ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA EXPLORAÇÃO DE PINUS RESINÍFERO EM PEQUENOS MÓDULOS RURAIS.

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1 Curso de Especialização em Agribusiness BANCO DO BRASIL - SOROCABA PROGRAMA DE ESTUDOS DOS NEGÓCIOS DO SISTEMA AGROINDUSTRIAL Fundação Instituto de Administração - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - Universidade de São Paulo ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA EXPLORAÇÃO DE PINUS RESINÍFERO EM PEQUENOS MÓDULOS RURAIS. Participantes: Generci Assis Neves Carlos Alberto Martins Jorge Miyasava Adelson Francisco de Moura Orientador: Prof. Sérgio Luiz Lepesch Sorocaba São Paulo 2.001

2 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO USP Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade FEA Fundação Instituto de Administração FIA MBA de especialização em Agribusiness ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA EXPLORAÇÃO DE PINUS RESINÍFERO EM PEQUENOS MÓDULOS RURAIS. Participantes: Generci Assis Neves Carlos Alberto Martins Jorge Miyasava Adelson Francisco de Moura Orientador: Prof. Sérgio Luiz Lepesch Monografia apresentada ao PENSA - Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (USP), como requisito parcial para obtenção do Certificado de Especialização em Agribusiness / MBA. Sorocaba São Paulo 2.001

3 Planejamento, diz respeito não as decisões futuras, mas a impactos futuros de decisões presente. Peter Drucker

4 S U M Á R I O LISTA DE QUADROS x LISTA DE FIGURAS E TABELAS xi RESUMO xii 1. INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA Madeira de Pinus Resinagem Pinus resinífero Espécies existentes Origem das espécies Espécies no Brasil Qualidade da goma resina No campo Na indústria Fatores interferentes na produtividade da goma resina Fatores intrínsecos Fatores externos Condução da extração, em campo Composição da goma resina Breu Terebintina Manejo florestal, com resinagem Condução e desbastes Efeitos da resinagem Aspectos ambientais de florestas resiníferas

5 Fixação do CO Aspectos sociais de florestas resiníferas Aspectos econômicos de florestas resiníferas PROPOSTA DE TRABALHO Justificativas Caracterização da região estudada Modelo proposto Tamanho do módulo Espaçamento e manejo Custo e receita da floresta Custo e receita da floresta resinagem Análise econômico-financeira Métodos utilizados na análise econômico-financeira O Valor do dinheiro no tempo Inflação Taxa de juros Valor Presente Líquido VPL Taxa Interna de Retorno TIR O Valor da Terra VET Relação Benefício/Custo B/C Análise SWOT RESULTADOS E DISCUSSÕES Análise econômico-financeira da resinagem Análise econômico-financeira do módulo proposto Análise SWOT do projeto proposto

6 5. CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES Consórcio com pecuária e outras culturas Ocupação de áreas marginais e/ou degradadas Proteção de matas ciliares Geração de receitas para pequenos produtores Financiamentos Empresas de participação Instituições financeiras ANEXOS CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS GLOSSÁRIO

7 LISTA DE QUADROS 01 Balanço total da demanda e da oferta de madeira no Brasil Projeção de demanda e oferta de madeira para produtos sólidos Modelo I de manejo florestal (Pinus elliottii) Modelo II de manejo florestal (Pinus tropical) Preço médio atual regional, de madeira roliça de Pinus Temperatura média, precipitação e fotoperíodo de Itapeva - SP Modelo de manejo florestal proposto Estimativa do incremento médio anual (IMA) Estimativa de volume de madeira, previsto nos desbastes Estimativa do faturamento (R$./ha), ao abater as árvores Estimativa de faturamento (R$./20 ha), da resinagem Estimativa de faturamento anual (R$./ha/ano), de resinagem Fluxo de caixa mensal, da resinagem apenas Análise econômico-financeira da resinagem Fluxo de caixa anual, do módulo proposto (20 ha) Análise econômico-financeira, do módulo proposto (20 ha) Concorrência e competitividade Análise SWOT i

8 LISTA DE FIGURAS 01 Aplicações do breu Produção mundial de breu Produção mundial de breu vivo - extraído da resinagem Preço histórico da goma resina brasileira Segmentação de um fuste, em função de tipos de utilização industrial Mapa de localização da região estudada Distribuição da área ocupada com Pinus, no Estado de São Paulo Ciclo da vida financeira de uma pessoa LISTA DE TABELAS 01 Estimativa de custo para reflorestar (R$./ha) Estimativa de custo da resinagem (R$/painél/ano) SEGURO Opção no mercado ii

