A RELAÇÃO CRIANÇA E FAMÍLIA

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1 A RELAÇÃO CRIANÇA E FAMÍLIA RESUMO Cínthia cristina carvalho da Silva 1 A relação criança e família abordada neste artigo têm por objetivo explicitar qual o papel que a família exerce sobre a mesma, pois é na família que a criança estabelece as primeiras relações com a linguagem. É neste cenário que a criança constrói o seu modelo de aprendiz e a forma como ela se relaciona com o conhecimento. PALAVRAS-CHAVE: Conhecimento; família; criança. ABSTRACT The relationship between child and family discussed in this article aim to explain what role the family plays about the same as it is in the family that the child establishes the first relationship with language. Against this backdrop, the child builds his apprentice model and how it relates to knowledge. KEY-WORDS: Knowledge;family; child. INTRODUÇÃO Muitas vezes a família influi de maneira indireta nas relações das crianças com os seus companheiros: através do lugar que escolhem para morar, suas reações diante do comportamento social da criança, os valores que possui a respeito da importância que tem para a criança essas relações, o grau de controle que pensa que deve ter sobre a vida dos filhos ou sua concepção de como acha que devem ser estruturadas essas amizades. A criança ao nascer entra num mundo socialmente dado, organizado (mas não acabado), e seu modo de fazer parte deste cenário é através dos grupos sociais, onde participa e ao mesmo tempo preparam-se para níveis mais amplos de participação na produção econômica, na produção da cultura, nos partidos políticos. Nesse sentido, este artigo objetiva analisar e refletir sobre as relações sociais da criança com a família. O tema é relevante, pois vem contemplar as necessidades vividas pelos educadores da contemporaneidade. 1 Graduada em Normal Superior Licenciatura dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental pelas Faculdades de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas do Vale do Araguaia FACISA. Especialista em Docência Multidisciplinar pelas Faculdades Unidas do Vale do Araguaia UNIVAR. Professora do 3º ano das séries iniciais da rede particular em Barra do Garças MT.

2 2. AS RELAÇÕES SOCIAIS Segundo Arón (1994), a família é um grupo primário. Secundário são os grupos de trabalho, estudo, instituições. Em todos eles, encontramos um lugar, um papel, uma forma de estar, que por sua vez constitui nossa maneira de ser. Nesse espaço desempenhamos nosso papel, segundo nossa história e as marcas que trazemos conosco. Durante nossa infância, em nosso grupo primário tivemos um espaço que ocupamos como o único papel possível. Se examinarmos nosso grupo familiar observaremos como cada irmão tem seu papel dentro do grupo e como nós também desempenhamos o nosso. Há o que sempre agüenta as situações difíceis, outros que se deixam levar por reações emocionais, outros que ajudam a conter o ódio, outro que faz mediação, outro que está sempre em divergência, outro que prefere fazer que esteja ausente, que não lhe diz respeito, outro que assume o denunciar permanente. Estes papeis se mantém ao longo da vida. Quando não suficientemente pensados, elaborados conscientemente, educados, cristalizam-se, assumindo uma forma estereotipada, onde a repetição mecânica do mesmo papel acontece. Para Arón (1994), o lar, primeiro contexto social da criança é considerado como a matriz social em que são aprendidos os primeiros comportamentos interpessoais. A família é vista como a maior agência de socialização em nossa sociedade e constitui para a criança o primeiro ambiente significado. Nessa perspectiva, os pais e os irmãos constituem modelos muitos poderosos e significativos para criança. A influência que a vida familiar exerce sobre as crianças não se restringe apenas a lhe oferecer modelos de comportamento, já que ela também conforma sua conduta social através das diversas práticas de disciplina. O estilo familiar, os padrões de punição, o sistema de crença e os valores são elementos que tem impacto importante no desenvolvimento das habilidades sociais. Inúmeros trabalhos que relacionam estilos familiares a características no comportamento social de crianças sugerem que as famílias hostis e restritivas têm crianças que tendem ao isolamento social, à dependência e a reduzida habilidade para resolver problemas interpessoais. No outro extremo, as super-protetoras e restritivas tendem a ter crianças inibidas, dependentes, com baixa auto-afirmação e tímidas. O campo de terapia familiar descreve diferentes dimensões da vida familiar que se relacionam com comportamentos interpessoais funcionais ou disfuncionais. Por

