DA ADOÇÃO DO ELETRONIC DATA INTERCHANGE

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1 NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO INTER E INTRAORGANIZAÇõES: ANÁLISE DA ADOÇÃO DO ELETRONIC DATA INTERCHANGE (EDI) E DO COMÉRCIO ELETRÔNICO DE BENS E SERVIÇOS Silvana Prata Camargos Doutoranda em Administração FEA/USP Professora da Universidade Federal de Ouro Preto José Coelho de Andrade Albino Professor da Pontifícia Universidade Católica MG Abstract The adoption of the EC, although considered as rapid until now, is expected to increase in higher fees in the next years. In its first part, this paper describes concerning the EC, its aspects/components and challenges/barriers, viewed as a new tool offered by the Information Technology. In the second part, it presents some considerations about specific issues related to the adoption of the EC in Brazil, related to data and good/services. Resumo A adoção do Comércio Eletrônico, apesar de considerada como rápida até agora, tende a apresentar taxas ainda mais altas nos próximos anos. Em sua primeira parte, o presente artigo descreve conceitos relacionados ao CE, bem como seus aspectos /componentes e barreiras/problemas a serem vencidos. Na segunda parte, algumas considerações são feitas sobre o comércio eletrônico de dados e de bens e serviços no Brasil. 1- Introdução As vendas através do comércio eletrônico estão estimadas em US$13 bilhões para o ano de (Doyle, 1998)

2 O comércio virtual abre a possibilidade de um diálogo que permite às empresas formatar produtos e serviços a clientes individuais no espaço de algumas horas. A escolha é ilimitada; é possível comprar em outros países, caso o preço seja melhor. Na Inglaterra, por exemplo, pode-se comprar o último best-seller americano na livraria da Internet Amazon, 33% mais barato que numa livraria real, e isso inclui serviços postais. Oportunidade para uns e ameaças para outros. Passa a permitir que novas empresas entrem no mercado mais depressa e passem na frente de líderes estabelecidos. Com o comércio eletrônico, inovadores atentos têm uma grande oportunidade de vencer rapidamente a competição com os mais vagarosos. Este é o caso, principalmente, para produtos de especificações fixas, como computadores e software, música, livros, vídeos e carros. Em 1997, 11% dos carros novos vendidos nos Estados Unidos, foram vendidos pela Internet. Vários serviços, também, estão suficientemente maduros para a Internet, como viagens, bancos, investimentos e seguros. O objetivo deste ensaio é fornecer alguns conceitos básicos do Comércio Eletrônico (CE), visto como uma nova ferramenta disponibilizada pela Tecnologia da Informação. Busca-se identificar alguns de seus aspectos/componentes e barreiras/problemas a serem vencidos. Posteriormente, algumas considerações são feitas sobre o comércio eletrônico de dados e de bens e serviços no Brasil. 2- Conceituação O termo comércio eletrônico (CE)é uma conceituação genérica para os negócios conduzidos com a utilização das telecomunicações ou das ferramentas baseadas no uso das telecomunicações. (Clarke, 1998) Uma outra definição, proposta por Esprit (1998) afirma que o CE deve ser considerado como qualquer forma de transação de negócios onde as partes se interagem eletronicamente, não havendo trocas físicas ou contato físico direto. Deve-se associar a este conceito a idéia de que o CE é um caso raro onde as constantes e rápidas mudanças das necessidades do mercado (oferta e demanda) e as novas tecnologias caminham juntas, revolucionando a forma como os negócios são conduzidos. Dentro das características atuais do mercado, onde as fronteiras operacionais entre as empresas se tornaram fluidas e menos definidas, seria pragmaticamente e analiticamente ineficiente separar os

