U m conto de Calvário, Morte e R essureição

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1 U m conto de Calvário, Morte e R essureição Escrevendo torto por linhas retas Kirlaine olhou ansiosa para o relógio: eram 2 e 15. Max estava atrasado mais de meia hora. Toda vez que eles marcavam de se encontrar, ele sempre chegava cedo, às vezes cedo até demais; mas, logo hoje, que ela precisava lhe falar algo importante, ele atrasava. A campainha tocou. Ó meu Deus, ela pensou, que seja ele, que seja ele. Através do olho mágico ela o viu suado e bufando. Ele sabia que estava atrasado. Pelo menos isso, ela suspirou, ajeitando o cabelo. Ela abriu a porta. Ao vê-la vestindo o robe vermelho e puído que ele lhe dera, sorriu. Era estranho como ele colocava os seus dentes à mostra. Não que fossem feios, mas ele não parecia acostumado a sorrir. Não devia ter pensado nisso, Kirlaine se repreendeu, só vai tornar as coisas mais difíceis. Ele lhe entregou flores com um pequeno livro vermelho. Livros, pra que livros? Ele não sabia que estavam ali só para transar? Só para transar e nada mais? Ele a abraçou com força, cafungou violentamente o seu pescoço e foi carregando-a pra dentro do quarto de hotel, fechando a porta com o pé da melhor maneira que pode. Calma, Max ela se defendeu. Eu preciso falar algo sério contigo. Ele parou imediatamente com tudo que estava fazendo e colocou-a delicadamente no sofá esperando por qualquer pedido que ela viesse a fazer. Ela respirou fundo e fechou os olhos. Ó, Deus, daí me forças, rezava.. - Max, eu não posso mais te ver! disse de repente. Ele pareceu não entender o que ela tinha dito. Não vê-la mais? Mas eles não tinham feito um pacto? Não tinham, eles, prometido amar pelo tempo que a sua curta vida lhes permitisse? - Como é Kirlaine? Eu não posso mais te ver? Por que isso, nós não... Max, vê se entende, eu tô te fazendo mal. E isso me faz mal. Eu não quero que você sofra por mim e... Perdeu a voz. Como podia estar fazendo aquilo com ele. Aquela maldade com um homem tão bom. E o pior é que tudo começara como uma brincadeira, como tudo sempre começa. Quando o viu pela primeira vez, decidiu fazê-lo acreditar que ela morreria em menos de dois anos, só por farra. Aos poucos Kirlaine foi lhe convencendo de que ele era o único em quem ela podia confiar. A princípio, ela não esperava que ele cairia tão facilmente e tão rapidamente numa história tão absurda. Era tudo só por diversão. Mas depois de algum tempo veio o remorso, e a pena, ao vê-lo comprando remédios e a tratando tão bem que manter a pequena mentira não parecia machucar ninguém.

2 Ela tinha se enganado. Como é Kirlaine? ele dizia com a voz embargada Foi alguma coisa que eu fiz? Eu te tratei mal? O tolo continuava preso a mentira. Ela não podia mais sustentar essa situação. Imaginem só se por sua causa ele não conseguisse mais de relacionar com ninguém? Seria uma lástima. Se ele a fizera tão feliz, qualquer mulher ficaria honrada em tê-lo. Seria um crime contra toda à humanidade. Me diz Kirlaine, foi algo que eu fiz? Me perdoa garota, eu só quero estar do seu lado. Eu não vou conseguir sem você. Me responde, Kirlaine, por favor... Se ela não podia nem olhar pra cara dele de tanta vergonha, como ia poder lhe responder? Ela percebeu que tinha que falar algo, mas o que? Contar outra mentira? Bom, se ele havia caído na primeira, cairia em todas as outras, cogitou. Não, ela não podia mais mentir. Não para ele. Para ele jamais. Fora isso, o que lhe restava? Contar a verdade? Ela ouviu os seus comedidos soluços de Max e recebeu a resposta a sua última pergunta. Não, não podia lhe contar a verdade. Ele não resistiria, nem ela. Que pateta fraco, pensou, que pateta fraco eu fui arrumar. Kirlaine, me diz alguma coisa, por favor. Me diz alguma coisa. Ela cerrou os olhos e reuniu todas as forças que lhe restavam para encará-lo e seguiu o que a selvageria da sua intuição mandava. Ela se virou. Viu ele sentado ao seu lado, como uma criança, deixando as lágrimas escorrerem de seus olhos sem pudor. Sem jeito ela pegou em suas mãos e nada conseguiu dizer. Jogou a cabeça no seu colo e começou a chorar também. Se ela não o amasse tanto, se ela não tivesse começado tudo da maneira errada, se ela... Olha Kirlaine ele a consolava se recuperando da sua própria dor. Eu sei o que você quer dizer, mas você está errado em achar que eu não vou sofrer se estiver longe. Muito pelo contrário. Eu vou é sofrer bem mais. E sabe por que, Kirlaine? Sabe por que? Ela não podia responder, seu corpo tremia e pedia a morte que tanto havia anunciado. Ela não tinha como responder. Sabe porquê? ele insistiu. Ela inspirou com força e ao expirar respondeu meio sem querer: Não... É porque ele esclareceu se você me deixar, eu nunca mais vou me interessar por outra em toda a minha vida. Porque você é a única mulher que eu vou amar até o fim dos meus dias.

