Relatório da Missão Internacional do Polo de Excelência em Genética Bovina ao Uruguai

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1 Relatório da Missão Internacional do Polo de Excelência em Genética Bovina ao Uruguai Uberaba MG 2014

2 1. Introdução Com o objetivo de conhecer a organização da cadeia pecuária de produção de carne bovina, com foco em qualidade, o Polo de Excelência em Genética Bovina (PEGB) realizou, entre os dias 12 e 17 de maio de 2014, a Missão Internacional ao Uruguai. A presente Missão aconteceu com o apoio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES) e aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). A delegação foi composta pelo Polo de Genética representando um projeto do Governo de Minas e articulador; pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) como associação de criadores; pela Cenatte Embriões representando o setor privado e empresa de biotecnologia e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) como Instituição de Ensino Superior (IES) que possui excelência em pesquisas sobre qualidade de carne bovina. Desta forma, os representantes do Polo de Genética, e convidados, visitaram importantes setores da cadeia pecuária Uruguai: Instituto Nacional de Carnes (INAC) em Montevidéu; o Centro Colaborador de OIE em Bem-Estar Animal e Produção Pecuária (CCBA) da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidad de La Republica, em Montevidéu; O Centro de Genética Fertigen, em Batoví; a Planta Frigorífica Solís Meat Uruguay, em Solís e o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), na regional de Tacuarembó. O Polo de Excelência em Genética Bovina é uma iniciativa da SECTES, que atua com recursos FAPEMIG com objetivo de consolidar o Estado de Minas Gerais como centro do desenvolvimento integrado da Genética Bovina, com foco na geração de produtos de qualidade, de maneira sustentável. O Polo atua como articulador da cadeia, incentivando a pesquisa e inovação tecnológica na produção bovina e no agronegócio do Estado. A Missão ao Uruguai foi aprovada pela FAPEMIG, no Anexo IV, referente ao Convênio / Manutenção do Polo de Excelência em Genética Bovina, e seu desdobramento será importante componente do projeto /2013 Gestão da Inovação da Biotecnologia Pecuária em Minas Gerais. 2. Integrantes da Missão Delegação de Minas Gerais: Dra. Renata Soares Serafim Gerente Executiva do Polo de Excelência em Genética Bovina Coordenadora da Delegação e Chefe da Missão. M.Sc. Camila de Moraes Raymundo Coordenadora do Centro de Inteligência do Polo de Excelência em Genética Bovina; Sr. Carlos Henrique Cavallari Machado Superintendente Adjunto do Melhoramento Genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); 2

3 Sr. Cláudio Severino Lara Gerente Comercial do Cenatte Embriões; Sr. Edon Rocha Braga Gerente Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, ETR Porto Alegre RS; Dr. Sergio Bertelli Pflanzer Júnior Professor do Departamento de Tecnologia de Alimentos, da Faculdade de Engenharia de Alimentos Universidade estadual de Campinas, UNICAMP. 2.1 Uruguai O Uruguai (FIG. 1) está localizado no Sudeste da América do Sul e possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes. Na capital, Montevidéu, está localizada pouco menos da metade da população do país (1,338 milhões. ONU, 2009). O país é o segundo menor da América do Sul e a maior parte do território constitui-se de pradarias, ideais para criação de bovinos e ovinos que, a propósito, foram introduzidos na região em 1611 pelos espanhóis, tornando-se uma riqueza para a região. O principal componente da economia do país é o setor agropecuário, caracterizado pela criação de gado bovino e ovino, cujos produtos (tais como carne, lã, couro e derivados lácteos) são destinados, em sua maioria, à exportação. Os recursos minerais são escassos, mas há uma incipiente indústria de transformação das matérias-primas e combustíveis importados. Assim, sua principal indústria é a alimentícia, seguida da têxtil e da química. Além disso, o Uruguai é um dos países economicamente mais desenvolvidos da América do Sul, com um dos maiores PIB per capita da região, em 48 lugar no Índice de Qualidade de Vida (2011) e em 4 lugar em desenvolvimento humano na América Latina (2013). No país, foram visitados o Instituto Nacional de Carnes (INAC) em Montevidéu; o Centro Colaborador de OIE em Bem-Estar Animal e Produção Pecuária (CCBA) da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidad de La Republica, em Montevidéu; O Centro de Genética Fertigen, em Batoví, a Planta Frigorífica Solís Meat Uruguay, em Solís; e o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), na regional de Tacuarembó. 3

