O MERCADO DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS: OPORTUNIDADES E DESAFIOS RESUMO

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1 O MERCADO DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS: OPORTUNIDADES E DESAFIOS ZAGO, Vanessa Bernardi 1 SILVEIRA, José Renato Ferraz da 2 RESUMO Com o aumento das comunicações entre diferentes lugares do mundo e o crescimento das diversas questões mundiais meio ambiente, terrorismo, direitos humanos, crescente globalização tornou-se essencial à entrada de profissionais especializados, que possam lidar e analisar essas situações. Assim, encontramos os profissionais de Relações Internacionais (RI). Estes, em diferentes formações, são capazes de atuar em distintos âmbitos internacionais, podendo operar em áreas políticas, econômicas, acadêmicas, como também em organizações internacionais e instituições não governamentais. A partir disso, temos um mercado de trabalho para o profissional de RI em expansão, que apesar de ser emergente, mostra-se pouco conhecido. Por esse mercado ser ainda recente, encontramos a necessidade de um maior conhecimento sobre as principais áreas de trabalho para o profissional de Relações Internacionais, e um estudo mais concreto sobre as mesmas. Palavras-Chave: Profissionais de Relações Internacionais; mercado de trabalho; principais áreas de trabalho. ABSTRACT With increased communication among different parts of the world and the growth of the different of global issues the environment, terrorism, human rights, growing globalization the input of specialized professionals who can handle and analyze these situations has become essential. Thus we find the professionals of International Relations (IR). These specialists, in different formation, are able to act in different international contexts and can operate in areas 1 Acadêmica Universidade Federal de Santa Maria curso de Relações Internacionais. 2 Docente orientador Universidade Federal de Santa Maria curso de Relações Internacionais. 1

2 of politics, economics, academics and international organizations and non-governmental institutions too. From this, the labor market for the IR professional shows up in expansion. Despite being an emerging market, it is little known. For this market is still recent, we found the need for a greater understanding of the main areas of work for the International Relations professional, and a more concrete study of the same. Keywords: Professionals of International Relations; labor market; main working areas. 1 INTRODUÇÃO Desde o fim da Guerra Fria 3, o mundo passou por profundas mudanças, de ordem política e econômica. Com a ampliação das telecomunicações acarretadas ao avanço da tecnologia, aumentou-se a velocidade das relações econômicas trocas de mercadorias e as relações sociais trocas de informações. Assim, reconhecemos um mundo amplamente interligado e necessitando de profissionais especializados em atuar em diversos espaços que a globalização em expansão oferece. A partir disso, encontramos os profissionais de Relações Internacionais, que em diferentes formações buscam conhecimento em distintas áreas da esfera internacional. No Brasil, o ensino de Relações Internacionais (RI) em nível de graduação se estruturou nos anos 70, com a criação do primeiro curso de bacharelado em Relações Internacionais, na Universidade de Brasília, em 1974, e reconhecido pelo Ministério da Educação em A intenção era formar profissionais capazes de atuar na internacionalização em que o Brasil se encontrava. O Estado brasileiro, nos anos 70, passava por profundas contradições políticas e econômicas. Esse período foi marcado pela transformação na conjuntura econômica internacional, inicializada pelo choque do petróleo, em 1973, que fez o Brasil revisar metas de crescimento que caracterizava o denominado milagre brasileiro. Uma das soluções para evitar a desaceleração econômica foi focar na transformação de uma política externa mais 3 A Guerra Fria compreende-se no período entre o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). 2

3 criativa (LESSA, p. 34), isso significava que o Brasil precisava ampliar seus parceiros internacionais. Desse modo, aumentou-se a atenção para o comércio internacional, com mudança na pauta de exportações e diversificação na atração de investimentos estrangeiros. No âmbito interno, no entanto, iniciava-se uma fase de abertura lenta, gradual e segura (GEISEL 4, ). Essa disparidade gerou muitas contradições para os governos, porém, estas não eram suficientes para aliviar a repressão com que o regime militar da época conduzia na liberdade social, com destaque na área acadêmica. Em meio a isso, a Universidade de Brasília a instituição mais afetada pela vigilância do regime militar propôs a criação do primeiro curso de bacharelado em RI do Brasil. Logo após a criação do primeiro curso de RI, pode ser observado um impressionante crescimento na disponibilidade dos mesmos, em especial, nas duas últimas décadas. Esse forte crescimento acontece graças à alta procura dos cursos, especialmente, por jovens que gostariam de ingressar na carreira diplomática. As explicações para o aumento de interesse na área de RI podem ser creditadas à importância que o mundo globalizado, a formação dos megablocos e a informação instantânea, através da televisão aberta e a cabo, ou via internet, têm exercido sobre todos, rompendo distâncias e fronteiras, ligando países e continentes, com velocidades cada vez maiores, mostrando que os mesmos estão separados por apenas poucas horas de voo, e que fizemos parte de um mundo muito pequeno. (MIYAMOTO, 2003, p. 104). Entretanto, o diplomata Paulo Roberto de Almeida (2006, p. 4) refere-se a isso como: a procura é por uma espécie de ilusão dos jovens quanto ao charme e a oferta de empregos nessa área (...), ou porque o Brasil está mesmo deslumbrado com a globalização, ingressante tardio e incompleto que foi nos grandes circuitos da interdependência global. Entendemos, portanto, que está ocorrendo um crescimento na oferta de cursos para atender uma demanda pré-existente, e o mercado deverá ajustar a procura e a demanda em breve. Em relação ao ensino desses cursos, encontramos divergências entre as faculdades, pois cada uma encontra um foco de ensino. Mas, em geral, o profissional de RI tem sua 4 Ernesto Beckmann Geisel foi um político militar brasileiro, presidindo o Brasil entre os anos de 1974 e Geisel, durante seu governo, enfrentou o fim do chamado milagre brasileiro, com a redução do crescimento econômico e a alta da inflação. Para superar esse quadro desfavorável, agravado pela vitória expressiva da oposição nas eleições parlamentares de 1974, apresentou seu projeto de abertura política lenta, gradual e segura com vistas à reimplantação do sistema democrático no país. 3

