Editorial KPMG Business Magazine comemora dois anos. TAX Panorama Tributário do Plano de Aceleração do Crescimento

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2 Sumário Editorial KPMG Business Magazine comemora dois anos TAX Panorama Tributário do Plano de Aceleração do Crescimento Automotivo Veículos Flex transformam a indústria mundial Seguros Novos requisitos de capital exigem maior aporte das empresas do setor Artigo Como o Balance Scorecard pode contribuir na gestão dos seguros de automóveis IFRS Os desafios das normas de contabilidade internacionais Segurança da Informação A avaliação contínua de riscos de segurança e fraudes em TI Portabilidade numérica Desafios e oportunidades para o setor de telecomunicações CFO Livro aborda tendências da nova função dos executivos financeiros RH As áreas financeira e de controladoria à frente das estratégias de negócio GESTÃO Estratégias de custo sustentável Coaching de Vida Aposentadorias: uma nova etapa da vida Melhores Práticas O Business Process Outsourcing avança no mercado nacional Agribusiness Gerenciamento de riscos em créditos rurais ACI Auto-avaliação nos Comitês de Auditoria Governança Corporativa Os conceitos e boas práticas conquistam o segmento de gestão de fundos Pequeno Cidadão Uma década de existência KPMG Business Magazine é uma publicação trimestral da KPMG Auditores Independentes KPMG Auditores Independentes, sociedade brasileira, membro da KMPG International, uma cooperativa suíça. Todos os direitos reservados. Impresso no Brasil. Dezembro de Presidente da KPMG no Brasil: David Bunce. Diretora de KM&C: Irani Ugarelli. Fone: (11) Produção/Edição: Ex Libris Comunicação Integrada. Editor: Jayme Brener (MTb ). Textos: Lúcia Mesquita Projeto gráfico e diagramação: Idéia e Imagem Comunicação. Fotos: arquivo KPMG e Ken Chu (Expressão Studio). Tiragem: exemplares. Impressão: Copypress

3 2007 KPMG Auditores Independentes uma sociedade brasileira e firma-membro da rede KPMG de firmas-membro independentes e afiliadas à KPMG International, uma cooperativa suíça. Todos os direitos reservados. Inscreva-se até o dia 5 de junho no Programa de Trainees 2007 da KPMG no Brasil. Venha crescer com a gente. A KPMG é uma das mais renomadas e prestigiadas firmas de negócios no mundo. Nossa rede de firmas-membro presta serviços de Audit, Tax e Advisory a organizações locais, nacionais e multinacionais. Você decide aonde quer chegar. Transpondo fronteiras Estamos recrutando estudantes e recémformados em: Administração, Ciências Contábeis, Ciências Atuariais, Direito, Economia, Engenharia e cursos relacionados à Tecnologia e Informática. Benefícios Subsídio faculdade; subsídio idiomas; seguro de vida; tíqueterefeição; previdência privada; assistência médica e odontológica; convênio com academia de ginástica. Inscreva-se já:

4 Editorial Consistência e continuidade Irani Ugarelli A KPMG Business Magazine comemora seu segundo ano! Agradecemos aos nossos leitores por esta marca. Estamos orgulhosos por manter o padrão proposto, enquanto aumentamos consistentemente o número de matérias e a abrangência dos temas, além de registrar maior participação de nossos clientes na composição de reportagens e artigos. Em sinergia com a atuação multidisciplinar da KPMG, produzimos esta edição com pautas que abordam diferentes segmentos da Indústria. Os desafios enfrentados pelos setores da economia nos propiciam a oportunidade de contribuir para os executivos que com eles se deparam. No setor de Agronegócios, abordamos a questão do gerenciamento de riscos em créditos rurais; em Telecomunicações, analisamos os desafios das operadoras para se adequar às novas exigências da portabilidade numérica, que entra em vigor em Na Indústria Automotiva, trazemos o resultado de uma pesquisa elaborada pela KPMG International, baseada em entrevistas com os principais líderes mundiais do setor, a qual é atualizada anualmente e tem apontado tendências. E, ainda, no segmento de Seguros, comentamos sobre as mudanças regulatórias que entram em vigor a partir de 2008, além de apresentar um estudo sobre Balance Score Card. Para os executivos dedicados às áreas financeira e contábil, e também para os executivos de outras áreas que com eles convivem, inserimos um artigo de Jeremy Hope um dos mais respeitados gurus norte-americanos em administração financeira. Visando acrescentar um pouco de reflexão sobre a vida corporativa, adicionamos um artigo sobre coaching de vida e a preparação das empresas e dos colaboradores para a aposentadoria. Trabalhamos para transformar conhecimento em valor, para benefício de nossos clientes, nosso pessoal e do mercado de capitais. Desejamos que você, nosso leitor, beneficiese do resultado deste trabalho! Muito obrigada por dedicar seu tempo à leitura da revista de negócios da KPMG no Brasil. Boa leitura! Irani Ugarelli Diretora de KM&C