3 exemplo, os tópicos que com mais frequência se relacionam com uma interação familiar saudável têm a ver com o adequado uso de poder, a presença de uma união conjugável estável e coesa, a intimidade nos relacionamentos, a capacidade de diálogo, a autonomia de uma adequada comunicação. Nas famílias funcionais ou saudáveis, os membros tendem a favorecer o contato entre si, suas interações são afetuosas, abertas, empáticas e de confiança. Em contrapartida, os membros das famílias disfuncionais geralmente se mostram defensivos, distantes e hostis. As características que se descrevem as famílias funcionais correspondem à descrição de contextos que fomentam o desenvolvimento de uma adequada auto-estima nas crianças; dá-se o oposto nas famílias disfuncionais, cujas características se assemelham as que são descritas para os contextos que contribuem para desenvolver uma baixa auto-estima. Falar de identidade ou auto-estima é falar de respeito por si e pelo outro, é ir mergulhando aos poucos, e ir desvelando e desvelando, para ver o que tem dentro, no fundo, por trás de tantas capas, até chegar ao ponto do desmanche. Quem são, de verdade, essas pessoas que estão sendo construídas/destruídas nesses ambientes? Que lógica moral preside suas ações? Quais os seus códigos de convívio, de valores, de cultura? É necessário saber o que a criança quer dizer com suas atitudes violentas, é preciso ouvi-lo, buscar o significado do seu mundo, saber das suas expectativas e da sua falta de expectativas, diante da vida; é preciso examinar suas representações, entender como elas se forma; é preciso buscar os vários processos que fazem o indivíduo agir sob a influência de fatores socioeconômicos e culturais. O estudo da criança contextualizada possibilita que se perceba que, entre os seus recursos e os de seu meio, instala-se uma dinâmica de determinações recíprocas: a cada idade estabelece um tipo particular de interações entre o sujeito e o ambiente. E que vários fatores são determinantes para o seu desenvolvimento que são eles: fatores afetivos emocionais existe uma grande influência dos fatores afetivos emocionais na vida do ser humano. Não resta dúvida de que todos nós estamos sujeitos a perturbações emocionais no decorrer de nossas vidas. As relações entre pais e filhos podem ser apontadas como uma das causas de maiores ou menores dificuldades da criança, tanto na escola, como na sociedade em geral.

4 Segundo Fichtner citado por Scoz (1990, p. 61) a família é o primeiro vínculo afetivo e social da criança e a matriz dos pré-requisitos necessários para a aprendizagem e adaptação escolar. Quanto aos fatores culturais ou sociais, são fatores que estão ligados a perspectiva da sociedade em que estão inseridos a família e a escola. Incluem, além da questão das oportunidades, o da formação da ideologia nas classes sociais. Algumas crianças ao iniciarem as aprendizagens não tiveram nenhum contato com os objetos da cultura, não tiveram acesso a lápis, livros, não foram incentivados por seus pais a manusear esses objetos. Muitos sofrem falta de estimulação e de motivação para aprender qualquer coisa. Esses fatores são responsáveis pela sequência fixa que se verifica entre os estágios de desenvolvimento, todavia, não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. Podem ter seus efeitos transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência se é mesmo por deliberações voluntárias do sujeito. Segundo Galvão, O biológico vai progressivamente, cedendo espaço de determinação ao social. A influência do meio social torna-se mais decisiva na aquisição de condutas superiores, como a inteligência simbólica. É a cultura e a linguagem que fornecem ao pensamento os instrumentos para sua evolução. O amadurecimento do sistema nervoso não garante o desenvolvimento de habilidades intelectuais mais complexas para que se desenvolvam, precisam interagir com alimento cultural, ou seja, linguagem e conhecimento. (GALVÃO, 1995, p. 40) Portanto não dá para definir o desenvolvimento da inteligência, pois depende das condições oferecidas pelo meio. No que tange aos fatores familiares, nossa sociedade, caracterizada por situações de injustiças e desigualdades, cria famílias que lutam com mil dificuldades para sobreviver. Esses problemas atingem as crianças, que enfrentam inúmeras dificuldades para aprender. Compreender essas dificuldades é o ponto de partida do trabalho do professor. Os problemas podem estar ligados à estrutura familiar, ao número de irmãos e a posição do aluno entre eles e ao tipo de educação dispensada pela família. Quanto à estrutura familiar, nem todos os alunos pertencem à família com o pai e mãe, com recursos suficientes para uma vida digna. Normalmente, verificam-se situações diversas: os pais estão separados e o aluno vive com um deles; o aluno é