4 formação caracterizada pelo ensino das variadas disciplinas, entre elas: Direito Internacional, Teoria Política, Política Internacional Contemporânea, Teoria das Relações Internacionais, Economia Política Internacional, História das Relações Internacionais. Ou seja, disciplinas direcionadas para os principais campos: Economia, Direito, História, Ciências Políticas, Ciências Sociais. Nesse aprendizado, o profissional visualiza questões mundiais, podendo estar voltado para funções econômicas ou para análises de dificuldade sociais ou, então, para questões políticas. Logo após a graduação, o recém-formado preocupa-se pela dificuldade de inserção ao mercado de trabalho. Como os cursos de Relações Internacionais são relativamente novos no Brasil, há pouca informação da parte dos empregadores acerca das habilidades dos profissionais formados em RI. Nesse contexto, considera-se importante a especialização dos recém-formados em pós-graduação, ou também a possibilidade de outro curso de graduação. Isso produz o diferencial nas habilidades do profissional, tornando mais fácil sua entrada ao mercado. Ao entrar no mercado de trabalho, o bacharel em Relações Internacionais, podendo ser chamado de Internacionalista uma expressão ainda não oficializada, porém, a melhor maneira até agora de nomear o profissional vem gradativamente conquistando espaço, e atuando, supostamente, em todas as áreas no qual sua competência for solicitada. Pode voltarse para área empresarial, atuando em empresas direcionadas para o comércio exterior, ou dirigir-se para o campo de pesquisa e academia. Ainda pode optar pela área que se encontram os concursos públicos, ou também pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) e pelas Organizações Intergovernamentais, além de novas áreas que continuam sendo descobertas. Hoje, notamos uma crescente aderência desses profissionais no mercado, e este, por sua vez, encontra-se em ascensão. Segundo Antônio Carlos Lessa (2005, p. 47), Pode-se afirmar que o mercado tem bom tamanho, comporta múltiplas possibilidades para a organização criativa de carreiras e pode ser expandido. Assim, visualizamos um campo de trabalho em crescente forma. Com isso, torna-se importante entendermos como funciona o trabalho desses profissionais, pois essa profissão gera dúvidas sobre suas áreas de atuações, inclusive aos próprios estudantes de RI. E, apesar do mercado de trabalho ainda não existir formalmente 4

5 como as outras profissões, pode-se destacar algumas áreas de maior ascensão para o Internacionalista. Portanto, dividirei os principais campos de trabalho em: Área Pública, Área Privada, Academia, Terceiro Setor e Organizações Internacionais. O presente estudo ocupar-se-á no funcionamento dessas principais áreas em que o profissional de RI pode inserir-se, além da importância que se mostra em expansão sobre o quadro das Relações Internacionais no Brasil. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Área Pública Dentro do contexto de área pública, encontramos os concursos que se demonstram como processos seletivos que permitem o acesso amplo e democrático a cargos públicos: A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. (Art. 37, inciso II, Constituição Federal). Assim, para todo emprego público considera-se necessários provas e títulos, dependendo de diferentes níveis de formação. Concursos focalizados no aprendizado de Relações Internacionais podem ser encontrados em alguns espaços, como nos governos estaduais e prefeituras municipais, porém ganha destaque a carreira diplomática, e com ela encontramos vários sonhos e expectativas de diversos recém-formados. Desse modo, é importante entender melhor como essa carreira funciona e como o profissional capacita-se para o trabalho de diplomata. Mas, primeiramente, considera-se necessário enfatizar a história da diplomacia. Esta registra que os primeiros diplomatas de carreira, aqueles formados especificamente para atuar na carreira diplomática, foram profissionais treinados pela Igreja Católica. Esses profissionais, 5

