RELATÓRIO SÍNTESE RENOVAÇÃO DE RECONHECIMENTO DO CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO

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1 RELATÓRIO SÍNTESE RENOVAÇÃO DE RECONHECIMENTO DO CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS UNESP CAMPUS DE MARÍLIA - SP Campus Universitário I Entrada Principal

2 1 INTRODUÇÃO 1 Com a finalidade de retratar o cenário no qual está inserida a Faculdade de Filosofia e Ciências, Unidade Universitária da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, apresentamos ao leitor um sucinto resgate histórico da cidade de Marília que culmina na caracterização atual do município. Tal descrição visa fornecer elementos para que haja a compreensão da importância dos cursos oferecidos pela UNESP Universidade Estadual Paulista no interior do Estado de São Paulo. Para tanto, fizemos uma análise do desenvolvimento do sistema educacional na cidade de Marília e contextualizamos a origem da Faculdade de Filosofia e Ciências UNESP/ Campus de Marília. 1.1 Breve Histórico da cidade de Marília Marília é uma cidade localizada no Centro-Oeste do Estado de São Paulo e foi ocupada na década de 1920 em conseqüência da expansão cafeeira e ferroviária. Por ocupar o espigão ocidental da Serra dos Agudos, no sentido leste-oeste, possui uma altitude que varia de 550 a 700 metros e situa-se entre 6 º 35 e 7 º 14 longitude oeste do Rio de Janeiro e 21 º 42 e 22 º 22 latitude sul. Fica distante da Capital do Estado 443 Km por rodovia; 529 km por ferrovia e 376 km em linha reta. Possui uma área total de 1194 km2 de área urbana e 1152 km2 de área rural e sua topografia descreve uma região montanhosa (Figura 1). 1 Texto elaborado por Maria Cândida Soares Del Masso (Vice-Diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências) e por Martha dos Reis (Doutora em História).

3 Figura 1: Vista aérea da cidade de Marília (foto O município de Marília organizou-se a partir da junção de três patrimônios. O primeiro com o nome de Alto Cafezal teve como marco, a capelinha dedicada a Santo Antônio de Pádua construída por Antônio Pereira da Silva e por seu filho José Pereira da Silva. O segundo loteamento foi chamado por Vila Barbosa e teve seu impulso com Galdino Alfredo de Almeida. Finalmente, o terceiro, pertencente a Bento de Abreu Sampaio Vidal, recebeu o nome de Marília. 1.2 A origem e o desenvolvimento dos patrimônios Em 1919 a estrada de ferro da Cia. Paulista encontrava-se em Piratininga, com projetos de avançar pelo espigão da Serra dos Agudos, onde, em 1916, seus engenheiros haviam deixado um marco na região onde está hoje a cidade de Marília. A perspectiva desse empreendimento fez com que a Cia. Pecuária e Agrícola de Campos Novos expandisse seus negócios em termos de vendas de lotes. Antônio Pereira da Silva, alertado pelo filho, ao inspecionar pessoalmente as terras que estavam à venda, entusiasmou-se e tratou de adquirir uma porção. No entanto, confiou o negócio a um intermediário que não conseguiu efetivá-lo em tempo hábil, indo a gleba desejada às mãos do Major Eliziário de Camargo Barbosa. Esse novo proprietário, por sua vez, entregou a porção recém adquirida de 650 alqueires a Antônio Pereira para que fosse vendida em lotes. Em troca, Antônio Pereira recebeu uma área de 53 alqueires, cuja escritura lhe foi passada em 1923, quando instalou o patrimônio, dando início à venda de lotes. à Marília. Surgiu, então, o Alto Cafezal, o primeiro dos três patrimônios que deram origem O café foi o produto agrícola que deu impulso ao desenvolvimento da região. Nas zonas velhas da Mogiana, Paulista e Sorocabana, as terras apresentavam esgotamento e

4 conseqüentemente, havia um declínio da produção. A saída encontrada pelos produtores foi buscar novas áreas que lhes propiciasse bons rendimentos. A perspectiva da continuidade da construção da estrada de ferro da Companhia Paulista e as matas inexploradas provocaram uma rápida valorização do solo, na região que estava sendo loteada por Antônio Pereira da Silva. Migraram para a região não só antigos plantadores de café das zonas velhas, como também imigrantes que chegavam com o sonho de enriquecimento rápido. A povoação cresceu e em 1926, já contava com 22 casas. Figura 2: Casa São Pedro (foto ) Nesse mesmo ano, surgiu o segundo patrimônio conhecido por Vila Barbosa como resultado do loteamento de uma parte dos 1950 alqueires de propriedade dos coronéis Galdino Alfredo de Almeida e José da Silva Nogueira. O terceiro e último patrimônio que, junto com os demais, serviu para dar origem à cidade de Marília, apareceu no final de 1926, início de 1927: Bento de Abreu Sampaio Vidal resolveu abrir um novo loteamento sob a responsabilidade do engenheiro Durval de Menezes.

5 Para garantir o crescimento do lugar, reservou espaço para a construção da estação ferroviária, já que os trilhos da Cia. Paulista seguiam nessa direção e foi sob a imposição da mesma que se decidiu pelo nome de Marília. Naquela época os nomes das estações ferroviárias tinham que seguir a ordem alfabética, começando pela primeira, a partir de Piratininga que se denominou América. A que seria construída no novo patrimônio devia começar pela letra M. Inspirado no livro Marília de Dirceu, escrito pelo inconfidente Thomás Antonio Gonzaga, Bento de Abreu Sampaio Vidal optou pelo nome de Marília. A povoação crescia a olhos vistos e em 1928, já contava com 628 casas. Os limites entre os patrimônios Alto Cafezal e Marília tornavam-se imprecisos. Os trilhos da Companhia Paulista alcançaram Marília e o primeiro trem chegou abarrotado de gente. 1.3 O município de Marília Em 1928, Bento de Abreu Sampaio Vidal, valendo-se da sua condição de deputado estadual, apresentou na Câmara o Projeto de Lei que elevaria Marília a município. A Lei de n º que criou o município de Marília na Comarca de Piratininga era de 24 de dezembro de 1928, mas a instalação do município só ocorreu em 04 de abril de A partir de então, ocorreu a junção dos três patrimônios que deram origem à cidade, que, em seus primeiros anos, foi o chamariz de quem pretendia enriquecer. A crise de 1929 ocorreu no momento em que os cafezais da região iriam começar a produzir. Este fato, aliado aos problemas políticos ocorridos no país em 1930 e 1932, provocaram uma ligeira diminuição no ritmo de crescimento da região. No entanto, o recenseamento de 1934 registrou para o município uma população de habitantes, dos quais 80% residiam na zona rural. Apesar das crises, o sonho de enriquecimento rápido não se tornou pesadelo. Quando houve a proibição de plantação de novos cafezais em 1932, o café foi substituído pelo algodão, cultivado pelos colonos japoneses que fizeram do município o maior produtor do