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6 TAX Panorama tributário Diogo Ruiz Um recente estudo da KPMG revelou que quatro tendências globais estão forçando as empresas a optarem entre melhorar sua atuação tributária ou enfrentar penalidades de ordem financeira ou o comprometimento da boa imagem. A concorrência tributária entre países, as novas pressões regulatórias, a modernização da administração fiscal e o aumento da fiscalização do público fazem com que as empresas, em qualquer lugar no mundo, estejam sendo avaliadas segundo novos parâmetros de transparência tributária. As políticas tributárias atuais abrangem muito mais que analisar os principais tributos que recaem sobre as empresas. Elas incluem tributos indiretos e sobre folha de pagamento, e não devem atender apenas às exigências impostas no país de origem da empresa. A gestão tributária global precisa funcionar e deve ser vista funcionando. Confrontadas com esta crescente pressão por mais transparência, as empresas podem optar por aguardar o que as agências reguladoras deverão lhes pedir e se adequar conforme as necessidades. No entanto, uma das formas mais eficazes de desencorajar uma excessiva regulamentação prescritiva sobre responsabilidades e divulgação poderia ser de cunho voluntário, no sentido da adoção de uma abordagem mais aberta e melhor divulgada em relação aos impostos. Num mundo competitivo, os impostos constituem uma alavanca que os governos têm utilizado para atrair ou reter investimentos. No entanto, eles ainda precisam financiar despesas sociais que estão cada vez maiores. Isto significa que qualquer redução na arrecadação prevista de impostos deve ser compensada por impostos indiretos e por uma vigilância mais rigorosa em relação ao pagamento por parte dos contribuintes empresariais que atuam no país. Muitas vezes, isso ocorre por meio da adoção de políticas tributárias mais agressivas, especialmente em relação ao preço de transferência. A pressão por uma maior transparência reflete-se em um maior interesse nas questões de governança tributária e em um interesse renovado nos aspectos tributários por parte dos analistas. Os analistas entendem que a área tributária não é de sua especialização. Porém, existe a preocupação de que as empresas com as quais mais trabalham sejam confiáveis, no que se refere ao pleno controle da administração tributária, e de que ela acrescente valor onde for mais adequado. As lideranças também teriam condições de criar valor para os investidores, demonstrando serem adeptas de uma política tributária enérgica, sustentável e responsável. Isto caracteriza uma empresa poderosa, competitiva em termos fiscais, bem controlada e que obedece às regras atributos de valor em um mundo com muitas incertezas. Brasil No Brasil, o panorama tributário sugere otimismo ao investidor estrangeiro. Há condições para que o país obtenha o Investment Grade das agências internacionais de classificação de risco em 2008 ou O alinhamento à tendência mundial de unificação de normas e procedimentos contábeis, somado ao maior rigor das autoridades fiscais nas exigências às empresas de transparência tributária, ao combate à sonegação e, de conjunto, às boas práticas de governança corporativa na área tributária, contribuem para este otimismo. Recentes desdobramentos, e importantes para esta análise, são os aspectos tributários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que Diogo Ruiz 03

