O Gênero Conto de Fadas na Perspectiva do Letramento Crítico

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1 O Gênero Conto de Fadas na Perspectiva do Letramento Crítico Amélia Thomé Paulino (PDE) Resumo: O propósito deste artigo é descrever e analisar uma intervenção realizada na sala de aula voltada para trabalhar o gênero conto de fadas segundo as teorias de letramento como prática sociocultural. A análise tem como foco o processo de mudança na natureza do conteúdo a ser ensinado e na metodologia de ensino de língua inglesa no Ensino Médio. Este trabalho busca refletir sobre alguns aspectos que podem ser considerados como inovadores no trabalho com língua estrangeira, bem como apontar as reações dos envolvidos nesse processo de inovação em busca de uma educação de melhor qualidade para todos. Palavras chave: Teorias de letramento. Mudanças metodológicas. Natureza do conteúdo. Inovação. Reação. Abstract: The purpose of this article is describe and analyse an intervention that took place in an English language classroom based on the fairy tale genre and supported by theories of literacy as sociocultural practice. The analysis focuses on the process of change in both the nature of the content being taught and the methodology of teaching English in high school. This paper presents a reflection on some aspects that may be considered innovative in working with foreign language teaching and brings the reactions of those involved in the process of innovation as an attempt to reach higher quality education for all. 1 - Introdução: A educação brasileira atravessa uma fase de questionamentos e reformulações em busca de novos rumos. As orientações dos Documentos Oficiais, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e Diretrizes Curriculares Estaduais (DC), sinalizam novos caminhos para a formação na educação básica. Os PCN

2 trazem à discussão o conceito de interdisciplinaridade e transversalidade como tentativa de aproximar o conteúdo ensinado à realidade vivida pelos alunos, orientam um ensino de língua mais voltado à comunicação e contextualização de conteúdos deixando para trás uma aula de caráter mais repetitivo e mecânico, enfatizando o caráter comunicativo da língua, bem como promovendo a articulação entre as disciplinas a fim de contribuir com uma formação global do educando. Os temas transversais tratam de questões consideradas como de urgência social: Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação sexual, Trabalho e Consumo (BRASIL, 1996). Por sua vez, as DC apontam para a necessidade de abordar a língua como discurso, como prática social, para tanto se faz necessário uma nova atitude diante da língua. O texto objeto de ensino-aprendizagem de língua é movimento de leitura e escrita, uma manifestação interlocutiva, cuja completude se realiza com a participação do leitor, na leitura (RAUPP, 2008). No processo de construção coletiva das DC, verificou-se que a abordagem comunicativa tem orientado o fazer pedagógico nos últimos tempos. Nos moldes comunicativos a língua é tratada com uma aparente neutralidade onde o conceito de cultura se apresenta de forma homogênea, dissociada da língua, funciona como mero instrumento de comunicação. Embora essa abordagem apresente um avanço no ensino e aprendizagem de língua inglesa verificou-se um ensino inadequado, deficiente que levou as autoridades e profissionais da educação a repensar o ensino e acabaram por orientar práticas de ensino de língua, cujo ponto de partida e chegada é o uso efetivo da linguagem, a sua compreensão ativa e não a decodificação e o silêncio (BRASIL, 1996). Em busca de um ensino que atenda as demandas da sociedade atual que visa um ensino de qualidade nas escolas públicas, o conhecimento de inglês é hoje considerado um direito e um requisito para o exercício pleno da cidadania, dada a importância deste idioma no mundo globalizado. Desta forma fica evidente que uma nova atitude do poder público e do professor diante da língua e do ensino de línguas torna-se questão essencial para responder a essas circunstâncias e garantir um ensino de qualidade. O Brasil é um gigante, forte e inteligente, que precisa de oportunidades para estudar para se engajar nos discursos que circulam no mundo:

3 necessita deixar de viver a síndrome de escravo (GADRIOT-RENARD, 2005, p.32, apud DAMIANOVIC, 2006). Isso significa, segundo Moita Lopes (2003), aumentar as oportunidades de realização e desenvolvimento individual e social na vida contemporânea. Por isso investir na formação continuada do profissional desta área e em um ensino que garanta ao educando o uso efetivo da língua inglesa é sem dúvida um investimento sem precedentes na história do ensino nas escolas da rede pública, contribuindo grandemente para diminuir a distância entre grupos sociais que têm marcado profundamente a sociedade brasileira e dificultando avanços e melhorias que atinjam todos os indivíduos dela participante. Toda vez que ocorrem mudanças no âmbito educacional, elas levam algum tempo até serem absorvidas e postas em funcionamento pela comunidade escolar. Desde a publicação dos PCN, a elaboração das DC, os encontros de formação e reflexão para professores promovidos pela Secretaria Estadual de Educação (SEED) com o intuito de levar o professor a repensar sua prática pedagógica embasada em uma pedagogia crítica, objetivando desta forma uma melhoria no nível de ensino nas escolas públicas, tem se notado que ainda existe um grande número de professores que permanecem em sala como se nada tivesse mudado no ensino, ou seja, não tomando ciência das mudanças que estão ocorrendo. Espaços de formação continuada como o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) elaborado como um conjunto de atividades organizadas que trata de questões relevantes na área educacional como: formação dos profissionais da educação, fundamentação teórica que embase o trabalho pedagógico, articulação do discurso acadêmico com o saber e o fazer em sala de aula, dando ao professor do Ensino Básico a oportunidade de conhecer os saberes produzidos histórica e socialmente, por meio de pesquisa e incentivá-lo a tornar-se um pesquisador, garantindo a melhoria do ensino nas escolas públicas. São oportunidades para um aprofundamento nos pressupostos e para a proposta alternativas que orientam as mudanças. Neste contexto, o objetivo desse trabalho é analisar uma experiência de inovação no sistema de ensino ocasionada pela implementação de uma unidade didática com base no gênero conto de fadas que propõe uma mudança

