a discussão com os chefes de serviços e a SBD, a respeito do relacionamento com a indústria farmacêutica. Lembrar que fiquem atentos às atitudes que possam ser consideradas antiéticas e antipáticas, comprometendo a formação dos residentes, como por exemplo a cobrança de honorários para a visita de representantes de laboratórios. Cumprir o currículo mínimo para a formação dos residentes em dermatologia, observando na íntegra todo seu conteúdo programático. Acompanhar de perto o aprendizado dos residentes, que deverão participar de todas as ações da SBD, na educação médica continuada.

6 aos presidentes das regionais Esclarecer a importância de alinhar as finalidades das regionais com a SBD nacional, observando o estatuto, não programando eventos científicos que coincidam com os aqueles promovidos pela SBD Nacional. Seguir as recomendações da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD nacional, a respeito das denúncias feitas pelos associados, com relação ao exercício ilegal da profissão. Evitar o excesso de eventos e alinhar o calendário de eventos com a SBD Nacional, evitando a pulverização dos investimentos da indústria farmacêutica. Promover uma programação científica bastante atrativa nos eventos das regionais, com a participação dos serviços credenciados e seus residentes, apresentando casos clínicos, se possível ao vivo, aumentando a participação dos associados e consequentemente o patrocínio da indústria farmacêutica. Enviar comunicados para que os sócios não participem de eventos onde haja participação de não associados da SBD, seja como palestrante, seja como ouvinte. Aproveitar os materiais de campanhas de defesa e valorização profissional desenvolvidas pela SBD nacional, para serem divulgados nas regionais. Que todas as regionais tenham sua assessoria jurídica, agindo de forma pontuada ou continuada, conforme seus recursos financeiros. Acolher os novos aprovados no TED, nas reuniões das regionais, reforçando a importância da obtenção do RQE. Os presidentes das regionais podem auxiliar na coleta dos documentos e o envio ao CRM local, facilitando o registro do TED neste órgão. Verificar se todos os associados de seu estado já possuem RQE. Fazer o confronto com o cadastro da SBD Nacional. Os presidentes das regionais deverão enviar um comunicado aos que ainda não possuem o RQE, salientando a importância da obtenção deste registro.

7 aos associados já inseridos no mercado de trabalho Aumentar a aproximação do associado com a SBD, através de eventos científicos e culturais realizados pelas regionais. Estimular o máximo possível a interação com a SBD e participação dos associados nos eventos promovidos pela sociedade. Não aceitar convites para participar de eventos promovidos pela indústria farmacêutica que permitam a participação de não associados. Incentivar que os associados recebam em seus consultórios, a visita apenas dos laboratórios que incentivam os eventos de suas regionais. Estar constantemente informado sobre ética e etiqueta médica, além dos direitos e deveres perante a SBD. para a SBD e o futuro da especialidade no Brasil A especialidade deve ser desenvolvida de forma completa, integrando suas principais vertentes: clínica, cirurgia e cosmiatria. Investir na formação de dermatologistas completos, cuidando de todas as áreas abrangentes da dermatologia, considerando uma especialidade clínica e cirúrgica. Deve existir o dermatologista que atua em todas as áreas, visando não somente o retorno financeiro. Não se pode mais ter o profissional que é só cirúrgico ou que atue em cosmiatria ou somente clínico. Adequar o Programa de Residência Médica com a proposta de unificação dos currículos para formação dos residentes, que deverão ser implementados em todos os serviços credenciados. Promover ações sociais junto à população, gerando marketing indireto e valorizando o dermatologista da SBD. Promover ações sociais para detecção precoce e prevenção do câncer da pele (fotoproteção, sol amigo da infância, projeto próalbino), DST, hanseníase, vitiligo e dermatoses geriátricas. Incentivar o crescimento de ações no GRAPE (Grupo de Apoio Permanente) aos pacientes com dermatoses estigmatizantes. Rever a campanha de combate ao câncer da pele promovida pela SBD, que não deverá ser realizada apenas como um mutirão de atendimento mas sim uma campanha de detecção precoce e prevenção, de forma continuada. Divulgar junto à mídia as finalidades e a importância da SBD. Criar mecanismos para tornar a SBD independente financeiramente da indústria farmacêutica. Os eventos sociais poderiam ser custeados pelos associados. A SBD poderia desenvolver produtos como material didático, palestras, orientações aos pacientes, para serem comercializados.

