A relação entre a questão ambiental e o setor de energia no Brasil e o conceito de modernização ecológica

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A relação entre a questão ambiental e o setor de energia no Brasil e o conceito de modernização ecológica"

Transcrição

1 A relação entre a questão ambiental e o setor de energia no Brasil e o conceito de modernização ecológica Paulo Procópio Burian 1 Resumo Paralelamente à emergência da temática ambiental no Brasil e sua incorporação pela sociologia brasileira nas últimas décadas, surgiram as primeiras leis e resoluções com objetivo de estabelecer as bases legais para os processos de licenciamento ambiental de empreendimentos causadores de impacto ambiental, como o caso de usinas hidrelétricas. Neste cenário, tem-se observado uma incorporação gradual das questões ambientais por parte do setor elétrico nos últimos anos. Este processo tem ocorrido dentro de uma fase de maior profissionalização do ambientalismo que alguns autores classificam como modernização ecológica, conceito que incorpora a ligação estreita entre globalização e ambiente através de uma postura mais otimista, enfatizando a superação das divergências através de um processo de aprendizagem institucional mútuo, com uma gradual moderação das tensões institucionais entre diversos atores e conflitantes doutrinas. Entretanto, dentro do mesmo contexto de globalização em que se davam estas mudanças, nos últimos anos vinha ocorrendo uma transformação institucional do setor elétrico brasileiro, com sua desregulamentação e a entrada de investidores privados. Diante deste novo cenário que se concretizava, agravado ainda pela recente crise energética, tem-se observado um grau de incerteza por parte de diversos atores envolvidos com relação a manutenção dos avanços já obtidos. O caráter dúbio da globalização identificado por teóricos da modernização ecológica passa a ficar cada vez mais evidente. Neste paper, pretendo analisar até que ponto este processo de incorporação das questões ambientais pelo setor elétrico brasileiro pode ser compreendido com base no conceito de modernização ecológica, tendo como exemplo os processos de licenciamento ambiental. Introdução Desde a sua emergência no final dos anos 1960, a percepção da questão ambiental tem evoluído de tal forma atingindo, nos últimos anos do século XX, uma etapa de maior profissionalização caracterizada não apenas no maior aprofundamento teórico por parte dos acadêmicos, mas também através da sua 1 Doutorando em Ciências Sociais na UNICAMP, Sócio-gerente da SOMA - Soluções em Meio Ambiente 1

2 incorporação dentro das instituições e organizações da sociedade ocidental, colocando-a definitivamente no centro do debate sobre desenvolvimento 2. Foi neste período que o conceito de modernização ecológica que abordaremos neste artigo - encontrou terreno fértil para se desenvolver. Segundo Mol, a modernização ecológica define-se como um caminho teórico para gerar a compreensão sociológica das transformações na sociedade industrial contemporânea com relação aos desafios ambientais 3. Não é à toa que a conceituação da modernização ecológica ocorreu após Beck inserir definitivamente o processo de globalização na discussão da temática ambiental 4. A modernização ecológica incorporou esta relação, adotando uma visão mais reformista. De acordo com Spaargaren, Mol e Buttel, as transformações nas instituições poderiam, pouco a pouco, dar respostas aos desafios ambientais que a globalização impunha, consolidando esta relação a partir de uma perspectiva mais positiva 5. De acordo com Mol 6, uma das principais teses da modernização ecológica refere-se, portanto, ao caráter dúbio do processo de globalização. Para este autor, ao mesmo tempo em que este processo tem sido uma das principais causas da destruição ambiental e da implementação de projetos que causam impactos ambientais relevantes; por outro lado fornece os instrumentos metodológicos e tecnológicos - para que a degradação ambiental seja revertida, minimizada ou compensada. Neste sentido, a globalização por si só não pode ser considerada nem prejudicial ou benéfica para ambiente, sem que esteja contextualizada. Para Rinkevicius, a modernização ecológica se concretiza a partir de crenças e expectativas simbolizadas em princípios como poluidor-pagador, direito de saber do público (public right-to-know) e responsabilidade compartilhada (share responsability) 7. No bojo da modernização ecológica há diversas medidas que acabam gerando um certo esverdeamento da indústria e da sociedade, sem que o modo de produção capitalista e o predomínio da lei de mercado sejam alterados na sua base. 2 MOL, Arthur P. J. Ecological Modernization: industrial transformations and environmental reform. In: Redcliff, M and Woodgate (editors). The International Handbook of Environmental Sociology. Cheltenahm, UK. Northampton. MA.USA MOL, Arthur P. J. op.cit. p BECK, Ulrich. Risk Society Towards a new modernity. SAGE Publications. London. UK SPAARGAREN, G., MOL, A. & BUTTEL, F. Introduction: Globalization, Modernity and Environment. In Spaargaren, G.; Mol, A. and Buttel, F (edit). Environment and Global Modernity, SAGE Publications Ltd. London, UK MOL, Arthur P. J. Globalization and Environment: between apocalypise-blindness and ecological modernization. In Environment and Global Modernity, ed. Gert Spaargaren, Arthur Mol & Frederick Buttel, SAGE Publications Ltd. London, UK RINKEVICIUS, Leonardas. The Ideology of Ecological Modernization in Double-Risk Societies: a case study of Lithuanian environmental policy. In Environment and Global Modernity, ed. Gert Spaargaren, Arthur Mol & Frederick Buttel, SAGE Publications Ltd. London, UK

3 Outro aspecto relevante com relação à modernização ecológica refere-se a sua ênfase à busca pelo consenso, através de um processo de aprendizagem institucional mútuo, com uma gradual moderação das tensões institucionais entre diversos atores e conflitantes doutrinas, princípios e categorias éticas 8. Mas até que ponto esta teoria pode ser aplicada a um país em desenvolvimento como o Brasil, onde as necessidades de crescimento econômico, fundamentada principalmente no crescimento da oferta de energia, são constantemente colocadas em oposição à preservação ambiental. Setor elétrico brasileiro e os processos de licenciamento ambiental Recentemente ocorreu no Brasil um processo de desregulamentação que se inseriu, de um modo mais amplo, no contexto da aceleração da globalização da economia que a maioria dos países latinoamericanos vivenciou na década de No bojo deste processo, o Estado nacional reduziu-se drasticamente, retirando-se de setores estratégicos, como a área de energia, alterando profundamente a estrutura destes setores. Por outro lado, concomitantemente à diminuição do papel do Estado e consolidação da economia de livre mercado, a globalização relaciona-se também com o estabelecimento de exigências ambientais cada vez mais rígidas, principalmente nos países desenvolvidos que já tinham atingindo um grau de qualidade de vida satisfatório para a sua população. Para abordar a aplicabilidade da teoria da modernização ecológica no Brasil com relação ao setor elétrico, será utilizado neste artigo o processo de implantação de metodologias de avaliação ambiental introduzidas em meados da década de 1980, quando o processo de licenciamento ambiental passou a ter um peso cada vez mais significativo dentro da implementação empreendimentos de grande porte, como o caso de usinas hidrelétricas. Entretanto, para compreender o processo de licenciamento ambiental no Brasil, é preciso resgatar um pouco a sua história, procurando identificar os atores envolvidos para, posteriormente, verificar até que ponto este processo enquadra-se na teoria da modernização ecológica no Brasil, em especial na relação entre ambiente e desenvolvimento, onde o setor de energia é fundamental na discussão sobre desenvolvimento sustentável 9. Tal como Rinkevicius identificou na Lituânia, a relação entre energia e ambiente é um dos aspectos mais complexos em países em desenvolvimento 10. Na última década do século XX, países que precisavam 8 RINKEVICIUS, Leonardas. op.cit. 9 DINCER, Ibrahim. Environmental impacts of energy. in Energy Policy 27. pp Elsevier RINKEVICIUS, Leonardas. op.cit. 3

4 constantemente elevar sua capacidade de geração de energia passaram por uma desregulamentação e privatização do setor, na tentativa de atrair capitais externos para cumprir esta tarefa, como no caso do Brasil. Se por um lado é inegável que a energia é fundamental para o desenvolvimento da sociedade brasileira, sendo o principal insumo para o crescimento econômico e social, por outro lado abrange um grande número de complexos impactos ao meio ambiente, indo desde impactos locais até problemas de ordem global 11. Especificamente com relação à hidroeletricidade, os principais impactos referem-se ao alagamento de áreas rurais, cobertas, dependendo do caso, por matas ou com ocupações humanas 12. Outro aspecto que deve ser considerado é que a base hidráulica da matriz energética no Brasil tem a sua razão de ser. Esta energia está entre as mais utilizadas em todo o mundo devido principalmente ao seu baixo custo, o que faz com que seja aproveitada em todos os países que tem a sua disposição extensas redes hidrográficas com capacidade de gerar energia, como Brasil e Canadá. Recorrem a outras fontes como termelétrica (carvão, gás natural, etc) ou a nuclear, que apresentam impactos e riscos ambientais muito mais significativos com a emissão de poluentes e CO 2, os países que não possuem potencial hidrelétrico. Com relação ao aproveitamento das chamadas energias alternativas como eólica, biomassa e solar, apesar de ter-se ampliado o investimento nestas fontes nos últimos anos, infelizmente ainda vai demorar muito tempo para terem um peso maior na matriz energética devido ao alto custo e a aspectos técnicos envolvidos. 13 Diante deste contexto, no Brasil as usinas hidrelétricas proliferaram a partir da década de 1950 dando sustentação ao processo de industrialização e chegando a responder por aproximadamente 90% do total da energia elétrica gerada no país. A ênfase no planejamento do setor até início da década de 1980 fez com que, por muito tempo, o país convivesse com a impressão de que suas fontes energéticas hidráulicas eram inesgotáveis. Na verdade, a demanda recente por energia elétrica, cujo consumo cresceu a uma taxa anual média de 4,6% na década de , vinha sendo atendida pelos pesados investimentos no setor hidrelétrico realizados anteriormente. 11 JANUZZI, Gilberto de Martino. A Política Energética e o Meio Ambiente: instrumentos de mercado e regulação. In Romeiro, Ademar R.; Reydon, Bastian; Leonardi, Maria L. (orgs.) Economia do Meio Ambiente: teoria, política e gestão dos espaços regionais. Editora da UNICAMP. Campinas, SP TOLMASQUIM, Maurício T e COHEN, Claude. Energy and Development Strategies within the Context of Global Environmental Changes. In: Hogan, D. and Tolmasquin, M. Human Dimensions of Global Environmental Change brazilian perspective. Academia Brasileira de Ciências. Rio de Janeiro, RJ COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA COPEL. Relatório Anual, Informação obtida no site da Agência Nacional de Energia Elétrica, junho de