6 que atuavam como diplomatas, andavam pelo mundo, enviados em missão especial pelo Papa, representando os interesses da Igreja em todas as regiões da Europa. A carreira diplomática, na forma que temos hoje, surgiu na Itália no século XIII. No ano de 1446, a cidade de Milão enviou e estabeleceu permanentemente um diplomata na cidade de Florença, sua parceira comercial. Já a primeira missão internacional, em 1487, aconteceu quando a Espanha enviou um representante diplomático permanente para morar em Londres, capital da Inglaterra. No Brasil, a carreira diplomática encontra-se regulamentada pelo Instituto Rio Branco 5, chamado assim pela figura lendária do Embaixador brasileiro Barão do Rio Branco, codinome do diplomata José Maria da Silva Paranhos. O Barão do Rio Branco que foi importantíssimo na história do Brasil, por sua inteligência e conhecimento de várias línguas estrangeiras, tornou-se nosso principal diplomata, negociando diversos tratados com vários países Latinos no século XIX e ajudando a consolidar as fronteiras que temos hoje no Brasil. Atualmente, os candidatos ao serviço diplomático no Brasil que gostariam de ingressar na carreira devem participar de um concurso público em nível federal: o concurso de Admissão do Instituto Rio Branco (IRBR). Podemos levar em consideração que não há área específica de formação (profissional ou acadêmica) exigida para a diplomacia, mas o profissional formado em Relações Internacionais, por sua formação enquadrada nos moldes da diplomacia, contém grandes chances de conquistar um lugar no Instituto Rio Branco. No concurso do IRBR há quatro fases. Na primeira, encontra-se uma prova objetiva de caráter eliminatório e classificatório, no qual o concursando deve responder questões de Língua Portuguesa, História do Brasil e Mundial, Geografia, Política Internacional, Língua Inglesa, Noções de Economia e Noções de Direito, e Direito Internacional Público. Seguidamente, a próxima fase é uma prova escrita de Língua Portuguesa, de caráter eliminatório e classificatório. A terceira fase demonstra-se por outra prova escrita das disciplinas de História do Brasil, Geografia, Política Internacional, Língua inglesa, Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público, também de caráter eliminatório e classificatório. Por fim, a última fase são provas escritas de Língua Espanhola e Língua Francesa, de caráter classificatório. 5 O Instituto Rio Branco foi fundado em 1945 e é responsável pela seleção e treinamento de diplomatas brasileiros, em processo contínuo de formação. 6

7 Aprovado no concurso, o profissional entra para a carreira diplomática como Terceiro- Secretário. Logo após, deve matricular-se no Curso de Formação do Instituto Rio Branco. Essa formação é um treinamento intenso e contínuo, pois o diplomata necessita ser capaz de lidar com questões internacionais, representando o Brasil em diversas reuniões de caráter econômico, cultural, político. Ou seja, precisa ter uma linguagem e conhecimento internacional aperfeiçoado para representar o país frente aos diversos temas que o mundo tem vivido: paz, segurança, meio ambiente, direitos humanos, fluxos migratórios, tráfico ilícitos; entre outros, igualmente, ou mais importantes. Os cargos seguintes na carreira são: Segundo-Secretário, Primeiro-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (embaixador). Assim, para a progressão na carreira encontramos o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD). Esse curso é parte integrante do sistema de treinamento e qualificação na Carreira Diplomática, e seu objetivo principal é o aprendizado dos conhecimentos necessários ao desempenho de funções exercidas por Segundos e Primeiros Secretários. A posse do diploma do CAD é requisito para a progressão funcional de seu título de Primeiro-Secretário. Por seguinte, encontramos o Curso de Altos Estudos (CAE), mostrando-se também como parte integrante do treinamento na Carreira de Diplomata pelo Instituto Rio Branco, e seu objetivo é atualizar e aprofundar os conhecimentos necessários para exercer as funções de Ministros de Segunda e Primeira Classes. Com isso, é importante salientar que para entrar na carreira diplomática, o profissional deve conter uma carga ampla de conhecimentos, lidar com estratégias e acordos internacionais, de forma inteligente e astuta, além de saber trabalhar sob pressão. Ao longo de sua carreira, o funcionário a serviço da diplomacia necessariamente trabalha no Brasil (em Brasília e/ou nos escritórios de representação regional) e no exterior (em embaixadas, consulados e/ou missões junto a organizações internacionais), nas mais diversas áreas, no qual estão: comércio exterior, relações políticas e econômicas, cooperação internacional, divulgação cultural, assistência consular. Em Brasília, há três áreas de trabalho: a geográfica, a temática, e a administrativa. No primeiro caso, o profissional é responsável por acompanhar os acontecimentos políticos, 7