6 Estado a partir de Do mesmo modo, houve uma diversificação da produção agrícola pois passou-se a cultivar mandioca, algodão, arroz, milho, batata, feijão, fumo e cana. Bastante diversificada, apesar da predominância do café, foi a partir da agricultura que Marília nasceu e se desenvolveu. E foi por viver da zona rural e ter suas funções determinadas por ela, que surgiram as primeiras indústrias vinculadas à produção agrícola. Com a cultura do algodão, praticada sobretudo por japoneses, o município conheceu um novo período de prosperidade e as primeiras indústrias surgiram a partir de 1936, com a finalidade de beneficiar óleo e torta de algodão. A cotonicultura foi o elemento propulsor da industrialização. Entre os anos de 1940 e 1950 as indústrias instaladas na cidade de Marília ligavam-se sobretudo à produção agrícola (algodão e amendoim). Contudo, em decorrência de secas prolongadas, houve a necessidade de diversificar o parque industrial e na década de 1960 surgiram as indústrias de massas alimentícias e as fábricas de bebida e vinagre. Ao mesmo tempo, houve uma evolução da área dedicada às pastagens o que significou uma diminuição do pessoal empregado na zona rural. A mecanização do campo, o aumento das pastagens e a decadência da produção agrícola fizeram com que houvesse transformações no cenário urbano. A partir de meados da década de 1950 a população urbana superou a rural e Marília adquiriu novas características. 1.4 Caracterização atual da cidade de Marília Sob a vertente contextual 2, Marília assumiu, desde sua fundação em 1929, um protagonismo regional, transformando-se na capital da Alta Paulista. Tal fato deve-se, em grande medida, por sua posição geográfica (importante entroncamento de meios de comunicação, integrando o sul e o norte do país, por meio da BR 153, bem como o litoral com Mato Grosso e Paraguai, por meio da BR 294), aspecto que levou, inclusive, à criação dos Transportes Aéreos Marília, hoje TAM. 2 Dados extraídos da proposta de criação do curso de Arquivologia da UNESP apresentada pelo Departamento de Ciência da Informação da FFC-UNESP à Reitoria da UNESP, em outubro de 2002.

7 Em termos econômicos, a cidade diferenciou-se das demais da região por ter no algodão e no amendoim (e não especificamente no café) a base de sua economia agrícola, aspecto que a levou a um precoce e intenso processo de industrialização, fazendo com que, nos dias de hoje, possua importante parque industrial onde se verifica desde a indústria pesada (aço) até e predominantemente a indústria alimentícia (balas, confeitos e biscoitos), o que lhe valeu o atual cognome de Capital Nacional do Alimento. Sob o ponto de vista político, Marília - com a implantação da 11 ª região administrativa na década de assumiu uma liderança regional congregando projetos conjuntos das administrações municipais. A questão social, por sua vez, vem sendo objeto de preocupação da administração pública, seja por meio de projetos como a Casa do Pequeno Cidadão (voltado para a educação de meninos carentes), seja por investimentos na melhoria da estrutura urbana (saneamento básico, traçado da cidade, projetos educacionais e de saúde pública). Isso se deve, em grande medida, ao fato de a cidade ser, hoje, um importante centro universitário, congregando mais de (quinze mil) estudantes distribuídos em uma universidade pública, uma universidade confessional, duas IES isoladas públicas e uma universidade particular. Em decorrência desse contexto, a questão da preservação da memória vem ganhando vulto nos últimos anos por meio de iniciativas que, pouco a pouco, vão se consolidando. Entre elas pode-se mencionar: Comissão Municipal de Registros Históricos; Clube de Cinema de Marília; Centro de Documentação Histórica e Universitária de Marília e Museu Histórico e Pedagógico de Marília (estes dois últimos a cargo da UNESP, em convênios com a Administração Municipal), o que revela uma preocupação arquivística. Atualmente a cidade possui um Horto Florestal de 554 ha; um Bosque Municipal de 17,36 há, uma área reservada ao reflorestamento de 2000 ha e uma área de vegetação natural de 7400 ha. Sua localização geográfica com proximidade com o Mercosul e com a hidrovia implantada no Rio Tietê favorecem a consolidação do Município. Além desse aspecto, Marília está próxima aos grandes centros ligados pelas rodovias estaduais e federais.

8 Figura 3: Localização da cidade de Marília (foto Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, Marília possui habitantes e o índice de alfabetização é de 86,641%. 1.5 Sistema Educacional da cidade de Marília Marília é um pólo universitário do interior paulista, contando com as seguintes Instituições de Ensino Superior: UNESP - Universidade Estadual Paulista, FAMEMA - Fundação Municipal de Ensino, UNIVEM - Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha, UNIMAR - Universidade de Marília e FAJOPI Faculdade João Paulo I, atendendo, aproximadamente, alunos. Essas instituições reúnem diversos cursos universitários o que provoca uma população flutuante. Em relação às Instituições de Ensino Superior cabe ressaltar que, das cinco instituições citadas, apenas a UNESP e a FAMEMA fazem parte do sistema educacional público. Quanto ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, a Diretoria de Ensino 3 da Rede Pública Estadual de Ensino da cidade de Marília, Estado de São Paulo, atende as 3 Decreto nº , de 09 de Abril de 1999: Dispõe sobre a alteração da denominação e a reorganização das Delegacias de Ensino, da Secretaria da Educação, e dá providências correlatas. Art. 1º - As Delegacias de Ensino, da Secretaria da Educação, criadas pelo Decreto nº 7.510, de 09 de Janeiro de 1976, que integram o Anexo I e II do Decreto nº , de 1º de Janeiro de 1995, com alterações posteriores, passam a denominar-se Diretorias de Ensino. DOE 09/04/1999.

