Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever Tecnologias na Educação

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1 Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever Tecnologias na Educação garotos e letras.pdf 1 1/13/10 3:23 PM Uma parceria EducaRede e Secretaria Municipal de Educação SP

2 PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO Gilberto Kassab Prefeito SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Alexandre Alves Schneider Secretário Iara Glória Areias Prado Secretária Adjunta e responsável pela DOT DOT - Ensino Fundamental e Médio Regina Célia Lico Suzuki Diretora da Divisão Coordenação da Elaboração Equipe SME / DOT/ Área de tecnologias Profº. Carlos Alberto Mendes de Lima Profª. Lia Cristina Lotito Paraventi Profª. Tidú Kagohara Grupo Referência Professores Orientadores de Informática Educativa (POIE) Profª. Alessandra Silva de Alencar Flores Profª. Cícera Alves de Oliveira Profª. Cristina Afonso Mendonça Nunes Profª. Dóris Aguilar Anicelli Profª. Elayne Fernandes Moura Leite Profª. Kelley Carvalho Monteiro de Oliveira Profª. Maria Nazareth Diz Meireles de Assis Profª. Marta Regina Argolo Profª. Paloma Martin Fernandez Profª. Priscila Lange de Oliveira Tonsa Profª. Regina Célia Fortuna Broti Gavassa Profª. Rosane Bernardes Valença Profª. Teresa Fueyo Profº. Wagner Roberto de Castro ( profº de Inglês ) PARCERIA EDUCAREDE Fundação Telefônica Sérgio E. Mindlin (Diretor-Presidente) Andréa Bueno Buoro (Gerente de Projetos) João Mendes Neto (Coordenador de Projetos) Cenpec Centro de Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária Maria Alice Setúbal (Diretora-Presidente) Maria do Carmo Brant de Carvalho (Coordenadora-Geral) Carola Arregui (Assessora de Educação e Tecnologia) Programa EducaRede Priscila Gonsales (coordenação executiva) Mílada T. Gonçalves (coordenação do projeto) Adriana Vieira (formação e edição) Mariana T. Gonçalves (formação) Natália Pacheco (web designer) Heloísa Amaral (consultoria)

3 PREFÁCIO Caro Professor, No ano de 2006, a Diretoria de Orientação Técnica da SME disponibilizou para todos os professores do Ciclo II da Rede Municipal de Ensino o Referencial de Expectativas para o Desenvolvimento da Competência Leitora e Escritora no Ciclo II do Ensino Fundamental. Além de disponibilizar o material, acompanhou todas as ações previstas para implantação e implementação das propostas do Programa Ler e Escrever para Ciclo II - para o ensino regular e EJA. As propostas e conteúdos presentes no Referencial têm como objetivo contribuir para a reflexão e o debate na escola sobre a necessidade de inserir todos os nossos alunos em uma comunidade de leitores e escritores, desenvolvendo, para isso, as habilidades exigidas para o domínio da linguagem escrita. Com o objetivo de dar continuidade a estas reflexões, considerando a importância do uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação na criação de ambientes de aprendizagens, nos processos comunicativos e de produção de conhecimento, temos agora o prazer de apresentar aos Professores Orientadores de Informática Educativa - POIE e demais educadores da rede um novo material: o Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever - Tecnologias na Educação. É fator de orgulho para todos nós que fazemos parte da comunidade da educação municipal que este material tenha sido fruto de uma construção coletiva, do trabalho de um grupo que envolveu a equipe da DOT e professores representantes das treze Coordenadorias de Educação. Também nos honra a colaboração e a assessoria de especialistas do EducaRede. Este grupo participou ativamente de todo o processo de elaboração, desde as reflexões iniciais - passando pela construção de uma proposta prático-metodológica e pela aplicação das atividades, adequando-as à realidade das escolas onde atuam, até a revisão final desta versão que hoje entregamos à Rede. Esperamos que este documento possa constituir-se em recurso útil para a construção de uma metodologia de trabalho a ser desenvolvida nos Laboratórios de Informática e nos demais espaços escolares. Alexandre Alves Schneider Secretário Municipal de Educação