3 processos interorganizacionais e intraorganziacionais. Desta forma, o CE inclui as relações de compra e venda e as transações entre as empresas e, ainda, os processos de suporte dentro de cada empresa individualmente. O CE possibilita às empresas maior eficiência e flexibilidade em suas operações internas, um relacionamento mais próximo com seus fornecedores e maior grau de responsividade às necessidades e expectativas dos clientes (Zwass, 1996). Permite, por exemplo, que a empresa selecione o melhor fornecedor independente da sua localização geográfica e, posteriormente, venda seus produtos/serviços no mercado global. Um exemplo de CE é o varejo eletrônico ou varejo virtual que, de acordo com Da Silva (1997), pode ser definido como qualquer simulação de loja que venda seus produtos/serviços através de catálogos, folhetos, programas de rádio/televisão, fax, internet ou rede privada de dados. Segundo dados do Superhiper (1995), no mercado norte-americano a venda por catálogo movimentou, em 1993, US$53,4 bilhões ou 3,6% do total de vendas do varejo naquele país. Porém, o varejo virtual, onde o consumidor não é uma outra empresa, é apenas uma possibilidade de CE dentre tantas outras. Esprit (1998) propõe 4 categorias de comércio eletrônico, quais sejam: empresa - empresa: por exemplo, a situação onde uma empresa usa uma rede para envio das ordens de compra, recebendo eletronicamente a fatura e, posteriormente, efetuando o pagamento. Esta categoria utiliza-se, especialmente, da troca eletrônica de dados (Electronic Data Interchange - EDI), assunto que será tratado posteriormente. empresa - consumidor: podendo ser considerada como a categoria do varejo eletrônico. Sua expansão vem se dando em paralelo com a difusão da World Wide Web (WWW) disponibilizando, atualmente, a aquisição de diversos produtos, como bolos, CDs, equipamentos eletrônicos, livros, pacotes de viagens etc.

4 empresa - administração: englobando todas as transações entre empresas e organizações governamentais. Esta categoria ainda é bastante incipiente, devendo expandir a partir do momento em que os órgãos governamentais ampliem suas operações na mídia eletrônica. consumidor - administração: categoria ainda incipiente. Pode-se considerar, no entanto, que sua expansão se dará a partir do crescimento das categorias empresa - consumidor e empresa - administração. 3- Abrangência do Comércio Eletrônico O comércio eletrônico vem possibilitando a troca de informações, a manutenção de relações comerciais e a condução de negócios através do uso da tecnologia da informação. Assim, conforme expõe Clarke (1997), abrange operações e transações comerciais diversas como: estabelecimento do contato inicial, por exemplo, entre um consumidor potencial ou entre um fornecedor potencial; troca de informações; suporte anterior e posterior à venda, por exemplo, especificações detalhadas sobre um produto/serviço disponível, informações a respeito do uso do produto ou respostas às dúvidas/sugestões dos consumidores; realização de vendas, principalmente no caso de produtos/serviços que não requerem entrega física; pagamento eletrônico, fazendo uso de transferência eletrônica de fundos ou utilizando-se de cartões de crédito, cheques eletrônicos ou caixas eletrônicos de atendimento; distribuição, incluindo o gerenciamento da entrega física de mercadorias; surgimento de empresas virtuais, possibilitando a associação de empresas com competências diferenciadas, de forma a viabilizar a oferta de produtos/serviços que ultrapassem as competências individuais das empresas envolvidas; e, conseqüentemente, compartilhamento de todo o processo comercial pela empresa e seus parceiros. As atividades que englobam o CE, bem com as tecnologias que dão suporte a esta modalidade estão representadas na Figura 1. Contato inicial Suporte prévenda Suporte pósvenda Distribuiçã o Transferência de Vendas Empresas virtuais EDI Pagamento Segurança Diretórios

5 Multimídia fax EFT Troca de documentos Fonte: Adaptado e traduzido de Esprit, 1998 Figura 1- Abrangência do Comércio Eletrônico 4- Vantagens/oportunidades do CE para as empresas e para os consumidores Os limites do comércio eletrônico não são definidos a partir de fronteiras geográficas ou nacionais, mas sim pela cobertura das redes de informação. Como as redes mais importantes possuem um alcance global, o CE possibilita fornecedores até então insignificantes a atingir presença global na condução dos seus negócios. Além de possibilitar a presença no mercado global e o surgimento de novas empresas, no caso das firmas, e a possibilidade de escolhas no mercado global, no caso dos consumidores, outras oportunidades criadas pelo CE para as empresas e para os consumidores, de acordo com Esprit (1998) são as seguintes: Melhoria na competitividade e na qualidade dos serviços: por possibilitar uma maior proximidade empresa - consumidor; Customização em massa / produtos e serviços personalizados: passando a competir por variedade, atendendo nichos heterogêneos de mercado e viabilizando produtos com curtos ciclos de vida. O foco em economia de escopo, e não em economia de escala, favorece a empresa em termos de flexibilidade e responsividade. Para o consumidor, os produtos passam a se adequar mais às suas necessidades particulares, possibilidade inviável dentro do foco anterior de economia de escala. Redução dos fornecedores intermediários / respostas rápidas às necessidades: havendo exemplos, inclusive, de produtos transportados diretamente do produtor para o consumidor final. O CE, portanto, possibilita a eliminação dos distribuidores, dos atacadistas e, muitas vezes, dos varejistas, principalmente nos casos de produtos e serviços que podem ser entregues eletronicamente.