9 RESUMO O setor florestal brasileiro pode se constituir em um dos mecanismos capazes de auxiliar no desenvolvimento da economia, na medida em que permite um melhor aproveitamento de terras, mesmo aquelas ociosas, sub-utilizadas ou degradadas e utilização de parte da mão de obra que se encontra desempregada. Pode ainda ser uma atividade que, dentro de uma política florestal adequada, contribua para o abastecimento de matérias primas, reduzindo a pressão de desmatamento sobre as matas nativas ainda existentes. A resinagem, uma das explorações economicamente importantes em florestas de Pinus spp., tem demonstrado a capacidade de aumentar a renda da atividade, que até pouco tempo ficava restrita à exploração da madeira. O cultivo de florestas de Pinus spp. tem se mostrado também uma atividade adequada para pequenas propriedades, podendo ser consorciado com outras culturas ou com gado de corte, otimizando-se a utilização do terreno. Assim, em pequenas propriedades pode-se aproveitar a mão de obra familiar, contribuindo para aumentar a renda das famílias rurais, evitando que estas migrem para as cidades em busca de outras oportunidades. O objetivo do trabalho foi o de analisar a viabilidade econômico-financeira da exploração da goma resina, juntamente com a produção de toras para indústrias de serraria e laminação, através da implantação de florestas em pequenos módulos rurais, a partir de 20,00 hectares. Para tanto, além de uma revisão sobre a exploração da floresta de Pinus, fez-se também um estudo detalhado da Região de Itapeva, no Sudoeste do Estado de São Paulo, para a qual se propõe a exploração de florestas de Pinus em pequenos módulos, adequados aos pequenos produtores rurais. iii

10 1. INTRODUÇÃO: O setor florestal brasileiro, com a importância que tem na produção, na arrecadação, nas exportações e no pagamento de salários, pode ser um dos instrumentos necessários para impulsionar o desenvolvimento da economia, podendo absorver grande parte da mão-de-obra ociosa e desqualificada, gerada pelo progresso tecnológico que tem contribuído para o aumento do desemprego, como é o caso da agricultura moderna que vem expulsando os trabalhadores do campo. Desta forma o setor florestal pode, com o seu crescimento, absorver parte dessa mão-de-obra, pois, a atividade, mesmo em áreas acidentadas, tem se mantido viável. O desenvolvimento econômico com base no desenvolvimento florestal é uma alternativa concreta que vem sendo discutida e proposta desde a década de 1950 pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) da Organização das Nações Unidas (ONU), principalmente para o crescimento da economia dos países em desenvolvimento. Embora tenha acontecido nos países escandinavos e no Canadá; nos países do terceiro mundo, essa possibilidade não tem sido verificada. Isso se deve à falta de uma política adequada de manejo florestal, de industrialização, de gestão e de valorização dos produtos florestais, que vise agregar valor a esses produtos (PALO, 1988; citado por VALVERDE, 2000). Como se vê, o setor de reflorestamento vem ganhando importância em razão do grande potencial gerador de emprego e renda, não somente como incentivou o Governo através de programas de Incentivos Fiscais para o reflorestamento, nos moldes da lei 5.106, de 26 de setembro de 1966 e suas alterações subseqüentes, mas por um novo modelo que venha incentivar e orientar investimentos pulverizados, na implantação de pequenas áreas de florestas em propriedades de pequeno porte, através de programas de fomento. Na região Sudoeste de São Paulo, pelas características climáticas, o gênero pinus foi o que mais se destacou, sendo a mais importante essência indicada para reflorestamentos em pequenas áreas, não só pela grande capacidade de desenvolvimento, mas também pela possibilidade do seu aproveitamento na extração da goma resina, que se constitui num produto importante do setor florestal. FAO (1993), inclui a goma resina nos estudos sobre produtos madeireiros da floresta. A resinagem é uma atividade que consiste na extração de goma resina, em árvores vivas do gênero pinus. É considerada por muitos como uma forma de antecipar receitas de 1