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5 Sumário Uma escrita em muitas mãos...1 A escola na era da comunicação...3 Educação e Internet...5 Leitura e escrita no contexto digital...9 Planejar faz a diferença...12 PROPOSTAS DE ATIVIDADES...15 Animando a imaginação utilizando recursos de animação...16 Artistas digitais criação de desenhos no computador...21 Aviso aos navegantes primeiros passos na Internet...24 Brinco, logo aprendo o uso educativo de jogos eletrônicos...28 Como usar a webcam trabalho em parceria com os alunos...32 Controle de qualidade como avaliar sites para pesquisa...35 Escrita no teclado explorando o processador de textos...39 Gire o mundo num clique navegando pelo Google Earth...43 Hora da conversa bate-papo virtual na escola...48 Janelas abertas facilitando a reescrita de textos...52 Mapas conceituais: representando e organizando o conhecimento...55 para você aprendendo a utilizar o Nas ondas do rádio produção de programa na Web...68 No mundo dos blogs o diário virtual na escola...77 Objetos criam vida na HQ produção no computador...82 Pelas tabelas trabalhando com planilhas eletrônicas...87 Pequenas atividades... Grandes aprendizagens I...92 Pequenas atividades, grandes aprendizagens II...96 Por trás das teclas criação de dicionário virtual Procurar, encontrar, escolher seleção de informação na Internet Quem sou eu elaboração de currículo Relacionando sentidos proposta de trabalho com hiperlinks Tão longe, tão perto intercâmbio virtual de escolas Telejornal digital o aluno como produtor de informação Webinvestigação explorando sites de busca Bibliografia GLOSSÁRIO E TUTORIAIS...130

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7 Uma escrita em muitas mãos Sérgio E. Mindlin 1 A produção do Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever - Tecnologias na Educação faz parte de uma história dentro de várias histórias. Tudo começou em 2002, quando a Fundação Telefônica, uma iniciativa de responsabilidade social do Grupo Telefônica, lançou no Brasil o Programa EducaRede, cujo objetivo é contribuir com a melhoria da qualidade do ensino público do país. Baseado em um portal educativo (www.educarede.org.br), aberto e gratuito, o EducaRede oferece ferramentas interativas e conteúdo qualificado, e realiza ações de formação de professores para o uso pedagógico da Internet em parceria com órgãos públicos de educação. A Secretaria Municipal da Educação de São Paulo foi a primeira parceira da Fundação Telefônica nessa iniciativa, já em 2002, propiciando que 650 educadores, representantes de todas as coordenadorias de educação, participassem das oficinas semipresenciais Internet na Escola. Ainda nesse ano, e durante todo o ano de 2003, escolas municipais paulistas também puderam fazer parte do projeto Aulas Unidas, uma iniciativa internacional do EducaRede que visou o intercâmbio entre alunos e professores de vários estados brasileiros e de países como Argentina, Chile, Peru e Espanha. Em 2004, a parceria ganhou um formato muito especial em um segundo projeto: durante um ano letivo, EducaRede e corpo docente da EMEF Pracinhas da FEB tiveram a oportunidade de atuar conjuntamente e analisar em detalhes o uso da Internet no cotidiano da escola. A experiência foi sistematizada no livro Sala de Informática: uma experiência pedagógica, terceiro volume da Coleção EducaRede. Em 2006, um novo e instigante desafio surgiu: disseminar em toda a rede municipal boas práticas no uso das tecnologias na educação. Por meio de uma comunidade virtual de aprendizagem no EducaRede, educadores e 1 Diretor-Presidente da Fundação Telefônica UMA ESCRITA EM MUITAS MÃOS 1