4 metodológica e na natureza do conteúdo a ser ensinado em língua inglesa no Ensino Médio, tomando como base a perspectiva da professora autora e de alunos, por serem estes, fundamentais no processo de ensino aprendizagem e para os quais todos os esforços devem ser direcionados para se obter uma aprendizagem efetiva. Para tanto, este trabalho procurou investigar de modo mais específico em que aspectos a unidade didática pode ser considerada inovadora da perspectiva da professora autora, e as reações de seus alunos ao que se considera inovador. É importante pesquisar estas questões devido ao novo enfoque que é dado ao discurso como prática sociocultural, onde tanto a opção teóricometodológica quanto o idioma a ser ensinado na escola não são neutros, mas profundamente marcados por questões políticas-econômicas e ideológicas, que resultam muitas vezes do imperialismo de uma língua (PARANÁ, 2006, p.28). Esse conhecimento irá avançar no que se sabe a respeito do trabalho com gênero ancorado no letramento crítico, orientação contundente na área educacional para que os gêneros sejam reconhecidos, interpretados e discutidos. Dado que os gêneros refletem a própria dinâmica global da sociedade, há interesse em selecioná-los por sua relevância social e buscar descrever seu funcionamento para fins pedagógicos (MARCUSCHI, 2002). 2 - Desenvolvimento: Nesta seção será abordado o conceito de inovação, de letramento crítico e de gêneros textuais, possíveis instrumentos inovadores capazes de proporcionar mudanças significativas no ensino de línguas. Para finalizar esta seção, será apresentada uma análise de uma unidade didática a fim de apontar suas características inovadoras do ponto de vista da pesquisadora-autora e as reações de alunos diante do que se considera inovador Inovação

5 É objetivo não só do governo, mas de toda sociedade brasileira, proporcionar ao indivíduo uma formação básica que garanta o pleno exercício da cidadania num mundo globalizado e em constantes mudanças. Diante da atual realidade, a sociedade como um todo pede uma escola de qualidade. Assim, as escolas têm buscado de diversas maneiras inovar na expectativa de encontrar respostas para os desafios que enfrentam para alcançar uma educação de qualidade para todos. Inovar, conforme Mitrulis (2002) significa introduzir em determinado meio algo que foi inventado, descoberto, criado anteriormente com o objetivo de melhorar aquilo que existe, de introduzir em dado contexto um aperfeiçoamento, um melhor saber, um melhor fazer e um melhor ser (MITRULIS, 2002). Portanto, inovação no sentido de promover mudanças no sistema educacional, é introduzir algo novo, diferente para melhorar o estado de coisas vigente. O essencial da inovação, assim para Mitrulis (2002), é o sentido que se constrói, a nova maneira de ver aquilo que já existe e o que já é realizado. Representações, valores, significados, definem o conceito de inovação em educação (MITRULIS, 2002). De acordo com a literatura acerca do conceito de inovação em educação, tem-se aceito a idéia de que a inovação é antes um processo que um acontecimento (FULLAN, 2000, apud MESSINA, 2001). Entretanto no tocante as inovações no sistema educacional brasileiro, pouco se têm avançado. As inovações têm ocorrido mais nas esferas oficiais como estratégias que partem do centro para periferia do que no nível da escola e sala de aula. Isso quer dizer segundo Messina (2001), que as reflexões e decisões acerca das inovações ocorrem entre os acadêmicos, passando a se constituir um discurso destes, atrelado muitas vezes a um pequeno grupo de intelectuais e às vezes ao poder público, quando este tem a intenção de promover mudanças as quais não chegam ao cotidiano escolar por permanecerem na esfera central. O caráter centralizador referente às inovações educacionais tem se mostrado ineficiente no processo de disseminação das novas idéias. Inúmeros são os obstáculos a encarar devido ao distanciamento do centro (setores mais