6 Redução substancial dos custos / redução substancial dos preços: devida a redução dos custos de transação. Naturalmente, a redução de custos poderá ser repassada para os preços, de forma a garantir melhor competitividade em preços para os produtos/serviços comercializados eletronicamente. Novas oportunidades de negócio / novos produtos e serviços: como serviços de suporte técnico, marketing de relacionamento eletrônico etc. O quadro 1 busca sintetizar as idéias explicitadas acima. Quadro 1 - Oportunidades e benefícios do comércio eletrônico OPORTUNIDADES PARA AS EMPRESAS presença no mercado global melhoria na competitividade customização em massa redução dos fornecedores intermediários redução substancial dos custos novas oportunidades de negócios Fonte: Adaptado e traduzido de Esprit, 1998 BENEFÍCIOS PARA O CONSUMIDOR escolha no mercado global melhoria na qualidade dos serviços produtos e serviços personalizados respostas rápidas às necessidades redução substancial dos preços novos produtos e serviços 5- Problemas/barreiras O CE apresenta maior crescimento e maior amplitude de uso a partir de Desde então, vem apresentando taxas de crescimento extremamente significativas. Vários autores, no entanto, acreditam que a fase de amadurecimento do mercado do CE exigirá a solução de alguns problemas que ainda se apresentam na utilização desta modalidade. Portanto, Esprit (1998) argumenta que uma atenção especial deve ser dada a estes aspectos, que serão apontados a seguir. GLOBALIZAÇÃO Potencialmente, uma empresa ou um consumidor tem a opção de realizar vendas ou compras no mercado global. Na prática, a questão que surge é de quais os meios uma empresa deve fazer uso para tornar conhecida por empresas/consumidores em todo o mundo ou ainda, como uma empresa pode conhecer todas as opções de compra no mercado mundial. Outras questões de igual importância referem-se às

7 diversidades culturais e lingüísticas, diversidades em termos de regulamentações e leis concernentes às transações comerciais ou até mesmo desconhecimento dos hábitos de compra ou convenções/tradições na condução dos negócios nos mais diversos países que podem estar envolvidos nas novas negociações através do CE. ASPECTOS CONTRATUAIS OU FINANCEIROS Há ainda uma indefinição das bases contratuais das negociações realizadas através do CE. Ou seja, numa transação eletrônica envolvendo dois países quaisquer não se sabe ainda qual seria a jurisdição legal a que esta transação teria que se submeter ou quais seriam as taxas as serem cobradas e posteriormente recolhidas, os regulamentos a que devem se sujeitar as partes do contrato ou como o pagamento deveria ser feito ou confirmado. PROPRIEDADE A questão da propriedade assume maior importância no caso da comercialização de produtos que podem ser entregues eletronicamente e que, conseqüentemente, podem ser copiados ou adulterados. PRIVACIDADE E SEGURANÇA O CE ainda não consegue garantir às partes envolvidas confidencialidade, autenticidade (garantindo a cada uma das partes a identidade da outra parte envolvida na transação) e adesão (garantindo que nenhuma das partes envolvidas podem negar sua participação na transação). Como as garantias sobre qualquer transação, normalmente, são dadas por uma terceira parte envolvida na transação, imagina-se que o CE irá requerer o estabelecimento de um sistema global de certificação, ainda não definido. Quanto à garantia de privacidade, o CE ainda terá de enfrentar os desafios da privacidade da comunicação entre as partes e privacidade dos dados disponibilizados em função de uma transação específica. INTERCONECTIVIDADE E INTEROPERACIONALIDADE A partir do momento que o CE busca o acesso universal de cada indivíduo ou cada empresa aos diversos produtos/serviços disponíveis mundialmente, torna-se necessária a existência de padrões universais que possibilitem a interconecção e a interoperação em rede. DESENVOLVIMENTO