8 econômicos e sociais de grupos de países em determinada região, mantendo contato com as missões brasileiras nesses países e suas embaixadas no Brasil. No segundo, o diplomata fica atento às negociações e evoluções dos temas da agenda internacional, desempenha apoio aos consulados no exterior para a proteção dos cidadãos brasileiros e trabalha diretamente nas negociações de integração regional e comercial. Por último, na parte administrativa, trabalha com o Ministério e com os postos no exterior. É responsável por administrar as finanças, o pessoal, as licitações e seleções, a manutenção do patrimônio do Itamaraty, e por acompanhar a administração das missões brasileiras no exterior. Em relação às representações no exterior, o Itamaraty conta com 141 embaixadas, 61 consulados, 11 vice-consulados e 13 missões junto a organismos internacionais. Além dos diplomatas, existem no serviço exterior brasileiro mais dois tipos de funcionários: os assistentes de chancelaria e os oficiais de chancelaria. Os primeiros são servidores do serviço exterior, de nível médio, que prestam apoio administrativo aos servidores da carreira diplomática em Brasília e nas representações brasileiras no exterior. Os oficiais de chancelaria, de formação superior, prestam apoio técnico-administrativo às tarefas de caráter diplomático e consular em Brasília e nos postos de representação no exterior. Os acessos à carreira de assistente e oficial de chancelaria se dão exclusivamente por concurso público. Outros empregos públicos para Relações Internacionais, além da carreira diplomática, mostram-se em pequena quantidade. Mas, podemos citar alguns, dentre eles estão: Analista de Comércio Exterior (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Analista de Finanças e Controle e Analista de Informações e Pesquisador (Agência Brasileira de inteligência). Essas carreiras se dão através de concursos públicos, com provas objetivas e discursivas, que exigem nível superior de graduação, diferentemente da diplomacia. O Tribunal de Contas da União, em 2007, disponibilizou concurso de Analista de Controle Externo para orientação em Relações Internacionais. As atribuições principais para este cargo eram habilitação para o desenvolvimento de atividades de planejamento, organização, supervisão, coordenação e execução, relativas ao apoio técnico e administrativo na área de Relações Internacionais. A partir disso, Antônio Carlos Lessa (2005, p. 48) nos relata que 8

9 Oportunidades de trabalho na área têm surgido nos últimos anos em decorrência da criação de assessorias e secretarias de assuntos internacionais nos governos estaduais e municipais (especialmente das capitais). Completando, o emprego nas áreas públicas possui grande atrativo para os profissionais recém-formados, tanto pela remuneração e estabilidade, quanto pelo fato de oferecerem a possibilidade de trabalhar no âmbito internacional. E, apesar de notarmos uma insuficiência em relação à quantidade de concursos públicos, essa área encontra-se em pequena expansão, e o crescimento torna-se proporcional à preocupação dos governos de melhor se prepararem para tratar a agenda internacional brasileira. 2.2 Área Privada O setor privado das Relações Internacionais evidencia-se como a área de maior número de egressos pelos recém-formados, como visualizamos abaixo, no gráfico 1. Os bacharéis em RI, muitas vezes, encontram-se perdidos após sua formação, e localizam no emprego privado uma maior oportunidade de inserir-se ao mercado de trabalho e começar a construir sua carreira profissional. Gráfico 1. Áreas de atuação dos egressos de RI 45% 8% 23% 24% Acadêmica Setor Público Setor Privado Terceiro Setor Fonte: Dados retirados do Boletim Meridiano 47. 9

10 O mercado de trabalho, infelizmente, ainda não se encontra totalmente estruturado para receber a oferta de Internacionalistas, mas entre as ofertas de emprego que o profissional encontra, no setor privado estão as maiores chances de trabalho. Mostra-se, assim, pela globalização em crescimento, no qual traz a necessidade de uma demanda de profissionais capacitados em lidar com negociações internacionais e capazes de compreender relações jurídicas, de costumes e comerciais entre os países. Empresas focadas em ampliar seu mercado externo procuram cada vez mais profissionais de Relações Internacionais para ajudá-las lidar com os trâmites das relações comerciais entre diferentes lugares. Isso graças à sua formação, pois o profissional de RI retém um conhecimento de diferentes disciplinas: Direito, Economia, Política; além do domínio de uma ou mais línguas. Podendo, assim, trabalhar nas diferentes formas de negócios internacionais. Juntamente com a formação, para os Internacionalistas que gostariam de ingressar nas empresas privadas e em seu comércio internacional, considera-se importante adquirir uma pós-graduação ou especialização no âmbito comercial, optando pela preferência de conhecimentos, como: Logística Internacional, Direito Internacional, Negócios Internacionais, entre outros. O trabalho básico do Internacionalista, na área privada, costuma ser o de assessoria e consultoria para empresas que querem exportar, ou para aquelas que já são exportadoras do seu produto. Assim, a empresa precisa de um profissional que, além de conhecer os processos da empresa e entender as práticas da importação e exportação, saiba analisar o mercado no qual o produto está ou será submetido e saber sobre as leis e a cultura desse lugar. Em processos de exportação e internacionalização que já estão consolidados, como das empresas multinacionais, o Internacionalista atua como Diplomata Corporativo, no qual tem a mesma função do Diplomata de Carreira, que se mostra em formular, promover e representar a política externa, só que da empresa. Além das empresas comerciais exportadoras e importadoras, as áreas mais conhecidas que o profissional de RI pode trabalhar demonstram-se em Câmaras de Comércio e nos Prestadores de Serviços: Operadores Logísticos, Freight Forwarder 6, Non Vessel Operator 6 Freight Forwarder Agente de Carga. 10

