Título A Logística em Moçambique: necessidades e potencial de desenvolvimento

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2 Título A Logística em Moçambique: necessidades e potencial de desenvolvimento Data Setembro 2003 Promotor / Editor AIP/CCI Associação Industrial Portuguesa / Câmara de Comércio e Indústria Projecto Acção de Promoção Integrada aos Mercados PALOP 2003/2004 AIP/CCI Associação Industrial Portuguesa / Câmara de Comércio e Indústria AEP/CCI Associação Empresarial de Portugal / Câmara de Comércio e Indústria ICEP Portugal Equipa Técnica Coordenação, recolha e tratamento de dados e redacção INOUT GLOBAL / ISCTE João Carlos R. Menezes José Crespo de Carvalho Ana Lúcia Martins Design, Composição e Impressão 5W Comunicação e Marketing Estratégico, Lda. Tiragem exemplares

3 ÍNDICE 3 AGRADECIMENTOS 7 INTERNACIONAIS SUMÁRIO EXECUTIVO 9 INTRODUÇÃO 11 PARTE I: OPERAÇÃO LOGÍSTICA EM PORTUGAL Introdução 13 ESTUDOS 2. Enquadramento Metodológico O Reconhecimento da Actividade Logística em Portugal Análise do Sector de Operação Logística em Portugal Portfólio de serviços disponibilizados pelos operadores logísticos Transporte próprio vrs. subcontratado Activos para gestão do fluxo informacional Capital humano 21 PARTE II: OPERAÇÃO LOGÍSTICA EM MOÇAMBIQUE Introdução Enquadramento Metodológico Caracterização da Situação Logística Actual Reconhecimento da actividade Operação própria vs. Externalizada Transporte e armazenagem Sistemas de informação Competência técnica do capital humano Considerações 34

4 PARTE III: DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO DE MOÇAMBIQUE Introdução Caracterização Estrutural do País Infra-estruturas de apoio ao sistema de transporte Estrutura de importações e exportações Distribuição da população Apoio estrutural às empresas Considerações Cenários Possíveis de Desenvolvimento Logístico Introdução Cenário A Cenário B Cenário C Selecção do Cenário com Maior Potencial de Concretização 60 PARTE IV: CONCLUSÕES Potencial de Criação de Valor Desenvolvimento de alternativas de escoamento de produtos Desenvolvimento e formação de quadros médios e técnicos Captação de investimento para gestão de infra-estruturas Apoio à criação e instalação de empresas Desenvolvimento económico e do nível de vida da população Oportunidades de Cooperação 70 NOTA CONCLUSIVA 71

5 ÍNDICE DE GRÁFICOS, DIAGRAMAS, QUADROS E MAPAS Gráfico 1 Percentagem de empresas em que o departamento de logística é responsável pela actividade 14 INTERNACIONAIS Gráfico 2 Redução do prazo de entrega, em dias, entre 1992 e Gráfico 3 Redução do número de dias do prazo de entrega, em Portugal 15 Gráfico 4 Empresas que recorrem a EDI para comunicar com alguns dos seus clientes e fornecedores 16 Gráfico 5 Portfólio de serviços prestados Gráfico 6 Portfólio de serviços prestados ESTUDOS Gráfico 7 Transporte próprio vs transporte subcontratado -1999/ Gráfico 8 Recurso a activos para gestão do fluxo informacional / Gráfico 9 Habilitações literárias do capital humano / Gráfico 10 Empresas na amostra segundo área de actividade 24 5 Gráfico 11 Distribuição dos custos totais 25 Gráfico 12 Localização das actividades logísticas dentro da empresa 25 Gráfico 13 Localização da actividade logística na estrutura da empresa 26 Gráfico 14 Actividades realizadas insourcing e/ou em outsourcing 27 Gráfico 15 Propensão à externalização futura de actividades logísticas 28 Gráfico 16 Realização da actividade de transporte 28 Gráfico 17 Propriedade do armazém utilizado 29 Gráfico 18 Modo de transporte utilizado 29 Gráfico 19 Motivos para a utilização de sistemas de informação 31 Gráfico 20 Utilização de transferência electrónica de dados e de códigos de barras 31 Gráfico 21 Forma de tranferência electrónica de dados 32 Gráfico 22 Motivos para utilização de internet 32 Gráfico 23 Capital humano por área de actividade 33