8 Existe o risco de que algumas empresas desapareçam em função da inadequação de suas competências à nova concorrência surgida com o uso do CE, principalmente no caso das pequenas e médias empresas. Desta forma, as empresas devem se antecipar na adequação dos seus processos administrativos, dos seus recursos humanos e das formas de relacionamento com os agentes externos à organização, se capacitando para as novas oportunidades e para os novos desafios surgidos com o CE. 6- Utilização do Electronic Data Interchange (EDI) 6.1- Conceituação e caracterização O Electronic Data Interchange (EDI) pode ser definido, de acordo com Kalakota & Whinston (1996) como uma tecnologia que possibilita a transmissão de informações pertinentes às transações comerciais entre sistemas infomatizados de empresas, organizações governamentais, pequenas empresas e bancos. Antes do EDI ( início da década de 80), ordens de compras, faturas, recibos de entrega e outras documentações comerciais dependiam de sistemas postais e a comunicação entre parceiros comerciais ficava restrita a algumas horas do horário comercial, devido aos problemas de fuso horário. O uso do EDI permite a existência de uma rede de acesso restrito aos clientes do provedor, possibilitando conexão dos sistemas eletrônicos de informação entre empresas, independentemente dos sistemas e procedimentos utilizados no interior de cada uma. (Premenos Corp., 1997) A importância estratégica do EDI pode ser explicada pela crescente necessidade do uso de informações dada a maior competitividade dos mercados frenteà crescente regionalização e globalização da economia. Considerando-se a Análise Estratégica dos Recursos (Miller & Shamsie, 1996) a informação compreenderia uma forma de recurso baseado no conhecimento. Como tal, permite à empresa obter performance superior até o momento em que o mercado mude e estes recursos sejam desvalorizados. Apesar disso, a ênfase nestes recursos torna-se mais importante quanto mais instável e imprevisível for o mercado. Ao lidar com a informação como recurso estratégico, a empresa deve buscar diferentes tipos de sinergia, como a de geração, processamento e distribuição e armazenamento. Pode-se afirmar que a utilização do EDI tem como ponto mais crítico a distribuição e armazenamento, dada a necessidade de envolvimento da grande

9 maioria dos fornecedores para garantir a eficiência do sistema instalado e a importância do sigilo nas transações que transmite. Assim, a função principal de um provedor de EDI é, no momento da adesão de um cliente à rede, instalar o hardware e software para a tradução das informações da empresa em padrões já normatizados internacionalmente. Na operação do sistema, o provedor deve garantir tanto o registro da transação (comunicação) entre dois parceiros na rede, quanto o sigilo em relação ao aceso de terceiros a estas informações. Brisa (1997a e 1997b) esclarece que as empresas não entram em contato apenas com bancos, mas com todos os seus parceiros nos negócios. A troca de informações gera economias e maior eficiência para todos os participantes da rede. Assim, cada um é, ao mesmo tempo, cliente e fornecedor de informações. Há inúmeras possibilidades de adição de valor através da utilização do serviço de EDI. Para citar alguns exemplos, colocados por Brisa (1997a e 1997b) tem-se: Clientes e fornecedores comerciais podem sincronizar seus processos, garantindo, do lado do cliente, o recebimento de produtos no tempo requerido e, no do fornecedor, a possibilidade de integração com sistemas de controle da produção como o MRP Redução de custos através da contração das estruturas de venda e da possibilidade de redução de estoques, dada a possibilidade de maior sincronia entre clientes e fornecedores.] Viabilização do acesso a novas regiões e mercados ainda não explorados, em função da ausência de estrutura de venda local. Monitoramento fino das vendas, possibilitando a mesuração de sua velocidade em diferentes locais e, em conseqüência, provocar o desencadeamento de ações promocionais localizadas e imediatas para alavancar vendas. O EDI representa um conceito mais amplo de comunicação entre empresas, propondo-se a abarcar todas as trocas de documentos e informações entre todos os participantes das transações comerciais e financeiras.