9 seguintes cidades 4 : Álvaro Carvalho, Alvinlândia, Echaporã, Fernão, Gália, Garça 5, Julio Mesquita, Lupércio, Lutécia, Marília 6, Ocauçu, Oriente, Oscar Bressane, Pompéia e Vera Cruz. Nas modalidades de atendimento educacional oferecidas, o Ensino Fundamental abrange da 1ª a 8ª Séries, Ensino Especial e Suplência II e o Ensino Médio atende classes de 1ª a 3ª Séries, Suplência do Ensino Médio e Ensino Profissionalizante, além dos Projetos Especiais e do Programa Telecurso. A Diretoria de Ensino da cidade de Marília conta atualmente 7 com alunos regularmente matriculados no Ensino Fundamental, distribuídos em salas de 1ª a 4ª Séries e Ensino Especial e alunos em salas de 5ª a 8ª Séries e Suplência II. No Ensino Médio encontram-se alunos regularmente matriculados, distribuídos em salas de 1ª a 3ª Séries e Suplência E.M. Esses dados estão demonstrados no Gráfico 1. O número de professores vinculados à Diretoria de Ensino está assim distribuído: Ensino Fundamental professores no ensino de 1ª à 4ª Séries e Ensino Especial; 569 professores no ensino de 5ª à 8ª Série e Suplência II. No Ensino Médio, 413 professores em classes de 1ª à 3ª Séries e Suplência E.M. O atendimento realizado pela Diretoria de Ensino de Marília no Ensino Básico Fundamental e no Ensino Médio soma alunos e professores (DEL-MASSO, 2000) ª-4ªs. 5ª-8ªs. E.Méd. ALUNOS PROFES. Gráfico 1 Distribuição de alunos e professores conforme atendimento realizado 4 Fonte: Setor de Planejamento da Diretoria de Ensino de Marília/SP. - As cidades de Gália, Garça, Ocauçu e Vera Cruz possuem Unidades Vinculadas, na modalidade de Ensino Rural. - As cidades de Garça, Marília e Vera Cruz possuem Ensino Profissionalizante - Paula Souza. 5 Possui Projetos Especiais da Secretaria de Educação: CEL - Centro de Estudo de Línguas. 6 Possui Projetos Especiais da Secretaria de Educação: CEL - Centro de Estudo de Línguas; CEES - Profª Iria Fofina de Seixas; CEESMA - Centro de Estudo Ensino Superior de Marília e CEFAM - Prof. Macário Ribeiro Macário. 7 Dados atualizados pelo Setor de Planejamento da DE/Marília em

10 O ensino superior brasileiro vem enfrentando, nos últimos anos, uma séria crise decorrente de vários fatores sócio-econômicos e culturais. Acrescido a isso podemos apontar também as mudanças legais que afetam o desenvolvimento dessa modalidade educacional. Nesse sentido, a LDB/9.394, sancionada em 20/12/1996, impõe alterações e novas obrigações ao Estado brasileiro e aos cidadãos no tocante ao modelo de universidade e ensino superior no país. Entre as alterações podemos apontar a centralização do Plano Nacional de Educação pela União em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os municípios, conforme citado no artigo 9 da LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Outra alteração importante é a criação de um processo nacional de avaliação, que teria como objetivo a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino no país. Vinculada às anteriores, há uma terceira alteração e uma mudança nas obrigações do Estado, todas elas interconectadas: a questão do financiamento e das responsabilidades de cada esfera do poder público - União, Estados e Municípios - no tocante ao ensino superior. À União cabe o papel de garantir o bom funcionamento do sistema educacional das universidades federais e ampliá-las somente na medida de suas possibilidades. Deste modo, impõe-se aos Estados e municípios a necessidade de realizar novos investimentos em ensino superior. Segundo dados estatísticos do INEP 8, alunos estão matriculados no ensino superior (público e privado) brasileiro. Desse total, alunos estão matriculados nas Instituições de Ensino Superior públicas e privadas na cidade de Marília, SP. Os diferentes cursos de graduação da Faculdade de Filosofia e Ciências UNESP Campus de Marília, somam alunos regularmente matriculados, representando 12.12% da população de universitários da cidade. Esses dados terão uma análise mais precisa na Dimensão Ensino de Graduação. 1.6 A Faculdade de Filosofia e Ciências: uma Unidade Universitária da UNESP Centro de importante conglomerado populacional, a cidade de Marília, já nos anos 40, apresentava uma florescente preocupação intelectual que se expressava também pela 8 < >

11 aspiração de abrigar cursos superiores na cidade. Em 1952, tal aspiração era formalizada com a abertura do Processo n.º 4.557/52 que tramitou por cinco anos. Em 25 de janeiro de 1957, a Lei n.º 3.781, aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado e promulgada pelo Governador, Sr. Jânio Quadros, criava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília (FAFI), dentro da nova política de interiorização dos centros de pesquisa e ensino. No entanto, a existência legal da nova Faculdade não significou ainda a sua existência efetiva. Somente em 13 de janeiro de 1959, com a implantação dos Cursos de História, Letras Anglo-Germânicas e Pedagogia, a faculdade foi solenemente inaugurada. Três dias depois, o Decreto Federal n.º concedia inspeção prévia aos cursos a serem instalados, o que marcou oficialmente o início de suas atividades didáticas. A aula inaugural, ministrada pelo Professor Doutor Segismundo Spina, da Universidade de São Paulo, ocorreu no dia 1º de março de A Faculdade foi instalada no prédio de uma antiga fábrica, adquirido pela Prefeitura e cedido ao Governo do Estado. Figura 4: Primeiro prédio da UNESP em Marília (foto arquivo UNESP) A partir de 1963, mais um curso foi instalado, além dos já existentes o de Ciências Sociais. A primeira solenidade de colação de grau das primeiras turmas de Licenciados em Pedagogia, História e Letras Anglo-Germânicas ocorreu em 16 de fevereiro de Ao