8 Manter o Projeto Novos Aprovados no TED, acolhendo-os numa cerimônia de boas-vindas durante o Congresso Brasileiro de. Criar este tipo de categoria nas inscrições dos eventos promovidos pela SBD, obedecendo os valores previstos no Estatuto. Promover cursos de gestão e educação médica continuada para os associados da SBD. Enviar boletins informativos aos associados, orientando-os a respeito dos direitos e deveres com a SBD. Recomendar a eles que só participem como ouvintes e/ou palestrantes, dos cursos promovidos ou apoiados pela SBD, incentivando-os a uma reciclagem permanente. Definir e acompanhar o currículo da residência em dermatologia. Aumentar a proximidade com a Comissão do TED, avaliando o momento oportuno de aplicar o exame para os associados contribuintes. Orientar os presidentes dos congressos nacionais a planejar, organizar e limitar os gastos com atividades sociais. Fazer uma pesquisa para saber o Perfil do Dermatologista da SBD e um senso da nosologia prevalente no exercício da especialidade, traçando a partir daí um planejamento estratégico para nossa sociedade. Estimular a inserção e a atuação da dermatologia na saúde pública (atenção básica). Promover ações políticas, com presença atuante junto aos formadores de opinião nos segmentos da sociedade e perante os órgãos governamentais. Participar mais próxima e ativamente das entidades e associações de classe: AMB, CFM, ANVISA (câmara técnica), entre outras. Promover maior aproximação e integração da com outras especialidades, nos hospitais e faculdades dos serviços credenciados. Promover campanhas de esclarecimento à população que o dermatologista cuida da saúde da pele, desde a infância até a idade avançada, não apenas tratando mas preservando a saúde da pele. Campanhas para orientar a população sobre os riscos e complicações de tratamentos realizados por não médicos, principalmente os cosmiátricos, e campanhas educativas de cunho social para grupos específicos de pacientes. No relacionamento com a indústria, esclarecer a importância dos associados participarem apenas de eventos que são exclusivos para os sócios da SBD.

9 Promover, através dos Departamentos Especializados, cursos de educação médica continuada para os residentes do 3o ano de serviços credenciados que se tornarem associados aspirantes, para os residentes que não foram aprovados no TED mas continuam sócios aspirantes e também para os dermatologistas associados já inseridos no mercado, não apenas com a presença física mas também aproveitando a teledermatologia e a plataforma Moodle. Promover maior intercâmbio entre os serviços credenciados de cada regional. Investir nos serviços credenciados, promovendo a capacitação e valorização de seus chefes. Incentivar o uso e aproveitamento das palestras que deverão estar disponíveis online, na plataforma Moodle, apenas aos associados, inclusive com possibilidade de discussão com os palestrantes (webmeeting). Estimular e valorizar o palestrante que autorizar a filmagem de suas palestras. Manter assessoria jurídica atuante para coibir a invasão da especialidade por profissionais não dermatologistas. É unânime que há um excesso de eventos científicos, repetitivos, pulverizando o investimento da indústria farmacêutica. Realizar uma reunião com os presidentes das regionais, elaborando um calendário unificado entre a SBD e suas regionais, racionalizando a programação dos eventos. Avaliar e inovar o formato da reunião com os presidentes das regionais, com oficinas pela manhã, deixando todo o período da tarde para discussões e elaboração das decisões.

10 A SBD perguntou, a AMB e o CFM responderam 1. Quais são as orientações com relação ao Título de Especialista, no sentido de restringir ao máximo sua realização por médicos não oriundos de serviços credenciados e evitar deferimento de inscrições com documentação de veracidade questionável? A AMB apoia as decisões da SBD de tentar restringir a realização do TED a apenas residentes dos serviços credenciados. Porém isto não é possível do ponto de vista jurídico. Pela constituição isto é considerado cerceamento ao direito tácito. Assim, no edital do TED, a SBD deve dificultar ao máximo porém não pode restringir totalmente a possibilidade de sua realização apenas aos residentes dos serviços credenciados. 2. Qual é a opinião a respeito do aumento de vagas para residentes em serviços credenciados? A SBD deve se preocupar em absorver, na medida do possível, a demanda reprimida de médicos que poderiam ser bem formados e prestarem o exame do Título da Especialidade. 3. Como agir quando o CRM não cumpre seu estatuto e não atua na Defesa Profissional? Realmente falta padronização, agilidade e fiscalização nas condutas dos CRMs. O CFM irá atuar de maneira mais rígida para que isto aconteça. 4. E sobre as ações judiciais contra as resoluções dos Conselhos de outras profissões como a Biomedicina e Fisioterapia? As ações do CFM contra estes Conselhos estão em andamento. O CFM recomenda que a SBD também entre com ações conjuntas para reforçar as ações já iniciadas por este Conselho e pela AMB. 5. Quais são as recomendações a respeito da Tabela de Honorários Médicos (CBHPM)? A AMB pode atuar junto à ANS (Agência Nacional de Saúde), no sentido de equiparar as tabelas destas entidades? Como a SBD pode atuar no sentido de melhorar a remuneração dos dermatologistas junto aos planos de saúde? A ANS adotou a nomenclatura porém não adotou a valoração. A ANS está na mão do Governo. Precisamos pressionar. 6. O que será das Sociedades de Especialidades Médicas no Brasil? As notícias não são boas. O que irá sobrar para os Conselhos Federais e Regionais deverá ser apenas a judicância. O resto deverá ficar na mão do Governo. 7. Quais são as recomendações para o futuro das Sociedades de Especialidades no Brasil? A união. Se não estivermos unidos, a partir de 2016, o exame do Título de Especialista poderá ser aplicado pelo Ministério da Saúde ou pelo Ministério da Educação e não mais pelas Sociedades de Especialidades Médicas. A união da classe médica é fundamental também para tentar reverter as excrecências cometidas pelo Governo (Mais Faculdades de Medicina, Provab, Mais Médicos, entre outras)

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