5 órfão; o aluno vive num lar desunido ou o aluno vive com algum parente. Muitas vezes, essas situações trazem obstáculos à aprendizagem, não oferecem a criança um mínimo de recursos materiais, de carinho, compreensão, amor. Um lar em que todos os esforços são despendidos para uma sobrevivência difícil, gera tensões e conflitos para a criança, jogada entre duas realidades diferentes: de um lado, a família sem recursos; de outro, a escola que exige ordem e organização. Pode-se dizer que a escola não está adaptada à realidade da maioria de seus alunos que por isso mesmo, não aprendem o que lhes é ensinado. As primeiras experiências educacionais da criança geralmente são proporcionadas pela família. Após o nascimento, a criança começa a sofrer influências familiares que, aos poucos vão modelando seu comportamento. A maior parte das influências que os pais exercem sobre os filhos é inconsciente. Alguns não têm consciência de que seus comportamentos, sua maneira de ser e de falar, de olhar para outros, de cumprimentar as pessoas, tem enorme influência sobre o desenvolvimento do filho. O que é ensinado inconscientemente, sem a intenção de ensinar, normalmente permanece por mais tempo. Embora você tenha esquecido muito das matérias que aprendeu na escola, certamente se lembra de muita coisa a respeito de seus professores, de como agiam, de sua maneira de tratar os alunos. Os sentimentos que os pais têm em relação a criança, durante os anos anteriores a escola, são de fundamental importância para o desenvolvimento posterior da criança e para sua aprendizagem escolar. Tudo isto contribuirá de forma significativa para que a criança desenvolva o conceito de si própria, o de mundo e de seu lugar no mesmo. Se a criança se julga capaz de aprender, aprenderá muito mais do que a que acha que é incapaz. Parte da influência dos pais provém da maneira como eles encaram a aprendizagem escolar. Por exemplo, se os pais estimulam seus filhos oportunizando o contato com materiais pedagógicos à criança terá mais facilidade quando chegar à escola, haja vista que foi incentivado positivamente através de atitudes e valores que passaram aos filhos sem a intenção de ensinar. A família tem um papel central no desenvolvimento das pessoas, ela garante não só a sobrevivência física, mas também porque dentro dela que se realizam as aprendizagens básicas que serão necessárias para o desenvolvimento autônomo dentro

6 da sociedade. Através de diferentes mecanismos, a família vai moldando as características do indivíduo durante o tempo que permanece sob sua custódia. Alguns autores afirmam que a família não tem o poder absoluto e indefinido sobre a criança, nem os pais poderão talhar em seus filhos as características cognitivas, sociais e de personalidade que desejem, nem os traços que caracterizarão ao longo de seu desenvolvimento dever-se-ão exclusivamente as experiências vividas no interior da família. Porque certas características podem estar parcialmente definidas quando a criança nasce, ou então porque outros contextos socializadores (escola, colegas) influem sobre ela de forma paralela a ação dos pais; e também porque a família encontra-se sob a influência de um conjunto de fatores que condicionam e determinam seu funcionamento (situação socioeconômica dos pais, conjuntura política e econômica de sociedade em geral, etc.). A família é um contexto de socialização relevante para a criança, já que durante muitos anos é o único e o principal meio no qual cresce, e age como chave ou filtro que seleciona a abertura da criança a outros contextos, pois são os pais é que decidem o momento de enviar a criança à creche; como também oportunizam os primeiros contatos sociais da criança com as pessoas alheias à família, e que posteriormente escolherão o tipo de escola que seus filhos freqüentarão. Ao contrário do que tem ocorrido com outras figuras do meio familiar (pai, irmãos), a figura da mãe tem sempre estado presente na investigação evolutiva da criança, embora sua análise tenha mudado com o passar do tempo. Ressalta-se a importância da figura materna no estabelecimento dos vínculos de apego e suas repercussões sobre o desenvolvimento emocional da mesma. Outras investigações falam da influência da mãe sobre o desenvolvimento cognitivo, destacando uma série de dimensões relevantes: estimulação verbal e material, sensibilidade às necessidades e demandas da criança. Sob o ponto de vista da criança, a mãe e o pai não são objetos sociais permutáveis, na medida em que as experiências que lhe proporciona cada um deles são diferentes. Quando a mãe pega a criança seja para cuidar dela em algum aspecto físico, no caso do pai, uma grande porcentagem do tempo que passa com seu filho é usada em atividades de jogo. Além disso, o padrão de jogo no qual os pais se envolvem com seus filhos é diferente dos das mães; estas tendem a desenvolver jogos verbais, enquanto os pais dão preferência a jogos de atividades físicas.