5 Com a chamada década perdida da economia, quando os investimentos no setor foram reduzidos drasticamente, em meados dos anos 90 começaram a aparecer os primeiros sinais de esgotamento da fonte de energia hidráulica já existente. O consumo de energia crescia cerca três vezes em relação ao crescimento populacional 15, indicando que havia uma demanda reprimida cujas medidas de conservação, que são necessárias, não conseguirão por si só reduzir bruscamente estas taxas crescentes de consumo energético em um curto prazo. Concomitantemente à gradativa retirada do Estado do papel de agente principal dos investimentos no setor elétrico através do processo de desregulamentação e privatização, a questão ambiental passou a adquirir um peso cada vez maior na implementação de usinas hidrelétricas, exigindo a realização de estudos e o cumprimento de medidas e programas ambientais que acabaram contribuindo para atrasos em cronogramas de obras de geração devido, por um lado, ao despreparo de alguns empreendedores em lidar com processos de licenciamento ambiental, e por outro lado, a posicionamentos de ambientalistas radicais, remanescentes de um período inicial do ambientalismo dos anos Portanto, a convergência de aspectos relacionados à globalização da economia como a desregulamentação e privatização do setor elétrico, com a consolidação de regras cada vez mais rigorosas de licenciamento ambiental acabaram criando um cenário propício para o atraso de investimentos no setor, tendo sérias conseqüências para o suprimento de energia no Brasil nos últimos anos. Desse modo, junto à necessidade de elevar a produção de energia e à dependência da hidroeletricidade; o Brasil vinha experimentando um processo cada vez mais rígido de licenciamento ambiental através de um aumento das exigências legais, principalmente a partir de meados da década de Esta alteração de postura tem sido uma resposta a três atores fundamentais no processo: pressões da sociedade civil organizada, requisitos de agências internacionais de financiamento, e exigências legais. Estes agentes apresentam-se aqui divididos apenas como referência metodológica, como uma espécie de tipo ideal. Em análises pontuais, é muito difícil distinguir o papel de cada um destes atores. Com relação à influência dos movimentos sociais, autores como Eduardo Viola enfatizam a papel destes no processo de fortalecimento das questões ambientais 16. Entretanto, outros autores como Frederick 15 GOLDEMBERG, José. Energia e desenvolvimento in Estudos Avançados, nº12 (33), Instituto de Estudos Avançados, USP, São Paulo, Maio/Agosto VIOLA, Eduardo J. & LEIS, Hector R. A Evolução das Políticas Ambientais no Brasil, : do bissetorialismo preservacionista para o multisetorialismo orientado para o desenvolvimento sustentável in Hogan, D & Vieira, P. (org.) Dilemas Socioambientais e Desenvolvimento Sustentável. Editora da UNICAMP. Campinas, SP

6 Buttel entendem que há algum exagero com relação a sua importância que é dada a este tipo de pressão, identificando inclusive algumas incoerências recorrentes por parte dessas mobilizações sociais 17. Ainda que a questão ambiental seja muitas vezes tratada de maneira superficial pelos movimentos sociais, o fato é que não se pode ignorar o papel deste agente principalmente na fase inicial de emergência do ambientalismo, inclusive na sua inserção por parte do setor elétrico como, por exemplo, a efetivação de projetos de reassentamento rural que de fato atendem às demandas sociais e econômicas da população atingida na UH Salto Caxias, no Paraná, em meados da década de Além da pressão dos movimentos populares, o segundo agente aqui identificado refere-se à pressão econômica que começou a ser exercida pelas agências multilaterais de financiamento, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. Diante da emergência e consolidação do ambientalismo em uma esfera global, estas agências passaram a exigir formalmente o equacionamento das questões sociais e ambientais nos projetos em que estivessem envolvidas devido ao receio de os mesmos resultassem em significativos impactos ambientais não mitigados ou compensados de forma satisfatória. No Banco Mundial, procedimentos padrões de avaliação ambiental foram desenvolvidos desde 1989, com a adoção da Operational Directives OD 4.00 Annex A: Environmental Assessment. Este documento apresenta diretrizes visando normatizar a metodologia de avaliações ambientais de projetos de engenharia, independente do país em que estivessem inseridos. Ainda que estas diretrizes façam parte de uma política geral que vigorou no Banco Mundial no final do século XX, onde era mais importante medir a pobreza para propor medidas que ampliem a escolha dos pobres do que enfatizar o estudo das desigualdades 18, o fato é que documentos desta natureza acabaram contribuindo no sentido de atrelar o efetivo cumprimento e monitoramento de medidas e programas ambientais à implementação de projetos de grande impacto 19. O BID, por sua vez, também estabeleceu documentos onde manifestava a sua preocupação em assegurar que seus recursos contribuíssem para o desenvolvimento social e ambiental, estabelecendo metodologias para avaliação de projetos ainda na fase inicial com o objetivo de realizar as adequações 17 BUTTEL, F. Social Institutions and environmental change. In: Redcliff, M and Woodgate (editors). The International Handbook of Environmental Sociology. Cheltenahm, UK. Northampton. MA.USA VIANNNA, Maria L. T. W. e BARTHOLO JR, Roberto dos S. Teoria do Desenvolvimento Social in Globalização, identidade brasileira e questão social / org. Carlos Renato Mota et al. Brasília: SESI, Departamento Nacional REES, Colin. Improving the Effectiveness of Environmental Assessment in the World Bank. In Environmental Impact Assessment Review: 19: Elsevier Science Inc. New York, NY

7 necessárias no tempo certo 20. Através de Políticas Operacionais específicas, como, por exemplo, a OP 710, o BID tem buscado estabelecer diretrizes gerais para todo e qualquer projeto que tiver como conseqüência o deslocamento involuntário de população 21. Além dessas diretrizes, outro procedimento que vem sendo cada vez mais adotado pelas agências multilaterais é a contratação de diligências ambientais independentes que tem a função de verificar o cumprimento de requisitos legais e a existência de plano de gestão social e ambiental em determinados projetos que estejam solicitando recursos desta agência. Estas ações são resultado da revisão de procedimentos adotados anteriormente, quando no início da década de 1990, em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, o BID identificou as dificuldades existentes para compatibilizar as políticas ambientais com os programas de desenvolvimento no momento em que trouxe para a perspectiva regional o debate internacional 22. Estes procedimentos, além de influenciarem diretamente o modo de implantação de diversos projetos, acabaram servindo como parâmetro para a legislação ambiental em diversos países do mundo, demonstrando a preocupação destas agências em se adequarem às pressões sociais e ambientais cada vez mais fortes, ainda que dentro de uma estratégia onde não se questionava a origem das desigualdades existentes. Feitas as devidas considerações e ressalvas, percebe-se que a atuação destas agências multilaterais no sentido de exigir avaliações, supervisões e monitoramento de programas ambientais referentes a projetos como usinas hidrelétricas contribui para a aplicabilidade da teoria da modernização ecológica em países em desenvolvimento como o Brasil 23. Entretanto, há ainda um terceiro agente deste processo que merecerá aqui maior atenção em relação ao processo de incorporação das temáticas ambientais pelo setor elétrico no Brasil: a legislação ambiental. O papel da legislação ambiental está diretamente vinculado ao estabelecimento de normas de licenciamento que todos os empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental devem seguir. Ao contrário do que pode parecer, o estabelecimento da obrigatoriedade de Estudo de Impacto 20 BANCO INTERAMERICANO DE DESARROLLO, Evaluación: Una heramienta de gestión para mejorar el desempeño de los proyectos, Ed. BID, Washington D.C BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, Reassentamento Involuntário Política operacional e documento de antecedentes, Ed. BID, Washington D.C FERREIRA, Leila da Costa & FERREIRA, Lúcia da Costa. Limites Ecossistêmicos: novos dilemas e desafios para o estado e para a sociedade in Hogan, D & Vieira, P. (org.) Dilemas Socioambientais e Desenvolvimento Sustentável. Editora da UNICAMP. Campinas, SP REES, Colin. Op. cit. 7