8 Professores Orientadores de Informática Educativa POIE, representantes das 13 coordenadorias de educação, puderam construir colaborativamente um referencial prático-metodológico que agora se configura neste Caderno. O Caderno representa uma história de muitos personagens, na qual a diversidade criou possibilidades, os saberes circularam, a troca diminuiu distâncias e aproximou realidades com um mesmo objetivo: partir da experiência vivida na escola, refletir sobre a prática, consensuar princípios e, assim, propor caminhos. Ele pretende ajudar a elaborar sugestões de aula para toda a rede, para colegas que compartilham da mesma tarefa cotidiana de desenvolver nos alunos seus potenciais, por meio de atividades que resultem em aprendizagens significativas. Mesmo partindo da história de um grupo seleto, múltiplos cenários foram necessários: momentos presenciais e coletivos, momentos de produção solitária, momentos de troca, discussão e reflexão na Comunidade Virtual, e muito trabalho na Oficina de Criação, ambas ferramentas do Portal EducaRede. Essa é a história de um grupo que nasceu presencialmente e cresceu no meio virtual, um grupo que se constituiu a partir das possibilidades e dedicação individual de cada um de seus membros e que vivenciou, de fato, a potencialidade das ferramentas de comunicação digital na formação de redes de aprendizagem e colaboração. O processo todo durou cerca de três meses. O resultado, uma agradável surpresa revelada nas próximas páginas, apresenta-se na forma de propostas diversificadas para o laboratório de informática. Para a Fundação Telefônica, foi um imenso prazer poder participar da construção deste material através das ferramentas interativas do EducaRede e, sobretudo, compartilhar o referencial teórico documentado na Coleção EducaRede: Internet na Escola, bibliografia básica para o grupo constituído. Que este Caderno sirva de inspiração a todos os educadores envolvidos com o uso das TICs na educação e que tenham muito prazer em utilizá-lo e em aplicar as TICs no seu cotidiano. Quem sabe não será o primeiro de uma série? 2 Tecnologias da Informação e Comunicação 2 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

9 A escola na era da comunicação Tidú Kagohara Lia Cristina Lotito Paraventi Carlos Alberto Mendes de Lima 1 Não há mais como negar que as tecnologias da informação e da comunicação evolucionaram as tradicionais formas de circulação social dos textos verbais e não verbais. Diante disso, demandas são colocadas ao processo ensino e aprendizagem, que envolvem as questões de como utilizar essas diferentes linguagens midiáticas na escola de forma a potencializar a construção de saberes significativos para a atuação dos alunos no mundo hoje. Idéias e concepções educativas são reveladas na organização de espaços e tempos escolares, na disposição de materiais e mobiliários, no acolhimento e socialização dos equipamentos. Da mesma forma, o pensamento sobre o lugar que as tecnologias e as novas linguagens de comunicação ocupam na escola é evidenciado no cotidiano das atividades pedagógicas. Crianças, jovens e adultos são atraídos pelo universo midiático onde diferentes linguagens circulam. A televisão, o rádio, o vídeo, a mídia impressa, imagens, a hipermídia e a Internet podem se constituir em excelentes recursos mobilizadores para o desenvolvimento das competências leitora e escritora e práticas protagonistas. Criar espaços de participação interativa e construção coletiva de projetos com o uso dessas novas formas de linguagem e estabelecer diálogo entre elas é o nosso grande desafio. Nessa perspectiva, a elaboração de um Caderno de Orientações Didáticas voltado para as áreas de tecnologias na educação contribui para o desenvolvimento de ações que articulem o projeto pedagógico, a construção do currículo e a aprendizagem de conteúdos necessários para o manuseio e utilização de ferramentas e recursos tecnológicos, visando à formação de usuários competentes e autônomos. Constituise, portanto, em um referencial prático-metodológico que busca o planejamento, a elaboração do plano de aula, o registro, a avaliação pautada nos objetivos propostos em cada atividade e nas etapas a serem desenvolvidas que considerem o ANTES: o 1 SME/DOT/Equipe de Tecnologia A ESCOLA NA ERA DA COMUNICAÇÃO 3