6 Gráfico 24 Percentagem do capital humano da área logística por escalão de habilitações 34 Gráfico 25 Evolução do peso das principais importações 48 Gráfico 26 Evolução do valor das principais importações 49 Gráfico 27 Evolução das principais exportações 49 Gráfico 28 Evolução do valor das principais exportações 50 Gráfico 29 Comparação da classificação dos cenários alternativos 61 Diagrama 1 Abrangência da operação logística 17 Quadro 1 Vantagens e desvantagens do cenário A 57 6 Quadro 2 Vantagens e desvantagens do cenário B 58 Quadro 3 Vantagens e desvantagens do cenário C 60 Quadro 4 Classificação comparativa dos cenários 61 Mapa 1 Principais corredores 39 Mapa 2 Corredor de Nacala 40 Mapa 3 Corredor da Beira 41 Mapa 4 Corredor de Maputo 43 Mapa 5 Densidade populacional por província 51 Mapa 6 Necessidade de ajuda alimentar 52 Mapa 7 Distância à rede rodoviária 52 Mapa 8 Cenário proposto A 56 Mapa 9 Cenário proposto B 58 Mapa 10 Cenário proposto C 59 Mapa 11 Proposta genérica do cenário com maior interesse estratégico 62

7 AGRADECIMENTOS O In Out Global ISCTE e a AIP gostariam de expressar o seu mais sincero agradecimento e reconhecimento às empresas que participaram neste estudo, bem como a todos os que contribuíram para a recolha de informação junto destas. Sem a sua colaboração a Análise Conjuntural do Contexto Moçambicano deste estudo não teria sido possível e, consequentemente, outras teriam sido as premissas de partida para a construção dos cenários de desenvolvimento estratégico, certamente com menor aderência às necessidades moçambicanas. É também aqui o lugar para agradecer a todos quando investiram do seu tempo na revisão deste estudo, e contribuíram para o mesmo através dos seus comentários e sugestões. INTERNACIONAIS ESTUDOS 7 Equipa In Out Global - ISCTE João Carlos R. Menezes José Crespo de Carvalho Ana Lúcia Martins

8 8 A LOGÍSTICA EM MOÇAMBIQUE

9 SUMÁRIO EXECUTIVO Este sumário traduz o essencial do estudo realizado pelo In Out Global ISCTE para a AIP Associação Industrial Portuguesa relativo ao levantamento das necessidades logísticas em Moçambique e ao seu potencial de desenvolvimento, e à indicação de uma solução que permita concretizar esse mesmo potencial. Verificou-se que as empresas moçambicanas estão numa fase de desenvolvimento logístico incipiente. Apresentam a necessidade de evoluir nesta área, nomeadamente através do reconhecimento da própria logística, das suas actividades e dos seus custos. As empresas ainda não conseguem reconhecer que na base dos problemas que enfrentam estão questões de natureza logística. Verifica-se uma tendência acentuada para realização insourcing de todas as actividades associadas à gestão física do produto. A externalização de actividades resume-se ao transporte. 66% do transporte é realizado por empresas externas, no entanto as empresas procuram garantir em paralelo uma parte de transporte através de recursos próprios (34%) de forma a não perderem controlo físico total sobre o fluxo físico de materiais. INTERNACIONAIS ESTUDOS 9 O capital humano está principalmente afecto à produção (58,5%). O nível de formação dos indivíduos responsáveis por actividades logísticas é muito baixo, sendo que 50% dos indivíduos concluíram ou frequentaram o ensino primário. Sendo a actividade logística uma área de criação de valor por excelência, e com complexidade crescente, é urgente ultrapassar esta situação através da formação dos indivíduos na área logística. Moçambique continua a investir nos corredores de passagem que haviam sido construídos no período colonial para escoamento de mercadorias provenientes do Malawi, do Zimbabwe e da África do Sul e apresenta-se, para o exterior, como um país de serviços, fazendo do seu principal negócio a passagem de mercadorias até ao oceano Índico. Este estudo revelou, também, que são profundas as assimetrias dentro do país, e que, em parte, na origem destas diferenças estão aspectos logísticos, ou melhor, a falta de preocupação sobre eles.