3 Ela mordeu o lábio com força até sagrar. Ela tinha ido longe demais. O estrago já havia sido feito. Não havia como voltar atrás. Ele levantou o rosto dela com delicadeza e cuidadosamente limpou com um lenço o sangue do lábio cortado. Calma querida tudo vai ficar bem. Olha, você não pode desistir, pois eu não vou deixar. Ela piscou um sim triste e o abraçou mancando a sua camisa branca de sangue. O coração dele batia triunfante. Era como uma parada militar celebrando a paz mundial, era como toda parada militar : um engano. Olha querida, o que eu trouxe pra você. Ela ergueu a cabeça, resignada e olhou o pequeno livro que ele tinha na mão: SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO. Ela riu baixinho da tolice dele e balançou a cabeça. Toma ele lhe disse. Ela pegou o livro e ficou apreciando a capa. Fadas brincavam em volta de um casal rodeado por uma floresta repleta de flores do campo. É história do quê? ela perguntou, já se recuperando. É uma história sobre fadas e, por mais idiota que isso pareça, sobre a vida. Isso não é idiota, Max ela rebateu. Legal. Eu vou ler mais tarde declarou colocando o livro no sofá. Os dois se olharam, talvez felizes, talvez tristes, mas vivos e principalmente, cheios de culpa. Culpa essa que celebraram do único jeito que existe: continuando com a sua farsa. Uma hora depois, Max desceu as escadas do hotel radiante. Eram nove longos andares, mas a alegria de ter quase perdido e de ter podido recuperar, superavam a dor e o cansaço que a descida lhe provocaria. Alcançou a rua, assobiando uma canção que não sabia o nome, e olhou pra cima procurando a janela do quarto. Ela não estava lá, mas do que isso lhe importava? Ele a amava e por isso toda noite, sem falta, lembrava de rezar pra que a sua doença não passasse de uma mentira, a qual perdoaria, para, enfim, viverem juntos pelo resto da vida. Parou no ponto de ônibus e, esperando o 571, começou a imaginar como seria bom se tudo fosse ilusão. Só então percebeu que não gostaria nada disso. É, talvez ela estivesse apenas mentindo e com isso, se aproveitando do amor que sentia. Isso era horrível de se pensar mas era possível. E o mais engraçado de tudo é que se ela quisesse revelar essa fraude, o melhor momento teria sido a conversa que eles tiveram há poucos minutos atrás. Então tudo começou a fazer sentido. Ela estava lhe mentindo e ele não passava um trouxa numa troça sem razão realizada por uma verdadeira filha da puta.

4 Ele olhou mais uma vez para o prédio e amaldiçoou aquela mulher. Meu Deus, pensou, eu ainda lhe dera um livro de Shakespeare. Um livro que ela não iria ler. O ônibus chegou e Max entrou nele prometendo a si mesmo nunca mais voltar. No nono andar, alheia a tudo isso, Kirlaine sorria, se olhando no espelho. Sentiu de repente uma forte dor de cabeça e estranhamente desejou que todas as mentiras que contara fossem a mais pura verdade. Parecia tolice, mas se ela não podia viver em paz, a paz na morte, com o homem que amava, lhe parecia uma maravilhosa opção.