11 Common Carrier (NVOCC), Comissárias de Despachos Aduaneiros, Companhias Áreas e Marítimas e Transportadoras Internacionais. Para entendermos melhor, verifica-se a necessidade de uma básica análise dessas profissões. Portanto, em primeiro, encontramos as Câmaras de Comércio, onde o profissional auxilia nas resoluções que forem necessárias para o crescimento econômico e para prosperidade no ramo comercial, além da regulação de negócios, luta contra corrupção e combate ao crime comercial. Em relação aos Prestadores de Serviços, podemos dividi-los entre os principais. Primeiramente, temos os Operadores Logísticos, no qual a Associação Brasileira de Movimentação Logística (ABML, 1999, p. 2) nos dá como definição que Operador Logístico é a empresa prestadora de serviços, especializada em gerenciar e executar todas ou parte das atividades logísticas, nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor aos produtos dos mesmos. Para que uma empresa prestadora de serviços logísticos possa ser classificada como Operador Logístico, deverá prestar simultaneamente serviços nas três atividades básicas seguintes: a) Controle de estoque; b) Armazenagem; c) Gestão de transportes. Dessa forma, para um melhor empenho, o profissional além da sua formação em RI, deve especializar-se na área de logística, alcançando um futuro promissor neste campo de trabalho. Seguidamente, encontramos o Freight Forwarder (Agente de Carga) emprego de acesso mais fácil para um Internacionalista iniciante. Esse profissional trabalha com importação e exportação de cargas, e deve entender todos os recursos necessários para fazêlos, lidando com a intermediação de fretes internacionais com as mais diversas companhias marítimas e aéreas. O freight forwarder opera também no NVOCC, no qual se demonstra como transportador efetivo de mercadorias, assumindo todos os riscos inerentes à operação de transporte. 11

12 A figura do NVOCC (Non Vessel Operator Common Carrier) foi criada para suprir a necessidade de empresas que exportam cargas que, geralmente, não necessitam do espaço de um container inteiro para embarcar a mercadoria ao exterior. A função de um consolidador NVOCC é fretar os contêineres com armadores e unificar nesses equipamentos as cargas fracionadas para embarque marítimo e entregar até o destino final solicitado pelo exportador. Desta forma o valor do frete para quem exporta/importa se torna mais acessível, pois o frete é cobrado do cliente pela unidade de m3 ou tonelada utilizada. (OVERSEAS BRASIL). Ainda dentro dos Prestadores de Serviços, temos as Comissárias de Despachos Aduaneiros que são empresas com personalidade jurídica própria, no qual atendem o cliente interessado em importar ou exportar. Assim, essas empresas têm função principal de conhecer as legislações aduaneiras vigentes, além de saber todos os requisitos técnicos e econômicos do mercado. Preocupa-se com a origem e o destino da mercadoria, suas características e mostrase capaz de poder escolher o melhor meio de transporte pelo tipo de carga, de forma organizada, atendendo às necessidades de seu cliente em relação a prazos, preços e conformidade da mercadoria comercializada. Leoni Samuel Etcheverry é um exemplo de uma das mais antigas Comissárias de Despachos Aduaneiros, encontrando-se no mercado internacional desde Seus maiores pontos de atuação estão localizados no sul do Brasil, em especial no Rio Grande do Sul. Nessa empresa, desenvolvem-se práticas necessárias aos processos de Importação e Exportação, de acordo com aspectos mercadológicos, comerciais e tributários. Existem alguns principais serviços operacionais: regimes aduaneiros especiais, terceirização de área operacional, exportação e importação de máquinas e fábricas, RADAR, mudanças, extarifários para bens novos e usados, emissão de todos os documentos de importação/exportação, etc. Desse modo, se o profissional de Relações Internacionais quiser conquistar um lugar em uma Comissária, deve saber lidar com formalidades consulares, aduaneiras e assuntos alfandegários em geral, além de saber trabalhar com aspectos logísticos ou jurídicos, dependendo da sua especialização. O próximo operador logístico que observamos são as Companhias Aéreas e Marítimas. Nesse ramo, o profissional trabalha como Assistente de Importação ou Exportação das companhias, necessitando ter conhecimento básico dos procedimentos de transporte nacional 12

13 e internacional, saber sobre logística, e ter experiências com mais diversos tipos de documentações sobre embarques e desembarques. Por fim, não diferente dos outros processos, nas Transportadoras Internacionais, o profissional precisa ter conhecimento sobre logística e processos de Importação/Exportação dos produtos, além de entender sobre os procedimentos aduaneiros e alfandegários. Nesse contexto, nota-se que a área privada das RI está em maior ascensão graças à crescente inserção do Brasil ao comércio internacional. Nos últimos anos, empresas brasileiras têm cada vez mais se internacionalizado e contratado profissionais que saibam atuar com o mercado externo, como as multinacionais: Ambev, Danone, Embraer, Unilever e Vale, que estão oferecendo vagas à trainees que possam atuar no país ou no exterior. Podemos também enfatizar a importância do acesso a estágios em empresas durante a faculdade, acarretando, desse modo, conhecimentos na área e o benefício do currículo pessoal, além do real aprendizado que se adquire para ingressar ao mercado de maneira mais fácil no futuro. Novos empregos estão aparecendo, mesmo sendo pouco conhecidos, até mesmo para os próprios formados. Um exemplo disso encontra-se no trabalho em hotéis. Muitos destes estão optando pelo profissional Internacionalista, graças ao seu conhecimento em culturas de outros países, além da fluência do inglês ou de outras línguas, no qual o profissional de RI, na maioria das vezes, adquire ao longo da sua formação. Assim, o atendimento ao turista internacional é facilitado e melhorado, compreendendo-se em uma melhoria para o comércio em hotéis. O profissional tem atuado também na área de tradução, novamente facilitado pela capacidade de conhecer outros idiomas. E temos ainda casos mais raros de mulheres formadas no curso de RI direcionando-se para o emprego de aeromoça, exatamente pelo conhecimento de outras línguas e da cultura mundial. Através disso, entendemos que essa área contém muitos recursos para sua evolução. Pois, além do aumento dos empregos no campo privado, deparamo-nos com o crescimento de um mundo cada vez mais globalizado, no qual o Brasil se insere como um país promissor frente à economia mundial. Assim, com o passar dos anos, deverá o conhecimento do curso 13