7 Outro ponto que merece relevância ao analisarmos a família e a criança é a chegada de um irmão mais novo, é difícil compreender até que ponto a sua chegada acaba afetando cada membro em particular e as relações que se estabelecem entre eles. Uma das experiências que muitas crianças enfrentam em idade pré-escolar é o nascimento de um novo irmão. Este acontecimento significa para elas uma mudança no que até este momento constitua sua vida, para ela o mais relevante seja a mudança que ocorre no padrão de interações que mantinham com os adultos significativos, sobretudo com a mãe. As interações mãe-filho antes e depois do nascimento de um irmão encontram-se consistentemente um padrão de mudança muito claro: tendem a aumentar os afrontamentos entre mãe e a criança e diminuir o tempo que passam juntos ou concentrando em um tema de interesse comum. Haja vista que a presença do bebê limita a disponibilidade da mãe para interagir com seu filho mais velho. Isto constitui um acontecimento que indiretamente afeta as relações pai-filho, na medida em que ganha maior relevância, os pais podem ver-se impedidos a envolver-se mais no cuidado e na interação com o primogênito. A criança não permanece alheia a estas novas circunstâncias e manifesta todo um repertório de condutas; tornam-se presentes ou acentuam-se (distúrbios do sono, da alimentação, aumento dos medos, regressões na linguagem ou no controle esfincteriano, estados de tristeza ou mau humor, manias, caprichos, maiores desejos de independência ou, ao contrario, de dependência, etc.). Muitos destes problemas irão se amenizando nos meses seguintes à medida que a criança vá se habituando as novas circunstâncias. A influência dos pais sobre as relações iniciais entre irmãos também é notável. Os pais fazem referências às preferências, desejos e necessidades do bebê, que transmite a criança a ideia de que o mesmo é uma pessoa com sentimentos próprios, incentivandoos a participarem e colaborarem nas tarefas de cuidado com o bebê, promovendo uma relação afetuosa entre irmãos. Outro determinante que afeta as relações entre irmãos refere-se às variáveis de status. Bem como ao sexo dos irmãos, a ordem de nascimento, ao número de irmãos e a diferença de idade entre eles. São pares de irmãos do mesmo sexo que tendem a envolver-se com maior freqüência com interações calorosas e na imitação mútua de comportamento, onde o irmão mais novo da dupla que tende a imitar o mais velho. Percebe então que o espaçamento entre eles tem um papel muito importante na interação positiva. As características de personalidade são o resultado do conjunto de