6 desenvolvidos como os acadêmicos, os intelectuais e o poder público) e periferia (comunidade escolar, os mais distanciados das tomadas de decisões), como sistema de relações entre o âmbito central e periférico, padrões organizacionais, tradicionais, culturais sociais e pedagógicos diversos, insuficiência de recursos financeiros, formação precária do professor, insegurança, desconforto e conflitos que os processos de mudanças geram, e que são interpretados como comportamento de resistência às mudanças. O governo do estado do Paraná, atendendo aos anseios da comunidade paranaense, e as demandas da sociedade atual, em busca de resultados mais satisfatórios, têm promovido intensos debates e reflexões por meio de simpósios, seminários, reuniões técnicas e encontros descentralizados para elaboração coletiva das DC com a finalidade de orientar os rumos de cada disciplina. Para que as inovações no âmbito educacional ocorram, há que se colocar professores, pedagogos, equipe pedagógicas, toda comunidade escolar no meio do processo Elmore (1996), esclarece que, para que a mudança se efetive, depende mais da cultura da escola que do sistema. Assim para que ocorra mudança no sistema educacional, há que se efetivar primeiramente na escola. Isso implica dar atenção especial ao professor como agente do processo de mudança. Para tanto, investir na formação do professor para que este aprenda a trabalhar em condições de incerteza, ansiedade e desconforto, que gera todo processo de mudança, para que tenham confiança nas pessoas e nos processos (HARGREAVES, 1999 apud MESSINA 2001), são condições essenciais para que ocorra a mudança e a reforma tão desejada no sistema educacional. Assim reforma e inovação não são idéias opostas, mas complementares, as reformas passam a constituir o quadro dentro do qual as inovações se desenvolvem. A reforma é uma ação própria das autoridades e as inovações são produzidas pelos atores em seu cotidiano (CROS, 1997). Inovação é, portanto a ação que impulsiona à mudança. Situando essa discussão no contexto deste trabalho, a reforma se refere aos esforços do governo em divulgar as novas idéias. A inovação refere-se ao

7 trabalho desenvolvido pela professora pesquisadora. Os pilares de reforma e inovação são: letramento crítico e gênero conto de fadas, respectivamente Letramento Crítico O referencial teórico que sustenta o documento das Diretrizes Curriculares, bem como fundamenta o desenvolvimento deste artigo, são os princípios da pedagogia crítica, comuns tanto à reforma como nas inovações por entender que esta é a tônica de uma abordagem que valoriza a escola como espaço social democrático, responsável pela apropriação crítica e histórica do conhecimento, como instrumento de compreensão das relações sociais e para a transformação da realidade (PARANÁ, 2006, p.28). Tradicionalmente os estudos no campo dos letramentos os têm examinado como fenômenos que ocorrem nos indivíduos no sentido de que esses se tornam letrados ao desenvolverem suas habilidades de decodificação e de cognição (BLOOME, 1983 apud MOITA LOPES, 2003). Neste sentido, letramento é uma simples aquisição de uma escrita alfabética, desvinculada de uma língua, cultura ou questões sociais. As habilidades decodificativas e cognitivas desempenham um papel importante, porém insuficiente para desenvolver no educando o senso de cidadania. Como desdobramento das concepções da pedagogia crítica e do surgimento das teorias da análise do discurso da Escola Francesa, onde os linguistas concebem a língua como prática sócio-cultural e na busca de mudanças teórico metodológicas que orientem o fazer pedagógico de modo a proporcionar proficiência em inglês, pois hoje é uma necessidade básica na formação do indivíduo bem como contribuir para seu desenvolvimento integral. Como resultado desse processo de reflexão, questionamento e busca de caminhos de acesso ao saber historicamente construído por meio do ensino de língua inglesa conforme as propostas atuais que concebem o letramento crítico como a vertente que mais contribui para a formação crítica no ensino de língua estrangeira nas escolas públicas, é certo que a efetiva concretização deste sucesso

8 depende de vários fatores, dentre os quais destacam-se os processos de formação continuada dos professores, materiais didáticos pedagógicos, mais horas atividades para que o professor seja sujeito de sua ação pedagógica tornando-se professor pesquisador para que a história da educação neste país possa tomar novos rumos e cumprir sua função numa sociedade onde o saber o produto mais valioso nesta sociedade capitalista esteja ao alcance de todos. A visão de letramento como prática sociocultural leva em conta o trabalho que vem sendo realizado em leitura nas escolas nos últimos anos, pois se continua trabalhando a compreensão geral, dos pontos principais, as informações detalhadas do texto e os elementos linguísticos e textuais oferecidos pelos textos escolhidos, realizando um estudo de compreensão e interpretação dos mesmos. O letramento crítico representa uma ampliação desse trabalho de leitura no que se refere ao desenvolvimento crítico dos alunos, assim nesta perspectiva, leitura, escrita e oralidade interagem. Texto e leitura são indissociáveis. Referem-se às estratégias de compreensão, discussão, organização e produção de textos, bem como ao contexto social, aos papéis que leitores e escritores exercem em seus grupos sociais e seus propósitos. O conceito de letramento nesta abordagem considera a leitura como interação entre os múltiplos textos e ocorrem na reação entre o leitor, texto, autor e outros leitores. A leitura ancorada numa perspectiva crítica promove a construção e a percepção de mundo do sujeito leitor, tornando-o capaz de criar significados e sentido apoiado na sua bagagem cultural, sua língua, seus procedimentos interpretativos, os discursos de sua comunidade e suas ideologias. Para tanto, a leitura deixa de ser uma atividade individual para ser um comportamento social onde o significado está na interação texto, leitor e convenções sociais. Assim o letramento como prática sociocultural supera uma visão de ensino de Língua como meio para se atingir fins comunicativos, pois a concebe enquanto discurso, enquanto espaço de produção de sentidos marcados por relações contextuais de poder, a saber: língua e cultura, ideologia e sujeito, discurso e identidade, com vistas a justificar os objetivos de ensino de uma Língua Estrangeira Moderna e resgatar a função social e resgatar a função social e educacional desta disciplina na Educação Básica (PARANÁ, 2006, p29).