12 final de 1963, a área de Letras era ampliada, com o oferecimento também de Letras Vernáculas. O conjunto de cursos oferecidos pela Faculdade ampliar-se-ia ainda mais em 1968 com a implantação da Licenciatura em Ciências. Em 1970, através do Decreto-Lei Estadual nº 161/70, a Faculdade foi transformada, juntamente com os demais Institutos Isolados do Ensino Superior, em Autarquia de Regime Especial. Em 1975, nova estrutura departamental foi implantada, por força da Deliberação CEE nº 5/75, de 02 de abril de Desta nova estrutura constava o Curso de Estudos Sociais (licenciatura 1º Grau) e Habilitação em Educação Moral e Cívica. O prédio da nova Faculdade foi inaugurado em 6 de março de 1975, na rodovia Marília-Assis, KM 445, destinado às atividades didáticas e departamentais. As atividades administrativas continuaram a serem desenvolvidas no prédio da Avenida Vicente Ferreira, nº 1278, até o ano de 1980, quando foram transferidas para o Campus Universitário. Ainda em 1975, a XVI Semana da Faculdade, tradicional promoção que se repetia desde 1960, enfocou o tema Estruturas Curriculares das Licenciaturas e dos Bacharelados dos Institutos Isolados do Ensino Superior do Estado de São Paulo. Buscava-se esclarecer o sentido das anunciadas transformações pelas quais deveriam passar os institutos isolados existentes. Com o advento da Lei nº 952/76, que criou a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, a FAFI passou integrar a nova Universidade com o nome de Faculdade de Educação, Filosofia, Ciências Sociais e da Documentação da UNESP, Campus de Marília. Por decisão do Conselho Universitário Provisório, as áreas de História, de Letras e de Licenciatura em Ciências foram suprimidas e a Faculdade recebeu, por transferência de Assis (SP), o curso de Filosofia e o correspondente departamento. Foi também criada a área de Biblioteconomia e o curso de Pedagogia teve um novo impulso com a decisão de se localizar em Marília os cursos de Educação Especial. A partir daí, a Faculdade passou a oferecer os seguintes cursos: Biblioteconomia, Ciências Sociais, Filosofia e Pedagogia, com Habilitações em: Administração Escolar para Exercício nas Escolas de 1º e 2º Graus, Supervisão Escolar para Exercício nas Escolas de 1º e 2º Graus, Orientação Educacional, Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º Grau, Educação Especial Área de Deficientes Mentais e Educação Especial Área de Deficientes Visuais. Em 1979, foi instalada a Habilitação de Educação Especial Área de Deficientes da Audiocomunicação, junto ao Curso de Pedagogia, significando mais uma expansão das atividades de ensino e pesquisa.

13 Em agosto de 1988 teve início a 1ª turma do Curso de Pós-Graduação em Educação Área de Concentração Ensino na Educação Brasileira, em nível de Mestrado. O nível de Doutorado foi implantado no início de Em 03 de março de 1989, com a aprovação do novo Estatuto da UNESP, a Faculdade passou a denominar-se Faculdade de Filosofia e Ciências Campus de Marília. Nesse mesmo ano, o Curso de Pedagogia passou a contar com mais uma Habilitação, a de Educação Especial Área de Deficientes Físicos, habilitação única no País, naquela oportunidade. No ano de 1991, mais uma Habilitação incorporou as já existentes no Curso de Pedagogia Magistério para a Pré-Escola. Buscando a ampliação de novos horizontes na formação profissional, em 1990, foi criado o Curso de Fonoaudiologia. Figura 5: Vista aérea do Campus Universitário UNESP (foto arquivo UNESP) Desde a sua criação, a Faculdade tem-se destacado como um espaço privilegiado, na região, de formação de profissionais, de desenvolvimento de pesquisas na área de Ciências Humanas e como um dos principais pólos desencadeadores e aglutinadores de reflexões e discussões sobre as mais relevantes problemáticas do país, articulando-se, no campo democrático, com várias outras entidades e instâncias. Atualmente, a Faculdade possui nove cursos de graduação, sendo que os cursos de Relações Internacionais, Fisioterapia,

14 Terapia Ocupacional e Arquivologia foram implantados em Conta também com quatro Programas de Pós-Graduação em funcionamento (Educação, Ciências Sociais, Ciência da Informação e Filosofia) e coordena o Curso de Pós-Graduação em Relações Internacionais, decorrente de acolhimento de projeto nos termos do Edital Santiago Dantas, da CAPES, sendo instalado mediante convênio com a PUC-SP e a UNICAMP, iniciado em A Faculdade de Filosofia e Ciências congrega em torno de 126 docentes, 146 funcionários técnico-administrativos, alunos de graduação e 305 alunos de pósgraduação. Sua estrutura física está distribuída em dois locais diferentes, o Campus I e o Campus II, respectivamente localizados à Avenida Hygino Muzzi Filho, 737 e à Avenida Vicente Ferreira, No Campus I estão instaladas a estrutura administrativa, o Centro de Convivência Infantil, os laboratórios, as entidades representativas dos três segmentos, a Biblioteca, o Prédio de Atividades Didáticas, os Núcleos de Ensino e de Direitos Humanos, grupos de pesquisas, entre outros. A Biblioteca ocupa uma área de aproximadamente 2000 metros quadrados e possui um dos maiores acervos da região, hoje estimado em títulos. É também no Campus I onde ocorre a maioria das atividades didáticas. No Campus II funcionam o CEES Centro de Estudos de Educação e Saúde (congregando a Clínica de Fonoaudiologia e o antigo Centro de Orientação Educacional), a UNATI (Universidade Aberta à Terceira Idade), a Unidade de Atendimento Médico, Odontológico e Social - UNAMOS, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB, o Núcleo de Ciência e Cultura, o CEDHUM Centro de Documentação Histórica e Universitária de Marília, o Museu Histórico e Pedagógico Embaixador Hélio Antonio Scarabôtolo, o CEICOMHU Centro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação Humana e outros setores ligados à área de extensão da Unidade. A Faculdade caracteriza-se ainda pelo oferecimento aos alunos, mediante processo seletivo, de Moradia Estudantil, com capacidade para acomodar 96 estudantes, diversas bolsas de estudo (Programa de Apoio ao Estudante, FAPESP, CNPq, FUNDUNESP, entre outras) e convênios estabelecidos com várias instituições visando à admissão de estagiários. Outra área de destaque da FFC é a de desenvolvimento de pesquisas. Atualmente, há 37 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, resultando importante produção científica nas diferentes áreas do conhecimento. Em locais específicos da home page da FFC <http://www.marilia.unesp.br> podem ser encontradas informações atualizadas sobre as diversas atividades aqui mencionadas.