8 Ambiental EIA não foi exclusividade brasileira, mas sim está diretamente relacionado com procedimentos estabelecidos em diversos países em termos de licenciamento ambiental. O EIA, por ora definido como o processo de identificação de conseqüências futuras a partir de uma ação proposta no momento 24, está inserido em um contexto global, influenciado inclusive pela exigência de padronização por parte das agências multilaterais. De acordo com O Riordan 25, em sua resenha do livro Environmental Impact Assessment: Cutting Edge for the 21st Century de A. Gilpin, a introdução de metodologia de avaliação ambiental de EIA ocorreu primeiramente em 1969 nos Estados Unidos através do National Environmental Protection Act NEPA, quando se passou a exigir este tipo de documento para o licenciamento de grandes obras que causassem impactos ambientais relevantes criando, no bojo deste processo, uma agência governamental responsável pelo licenciamento. Ainda segundo O Riordan, Gilpin considera que o EIA, que nos seus primeiros anos restringia-se a ser um mero check-list, passou a ser gradualmente um importante instrumento no sentido de compatibilizar o empreendimento no ambiente em que se instalava 26. Posteriormente, esta obrigatoriedade da realização de EIA atrelado ao processo de licenciamento ambiental dentro do Estado estendeu-se a diversos países. Basta procurar na literatura especializada para encontrarmos exemplos da aplicabilidade de estudos desta natureza no setor energético em diversos países, tais como Suécia 27, Finlândia 28, Egito 29, África do Sul 30, República Tcheca 31, Trinidad e Tobago 32, além de diversos países da comunidade européia 33. De fato, no período de profissionalização do ambientalismo nos anos 1990, a obrigatoriedade deste tipo de estudo passou a ser uma norma comum a 24 BECKER, Henk A. Social Impact Assessment. In European Journal of Operational Research. 128, Elsevier. pp O RIORDAN, Timonthy. Plannign and Regulation: book reviews of Environmental Impact Assessment: Cutting Edge for the 21st Century by A. Gilpen. TREE vol.10. nº11. November O RIORDAN, Timonthy. Op. cit. 27 BRUHN-TYSK, Sara & EKLUND, Mats. Environmental Impact Assessment a tool for sustainable development? A case of study of biofuelled energy plants in Sweden. In Environmental Impact Assessment Review: 22: Elsevier Science Inc. New York, NY SAARIKOSKI, Heli. Environmental Impact Assessment (EIA) as collaborative learning process. In Environmental Impact Assessment Review: 20: Elsevier Science Inc. New York, NY Rashad e Ismail, CLAASSEN, M. Ecological Risk Assessment as a framework for Environmental Impact Assessments. In Wat. Sci.Tech. Vol. 39 n º pp Elsevier, Great Britain RICHARDSON, Tim; DUSIK, Jiri & JINDROVA, Pavla. Parallel Public Participation: an answer to inertia in Decision Making. In Environmental Impact Assessment Review: 18: Elsevier Science Inc. New York, NY BROWN, David & JACOBS, Peter. Adapting Environmental Impact Assessment to Sustain the Community Development Process. In: Habitat Intl. Vol.20 nº3. pp , Elsevier, BARKER, Adam e WOOD, Christopher. An Evaluation of EIA System: performance in eight EU Countries In Environmental Impact Assessment Review: 19: Elsevier Science Inc. New York, NY

9 quase todos os países ocidentais 34. Um dos principais legados do estabelecimento dos estudos ambientais a desde então foi o empenho de um número cada vez maior de acadêmicos que se debruçaram sobre o tema realizando importantes contribuições para a melhoria da efetividade destes estudos de avaliação ambiental 35. Dentro da perspectiva da modernização ecológica, o estabelecimento de regras de licenciamento ambiental em diversos países do mundo quase simultaneamente refere-se diretamente à tendência de padronização motivada pela globalização. Da mesma forma como o processo de globalização influenciou as esferas culturais, econômicas e políticas através de uma tendência homogenizadora, influenciou também a esfera ambiental simbolizando o fim da idéia de que ambiente natural e social estariam sujeitos a uma ordem racional 36. No caso específico brasileiro, as primeiras leis e normas importantes para o licenciamento ambiental surgiram no decorrer da década de 1980, tendo como marco o estabelecimento da Política Nacional do Meio Ambiente PNMA em Da PNMA emanam as principais diretrizes, leis e resoluções relacionadas ao meio ambiente. Embora tenha sido promulgada em 1981, muitos princípios foram regulamentados somente em janeiro de 1986, com a Resolução nº001/86 do Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAMA, que teve como objetivo principal o estabelecimento da obrigatoriedade de Estudos de Impacto Ambiental EIA, assim como o respectivo Relatório - RIMA, para o licenciamento de empreendimentos potencialmente causadores de impactos ambientais como, por exemplo, usinas hidrelétricas. Em 1988, a Constituição do Brasil reiterou a importância de fixar normas para proteção ambiental, trazendo um capítulo inteiro (Capítulo VI do Título VIII Da Ordem Social) relacionado com meio ambiente. O Estudo de Impacto Ambiental - EIA, portanto, foi o primeiro instrumento constitucional da Política Nacional do Meio Ambiente que orienta e oferece os elementos para que o órgão ambiental competente possa emitir um parecer favorável ou desfavorável ao empreendimento, concedendo ou não a autorização para a sua construção. De acordo com Mol 37, esta institucionalização simbolizada pela introdução de processos de licenciamento ambiental em meados da década de 1980 está relacionada a um período específico da 34 BECKER, Op. cit. 35 JAMES, Valentine U. Environmental impact assessment book review of Environmental Impact Assessment, a comparative review, de Christopher Wood MOL, Arthur P. J op.cit. 37 MOL, Arthur P. J. op. cit

10 história do ambientalismo marcado pela implantação e fortalecimento das agências ambientais governamentais em diversos países do mundo (como no caso do Brasil), quando ocorreu a sua profissionalização principalmente na década de Entretanto a consolidação de um instrumento de avaliação ambiental na maioria dos países do mundo não significa, por si só, um aspecto positivo. Ainda que haja diversos autores que salientem a importância destes estudos como meio de frear a degradação ambiental decorrente de empreendimentos como usinas hidrelétricas, por outro lado há também uma série de críticas, principalmente no que tange a sua padronização internacional e ao seu caráter reformista, já que não questiona nem a idéia de desenvolvimento que está implícita e tampouco a necessidade da implementação do determinado empreendimento. Tanto entre os seus defensores quanto entre os seus críticos, neste debate evidencia-se a forte relação entre a aplicabilidade de EIA e a teoria da modernização ecológica. Na medida em que este tipo de instrumento procura gerenciar os impactos ambientais, buscando soluções mais conciliatórias que evitem o conflito com o modo de produção, adquire um caráter reformista, tornando-se um ícone significativo dentro da teoria da modernização ecológica. Logicamente esta teoria da modernização ecológica levanta muita polêmica. Segundo Blühdorn 38, na medida em que a modernização ecológica renova a crença na possibilidade de manejar e administrar a natureza estaria negando uma reconciliação genuína com a natureza. Além disso, Blühdorn critica o fato de que a modernização ecológica se baseia na tese de que é possível conciliar o crescimento econômico com a resolução dos problemas ambientais 39. O estabelecimento de avaliações ambientais específicas para projetos enquadra-se, de fato, nesta premissa. Mas as críticas que os Estudos de Impacto Ambiental sofrem não se resumem apenas àqueles que renegam qualquer aproximação entre o crescimento econômico e a preservação ambiental. Brown e Jacobs criticam a homogeneização implícita no modelo padronização de Estudos de Impacto Ambiental que muitas vezes não considera especificidades dos países do terceiro mundo onde os mesmos são desenvolvidos 40. O fato de que o ambiente nestas sociedades é colocado muitas vezes em contraposição ao emprego e ao desenvolvimento do país dificulta ainda mais uma avaliação mais sensata das questões que se colocam com a inserção de determinado projeto. De acordo com estes autores, os meios descontextualizados de se avaliar impactos, principalmente no que tange aos aspectos sociais, podem apresentar resultados 38 BLÜHDORN, Ingolfur. Ecological Modernization and Post-Ecologist Politics. In Environment and Global Modernity, ed. Gert Spaargaren, Arthur Mol & Frederick Buttel, SAGE Publications Ltd. London, UK BLÜHDORN, Ingolfur. Op. cit. 40 BROWN, David & JACOBS, Peter. Op. cit. 10

11 contraditórios 41. Além disso, de acordo com estes autores, o modelo padrão de avaliação de impactos falha ao desconsiderar a capacidade de decisão daqueles que seriam diretamente atingidos pelos empreendimentos 42. O Riordan também identifica que, de modo geral, falta aos EIAs, uma visão analítica mais crítica com relação a especificidades de diferentes locais 43. Por outro lado, há uma série de autores que, mesmo fazendo ressalvas, salientam as melhorias decorrentes de procedimentos de avaliação ambiental. De acordo com Bruhn-Tysk e Eklund, a partir de um estudo de caso referente à Usina Elétrica de Biomassa na Suécia, chegaram a conclusão de que este tipo de estudo serve como um importante instrumento para promover desenvolvimento sustentável 44. Saarikoski salienta o potencial, ainda pouco explorado, que o EIA tem no sentido de desenvolver um processo decisório participativo, desde que conte com a participação de uma ampla gama de atores, tais como grupos de interesse, autoridades e especialistas. Para este autor, a capacidade de um EIA encontrar uma solução aceitável repousa na legitimidade do seu processo 45. Neste sentido, seria fundamental desenvolver meios de ampliar a participação pública nos processos de avaliação ambiental 46. Ainda com relação à participação do público na elaboração de Estudos de Impacto Ambiental, Richardson, Dusik e Jindrova analisam dois casos na República Tcheca onde organizações nãogovernamentais organizaram um processo de participação pública paralela, que acabaram promovendo um importante modelo no sentido de melhorar os resultados de Estudos de Impacto Ambiental 47. Segundo estes autores, a principal falha deste tipo de avaliação é justamente a insuficiência da participação popular no processo de elaboração destes estudos 48. Ainda que apresentem críticas, esses autores ainda salientam a potencialidade do aspecto conciliatório assim como os avanços obtidos por este tipo de procedimento, questão que contribui no sentido de enquadrar estas avaliações na teoria da modernização ecológica. Através da análise comparativa entre os críticos e os defensores da utilização de Estudos de Impacto Ambiental, percebe-se que no fundo trata-se de um debate paradigmático. Os seus críticos não acreditam na possibilidade de conciliar o crescimento econômico do capitalismo com a produção e consumo 41 BROWN, David & JACOBS, Peter. Op. cit. 42 BROWN, David & JACOBS, Peter. Op. cit. 43 O RIORDAN, Timonthy. Op. cit. 44 BRUHN-TYSK, Sara & EKLUND, Mats. Op. cit. 45 SAARIKOSKI, Heli. Op. cit. 46 SAARIKOSKI, Heli. Op. cit. 47 RICHARDSON, Tim; DUSIK, Jiri & JINDROVA, Pavla 48 RICHARDSON, Tim; DUSIK, Jiri & JINDROVA, Pavla 11