10 Foi desenvolvido um modelo conceptual centrado no desenvolvimento logístico de Moçambique com base em cinco variáveis chave: - Desenvolvimento do nível de vida da população; - Captação de investimento e apoio à criação e instalação de empresas; - Desenvolvimento de redes de escoamento de produtos; - Captação de investimento para a gestão de infra-estruturas de carácter logístico; - Formação e qualificação de indivíduos na área logística. Com base nestas variáveis foi seleccionado um cenário, entre três, de desenvolvimento estratégico logístico, o qual parece ser o mais adequado ao aproveitamento do potencial logístico de Moçambique. 10 Neste estudo conclui-se que o desenvolvimento de Moçambique passa, entre outros, pela criação de redes de escoamento dos produtos, em particular os agrícolas, e pela reabilitação de infra-estruturas de carácter logístico que possam oferecer um serviço com qualidade ajustada às especificidades locais. Neste sentido o cenário seleccionado aposta no desenvolvimento fluvial (para escoamento de excedentes agrícolas), no investimento em rodovia não pavimentada entre cidades secundárias (para canalização destes excedentes até aos portos fluviais), na requalificação das infra-estruturas de armazenagem (que ficaram danificadas e abandonadas durante a guerra civil) para actividades de consolidação de cargas, no desenvolvimento do quarto corredor de Moçambique (o corredor marítimo, através de short sea shipping), no incentivo à emergência de um tecido empresarial formado por micro-empresas, na criação de condições para fixação de investimento estrangeiro, e na reorganização da estrutura de importações e exportações. Uma das principais conclusões deste estudo foi que a colaboração de empresas portuguesas que estejam dispostas a realizar investimento em Moçambique poderá revelar-se muito vantajoso para ambas as partes. Verificou-se que as empresas portuguesas, pela competência que possuem, e pelos laços históricos, culturais e afectivos que têm com Moçambique, estão em situação privilegiada para realizar investimentos e intensificar as trocas comerciais com Moçambique. O conhecimento da realidade do país e do mercado local permite que as empresas portuguesas possam desenvolver soluções ajustadas às características específicas das necessidades locais.

11 INTRODUÇÃO O presente estudo resulta da resposta a uma solicitação efectuada pela AIP ao In Out Global ISCTE para aferição das necessidades logísticas de Moçambique, bem como do seu potencial de desenvolvimento. Neste sentido o estudo está centrado na área logística, a qual, sendo cross-functional, inevitavelmente atenta a outros aspectos da realidade moçambicana. A logística, embora responsável por uma parte significativa dos custos de uma empresa, traduz-se num elemento fundamental do serviço que é prestado ao cliente. Uma economia, seja ela a portuguesa, a moçambicana, ou outra, deve encontrar na logística e na eficiência dos sistemas logísticos, uma fonte de competitividade e de criação de vantagem competitiva. INTERNACIONAIS ESTUDOS O incremento da produtividade e da qualidade da prestação de serviços logísticos, através de melhores taxas de utilização da capacidade instalada e do desenvolvimento de sistemas flexíveis que respondam às necessidades do mercado, devem ser factores prioritários na gestão dos sistemas de valor. A externalização das operações logísticas, a criação de estruturas dedicadas à consolidação de fluxos de mercadorias, quer nos nós, quer nas arestas da network empresarial, poderá ser, em larga medida, uma das fontes fundamentais de incremento da competitividade da economia moçambicana. Para tal, empresas portuguesas com conhecimento do mercado moçambicano, e com provas dadas da sua competência noutros mercados, através de uma presença independente ou de parcerias com empresas locais, poderão contribuir para a geração de valor no mercado moçambicano, contribuindo activamente para a competitividade deste, quer em termos internos quer a nível externo. 11 No sentido de responder com medidas efectivas para a criação de condições ao desenvolvimento, em termos logísticos, do mercado moçambicano, e tendo por base o contributo que empresas portuguesas poderão dar a este nível, o presente documento está organizado em quatro capítulos. No primeiro capítulo é abordada a operação logística em Portugal, analisando-se a disponibilidade de serviços prestados pelas empresas que operam nesta área e os seus recursos, bem como as necessidades das empresas suas