15 A CRIAÇÃO DO CURSO DE RELAÇÕES E SUA TRAJETÓRIA O Curso de Relações Internacionais da FFC 9, UNESP de Marília teve sua aprovação no Conselho Universitário em 17/07/2002, sendo criado através da Resolução UNESP nº 69 de 23/07/2002, publicada no Diário Oficial do Estado de 24 de julho de 2002, tendo a sua Estrutura Curricular aprovada pela Resolução UNESP 20, de 1º/04/2004, publicada no DO em 2/04/2004. A Proposta Curricular do Curso de RI atual possui uma carga horária de 172 créditos, incluindo a Monografia, com 4 créditos 2 disciplinas optativas com 8 créditos Não há a indicação de estágios. Curso de Relações Internacionais de Marília realizou seu primeiro vestibular no período de 06 a 08 de julho de 2003, oferecendo 40 vagas no período noturno, obtendo a inscrição de candidatos (relação candidato vagas 54:1). O resultado do Vestibular 2003 evidenciou a presença de 55% mulheres e 45% homens, com a faixa etária de menores de 25 anos. O início das aulas ocorreu em 11 de agosto de O segundo vestibular para o Curso de RI deu-se em dezembro de , com 391 inscritos (sendo 233 mulheres e 158 homens) e apresentando a relação de 9,78% candidatos por vaga. E o terceiro vestibular em 2005 veio confirmar uma procura significativa por essa área de conhecimento: 1059 candidatos, sendo 637 mulheres e 422 homens e com a relação candidato/vaga de 26,5, o segundo curso mais procurado da Unidade de Marília, sendo superado pelo Curso de Fisioterapia, com 28,3. A trajetória do projeto de criação do Curso de RI da Unidade de Marília foi complexa e permeada de grande debate. Tangenciada pelo processo de expansão de vagas das universidades públicas incentivada pelo governo do Estado de São Paulo, principalmente quanto a sua interiorização gerou posições polarizadas na comunidade acadêmica. Houve um amplo e polêmico debate, que ainda tem nos dias de hoje seus desdobramentos, quanto a necessidade de manter a qualidade e gratuidade da oferta do Ensino Superior, a partir de 9 A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília foi criada pela Lei Estadual nº /1957, iniciando seu funcionamento em 1959, no prédio da Rua. Vicente Ferreira.Ver Christina de Rezende Rubim, Relatório Parcial, 02/2001, p O Conselho de Curso de RI optou pela não realização de Vestibular em dezembro de 2003, devido a precária situação de infra estrutura ( espaço físico para sala de aula) e, principalmente diante da ausência de docentes concursados

16 condições mínimas para o funcionamento dos cursos, como: a presença de um corpo docente com titulação e garantido pelo concurso público com jornada de trabalho compatível com as atividades de Ensino, de Pesquisa e da Extensão para atender as especificidades das distintas propostas curriculares; a oferta de servidores públicos na condição de funcionários visando as diversas atividades meio dos cursos e uma infra-estrutura básica compreendendo salas de aula, laboratórios, material permanente compatíveis com os Projetos Pedagógicos propostos. Foi nesse contexto que originou-se em 1997 a solicitação de criação do Curso de Relações Internacionais da UNESP Campus de Marília, obtendo aprovação junto ao CEPE Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária, em Elaborado o projeto e a proposta de estrutura curricular, ambos foram apreciados na Sessão Extraordinária do Conselho Universitário da UNESP - CO, em 17 de maio de 2001, sendo retirado de pauta, diante da solicitação de novas informações e a necessidade de alguns esclarecimentos de natureza operacional frente as limitadas condições da peça Orçamentária da UNESP na época. Na Unidade de Marília após algumas sessões de debate, o Curso foi reiterado pelos Departamentos de Ensino envolvidos (DCPE Departamento de Ciências Políticas e Econômicas e DSA Departamento de Sociologia e Antropologia), obtendo a aprovação unânime também na Congregação da UNESP Campus de Marília em 19 de junho de 2001, como sendo uma Aspiração legítima da comunidade acadêmica, porém com algumas ressalvas: rever a articulação da grade curricular proposta diante da redundâncias de certos conteúdos de disciplinas observados e investir em uma política de contratação, sendo necessário para o curso de RI, a presença de mais 8 docentes especialistas na área - dois por ano, distribuídos em 4 anos 11. Paralelamente a esse processo de a provação/instalação do Curso de RI e da discussão realizada nos diversos colegiados e níveis decisórios, o Programa de Pós- Graduação de Relações Internacionais San Tiago Dantas obteve na CAPES a sua aprovação em parceria com a PUC/SP e a UNICAMP, confirmando a relevância da solicitação da UNESP/Marília para um Mestrado Acadêmico, Mestrado Profissionalizante, Doutorado Acadêmico na Área de Relações Internacionais. 11 Isto porque, para atender um rol amplo de disciplinas o Curso de RI alocado junto dos Departamentos de Ciências Políticas e Econômicas e de Sociologia e Antropologia teria os docentes do Curso de Ciências Sociais, ficando apenas àquelas disciplinas mais especificas a serem supridas pelos concursos. No entanto, a situação do Curso se inverteu a partir de 2003, diante das aposentadorias e exonerações ocorridas em ambos os departamentos, o que foi sanado com a realização de 4 concursos públicos, com jornadas integrais, que vieram atender à demanda e disciplinas do Curso de Relações Internacionais.