4 FIGURA 1 Mapa do Uruguai e cidades visitadas Instituto Nacional de Carnes (INAC) Montevidéu Data: 12/05/2014 Presentes: Delegação mineira, Sr. Jorge Acosta (Chefe da área de informações e análise econômica), Sr. Guzmán Bessio (Departamento Técnico de Direção de Controle e Desenvolvimento de Qualidade), Sr. Daniel Abraham (Sistema Eletrônico de Informação da Indústria da Carne), Sr. Gregorio Dassati Razabone (Chefe da Unidade de Engenharia e Arquitetura e Sistema Eletrônico de Informação). Assuntos tratados: Apresentação da indústria da carne no Uruguai, do INAC e sua ligação com o Governo e toda a cadeia produtiva, como um representante do Poder Executivo do Uruguai (FIG. 2 e FIG. 3). Após a reunião, foi realizada uma visita ao Museu Interativo do INAC (FIG. 4 e FIG. 5). 4

5 Essa instituição, que está próxima de completar 50 anos de existência, parece ser o maior responsável pelo processo organizacional do setor carne do Uruguai. Até 1967, o setor produtivo de carnes era apenas normatizado e fiscalizado pelo MGAP, órgão no Brasil equivalente ao MAPA. Após um colapso produtivo ocorrido no ano de 1966, foi então instituído o INAC, que hoje é composto por membros que representam todos os elos do setor carne, sendo eles MGAP e MIEM (Ministério da Indústria, Energia e Minério) que representam o Governo, Associação Rural e Federação Rural que representam os produtores, a Câmara da Indústria Frigorífica e a Associação da Indústria Frigorífica que representam os frigoríficos. Desta maneira, os caminhos a serem trilhados pelo INAC, ou mesmo pelo setor produtivo, são discutidos pelos elos da cadeia, e as decisões tomadas acontecem em conjunto e com aprovação quase sempre unânime, sendo poucas vezes necessária a votação. Um dos pontos que diferenciam o INAC, frente a outros institutos, é a forma como o mesmo é financiado, ou seja, é uma instituição pública, mas não estatal, sendo financiada por uma parcela dos impostos recolhidos pelo mercado da carne (0,6% da carne exportada e 0,7% carne comercializada no país). Os objetivos globais do INAC consistem em promover a qualidade comercial dos produtos, controlar o mercado interno da carne, analisar os números da produção de carne no país e promover a carne uruguaia para o exterior. Na reunião foi possível destacar quatro importantes projetos desenvolvidos e coordenados pelo INAC, os quais foram e são primordiais para explicar como o Uruguai possui uma posição de destaque no cenário de produção e exportação de carne bovina. Os projetos são: Identificação animal e rastreabilidade; Bem Estar Animal; Sistema de Caixas Pretas, e por último a promoção da Produção Sustentável (Natural). A identificação individual de todos os bovinos, de forma obrigatória desde 2006, juntamente com um sistema de rastreabilidade, passou a ser uma maneira de controlar e coletar as informações sobre o setor produtivo da carne bovina. Até este momento era muito difícil saber, de maneira concreta, os números da produção de carne, pois era comum o abate clandestino ou a sonegação fiscal. Toda movimentação do gado é registrada até o momento do abate. Em 2004, o INAC iniciou o projeto para incentivar a melhoria das práticas de manejo do gado, com intuito de promover a qualidade da carne e acender no mercado internacional em relação ao Bem Estar Animal. Desta maneira, o Uruguai é reconhecido hoje como um dos países que possui um sistema nacional para controlar e monitorar o Bem Estar Animal. Além do aspecto ético, as boas práticas de manejo trazem benefícios econômicos, seja pela menor incidência de contusões ou pela menor incidência de carne escura (DFD). O sistema das Caixas Pretas tem dois objetivos principais. O primeiro é acabar com a desconfiança entre produtores e frigoríficos e o segundo, que vem de maneira 5