5 O Fim Quando Kirlaine acordou, logo percebeu que não estava sozinha. Após olhar para todos os lados pode ver, além uma enorme linha de camas, uma antipática negra vestida de branco fazendo palavras cruzadas sentada numa cadeira ao seu lado. Desta vez não havia muito pra se especular. Dessa vez ela sabia que tinha ido longe demais: ela tinha acabado no hospital. Apesar dela já estar acordada há um bom tempo, essa mudança em suas condições ainda não havia sido notado. Por isso, tentou, discretamente, se levantar procurando uma saída. Primeiro, colocou as finas pernas pra fora da cama e calçou cuidadosamente dois chinelos ásperos e pequenos que encontrou no chão. Olhou mais uma vez, para a negra e não notou qualquer tipo de movimento. A pobre enfermeira continuava entretida com sua revista de enigmas. Tentou então se levantar num pequeno salto, mas não conseguiu. Quando suas pernas se colocaram sozinhas sobre o chão, ela caiu imediatamente, como se nunca, em toda a sua vida, houvesse ousado andar. Seu rosto se chocou contra o chão violentamente. Seu nariz e seus dentes começaram a pulsar como se ela tivesse levado um soco. Talvez tivesse, mas quem saberia? Ela levantou a cabeça com esperanças de correr para a rua, mas tudo o que pôde fazer foi estender a mão para a enfermeira que agora se encontrava a sua frente. A enfermeira puxou-a com força e colocou-a de volta na cama. Kirlaine suspirou aliviada e quase se repreendeu por isso. Olhou para a enfermeira, que voltara a fazer palavras cruzadas, preparando-se para falar. Sua garganta estava extremamente seca e a primeira sílaba que pronunciou rasgou algo dentro dela. Sentiu o sangue subindo rápido e procurou um lugar para cuspir. Para a sua sorte, a sua vigia já estava segurando uma comadre bem na sua frente. Se pudesse, ela até riria com tal prestatividade, mas primeiro, cuspiu. Após recolher o sangue que Kirlaine soltara pela boca, a negra botou a comadre debaixo da cama e sorriu um sorriso mal treinado antes de voltar às palavras cruzadas. Kirlaine passou a língua pelos lábios tentando suavizar a secura de sua boca, então a procura de algumas respostas que talvez não quisesse ouvir, perguntou-lhe : Como eu cheguei aqui? A enfermeira sorriu e serviu-lhe um copo d água. As palavras cruzadas haviam agora sumido de vista e pareciam que nunca mais iam voltar. Bem, querida, dois policiais te encontraram caída numa rua... nós te fizemos alguns exames e não tivemos boas notícias... Kirlaine terminou de beber o copo d água e colocou-o em cima do criado mudo. Eu já sei... há muito tempo, eu já sei dessas más notícias. A enfermeira sorriu embaraçada e retirou do nada a sua revista, como se nada mais houvesse pra se dizer. Realmente, não havia. Já se fora o tempo de falar. E pelo que parecia, era chegado o tempo de calar... Mas não tão cedo ainda.