17 Diante deste fato concreto, no Despacho nº.19/2001 de 04/10/2001, o então Diretor Kester Carrara enfatizou a relevância da instalação do Curso de Relações Internacionais. Em 25/04/2003, o Departamento de Ciências Políticas e Econômicas, que concentra parcela significativa das disciplinas curriculares reiterou a importância do Curso de Relações Internacionais na Unidade. Para dar inicio ao processo de implementação e instalação foi composto um Conselho Provisório do Curso de Relações Internacionais da UNESP Campus de Marília pelos docentes Dra. Lídia Maria Vianna Possas, Dr.Francisco Luiz Corsi, Prof. José Marangoni Camargo do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas; e Dr. Marcos César Alvarez, do Departamento de Sociologia e Antropologia. A primeira reunião do CPCRI (Conselho Provisório do Curso de Relações Internacionais) deu-se em 25/06/2003 enfatizando a importância da área de relações internacionais e da formação dos internacionalistas que viriam consolidar um campo de possibilidades acadêmicas e profissionais e somar com área das ciências humanas existentes na Unidade de Marília. Para tanto, enfatizou a urgência de concursos para contratação de docentes. Os Conselheiros enfatizaram o perfil dos profissionais a serem contratados e por unanimidade foi aprovado que fossem docentes especialistas e com experiência de pesquisa na área de atuação. Diante das sugestões de ambos os Departamentos e dos conselheiros propôsse ainda na reunião, a realização de um estudo sobre o perfil dos alunos de RI que estavam ingressando, visando conhecer a situação sócio econômica da clientela e acompanhar o processo didático-pedagógico tanto individual como coletivo de cada turma. Além da elaboração do horário para o primeiro semestre de 2003 (2º semestre ) houve a preocupação com a organização da recepção aos calouros em 12 de agosto de 2003, com uma palestra do Prof. Dr. Clodoaldo Bueno, da UNESP de Assis. Em 17 de outubro de 2003 elegeu-se o Conselho de Curso Oficial de RI Portaria nº 156, de 17/10/2003, sendo designados os seguintes Conselheiros: Prof. José Marangoni de Camargo (titular) e Dra. Mírian Cláudia Lourenção Simonetti (suplente); Dra. Ethel Volfzon Kosminsky (titular) e Dr. Marcos César Alvarez (suplente); Dra. Lídia Maria Vianna Possas (titular) e Dr. Odair da Cruz Paiva (suplente); e Dra. Célia Aparecida

18 Ferreira Tolentino (titular) e Dr. Giovanni Antonio Pinto Alves (suplente). Coordenadora: Dra. Lídia Maria Vianna Possas; vice-coordenadora: Dra. Célia Aparecida Ferreira Tolentino. Com a posse do Conselho de Curso de Relações Internacionais e os contatos com os outros Cursos de Relações Internacionais e suas experiências, realizou-se uma reunião, em 04/05/2004, com o objetivo de iniciar a discussão sobre grade curricular do Curso de Relações Internacionais e reiterar a contratação de docente. Nessa reunião enfatizou-se a proposta da criação de um Grupo de Trabalho - GT para dar início ao estudo sobre o perfil do Curso de Relações Internacionais e do aluno que a UNESP de Marília desejaria formar. Após consulta aos Departamentos, houve a indicação de nomes para a coordenação e a composição do GEPRI Grupo de Estudo e Pesquisa das Relações Internacionais, visando constituir um grupo permanente. A primeira reunião do Grupo de Estudos e Pesquisa das Relações Internacionais - GEPRI foi coordenada pelo Prof. Dr. Luís Antonio Francisco de Souza, do Departamento de Sociologia e Antropologia, objetivando elaborar as diretrizes e o rumo dos trabalhos para o grupo. Dentre as discussões preliminares apontou-se para a questão de priorizar o perfil profissional dos alunos de R.I. frente à uma carreira intelectual e profissional, não devendo ater-se apenas com preocupações relativas a inclusão e a substituição de disciplinas para compor uma determinada grade curricular. Com a participação de docentes e alunos definiram-se as estratégias em 13/09/2004. O GEPRI reuniu-se, oficialmente, com a seguinte pauta: a) Ementa/Planos de Ensino de vários cursos de RI para um estudo comparativo; b) Legislação pertinente ao Curso MEC e Resolução UNESP; c) Proposta bibliografia mínima para o Curso de RI; d) Identificação dos eixos temáticos do Curso de RI no país e equivalentes no exterior; e) Análise dos Planos de Ensino verificando redundâncias; e) Propostas de Estratégias transdisciplinares. Durante o ano 2004, o GEPRI realizou várias reuniões de estudos e discussão de diretrizes, com convocações realizadas pelo Conselho de Curso de R.I. Em dezembro de 2004, visando atender o encaminhamento de novas solicitações de concursos e mesmo de contratações temporárias de docentes (na qualidade de substitutos /conferencistas)

19 o GEPRI encaminhou uma primeira versão de Proposta Curricular, para dar início a uma ampla discussão e sugestão dos docentes, junto aos Departamentos de Ensino. As contribuições encaminhadas por algumas áreas do conhecimento foram absorvidas pelo GEPRI, que fez a divulgação dos resultados ainda parciais, em um Fórum de Debate sobre Cursos de R.I. no evento conjunto da III Semana de RI: Idéias e Cultura nas Relações Internacionais, realizada no período de 22 a 26/08 em Marília, com a parceria do Curso de RI de Franca. O referido trabalho apresentado em 26/08/2005, no Fórum Caminhos e perspectivas dos cursos de RI e contou com a presença da Pro-Reitora de Graduação da UNESP, Profª. Drª Sheila Zampello de Pinho, do Prof. Dr. Shiguenoli Miyamoto (UNICAMP), Suzeley Khalil Mathias (UNESP/Franca) e do GEPRI, representando a UNESP/Marília. Houve a apresentação de distintas propostas e discussões comparando os vários perfis de Cursos de RI em São Paulo e no país, que vieram enriquecer e contribuir com novas perspectivas para a área de conhecimentos das relações internacionais. Em dezembro de 2005, com as contribuições recebidas até então, e dos docentes do Fórum, o GEPRI apresentou um novo texto que foi divulgado para os professores dos Departamentos de Ciências Políticas e Econômicas; e de Sociologia e Antropologia, visando a realização de uma reunião Conjunta. Desta maneira uma nova Proposta Curricular para o Curso de R.I. da UNESP/Marília se encontra em processo de discussão, visando atender os pareceres exarados na época da análise do Projeto Inicial, corrigindo os anacronismos e as redundâncias existentes e propor um Curso que associe as preocupações de uma formação acadêmica sólida com perspectivas profissionalizantes frente às exigências do mercado de trabalho. Atualmente, o GEPRI é composto pelos docentes concursados: Marcelo F. de Oliveira; e Marcos Cordeiro Pires, pelo Departamento de Ciências Políticas e Econômicas; e José Blanes Sala; e Luís Antonio Francisco de Souza, do Departamento de Sociologia e Antropologia, permanecendo como coordenador do Grupo.