6 indireta, serve para estimar a produtividade do setor, pois as balanças, dispostas em diferentes pontos da cadeia produtiva, funcionam como registradores de informações, que tanto os produtores, quanto os frigoríficos podem utilizar para estimar suas eficiências de produção, enquanto o INAC recebe e avalia todas estas informações em conjunto. Dependendo do frigorífico, o número de caixas pretas pode ir de 1 a 7, e são elas: 1 - peso vivo, 2 - peso após sangria, 3 - peso antes da esfola e evisceração, 4 - peso após toalete, 5 - peso na desossa, 6 - peso dos cortes gerados e 7 - peso das caixas produzidas. O programa estratégico de promoção da carne Natural visa levar confiança aos clientes, com informações sobre questões de qualidade sensorial, nutrição e higiene, além de sustentabilidade e Bem Estar Animal. Com o uso de tecnologia e devido ao padrão sanitário do país, o Uruguai consegue produzir e exportar seus produtos para mercados e cotas específicas que possibilitam a agregação de valor, como Cota Hilton e Cota 481 (grain feed). De maneira geral, é possível concluir que o INAC é o grande responsável por manter a qualidade e a confiança do setor produtivo de carne bovina no Uruguai, e isto se deve à diversidade dos membros envolvidos e de como a instituição é financiada. FIGURA 2 Placa em frente ao prédio do INAC. 6

7 FIGURA 3 Sr. Jorge Acosta com a delegação mineira. FIGURA 4 Museu interativo do INAC. 7

8 FIGURA 5 Delegação em visita ao Museu interativo Universidad de La Republica (UDELAR): Facultad de Medicina Veterinaria Montevidéu Data: 13/05/2014 Presentes: Delegação mineira e professores/pesquisadores da UDELAR (FIG. 6): Dra. Stella Huertas (Professora Adjunta do Instituto de Biociências Veterinárias e Diretora do Centro Colaborador de OIE em Bem-estar Animal e Produção Pecuária CCBA), Deborah César (Assessora em Sanidade Animal do Instituto Plano Agropecuário e colaboradora honorária do CCBA), Andres D. Gil (Professor Titular do Instituto de Biociências Veterinárias, Área de Bioestatística), Silvia LLambí (Professora do Instituto de Produção Animal, Área de Genética) e Dr. Fernando Vila Hill (Doutor em medicina e tecnologia veterinária, docente da Faculdade de Veterinária, na área de Bioestatística. Especialista em Genética e Produção Equinos). Assuntos tratados: Breve apresentação do Polo e da delegação; Breve apresentação dos professores/ pesquisadores da Faculdade de Veterinária; Apresentação da Faculdade de Veterinária e dos trabalhos de bem-estar animal desenvolvidos pelo Centro Colaborador de OIE em Bem-estar Animal e Produção Pecuária; 8