12 ambientalmente sustentáveis. Nesse sentido, Spaargaren argumenta que Martell defende uma maior intervenção estatal na utilização de recursos em nome do interesse coletivo 49, aspecto fundamental ainda mais considerando a tendência neo-liberal predominante no período. Para Blühdern 50, na medida em que a modernização ecológica não questiona o modo de produção capitalista, ela não pode ser uma estratégia apropriada em termos ecológicos. Ou seja, todas as críticas à modernização ecológica repousam na no seu caráter reformista, fruto da tentativa de se garantir maiores conquistas ambientais (assim como uma utilização mais racional dos recursos) dentro da lógica do sistema capitalista cada vez mais globalizado, sem se opor a este sistema. Quando se analisa a aplicação de avaliação ambiental até certo ponto padronizada, percebe-se que esta metodologia serve como um exemplo bastante representativo da aplicabilidade da teoria da modernização ecológica, na medida em que esta não abre mão de utilizar os instrumentos existentes para garantir, por um lado, a implantação de projetos vistos como necessários e, por outro lado, contribuir de algum modo para a preservação ambiental dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável. Os processos de licenciamento ambiental visam justamente isso: conciliar a implantação de empreendimentos como usinas hidrelétricas com a sustentabilidade dos recursos naturais, revertendo recursos destes empreendimentos para a recuperação ambiental. Ainda que seus resultados possam ser questionados por diversos críticos pelo seu caráter reformista, é inegável, no entanto, que o processo de normatização e regulamentação do licenciamento ambiental representa um instrumento para os empreendedores demonstrarem não só a possibilidade de viabilização ambiental de usinas hidrelétricas através do cumprimento de leis ambientais, como também apresentarem à sociedade ações concretas em direção a melhoria social e ambiental, ainda que em longo prazo. Um exemplo disto é a exigência legal de utilizar pelo menos 0,5% do orçamento do empreendimento que afetem áreas florestais para implantar unidades de conservação, além da faixa de proteção de 100 metros em algumas áreas onde o uso atual não respeita. Desse modo, ainda que o caráter filosófico da incorporação de medidas mitigadoras e compensatórias possa ser questionado, é inegável que, ao compararmos o modo de construção de grandes usinas até meados da década de 1980 principalmente no tocante às políticas decisórias, me arrisco a dizer 49 SPAARGAREN, G., MOL, A. & BUTTEL, F. Introduction: Globalization, Modernity and Environment. In Spaargaren, G.; Mol, A. and Buttel, F (edit). Environment and Global Modernity, SAGE Publications Ltd. London, UK BLÜHDORN, Ingolfur. Ecological Modernization and Post-Ecologist Politics. In Environment and Global Modernity, ed. Gert Spaargaren, Arthur Mol & Frederick Buttel, SAGE Publications Ltd. London, UK

13 que nos últimos quinze anos houve de fato um avanço no tratamento com as questões sociais e ambientais. E estes avanços estão relacionados justamente ao estabelecimento de licenciamento ambiental, com a obrigatoriedade de Estudos de Impacto Ambiental e o fortalecimento das agências reguladoras estatais. Goldemberg identifica que é através da criação destes órgãos reguladores com amplos poderes e grande independência que se exercerá, no futuro, a ação do Estado protegendo o cidadão numa economia de livre mercado 51. O fato é que, pouco a pouco, considerando este novo cenário, tem ocorrido uma incorporação das questões sociais e ambientais por parte dos empreendedores através de atitudes concretas, como o exemplo aqui citado da Usina Hidrelétrica Salto Caxias. Mais relevante do que os documentos legais como Estudo de Impacto Ambiental e o Projeto Básico Ambiental, foi a forma de implantação deste projeto que contou com a participação ampla da sociedade com o objetivo de dar transparência e lisura ao processo de implementação dos programas ambientais, a exemplo do anseio de toda sociedade democraticamente organizada 52. Este processo, assim como o papel de diferentes atores sociais, pode ser mais bem compreendido sobre a luz do que Viola e Leis chamaram de mudança do voluntarismo para o profissionalismo no movimento ambiental, que ocorreu seja através do surgimento de novas organizações com perfil profissional, seja com a profissionalização parcial de um setor das associações anteriormente amadoras. O objetivo destas organizações ambientalistas profissionais deixa de ser a denúncia da degradação ambiental para ser o de estabelecer alternativas viáveis de conservação ou restauração do ambiente danificado 53. Em que pese a obrigatoriedade dos estudos ambientais ter sido um marco, cabe ressalvar que as avaliações ambientais interdisciplinares ainda estão longe de terem uma metodologia consagrada, do mesmo modo como a simples obrigatoriedade destes procedimentos por si só não garante um desenvolvimento sustentável. Um dos grandes problemas enfrentado durante a análise de um EIA é de natureza estratégica e não técnica. Como o processo de elaboração de estudos desta natureza tende a ocorrer em uma etapa muita tarde em relação ao processo de planejamento e à definição de empreendimentos específicos, torna-se difícil assegurar que todas as alternativas possíveis tenham sido avaliadas adequadamente GOLDEMBERG, José. Energia e desenvolvimento in Estudos Avançados, nº12 (33), Instituto de Estudos Avançados, USP, São Paulo, Maio/Agosto SANTOS, Antonio Fonseca dos. Usinas Hidrelétricas da COPEL: Implementação de Programas Ambientais in Análise Ambiental / Usinas Hidrelétricas Uma visão multidisciplinar, Nilza A. F. Stipp (org). Londrina, Ed. UEL/ NEMA, VIOLA, Eduardo J. & LEIS, Hector R. Op. cit 54 EGLER, P.C.G. Perspectiva de uso no Brasil do Processo de Avaliação Ambiental Estratégica. In: 13

14 Outro problema de caráter mais amplo que tem sido identificado nos processos de análise ambiental realizados a partir exclusivamente de EIA refere-se aos impactos regionais, globais e até mesmo sinergéticos que, mesmo seguindo detalhadamente o escopo definido pela Resolução CONAMA nº001/86 para elaboração de EIA, muitas vezes não conseguem ser dimensionados adequadamente. Com a consolidação dos processos de licenciamento baseados inicialmente na elaboração do EIA, órgãos ambientais, sociedade civil, empresas de consultoria e empreendedores passaram a se dar conta de que os problemas com que se deparavam na fase de licenciamento prévio estavam, na maioria das vezes, relacionados não propriamente a aspectos técnicos que o escopo do EIA deveria abordar, mas sim a uma etapa anterior, ou seja, aos fatores que determinaram que um empreendimento se apresentasse com as determinadas características técnicas. Diante desse contexto, não foram poucas as vezes que determinado EIA recebia crítica após a sua elaboração por não questionar os motivos que levavam determinado empreendimento a se apresentar com as características específicas. Por um lado, o EIA estava (como também continua) cumprindo o seu papel ao avaliar ambientalmente um determinado empreendimento, de acordo com as resoluções do CONAMA. Por outro lado, órgãos ambientais ressentem de um estudo anterior a esta fase que pudesse servir de subsídio inicial, onde aspectos ambientais gerais que estavam por trás da definição do local do aproveitamento hidrelétrico ficassem mais claros e perceptíveis aos olhos daquele órgão que tem a responsabilidade de licenciar o empreendimento. O setor elétrico alegava que as características do empreendimento tinham levado em consideração fatores técnicos, econômicos e ambientais através dos Estudos de Inventário Hidrelétrico que tem, como unidade de análise, um rio ou até mesmo uma bacia hidrográfica. Realmente os Estudos de Inventário Hidrelétrico, feitos com o objetivo de definir a melhor partição de quedas de um rio inclui, por princípio, uma metodologia para atribuir valores e pesos aos aspectos ambientais envolvidos na definição dos aproveitamentos possíveis, principalmente desde 1997 com a publicação do Manual de Inventário Hidrelétrico de Bacias Hidrográficas feitos pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - ELETROBRÁS e pelo antigo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE. A questão que se coloca é que este Estudo de Inventário Hidrelétrico, mesmo quando é bem feito e considera todos os aspectos ambientais para a definição dos aproveitamentos dentro de um rio, processualmente é remetido para análise apenas para a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, sem que o órgão ambiental tome conhecimento. Nesse contexto, o órgão ambiental só vem a saber de Parcerias Estratégicas, n 11. Centro de Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia. Jun

15 algum aproveitamento quando recebe de determinado empreendedor o pedido de Licença Prévia - LP, mesmo assim sem saber quais são os demais aproveitamentos previstos para o rio, se haverá barragens a montante ou a jusante. Desse modo, um estudo como a Avaliação Ambiental Estratégica AAE, que ainda não foi instituída legalmente, pode vir a suprir esta série de deficiências identificadas ao longo dos procedimentos de licenciamento ambiental. De acordo com Sadler e Verheen, a AAE pode ser conceituada como um processo sistemático para avaliar as conseqüências ambientais de uma política, plano ou programa, de forma a assegurar que elas sejam integralmente incluídas e apropriadamente consideradas no estágio inicial e apropriado do processo de tomada de decisão, juntamente com as considerações de ordem econômicas e sociais 55. Isto demonstra que o processo de licenciamento ambiental não está totalmente equacionado. A toda hora surgem questões novas a serem resolvidas. Este cenário dinâmico é fruto das contradições inerentes ao processo a globalização que por um lado reduz o Estado e consolida lei de mercado; enquanto por outro lado padroniza exigências ambientais e universaliza as pressões exercidas pelos movimentos ambientais. Considerações Finais No fundo, todo processo de incorporação das questões ambientais está, no meu modo de ver, relacionado com o que Mol identifica como o crescimento gradual da esfera e da racionalidade ambiental frente à, ainda dominante, racionalidade econômica 56. Através de uma análise ainda que preliminar neste momento, identifica-se, de fato, um aspecto paradoxal do processo de globalização. Normalmente, na conta da globalização, sempre foram debitados apenas os impactos ambientais negativos. Entretanto, as mudanças institucionais relacionadas ao processo de globalização nem sempre foram exclusivamente prejudiciais ao ambiente 57. Há, de fato, um outro lado da moeda que precisa ser explorado. O estabelecimento de metodologias de avaliação de impacto, o fortalecimento de agências reguladoras bem como a mudança de postura de agências multilaterais de financiamento apontam para um horizonte diferente daquele até então visualizados pela maior parte dos ambientalistas mais radicais. O mesmo processo que estaria por trás de empreendimentos impactantes ambientalmente estaria também dando condições para o estabelecimento de instrumentos que pudessem reverter, de modo positivo, os impactos ambientais, potencializando os efeitos positivos. Neste sentido, a 55 EGLER, P.C.G. op.cit. 56 MOL, Arthur P. J. op. cit. 57 MOL, Arthur P. J. op. cit. 15