14 de Relações Internacionais não só pelas empresas, mas pela população brasileira aumentar, abrindo novas chances de trabalho para o profissional. Assim, a angústia encontrase pelo futuro incerto, mas a esperança dá-se pelos dados. 2.3 Academia O setor acadêmico das Relações Internacionais apresenta grande importância para os futuros profissionais nessa área, porém, seus aspectos negativos mostram-se enfatizados. Isso porque o conhecimento sobre as RI encontra-se ainda muito recente, igualmente aos cursos. Graças à crescente visualização ao campo de Relações Internacionais, notamos uma oferta abrangente de cursos na área, pois muitos jovens identificam-na com suas ideias transformistas, além do desejo de ingressar em uma carreira internacional. Optam ainda pelas RI para conseguir acesso à diplomacia, ou também por certo modismo em torno das Relações Internacionais, como o diplomata Paulo Roberto de Almeida (2006, p. 4) referiu-se em relação à escolha dos jovens. Ao mesmo tempo, temos uma maior inserção do Brasil na globalização, dando maior impulso à oferta de cursos. Com isso, os mesmos de forma variada, foram fundando-se, e muitos deles, com pouca capacidade de ensino e estrutura. Se, de um lado, o cenário parece promissor para o bacharel em Relações Internacionais nesse novo quadro, em que o mercado precisará de profissionais com uma ampla gama de conhecimentos, por outro lado, o surto muito rápido de cursos também tem levantado alguns problemas. (MIYAMOTO, 2003, p. 105) Um dos grandes problemas dos cursos de Relações Internacionais no Brasil é encontrar professores capacitados para o exercício do cargo. Por isso, observamos, infelizmente, o preenchimento das vagas por pessoas sem formação específica. Assim, a formação qualificada dos futuros Internacionalistas encontra-se ameaçada pela grande demanda por profissionais especializados e pela pouca oferta dos mesmos. 14

15 O problema abrange-se também para a estrutura de ensino, uma vez que encontramos dentro de diversos cursos uma grade curricular que não está sólida para uma boa formação, dificultando, desse modo, a futura entrada do profissional ao mercado de trabalho. Para existir uma grade satisfatória nos cursos, são necessárias disciplinas específicas e auxiliares. Primeiramente, considera-se essencial uma disciplina de introdução das RI. Logo após, é necessário haver disciplinas que visem à análise da história das Relações Internacionais, suas teorias, e também a história da política externa das RI, além das disciplinas orientadas para análise nas instituições políticas e econômicas. A grade curricular necessita conter ainda disciplinas de suporte, que devem incluir matérias introdutórias de Ciência Política, Direito, Economia, Sociologia, Teoria Política Moderna e Contemporânea, além de Estatística e Métodos Quantitativos, Relações Econômicas Internacionais, Economia Brasileira e Direito Internacional. Sendo importantes, igualmente, cadeiras optativas, que atendam as necessidades das próprias instituições. Por fim, a monografia de fim de curso, nos moldes dos outros cursos, torna-se recomendada. Portanto, disciplinas apropriadas e professores específicos mestres e doutores em RI são os critérios básicos para uma formação mais qualificada nos cursos de Relações Internacionais. Além disso, foram estabelecidos novos critérios para autorização de novos cursos em RI pela Portaria de nº 641, de 13 de maio de 1997, da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. De acordo com a Portaria, para a criação de novos cursos, são essenciais alguns padrões mínimos de qualidade, dentre eles: a) Deve-se conter coordenador com formação específica em RI, além da obrigatoriedade de especialistas na área para ministrar as matérias específicas das Relações Internacionais; b) É necessário haver, para um curso de boa qualificação, 1/3 de professores com titulação de doutor; c) A grade curricular do curso deve ser satisfatória, tendo disciplinas específicas de RI, além das auxiliares, correlatas e optativas; d) Considera-se essencial uma biblioteca bem aparelhada, suprindo as disciplinas, como livros periódicos nacionais e estrangeiros. 15