10 que o aluno já sabe sobre o tema e recursos a serem utilizados, o DURANTE: as ações a serem realizadas que atendam aos objetivos propostos e o DEPOIS: a avaliação das aprendizagens tanto em relação aos conteúdos quanto às habilidades desenvolvidas no manuseio dos recursos tecnológicos. Consideramos este Caderno um referencial e, como tal, não é algo estanque. Pelo contrário, deve imprimir um movimento dinâmico aos fazeres, devendo ser objeto de análise constante, avaliação e reorganização que tenha como objetivo o atendimento de todas as necessidades emergentes dos projetos propostos. Esperamos que você seja nosso parceiro nessa construção e que possamos dar continuidade a esse trabalho desenvolvendo novas formas de comunicação através de comunidades virtuais que expressem a qualidade dos projetos propostos e a competência de todos os atores envolvidos nesse processo. 4 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

11 Educação e Internet Por Equipe EducaRede Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Paulo Freire Uma das frases mais famosas do educador brasileiro Paulo Freire, cujas idéias e propostas revolucionaram a estrutura educacional, enfatiza que o processo de ensinar e aprender pressupõe a existência de encontros. Ou seja, toda prática educacional envolve, necessariamente, relações de comunicação. Trata-se de um pressuposto que antecede a existência da Internet ou de qualquer outra tecnologia. É atributo humano produzir e transmitir conhecimento com autonomia. As mudanças de estrutura e funcionamento da sociedade desencadeadas pelas inovações das tecnologias de informação e comunicação (TICs 1 ) podem oferecer elementos para enriquecer esse encontro fundamental entre quem aprende e quem ensina. Se utilizados pedagogicamente, ambientes e recursos on line 2 possibilitam que a atividade reflexiva, a atitude crítica, a capacidade decisória e a conquista da autonomia sejam práticas sempre privilegiadas. Atualmente, a escola, em sua função social, passa a incorporar a demanda da inclusão digital. Responsável pela transmissão sistematizada dos conhecimentos, agora cabe a ela também favorecer o acesso e a apropriação de códigos e linguagens próprios da era digital, em particular da Internet. O potencial comunicativo da Internet precisa ser explorado, no sentido de fortalecer uma prática pedagógica dialogada, que negocia sentidos, que escuta e dá voz aos atores envolvidos no processo, criando oportunidades para o trabalho em rede e para o desenvolvimento da capacidade de cooperar, aprender, acessar e produzir conhecimento. 1 As TICs são Internet, TV, rádio, mídia impressa, celulares e outras. Embora focado no uso da Internet, o Educa- Rede amplia sua reflexão para os demais meios. 2 Estar on line significa estar conectado à Internet realizando alguma operação entre computadores conectados simultaneamente à Rede para trocar informações. EDUCAÇÃO E INTERNET 5

12 O estabelecimento de relações (sejam pessoais ou cognitivas) é parte fundamental no processo de ensino e aprendizagem e a Internet, por suas características, potencializa isso. Aprender em rede supõe um paradigma educativo oposto ao paradigma individualista, hoje dominante. Educação em rede supõe conectividade, companheirismo, solidariedade. (GOMEZ 2004:14) A Internet semeia novas possibilidades educacionais, novos processos, novas estruturas que estimulam, provocam e facilitam a colaboração. Nela os saberes individuais são valorizados e contribuem para a construção, que é do grupo. Ensinar e aprender em meio digital: ganhos e desafios Uma ação educacional pode ser perfeitamente consistente em seus objetivos e metodologias sem utilizar nenhum recurso tecnológico digital. Porém, ao incorporar uma ou mais etapas de trabalho a distância, em meio virtual, precisa, necessariamente, abranger em seu planejamento o desenvolvimento de aprendizagens no âmbito do letramento digital. A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para a qualidade do ensino. A simples presença de novas tecnologias na escola não é, por si só, garantia de maior qualidade da educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na recepção e na memorização de informações. (BRASIL 1998:141) A inserção da Internet no cotidiano escolar é eficiente quando consegue promover atividades que façam sentido para o educador e o aluno, a partir de uma proposta que vai além da sala de aula, integrando outros espaços de aprendizagem que estejam dentro como a sala de Informática ou fora da escola como o museu histórico da cidade, por exemplo. Diante de uma sociedade cada vez mais complexa, que demanda constantemente novas habilidades para aprender a aprender sempre, a Internet potencializa e vai ao encontro de um trabalho por projetos, pois valoriza não apenas o resultado (conteúdo apreendido), mas também o processo educativo vivenciado. O EducaRede, além de privilegiar a interação, as relações interpessoais e a construção colaborativa como princípios educacionais, dedica especial atenção ao trabalho por projetos como ação pedagógica, pois, como se sabe, essa metodologia visa promover aprendizagens a partir de situações reais e concretas que possam despertar o interesse dos alunos. O uso da Internet na educação potencializa o alcance da atividade pedagógica, proporcionando aprendizagens específicas no âmbito do letramento digital que podem 6 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