16 teoria da modernização ecológica, que Mol, Spaargaren e outros autores traçam, pode realmente dar uma contribuição teórica muito importante para entender as atuais mudanças verificadas na abordagem das questões ambientais pela sociedade industrial. Com isso não estou, de forma nenhuma, fazendo aqui uma defesa ou apologia da globalização, mas sim procurando demonstrar o caráter paradoxal da relação entre globalização e ambiente, relativizando as abordagens mais reducionistas. Neste sentido, o setor elétrico serve como um importante cenário para verificar o estado da arte de uma questão fundamental com relação ao ambientalismo: até que ponto as metodologias de avaliação ambiental e os processos de licenciamento servem como um parâmetro importante para perceber a incorporação das questões ambientais na sociedade, principalmente em momentos onde constantemente o aspecto conciliatório é renegado em função de uma alegada contraposição entre as necessidades de aumento da geração de energia e a de preservação ambiental. Esta percepção depende da postura paradigmática que se toma desde o princípio. Para os ambientalistas moderados, que tem na modernização ecológica um importante parâmetro teórico de análise, esta incorporação das temáticas ambientais pode ser vista de forma positiva, mesmo considerando que há, como na maioria dos países, uma série de aspectos que precisam ser adaptados e melhorados, como por exemplo, a incorporação de uma Avaliação Ambiental Estratégica ao processo de licenciamento ambiental. Para os ambientalistas mais radicais e apocalípticos todas as ações pró-ativas existentes dentro do atual modo de produção são, no fundo, mera fachada, pois não estariam atuando sobre a causa principal dos impactos da humanidade sobre o ambiente, que seria o próprio modo de produção neo-liberal. A meu ver, há aspectos positivos irrefutáveis de incorporação das questões ambientais por parte do setor elétrico que corroboram a tese da modernização ecológica no Brasil. Entretanto, é preciso ficar atento aos movimentos deste setor para que os momentos de desregulamentações e crises não sirvam como pretexto para retrocederem em relação às conquistas ambientais que vem se desenrolando ao longo das últimas décadas. 16

LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS HIDRELÉTRICOS, FERRAMENTAS, RISCOS E ESTRATÉGIAS. José Antonio Gugelmin COPEL PARTICIPAÇÃO

LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS HIDRELÉTRICOS, FERRAMENTAS, RISCOS E ESTRATÉGIAS. José Antonio Gugelmin COPEL PARTICIPAÇÃO SNPTEE SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA GIA - 08 16 a 21 Outubro de 2005 Curitiba - Paraná GRUPO XI GRUPO DE IMPACTOS AMBIENTAIS - GIA LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS

Leia mais

GESTÃO DAS POLÍTICAS DE RECURSOS HUMANOS NOS GOVERNOS ESTADUAIS BRASILEIROS

GESTÃO DAS POLÍTICAS DE RECURSOS HUMANOS NOS GOVERNOS ESTADUAIS BRASILEIROS Inter-American Development Bank Banco Interamericano de Desarrollo Banco Interamericano de desenvolvimento Banque interámericaine de développment BR-P1051 Departamento de Países do Cone Sul (CSC) Rascunho

Leia mais

VI-018 ANÁLISE CRÍTICA DAS PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NO BRASIL

VI-018 ANÁLISE CRÍTICA DAS PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NO BRASIL VI018 ANÁLISE CRÍTICA DAS PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NO BRASIL Nemésio Neves Batista Salvador Engenheiro Civil UnBMestre em Hidráulica e Saneamento EESC/USPDoutor em Hidráulica e Saneamento

Leia mais

I ENCONTRO NACIONAL entre a ANEEL e o MINISTÉIRO PÚBLICO

I ENCONTRO NACIONAL entre a ANEEL e o MINISTÉIRO PÚBLICO I ENCONTRO NACIONAL entre a ANEEL e o MINISTÉIRO PÚBLICO Processo de Licenciamento Ambiental - Problemas e deficiências João Akira Omoto Procurador da República Brasília (DF) - 2003 LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Leia mais

Avaliação Ambiental Estratégica em Instituições Financeiras Multilaterais

Avaliação Ambiental Estratégica em Instituições Financeiras Multilaterais Avaliação Ambiental Estratégica em Instituições Financeiras Multilaterais Garo Batmanian Banco Mundial Seminário Latino Americano de Avaliação Ambiental Estratégica Brasília, 28 de agosto de 2006 Estratégia

Leia mais

O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios

O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios Português Resumo Executivo Esta é a segunda edição revista e ampliada da publicação: O Setor Elétrico Brasileiro e

Leia mais

A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Ana Carolina Rosso de Oliveira Bacharel em Relações Internacionais pela Faculdades Anglo-Americano, Foz do Iguaçu/PR Resumo:

Leia mais

Transparência no BNDES Mauro Figueiredo 1 e Jennifer Gleason 2

Transparência no BNDES Mauro Figueiredo 1 e Jennifer Gleason 2 Transparência no BNDES Mauro Figueiredo 1 e Jennifer Gleason 2 O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) é um banco estatal 3, fundado em 1952, que opera sob a supervisão do ministério do Desenvolvimento,

Leia mais

Mercados Energéticos: Los Desafíos del Nuevo Milenio. Extensión NEA

Mercados Energéticos: Los Desafíos del Nuevo Milenio. Extensión NEA Mercados Energéticos: Los Desafíos del Nuevo Milenio. Extensión NEA INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA NA AMÉRICA LATINA Norberto Medeiros dxcb-cme,brasil Agosto / 2002 Para discutir os recursos energéticos e a integração

Leia mais

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições I. Informações preliminares sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ( Rio+20 ) De 28 de maio

Leia mais

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA NA GESTÃO AMBIENTAL DE OBRAS RODOVIÁRIAS

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA NA GESTÃO AMBIENTAL DE OBRAS RODOVIÁRIAS EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA NA GESTÃO AMBIENTAL DE OBRAS RODOVIÁRIAS Cauê Lima Canabarro STE Serviços Técnicos de Engenharia S.A.. Graduado em História, Mestre em Educação

Leia mais

Cumulatividade e Sinergia: Conceitos e Desafios para Avaliações de Impactos e elaboração de Planos de Gestão no Brasil Andressa Spata

Cumulatividade e Sinergia: Conceitos e Desafios para Avaliações de Impactos e elaboração de Planos de Gestão no Brasil Andressa Spata Cumulatividade e Sinergia: Conceitos e Desafios para Avaliações de Impactos e elaboração de Planos de Gestão no Brasil Andressa Spata Problema Questionamentos no Brasil a respeito dos conceitos de cumulatividade

Leia mais

Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável

Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável Anexo III da Resolução n o 1 da CIMGC Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável I Introdução A atividade de projeto do Projeto de MDL das Usinas Eólicas Seabra, Novo Horizonte

Leia mais

A GESTÃO ESCOLAR E O PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA

A GESTÃO ESCOLAR E O PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA A GESTÃO ESCOLAR E O PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA Shirlei de Souza Correa - UNIVALI 1 Resumo: No contexto educacional pode-se considerar a gestão escolar como recente, advinda das necessidades

Leia mais

Política Ambiental das Empresas Eletrobras

Política Ambiental das Empresas Eletrobras Política Ambiental das Empresas Eletrobras Versão 2.0 16/05/2013 Sumário 1 Objetivo... 3 2 Princípios... 3 3 Diretrizes... 3 3.1 Diretrizes Gerais... 3 3.1.1 Articulação Interna... 3 3.1.2 Articulação

Leia mais

Desenvolvimento Sustentável Capítulo III. As Dimensões Ecológica, Espacial e Cultural do Desenvolvimento Sustentável

Desenvolvimento Sustentável Capítulo III. As Dimensões Ecológica, Espacial e Cultural do Desenvolvimento Sustentável Desenvolvimento Sustentável Capítulo III As Dimensões Ecológica, Espacial e Cultural do Desenvolvimento Sustentável Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a Humanidade

Leia mais

Valor Setorial Energia (Valor Econômico) 15/04/2015 Garantia para o sistema

Valor Setorial Energia (Valor Econômico) 15/04/2015 Garantia para o sistema Valor Setorial Energia (Valor Econômico) 15/04/2015 Garantia para o sistema Duas importantes medidas foram anunciadas no fim de março pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para tornar mais

Leia mais

V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Mudanças na Cultura de Gestão

V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Mudanças na Cultura de Gestão 1 V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Painel: Desenvolvimento Institucional Mudanças na Cultura de Gestão Roteiro: 1. Perfil das organizações do PAD. 2. Desenvolvimento Institucional:

Leia mais

Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras

Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras 1. DECLARAÇÃO Nós, das empresas Eletrobras, comprometemo-nos a contribuir efetivamente para o desenvolvimento sustentável, das áreas onde atuamos e

Leia mais

RESENHA. Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desafios

RESENHA. Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desafios RESENHA Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desafios Sustainable Development: Dimensions and Challenges Marcos Antônio de Souza Lopes 1 Rogério Antonio Picoli 2 Escrito pela autora Ana Luiza de Brasil

Leia mais

Sustentabilidade em Edificações Públicas Entraves e Perspectivas

Sustentabilidade em Edificações Públicas Entraves e Perspectivas Câmara dos Deputados Grupo de Pesquisa e Extensão - Programa de Pós-Graduação - CEFOR Fabiano Sobreira SEAPS-NUARQ-CPROJ-DETEC Valéria Maia SEAPS-NUARQ-CPROJ-DETEC Elcio Gomes NUARQ-CPROJ-DETEC Jacimara