11 uma floresta implantada com outros objetivos, que não a produção da goma resina. Além disso, gera empregos diretos e contribui para a fixação do homem no meio rural. A goma resina de Pinus já era utilizada, segundo HOMA (1983), desde o Egito antigo, com fins religiosos e para a mumificação de corpos. Ela foi também muito utilizada, desde a época colonial norte-americana, na construção naval, com o objetivo de calafetar peças de madeira (GURGEL, 1972), que eram usadas nos barcos da Marinha Real Inglesa. Hoje, a goma resina de Pinus, tem sido utilizada na obtenção de breu (fase sólida) e terebintina (fase liquida), com grande importância nas indústrias de tintas e vernizes, cola para papel, borrachas e adesivos, entre outros. No Brasil, a extração de goma resina é uma atividade relativamente recente, tendo iniciado a partir da década de 70, em árvores de Pinus elliottii implantadas através de incentivos fiscais nos anos 60 e 70. A grande maioria das florestas, onde se faz resinagem, é ainda oriunda daquela época do incentivo fiscal. Essas árvores foram plantadas em sistema adensado, visando apenas a produção de matéria prima para indústrias de celulose e papel. À medida que foram se desenvolvendo, foram sendo feitos desbastes, deixando-as com espaçamento maior, havendo um maior desenvolvimento do tronco e da copa. Isto viabilizou a extração de goma resina, que apesar de ser uma atividade secundária na floresta, levou o Brasil da condição de importador, para exportador, na década de 80 (ARESB, 2000). Hoje, o País é o 2 o produtor mundial, ao lado da Indonésia e abaixo apenas da China. Segundo ARESB, a produção brasileira de goma resina está estimada em aproximadamente toneladas, para atual safra 00/01. Novas florestas que estão sendo implantadas, da mesma forma vêm utilizando espaçamentos reduzidos, com a agravante que, as grandes empresas de reflorestamento, visando maior mecanização, fazem apenas um corte em toda a floresta ao mesmo tempo. Estas árvores, plantadas apenas com o objetivo de produção de celulose e papel, inviabilizam tanto a extração de goma resina, como a produção de toras para indústrias de serraria e laminação. A falta de reflorestamentos para atender o segmento de serraria e laminação, faz com que matas naturais sejam utilizadas com este objetivo, o que resulta em maior eliminação da cobertura florestal do país. Justifica-se a escolha deste tema, pela importância que o negócio tem para a economia brasileira e em especial para a Região Sudoeste do Estado de São Paulo, pelos seus aspectos sociais e econômicos, pela possibilidade de ser um adequado a pequenas áreas, como 2

12 alternativa às demais atividades, hoje adotadas na geração de renda complementar na agricultura familiar. O presente trabalho tem como objetivo, analisar a viabilidade econômicofinanceira da exploração da goma resina, juntamente com a produção de toras para indústrias de serraria e laminação, através da implantação de florestas em pequenos módulos rurais, a partir de 20,00 hectares. 3

13 2. REVISÃO DE LITERATURA: 2.1. MADEIRA DE PINUS: O gênero Pinus produz madeira de excelente qualidade visual, especialmente quando obtida a partir de árvores de grande diâmetro, desramado artificialmente durante os seus estágios de crescimento. Este fato, associado à possibilidade de grande produção de madeira em curto espaço de tempo, gera interesse em estudar as suas qualidades físicoquímicas e mecânicas que visam determinar suas adequadas utilizações (GARCIA, 1980). O Brasil possui um dos maiores reflorestamentos do mundo em coníferas, o que aliado à riqueza das suas características edafoclimáticas, proporcionam seguramente uma enorme vantagem sobre outras nações produtoras. É notório no entanto que se não houver plantio, não haverá o que colher no futuro, principalmente em se tratando de resinagem e madeiras com diâmetro economicamente viável para produção em serrarias e laminação. num futuro próximo. Os dois quadros abaixo elucidam a real possibilidade de déficit desses produtos BALANÇO TOTAL DA DEMANDA E DA OFERTA DE MADEIRA NO BRASIL (1.000 m 3 ). ANO DEMANDA OFERTA BALANÇO Fonte: SBS (1.999) PROJEÇÃO DE DEMANDA / OFERTA DE MADEIRA PARA PRODUTOS SÓLIDOS (1.000 m 3 ). ANO DEMANDA OFERTA BALANÇO Fonte: SBS (1.999) 4

