DIREITO ELEITORAL E PROCESSO ELEITORAL

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1 CURSO DE CAPACITAÇÃO A DISTÂNCIA EM DIREITO ELEITORAL E PROCESSO ELEITORAL Autor: Fabiano Leitoguinho Rossi

2 Sumário 1. Gestão político-eleitoral Introdução Perfil do candidato x perfil do eleitor: campanha política Marketing pessoal do candidato A pesquisa de mercado O conceito e a estratégia do candidato Estratégia de comunicação Capacitação de voluntários para a campanha Profissionais utilizados na campanha Financiamento de campanha Convenções e Coligações Partidárias Justiça Eleitoral Brasileira e Direito Constitucional Eleitoral Organização e Administração da Justiça Eleitoral Antecedentes históricos Justiça Eleitoral na Constituição de Tribunal Superior Eleitoral Tribunais Regionais Eleitorais Juízes Eleitorais Juntas Eleitorais Direito Constitucional Eleitoral Considerações iniciais Institutos constitucionais aplicáveis ao Direito Eleitoral Princípios constitucionais eleitorais Partidos Políticos e Processo Eleitoral Partidos e Justiça Eleitoral: fiscais das eleições Atuação dos partidos e coligações na apuração dos votos Sistema proporcional de eleição: quociente e sobras eleitorais Sistemas majoritários de eleição na lei eleitoral [In]fidelidade partidária nas eleições estudo de casos

3 4. Registro de Candidatura e Modalidades de Propaganda Política Requisitos e prazos para a candidatura Condições de elegibilidade e casos de inelegibilidade Impugnação de candidatura Estudo de casos julgados pela Justiça Eleitoral sobre inelegibilidades Propaganda x publicidade há limites antes e durante a campanha política? Propaganda eleitoral gratuita Publicidade dos partidos políticos Casos de abusos da propaganda política Lei da Ficha Limpa nas eleições majoritárias e proporcionais Introdução Eleições majoritárias e proporcionais aplicação da LC 135/ Ficha suja e o processo eleitoral Estudo de casos julgados pela Justiça Eleitoral sobre ficha limpa Abrangência da decisão do STF e as próximas eleições brasileiras Direito Processual Eleitoral Jurisdição Eleitoral Brasileira Ações judiciais cabíveis na Justiça Eleitoral Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura Ação de Investigação Judicial Eleitoral Ação de Impugnação de Mandato Eletivo Ação de Justificação de Desfiliação Partidária Ação de Decretação de Perda de Mandato Mandado de Segurança Eleitoral Ação Rescisória Eleitoral

4 6.2.8 Habeas Corpus Eleitoral Habeas Data Eleitoral Mandado de Injunção Eleitoral Ação Penal Eleitoral Representação e reclamação eleitorais Direito de resposta Recursos cabíveis na Justiça Eleitoral Introdução Recurso contra a Diplomação Recurso Ordinário Eleitoral Recurso Especial Eleitoral Demais recursos do Código Eleitoral Crimes Eleitorais Parte Geral Parte Especial: tipos penais eleitorais Ministério Público Eleitoral Bibliografia e Referências Bibliográficas

5 1. Gestão político-eleitoral 1.1 Introdução O período pré-eleitoral é muito importante para as definições de quais serão os candidatos dos partidos políticos a concorrerem nas eleições municipais, estaduais, do Distrito Federal e, também, federal, isso de acordo com o cargo em disputa e a necessidade de se renovarem os mandatos. Além disso, outras situações são tão indispensáveis quanto à própria definição do nome do candidato: a adequação do perfil do concorrente ao cargo, a formação política dele, a origem social, os hábitos pessoais, a identidade com as ideologias do partido, dentre vários outros aspectos que acompanham aquele que buscará convencer seu eleitorado para obter o voto e ser, ou não, eleito. O político que deseja alcançar sucesso na sua jornada até o parlamento, ou a um dos cargos de Chefe do Executivo (Prefeito, Governador ou Presidente), precisa se preparar previamente à corrida eleitoral para que sua estratégia esteja alinhada às necessidades da comunidade e atenda aos anseios do cidadão, que acredita nas suas propostas. Por isso é que o político moderno deve buscar estar pronto e à disposição para assumir futuro cargo eletivo, principalmente, se nele tiver a vontade de enfrentar desafios constantes, prestando um bom serviço à sociedade, bem como se quiser permanecer nele por muito tempo a cada renovação de legislatura (Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Senador) ou enquanto durar seu mandato no Executivo (com possibilidade de uma reeleição). A proposta deste curso é justamente apresentar aos interessados que desejam conhecer a trajetória do processo eleitoral, estando prontos para o desafio das urnas, os principais pontos de uma campanha política. Assim, podem participar do curso o próprio candidato ao cargo eletivo, seu assessor direto na campanha, membros de partidos políticos, por exemplo, ou, ainda, qualquer pessoa que tenha afinidade e interesse com o processo eleitoral (advogados, servidores públicos, patrocinadores de campanha, publicitários, etc) e dele também participem ativamente. Primeiramente, vamos analisar o perfil do candidato e o perfil do eleitor. 3