7 o Governo Federal anunciou no início de Apesar de ser um programa muito mais voltado à atração de investimentos em infra-estrutura, o PAC contém avanços em termos de desoneração. Entre os avanços, podemos destacar o apoio ao desenvolvimento tecnológico da indústria de semicondutores, o desenvolvimento e fabricação de equipamentos de transmissores de sinais por radiofreqüência para televisão digital, a construção civil e novos projetos para produção de energia. São iniciativas setoriais, mas que, igualmente, contribuem para o cenário otimista. Para viabilizar as Parcerias Público Privadas (PPPs) como alavanca para um novo ciclo de investimentos em infra-estrutura, seria importante avançar mais na desoneração tributária dessas obras. Na realização de uma obra pública, como uma ferrovia, o Estado conta com isenção tributária na compra de produtos e equipamentos, o que não acontece com as PPPs, apesar de elas constituírem uma iniciativa específica de realização das mesmas obras públicas. Os governos federal, estaduais e municipais poderiam avançar nesse tema, aplicando às PPPs os mecanismos semelhantes aos que empregou no PAC ou para desonerar a cadeia produtiva da construção nas obras contratadas diretamente pelo Estado. da Previdência Social (MPS), reduz a superposição de tarefas na máquina pública, o que diminui gastos e aumenta a eficiência do poder público. Para complementar a composição de um quadro tributário otimista para o Brasil, mencionamos a entrada em vigor da súmula vinculante. Ao unificar decisões, muitas delas no campo tributário, a súmula deverá acelerar consideravelmente o prazo de julgamento dos processos judiciais, o que vai melhorar muito a imagem do Judiciário, cuja lentidão tem sido um elemento de oposição aos investimentos estrangeiros. Empresas líderes são aquelas dispostas a obter benefícios do processo de mudança, que incluem defesa sólida contra investidas tributárias agressivas e melhor planejamento dos negócios, especialmente na gestão da cadeia de suprimento. Em vez de aguardar que a crise aconteça, pode-se evitála, utilizando adequadamente a governança tributária e corporativa. Esta é uma questão global capaz de estabelecer novos parâmetros de transparência tributária no mundo todo. Exigências globais por maior transparência tributária impõem às empresas novos desafios A criação da Super Receita, aprovada pelo Congresso em fevereiro a partir da unificação entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério Diogo Ruiz é sócio da KPMG no Brasil responsável pela área de TAX 04 Diogo Ruiz

8 Inovação no IR Sergio Schuindt É verdade que o PAC aporta desonerações tributárias parciais (além de restritas aos tributos federais), notadamente para os segmentos de semicondutores e de TV digital. Mas vale a pena abordar um item dessa desoneração, que representa uma novidade importante para o cenário tributário brasileiro. Trata-se da isenção de até 100% para o Imposto de Renda dos setores de TV digital e de semicondutores. É a primeira vez que o Poder Público adota uma iniciativa desse porte desde o final dos anos 80, quando desapareceu a isenção de até 100% do IR para as empresas exportadoras. Essa medida, por sua vez, poderá sinalizar que as isenções do IR poderão ser estendidas a outros segmentos, ainda neste governo. FIN-48 Quando se aborda o panorama tributário brasileiro para este ano, é, também, importante fazer uma menção à Financial Interpretation 48, ou FIN-48, que passa a vigorar ainda no primeiro semestre, nos Estados Unidos. De acordo com a FIN-48, todas as subsidiárias mundiais de empresas com ações listadas em bolsas norte-americanas, deverão preencher um questionário sobre os riscos tributários a que estão sujeitas nos países onde operam. a que as subsidiárias de empresas estrangeiras no exterior estão sujeitas, caso desrespeitem as legislações tributárias dos distintos países. O espírito da FIN-48 está sintonizado com as exigências mais rígidas que as autoridades dos EUA vêm adotando em relação à transparência e à governança corporativa, desde o ciclo de escândalos envolvendo grandes empresas baseadas naquele país, nas duas últimas décadas. O centro dessas exigências, claro, é a Lei Sarbanes-Oxley. O problema é que o cronograma apertado de implantação da FIN-48 gerou muitas reclamações por parte das empresas. E a expectativa generalizada no mercado era de que o Poder Público norte-americano acolherias as solicitações, de uma prorrogação dos prazos para que a FIN-48 entrasse em vigor. Ocorre que isso não foi aceito e as empresas já terão que preparar o relatório sobre o primeiro trimestre deste ano. Isso deverá representar um desafio importante para as centenas de subsidiárias de empresas norte-americanas que atuam no Brasil. Sergio Schuindt é sócio da KPMG no Brasil na área de Consultoria Tributária O formulário é detalhado e inclui esclarecimentos sobre temas como o transfer pricing e sobre as penalidades Sérgio Schuindt 05