16 O oposto ao quarto item, em relação às bibliotecas, mostra-se uma das preocupações que mais aparece nos cursos de RI. A carência de uma biblioteca de bom nível acarreta às faculdades de Relações Internacionais grandes empecilhos aos estudantes, pois os mesmos necessitam de uma ampla gama de conhecimentos, e muitos deles deveriam ser disponibilizados dentro da biblioteca. Esta, muitas vezes, não dispõe de acervo suficiente para atender às necessidades dos estudantes, comprometendo seu ensino e dificultando sua formação. De acordo com o novo Manual de avaliação do curso de Relações Internacionais (INEP, 2002), para que a que o item biblioteca seja considerado muito bom, a mesma deverá funcionar pelo menos 14 horas diárias, permanecer aberta aos sábados, apresentar possibilidade de reservas de livros pela internet, acesso a base de dados, ter em seu acervo quantidade de livros que atendem aos programas de disciplinas, que haja quantidade suficiente (na proporção de um exemplar por até dez alunos matriculados no curso para qualquer dos títulos selecionados pelo docente da disciplina) e que estejam atualizados, além de manter assinaturas de pelo menos 5 jornais e 5 revistas adequados à proposta pedagógica do curso. (MIYAMOTO, 2003, p. 109). Ao mesmo tempo, além da falta de uma boa biblioteca, observa-se que nem todos os cursos têm preenchido os outros requisitos sobre critérios de qualidade necessidade de professores doutores, coordenação com formação específica, grade curricular satisfatória de forma adequada. E, apesar disso, foram autorizadas a funcionar. Mas, então, por que tiveram autorização? Pelos mesmos critérios que definem a capacidade que qualquer instituição tem de melhorar o curso posteriormente pelo incentivo à contratação e reforço à titulação do corpo docente, investimentos na biblioteca, melhoria na infraestrutura etc(...) (MIYAMOTO 7, 2003, p. 107). Desse modo, os cursos se formam, com ou sem os critérios básicos de qualificação. Apesar de todos esses aspectos negativos que encontramos dentro da área acadêmica das RI, podemos também observar o crescimento de profissionais direcionando-se para cursos de mestrados e doutorados, com a intenção de atuar como professor ou pesquisador de Relações Internacionais. Com isso, haverá um crescimento na oferta de professores qualificados para atuar no campo de RI, diminuindo a dificuldade que muitos cursos 7 Miyamoto tem grande destaque em seu foco de análise sobre as dificuldades encontradas nos cursos de Relações Internacionais, pelo seu artigo O Ensino das Relações Internacionais no Brasil: Problemas e Perspectivas. 16

17 encontram para conseguirem professores preparados para o ensino direcionado das Relações Internacionais. Do mesmo modo, o ideal para aqueles que gostariam de ingressar no campo acadêmico é exatamente na aquisição de mestrado e doutorado, em diferentes formações; buscando, assim, uma ampla carga de conhecimentos e capacitando-se para a integração a uma faculdade, federal ou particular, para exercer o cargo de professor no curso de Relações Internacionais. Esse professor deve conter conhecimentos amplos sobre os acontecimentos da atualidade, além de repassar aos alunos a devida formação que deverá adquirir, seja na área humanística, técnica ou prática. Assim, o mercado de trabalho para professores de RI está aberto e necessitando de profissionais especializados em atuar nas mais diversas universidades do Brasil. A partir de professores capacitados para os cursos, teremos uma grande melhora na qualidade dos mesmos, aumentando o grau de qualificação dos futuros profissionais que se formarão. Com o grau de qualificação dos profissionais em expansão, encontramos melhoras para todas as áreas que o profissional se dirigirá, melhorando o comércio, melhorando a academia, melhorando o Brasil e suas relações internacionais. 2.4 Terceiro Setor: ONGs Contendo o menor número de egressos por profissionais de RI, o Terceiro Setor caracteriza-se por um campo constituído de instituições sem fins lucrativos, que promovem ações voltadas para o bem comum. A expressão instituições sem fins lucrativos não constitui um modelo de pessoa jurídica adotado pela legislação brasileira 8, mas seu uso decorre da tradução do termo Non Profit Institutions, utilizado em modelos de pesquisas e orientações internacionais sobre o Terceiro Setor que passaram a ser utilizados pelo Brasil. 8 O novo Código Civil brasileiro emprega a expressão fins não econômicos em substituição à expressão sem fins lucrativos utilizada em outras normas. Esta alteração ocorreu em função de uma mudança na estrutura do Código Civil em vigor em relação à do Código Civil de