12 clientes. Esta análise foi possível com recurso a informação pré-existente no In Out Global ISCTE. No segundo capítulo é feito o levantamento da situação actual e das necessidades logísticas das empresas moçambicanas. Tal, baseia-se em questionários realizados a empresas que operam no mercado moçambicano. No terceiro capítulo é realizada a caracterização dos determinantes estruturais que permitem identificar áreas de desenvolvimento logístico em Moçambique. No seguimento desta análise procede-se à construção de um conjunto de cenários estratégicos e à identificação daquele que se apresenta mais favorável para o país. 12 No quarto e último capítulo procede-se à análise do impacto que a implementação do cenário seleccionado poderá gerar na economia moçambicana. São aqui identificadas oportunidades para a captação do investimento estrangeiro, nomeadamente português, e sugeridas formas para a sua concretização.

13 PARTE I: OPERAÇÃO LOGÍSTICA EM PORTUGAL INTERNACIONAIS 1. Introdução Embora nos últimos anos a prestação de serviços logísticos em Portugal tenha registado um desenvolvimento significativo, ainda é prematuro afirmar que esta representa um sector de actividade na economia portuguesa. Tal fica a dever-se, fundamentalmente, ao facto do próprio conceito de logística ainda não estar enraizado nas empresas portuguesas e, consequentemente, a tipologia e abrangência de actividades a desenvolver nesta área por um prestador de serviços logísticos ser pouco precisa. Apesar das limitações referidas existem já empresas no mercado português que reconhecem a capacidade de criação de valor das actividades logísticas, e que prestam serviços logísticos de forma integrada. ESTUDOS 13 Esta secção do presente estudo pretende, numa fase inicial, salientar o reconhecimento da actividade logística nas empresas portuguesas e, numa segunda fase, caracterizar e salientar a capacidade e a evolução dos operadores logísticos portugueses nos últimos anos. 2. Enquadramento Metodológico Para a aferição do reconhecimento da actividade logística em Portugal foram utilizados dados secundários provenientes de estudos efectuados com empresas do sector de produtos de grande consumo (fmcg fast moving consumer goods) entre os anos de 1997 e 2000, nomeadamente nos aspectos relativos a actividades desempenhadas, prazos de entrega e utilização de sistemas de informação. No que respeita à actividade de operação logística, foram utilizados dados secundários provenientes de estudos realizados nos anos de 1999 e 2000, tendo-se centrado a análise na panóplia de serviços prestados, na tipologia de transporte, nos recursos informacionais e no capital humano.

14 3. O Reconhecimento da Actividade Logística em Portugal A actividade logística em Portugal tem registado uma evolução no sentido do seu próprio reconhecimento e autonomização. As empresas portuguesas, tal como as restantes empresas europeias, têm registado nas últimas duas década uma tendência para o agrupamento das actividades logísticas, o que, em termos organizativos, tem resultado na autonomização desta área. O estudo realizado, cujos resultados estão espelhados no Gráfico 1, permite verificar que em 1998 as responsabilidades mais comuns nos departamentos de logística das empresas portuguesas eram a gestão do transporte e a gestão de stocks e de armazenamento físico de produtos acabados. 14 Conclui-se assim por uma ênfase da logística em termos de distribuição, enquanto que outras actividades, de foro logístico, ainda permanecem atribuídas a outras áreas de responsabilidade dentro das empresas.

15 Não obstante, a integração do processo logístico tem permitido obterem-se melhorias significativas em termos da performance logística das empresas. Um dos aspectos onde se verificaram melhorias, acompanhando o evoluir das exigências dos consumidores, é o prazo de entrega. INTERNACIONAIS De uma forma global, entre 1992 e 1997, verificaram-se reduções muito significativas em termos de prazo de entrega na Europa, e em Portugal em particular. No entanto, verifica-se, através do Gráfico 2, que esta evolução é mais significativa em Portugal do que no global dos países europeus. Esta situação pode dever-se a uma consciencialização mais tardia das empresas para o prazo de entrega como vector de criação de vantagens competitivas, o que as faz partirem de uma situação em que a margem de melhoria é maior. ESTUDOS 15 Embora a redução do número de dias do prazo de entrega seja generalizável a todos os sectores da economia portuguesa, através do Gráfico 3 podemos concluir que o sector de produtos de grande consumo é aquele que, entre 1997 e 2000, embora registe uma evolução positiva muito significativa, apresenta uma redução do prazo menos expressiva que os restantes sectores.