14 (SILVA, 1995) cita que, no setor de produtos sólidos derivados da madeira, que requer uma matéria-prima mais refinada, com diâmetros mais avantajados e por se tratar de matéria prima que demande mais tempo para ser produzida, certamente esse será um dos setores mais atingidos. Conforme quadros acima, fonte da SBS - Sociedade Brasileira de Silvicultura, até o ano de 2.010, o déficit de madeira para esse setor (madeira serrada, laminações, moveleira, etc) atingiria a marca de 271 milhões de metros cúbicos RESINAGEM: Pinus resinífero: Sabe-se que as árvores se distribuem, no globo em folhosas e coníferas ou resinosas, mas nem todas são possíveis de serem exploradas economicamente (GARRIDO et al..,1998) Espécies existentes: Entre as inúmeras espécies existentes, em várias partes do mundo, apenas as do gênero pinus são verdadeiramente produtoras de goma resina, ainda que a produção varie dentro desse gênero, de espécie para espécie. Cita BERZAGHI (1972), que o volume de goma resina e produtos dela obtidos, consumido pelo mercado mundial, são produzidos apenas por 5 espécies principais; P. elliottii var. elliottii, P. caribaea Morelet (englobando as variedades caribaea, hondurensis e bahamensis), P. palustris, P. pinaster e P. sylustris, sendo a primeira a maior produtora Origem das espécies: Pinus elliottii Eagelm E.E.U.U. Slash pine, yellow slash, swamppine, hill pine. A espécie mais cultivada no Brasil, nos E.E.U.U., é tida como a espécie mais importante, oferecendo a mais alta produção de goma resina. Pinus caribaea Morelet Cresce na América Central e no Brasil é conhecida como pinus tropicais. Sendo cultivada em climas mais quentes, como o triângulo mineiro. 5

15 Pinus pallustris Muller E.E.U.U. Souterm Yellow pine - hard pine - longstrow pine - longleaf pine. Nos E.E.U.U. é cultivada principalmente na área que abrange desde as Carolinas até o Texas. Pinus pinaster Ait Espécie Européia, denominado pinheiro marítimo. Desenvolve principalmente em solos arenosos. Pinus sylvestris Cresce na Europa, principalmente na França, Espanha e Portugal. Explorado na Finlândia, Turquia, Rússia, Alemanha e outros países da Europa Espécies no Brasil: Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, com clima mais ameno, a espécie mais plantada é o Pinus elliottii var. elliottii que coincidentemente é uma das mais produtoras de goma resina. Em outras regiões mais quentes, recentemente começou a explorar goma resina do pinus tropicais destacando-se o Pinus caribaea var. bahamensis e o Pinus caribaea var. hondurensis. (GARRIDO et all, 1987) Qualidade da goma resina: A qualidade da goma resina varia conforme as espécies, tanto em sua forma de extração, como em sua composição física e química No campo: A goma resina do Pinus elliottii não oxida no painel, enquanto a goma resina do pinus tropical oxida nos painéis, dificultando sua coleta. ORLANDINI, (2.000) Na indústria: A goma resina do Pinus elliottii é composta de 68% de breu, 17% de terebintina, 10% de umidade e 5% de impurezas sólidas e água das chuvas, enquanto que a goma resina do pinus tropical possui 68% de breu e de 4 a 9% apenas de terebintina (ORLANDINI, 2.000). ASSUNÇÃO (1973), cita que a qualidade do breu obtido da goma resina de Pinus oocarpa não é muito boa, devido ao seu alto teor de materiais insaponificáveis. A 6

16 goma resina de Pinus pátula foi a que forneceu breu de pior qualidade, pelo teor de insaponificáveis enormemente alto. O breu obtido da goma resina do Pinus insalubris, por sua vez, foi o que apresentou melhores valores para número de saponificação, número de acidez, teor de insaponificáveis, cor e ponto de amolecimento. A goma resina obtida do Pinus pátula forneceu terebintina de pior qualidade, devido ao baixo teor de alfa e beta-pineno nela existentes. No entanto o autor afirma que as gomas resina de Pinus elliottii e Pinus caribaea, produziram derivados com qualidade razoável para uma exploração comercial Fatores interferentes na produtividade da goma resina: Os fatores que influenciam a produção de goma resina podem ser divididos em duas classes: fatores intrínsecos e fatores físicos ou externos (BRITO; BARRICHELO, 1978) Fatores intrínsecos: São fatores determinantes para a implantação do projeto de reflorestamento: A escolha da espécie, sua procedência e constituição genética são determinantes básicas, como salientado anteriormente, pois existem espécies com maior potencial que outras, para a produção de goma resina. Assim, o Pinus elliottii var elliottii é a que apresenta maior potencial. a. Sanidade da planta: Uma árvore sadia e vigorosa tem tudo para ser uma boa produtora de goma resina. b. Idade da Planta: O desenvolvimento vegetal está ligado ao conceito de idade, e portanto é um componente importante da produção. A resinagem em Pinus elliottii var elliottii, na região de Itapeva, Estado de São Paulo, é realizada em povoamentos com mais de 8 anos de idade. c. Espaçamento: Sabe-se que quanto maior o número de indivíduos em relação a uma determinada área, menor será o seu crescimento em diâmetro e em tamanho de copa das árvores. d. Dimensões da planta: A bibliografia é unânime em afirmar a influência da árvore na produção de goma resina. Demonstram haver relação direta entre a produção de goma resina, a copa e o diâmetro da árvore explorada. Em geral, seleciona-se para resinar, árvores com DAP superior a 16 centímetros. 7