20 II. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO O Projeto Pedagógico do Curso de Relações Internacionais da FFC da UNESP de Marília, que segue abaixo, vigora desde o ano de No entanto, já existe um novo Projeto Pedagógico, com significativas alterações, baseadas na experiência dos anos anteriores. Esse documento foi aprovado pelo Conselho de Curso de Relações Internacionais, e aguarda apreciação das instâncias superiores. O novo Projeto Pedagógico do Curso de Relações Internacionais segue, como anexo, para que as referidas alterações possam ser visualizadas. 1. JUSTIFICATIVA Tornou-se um lugar comum dizer que os acontecimentos nacionais são crescentemente importantes para as sociedades contemporâneas, portanto também para o Brasil. Na verdade, o crescimento dessa importância é indiscutível. Ao mesmo tempo, as informações são freqüentes, praticamente atuais sobre conflitos e questões que atingem as relações entre povos e estados em qualquer lugar do mundo. Ao mesmo tempo em que a popularização de temas e agendas é notável, vai-se tornando difícil compreender o como e o porquê das situações. Muitas variáveis interferem: a própria política, a economia, a cultura, os valores. Por isso vem ganhando importância o estudo das relações internacionais, que atrai cada vez maior número de jovens no mundo inteiro, no Brasil e mais especificamente no Estado de São Paulo, inclusive no interior. A área de Relações Internacionais dedica-se não ao estudo da conjuntura, que não é subestimada, mas não é preocupação central. Dedica-se ao estudo das estruturas, processos, instituições, atores e normas que caracterizam o sistema internacional. Estes estudos no Século XX acabaram por definir uma área específica do saber, cujos temas principais foram o estudo da guerra, da paz, o desenvolvimento de teorias e modelos de análise sobre as relações entre estados, sobretudo a dinâmica das organizações, do sistema, das motivações de níveis mínimos de convivência, das razões para a cooperação. Importantes mudanças da política mundial ocorridas nas últimas décadas do Século XX fizeram com que novos temas se incorporassem: direitos humanos, meio ambiente, comércio e desenvolvimento, tecnologia, narcotráfico, migrações, conflitos étnicos, exclusão social e outros. A complexidade do sistema internacional contemporâneo, onde combinam-se cooperação e conflito, globalização e regionalização, o surgimento de novos atores ou de velhos atores com novos papeis, acabam criando a necessidade de um entendimento sofisticado e de preparação de profissionais em mais larga escala, vistas as exigências da sociedade e do mercado. Acrescente-se a isto a aspiração brasileira a um papel protagônico maior. Tudo isso configurando a importância de um Curso de Relações Internacionais.

21 2. OBJETIVOS Formar pesquisadores na área de Relações Internacionais. Abaixo, ao discutir o perfil profissional, fica clara a especificidade do Curso e as áreas de trabalho. O Curso tem como objetivo formar estudantes que se insiram nas novas necessidades intelectuais e, ao mesmo tempo, capazes de responder às mudanças introduzidas pelo mercado de trabalho no final do Século XX e início do Século XXI. 3. PERFIL PROFISSIONAL No Brasil, mais especificamente no Estado de São Paulo, há carência de profissionais com as qualificações necessárias. Os estudos de Relações Internacionais mostram tratar-se de disciplina relativamente nova, incluindo estudos históricos de política, inclusive de direito, de economia e de sociologia. A relativa debilidade do setor de Relações Internacionais no plano institucional fez com que tivesse baixa inserção na academia. As necessidades fizeram com que nos últimos anos, na década de 90, houvesse uma explosão de novos cursos. Alguns de boa qualidade, outros, menos. A PUC/SP criou um em meados daquela década, seguindo-se a USP. A UNESP criou um no Campus de Franca, iniciado em É evidente a carência da participação da universidade pública e de qualidade neste campo. Portanto, o Curso de Relações Internacionais da Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília surge como a ocasião de uma verdadeira consolidação. Os trabalhos de Mônica Herz, de Paulo Roberto de Almeida e de Shiguenoli Miyamoto sugerem o surgimento de uma consciência crítica e construtiva, de intensa reflexão no sentido da definitiva e formal afirmação dessa área de conhecimento. Estudos existiram no Brasil, já no Século XIX e ao longo de todo Século XX, mas o adensamento de uma área específica ficou faltando. O Curso em Marília cobre uma declarada deficiência no centro e oeste paulista. Pode-se afirmar que os cursos de Relações Internacionais de qualidade mais próximos são os de São Paulo, da PUC/SP e da USP, e o de Franca/UNESP. Assim, um curso numa universidade estadual em Marília cobrirá as necessidades de uma vasta área geográfica do Estado de São Paulo, com potencialidade de atração em parte do Mato Grosso do Sul e Paraná. O Curso quer formar profissionais qualificados para atuar nas diversas áreas do mercado de trabalho em que o conhecimento dessa matéria é cada vez mais importante. O graduado em Relações Internacionais estará preparado para trabalhar em instituições internacionais, empresas privadas, na mídia, em agências governamentais, em organizações não-governamentais, empresas de consultoria, instituições financeiras, sindicatos. Da mesma forma, vem crescendo a demanda de estudos especializados de parte do governo federal e suas agências, do poder legislativo, de partidos políticos, de governos subnacionais. O curso propõe-se também a qualificar jovens para o possível ingresso na carreira diplomática. O estudante formado neste curso terá forte capacitação na área de Ciência Política, com conhecimentos de profundidade em Sociologia, História, Economia, Direito, Geografia. Portanto, será um profissional crítico com capacidade analítica, propenso ao estudo de questões gerais e ao mesmo tempo capacitado à aplicação em temas específicos que interessam à região de Marília, à sua inserção nos processos de integração regional, inclusive o Mercosul e na globalização. O conjunto das disciplinas visará preparar para conhecimentos das organizações internacionais, da economia política internacional, áreas e regiões, sobretudo América Latina.