9 O PAC e o investidor estrangeiro Roberto Haddad As medidas incluídas no PAC podem vir a desempenhar um papel de destaque para uma maior atração de investimentos estrangeiros ao Brasil. Muito mais pelo movimento de investimento em infra-estrutura do que pelas medidas de desoneração tributária. Esse movimento é de extrema importância para o país incrementar suas chances de obter a classificação Investment Grade das agências internacionais. Tal classificação é um divisor de águas para um país entrar definitivamente em uma escala relevante de crescimento e desenvolvimento. Isso porque o Investment Grade funciona como uma recomendação de conforto e segurança para os investidores estrangeiros que gostariam de investir em um determinado país, mas temem pela instabilidade e imprevisibilidade do ambiente geral de negócios. A expectativa do Governo Federal e de grande parte do mercado é que o país obtenha o Investment Grade entre 2008 e No entanto, mesmo tendo o país avançado em termos de estabilidade e previsibilidade econômica, sabe-se que tal classificação depende de outros fatores, como a infraestrutura. Os riscos na área de energia, por exemplo, são um obstáculo na obtenção dessa classificação, a qual provavelmente não será concedida enquanto o país não provar que os apagões serão apagados da realidade brasileira. É preciso provar, ainda, que os executivos podem ir ao aeroporto e conseguirão chegar aos seus destinos pontualmente. O mundo dos negócios não pode ser afetado por questões de infra-estrutura básica.

10 É claro que a robustez da infraestrutura nacional, em conseqüência das medidas previstas pelo PAC, não será atingida até 2008 ou 2009, uma vez que se trata de plano de longo prazo. Mesmo assim, o movimento foi positivo e demonstra boa postura e visão do Governo Federal. É notório que isso não é suficiente ou determinante para o crescimento do país, tendo em vista, principalmente, a elevadíssima carga tributária, a falta de planos para redução dos gastos públicos e a insistente burocracia que impera no Brasil e atravanca tanto o empreendimento, como a criatividade e o ambiente dos negócios. Tais questões limitam o país e o afastam dos seus principais competidores internacionais. Dentro do grupo chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), economias mais fortes entre os países em desenvolvimento, vemos especialmente a China e a Índia crescendo a taxas surpreendentes, mesmo tendo contra si certas condicionantes políticas e sociais mais frágeis que o Brasil. Nesse contexto, o Brasil precisa se superar e tornar-se um destino natural dos investimentos estrangeiros. E, para isso, precisa criar um cenário adequado, com padrões dentro das exigências internacionais. No que se refere à área tributária, o PAC foi tímido porque se restringiu a determinados setores como os segmentos de semicondutores e TV digital. São setores importantes para o desenvolvimento tecnológico do país, de modo a agregar valor dentro do Brasil, buscando criar e vender inteligência e evitando deixar o país somente com a atuação de destaque em commodities e produtos de pouco ou nenhum valor agregado. No entanto, isso é muito pouco e o país precisa de macro-mudanças tributárias, envolvendo a economia como um todo e incentivando os investimentos de médio e longo prazo. As principais desonerações do PAC, entre aquelas que podem ser quantificadas, referem-se à postergação de impostos e contribuições; não à eliminação definitiva. Ainda precisamos de uma reforma tributária ampla, que, além de reduzir a carga tributária, simplifique a burocracia do sistema e facilite e incentive a geração de novos negócios e empregos. Nesse sentido, é importante deixar claro que o PAC não se trata de um plano de reforma ou desoneração tributária, mas de investimento em infra-estrutura. O eixo do PAC é assegurar a realização de importantes obras em infraestrutura, capazes de funcionar como um grande estímulo para uma nova onda de investimentos privados. A iniciativa é boa e falta agora a efetiva implementação do plano, que depende não somente dos investimentos do governo ou das empresas estatais, mas, também, da aceitação e atratividade para o mercado privado nacional e internacional. Roberto Haddad é sócio KPMG no Brasil na área de Internacional Tax O Brasil precisa se superar e tornar-se um destino natural dos investimentos estrangeiros. E, para isso, precisa criar um cenário adequado, com padrões dentro das exigências internacionais Crédito de foto Roberto Haddad 07