Leia mais

Visão geral e resumo no formato exigido pelo PNUD

Visão geral e resumo no formato exigido pelo PNUD Visão geral e resumo no formato exigido pelo PNUD I. O PROBLEMA DE DESENVOLVIMENTO E PROBLEMAS IMEDIATOS ENFOCADOS A conversão da floresta primária na Amazônia ameaça a biodiversidade e libera estoques

Leia mais

Page 1 of 6. Capítulo III Educação e Sustentabilidade MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOS DA MUDANÇA. Pedro Jacobi\USP 1

Page 1 of 6. Capítulo III Educação e Sustentabilidade MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOS DA MUDANÇA. Pedro Jacobi\USP 1 Page 1 of 6 Capítulo III Educação e Sustentabilidade Para ler o PDF instale o programa leitor, clique aqui. Versão para Impressão em PDF, clique aqui. MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOS DA MUDANÇA

Leia mais

BACIAS HIDROGRÁFICAS E O MEIO AMBIENTE Profa Dra Lilza Mara Boschesi Mazuqui

BACIAS HIDROGRÁFICAS E O MEIO AMBIENTE Profa Dra Lilza Mara Boschesi Mazuqui BACIAS HIDROGRÁFICAS E O MEIO AMBIENTE Profa Dra Lilza Mara Boschesi Mazuqui OQUE É IMPACTO AMBIENTAL???? IMPACTO AMBIENTAL Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,

Leia mais

XXI Conferência Nacional dos Advogados

XXI Conferência Nacional dos Advogados DIFICULDADES RELACIONADAS AO E À AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS. XXI Conferência Nacional dos Advogados Eng. Florestal MSc. Dr. Joesio D. P. Siqueira Vice-Presidente da STCP Engenharia de Projetos Ltda.

Leia mais

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Agnaldo dos Santos Pesquisador do Observatório dos Direitos do Cidadão/Equipe de Participação Cidadã Apresentação O Observatório dos Direitos

Leia mais

Curso Agenda 21. Sugestão de leitura: História das relações internacionais do Brasil

Curso Agenda 21. Sugestão de leitura: História das relações internacionais do Brasil Módulo 3 Gestão ambiental no Brasil 1. Introdução No encontro Rio +10, o Brasil, saiu fortalecido globalmente, assumindo definitivamente um papel de liderança regional dentro da ONU. No plano nacional,

Leia mais

GrandAmazon. Energia para o futuro Os desafios da sustentabilidade. Wilson Ferreira Jr. e Miguel Saad 16/03/2012

GrandAmazon. Energia para o futuro Os desafios da sustentabilidade. Wilson Ferreira Jr. e Miguel Saad 16/03/2012 GrandAmazon Energia para o futuro Os desafios da sustentabilidade Wilson Ferreira Jr. e Miguel Saad 16/03/2012 A alta complexidade do sistema elétrico brasileiro traz 3 grandes desafios para a política

Leia mais

UHE PCH. LICENCIAMENTO AMBIENTAL Federal. Roberto Huet de Salvo Souza

UHE PCH. LICENCIAMENTO AMBIENTAL Federal. Roberto Huet de Salvo Souza LICENCIAMENTO AMBIENTAL Federal UHE PCH Roberto Huet de Salvo Souza - I B A M A N Ú C L E O D E L I C E N C I A M E N T O A M B I E N T A L NLA/SUPES- RJ O que é licenciamento ambiental? Para que serve?

Leia mais

SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR

SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR Fátima Grave Ortiz é assistente social, mestre e doutora em Serviço Social pela UFRJ. É professora da Escola de Serviço Social da mesma universidade, e compõe

Leia mais

Sustentabilidade aplicada aos negócios: um estudo de caso da empresa Natura S.A.

Sustentabilidade aplicada aos negócios: um estudo de caso da empresa Natura S.A. Sustentabilidade aplicada aos negócios: um estudo de caso da empresa Natura S.A. Autoria: Silas Dias Mendes Costa 1 e Antônio Oscar Santos Góes 2 1 UESC, E-mail: silas.mendes@hotmail.com 2 UESC, E-mail:

Leia mais

POLÍTICA DE ESTADO PARA O CARVÃO MINERAL

POLÍTICA DE ESTADO PARA O CARVÃO MINERAL POLÍTICA DE ESTADO PARA O CARVÃO MINERAL Política energética sustentável: objetivos Segurança de suprimentos Compatibilidade ambiental Mix energético balanceado Eficiência econômica Carvão mineral no mundo

Leia mais

Política Nacional de Meio Ambiente

Política Nacional de Meio Ambiente Política Nacional de Meio Ambiente O Brasil, maior país da América Latina e quinto do mundo em área territorial, compreendendo 8.511.996 km 2, com zonas climáticas variando do trópico úmido a áreas temperadas

Leia mais

Observatórios Socioambientais

Observatórios Socioambientais Observatórios Socioambientais Angelo José Rodrigues Lima Programa Água para a Vida Superintendência de Conservação WWF Brasil Uberlândia, 18 de setembro de 2014 Missão do WWF-Brasil Contribuir para que

Leia mais

I ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E BARRAGENS 08 a 10 de junho de 2005 UFRJ Rio de Janeiro (RJ)

I ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E BARRAGENS 08 a 10 de junho de 2005 UFRJ Rio de Janeiro (RJ) I ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E BARRAGENS 08 a 10 de junho de 2005 UFRJ Rio de Janeiro (RJ) Mesa Redonda: PROCESSOS DE DECISÃO, PLANEJAMENTO E ESTRUTURAS INSTITUCIONAIS EXPERIÊNCIA BRASILEIRA. PROCESSO

Leia mais

DECLARAÇÃO DE BUENOS AIRES (2012) 1

DECLARAÇÃO DE BUENOS AIRES (2012) 1 DECLARAÇÃO DE BUENOS AIRES (2012) 1 Sobre a atuação dos Juízes e Poderes Judiciários Iberoamericanos relativamente à informação, à participação pública e ao acesso à justiça em matéria de meio ambiente

Leia mais

AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL E LICENCIAMENTO AMBIENTAL

AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL E LICENCIAMENTO AMBIENTAL AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL E LICENCIAMENTO AMBIENTAL Prof MSc José Braz Damas Padilha http://www.faculdadefortium.com.br/jose_braz brazpadilha@gmail.com Biólogo (UFPR) Especialista em Sustentabilidade

Leia mais

GERAÇÃO A Copel opera 20 usinas próprias, sendo 19 hidrelétricas, uma termelétrica e uma eólica

GERAÇÃO A Copel opera 20 usinas próprias, sendo 19 hidrelétricas, uma termelétrica e uma eólica GERAÇÃO A Copel opera 20 usinas próprias, sendo 19 hidrelétricas, uma termelétrica e uma eólica TRANSMISSÃO O sistema de transmissão de energia é responsável pela operação e manutenção de 32 subestações

Leia mais

SENDI 2004 XVI SEMINÁRIO NACIONAL DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos de Subtransmissão da CEB

SENDI 2004 XVI SEMINÁRIO NACIONAL DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos de Subtransmissão da CEB SENDI 2004 XVI SEMINÁRIO NACIONAL DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos de Subtransmissão da CEB Manoel Clementino Barros Neto Companhia Energética de Brasília

Leia mais

Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate. Alberto Ninio Banco Mundial 3 de Junho de 2008

Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate. Alberto Ninio Banco Mundial 3 de Junho de 2008 Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate Alberto Ninio Banco Mundial 3 de Junho de 2008 Objetivos Contribuir para o debate em andamento no Brasil

Leia mais

Educação Ambiental na Escola com Ênfase em Unidades de Conservação. MÓDULO 4 Educação Ambiental, Sustentabilidade e Escolas Sustentáveis

Educação Ambiental na Escola com Ênfase em Unidades de Conservação. MÓDULO 4 Educação Ambiental, Sustentabilidade e Escolas Sustentáveis Educação Ambiental na Escola com Ênfase em Unidades de Conservação MÓDULO 4 Educação Ambiental, Sustentabilidade e Escolas Sustentáveis Secretaria de Estado da Educação do Paraná Superintendência de Educação

Leia mais

RELATOS DE PESQUISA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A SOCIOLOGIA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

RELATOS DE PESQUISA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A SOCIOLOGIA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL RELATOS DE PESQUISA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A SOCIOLOGIA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL Carolina Messora Bagnolo 1 FE-UNICAMP Esta comunicação visa compartilhar alguns resultados pertinentes à pesquisa realizada

Leia mais

Brasil Central Energia S.A. (Empresa do Grupo Bertin S.A.) Contribuição da PCH Sacre 2 (Salto Belo) para o Desenvolvimento Sustentável

Brasil Central Energia S.A. (Empresa do Grupo Bertin S.A.) Contribuição da PCH Sacre 2 (Salto Belo) para o Desenvolvimento Sustentável Brasil Central Energia S.A. (Empresa do Grupo Bertin S.A.) Contribuição da PCH Sacre 2 (Salto Belo) para o Desenvolvimento Sustentável Esclarecimento: Brasil Central Energia S.A. é detentora da autorização

Leia mais

Referente a qualidade e eficiência dos serviços prestados conceituam-se os seguintes meios para obtenção da eficácia nos serviços.

Referente a qualidade e eficiência dos serviços prestados conceituam-se os seguintes meios para obtenção da eficácia nos serviços. 191 Volume produzido; Volume Micromedido e Estimado; Extravasamentos; Vazamentos; Consumos Operacionais Excessivos; Consumos Especiais; e Consumos Clandestinos. A partir do conhecimento dos fatores elencados

Leia mais

O Planejamento de Projetos Sociais: dicas, técnicas e metodologias *

O Planejamento de Projetos Sociais: dicas, técnicas e metodologias * O Planejamento de Projetos Sociais: dicas, técnicas e metodologias * Arminda Eugenia Marques Campos ** Luís Henrique Abegão *** Maurício César Delamaro **** Numa época em que os recursos públicos destinados

Leia mais

Aspectos Institucionais e Tendências da Regulação

Aspectos Institucionais e Tendências da Regulação PRO-REG/IBI PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM REGULAÇÃO Aspectos Institucionais e Tendências da Regulação Pedro Farias Especialista Lider em Modernização do Estado Banco Interamericano de Desenvolvimento Sebastian

Leia mais

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE MATRIZ CURRICULAR Curso: Graduação: Regime: Duração: BACHARELADO SERIADO ANUAL - NOTURNO 4 (QUATRO) ANOS LETIVOS Integralização: A) TEMPO TOTAL - MÍNIMO = 04 (QUATRO) ANOS LETIVOS - MÁXIMO = 07 (SETE)

Leia mais

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A PARTIR DA TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA SOLAR

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A PARTIR DA TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA SOLAR DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A PARTIR DA TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA SOLAR RESUMO: O estudo sobre o tema surge devido a importância no desenvolvimento sustentável para o planeta

Leia mais

Contribuição para o aprimoramento das Resoluções nº 393/98 e nº 398/01.