16 Esta evolução pode-se ficar a dever ao facto de serem estes sectores, de produtos de grande consumo, os que registam prazos de entrega mais reduzidos e, consequentemente, apresentarão maior dificuldade na produção de melhorias adicionais com maior expressividade. Dentro de uma cadeia de abastecimento, havendo necessidade de comunicação e de estabelecimento de vínculos entre os seus elementos, o recurso a tecnologias de informação é um aspecto fundamental. 16 Assim, analisar a utilização de recursos tecnológicos na comunicação da empresa a montante e a jusante, nomeadamente em termos de utilização de sistemas de EDI (Electronic Data Interchange), é um aspecto premente. Verificamos, pelo Gráfico 4, que, em 1998, em Portugal, o recurso a sistemas de EDI para comunicação com fornecedores e/ou clientes é ainda reduzido, no entanto a apetência para concretizarem esta possibilidade num prazo de cinco anos é bastante elevada. O estudo realizado demonstrou que embora poucas empresas já tenham equacionado e concretizado a sua integração com os seus fornecedores e/ou clientes em termos de sistemas de informação, 73% consideram fazê-lo dentro de um horizonte temporal de cinco anos. 4. Análise do Sector de Operação Logística em Portugal Sintetizando, podemos afirmar que a logística é uma actividade estratégica (porque acrescenta valor, permite diferenciação, cria vantagem competitiva,

17 aumenta a rendibilidade e rentabiliza a organização) que procede ao planeamento, implementação e controlo de fluxos físicos, informacionais, de serviços e de ideias, desde um ponto de origem até um ponto de consumo, ao mais baixo custo para o sistema logístico envolvido, e de acordo com as necessidades dos clientes a serem servidos. INTERNACIONAIS A operação logística atende as actividades que suportam o fluxo logístico e que comportam a gestão da network logística. Desta forma, um operador logístico actua a três níveis dentro da network: 1. A montante da produção: entre outros aspectos, assegurando o transporte primário, a gestão de stocks de matérias-primas e outras necessárias à produção, e a gestão dos espaços de movimentação e armazenamento; ESTUDOS 2. No apoio à produção: garantindo disponibilidade de materiais a montante da produção, a movimentação dos materiais ou produtos em vias de fabrico entre áreas do processo produtivo, e a jusante das áreas de fabrico através da recolha dos produtos, sua integração em stock e armazenamento A jusante da produção: através da gestão do stock de produtos, preparação de encomendas e entrega nos clientes/consumidores, através de transporte secundário, satisfazendo os vários canais de distribuição que possam existir. De uma forma esquemática, o âmbito de actuação do operador logístico está patente no Diagrama 1.

18 4.1. Portfólio de serviços disponibilizados pelos operadores logísticos Numa análise realizada aos operadores logísticos a operar no mercado português nos anos de 1999 e 2000, verificou-se que, de uma forma global, estes disponibilizam um amplo leque de serviços, o que demonstra capacidade de suporte total do fluxo físico gerado pelas empresas suas clientes. Analisando os Gráficos 5 e 6 verificamos que as empresas realizam principalmente actividades relacionadas com a armazenagem (problemas de stocks, armazenagem e controlo de inventários) e distribuição (transporte secundário) dos produtos. Esta postura fica a dever-se ao cariz nuclear que estas actividades têm na gestão dos sistemas logísticos. 18

19 ESTUDOS INTERNACIONAIS 19 É importante sublinhar que apesar da oferta de serviços ser global, a procura por parte das empresas clientes não regista a mesma incidência em relação a todas as actividades. Evolui-se de uma maior ênfase sobre a actividade de transporte para uma maior ênfase sobre as actividades de armazenagem, o que se fica a dever à tendência crescente para a externalização destas últimas actividades. Em relação a este aspecto há que atender ao facto de que antes da emergência dos operadores logísticos, a gestão do fluxo de materiais era efectuadas pelos próprios clientes, os quais recorriam a prestadores de serviços logísticos para fazer face a variações de procura e à sazonalidade, continuando o fluxo corrente de materiais a ser assegurado por recursos próprios dentro das empresas. As actividades sobre as quais ainda se verifica uma menor oferta de serviços são as que se referem à gestão de marcas e de serviço no ponto de venda. Este aspecto resulta do facto de, em muitas empresas, estas atividades ainda