9 Os conceitos bakhtinianos tornam-se relevantes nesta proposta, ao considerar a linguagem como fenômeno social centrada na construção do sujeito que se faz através dos diferentes discursos. O sujeito é visto como um ser híbrido, uma arena de conflito e confrontação dos vários discursos que o constituem. Desta forma o sentido da linguagem está no contexto de interação verbal e não no código linguístico. Com base nessas considerações, e ciente de que vivemos em um mundo no qual nada de importante se faz sem discurso (SANTOS, 2000, p.74 apud MOITA LOPES, 2005), o papel do professor de Língua Estrangeira, por estar envolvido com questões linguísticas, torna-se de grande importância uma vez que pode colaborar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Nesta perspectiva o professor é agente de conhecimento e tem o papel de desenvolver atitudes transformadoras em seus alunos, expondo-os a valores e significados de diferentes culturas, questionando concepções e práticas e encorajando-os a posicionar-se criticamente frente a elas conforme Gee, referindose ao professor de inglês [...] os professores de inglês podem cooperar em sua própria marginalização imaginando-se como meros professores de língua sem conexão alguma com questões sociais e políticas. Ou então podem aceitar o paradoxo do letramento como forma de comunicação interétnica que muitas vezes envolve conflitos de valores e identidades, e aceitar seu papel como pessoa que socializam os aprendizes numa visão de mundo que, dado seu poder [...] deve ser analisada criticamente (Gee, 1986, p.722 apud MOITA LOPES, 2004). Neste raciocínio, o professor de inglês não ensina apenas gramática (aspectos lingüísticos), mas práticas discursivas ou seja, modos de usar a linguagem e fazer sentido tanto na fala quanto na escrita. Buscando imprimir características de um trabalho de letramento o professor deve levar os alunos a construírem sentido a partir do que lêem. Conforme Leu Jr.et at (2004, p1) (...) Ensinar um aluno a ler criticamente é também uma experiência transformadora. Abre janelas para o mundo e cria uma infinidade de oportunidades de participação e fortalecimento de sua identidade como cidadão do mundo.

10 Nisto consiste a importância da função educacional do Ensino de Língua Estrangeira objetivando reafirmar a relevância da noção de cidadania e discutir a prática dessa noção no ensino de Língua Estrangeira. O encaminhamento do desenvolvimento desta proposta se deu pela análise, reflexão e posicionamento do professor frente à importância que o Ensino de Língua Estrangeira Moderna adquire ao apoiar-se no letramento crítico por ser a abordagem que melhor contribui para o desenvolvimento de uma consciência crítica, dos propósitos sociais e dos interesses a que servem, uma vez que a língua constitui um poderoso instrumento como prática social Gêneros textuais A partir da elaboração das DC e sugestões para o estudo de língua Estrangeiras nas escolas públicas do Estado do Paraná. O governo, professores, pedagogos e grupos envolvidos com a educação, buscam de certa forma atender aos anseios da sociedade contemporânea e ofertar uma educação de melhor qualidade. Assim, tem-se na abordagem sócio-interacionista de Vygotsky, e na abordagem de gêneros textuais de Bakhtin, Bronckart e maioria dos autores que tratam a língua como prática sociocultural. Tal suporte teórico sugere caminhos que sinalizam uma melhoria na qualidade do ensino de língua estrangeira. Uma diferente concepção de linguagem pede não só uma nova metodologia, mas principalmente um novo conteúdo a ser ensinado. Ao tomar a língua como prática sociocultural, este documento pretende realizar uma revisão no processo de ensino e aprendizagem, buscando melhores resultados. Desse modo, espera-se fazer do ensino de língua inglesa uma tarefa de construção de conhecimento, por meio de práticas efetivas de uso da linguagem. Isso implica uma reflexão sobre a estrutura e o funcionamento de língua não somente como meio de desenvolvimento das habilidades linguísticas, mas principalmente como ampliação de conhecimento de mundo e como elemento