Contribuição para o aprimoramento das Resoluções nº 393/98 e nº 398/01. Contribuição para o aprimoramento das Resoluções nº 393/98 e nº 398/01. (Consulta Pública ANEEL 058/2009) Otávio Ferreira da Silveira São Paulo, 18 de novembro de 2009. À Agência Nacional de Energia Elétrica

Leia mais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais RELATÓRIO Samira Santana de Almeida 1 1. Apresentação

Leia mais

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE LA RED MEDAMERICA EXPERIENCIAS DE DESARROLLO REGIONAL Y LOCAL EN EUROPA Y AMERICA LATINA TALLER I: ERRADICACIÓN DE LA POBREZA Y DESARROLLO: UN NUEVO PARADIGMA DEL DESARROLLO

Leia mais

REGULAMENTO TÉCNICO DA SEGURANÇA AMBIENTAL EM ATIVIDADES ESPACIAIS

REGULAMENTO TÉCNICO DA SEGURANÇA AMBIENTAL EM ATIVIDADES ESPACIAIS REGULAMENTO TÉCNICO DA SEGURANÇA AMBIENTAL EM ATIVIDADES ESPACIAIS 1 SUMÁRIO RESUMO......2 1 INTRODUÇÃO......3 1.1 OBJETIVO......3 1.2 APLICABILIDADE...3 1.3 TERMOS E DEFINIÇÕES...3 2 LICENCIAMENTO AMBIENTAL......3

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO e DOUTORADO

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO e DOUTORADO 1 EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO e DOUTORADO MESTRADO: A) DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS DAS LINHAS 1 e 2: Organizações e Estratégia e Empreendedorismo e Mercado

Leia mais

Seminário Crise Energética e Desenvolvimento

Seminário Crise Energética e Desenvolvimento Seminário Crise Energética e Desenvolvimento Painel 2 - Desafios técnicos e socioeconômicos da oferta de energia Flávio Antônio Neiva Presidente da ABRAGE Porto Alegre, 18 de junho de 2015 * Associadas

Leia mais

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016

DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 DIRETRIZES A SEREM DEBATIDAS NAS CONFERÊNCIAS NO ANO DE 2015 E 2016 A Constituição de 1988 criou a possibilidade de que os cidadãos possam intervir na gestão pública. Pela via do controle social, influenciam

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE SERVIÇO SOCIAL INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL EMENTA: A ação profissional do Serviço Social na atualidade, o espaço sócioocupacional e o reconhecimento dos elementos

Leia mais

A inserção das fontes de energia renováveis no processo de desenvolvimento da matriz energética do país: A participação da Energia Eólica

A inserção das fontes de energia renováveis no processo de desenvolvimento da matriz energética do país: A participação da Energia Eólica A inserção das fontes de energia renováveis no processo de desenvolvimento da matriz energética do país: A participação da Energia Eólica Elbia Melo 1 No ano de 2012, o Brasil figurou no cenário internacional

Leia mais

FACULDADE DE ENGENHARIA

FACULDADE DE ENGENHARIA FACULDADE DE ENGENHARIA Avaliação de Impactos Ambientais e Licenciamento Ambiental Profa. Aline Sarmento Procópio Dep. Engenharia Sanitária e Ambiental Avaliação de Impactos Ambientais CONAMA 01/1986 estabeleceu

Leia mais

Sustentabilidade e Diálogo no Setor Elétrico

Sustentabilidade e Diálogo no Setor Elétrico Sustentabilidade e Diálogo no Setor Elétrico II Seminário Ética, Sustentabilidade e Energia Tractebel Energia Alexandre Uhlig 13 de junho de 2013 Florianópolis O conteúdo deste relatório foi produzido

Leia mais

INTERVENÇÃO PRECOCE NA INFÂNCIA (IPI) ORIENTAÇÕES PARA AS POLÍTICAS

INTERVENÇÃO PRECOCE NA INFÂNCIA (IPI) ORIENTAÇÕES PARA AS POLÍTICAS INTERVENÇÃO PRECOCE NA INFÂNCIA (IPI) ORIENTAÇÕES PARA AS POLÍTICAS Introdução O presente documento pretende apresentar uma visão geral das principais conclusões e recomendações do estudo da European Agency

Leia mais

LEI Nº 12.780, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2007

LEI Nº 12.780, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2007 LEI Nº 12.780, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2007 (Projeto de lei nº 749/2007, da Deputada Rita Passos - PV) Institui a Política Estadual de Educação Ambiental O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que

Leia mais

PORTARIA FEPAM N.º 127/2014.

PORTARIA FEPAM N.º 127/2014. PORTARIA FEPAM N.º 127/2014. Estabelece os critérios e as diretrizes que deverão ser considerados para execução das auditorias ambientais, no Estado do Rio Grande do Sul. O DIRETOR PRESIDENTE da FUNDAÇÃO

Leia mais

Mudanças Climáticas: Um (Grande) Desafio Para A Ética!

Mudanças Climáticas: Um (Grande) Desafio Para A Ética! Mudanças Climáticas: Um (Grande) Desafio Para A Ética! Mariana Marques * A comunidade científica concorda, por consenso esmagador, que as mudanças climáticas são reais. Os gases do efeito estufa aumentaram

Leia mais

Ministério das Relações Exteriores. Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015

Ministério das Relações Exteriores. Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015 Ministério das Relações Exteriores Assessoria de Imprensa do Gabinete Nota nº 259 30 de junho de 2015 Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015

Leia mais

PROJETO PEDAGÓGICO. Curso de Graduação Tecnológica em Marketing

PROJETO PEDAGÓGICO. Curso de Graduação Tecnológica em Marketing PROJETO PEDAGÓGICO Curso de Graduação Tecnológica em Marketing Porto alegre, 2011 1 1. Objetivos do Curso O projeto do curso, através de sua estrutura curricular, está organizado em módulos, com certificações

Leia mais

Avaliação da Viabilidade Ambiental de Projetos: Pressupostos, Conceitos e Etapas do Processo PROF. ELIAS SILVA

Avaliação da Viabilidade Ambiental de Projetos: Pressupostos, Conceitos e Etapas do Processo PROF. ELIAS SILVA IV SEMINÁRIO NACIONAL DE GESTÃO DE RESÍDUOS I WORKSHOP INTERNACIONAL DE SUSTENTABILIDADE ENERGÉTICA Tecnologias Ambientais: Energia Renovável vel a partir de Biomassa e Resíduos Agrícolas (Agosto/2009)

Leia mais

As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água. Campo Grande - MS

As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água. Campo Grande - MS As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água Maria de Fátima Chagas 23 de novembro de 2009 23 de novembro de 2009 Campo Grande - MS A Água e Meio Ambiente -

Leia mais

José Allankardec Fernandes Rodrigues

José Allankardec Fernandes Rodrigues José Allankardec Fernandes Rodrigues Objetivo geral Analisar o cenário carbonífero brasileiro em 2013 na percepção de pequenas empresas. Objetivos específicos Destacar o marco regulatório em face da definição

Leia mais

ENERGIA X MEIO AMBIENTE: O QUE DIZ O RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE DE FURNAS?

ENERGIA X MEIO AMBIENTE: O QUE DIZ O RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE DE FURNAS? ENERGIA X MEIO AMBIENTE: O QUE DIZ O RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE DE FURNAS? Maranhão, R.A. 1 1 PECE/POLI/USP, MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais, Biológo e Mestre em Geografia, romeroalbuquerque@bol.com.br

Leia mais

EMENTAS - MATRIZ CURRICULAR - 2016

EMENTAS - MATRIZ CURRICULAR - 2016 EMENTAS - MATRIZ CURRICULAR - 2016 901491 - EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ADMINISTRATIVO I Estudo da administração, suas áreas e funções, o trabalho do administrador e sua atuação; a evolução da teoria organizacional

Leia mais

OS PROCESSOS DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL EM UM DESENHO CONTEMPORÂNEO

OS PROCESSOS DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL EM UM DESENHO CONTEMPORÂNEO OS PROCESSOS DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL EM UM DESENHO CONTEMPORÂNEO Karen Ramos Camargo 1 Resumo O presente artigo visa suscitar a discussão acerca dos processos de trabalho do Serviço Social, relacionados

Leia mais

Etapas para a Elaboração de Planos de Mobilidade Participativos. Nívea Oppermann Peixoto, Ms Coordenadora Desenvolvimento Urbano EMBARQ Brasil

Etapas para a Elaboração de Planos de Mobilidade Participativos. Nívea Oppermann Peixoto, Ms Coordenadora Desenvolvimento Urbano EMBARQ Brasil Etapas para a Elaboração de Planos de Mobilidade Participativos Nívea Oppermann Peixoto, Ms Coordenadora Desenvolvimento Urbano EMBARQ Brasil Novo cenário da mobilidade urbana Plano de Mobilidade Urbana:

Leia mais

uma realidade de espoliação econômica e/ou ideológica. No mesmo patamar, em outros momentos, a negação da educação disseminada a todas as classes

uma realidade de espoliação econômica e/ou ideológica. No mesmo patamar, em outros momentos, a negação da educação disseminada a todas as classes 1 Introdução A ascensão do sistema capitalista forjou uma sociedade formatada e dividida pelo critério econômico. No centro das decisões econômicas, a classe proprietária de bens e posses, capaz de satisfazer

Leia mais

LANÇAMENTO DA PLATAFORMA IDS MESA 3 DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

LANÇAMENTO DA PLATAFORMA IDS MESA 3 DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS LANÇAMENTO DA PLATAFORMA IDS MESA 3 DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Local: Sala Crisantempo Data : 12/12/2014 Horário: 9h30 às 13h30 Expositores: Eduardo Viola - Professor

Leia mais

EFETIVIDADE DA AUDIÊNCIA PÚBLICA COMO MECANISMO DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL EM PROJETOS DE MOBILIDADE URBANA

EFETIVIDADE DA AUDIÊNCIA PÚBLICA COMO MECANISMO DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL EM PROJETOS DE MOBILIDADE URBANA EFETIVIDADE DA AUDIÊNCIA PÚBLICA COMO MECANISMO DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL EM PROJETOS DE MOBILIDADE URBANA Aline Maia Pastor Willy Gonzales-Taco EFETIVIDADE DA AUDIÊNCIA PÚBLICA COMO MECANISMO DE PARTICIPAÇÃO

Leia mais

Instrumentos de Enquadramento das Conclusões da Avaliação

Instrumentos de Enquadramento das Conclusões da Avaliação Instrumentos de Enquadramento das Conclusões da Avaliação Avaliação do Impacto de Género Análise custo-benefício Benchmarking (Avaliação comparativa de desempenho) Análise custo-eficácia Avaliação do impacto

Leia mais

Conjunto de pessoas que formam a força de trabalho das empresas.