18 Segundo o Handbook on Non Profit Institutions in the System of National Accounts (Manual sobre as Instituições Sem Fins Lucrativos no Sistema Nacional de Contas) 9, para que uma instituição seja definida sem fins lucrativos é necessário que a mesma reúna algumas características. Desse modo, essas instituições são pessoas jurídicas: a) Constituídas legalmente; b) Privadas; c) Não distribuem lucros para os seus administradores ou dirigentes, ou seja, de fins não lucrativos; d) Autoadministrativas; e) Voluntárias, podendo ser constituídas por qualquer pessoa. Portanto, o Terceiro Setor pode ser conceituado como aquele composto pelo conjunto de entidades que apresentem os critérios acima e que tenham como objetivo e finalidade o desenvolvimento de ações voltadas à produção do bem comum. No Brasil, as figuras jurídicas que apresentam as características de entidades sem fins lucrativos são as Associações e as Fundações privadas. Através disso, deparamo-nos com as Organizações Não Governamentais (ONGs), pois este termo tem sido usado para identificar as associações, fundações e instituições. ONG, traduzidas de Non governmental organizations (NGO), trata-se de uma expressão muito difundida no Brasil e utilizada, de uma forma geral, para identificar tanto associações como fundações sem fins lucrativos. Instituto, Instituição, por sua vez, é parte integrante do nome da associação ou fundação. Em geral é utilizado para identificar entidades dedicadas ao ensino e à pesquisa. (PORTAL TSO 10 ) Dentro do campo de Relações Internacionais, as ONGs apresentam destaque para o profissional Internacionalista que gostaria de ingressar nessa área provida de assuntos importantes, de finalidade pública. O profissional, ao optar por trabalhar em alguma ONG, poderá atuar em diversas áreas, tais como: meio ambiente, combate à pobreza, assistência social, saúde, educação, reciclagem, desenvolvimento sustentável, entre outras. 9 NOVA YORK, 2003, p Portal TSO Terceiro Setor Online Site com informações sobre as ONGs, com notícias sobre as mesmas, além de suas legislações, responsabilidades, estatísticas e limitações. Podendo ser encontrado no endereço eletrônico: http: 18

19 Essas organizações são como uma forma de suprimir as falhas do governo com relação à assistência e resolução dos problemas sociais, ambientais e até mesmo econômicos, podendo também auxilia-lo na resolução dessas questões, além disso, as mesmas têm a capacidade de despertar a cooperação da sociedade. No Brasil, podemos observar algumas principais ONGs separadas por categorias de Fundação e Associação. Mas, primeiramente, considera-se importante entender a diferença das mesmas. Portanto, temos por Fundação uma definição da advogada Érika Spalding nos explicando que Fundação pode ser definida como o patrimônio, personalizado pela ordem jurídica, destinado a uma finalidade estipulada pelo seu instituidor. Completando, nas palavras de Maria Helena Diniz, fundação é um patrimônio (propriedades, créditos ou dinheiro) colocados a serviço de um fim especial 11. Assim, compreendemos que a criação de uma fundação destina-se para um fim particular, e esta pode ser constituída pelo Poder Público, como também por liberalidades particulares, pessoas físicas ou jurídicas. Entretanto, em relação às associações, é observado a união de pessoas em busca de uma finalidade não econômica. Assim, não giram em torno de um patrimônio comum, mas sim em torno de ideias e esforços dos associados, e a fiscalização é feita pelos próprios associados. Dentro do Brasil, nas fundações, encontramos um exemplo importante: Fundação S.O.S Mata Atlântica. Trata-se uma ONG criada em 1986, com intuito de defender, como o nome diz, a Mata Atlântica e seus últimos remanescentes, preservando os patrimônios naturais e históricos, ainda com a missão de ajudar os animais silvestres, ao buscar um desenvolvimento sustentável. Nas associações, um exemplo encontra-se na Associação Pré-UFMG. A mesma foi criada em 2005 por estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais preocupados com os jovens de baixa renda que não conseguiam ingressar em universidades públicas porque não tinham condições de pagar os custos elevados dos cursinhos pré-vestibulares. Assim, criaram 11 Maria Helena Diniz, Curso de Direito Civil Brasileiro, 1ºvol., pág

20 essa associação com objetivo de preparar os estudantes para a conquista de uma vaga na universidade. Com uma equipe dinâmica de professores experientes e atualizados, somados ao uso de um material didático objetivo e de fácil assimilação, temos conseguido resultados surpreendentes, com alta aprovação de nossos alunos em vários vestibulares e concursos em Minas Gerais. (ASSOCIAÇÃO PRÉ-UFMG, 2005) Podemos localizar também as ONGs internacionais, no qual se encontra um maior campo de trabalho para os Internacionalistas. Friends of the Earth International (Amigos da Terra Internacional) é um exemplo importante sobre uma ONG internacional, apresentando-se como Federação Internacional sem fins lucrativos, composta por 58 organizações ambientalistas não governamentais, presentes em 54 países, com sede em Amsterdã, e reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde Essa ONG vem realizando projetos e pressionando governos e organizações internacionais com objetivo de melhorar as políticas que se dizem respeito sobre o meio ambiente. Seus principais objetivos mostram-se na reparação de danos ao meio ambiente pela negligência humana e na preservação da densidade ecológica, além de promover o desenvolvimento sustentável e proteger o planeta do agravamento da degradação ambiental. No Brasil, Amigos da Terra está representada pelo Núcleo Amigos da Terra - Brasil, com sede em Porto Alegre e, desde 1989, por Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, com sede em São Paulo. A partir disso, considera-se importante a entrada do profissional de Relações Internacionais em Organizações Não Governamentais pela sua ampla gama de conhecimentos e estudos sobre assuntos importantes tratados nas ONGs, como a economia, a política, o meio ambiente, a cultura dos países, além da sua facilidade de lidar com outros idiomas. Essa área de trabalho pode ser considerada a de menor rendimento salarial, porém mostra-se importantíssima graças ao seu trabalho para um bem comum. Assim, o profissional de RI que optar trabalhar em alguma ONG estará cooperando para um Brasil e para um mundo melhor. 20

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