11 fundamental na construção identitária de sujeitos mais críticos, conhecedores de seus direitos e deveres, que possam atuar positivamente no meio em que vivem. Nesta nova percepção de língua como prática sociocultural, como produto da interação do locutor e do ouvinte, a linguagem é vista como atividade humana, histórica e social que permite ao homem representar a realidade, comunicar idéias e assim construir relações interpessoais (RAUPP, 2008). Como afirma Beaugrand (1997, apud MARCUSCHI, 2002), ao trabalhar a língua como prática social, como evento comunicativo em que aspectos linguísticos, sociais e cognitivos estão envolvidos de maneira central e integrada, possibilita ao educando não só a aquisição do conhecimento de outra língua como sua formação global,por meio de práticas de uso da linguagem. Isso implica, levar o educando a desenvolver a competência comunicativa que segundo Travaglia, (1996) é a capacidade de o falante empregar adequadamente a língua nas diversas situações de comunicação, (TRAVAGLIA, 1996, p.108 apud RAUPP, 2008) tornado o letrado, porém mais que isso contribuindo sobremodo na construção de sua identidade. Desenvolver a competência comunicativa bem como o senso de cidadania no educando significa afirmar a necessidade de promover no espaço da sala de aula o encontro com a diversidade textual o que segundo Fonseca e Fonseca é realizar a abertura da aula à pluralidade de discursos. "Chamamos de discurso toda atividade comunicativa de um locutor, numa situação de comunicação determinada... (TRAVAGLIA, 1998 p.67 apud RAUPP, 2008). Portanto discurso é a materialização do texto que passa a ser abordado no seu processo de planejamento, verbalização e construção (KOCH,1998 p.21 apud RAUPP, 2008). O texto (oral ou escrito) tomado como produto concreto de uma atividade discursiva, tem papel instaurador de sentidos. Conforme Geraldi, (1985) nos textos há sempre o dizer de alguém para outro alguém, e cujo sentido deve ser percebido e compreendido pelo interlocutor - leitor. O texto, unidade significativa, se materializa através de gêneros; Marcuschi (2002), define gênero ou discurso, como a realização concreta do texto histórico, social e

12 culturalmente produzido pelos falantes da língua, com uma determinada intenção que supre as necessidades comunicativas dos falantes, ou seja, é um texto caracterizado por possuir função, organização composicional e suporte (canal comunicativo) específicos para cada função de comunicação que busca cumprir. São exemplos de gêneros textuais: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, manual de instrução, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais o , a entrevista, o bate papo virtual, o artigo científico, o artigo jornalístico, o resumo, dentre tantos outros ( MARCUSCHI, 2002). Para Bakhtin, os gêneros apresentam certos traços (regularidades) comuns, que se constituíram historicamente nas atividades humanas, em uma situação de interação relativamente estável, e que é reconhecida pelos falantes. Essa situação de interação ocorre dentro de determinada esfera social (esfera cotidiana, do trabalho, científica, escolar, religiosa, jornalística, etc) (BAKTHIN, apud RODRIGUES, 2001). Em comparação com as unidades da língua, no que se referem a sua estabilidade e normatividade, as formas dos gêneros são bem mais flexíveis e combináveis, plásticas, mais sensíveis e ágeis às mudanças sociais do que as formas da língua. (RODRIGUES, 2001). A característica de possuir uma funcionalidade particular a cada situação comunicativa, justifica o aparecimento constante de novos gêneros, que surgem à medida que se tornam necessários, ou desaparecem quando entram em desuso. Como as possibilidades da atividade humana são inesgotáveis como cada esfera social tem repertório de gêneros particulares que se diferencia e cresce à medida que a própria esfera se desenvolve e se complexifica (RODRIGUES, 2001). Pode se constatar em toda sociedade uma grande variedade de gêneros. Dada a grande variedade de gêneros textuais, é imperativo que as DC como documento orientador do fazer pedagógico elabore uma lista de gêneros

13 textuais considerados talvez, os mais relevantes e recorrentes na língua inglesa, definindo objetivos claro e possíveis de serem atingidos para que todos os esforços não se diluam em meio as dificuldades. A seleção dos gêneros nos vários níveis de aprendizagem deve se vincular as habilidades de linguagem que precisam ser desenvolvidas. Para não errar e perder tempo, o professor tem que se focar no conteúdo a ser ensinado e para não acontecer de que cada um trabalhe os gênero a seu sabor, destacando aspectos os mais variados dos textos correndo o risco de não realizar um trabalho efetivo com língua por não estar preparado a trabalhar nessa nova abordagem, causando assim grandes prejuízos para o sistema educacional. Neste sentido, buscando atender as orientações dos documentos oficiais que colocam o valor educativo do ensino de línguas estrangeiras como princípio preponderante para a formação para a cidadania, em que o caráter educacional deve caminhar junto ao instrumental ou linguístico, justifica-se a opção realizada na elaboração de uma unidade didática que será tratada a seguir Implementação A unidade didática que se tornou objeto de estudo neste trabalho foi realizada durante o segundo período do curso de capacitação PDE para ser aplicada em uma primeira série do Ensino Médio, em uma escola estadual do norte do Paraná envolvendo trinta e seis alunos do período matutino. Esse trabalho foi desenvolvido nos meses de abril e maio do ano de dois mil e oito. Cada aluno recebeu uma cópia da unidade didática contendo textos e atividades. Além do trabalho em sala de aula, foram realizadas atividades em sala de informática, e sala de vídeo da própria escola Análise da unidade didática