20 serem remetidas às áreas de marketing, sendo assim pouco consideradas pelos operadores logísticos Transporte próprio vrs. subcontratado O transporte, primário e secundário, foi igualmente alvo de análise para efeito de avaliação da capacidade dos operadores logísticos portugueses. 20 Pode-se constatar que tanto no ano de 1999 quanto no ano de 2000 a percentagem de transporte subcontratado é elevada, sendo esta tendência de externalização marcadamente crescente de um ano para o outro. É de salientar que a actividade de transporte é uma das principais actividades desempenhadas pelas empresas de operação logística, aspecto que já tinha sido verificado anteriormente Activos para gestão do fluxo informacional O investimento em activos para gestão do fluxo informacional relacionado com a operação logística incide principalmente sobre sistemas de EDI (Electronic Data Interchange) e sobre a Internet. No entanto, em 2000, o crescimento de investimento na utilização de códigos de barras permitiu

21 que a utilização deste recurso se aproximasse mais dos níveis de utilização dos activos referidos antes. Aliás, através do Gráfico 8, podemos verificar, não só um crescimento acentuado de recurso a códigos de barras (no ano de 2000 dois terços das empresas utilizavam códigos EAN 66,7%), mas também, e para todos os activos que apoiam a gestão do fluxo de informação relacionado com a operação logística, uma tendência crescente de utilização. INTERNACIONAIS ESTUDOS 21 Os índices de utilização destes activos no sector da operação logística aumentam a capacidade destas empresas responderem às solicitações dos seus clientes com um serviço integrado, com maior disponibilidade de produto e com um desempenho mais elevado, tanto em termos de qualidade de serviço quanto de produtividade Capital humano O capital humano é outro dos aspectos fundamentais num sistema logístico. A análise efectuada permitiu concluir pela valorização das habilitações do capital humano das empresas de operação logística através de um decréscimo de indivíduos com frequência ou conclusão do ensino primário, e reforço das restantes categorias, especialmente em termos de ensino secundário.

22 22 O crescente reconhecimento da actividade logística como fonte de criação de vantagem competitiva, o aumento da escolaridade obrigatória e a complexidade crescente da actividade exigem uma valorização do capital humano. Esta valorização não poderá passar apenas pela utilização de indivíduos com habilitações académicas mais elevadas, mas deverá igualmente passar por um maior investimento em termos de formação profissional com vista ao incremento da produtividade, redução dos erros, utilização correcta dos recursos técnicos e aprendizagem das melhores práticas.

23 PARTE II: OPERAÇÃO LOGÍSTICA EM MOÇAMBIQUE INTERNACIONAIS 1. Introdução A actividade de operação logística em Moçambique é praticamente inexistente, mais ainda se nos reportarmos aos parâmetros de disponibilidade, fiabilidade e performance operacional verificadas nas empresas europeias, ou até mesmo nas empresas portuguesas. ESTUDOS No sentido de captar a verdadeira necessidade das empresas moçambicanas em termos logísticos, e de caracterizar a sua postura neste área, realizou-se um questionário a empresas que desenvolvem a sua actividade em Moçambique. A recolha, tratamento e análise desta informação terá sucesso se nos permitir caracterizar, de forma global, o desenvolvimento das empresas moçambicanas em termos logísticos, e realizar um ponto de situação em termos de recurso a outsourcing de actividades logísticas, utilização de recursos tecnológicos para gestão do fluxo de informação, e formação do capital humano Enquadramento Metodológico Para a recolha de informação sobre o contexto empresarial moçambicano em termos de necessidades logísticas foi efectuado um questionário, tendo o mesmo sido aplicado no terreno através da delegação da AIP em Moçambique, entre os dias 14 e 28 de Julho de Foi obtida uma amostra efectiva de 20 respostas. A distribuição das empresas da amostra efectiva pelos vários sectores de actividades é a que se apresenta no gráfico 10. A caracterização da situação logística actual de Moçambique será efectuada atendendo à informação recolhida através dos questionários recepcionados, os quais são aqui tidos como representativos de uma tendência geral das empresas moçambicanas.