9 Discussão sobre possíveis cooperações entre a UDELAR e as Universidades Mineiras um documento modelo para cooperação foi entregue ao Polo de Genética, para providenciar futuras parcerias (FIG. 7); Visita às instalações da Faculdade de Medicina Veterinária da UDELAR (FIG. 8 e FIG. 9). A Universidad de la Republica (UDELAR) é a principal instituição de educação superior e pesquisa do Uruguai. Em conjunto com vários atores institucionais e sociais, realiza múltiplas atividades orientadas ao uso de conhecimento e à difusão da cultura. Caracteriza-se por ser uma instituição pública, autônoma e governada por seus docentes, estudantes e egressos. A pesquisa, na UDELAR, é um dos objetivos estabelecidos no Art. 2º de sua Lei Orgânica. Mais da metade das pesquisas desenvolvidas no Uruguai é realizada nesta Universidade. Sendo a maior e a mais importante Universidade do país, a UDELAR conta com mais de 80 mil estudantes ( estudantes, em 2007) e compreende 14 faculdades, além de vários institutos e escolas universitárias. Foi fundada no dia 18 de julho de 1849, em Montevidéu. A visita à UDELAR foi bastante produtiva para o Polo de Genética, pois se abriram oportunidades para cooperações e intercâmbios para alunos e professores, de forma a haver participação e desenvolvimento de projetos conjuntamente, em áreas afins. O formulário cedido pela Dr.ª Stella Huertas durante a reunião, posteriormente, foi encaminhado para algumas Instituições de Ensino Superior, como a FAZU e UNIUBE, e ambas mostraram-se interessadas em preenchê-lo para posterior convênio. Foram realizadas duas reuniões com a UNIUBE, a fim de conhecer as linhas de pesquisa dos docentes do curso de mestrado em Sanidade e Produção Animal nos Trópicos. Os professores enviaram seus currículos, os quais podem ser visualizados no link - sendo este encaminhado à Dr.ª Stella Huertas para que se continuasse a tramitação do acordo de cooperação. Por outro lado, as Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU) preencheram o formulário para estabelecer um convênio com UDELAR, e o Polo de Genética encaminhou o documento aos cuidados da Dr.ª Stella Huertas. A Dr.ª Stella comprometeu-se em informar ao Polo de Genética, tão logo recebesse o formulário. 9

10 FIGURA 6 Delegação mineira com pesquisadores da UDELAR. FIGURA 7 Reunião sobre cooperações entre UDELAR e Universidades Mineiras. 10

11 FIGURA 8 Instalações da Faculdade de Medicina Veterinária da UDELAR. FIGURA 9 Réplica da primeira escola de Medicina Veterinário do Mundo (em Lyon, na França). À direita, a delegação mineira em frente ao monumento, que é o laboratório de anatomia da UDELAR Centro de Genética Fertigen Batoví (Província de Tacuarembó) Data: 14/05/

12 Presentes: Delegação mineira e Dr. Daniel Gambetta (Veterinário e Diretor do Centro, FIG. 10). Assuntos tratados: Apresentação do Centro Fertigen de coleta e processamento de sêmen; Visita às instalações e laboratório; Mostra dos principais touros da Central, das raças Red e Black Angus e Hereford; Breve discussão sobre o mercado da biotecnologia, importações e exportações de material genético pelo Uruguai. O Centro Fertigen se dedica à coleta e congelamento de sêmen bovino. Além disso, prepara touros para competir em importantes exposições como Prado (Montevideo UY) e Expointer (Esteio RS- BR). O Centro é registrado junto às autoridades sanitárias uruguaias e pode comercializar sêmen no mercado doméstico e internacional. No último ano foram congeladas ao redor de doses, sendo parte delas destinadas à comercialização e parte à prestação de serviços ao cliente. No segundo caso, o cliente paga pela industrialização ao redor de U$ 3,50 (três dólares e cinquenta centavos) por dose. Na modalidade de prestação de serviços, o sêmen será utilizado no rebanho do cliente ou comercializado por ele. O Centro Fertigen dispõe de catálogo informativo com os touros disponíveis para comercialização, inclusive exportação (FIG. 11). As raças predominantes são Hereford e Angus, nas variedades Red e Black (FIG. 12). No catálogo está disponível um touro Braford (5/8 Hereford, 3/8 Brahmam ou Nelore). As instalações são extremamente simples, embora funcionais, saudáveis aos animais a atendendo a todos os requisitos básicos de ambiência e bem - estar (FIG. 13). O quadro de colaboradores envolvidos na rotina da central é composto por quatro pessoas, incluindo o Dr. Daniel Gambetta. Os equipamentos do laboratório são oriundos de uma central desativada no Brasil, em Rosário do Sul RS (FIG. 14). O Uruguai tem grande tradição na criação da raça Hereford. Os dados de avaliação genética do rebanho puro Hereford são coletados pelos criadores e enviados à Austrália, onde são processados pelo programa BREEDPLAN. Os rebanhos Hereford do Uruguai, Argentina e Estados Unidos são avaliados em conjunto, gerando dados confiáveis e harmonizados entre os países citados. 12