Conjunto de pessoas que formam a força de trabalho das empresas. 1. OBJETIVOS Estabelecer diretrizes que norteiem as ações das Empresas Eletrobras quanto à promoção do desenvolvimento sustentável, buscando equilibrar oportunidades de negócio com responsabilidade social,

Leia mais

NOSSA ASPIRAÇÃO JUNHO/2015. Visão Somos uma coalizão formada por associações

NOSSA ASPIRAÇÃO JUNHO/2015. Visão Somos uma coalizão formada por associações JUNHO/2015 NOSSA ASPIRAÇÃO Visão Somos uma coalizão formada por associações empresariais, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos interessados em contribuir para a promoção de uma nova economia

Leia mais

PROJETO DE INDICAÇÃO N.º 82/15. Art. 1º. Fica instituído o Programa Cearense de Desenvolvimento Sustentável objetivando:

PROJETO DE INDICAÇÃO N.º 82/15. Art. 1º. Fica instituído o Programa Cearense de Desenvolvimento Sustentável objetivando: PROJETO DE INDICAÇÃO N.º 82/15 Institui o Programa Cearense de Desenvolvimento Sustentável PROCEDES e dá outras providências. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ decreta: Art. 1º. Fica instituído

Leia mais

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global (texto extraído da publicação IRVING, M.A.; BOTELHO, E.S.; SANCHO, A.; MORAES, E &

Leia mais

Arqueologia Preventiva e Licenciamento Ambiental de Projetos no Brasil *

Arqueologia Preventiva e Licenciamento Ambiental de Projetos no Brasil * Arqueologia Preventiva e Licenciamento Ambiental de Projetos no Brasil * Solange Bezerra Caldarelli Scientia, Consultoria Científica (Brasil) solange@scientiaconsultoria.com.br Resumo: Apresentam-se, aqui,

Leia mais

EDITAL Nº 003/2009/BRA/06/032 CÓDIGO ARRANJOS PRODUTIVOS

EDITAL Nº 003/2009/BRA/06/032 CÓDIGO ARRANJOS PRODUTIVOS EDITAL Nº 003/2009/BRA/06/032 CÓDIGO ARRANJOS PRODUTIVOS O Projeto BRA/06/032 comunica aos interessados que estará procedendo à contratação de consultoria individual, na modalidade produto, para prestar

Leia mais

Destaques do Plano de Trabalho do Governo Chinês para 2015

Destaques do Plano de Trabalho do Governo Chinês para 2015 INFORMATIVO n.º 25 MARÇO de 2015 Esta edição do CEBC Alerta lista os principais destaques do Plano de Trabalho do governo chinês para 2015, apresentado pelo Primeiro-Ministro Li Keqiang e divulgado pela

Leia mais

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Carlos Henrique R. Tomé Silva 1 Durante dez dias, entre 13 e 22 de julho de

Leia mais

P.42 Programa de Educação Ambiental

P.42 Programa de Educação Ambiental ANEXO 2.2.3-1 - ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PLANO MUNICIPAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (PMRS) DE PARANAÍTA/MT O roteiro apresentado foi elaborado a partir do Manual de Orientação do MMA Ministério do Meio Ambiente

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO Nome da disciplina Evolução do Pensamento Administrativo I Estudo da administração, suas áreas e funções, o trabalho do administrador e sua atuação;

Leia mais

Mesa Temática 5: Título: Autoria: E-mail: 1. Introdução:

Mesa Temática 5: Título: Autoria: E-mail: 1. Introdução: Mesa Temática 5: Colonialidad/Modernidad/Imperialismo Título: O mito moderno da energia limpa Autoria: Mariana Machado Denardi (Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS), Stella Pieve (Universidade

Leia mais

ALEXANDRE UHLIG Instituto Acende Brasil. EXPANSÃO DA GERAÇÃO NA ERA PÓS- HIDRELÉTRICA Guia para debates

ALEXANDRE UHLIG Instituto Acende Brasil. EXPANSÃO DA GERAÇÃO NA ERA PÓS- HIDRELÉTRICA Guia para debates ALEXANDRE UHLIG Instituto Acende Brasil EXPANSÃO DA GERAÇÃO NA ERA PÓS- HIDRELÉTRICA Guia para debates QUESTÕES PARA REFLEXÃO 1 2 Qual o padrão atual da oferta de eletricidade no Brasil? Qual o padrão

Leia mais

CONCEITOS DE AVALIAÇÃO, ESTUDOS E RELATÓRIOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS

CONCEITOS DE AVALIAÇÃO, ESTUDOS E RELATÓRIOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS CONCEITOS DE AVALIAÇÃO, ESTUDOS E RELATÓRIOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS IMPACTO AMBIENTAL Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,

Leia mais

INTERESSADAS: Distribuidoras, Geradores, Comercializadores e Consumidores Livres.

INTERESSADAS: Distribuidoras, Geradores, Comercializadores e Consumidores Livres. VOTO PROCESSO: 48500.006210/2014-19. INTERESSADAS: Distribuidoras, Geradores, Comercializadores e Consumidores Livres. RELATOR: Diretor Tiago de Barros Correia RESPONSÁVEL: Superintendência de Regulação

Leia mais

O ESTUDO DE IMPACTOS AMBIENTAIS COMO DECORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS

O ESTUDO DE IMPACTOS AMBIENTAIS COMO DECORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS O ESTUDO DE IMPACTOS AMBIENTAIS COMO DECORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS A Legislação Brasileira, principalmente no que tange algumas Resoluções emitidas pelo CONAMA, em alguns casos referiu-se

Leia mais

Introdução. VI Seminário Latino-Americano de Geografia Física II Seminário Ibero-Americano de Geografia Física Universidade de Coimbra, Maio de 2010

Introdução. VI Seminário Latino-Americano de Geografia Física II Seminário Ibero-Americano de Geografia Física Universidade de Coimbra, Maio de 2010 Licenciamento Ambiental como instrumento de regulação da ação humana na zona Pré-Litorânea do Ceará. O caso do Município de Maracanaú-CE, Nordeste do Brasil. Ítalo Renan Ferreira Girão Universidade Federal

Leia mais

PROJETOS DE ENSINO I DA JUSTIFICATIVA

PROJETOS DE ENSINO I DA JUSTIFICATIVA I DA JUSTIFICATIVA PROJETOS DE ENSINO O cenário educacional atual tem colocado aos professores, de modo geral, uma série de desafios que, a cada ano, se expandem em termos de quantidade e de complexidade.

Leia mais

PROGRAMA ÉTICA E CIDADANIA construindo valores na escola e na sociedade. Democracia na escola Ana Maria Klein 1

PROGRAMA ÉTICA E CIDADANIA construindo valores na escola e na sociedade. Democracia na escola Ana Maria Klein 1 PROGRAMA ÉTICA E CIDADANIA construindo valores na escola e na sociedade Democracia na escola Ana Maria Klein 1 A escola, instituição social destinada à educação das novas gerações, em seus compromissos

Leia mais

3.3. Conselho escolar e autonomia: participação e democratização da gestão administrativa, pedagógica e financeira da educação e da escola

3.3. Conselho escolar e autonomia: participação e democratização da gestão administrativa, pedagógica e financeira da educação e da escola 3.3. Conselho escolar e autonomia: participação e democratização da gestão administrativa, pedagógica e financeira da educação e da escola João Ferreira de Oliveira - UFG Karine Nunes de Moraes - UFG Luiz

Leia mais

Políticas públicas de meio ambiente na implementação de procedimentos de controle e gestão ambiental na indústria.

Políticas públicas de meio ambiente na implementação de procedimentos de controle e gestão ambiental na indústria. Políticas públicas de meio ambiente na implementação de procedimentos de controle e gestão ambiental na indústria. Edson José Duarte 1 Universidade Federal de Goiás/Campos catalão Email: edsonduartte@hotmail.com

Leia mais

RECURSOS HÍDRICOS DISPONÍVEIS NO BRASIL PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

RECURSOS HÍDRICOS DISPONÍVEIS NO BRASIL PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA RECURSOS HÍDRICOS DISPONÍVEIS NO BRASIL PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Deodato do Nascimento Aquino Técnico

Leia mais

Marco de Política para o Reassentamento Involuntário

Marco de Política para o Reassentamento Involuntário Marco de Política para o Reassentamento Involuntário Introdução O Marco de Políticas serve para orientar as equipes estaduais para os casos em que a construção de infra-estrutura hídrica com financiamento

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO Evolução de Pensamento Administrativo I Estudo da administração, suas áreas e funções, o trabalho do administrador e sua atuação; a evolução

Leia mais