22 O conjunto das atividades visará sólida formação na área de Política Externa, sobretudo Política Exterior do Brasil. IV. VAGAS 40 (quarenta) vagas. V. PERÍODO Noturno. VI. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Os alunos do Curso de Relações Internacionais realizarão monografia obrigatória de Conclusão de Curso. Tratar-se-á de disciplina específica. Não será exigido estágio visto em Marília e região ser difícil a existência de instituições públicas ou privadas que ofereçam condições adequadas de realização desse mesmo estágio. VII. ESTRUTURA CURRICULAR Primeiro ano primeiro semestre Disciplinas Cr éditos C arga Horária Introdução à Ciência Política Teoria Geral do Direito Geopolítica da América Latina Iniciação à Metodologia Científica História das Relações 04 6 Internacionais no Mundo Moderno 0 Introdução à Economia Primeiro ano segundo semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Política Externa Brasileira Direito Constitucional Geografia do Mundo Contemporâneo

23 História e Diplomacia no Século XX Relações Econômicas Internacionais Segundo ano primeiro semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Teoria Política Moderna Introdução ao Estudo das Relações Internacionais Introdução ao Pensamento Antropológico Estatística Aplicada Português Instrumental Segundo ano segundo semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Teoria Política Contemporânea Moeda, Crédito e Relações Internacionais História e Formação dos Estados Latino Americanos Teoria das Relações Internacionais Linguagem, Comunicação e Sociedade I Terceiro ano primeiro semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Sistema Financeiro Internacional Linguagem, Comunicação e 04 60

24 Sociedade II Direito Internacional Público Espanhol Instrumental Optativa Terceiro ano segundo semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Poder, Guerra e Geopolítica Direito Internacional do Comércio Colonização e Descolonização Etnia e Nacionalidade na América Latina Inglês Instrumental Quarto ano primeiro semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Comércio Internacional Democracia e Globalização Instituições Políticas Internacionais Cultura Contemporânea Microeconomia Aplicada ao Comércio Internacional Optativa Quarto ano segundo semestre Disciplinas Cré ditos Car ga Horária Realidade Política Contemporânea na América Latina Proteção Internacional dos Direitos Organizações Internacionais Tópicos Especiais em Teorias das Relações Internacionais 04 60

25 Políticas Sociais no Âmbito Internacional 04 60

26 RELATÓRIO SÍNTESE RENOVAÇÃO DE RECONHECIMENTO DE CURSOS INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS UNESP CAMPUS DE MARÍLIA - SP Curso: Relações Internacionais Modalidade/Habilitação/Ênfase: BACHARELADO 1. Atos legais referentes ao curso RESOLUÇÃO UNESP Nº 20 DE 01 DE ABRIL DE Estabelece a estrutura curricular do Curso de Relações Internacionais da Faculdade de Filosofia e Ciências Câmpus de Marília. O REITOR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pelo inciso IX, do artigo 24, do regimento geral, nos termos do Parecer nº 27/04-CCG, e tendo em vista o deliberado pela Câmara Central de Graduação, em sessão de 40/04, com fundamento no Artigo 24A, inciso II, alínea b do Estatuto, expede a seguinte RESOLUÇÃO Artigo 1º - O Currículo pleno do Curso de Relações Internacionais da Faculdade de Filosofia e Ciências do Câmpus de Marília, é integrado por Matérias e Disciplinas Obrigatórias, Monografia e Disciplinas Optativas. Parágrafo único - O número mínimo de créditos a ser integralizado no curso a que se refere o caput do artigo será de 172 (cento e setenta e dois). Artigo 2º - O elenco de Matérias e Disciplinas Obrigatórias com os respectivos créditos constará do anexo desta Resolução.

27 Artigo 3º - À Monografia, de caráter obrigatório, serão atribuídos 4 créditos. Artigo 4º - O aluno deverá integralizar 8 (oito) créditos em disciplinas optativas. Artigo 5º - A matrícula será feita por disciplinas ou conjunto de disciplinas. Artigo 6º - O número máximo de créditos a ser cumprido pelo aluno, em cada período letivo, será estabelecido pela Congregação. Artigo 7º - O curso terá duração mínima de 4 (quatro) e máxima de 7 (sete) anos. Artigo 8º - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo seus efeitos às turmas ingressantes no 2º semestre de 2003 (1º Vestibular realizado). (Proc. 441/24/02/98) JOSÉ CARLOS SOUZA TRINDADE ANEXO À MINUTA DE RESOLUÇÃO I Matérias e Disciplinas Obrigatórias/Créditos DIREITO Teoria Geral do Direito 4 Direito Constitucional 4 Direito Internacional Público 4 Direito Internacional do Comércio 4 GEOGRAFIA Geopolítica da América Latina 4 Geografia do Mundo Contemporâneo 4 HISTÓRIA História e Relações Internacionais no Mundo 4 Moderno História e Diplomacia no Século XX 4 História e Formação dos Estados Latinos 4

28 Americanos Colonização e Descolonização 4 POLÍTICA I Introdução à Ciência Política 4 Política Externa Brasileira 4 Teoria Política Moderna 4 POLÍTICA II Teoria Política Contemporânea 4 Instituições Políticas Internacionais 4 Poder, Guerra e Geopolítica 4 Democracia e Globalização 4 Realidade Política Contemporânea na América 4 Latina RELAÇÕES INTERNACIONAIS I Introdução ao Estudo das Relações Internacionais 4 Teoria das Relações Internacionais 4 Tópicos Especiais em Teorias das Rel. 4 Internacionais RELAÇÕES INTERNACIONAIS II Organizações Internacionais 4 Proteção Internacional dos Direitos 4 ECONOMIA I Introdução à Economia 4 Relações Econômicas Internacionais 4 Comércio Internacional 4 Sistema Financeiro Internacional 4

29 ECONOMIA II Microeconomia Aplicada ao Comércio Internacional 4 Moeda, Crédito e Relações Internacionais 4 LÍNGUAS Português Instrumental 4 Espanhol Instrumental 4 Inglês Instrumental 4 INTRODUÇÃO À METODOLOGIA CIENTÍFICA Iniciação à Metodologia Científica 4 INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO ANTROPOLÓGICO Introdução ao Pensamento Antropológico 4 CULTURA CONTEMPORÂNEA Cultura Contemporânea 4 ETNIA E NACIONALIDADE NA AMÉRICA LATINA Etnia e Nacionalidade na América Latina 4 LINGUAGEM COMUNICAÇÃO E SOCIEDADE Linguagem, Comunicação e Sociedade I 4 Linguagem, Comunicação e Sociedade II 4 ESTATÍSTICA APLICADA Estatística Aplicada 4

30 POLÍTICAS SOCIAIS ÂMBITO INTERNACIONAL Políticas Sociais no Âmbito Internacional 4 Diário Oficial do Estado de São Paulo Dia: 16/02/07 Seção I pg.24

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