14 A análise da unidade didática consiste de uma explicitação do modo como os pressupostos teóricos são transpostos para as atividades de ensino. Será apresentada uma descrição da unidade, acompanhada da interpretação da professora pesquisadora do que se caracteriza como inovador na natureza do conhecimento a ser ensinado e nas escolhas metodológicas. Buscou-se, com a elaboração desta unidade didática, trabalhar o tema ética por meio do gênero contos de fadas, realizar um trabalho que vise à formação cidadã sem, contudo negligenciar o principal objetivo do ensino de língua inglesa, que é levar o educando a desenvolver sua competência comunicativa na língua alvo. É importante lembrar que as aulas de inglês anterior aos estudos realizados por meio do curso de capacitação PDE, não tinham a pretensão de promover um ensino crítico e revelador do importante papel que a linguagem exerce na vida individual e social do cidadão. Portanto em um momento mais longínquo da vida profissional da professora pesquisadora, as aulas de língua inglesa eram realizadas por meio do ensino de gramática. O ensino dos verbos no passado seria trabalhado, num primeiro momento os regulares, sua formação e uso. A fixação desse conteúdo seria realizada por meio de exercício com frases. Num segundo momento, seriam trabalhados os verbos irregulares. Uma lista desses verbos seria entregue aos alunos, os quais fariam a leitura junto com o professor, a fim de aprenderem a pronúncia e se familiarizarem com os verbos. Exercícios por meio de frases eram propostos com o intento de efetivar a aprendizagem. Com a influência da abordagem comunicativa como método de ensino, houve um razoável avanço no trabalho realizado pela professora em sala de aula. Esse avanço consiste no embasamento teórico de alguns princípios desta abordagem como o uso de textos com a finalidade de trabalhar temas, funções e itens linguísticos, bem como promover a interação professor aluno e aluno aluno por meio de trabalho em duplas ou grupos. Assim, o professor pesquisador levaria um texto que trouxesse verbos regulares. Questões de compreensão do texto seriam trabalhadas e a seguir o mesmo trabalho acima citado seria realizado para que a aprendizagem dos verbos pudesse se efetivar. O mesmo processo seria realizado para trabalhar com os verbos irregulares.

15 Embora essa abordagem apresente um avanço no ensino de língua estrangeira, não permite que um trabalho de maior amplitude seja realizado, por desconsiderar o aspecto político e ideológico da língua. Com o processo de construção das DC do Estado do Paraná, onde vários momentos de leitura e reflexão foram realizados, sobre as novas concepções de linguagem, houve um consenso tanto por parte do governo como dos professores, pedagogos e demais profissionais da educação sobre a necessidade de mudança para que possam ter resultados mais condizentes com a realidade histórica que estamos vivendo, que pede uma escola eficaz e inovadora capaz de contribuir para a formação global do indivíduo. Assim, essa unidade didática buscou atender as necessidades da sociedade contemporânea resgatando a função social e educacional do ensino de línguas estrangeiras no ensino da Educação Básica. Com base no exposto e na concepção de língua aqui adotada. Esse material pedagógico buscou explorar o tema "ética", uma vez que evidencia uma preocupação com as novas diretrizes da educação e com a formação do aluno crítico, consciente do mundo em que vive, enfim um cidadão. Para isso foi utilizado o Gênero "contos de fadas". A unidade didática intitulada Fairy Tale, começa com uma definição da palavra fada, um questionamento acerca da crença em elementos mágicos para solucionar problemas, bem como uma pequena introdução que menciona os autores mais conhecidos no cenário do reino encantado: Perrault, Brothers Grimm e Andersen. Foi sugerida uma pesquisa no laboratório de informática sobre esses autores e a realização de duas atividades a fim de direcionar a pesquisa. Esta atividade desenvolvida no laboratório de informática caracterizase como um elemento inovador, uma vez que os professores, de modo geral, estão habituados a ministrar suas aulas fazendo uso basicamente do quadro negro e giz. Apesar do desconforto que a realização desta atividade gerou na professora pesquisadora, dada sua pouca familiaridade com as novas tecnologias, o resultado deste trabalho pode ser considerado bastante satisfatório e gratificante.