17 GURGEL FILHO e GURGEL GARRIDO (1977), realizando estudos com Pinus elliottii var. elliottii, para verificar a influência do diâmetro e da copa, na produção de goma resina, durante um período de 9 meses, concluíram que o DAP influencia na quantidade de goma resina produzida na ordem de 11 %, segundo o coeficiente de determinação obtido. GURGEL FILHO et al. (1967), estudando a produção de goma resina, de acordo com o diâmetro, em árvores de Pinus elliottii, constataram que a cada 1 cm de acréscimo no DAP, correspondeu um aumento de 10,54 gramas na produção de goma resina, por planta e por estria Fatores externos: Também chamados de fatores físicos, estão relacionados com o sistema operacional. A produção de goma resina é influenciada pela qualidade dos serviços praticados, iniciados a partir da escolha da árvore a ser resinada. Pode-se chamar de artesanal, a arte em resinar, pois é dependente da mão de obra e os funcionários que trabalham nesta atividade, devem ser bem preparados e motivados, para executar com carinho, as operações nas árvores resinadas. O principal problema detectado, à nível de campo, é o vazamento lateral da goma resina, que não chega a cair diretamente no recipiente (saco) que deve acondicionar a goma resina produzida. Quer seja pelo mau direcionamento das estrias, vazamento pela má colocação do saco plástico ou mesmo quando esse saco plástico estoura em sua solda ou deprecia pelo tempo de uso Condução da extração, em campo: Sabe-se que a goma resina encontra-se sob pressão no lenho dos pinheiros, dentro de canais resiníferos verticais e horizontais. GRAÇA (1984), citado por GARRIDO et al. (1998) descreve que a atividade resineira, no princípio, consistia no corte da casca e do lenho, de maneira a expor os canais resiníferos e permitir o fluxo da goma resina. Como o processo antigo era muito dispendioso em termos de mão de obra, ensaiaram vários produtos, para manter o fluxo de resina, sem ser necessário fazer estrias tão freqüentes. Atualmente, para destruir as paredes celulósicas dos canais resiníferos e permitir a livre exsudação da goma resina, faz-se a operação de estria, que consiste na remoção periódica (aproximadamente 15 dias), de parte da casca da árvore (aproximadamente 2 cm de 8

18 altura), e em seguida são aplicados junto à linha de contato da casca com o lenho, cerca de 2 gramas de pasta estimulante à base de H 2 SO 4. Para acondicionar essa goma resina que exsuda da árvore, fixa-se na base da árvore, saco plástico (35x25x0,20), com arame (material removível). Quando cheio de goma resina, retira-se em latas de 20 litros e acondiciona em tambores metálicos de 200 quilos para transporte até as indústrias de breu e terebintina, ou mesmo para exportação in natura. Durante uma safra de resinagem (9 meses) faz-se em média 18 a 20 estrias com altura média de 2 cm e largura aproximada de 20 cm, determinando um painel de aproximadamente 800 cm 2. Assim, determina-se a longevidade da atividade na árvore, que economicamente torna-se viável, durante aproximadamente 16 anos. O painel (largura e altura) explorado durante a safra, é fator determinante da produção anual, porém, sabe-se que tecnicamente na análise dos custos, deve-se usar a unidade/quantidade, em gramas produzidas por área (cm 2 ) explorada na árvore. O rendimento da operação de resinagem é de árvores /homem/safra-ano, segundo CASER (1998) e para a ARESB, o rendimento é de árvores/homem/safraano, realizando todas as etapas, com retorno a cada 14 dias. No período mais frio do ano (junho a agosto), é feita a raspa da goma resina que ficou no tronco resinado e em seguida reinstalam-se os sacos que vão acondicionar a goma resina da próxima safra. No frio, a produção de goma resina diminui e por isso essa operação de instalação de materiais, é realizada nessa época, aproveitando a mão de obra, sem dispensar os trabalhadores, além de permitir um descanso da árvore. Segurança do Trabalho: É de suma importância, sendo considerada atividade INSALUBRE, porque há o envolvimento direto do homem na atividade. Os E.P.I. exigidos pela CIPA, para funcionários que atuam na resinagem são: Na aplicação de pasta estimulante e estrias: o Botas de P.V.C., luvas de P.V.C., aventais plásticos, viseira e capacete. Na coleta da goma resina: o Luvas de P.V.C., botina e capacete. No transporte interno da goma resina: o Sapatos com biqueira de aço, luvas de P.V.C. e capacete. 9