11 O PAC e os impostos indiretos Roberto Cunha O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo Governo Federal, é positivo para os setores produtivos porque reduz a incidência de tributos federais. Mas ele é insuficiente diante das necessidades de crescimento econômico do país e se aplica predominantemente aos impostos indiretos federais (IPI, Cofins e PIS). Na verdade, o governo agora jogou o problema para os governadores e prefeitos, ao sugerir a instituição de PACs estaduais (com a redução do ICMS) e municipais (ISS). Isso, sim, seria o embrião de uma reforma tributária, que, no entanto, não parece próxima no horizonte. O eixo da ação tributária do PAC é desonerar as cadeias produtivas vinculadas às obras de infra-estrutura, que são vistas como um potencial motor de um novo ciclo de crescimento econômico. Uma análise cuidadosa revela que o plano terá, de fato, impacto sobre as grandes obras, já que os impostos indiretos pesam muito sobre os custos finais. Até porque haverá um efeito no preço desses produtos; isso reduzirá o custo do financiamento das obras. Calculamos que os impostos indiretos sobre produtos, na execução de uma obra, sejam, hoje, da ordem de 44,33%. Sob a vigência do PAC, a carga cairá a 21,95%. Apesar do efeito positivo da ação tributária do PAC, que mostra um bom caminho a seguir, ele não deverá ter qualquer influência sobre problemas

12 graves, como a guerra tributária entre os estados. Nossa carga de tributos é muito alta; os impostos indiretos representam entre 35% e 40% do preço de uma significativa gama de produtos brasileiros. A alíquota do ICMS sobre os insumos de uma obra, como o cimento, é de 18%. Ou seja, esse tributo estadual, sozinho, representa quase 50% do total. E não há sinais de que os governos estaduais abrirão mão de receitas em um futuro próximo. Até porque a redução voluntária da receita tributária não pode ser vista de forma isolada. Ela tem de ser acompanhada por mudanças na gestão dos recursos. E isso é mais difícil. SPED e NF eletrônica Além do PAC, outra novidade no panorama tributário brasileiro é o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), uma iniciativa do Governo Federal. O SPED atribui a todos os contribuintes uma codificação contábil comum. Os dados poderão ser passados a todas as entidades interessadas, como a Secretaria da Receita Federal, as Secretarias Estaduais de Fazenda, o Banco Central e a CVM, entre outras, assegurando maior transparência nos processos. Federal. Com isso, o Fisco mantém um controle em tempo real na emissão, transporte e chegada. Para as empresas, sem dúvida haverá uma redução da burocracia, da papelada, tendo como contrapartida a mudança de paradigma e uma excelente política de governança corporativa em matéria tributária. A sociedade, o governo e os contribuintes em geral serão os beneficiários dessa iniciativa pela segurança das informações, já que as fraudes como as tradicionais emissões de Notas Fiscais frias, que não correspondem a qualquer processo comercial deverão praticamente desaparecer. O SPED, é bom lembrar, começou a ser implementado em 2006 e, em 2008, estimase que milhares de empresas já deverão ter aderido a ele. O Sistema foi adotado inicialmente nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Santa Catarina, que se basearam em experiência semelhante e bem sucedida no Chile. A Nota Fiscal eletrônica beneficiará as empresas com a redução da burocracia e da papelada A Nota Fiscal eletrônica faz parte dessa iniciativa. Logo na emissão, os dados são remetidos às Fazendas estaduais, com back up na Receita Roberto Alves Cunha é sócio da KPMG no Brasil na área de Tax Roberto Cunha 09