6 Qual é o seu nome? Kirlaine perguntou suavemente. A negra levantou os olhos surpresa e se empertigou antes de responder. Maria, minha filha... Maria. Aos poucos, Kirlaine foi se acostumando à rotina do hospital. Banhos vergonhosos, comida fria e mal feita, e, o pior de tudo, os milhares de médicos que vinham a cada dia tirar-lhe cada vez mais as esperanças e dar lhe cada vez mais consolos. Tudo isso seria insuportável, se não fosse Maria. Maria era a sua vigia, sua santa e sua guardiã. Toda vez que a dor voltava, ela gritava pelo seu nome e, fosse dia ou noite, ela aparecia para passar a mão em sua cabeça e acalmá-la. Calma, minha filha... isso vai passar. Eu sei, Maria, - Kirlaine suspirava mas não é só isso que vai passar. Então, a tristeza superava a dor, o pranto abafava os gritos e o sono lhe trazia o descanso de que tanto ansiava. Um dia, essa rotina foi alterada pela chegada de um novo médico. Médico não, - ele gostava de objetar doutor. Doutor Erik. O doutor Erik era alto, magro e de poucas e valiosas palavras. Lentamente, ele foi afastando todos os outros médicos, até que só ele restou para cuidar dela. Ele aparecia todo dia pela manhã, dispensava Maria e conversava longamente sobre assuntos que relação nenhuma tinham com a sua doença. Após algumas horas e algumas risadas, ele se despedia e ia embora sem explicações ou diagnósticos. Kirlaine chegou a pensar que estivesse melhorando, mas as suas pernas fracas, as suas dores de cabeça e a sua falta de apetite transformavam esse bom sinal em uma simples ilusão. Um dia, cansada de mistério, perguntou a Maria o que esse Erik queria. Maria simplesmente respondeu : Ele só veio trazer a última palavra. A palavra final. Seria possível que ele apenas a estivesse distraindo? Será que aquela bondade toda fosse distribuída apenas por uma obrigação contratual? Kirlaine não sabia. Fosse o que o fosse, nada lhe seria tão estranho quanto que o já lhe havia acontecido. Mas agora não havia mais motivo para segredos. Nem tempo. Por isso, na manhã seguinte, ela perguntou diretamente a Erik o que ele tanto vinha fazer ali. Erik abaixou a cabeça e fechou os olhos. A espera a fez suar frio. Seria possível?.ele a olhou com o canto das olhos e enfim disparou : Você sabe do seu estado, não é? Kirlaine engoliu em seco. Ela sabia o seu estado. Ela sempre soube e nunca fez mistério para si mesma de quanto tempo ela ia durar. Ela tremeu.

7 Não sabe? ele insistiu. Eu sei ela respondeu, abaixando os olhos. Levou as mãos ao rosto tentando impedir a profusão de lágrimas. Mas não conseguiu. Ela nunca conseguia. Eu preciso dizer mais alguma coisa? ele perguntou ao pé do seu ouvido. Esse suposto carinho só a fez sentir-se pior, por ter sido enganada. Ela sentiu uma das mãos dele em sua nuca e a outra em seu joelho. Procurou algum tipo de força oculta em seu corpo e afastou o seu braço, o que o fez recuar por inteiro. O silêncio era assustador. Ela quase podia sentir o soro pingando em direção à sua veia. Ela jogou a cabeça para trás e olhou para o doutor Erik. Ele não parecia mais aquele sujeito amigável e alegre. Ele apenas era mais um cara entre todos os outros que a enganaram e sumiram. Aquele era apenas mais um cara. Kirlaine enxugou as lágrimas e se despediu com uma voz firme e seca : Eu não quero que você venha me visitar mais. Erik bufou e acatou com a cabeça. Ok. Se é o que você quer... Desculpe qualquer coisa. Kirlaine sorriu meio sem querer e o observou partindo pelas portas brancas que ela nunca iria transpor. Ao sabê-lo longe o suficiente de sua voz e de suas emoções, ela pôde responder ao seu pedido de desculpas com um simples Não há de quê. A ida de Erik piorou consideravelmente o estado de Kirlaine. Ela começou a ter crises diárias e pouco acontecia a sua volta para que ainda viesse a se considerar viva. Os dias começaram a ser cada vez mais longos e dolorosos. Apesar disso ela rejeitava qualquer maneira de aliviar seu sofrimento. Não tinha tido coragem até agora. Algum dia precisava ter. Era melhor que fosse agora. Numa noite, todos os médicos, que há muito não apareciam vieram juntos olhá-la num silêncio constrangedor. Até percebeu Erik apareceu escondido por trás de uma das portas brancas, envergonhado por tudo que precisava ser. Apesar de estar atingindo o desespero quase completo, ela se manteve calma o quanto pôde durante a exibição. Após ser deixada em paz por todas aquelas carpideiras diplomadas, chamou Maria discretamente e perguntou-lhe inutilmente : É hoje? Parece que sim, querida... Ao contrário do que ela esperava não foi uma noite repleta de dores, choros ou lamentações. Ela apenas sentia suas forças a abandonando como um exército se retirando de uma guerra que não podia ganhar. Ao seu lado, Maria esperava, lendo um