24 24 3. Caracterização da Situação Logística Actual 3.1. Reconhecimento da actividade Através da análise da distribuição dos custos totais das empresas (Gráfico 11) verificamos que cerca de 75% destes são de cariz operacional (recursos humanos, produção e compras), enquanto que apenas 6% são identificados como custos logísticos. Conclui-se que os custos logísticos, embora existam, não são todos identificados com tal e são incluídos noutras áreas como a produção e as compras. Este facto demonstra que o estado evolutivo das empresas em termos logísticos é ainda muito baixo, até incipiente, sendo as empresas abordadas como um conjunto de áreas funcionais. Pode-se referir, a título de exemplo, que nos Estados Unidos os custos logísticos representam 10% do Produto Interno Bruto, valor que já resulta de um esforço iniciado há mais de 20 anos de compressão de custos nesta área.

25 INTERNACIONAIS ESTUDOS Apesar de 31% das empresas considerarem as actividades logísticas numa área autónoma, 69% ainda as engloba noutras áreas tais como a produção e o marketing. 25

26 26 A inclusão das actividades de carácter logístico em áreas com outros fins, nomeadamente na produção e no marketing, contribui não só para o adensar de conflitos internos, como também para uma performance mais pobre das empresas nos mercados onde actuam. As empresas são abordadas como um conjunto de áreas funcionais, pelo que o reconhecimento da actividade logística, com o seu carácter cross-functional, ainda não existe Operação própria vs. Externalizada As empresas moçambicanas demonstram tendência para a realização interna das actividades logísticas, nomeadamente daquelas que possibilitam controlo directo sobre o produto físico ou sobre o serviço prestado. De facto, através do Gráfico 14 verifica-se que são as actividades de transporte, e principalmente as de transporte de produtos acabados, as mais realizadas com recurso a outsourcing. Verifica-se também que, apesar de já se registar alguma propensão para a externalização, a manutenção de uma solução híbrida (com recurso simultâneo a transporte próprio e a transporte subcontratado) é ainda a mais adoptada. Este último aspecto acentua a vontade das empresas manterem controlo sobre o fluxo físico de materiais, recorrendo a empresas externas em situações de variação de procura ou para fazer face a flutuações sazonais.

27 ESTUDOS INTERNACIONAIS A propensão das empresas para realizarem algumas actividades logísticas através do recurso a empresas externas foi avaliada através de uma escala de valores inteiros, de 1 a 4, em que 1 significava muito pouco provável e 4 significava muito provável. Os resultados desta análise estão disponíveis no Gráfico A perspectiva de evolução para externalização de actividades logísticas por parte das empresas centra-se principalmente nas actividades de transporte, nomeadamente no transporte de matérias-primas (100% das empresas afirmam que o pretendem passar a fazer externamente num prazo de um a três anos). Esta evolução vem confirmar a tendência para a realização das actividades em outsourcing identificada anteriormente. A maior focalização da externalização no movimento de inbound e não tanto no de outbound poderá ficar a dever-se ao facto das empresas actualmente já realizarem parte deste último movimento através de outsourcing, motivo que as poderá ter levado a não considerar a resposta à questão. Uma menor apetência para a externalização da gestão de armazém e do processamento de encomendas poderá ficar a dever-se a falta de oferta de serviços de qualidade por parte do mercado.

28 3.3. Transporte e armazenagem 28 Os movimentos de inbound e de outbound são, de uma forma genérica, actualmente efectuados tendencialmente em regine de outsourcing em 66% das empresas (Gráfico 16). Relativamente à posse efectiva dos locais de armazenagem de matérias-primas e/ou de produtos acabados, a realidade é distinta da verificada em relação ao transporte, uma vez que 93% da armazenagem é realizada em instalações da própria empresa (Gráfico 17), sendo estas instalações operadas por recursos próprios (Gráfico 14).

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