13 ser sintetizadas em três aspectos: aprender a pesquisar, aprender a publicar conteúdos e aprender a comunicar-se no ambiente digital. Tais aprendizagens potencializam o letramento dos alunos, uma vez que desenvolvem habilidades de leitura e escrita com um sentido social. Pode-se dizer que ao letramento propriamente dito tem-se incorporada uma nova dimensão, que é a do letramento digital. Nem sempre é possível trabalhar os três aspectos concomitantemente, mas, ao fazer uso da Internet, um deles certamente será envolvido. É importante que o professor ofereça aos alunos oportunidades de se familiarizarem com essa nova tecnologia que é a Internet e proponha, a partir desses três aspectos, roteiros de trabalho, orientando diferentes processos de elaboração e construção do conhecimento. Letramento digital: novas práticas letradas Aprender a pesquisar Diante de uma grande quantidade de informações veiculadas na Internet, é preciso formar o leitor para selecioná-las. Que sites trazem informações mais confiáveis, por exemplo, em caso de pesquisa? Quais conteúdos de domínio público podem ser usados sem problemas de direitos autorais? Que locais na rede oferecem informações culturais ou científicas qualificadas? Essas são algumas das questões que podem nortear o trabalho com leitura crítica de conteúdos da Internet, para possibilitar que o aluno desenvolva sua capacidade de seleção de informações. Esse trabalho de pesquisa na Internet envolve processos cognitivos, tais como levantamento de hipóteses, análise, comparação e síntese, além de habilidades para leitura de textos não-lineares, como hipertextos, e aqueles que se articulam também com imagem, áudio e vídeo. EDUCAÇÃO E INTERNET 7

14 Aprender a publicar Uma possibilidade importante na Internet é a facilidade de publicação e difusão de qualquer tipo de conteúdo (texto, imagem, áudio ou vídeo). No meio digital, pode-se publicar a partir de soluções sofisticadas ou simples, como as ferramentas para construção de blogs, voltadas principalmente para o público leigo. Essa característica contribui para o desenvolvimento de projetos pedagógicos em que professores e alunos produzam trabalhos que os qualifiquem como autores, e não como meros consumidores de informação. Contudo, a publicação de conteúdos na Internet escapa à avaliação e ao controle de qualidade. As pessoas podem publicar o que quiserem e deixar disponível para qualquer um ler e decidir individualmente sobre sua qualidade. Para assegurar qualidade no uso educacional desse recurso, é necessário orientar os alunos a planejar o que será divulgado, definir tamanhos e tipos de documentos, a navegação entre eles, num trabalho que envolve produção e edição de informações. É preciso que o aluno tenha algo importante a dizer e a publicar, e que se veja como autor. Aprender a comunicar-se digitalmente Ambientes interativos como fóruns, salas de bate-papo e listas de discussão são os mais populares na Internet. Todos têm a finalidade de colocar grupos de pessoas em comunicação, mas as características de cada um os tornam mais adequados a este ou àquele tipo de uso. Do ponto de vista da educação, representam uma oportunidade para os professores trabalharem com seus alunos as habilidades de comunicação e expressão e suas particularidades no meio digital. Além disso, possibilitam a realização de trabalhos colaborativos, intercâmbios, debates, grupos de estudos, entrevistas etc. 8 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