13 A Índia e o cenário tributário Dharmesh Pandya No último ano, o desenvolvimento econômico mais significativo na Índia foi a criação das Zonas Econômicas Especiais (ZEE), que proporcionam diversos incentivos fiscais, diretos e indiretos, para unidades produtivas que se estabeleçam ali. Isso constitui uma boa oportunidade para as empresas multinacionais que desejarem criar uma base de terceirização na Índia e para as empresas exportadoras indianas. Uma parcela significativa dos investimentos na Índia chega via Ilhas Maurício. Eventos recentes indicam que o governo da Índia está em processo de revisão do acordo entre os dois países, com o objetivo de evitar a bitributação. Essa revisão poderia introduzir no tratado uma cláusula de limitação de benefícios. Caso isso se concretize, e dependendo da natureza das alterações, poderia prejudicar tanto os investimentos que já chegaram à Índia pela rota das Ilhas Maurício, quantos os investimentos que ainda viriam por esse caminho. O governo indiano iniciou um programa de racionalização que pretende convergir os impostos indiretos Na Índia, também se espera uma mudança significativa na área de tributação indireta. O governo iniciou um programa de racionalização de impostos indiretos, com o qual pretende fazer convergir todos eles em um Imposto sobre Mercadorias e Serviços, uniforme. Distribuição de dividendos De outra parte, as empresas norteamericanas que têm subsidiárias na Índia, geralmente ignoram o impacto do Imposto sobre Distribuição de Dividendos (DTT) indiano, que consiste de um imposto pago pelas empresas sobre os dividendos declarados ou

14 distribuídos. Embora não haja outra retenção para o acionista recebedor após o imposto ter sido pago, esse imposto pode se transformar em um custo significativo para a controladora norte-americana se a Receita Federal da Índia determinar que ele não será transformado em crédito. Atualmente, muitas empresas norteamericanas defendem a posição de que esse imposto pode ser transformado em crédito, uma vez que faz parte do imposto de renda corporativo indiano, mais abrangente. Entretanto, aguardam a orientação formal do Ministério da Fazenda dos Estados Unidos sobre essa questão. Alguns dos erros mais comuns cometidos pelas empresas internacionais ao estabelecerem operações na Índia, referem-se a estruturas de capital inadequadas, que tornam o imposto sobre repatriação ineficaz e as redes de distribuição, inapropriadas. Freqüentemente, as empresas não atentam para o impacto dos impostos indiretos sobre as suas operações, especialmente se estiverem estabelecendo atividades manufatureiras na Índia. O preço de transferência (transfer pricing) é outro ponto que vem chamando a atenção na Índia, nos últimos meses. Levando-se em consideração que os regulamentos nacionais sobre o tema são muito recentes, a conformidade com as exigências indianas relativas ao preço de transferência pode ser difícil. Isso se deve, principalmente, aos seguintes fatos: Ausência de um conceito de arm s length range na legislação local. Existe um conceito mais restrito de uma média aritmética com uma variação permitida de 5%. Ausência de disposições de porto seguro. Ausência de um mecanismo de acordo antecipado de preços. Ausência de disposições sobre ajustes correlativos. Recusa de tax holiday (isenção temporária de imposto) em caso de um ajuste de preços de transferência. Alto nível de escrutínio para encargos corporativos cruzados, pagamentos de taxas de know-how/royalties etc. O fisco da Índia criou um grupo especializado em conduzir as auditorias de preço de transferência e passou a utilizar dados confidenciais comparáveis para fins de auditoria. As empresas, de outra parte, devem adotar as seguintes medidas para assegurar a conformidade com as exigências indianas sobre preços de transferência: Manter uma documentação sólida, que cumpra com as exigências prescritas e que inclua atualizações anuais. Examinar a política de preços de transferência do grupo e sua aplicação no contexto dos negócios na Índia. Manter os dados transacionais pertinentes, de terceiros, para dar suporte ao preço entre empresas. Monitorar atentamente os indicadores de referência (benchmarks) internos de preço/margem, por exemplo, os preços das vendas domésticas de terceiros em comparação com as partes relacionadas. Manter comprovação de negociações/ discussões conduzidas entre as partes relacionadas para estabelecer o preço de transferência. Atas de reuniões, atas do Conselho, trocas de s, correspondência e listas de preços são úteis no momento das auditorias. Na hipótese de haver encargos corporativos cruzados, taxas de knowhow e royalties, é fundamental gerar uma documentação pertinente que possa comprovar, no momento das auditorias, o benefício, derivado pela entidade indiana, dos pagamentos. O preço de transferência tem alta prioridade na pauta das autoridades fiscais indianas. Nos primeiros dois anos, após a introdução dos regulamentos sobre o tema, houve um aumento na arrecadação de impostos, decorrente de ajustes nos preços de transferência superior a US$ 800 milhões. Em relação a isso, as autoridades fiscais indianas estabeleceram um limite muito baixo para auditoria INR 50 milhões (aproximadamente US$ 1,1 milhão) para os primeiros quatro anos. Esse limite foi triplicado a partir do exercício fiscal de O fisco da Índia também criou um grupo especializado em conduzir as auditorias de preço de transferência e passou a utilizar dados confidenciais comparáveis para fins de auditoria. É Dharmesh Pandya 11