13 O touro destaque da Fertigen é o animal CAUDILLO, da raça Hereford (FIG. 15). Este touro foi destaque em pistas e sua prole também está se destacando em pistas. Os dados do teste de progênie deste touro são muito bons, mesmo quando comparado com a base de dados americana. A dieta dos touros se baseia em pastagem nativa nos piquetes, três quilogramas diários de concentrado e feno à vontade. Quando em coleta, os touros são trabalhados dois dias por semana e dois saltos ao dia. Apesar de o Uruguai ter a totalidade de suas 12 milhões de cabeças rastreadas, segundo o Dr. Daniel, uma pequena parte das vacas é inseminada. FIGURA 10 Delegação mineira com o Dr. Daniel Gambetta. FIGURA 11 Catálogo Fertigen 2013/

14 FIGURA 12 Touro Black Angus. Touro Red Angus. FIGURA 13 Instalações da Fertigen. 14

15 FIGURA 14 Laboratório de análises e botijões de armazenamento de sêmen. FIGURA 15 Touro Caudillo Planta Frigorífica Solís: Solís Meat Uruguay Solís Data: 15/05/2014 Presentes: Delegação mineira e Alejandro Sans (Gerente da Planta Frigorífica, FIG. 16). Assuntos tratados: Vídeo institucional do Solís Meat Uruguay; Apresentação da planta frigorífica, com foco na logística e funcionamento da mesma; Apresentação do sistema eletrônico de classificação de carcaça e relatório enviado ao produtor (FIG. 17); Discussão sobre o mercado da carne no Uruguai com foco na exportação (país exporta 80% da produção), Cota 481 da União Europeia (abate de bovinos de até 30 meses, entram aos 23 meses no confinamento, para serem terminados 15

16 neste sistema, por no mínimo 100 dias, FIG. 18), qualidade, segurança alimentar e bem-estar animal; Visita à planta frigorífica e explicações sobre toda a linha de abate; Visita aos currais de entrada dos animais (FIG. 19), os quais seguem os padrões de bem-estar animal pré-estabelecidos por Temple Grandin sumidade no assunto. O frigorífico Solís é uma empresa relativamente nova, que foi fundada em 1994, moderna, e que pode ser considerada de médio porte, pois abate diariamente cerca de 450 bovinos por dia. Entretanto, a empresa é reconhecida por seus programas de qualidade, os quais originam produtos que são exportados para países exigentes, como os da União Europeia e Estados Unidos. Assim como muitos frigoríficos do país, Solís recebe gado de um raio não maior que 250 km e normalmente dos mesmos produtores (70% do gado), os quais já fornecem gado há muitos anos. Desta maneira existe uma maior facilidade de negociação entre as partes, pois ambos sabem o funcionamento um do outro. O frigorífico funciona com uma escala de abate de cerca de uma semana, e a escala é montada sempre após a venda da carne, ou seja, procura-se comprar o gado após uma demanda já conhecida. A negociação para pagamento do produtor é feita basicamente pelo peso da carcaça, em kg, que em 2013 ficou em 3,66 US$ (54,9 que em reais, hoje, ficaria próximo a R$ 126,00. O produtor tem ainda a escolha de participar de um programa de pagamento diferenciado, no qual ele pode ser bonificado ou penalizado, dependendo das características de carcaça de seus animais. A tipificação é feita levando-se em conta a idade e sexo dos animais, além da musculosidade e acabamento das carcaças. Existe uma diferenciação no preço pago para as diferentes categorias de animais. Por exemplo, para as fêmeas o valor pago é de 3,33 US$/kg enquanto para touros o valor é de 2,56 US$/kg. Esses valores foram praticados em O tema Bem Estar Animal é muito fomentado no frigorífico Solís, e este é tratado com muita atenção desde o manejo do gado no momento do embarque até o momento do abate. O toalete, quando ocasionado pelas contusões, é descontado do produtor. Ainda neste contexto aplicam-se treinamentos constantes aos motoristas e funcionários do frigorífico, visando melhorar cada vez mais as práticas de manejo do gado. Os motoristas são instruídos a elaborar um relatório de embarque, onde descrevem como o mesmo foi realizado, ou seja, se foram utilizado cachorros, ou mesmo realizado de maneira agitada, ou com violência. Um diferencial aplicado pelo frigorífico Solís é o sistema de classificação eletrônica de carcaças, onde se avalia, além do peso, a conformação e o acabamento, podendo ainda ser possível avaliar a presença de contusões. Esse sistema baseia-se na avaliação de imagens/fotos de cada meia carcaça. Essas fotos, assim como todos 16