15 Leitura e escrita no contexto digital 1 O acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação, sobretudo à Internet, é hoje imprescindível para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Não se trata somente de mudar de caneta tinteiro para esferográfica, como aconteceu no passado, ou trocar o teclado da máquina de escrever pelo do computador. Trata-se de ter acesso a uma grande quantidade de informações e de oportunidades de comunicação, sem as quais fica difícil formar o cidadão contemporâneo. Como em outros espaços letrados, o leitor/escritor do mundo digital necessita desenvolver competências leitoras e escritoras específicas, significativas nessa forma de comunicação. No caso da leitura, por exemplo, o hipertexto, que é uma característica fundamental da Internet, exige do leitor maior habilidade de antecipação do tema ou idéia principal a partir de elementos como título e subtítulo, de imagens e saliências gráficas Exige, também, maior facilidade de buscar informações complementares ao texto principal ou de estabelecer rápidas relações entre textos, navegando de um link a outro. Ainda é necessário que o leitor do hipertexto desenvolva maior capacidade para avaliar criticamente as informações encontradas e para saber identificar fontes mais confiáveis entre as inúmeras que a ele se apresentam. A leitura exploratória das imagens fotografias, ilustrações, mapas, gráficos, tabelas, fórmulas matemáticas, esquemas, além das saliências gráficas como estilo, tamanho e cor da fonte e emprego de recursos como itálico, negrito é essencial para o leitor escolher o que ler em função de seus objetivos. (SÃO PAULO, 2006, p ) 1 Texto produzido a partir da entrevista on line, realizada no chat do EducaRede, pelo Grupo de Referência POIEs SME-SP com a professora Heloísa Amaral, mestre em Educação e editora da Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro. LEITURA E ESCRITA NO CONTEXTO DIGITAL 9

16 No caso da escrita, há dois aspectos importantes a se levar em conta, relacionados com as novas condições em que ela é produzida. A reflexão sobre essas questões deve considerar as diferenças entre a escrita realizada nas comunicações síncronas e nas assíncronas. Síncrona e assíncrona Numa ferramenta de comunicação assíncrona, como Fórum, os participantes não precisam estar conectados ao mesmo tempo para que haja interação. As ferramentas síncronas, como o chat, permitem conversas via Internet em tempo real, ou seja, mensagens escritas são trocadas instantaneamente. Nas comunicações síncronas, as novas condições de produção de texto impõem configurações próprias à escrita na tela, conhecida como internetês. Essa forma de expressão resumida e condensada resulta diretamente das restrições impostas pelas relações entre aqueles que escrevem e aqueles que lêem no tempo e espaço disponíveis na Internet. A necessidade de resumir o que se escreve, de condensar informações e até de simplificar a ortografia são decorrências dessas relações, que forçam esses procedimentos. Como essas são mudanças velozes, muitos adultos, sobretudo aqueles preocupados com a defesa da língua enquanto sistema fixo de normas e regras, assustam-se com elas. No entanto, se essas comunicações forem consideradas como contingência da língua viva, que possui aspectos que nascem, crescem e morrem como tudo que é vivo, fica mais compreensível aceitar as mudanças contínuas que ela apresenta e trabalhar com elas. Nesse sentido, é importante lembrar que, ao longo de sua história, a humanidade inventou diferentes formas de escrita nos diferentes tempos e espaços. Por exemplo, alguns povos orientais escrevem da direita para esquerda, enquanto nós escrevemos da esquerda para a direita. Há mudanças evidentes pelas quais as línguas vivas passam, como a incorporação de muitas palavras e formas de expressão estrangeiras, resultado das comunicações entre povos em todos os tempos da história. Se analisarmos a origem das palavras que usamos no cotidiano, veremos que elas provêm de diferentes línguas, mortas ou vivas. Além dessas transformações resultantes do contato entre línguas diversas, é importante observar aquelas que ocorrem ao longo do tempo, numa mesma língua. Todo mundo sabe, por exemplo, que farmácia, no início do século passado, escreviase pharmacia, uma mudança entre muitas outras na ortografia portuguesa. 10 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