16 Tendo em vista que não é mais possível trabalhar com a educação sem fazer uso das novas tecnologias, revestir-se de coragem é necessário em época de mudanças. Outro elemento importante para o bom êxito no desenvolvimento dessa atividade é ter uma boa dose de humildade, pois em se tratando de tecnologia, temos muito que aprender com as novas gerações. Assim, há uma alteração quanto aos papéis desenvolvidos pelo professor e alunos. O professor continua conduzindo o trabalho, organizando e incentivando os alunos. Esses, pelo menos boa parte deles, passam a ser colaboradores do professor além de executores das atividades propostas. Vale lembrar que, o uso das novas tecnologias entra em consonância com as orientações das DC bem como com as expectativas dos alunos, que sabem utilizar essa ferramenta, gostam de usá-los e sentem-se valorizados em poder colaborar com o professor e com os colegas menos experientes. Após a pesquisa na Internet, foi elaborada uma atividade para trabalhar a estrutura do gênero contos de fadas a fim de capacitar os alunos a reconhecer o formato, e fazer uso deste gênero sempre que for a eles solicitado. O ensino de língua por meio de gêneros textuais constitui um fator de inovação que aponta como uma possível direção no que se refere à inovação na educação de modo a superar os fins utilitaristas, pragmáticos ou instrumentais que historicamente têm marcado o ensino da disciplina (PARANÁ, 1996, p.32). O conto de fadas escolhido para ser colocado no trabalho a ser realizado em sala de aula no momento da implementação para leitura, discussão e reflexão de assuntos polêmicos e pertinentes à faixa etária, foi Cinderela. Embora seja um texto longo, a escolha se deu pelo fato da professora pesquisadora considerar possível a realização da leitura, compreensão e reflexão do mesmo pelos alunos pela inferência que é um processo cognitivo importante nessa abordagem de leitura como prática sociocultural uma vez que possibilita ao aluno construir novos conhecimentos a partir daqueles que já possui, esses conhecimentos são ativados e relacionados às informações contidas no texto, desta forma, ampliando seus conhecimentos.

17 Outro critério que colaborou na escolha do texto foi à presença acentuada de palavras cognatas, que levam o aluno a perceber que é possível ler um texto em língua estrangeira mesmo sem muito conhecimento, encorajando os desta forma a vencerem o medo do fracasso na leitura. Buscando desenvolver a competência linguística bem como cumprir com os propósitos educacionais através do Ensino de Língua Inglesa, o trabalho foi realizado com textos autênticos a fim de levar o aluno a se deparar com a língua em uso, com toda sua riqueza e expressividade. Com o texto do conto de fadas Cinderela, em posse dos alunos, foi solicitado a eles como atividade de pré-leitura, assinalar quais das palavras contidas no exercício, eles achavam que fazia parte da história da Cinderela. Logo a seguir foi pedido para que lessem rapidamente o texto e sublinhassem dez palavras que conheciam e circulassem dez que não conheciam, assim no momento da correção do exercício eles teriam oportunidade de entrarem em contato com um grande número de palavras que iriam aparecer no texto, facilitando deste modo à leitura, compreensão para posterior reflexão do mesmo. Logo após a leitura e compreensão, foi realizado o exercício de discussão e reflexão dos pontos relevantes do texto. O desenvolvimento de atividades questionadoras é mais um ponto a ser considerado de caráter inovador que tem por finalidade valorizar e desenvolver o conhecimento de mundo do aluno. A elaboração de atividades questionadoras permite o confronto de idéias e valores que subjazem aos textos com as idéias, opiniões e valores dos alunos bem como às que circulam em sua comunidade escolar, a fim de levar o educando a refletir sobre sua prática social e mudá-la conforme seus anseios e expectativas. As perguntas que se referem ao comportamento e atitudes de Cinderela, tais como: Porque Cinderela deveria voltar antes da meia noite? Qual sua opinião sobre o comportamento de Cinderela? Há lugar para Cinderelas em nossa sociedade hoje e dia? Assim por meio deste questionamento pode se perceber os valores, expectativas e papel que a mulher estava predestinada a cumprir em uma sociedade machista e autoritária bem como seus efeitos ainda na sociedade atual.

18 As questões: O que define alguém submisso? Somente Cinderelas são submissas? Você pode comparar seu comportamento com o dela? Procuram levar os alunos a refletirem sobre o conceito de submissão e levá-los a perceberem o quanto são submissos quando são feridos em seus direitos de cidadãos e se mantêm calados por não saberem reivindicar seus direitos. Bem como levá-los a refletirem sobre o tênue limite entre submissão e respeito, gerando muitos conflitos nos adolescentes, quanto à questão da obediência. As questões: Você acredita que no fim, pessoas boas são recompensadas e as más são punidas? Por quê? Levam os alunos a percebam que ser bom é uma questão ética. Ética aqui entendida segundo a definição de Martins ( tudo é ético, desde o simples ato de ceder o lugar a uma mulher grávida ou a um idoso no ônibus até o respeito às filas - em bancos, supermercados, entradas de show e o respeito dos motoristas não apenas pelas leis de trânsito, mas especialmente pelos pedestres, ciclistas e pelos outros motoristas O campo da ética é o respeito. E eu sou ético quando percebo que se eu sou cooperativo, acabo me beneficiado). (CUNHA, 2001 apud MARTINS da UnB) E que não se deve fazer escolhas segundo o que se receberá em troca. Assim o bem deve ser feito mesmo que não haja recompensa ou até mesmo que ele seja incompreendido, pelo simples fato de ser o bem e desta forma estar colaborando na construção de um mundo melhor. A questão: Quais as dificuldades que você deve superar para realizar seus sonhos? Permite aos alunos perceberem que muitas vezes os maiores obstáculos para a realização de seus sonhos estão centrados neles mesmos por uma postura passiva e desestimuladora ante a vida e seus percalços. Assim, por meio de questionamentos o professor autor acredita estar colaborando para uma melhor formação do educando. Ao considerar o ato de leitura um processo de construção de significados que ocorre entre autor e leitor inseridos em um determinado contexto histórico e social, confirmando o conceito Bakhtiniano