17 os dados coletados (romaneio), são enviadas em tempo real para o produtor e para o sistema do INAC, os quais podem acompanhar mesmo à distância, o resultado do abate. Esse sistema eletrônico, o qual também funciona no sistema de Caixa Preta, cria uma melhor confiança entre o produtor e o frigorífico, pois a avaliação das carcaças passa de subjetiva (pessoas) para objetiva (máquina). Há cerca de dois anos iniciou-se a exportação de carne pela Cota 481 da União Europeia, na qual a carne é originada de bovinos jovens (até 30 meses) terminados em confinamento (mínimo de 100 dias). Para conseguir esse tipo de produto, o frigorífico trabalha com convênios/parcerias com alguns produtores mais tecnificados, os quais são capazes de produzir este tipo de animal, e por isso recebem uma bonificação. Parece existir, no Uruguai, uma boa relação entre produtor e frigorífico, onde a confiança no sistema é baseada pelo sistema de rastreabilidade juntamente com as Caixas Pretas. Existem programas específicos de bonificação aos produtores de carne de qualidade, mas no geral a comercialização é feita pelo preço base da carne. FIGURA 16 Delegação mineira com Sr. Alejandro Sans, com roupas especiais para entrar no frigorífico. 17

18 FIGURA 17 Acima, sistema eletrônico de classificação de carcaça e abaixo, relatório enviado ao produtor. 18

19 FIGURA 18 Caixas de carne a serem exportadas à União Europeia. FIGURA 19 Currais de entrada e espera dos animais. 19

20 2.1.5 Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), regional de Tacuarembó Data: 16/05/2014 Presentes: Delegação mineira, Dr. Fabio Montossi (Chefe do Programa Nacional de Ovinos e Caprinos), Dra. Olga Ravagnolo (Programa Nacional de Carne e Lã) e Dr. Gustavo Brito (Programa Nacional de Carne e Lã). Assuntos tratados: Vídeo institucional o qual explica brevemente o trabalho de pesquisa e extensão do INIA; Breve apresentação do Polo e da delegação; Apresentação sobre a pesquisa realizada pelo INIA pelo Dr. Fábio Montossi (FIG. 20): o Produção animal sustentabilidade, bem-estar, qualidade do produto final, rastreabilidade e identificação, segurança alimentar e genética; o Mercado - exportação x importação, preços de venda x custo de produção. o Apresentação sobre Melhoramento Genético de Bovinos, com foco em produção de carne, pela Dra. Olga Ravagnolo (FIG. 21): o Convênio com associações de criadores para estabelecer linhas de pesquisas (demandas); o Registros genealógicos; o Avaliações genéticas de populações (rebanhos): índices reprodutivos como facilidade de parto, por exemplo e eficiência alimentar; o Apresentação de resultados dos últimos experimentos. Mesa redonda: discussões sobre a pesquisa e programas de melhoramento genético de bovinos, realizados no Brasil e Uruguai. FIGURA 20 Apresentação do Dr. Fábio Montossi (Foto: INIA) 20