6 1.2 Perfil do candidato x perfil do eleitor: campanha política Quando se fala em formar perfil do candidato, pode ser que primeira pergunta venha à tona. Mas, afinal, o que realmente é perfil? Nada melhor que iniciar esta etapa do que apresentando a definição de perfil. Perfil significa, basicamente, grau de exposição ao conhecimento público, visibilidade. Seria como os outros podem ver aquele que se expõe pessoalmente, por canais multimídia, em redes sociais (facebook, linkedin, orkut, etc), por exemplo, ficando evidenciados diversos pontos de contato entre o expositor e seu espectador. Nome, nacionalidade, formação profissional, opiniões, gostos pessoais, projetos, atividades realizadas, sonhos, tudo isso pode normalmente fazer parte de perfil de pessoas quando se expõem em público. Especificamente para um político, a forma como aparece em público, a maneira como expõe suas ideias, como se expressa quando fala (se tem desenvoltura ou não sabe se expressar), como se veste, se tem cabelos cortados ou longos, barba feita (a não ser que a barba seja seu cartão de visitas para seu eleitorado), se é bem-humorado ou mal-humorado, se possui posturas machistas ou feministas, se é ativista de movimentos sociais, se defende suas convicções ou não, entre diversos outros pontos de contato entre ele e quem o está vendo, lendo, escutando. O eleitor brasileiro, em especial, possui algumas peculiaridades de postura, dependendo da eleição em que está votando. Em alguns casos, eleições para Prefeitos e Vereadores podem ser muito mais difíceis, se comparadas a grandes eleições nacionais, como para Presidente, Deputados Federais e Senadores. Certos Municípios brasileiros, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro (tomemos exemplos de capitais como foco de análise aqui - não quer dizer que Municípios menores não tenham eleições acirradas), as eleições para Prefeitos são decididas na última hora, em segundo turno, com indefinição do vencedor até o momento final da apuração dos votos. Mas o que pode levar uma eleição a ser tão apertada em certos locais? A resposta é rápida: o perfil do eleitorado. 4

7 É notório em todo o Brasil que eleitores belorizontinos, portoalegrenses e cariocas são exigentes, combativos, vanguardistas e não aceitam eleger candidatos que não assumam efetivo compromisso com as questões urbanas, além de cobrarem projeto de campanha sólido para cumprirem suas promessas. Certamente, esse perfil não corresponde à totalidade das populações dos mencionados Municípios. Há também aqueles eleitores que se deixam levar por perfis de candidatos sem aproximação com as questões urbanas e sociais do Município e acabam por reforçar perfil de voto que se avoluma em todo o Brasil: o voto de protesto. Para tais eleitores que protestam, independe se o candidato X é o preferido da população pelo seu perfil político e tem chances reais de ser o vencedor: preferem outro menos expressivo, mas emblemático (artista, líder sindical, líder estudantil, atleta, por exemplo) e votam nele, equilibrando a disputa. Mas, ainda, nesse contexto, o que pode levar um eleitor a votar por protesto em candidatos despreparados politicamente e, em alguns casos, serem eleitos? Outra resposta também aparece a tal questionamento: a falta de opção. O cidadão não acredita nos políticos, é alienado do processo eleitoral, vota porque é obrigado, não participa dos debates de campanha, não sabe qual é o plano de governo do candidato e, mesmo assim, vota naquele que tem empatia por razões estritamente pessoais (candidato, por exemplo, com cabelos fashion, ou roupas extravagantes, ou com discurso esquisito, ou seu ídolo de adolescência ou juventude, ou que se mostra um símbolo de rebeldia, entre outros fatores tomados como referência para seu protesto). Então, tudo aquilo que deveria envolver uma eleição séria, resume-se a escárnio, chacota e o processo eleitoral democrático é prejudicado em seu requisito de eficácia social. Se assim não o fosse, seria correto considerar que o voto de protesto bastaria por si próprio, ao criar cenário de intolerância, evidenciando que o eleitor brasileiro não é sério ao votar? Certamente, esse não é o caminho para o aperfeiçoamento da democracia brasileira, mas funciona como via alternativa de demonstrar a insatisfação do eleitorado, e, com isso, precisam ser buscadas soluções para melhorar a qualidade do voto. 5