10 Como vantagens aos usuários, esta tecnologia possibilita, basicamente, maior agilidade, redução de estoques e redução de custos operacionais, atendendo necessidades de empresas de diversos setores da economia em termos de melhor utilização do tempo e eliminação significativa de manuseio de documentos em papel. Kalakota & Whinston (1996) salientam que o ponto crucial na implementação do EDI é a consideração de aspectos gerenciais, não a tecnologia em si. Porém, apesar do EDI ser considerado 20% tecnologia e 80% gerência, normalmente é visto como tecnologia. O processo de implementação do EDI, conseqüentemente, muitas vezes deixa de levar em consideração as implicações na forma de condução dos negócios. Os autores apontam os altos custos como uma das razões para a taxa de difusão do EDI ser ainda relativamente baixa. Outra razão seria a grande dificuldade de instalação, posto ser necessário o envolvimento da grande maioria dos fornecedores de determinada empresa, de forma a garantir retornos que justifiquem o alto investimento O processo de adoção do EDI no Brasil De acordo com Schware & Kimberley, (1997), nos diversos países onde o EDI já foi disponibilizado, os primeiros clientes ou pioneiros foram sempre empresas de grande porte, com grande número de fornecedores e clientes. Estes pioneiros estão, normalmente, distribuídos entre diversos setores econômicos, como o setor têxtil, aeroespacial, químico, automotivo, elétrico, eletroeletrônico, extração de petróleo, metal mecânico e, ainda, redes atacadistas e prestadores de serviços de saúde. No Brasil, o processo de adoção de EDI é apontado como peculiar em relação ao de outros países, pelo fato de ter seu início no setor bancário. Diante da situação econômica fortemente caracterizada por períodos de altos índices de inflação e de incertezas quanto aos custos futuros, o setor bancário passou a priorizar a automação de seus serviços, oferecendo formatos de transferência de dados, normalmente através de file transfer.

11 Os autores afirmam que, no início dos anos 80, disseminaram-se no Brasil os sistemas de acesso direto das empresas às suas posições de contas a pagar e a receber, junto aos bancos. Estes sistemas permitiam o contato da empresa com cada banco de per si, através de softwares e protocolos proprietários. Foi, porém, no início dos anos 90 que o EDI passou a ser disponibilizado para as transações financeiras, com a proposta de abarcar todas as trocas de documentos e informações entre todos os participantes das transações. O objetivo era dar melhor suporte às atividades de intermediação financeira às transações físicas, agilizando o fluxo de documentos tais como pedidos, ordens e conhecimentos de embarque, faturas, notas fiscais, ordens de pagamentos, recibos de entrega e pagamentos e títulos de propriedade de ativos. A partir de 1993, surgem algumas iniciativas nacionais com a intenção de normatizar ou promover o comércio eletrônico. A SIMPRO Brazil, inspirada nos moldes da UK SITPRO, assumiu a missão de promover o UN-EDIFACT como o padrão brasileiro e ampliar o seu uso para transações de comércio internacional. Vale destacar, também, os esforços da EAN Brazil - European Association Numbering - no sentido de promover a utilização do EDIFACT (EANCOM) particularmente para o setor industrial, de distribuição, atacado e varejo. As iniciativas da EAN Brazil são direcionadas às grandes empresas e incluem, mais especificamente, os supermercados (atualmente com 100% dos produtos com código de barra), os produtos farmacêuticos e os serviços de transporte. Em 1994, o volume de transações através de redes VANs representavam US$27 milhões, sendo 48% em operações financeiras, 6% em transporte, 20% em atividades comerciais, 6% na indústria automobilística e 20% em outros tipos de transações, como seguros e cartões de crédito. (Schware & Kimberley, 1997) A expansão do comércio eletrônico de dados no Brasil apresenta duas vertentes de expansão. Uma delas seria o atendimento da demanda derivada, originada da expansão da rede de usuários de seus clientes atuais representando, adicionalmente, uma forma de se atingir às pequenas e médias empresas. Outra, que consiste na expansão do uso do EDI em transações comerciais e de logística e não se manter restrita às transações financeiras.

12 As barreiras à expansão do uso desta tecnologia podem ser identificadas como: dificuldades percebidas pelos executivos quanto à reestruturação dos negócios praticamente imposta pelo sistema e pelo fato da necessidade da adoção surgir, em grande parte, a partir dos níveis operacionais de cada empresa, e não a partir de um projeto estratégico. Essa última, por sua vez, provoca uma forte resistência da alta direção da empresa, que muitas vezes não visualiza os benefícios decorrentes da utilização do EDI. Sabendo-se que os conceitos fundamentais no EDI são a rede e a parceria, vencidas essas barreiras iniciais, a empresa se depara com a necessidade de integrar clientes e/ou fornecedores ao sistema, de forma a viabilizar a troca eletrônica de informações. Esta barreira representa maior ou menor resistência de acordo com o poder de barganha do usuário pioneiro com estes agentes. 7- O comércio eletrônico de bens e serviços no Brasil Pode-se afirmar que o comércio eletrônico no Brasil apresentou índices de expansão mais significativos somente a partir de Altos índices inflacionários aliados à grande instabilidade econômica dificultava o estabelecimento de preços. Adicionalmente, o uso mais intenso da Internet se limitava às universidades ou às grandes empresas. Porém, seguindo uma tendência mundial, o número de usuários cresceu a taxas exponenciais, tornando cada vez mais atrativo às empresas nacionais fazerem parte da rede. Entretanto, as empresas restringiam as suas ofertas a informações a respeito das suas atividades, seus produtos/serviços e outros serviços complementares, como chats, resumos de jornais/revistas, links com outras instituições etc. Algumas empresas varejistas começaram a oferecer, na Internet, informações a respeito de preço, especificações técnicas e disponibilidade dos itens em estoque na rede. Porém, as compras não eram efetuadas eletronicamente, sendo disponbilizado o serviço 0800 para tal.