21 FIGURA 21 Apresentação da Dra. Olga Ravagnolo (foto INIA). O Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA) é um centro de pesquisa e desenvolvimento, criado em 1989, cuja missão é fortalecer a inovação tecnológica no setor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Uruguai. É constituído por quatro representantes, sendo dois do Poder Executivo (propostos pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca) e dois representantes dos produtores. A ideia deste sistema, o qual reúne governo, financiamento público e privado é tornar o desenvolvimento de pesquisas mais eficiente e dinâmico. Os produtores participam ativamente, através do Conselho complementar Regional, o qual é responsável pelas decisões para formulação, desenvolvimento, seguimento e difusão dos projetos de pesquisa nas áreas de maior demanda local. A difusão da informação tecnológica obtida através destas pesquisas é realizada através de articulação com associações de assistência técnica e extensão, atividades presenciais e de atualização (jornadas, dias de campo e seminários), além de publicações e página da web. O instituto é coordenado pela Direção Nacional, a qual é uma estância central localizada em Montevidéu. Além disso, e possui cinco Estações Experimentais: Las Brujas, La Estanzuela, Salto Grande, Tacuarembó e Treinta y Tres. A delegação mineira foi recebida pelos diretores e pesquisadores da Estação de Tacuarembó (FIG. 22 e FIG. 23). Esta Regional foi criada em 1972 com o objetivo de desenvolver pesquisas e disponibilizar assistência técnica naquela região, visando aumentar a eficiência de produção local. A então Estação Experimental do Norte foi instituída através do programa de regionalização do Centro de Investigações Agrícolas, que era ligado ao Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai. Em 1989, com a criação do INIA, esta Estação Experimental passou a integrá-lo. Tacuarembó é uma região de pecuária extensiva, produção agrícola e florestal e, desta forma, desenvolve pesquisas nas áreas de bovinocultura de corte, ovinocultura (carne e lã), pastagens, produção florestal (pinho e eucalipto), integração 21

22 lavoura-pecuária-silvicultura, produção hortícola (alho, batata comum e doce, cebola, amendoim e feijão), além do cultivo de arroz e rotação desta cultura com pasto. Assim, os principais objetivos desta Regional são melhorar a competitividade das cadeias agroindustriais, através da melhoria da eficiência de produção, qualidade e agregação de valor ao produto final. O foco é oferecer soluções tecnológicas, valorizando sempre os recursos naturais e a produção sustentável. FIGURA 22 Entrada do INIA, regional de Tacuarembó. 22

23 FIGURA 23 Delegação mineira com Dra. Olga Ravagnolo na entrada do INIA. 3. Conclusão Após a realização da missão ao Uruguai, foi possível conhecer uma realidade bem diferente da encontrada e vivenciada pelo Brasil. Apesar de sua pequena extensão territorial, o Uruguai destaca-se por sua organização na cadeia produtiva pecuária, que é reconhecida e respeitada por todos os atores da cadeia. Os Institutos de pesquisa visitados exercem notável influência em todos os setores, e monitoram os rebanhos que serão abatidos com tecnologia moderna e bonificações pela qualidade de carne. O investimento em pesquisas voltadas à melhoria das características de carcaça, bem estar animal, pecuária sustentável e a intensificação das parcerias com países desenvolvidos, como importadores da carne produzida, fazem do Uruguai um país em constante ascensão econômica e de grande destaque no cenário da pecuária internacional. Agradecimentos Ao apoio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (SECTES), através dos esforços da Assessoria de Parcerias Nacionais e Internacionais (APNI) para que todas as visitas fossem programadas de acordo com a proposta do projeto do Polo de Genética. À FAPEMIG pela aprovação do projeto e liberação dos recursos para que a Missão ao Uruguai fosse realizada. 23

24 Às instituições de pesquisa e empresas visitadas, por terem disponibilizado seu tempo, pessoal e informações relevantes que subsidiarão os trabalhos desenvolvidos pelo Polo de Genética, e desta forma contribuirão com o desenvolvimento do Estado de Minas Gerais. À delegação mineira, pelo empenho, dedicação, companheirismo e participação durante todo o período da viagem. 24

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