15 bastante comum no país o escrutínio da lucratividade geral, assim como dos preços praticados nas transações, durante o curso das auditorias de preço de transferência. Devido à estrutura indiana de impostos indiretos, em camadas, é importante que as empresas com operações industriais naquele país planejem-se adequadamente para isso, já que a tributação indireta pode afetar significativamente os preços dos produtos. As empresas devem examinar atentamente sua estratégia de planejamento de aquisições e avaliar a sua escolha do local de produção e da rede de distribuição. Recomendase, ainda, que todas explorem a possibilidade de se beneficiar dos novos incentivos proporcionados pelas ZEEs para alavancar suas operações industriais na Índia. Determinados segmentos do setor de serviços atualmente se beneficiam de uma isenção fiscal temporária (tax holiday), de acordo com os Artigo 10A e 10B da Lei de Imposto de Renda indiana. Esses incentivos estão em sua fase final e devem ser extintos em Com o início do novo regime das ZEEs, o desafio será verificar se as unidades hoje beneficiadas pelos artigos 10A/10B serão autorizadas a migrar para as ZEEs. Os benefícios previstos pelo novo regime das ZEEs na Índia são: Unidades estabelecidas em ZEEs: uma área isenta de impostos designada, tratada como território estrangeiro para operações e tarifas comerciais Concessões de imposto de renda: - Isenção de 100% por cinco anos - Isenção de 50% para os cinco anos seguintes - Isenção de 50% para os cinco anos seguintes no que se refere à transferência de lucros para reserva especial Imposto Alternativo Mínimo nãoaplicável A aplicabilidade para unidades recém estabelecidas. Entretanto, não há nenhuma condição de cisão/ reconstrução de negócios/transferência de maquinário prescrita Isenção de direitos aduaneiros para mercadorias trazidas da área de tarifa doméstica para a unidade em ZEE Isenção do imposto sobre serviços para serviços fornecidos a unidades nas ZEEs Isenção de taxa de R&D (pesquisa e desenvolvimento) sobre royalties e taxas de know-how técnico pago por unidades nas ZEEs Para reivindicar os benefícios acima, é necessário atender às condições de qualificação. Dharmesh Pandya é diretor do Centro de Excelência Tributária da KPMG da Índia 12 Dharmesh Pandya

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18 AUTOMOTIVO Uma indústria em transformação Avanço dos veículos bicombustível e dos carros menores, perspectiva de maior market share para as marcas asiáticas e sinais de uma reestruturação global compõem o panorama da indústria automobilística para os próximos anos Charles Krieck, sócio-líder da KPMG no Brasil na área de Industrial Markets A indústria automobilística global está entrando em uma fase de grandes modificações, como indica o 2007 KPMG Global Auto Executive Summary, elaborado a partir de entrevistas com 150 executivos das principais empresas do setor, em todo o mundo. Para Charles Krieck, sócio-líder da KPMG no Brasil na área de Industrial Markets, uma das grandes mudanças referese ao avanço dos motores híbridos, que empregam álcool ou outros biocombustíveis. Essa tendência parece ser duradoura, diz. Krieck também identifica uma tendência de que os carros menores obtenham uma parcela maior do market share em relação aos modelos grandes e luxuosos. Isso está vinculado tanto ao avanço dos biocombustíveis como ao crescimento dos mercados asiáticos, que demandam veículos menores, diz o sócio. As indústrias norte-americanas e européias, que, de acordo com as expectativas dos entrevistados, deverão manter sua participação no mercado, têm forte tradição de investir em veículos maiores e mais caros, explica Krieck. Segundo a pesquisa da KPMG International, 95% dos executivos entrevistados nos Estados Unidos esperam um crescimento do market share dos carros híbridos nos próximos cinco anos, opinião compartilhada por 73% de seus colegas europeus e 76% dos executivos asiáticos. Quando se trata de veículos de baixo custo, 58% dos entrevistados norte-americanos, 89% dos europeus e 70% dos asiáticos afirmam vislumbrar um maior market share para eles no mesmo período. Automotivo 15