19 de que o sujeito se constitui pelos vários discursos, surge mais um elemento inovador que é a negociação de sentidos, uma vez que a leitura permite várias interpretações de acordo com a experiência e visão de mundo que cada leitor traz. Embora nenhuma negociação, segundo Bakhtin seja harmoniosa, os debates realizados em sala de aula constituem-se em momentos tensos que requer do professor autocontrole, humildade, criatividade e autonomia para conduzir os embates que ocorrem em sala. Mas, é importante frisar que uma metodologia centrada no aluno, deve buscar maneiras de acomodar (e não eliminar os conflitos provenientes da heteroglossia dos alunos, professores, do contexto e da comunidade de forma a que possam ser minimizados por mecanismos de negociação) (LYNN MARIO, 1995) e isso é um grande desafio, porém sem dúvida, com resultados gratificantes. Como o conto de fadas Cinderela tem sido inspiração de muitos trabalhos notáveis no cenário artístico, foi acrescentado como atividade que agrada aos adolescentes uma sinopse do filme "A Cinderella Story" bem como do propósito que permeia este gênero. Foi colocado o filme como proposta de atividade que levem os alunos à perceberem e apontarem as diferenças e semelhanças entre o clássico conto de fadas e a versão mais moderna do mesmo conto. Como atividade a ser realizada durante o filme, foi colocada duas atividades de leitura. Para após a exibição do filme, foi elaborado mais um questionamento acerca de problemas existenciais, atitudes das personagens diante dos problemas à serem enfrentados, diferenças culturais entre a estórias que ocorrem e momentos históricos diferentes bem como elaboração de metas a serem alcançadas para que os sonhos sejam realizados. Como atividade complementar de leitura e de fixação da estrutura do gênero contos de fadas, foi proposto o resumo de quatro contos de fadas e pedido aos alunos que identificassem a qual conto estava se referindo. Buscando elaborar atividades que proporcionem o desenvolvimento de todas habilidades, a unidade didática traz como atividade de escrita, o início do conto de fadas Chapeuzinho Vermelho e como sugestão de desfecho, alguns

20 desenhos que sugerem diferentes desfechos para a estória. Os alunos podem escolher uma das sugestões ou criar um fim diferente da estória tradicional e escrever de acordo com sua criatividade e possibilidades. Desta maneira sentidos são construídos dentro de um contexto histórico - social, imerso em relações de poder. Daí ser a leitura uma atividade de linguagem que envolve conhecer o mundo, ter uma visão desse e refletir sobre as possibilidades e as conveniências de transformação social. Em suma, na perspectiva da professora autora, a unidade didática é de caráter inovador, primeiro porque o trabalho com texto foi realizado através da perspectiva dos gêneros uma vez que estes refletem a própria dinâmica da sociedade e por isso têm despertado interesse na área educacional. Segundo, o suporte basilar desta unidade didática está centrado na abordagem do letramento crítico que é baseado numa visão discursiva da língua onde discussões e questionamentos são propostos no trabalho com a língua inglesa objetivando tornar o indivíduo autônomo na interpretação dos valores e ideologias que subjazem aos textos. Terceiro, por fazer uso das novas tecnologias como o uso do laboratório de informática onde os alunos têm a oportunidade de partilharem com os colegas e professores suas habilidades com o manuseio desta nova ferramenta de trabalho, valorizando o conhecimento que os alunos trazem quanto ao uso dos recursos tecnológicos bem como orientar os mesmos a utilizar a Internet como fonte de pesquisa. Tendo apontado o que caracteriza a unidade didática como inovadora do ponto de vista da professora pesquisadora, a análise será encerrada com as reações dos alunos ao que se considera como inovação, a fim de conhecer o ponto de vista do educando em relação à mudança na metodologia do ensino de inglês e no conteúdo a ser ensinado. Para tanto, foi elaborado um questionário com três perguntas às quais foram respondidas por escrito, a seguir será transcrita a resposta de alguns alunos e a análise da professora pesquisadora. A análise se dá por meio de amostragem, tendo sido escolhido aleatoriamente quatro alunos para compor a amostra. Por questão de resguardo serão denominados com códigos (A, B, C e D).

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