17 Assim, em vez de condenar a priori as novas formas de comunicação que o uso do computador e da Internet trouxeram, torna-se muito mais educativo compreendêlas e aproveitar os benefícios que delas se pode extrair. No caso da comunicação assíncrona, por exemplo, são evidentes as vantagens: o processo de reflexão e de aprofundamento da escrita pode ser melhorado devido aos recursos de registro do meio digital, tais como facilidade de apagar erros e inconveniências e possibilidade de armazenar o histórico da produção, ações mais difíceis de serem realizadas no papel. Outra vantagem a ser considerada é que a Internet facilita a publicação e distribuição de conteúdos. Qualquer pessoa, com acesso e habilidades básicas no uso do navegador, pode publicar textos, imagens, vídeos e áudios. Essa característica pode estimular a produção de textos por parte dos alunos, na medida em que possibilita a ampla socialização das suas produções. Seu texto não fica mais restrito ao contexto escolar, o que leva o aluno a escrever com maior responsabilidade, considerando a possível compreensão dos inúmeros e diferentes leitores que poderá ter. Diante disso, é papel do professor garantir que o aluno, ao mesmo tempo, possa se comunicar com outros da mesma idade, do mesmo grupo social, desse jeito particular e novo, e compreenda que, para se comunicar mais amplamente, precisa usar as normas da língua oficial. Para tanto, além de possibilitar ocasiões para comunicação síncrona em que a linguagem usada é naturalmente mais informal, é importante também garantir atividades de produção de texto no meio digital que mostrem ao aluno a importância do uso da norma culta para se fazer entender, como numa situação em que ele tenha de escrever um de solicitação para a diretora da escola, ou elaborar um currículo para tentar conseguir um trabalho, ou, ainda, publicar um texto num jornal virtual, por exemplo. Ao planejar suas aulas, o professor, como mediador, precisar considerar as características particulares da leitura e da escrita na Internet. Para que seu trabalho de mediação seja bem-sucedido, é importante que o professor também seja um leitor/ autor familiarizado com o mundo digital. Se ele estiver acostumado apenas a ler no impresso, terá dificuldade em entender o hipertexto e assim ajudar o aluno a se apropriar das possibilidades desse tipo de leitura. Se ele estiver habituado a escrever apenas no papel, não saberá utilizar os recursos disponíveis nos processadores de texto e na busca de informações na Internet que podem e devem sustentar o conteúdo das produções escritas. LEITURA E ESCRITA NO CONTEXTO DIGITAL 11

18 Planejar faz a diferença O planejamento de ensino, baseado no projeto da escola, é um orientador do trabalho desenvolvido pelo professor em sala de aula. Assim como nas demais áreas, as ações do Professor do Laboratório de Informática Educativa (POIE) também devem ser planejadas, estabelecendo-se objetivos, prazos, etapas, coerência entre as atividades e as aprendizagens que se pretende proporcionar e instrumentos de avaliação. Como escolher o tema? Essa é uma questão recorrente no planejamento, sobretudo no trabalho com projetos. Os problemas ou a temática podem surgir do professor, do grupo de alunos ou do próprio contexto social. O importante é garantir que essa temática se transforme em uma questão significativa para a turma e, para isso, o professor é fundamental, pois é o fio condutor para o grupo avançar. No planejamento, um modo de facilitar a organização das atividades é prever etapas ao longo do seu desenvolvimento. Primeiramente, é importante conhecer o que os alunos já sabem e o que desejam saber a respeito do tema. É o momento de levantar conhecimentos prévios e questões significativas do grupo, além de definir a forma de apresentação do produto final. O segundo momento contempla o processo de elaboração propriamente dito. A partir de pesquisas, entrevistas, debates, entre outras estratégias, são levantadas e sistematizadas as informações e realizada a produção. Num terceiro momento, a produção individual ou coletiva é socializada; conceitos, procedimentos e atitudes podem ser sintetizados e novos problemas levantados. LIDAR COM A DIVERSIDADE Uma dificuldade no planejamento é lidar com a diversidade, ou seja, planejar 12 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