19 Critérios de compra do consumidor desde 2004 Muito importante/importante (4-5 em uma escala de 5) A eficiência e qualidade do combustível vêm aumentando em importância para a escolha do cliente desde % 89% 84% 82% 87% 88% 75% 80% 76% 71% 67% 68% 68% Fonte: Momentum 2007 KPMG Global Auto Executive Survey, Eficiência do combustível Qualidade Segurança Preço Estilo e design do veículo A pirâmide se inverte no momento em que os executivos analisam o futuro do mercado de veículos de maior valor agregado. Somente 5% dos questionários respondidos nos EUA, 23% dos europeus e 37% dos asiáticos acreditam em um crescimento do market share das grandes picapes. Já os carros de luxo registrarão uma parcela maior do mercado somente para 37% dos executivos norte-americanos, 57% dos europeus e 35% dos asiáticos. Novos combustíveis O impacto da revolução dos combustíveis sobre a indústria automobilística aparece claramente em outras questões da pesquisa da KPMG. Quando perguntados sobre sua opinião a respeito das principais questões que motivariam os consumidores na hora de comprar um carro novo em um período de cinco anos, 89% dos executivos indicaram a eficiência do combustível como primeira da lista. Em 2005, a margem era de 84% e, no ano anterior, de 77%. Foi a primeira vez, que esse item lidera a lista de respostas desde 1999, quando a KPMG International começou a realizar o levantamento, narra Charles Krieck. É fundamental destacar que esses números revelam enormes perspectivas para o Brasil, que desenvolveu de forma pioneira a tecnologia dos motores a álcool ou bi-combustível e está muito bem posicionado para produzir biocombustíveis, afirma. Em segundo lugar nessa resposta veio a qualidade do produto (apontada por 82% dos executivos), seguida pela segurança (75%). Novos mercados A Ásia, conforme o 2007 KPMG Global Auto Executive Summary, concentra as maiores expectativas de crescimento para o setor automobilístico. 16 Automotivo

20 Expectativa de crescimento das marcas Como em 2005, é esperado que parte do mercado global continue trocando marcas norteamericanas por marcas chinesas e indianas. É esperado que as marcas européias continuem estáveis % 71% 28% 35% 30% 79% 55% 29% 55% 23% 16% Fonte: Momentum 2007 KPMG Global Auto Executive Survey, % Marcas norte-americanas Marcas européias 11% 2% Marcas chinesas 5% Marcas indianas Outras marcas asiáticas Aumentar Permanecer o mesmo Diminuir De acordo com 79% dos executivos participantes da pesquisa, o mercado chinês irá se expandir em prazo de cinco anos. Já o mercado indiano experimentará crescimento segundo 55% dos executivos, a mesma margem dos que prevêem avanço em outros países asiáticos. O levantamento da KPMG revela que 71% daqueles que responderam apontam perspectivas de retração no mercado norte-americano e 35%, para os mercados europeus. Um ponto importante é que o setor automotivo não vê mais China, Índia ou Vietnã como áreas promissoras apenas por conta do crescimento da demanda interna devido ao maior poder aquisitivo de parcelas significativas da população, mas, sim, principalmente, por conta do custo baixo da mão de obra, comenta Krieck. Segundo a pesquisa, 35%dos executivos vêem o mercado consumidor interno como principal motivo para investir na China, enquanto 40% priorizam a redução de custos. Reestruturação do setor O trabalho da KPMG International conclui que o setor automotivo marcha para um novo processo de reestruturação, que desta vez não deverá ser caracterizado por fusões e aquisições, como ocorreu na década de 90. Mas, sim, por uma multiplicidade de estratégias destinadas a reduzir custos e, assim, enfrentar em melhores condições uma concorrência internacional a cada dia mais feroz. Para 66% dos executivos entrevistados, as melhores oportunidades de diminuição de cuwstos estão nas inovações dos processos produtivos. Em seguida, vêm as inovações nos materiais utilizados (61%) e a terceirização, também com 61% das indicações. Automotivo 17

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