8 livro vermelho, como se nada fosse acontecer. Como se ninguém em todo o mundo, fosse algum dia morrer. Pouco antes do amanhecer, Kirlaine acordou. Ela já ouvia os passos dos últimos soldados se despedindo do front. Olhou para Maria. Ela continuava impassível a virar as páginas do seu pequeno livro vermelho com um leve sorriso em seus lábios. Kirlaine riu. Riu alto o suficiente para tirar a sua guardiã do transe que o livro lhe impusera. Elas se olharam como da primeira vez em que se viram. Elas se olharam como se fosse a última vez. O que você está lendo? perguntou Kirlaine com um pouco de voz que lhe restava. Maria virou o livro em sua direção. Podia-se ler sobre a capa vermelha em letras pretas e garrafais : Sonhos de uma noite de Verão. Eu conheço esse livro. Kirlaine se lembrou Um namorado deu pra mim. Maria olhou para o livro surpresa. Você conhece a história, querida? Não... eu nunca cheguei a ler. Maria assentiu com a cabeça, sem precisar, sem porque, e voltou para as suas preciosas páginas. Sentindo-se cada vez mais sozinha, Kirlaine pediu: Lê para mim? Eu já estou quase no final... Não tem importância, lê pra mim... Maria balançou a cabeça e começou: Se nós, sombras, vos ofendemos... Kirlaine se sentou da melhor maneira possível para ouvir, mas seu corpo doía e os passos dos pequenos soldados não passavam de ecos distantes sumindo na planície destruída. Pensai somente nisto e tudo estará resolvido : Ficastes aqui dormindo, Enquanto apareciam estas visões. Kirlaine sentiu algo como uma faca penetrando a sua fronte. A dor era aguda e forte, tão forte que fez Maria parar de ler. Tudo bem, minha filha? Kirlaine forçou um sorriso e tranquilizou sua companheira : Claro... só continua a ler... Só continua a ler... Maria voltou para a sua terrível missão :

9 E este fraco e humilde tema, Que nada mais contém do que um sonho Gentis espectadores, não o condeneis. Nesse momento Maria fez uma pausa deliberada, uma pausa longa o suficiente para que qualquer ouvinte viesse a reclamar, mas nada ocorreu. Maria, seguindo suas ordens, continuou : Se nós perdoardes, nós nos emendaremos... Finalmente, parou. Não havia mais por que ler. Nós nunca emendaríamos. É verdade, nunca o faremos. Ela olhou para Kirlaine e viu-a tombada para a esquerda, soltando um leve filete de sangue pela sua boca, agora, eternamente emudecida. Maria arrumou seu corpo e cobriu seu rosto com o lençol, o qual rapidamente se manchou de vermelho. A nobre enfermeira largou, então, o seu livro e voltou às palavras cruzadas. Com certeza, esses enigmas eram muito menos dolorosos de se resolver.

10 Redenção de última hora Eu fiquei sabendo da morte dela por um amigo em comum. Não foi nada como um aviso desesperado ou pedido de ajuda para poder cimentá-la numa parede, foi apenas um comentário. Você sabe quem morreu? A Kirlaine. No momento em que a notícia me alcançou foi como se todos os meus sonhos e pesadelos tivessem se realizado ao mesmo tempo e de uma só forma. Por isso, quando fiquei sabendo da sua morte, eu chorei e ri, como se o ano novo tivesse finalmente me alcançado, como se eu pudesse enfim começar de novo. Mas isso não poderia ser feito imediatamente. Todas as dívidas precisam ser pagas e os mortos sempre vão precisar de flores. Assim, eu fui visitá-la. Cheguei ao cemitério por volta das 11 da manhã. Era uma segunda-feira de inverno, anormalmente quente, mesmo pros padrões do Rio. Por baixo da minha grossa camisa de lã cinza, eu suava, frio, e sentia um arrepio que indicava febre e delírios, pelos quais, naquele momento, eu não queria e nem precisava passar. Tudo o que eu pedia era poder entrar naquela necrópole, deixar algumas flores na frente de uma parede e sair pelo mesmo portão por onde havia entrado. Parecia pouco, mas os nossos desejos nunca são realizados facilmente. Isso, eu sempre soube. Isso, Deus nos prometeu. Atravessei o labirinto de túmulos e mausoléus, alcancei a área das longas paredes de cimento, onde ela estaria presa, e comecei a ler os nomes inusitados. Arnaldo, Maria, José. Companhia não lhe faltava naquele lugar. Depois de alguns minutos de incessante busca, eu acabei por encontrar o buraco dela. Kirlaine de Almeida. Nascida em 22 de junho de 1976 morta em 20 de março de Passei a mão pela rústica escritura que gravava a sua breve vida e ri. Ela tinha acertado, não chegaria aos 19 anos. Senti as flores pesando na minha mão e olhei o buquê que tinha comprado. Flores do campo. Não eram as mais adequadas pra situação, mas sempre foram as suas preferidas. Me dá essas flores eu a ouvi dizer atrás de mim. Assustado, me voltei para a voz e tudo que encontrei foi uma pequena menina loira dos seus oito anos, de mão dada com uma senhora de meia idade, toda vestida de preto. Moço, me dá essas flores ela insistiu. Não incomoda o moço, minha filha. Não vê que essas flores não são para você? a mãe a repreendeu. Eu mais uma vez olhei pro buquê preso idiotamente na minha mão e soube imediatamente com a mais absoluta certeza o que a Kirlaine faria naquela hora. Não se preocupe, minha senhora eu a tranquilizei. Essas flores não tem a menor importância aqui. Eu acho que a sua filha vai apreciá-las mais do que aquela pra quem eu trouxe o buquê. Mas...