8 experiências pelas quais os indivíduos passam ao longo de sua vida. A experiência com os irmãos é somente uma delas e a ordem no nascimento tem certo efeito, embora talvez não seja o determinante fundamental. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora a família constitua em um primeiro momento o meio de desenvolvimento mais imediato para a criança, a escola transforma-se logo em um importante contexto de socialização. Todas as culturas possuem sistemas organizados, de maior ou menor complexidade, mediante os quais os indivíduos adultos preparam os jovens para sua incorporação a sociedade. A escola é, por excelência, a instituição encarregada na transmissão dos saberes e valores de cultura e, portanto, de preparar as crianças para o desempenho adequado do papel do adulto ativo nas estruturas sociais estabelecidas. A educação pré-escolar, e a escola em geral, constituem contextos de desenvolvimento diferenciados da família. Trata-se de dois contextos (família e escola) que são definidos por padrões de comportamento, regras de interação, métodos de comunicação e procedimentos de informações que lhe são características. Sobre a escola falaremos mais detalhadamente no quarto capítulo deste trabalho. Apesar de a escolarização obrigatória pressupor uma considerável ampliação dos contextos de socialização externos ao lar, adquirindo uma crescente importância, a família contínua exercendo uma notável influencia sobre a criança. Nessa idade, geralmente continuam sendo válidos os padrões gerais de influências das práticas educativas dos pais sobre a auto-estima, dependência, motivação de conquista da criança, etc. Encontramos continuidade, por exemplo, no fato das crianças educadas em ambientes democráticos continuarem mantendo as características positivas detectadas nos anos pré-escolares; se, além disso, os pais tiverem mantido exigências de conduta madura e uma exigência consistente de cumprimento de regras, ainda será maior a capacidade das crianças para tomar iniciativas, assumir o controle de situações e esforçar-se nas atividades cotidianas. Em outros terrenos ocorre uma mudança evolutiva, como no da influência sobre o comportamento agressivo. O controle estrito sem explicações das normas foi associado, durante os anos pré-escolares, a crianças dóceis, não agressivas; este padrão continua sendo assim somente quando é acompanhado de níveis razoáveis de afeto, já

9 que, quando isso não acontece, ou seja, quando junto a um comportamento autoritário há falta de afeto, começam a aparecer comportamentos anti-sociais. De fato, o castigo, especialmente o físico, apresenta uma ligação evidente com a agressividade das crianças, pois estas podem encontrar em seus pais agressivos um modelo de comportamento a ser imitado, sendo algumas vezes, freqüente se apresentarem dóceis no contexto da família e agressivas em outros ambientes. Weill enfatiza que, Pesquisas colocaram em destaque o fato de a conduta dos filhos na escola e em cada ser, em grande parte, uma reação dos pais para com os filhos. Isto é tal ponto verdadeiro, que se constatou que a maioria dos problemas de comportamento, tais como a ausência de atenção, brutalidade ou instabilidade, são causadas pela conduta e pelas atitudes dos pais. Já é lugar-comum a afirmação de que há mais pais problemas do que filhos problemas. (WEILL, 1979, p. 45). A influência dos pais, durante os anos escolares, também é notada, de forma acentuada, na socialização dos papéis sexuais. Na família convencional, as mães tendem a se manifestar como submissas, emotivas, sensíveis as situações interpessoais, afetuosas; em contraste, os pais costumam aparecer como mais dominadores, independentes, assertivos e competentes, na hora de enfrentar os problemas. Como é no interior da família que se reproduz a tipificação sexual que caracteriza nossa sociedade as crianças tenderão a imitar esses padrões, principalmente quando esses modelos são atrativos e afetuosos. A tipificação sexual não se produz apenas pela imitação dos modelos, mas também mediante praticas educativas diferenciadoras, de forma que se animam os meninos a serem independentes competitivos e que controlem os sentimentos, enquanto se ensina as meninas a serem afetuosas hábeis nas atividades interpessoais, emocionalmente expressivas e dependentes. Os brinquedos e as roupas que são compradas, a decoração de seus quartos, etc., são outros exemplos desse processo. Em síntese, a influência da família sobre as crianças, durante os anos escolares, é observada em diferentes dimensões evolutivas (agressividade, sucesso escolar, motivação de sucesso, socializadora dos papéis sexuais), da mesma forma que acorria nos anos pré-escolares. Geralmente, são os estilos educativos democráticos, por sua judiciosa combinação de controle, afeto, comunicação e exigências de maturidade, os que propiciam um melhor desenvolvimento da criança.

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARÓN, Ana Maria e MILICIC, Neva. (Trad. de Jonas Pereira dos Santos). Viver com os outros Programa de desenvolvimento de habilidades sociais. Editoril Psy II GALVÃO, Isabel. Henri Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis-RJ: Vozes, SCOZ, Beatriz Judith Lima... [et. al.]. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, WEILL, Pierre. A criança o lar e a escola: Guia prático de relações humanas e psicologia para pais e professores. 9 ed. Petrópolis RJ: Vozes, 1979.

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