19 atividades que levem ao crescimento de todos os alunos da sala. Existem os que conseguem crescer muito com a atividade e os que precisam de uma atenção maior, de mais tempo para realizar a tarefa e acabam desistindo quando vêem que os colegas já a realizaram. Outro complicador é quando um aluno termina o que foi proposto pelo professor e tem que ficar aguardando até que todos terminem. Por isso, é importante garantir no laboratório de Informática um trabalho diversificado, que possibilite a simultaneidade de atividades distintas, considerandose o perfil do grupo e a habilidade de cada aluno. Uma sugestão é planejar duas ou três tarefas para cada aula e apresentá-las aos alunos logo no início. Conforme terminam uma tarefa, os alunos já começam a seguinte, evitando, assim, que os mais adiantados fiquem ociosos. A IMPORTÂNCIA DO REGISTRO Planejar é princípio básico para o desenvolvimento das ações intencionais e é fundamental, para um bom planejamento, que ele seja registrado. O registro organiza o fazer do educador e permite a plena execução do projeto, já que nele são traçadas as propostas mais importantes. Mas a prática de registro não deve se restringir ao planejamento. O professor deve registrar a maior parte possível do processo de desenvolvimento do seu trabalho. O registro permite apresentar, explicar, justificar, interpretar, descrever e questionar ações. É um momento especial de reflexão e filtro sobre tudo o que é vivenciado no grupo, é a partir dele que se podem perceber os limites, as potencialidades de cada um e do grupo, os saberes que contribuem, as socializações que fortalecem. De acordo com Madalena Freire 1 : Registrar é o mais poderoso instrumento da consciência pedagógica e política do educador. Quando registramos tentamos guardar, prender fragmentos do tempo vivido que nos é significativo para mantê-lo vivo. Através do registro fazemos HISTÓRIA. PLANEJAR E REPLANEJAR No decorrer do desenvolvimento do trabalho, o planejamento permite ao professor verificar se atingiu os objetivos preestabelecidos ou não. Assim, ele pode perceber a necessidade de mudança, de replanejar suas ações conforme as demandas da classe. Isso significa dizer que todo planejamento deve ser flexível e elaborado, ou reelaborado, de acordo com as necessidades do grupo ou comunidade; deve ser um 1 Observação, Registro e Reflexão. Instrumentos metodológicos I. São Paulo, Ed. Espaço Pedagógico, 3ª edição revisada, PLANEJAR FAZ A DIFERENÇA 13

20 planejamento pé no chão. Porém, essa flexibilidade deve ser limitada, levando-se em conta que os objetivos não podem se perder. ORGANIZAÇÃO DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA Além do planejamento dos projetos e atividades com os alunos, o Professor Orientador de Informática Educativa (POIE) também tem de organizar a dinâmica do seu espaço de trabalho. Para isso, é importante a participação do POIE na reunião de organização da escola, no início do ano. É nessa hora que ele deve expor seu planejamento e mostrar o que o laboratório de Informática oferece à comunidade escolar. Deve também socializar a Portaria de Organização e Funcionamento dos Laboratórios de Informática e elaborar com o grupo a organização e dinâmica de uso desse espaço para toda a comunidade educacional. Cabe também ao POIE prever o material a ser utilizado no laboratório; montar uma agenda com telefones e sites úteis, de manutenção periódica; estabelecer com a direção da escola o dia de limpeza; elaborar os projetos em conjunto com os professores, estipulando materiais e recursos a serem utilizados; registrar todas essas suas ações e criar um espaço para registro das ações desenvolvidas no Laboratório pelos demais usuários. Além disso tudo, o POIE deve fazer um mapa de localização dos alunos no laboratório de Informática. Este mapa possibilita que os alunos saibam com antecedência onde e com quem irão desenvolver seus projetos, criando um vínculo com o colega e co-responsabilidade no uso do equipamento. Na seção Internet na Escola, do Portal EducaRede, você encontra textos sobre a organização do laboratório de informática. Como montar a sala de informática da escola? principal&id_inf_escola=4 Educadores e sala de informática: por onde começar? principal&id_inf_escola=69 Utilizando a sala de informática principal&id_inf_escola=26 14 Caderno de Orientações Didáticas - Ler e Escrever - Tecnologias na Educação

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