13 Em meados de 1997, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública (IBOPE) realizou uma pesquisa para conhecer o perfil do internauta no Brasil. Nesta pesquisa, informantes foram considerados, resultando nos seguintes dados: 78% dos usuários possuem entre 15 e 39 anos; 83% são do sexo masculino; 62% são solteiros e 34% casados; 71% exercem alguma atividade econômica e 58% ainda estão estudando; 22% trabalham em atividades diretamente relacionadas à tecnologia de informação; 37% possuem grau de instrução no nível superior e 40% possuem segundo grau; 62% lê e escreve em inglês; 64% possui renda familiar acima de 20 salários mínimos e 21% acima de 50 salários mínimos; 18% já comprou alguma coisa pela reda e 68% afirma estar interessado em experimentar esta modalidade de comércio; 74% possuem cartão de crédito e destes, 58% possuem cartão de crédito internacional. (Ibope, 1997) Tratase, portanto, de um segmento seleto da população brasileira, trazendo a possibilidade de uma expansão do CE de bens e serviços. 8- Considerações finais O rápido desenvolvimento da tecnologia da informação e as altas taxas de adoção registradas a partir da década de 80, principalmente, com o advento dos computadores pessoais, tem trazido novas formas de relacionamento entre empresas, indivíduos e organizações governamentais. (Tapscott, 1995) O comércio eletrônico deve ser visto como mais uma alternativa disponibilizada pela TI, atendendo às novas necessidades impostas pela globalização da economia, ao mesmo tempo em que é viabilizadora deste novo quadro mundial. Do lado dos indivíduos e das sociedades, o CE enfrenta o desafio de respeitar a diversidade cultural; quanto às empresas, o CE deve adequar-se para atender às suas necessidades de sobrevivência; e, no que se refere às organizações governamentais, o CE, na busca de sua expansão, deve respeitar os aspectos legais, jurídicos e sociais, garantindo e sustentando a legitimidade destes agentes.

14 9- Referências Bibliográficas BRISA, Os Desafios Atuais da Informática e das Telecomunicações, 1997a. BRISA, Vantagens dos Sistemas Abertos em Informática e Telecomunicações, 1997b. CLARKE, R., Customer Profiling and Privacy Implications for the Finance Industry, ClLARKE, R., Electronic Commerce Definitions, DA SILVA, A. L., Tecnologia da Informação no Varejo: o caso do Pão de Açúcar Delivery, In: Tecnologia da Informação e Estratégia Empresarial, MARCOVITCH, J. (org.), Futura, São Paulo, ESPRIT, Electronic Commerce -an introduction, IBOPE, Perfil do Internauta Brasileiro, DOYLE, P., Marketing pela Internet promete agitar negócios, JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO, São Paulo, 10 de março de 1998, B16. KALAKOTA, R., WHINSTON, A., Frontiers of Electronic Commerce, USA, Addison-Wesley Publishing Company, MILLER, D., SHAMSIE, J., The Resourced-Based View of the Firm in Two Environments: the Hollywood Film Studios fom 1936 to 1965, Academy of Management Journal, 39(3): PREMENOS CORP, Getting Started With EDI, SCHWARE, R., KIMBERLEY, P. Information Technology and National Trade Facilitation: guide to best practice, The World Bank, Washington D. C., TAPSCOTT, D., The Digital Economy: promise and peril in the age of networked intelligence, McGraw-Hill, New Yourk, ZWASS, V., Electronic Commerce: structure and issues, International Journal of Electronic Commerce, v. 1, n. 1, Fall, 1996, p

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