8 Por tudo o que foi dito, verifica-se que o perfil do candidato pode ser construído equipe de apoio cria mecanismos para melhorar a estampa e a postura do candidato, mantendo suas características originais como pessoa (em alguns casos são produzidas máscaras para iludir o eleitorado criamse esteriótipos eleitoreiros), ou, ainda, ser aperfeiçoado mantém-se sua figura pessoal e amplia-se o espectro de informações ao eleitor de tudo aquilo que é indispensável nele como político (o verdadeiro político por trás da pessoa). 1.3 Marketing pessoal do candidato Para SCHMIDT (2007), marketing pessoal pode ser considerado o ato de um indivíduo ir modificando seu comportamento e sua forma de agir, visando um melhor posicionamento no mercado. Para isso o individuo precisa desenvolver técnicas para poder divulgar sua imagem, sua competência e utilizar seus contatos para chegar onde quer. O profissional deve entender o que o mercado precisa, para que ele possa se adaptar, estudar, evoluir neste sentido. No caso do candidato, é impossível pensar em eleições, nos dias de hoje, sem pensar numa estrutura de marketing atuando em todos os segmentos do eleitorado. Propaganda eleitoral deixou de ser apenas o ato de imprimir alguns milhares de folhetos coloridos e pichar os muros da cidade com o nome do candidato. As campanhas eleitorais deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, os palpites gratuitos cederam lugar à pesquisa; os temas principais, com determinadas palavras-de-ordem, aparentemente corretas, mas aleatórias, agora têm origem em slogans com conceito e estratégia. Enfim: a propaganda política deixou para trás o amadorismo para se tornar profissional. Comparando com campanhas de produtos e serviços: de um lado está o produto/serviço; do outro, o mercado consumidor. Na campanha eleitoral, de um lado o candidato e do outro os eleitores. Existem alguns requisitos básicos para o sucesso de uma campanha eleitoral dentro de processo de marketing pessoal aplicado. Senão vejamos: 1. a existência de planos estratégicos, de orientação geral e detalhamento de atividades, tempo e recursos; 2. a existência de mão-de-obra especializada em propaganda; 3. a existência de um monitoramento durante todo o processo. 6

9 Dentro da questão ligada ao marketing pessoal sobressai-se o chamado Marketing Político, que são todos os recursos utilizados na troca de benefícios entre candidatos e eleitores, criando-se necessidade no eleitorado e conquistando parcela de votos importantes com seu perfil devidamente amoldado àquelas necessidades. Com relação aos benefícios criados nessa relação candidato-eleitor, seriam, essencialmente, as promessas, as vantagens do candidato e a sua linha de comunicação. No sentido oposto, ou seja, eleitor-candidato, são os votos e as informações necessárias para obtê-los. Alguns elementos compõem o quadro de planejamento de uma campanha de marketing político: o meio ambiente em que se realiza a campanha eleitoral e que vai proporcionar oportunidades e ameaças ao sucesso de um candidato; a administração da campanha eleitoral, que é a sua principal força de vendas, formada pelo próprio candidato, o seu partido político e os grupos de interesse alinhados com a sua candidatura; o conceito de produto, que é a filosofia política do candidato, a escolha de temas específicos a serem tratados e a definição de suas posições a propósito dos temas. Além da formulação e da adoção de um estilo pessoal que conserve e amplie suas qualidades. canais de comunicação e distribuição, que envolvem decisões e ações a respeito da utilização de mídia de massa e seletiva, aparições voluntárias, auxílio voluntário e partidário; segmentos de eleitores diferenciados; acompanhamento e revisão contínua e sistemática de resultados que impliquem em reorientação da campanha. Além dos eleitores propriamente ditos, há outros grupos que precisam ser estimulados, tais como o partido político, os contribuintes da campanha eleitoral e os grupos de interesse alinhados à candidatura. Para isso, a Assessoria Política da campanha deverá canalizar de maneira adequada o seu potencial em função das necessidades imediatas (aquelas que não passam pela interferência do eleitor, mas somente pela conduta/planejamento do candidato). 7

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