19 Composição da goma resina: A goma resina obtida pela exsudação das árvores de pinus, é uma mistura de hidrocarbonetos de cadeia longa, compostos por vários ácidos resínicos, tendo como principal deles, o ácido abiético, que após destilação, torna-se a parte sólida, chamado breu e a parte volátil, composta de cíclicos aromáticos, chamada terebintina Breu: Partindo de citações bíblicas sobre o uso do pinheiro e de sua resina, para calafetar a Arca de Noé ou para impermeabilizar o cesto-berço de Moisés, o breu tem sua história intimamente ligada à construção naval. Navegadores fenícios e ingleses da era vitoriana, independente do tempo que os separam, usaram a goma resina, de modo parecido na calafetação de barcos e na impermeabilização de velas, sendo os ingleses responsáveis pela denominação coletiva de naval stores (suprimentos navais) usada nos países de língua inglesa, até hoje, para denominar os derivados da goma resina. Os grandes volumes de aplicação de breu, na atualidade, são para colas utilizada na fabricação do papel, tintas e vernizes, hot melt, adesivos, borrachas sintéticas; sendo o restante aplicado nas áreas de cosmética, alimentícias, e outras. APLICAÇÕES DO BREU Fonte: Naval Store, % 5% 27% 29% 26% ton Tintas de Impressão ton Cola Papeleira ton Adesivos ton Emulsionantes/Borrachas ton Outros Segmentos *Outros segmentos: dentre eles, cosméticos, sabões, detergentes, e indústrias alimentícias como chicletes. 10

20 Atualmente, a obtenção do breu é decorrente de três modos, sendo dois deles por métodos destrutivos (breu de cepo e breu de tall oil), e o terceiro breu vivo produzido a partir da goma resina extraída de árvores vivas, o qual trata-se do foco deste trabalho. O breu de cepo, ou breu morto, é obtido pelo aproveitamento da base remanescente do corte da floresta, juntamente com as raízes grossas. Método muito antigo, ainda utilizado em parte dos Estados Unidos. Tem custo de extração elevado, justificando-se apenas em áreas de terras de alto valor e que necessitam ser destocadas para serem utilizadas para outra finalidade, razão pela qual ocupa apenas 3% da produção mundial. O breu de tall oil é resultante do aproveitamento obrigatório do resíduo da industrialização da celulose de fibra longa. Esse resíduo, também chamado de lixívia negra, tem grande poder de poluição, devido a lavagem da celulose por solventes, os quais arrastam consigo a goma contida na madeira, no momento do processamento. Como o número de fábricas de celulose e papel de fibra longa é muito grande nos Estados Unidos e norte da Europa (Finlândia, Noruega e Suécia), a quantidade desse breu também é grande, tornando-se forte concorrente ao breu vivo oriundo da resinagem em árvores vivas. A sua participação de mercado, em 33%, é bastante significativa, mesmo com qualidade inferior, devido preço atraente. A extração da goma resina, através do método de resinagem em árvores vivas, em que focamos nosso trabalho, é responsável por 64% da produção mundial de breu, e esse é denominado breu vivo, colofônia, pez ou gum rosin. NAVAL STORE, (2.000). Destaca-se, por ser matéria prima natural, renovável e não poluente. PRODUÇÃO MUNDIAL DE BREU Fonte: Naval Store, % 33% ton BREU de RESINAGEM ton BREU de TALL OIL ton BREU de CEPO 64% 11

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