11 Sem mas, minha senhora : as flores são da sua filha. A mãe espantada tentava inutilmente conter a filha que agora pulava freneticamente na minha frente. Era bom ver alguém sorrindo de novo. Eu me agachei e com uma certa reverência entreguei o buquê pra menina radiante. A mãe agradeceu com a cabeça e partiu lentamente. Quando sumiu da minha visão a menina ainda admirava as flores como uma dádiva de Deus. Talvez, ela tivesse uma certa razão. Isso foi muito bonito me disse uma voz grossa, mas aconchegantemente feminina. Com uma certa preguiça, encarei a minha interlocutora. Era uma negra alta e gorda, vestida com um tailleur branco quase virginal. Esse era realmente um dia de sorte, um dia pra ser lembrado. Foi muito bonito... quero dizer, o que o senhor fez ela repetiu. Sorri encabulado e assenti com a cabeça. Ela se colocou ao meu lado e depositou uma só rosa vermelha na frente da placa da Kirlaine. Eu voltei a minha atenção para o rosto gordo da negra e senti uma adoração quase religiosa por aquela mulher. Ela abaixou a cabeça por uns momentos e fez uma pequena prece silenciosa. Eu continuava a encarando. Era como a visita de um anjo. Ela se virou pra mim e abriu uma enorme boca de satisfação. O senhor deve ser o namorado dela... É, quer dizer, fui. Ela começou a remexer na bolsa preta que carregava e tirou dela um pequeno livro vermelho. Então isso é um presente pro senhor declarou me entregando o livro. Eu virei a capa na minha direção já sabendo o que ia encontrar : Sonhos de uma noite de verão. Obrigado... significa bastante pra mim... bem pra nós. Eu li pra ela... pelo menos, o final disse constrangida. Eu abri o livro e o folheei um pouco. E ela gostou? Ela deu de ombros. Isso eu não sei lhe dizer. Ela morreu antes de dizer qualquer coisa.

12 Eu não sabia mais o que dizer. Kirlaine veio, destruiu a minha vida, me fez acreditar que nunca tinha me amado e agora isso. E agora, Shakespeare. Eu não sei o que dizer... confessei. Eu também não soube. Quero dizer... na hora. Na hora? Foi doloroso? Tanto quanto era possível. Me desculpe. Na capa do livro fadas brincavam em volta de Titânia e Oberon. Poderíamos ser eles, Kirlaine. Poderíamos ser eles. Voltei meus molhados olhos para a gorda e pedi : Desculpe pedir isso, mas... eu posso abraçar a senhora? Ela sorriu, como se já houvesse ouvido isso antes. Senti-me confortado. Claro, meu filho. Como você quiser. Eu a abracei com força e senti o calor dos seus braços gordos me comprimindo, me penitenciando por tudo o que eu havia deixado de fazer. Mas no fundo, eu me sentia perdoado. Bem no fundo, eu sentia pena de mim por não ter confiado no amor que eu sentia e por ter me privado de passar os seus últimos momentos ao seu lado. Bem fundo, eu sentia a maior culpa que existe em todo mundo. Eu sentia culpa por ter tido medo de amá-la. Você me perdoa? sussurrei preso entre as carnes da negra. Ela me respondeu : Claro. Quem não te perdoaria? E chorei, como se fosse a última vez. Gostou? Doe!

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