Sumário. 6 Capa Planejamento, tecnologia e os novos rumos da Sabesp Conheça a nova diretoria e suas estratégias de crescimento sustentável

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3 REVISTA AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp Ano IX - nº25 - Maio/Junho 2007 Sumário 6 Capa Planejamento, tecnologia e os novos rumos da Sabesp Conheça a nova diretoria e suas estratégias de crescimento sustentável 25 Automação das ETAs de Piedade e Araçariguama 37 SGH - Sistema de Gestão de Hidrometria INFORMATIVO Programação do XVIII Encontro Técnico da AESABESP Fenasan 2007, a maior feira de saneamento ambiental do País LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Do código de águas à cobrança pelo uso da água COMUNIDADE ARTIGOS TÉCNICOS Monitoramento remoto de poços Automação de sistemas de água e esgoto do litoral norte do estado de São Paulo Automação do Sistema Produtor de Água de Apiaí com a tecnologia Aqualog da Sabesp Automação de poços ETAs e controle de perdas on-line em diversos sistemas da RT 48 Projeto parceria multirão para hidrometação

4 REVISTA Editorial A NOVA DIRETORIA DA SABESP E SUAS ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL A AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp na comemoração de seu 20 aniversário traz nesta edição de n 25 diversas novidades, como fruto de um trabalho contínuo e crescente. Tanto é verdade que nossa periodicidade passou para bimestral. E não só isso. Como você, leitor, pode folhear nas páginas seguintes, trazemos um novo projeto gráfico, impressão a 4 cores, mas mantendo nosso perfil e compromisso com o foco técnico e a linguagem informativa, tratando sobre a água com propriedade. Nesta edição trazemos na capa a nova diretoria da Sabesp mostrando as diretrizes e estratégias traçadas para o crescimento sustentável da companhia. Dando continuidade aos trabalhos sobre automação que foram apresentados no Encontro Técnico de Caraguatatuba, trazemos também nesta edição o controle de perdas on-line em diversos sistemas da RT. Em nossa seção de Comunidade, trouxemos o projeto e as benfeitorias da Sabesp realizados em Pirituba, onde a comunidade se uniu em um projeto mutirão para a instalação de hidrômetros, legalizando assim a condição dos moradores e benefícios para a Sabesp. A nova Revista SANEAS vem firmar-se como uma publicação de grande penetração junto a um público formador de opinião e altamente qualificado. O que é de interesse de sua empresa está aqui é isso que traça o nosso crescimento. Obrigado pelo apoio de todos. Curta essa edição nova de muitas outras que virão. Walter Antonio Orsatti Presidente AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp Saneas é uma publicação técnica bimestral da Associação dos Engenheiros da Sabesp DIRETORIA EXECUTIVA Presidente - Walter Antonio Orsatti Vice-Presidente - Gilberto Alves Martins 1º Secretário - Ivan Norberto Borghi 2ª Secretário - Cecília Takahashi Votta 1º Tesoureiro - Hiroshi Ietsugu 2º Tesoureiro - Emiliano Stanislau de Mendonça DIRETORIA ADJUNTA Diretor de Marketing - Carlos Alberto de Carvalho Diretor Cultural - Olavo Alberto Prates Sachs Diretor de Esportes- Zito José Cardoso Diretor de Pólos - José Carlos Vilela Diretora Social - Magali Scarpelini Diretor Técnico - Reynaldo Eduardo Young Ribeiro CONSELHO DELIBERATIVO Amauri Pollachi, Carlos Alberto de Carvalho, José Carlos Vilela, José Márcio Carioca, Júlio César Villagra, Luciomar dos Santos Werneck, Luis Américo Magri, Luiz Henrique Peres, Nélson César Menetti, Osvaldo Ribeiro Júnior, Ovanir Marchenta Filho, Renato Hochgreb Frazão, Reynaldo Eduardo Young Ribeiro, Sérgio Eduardo Nadur, Yazid Naked CONSELHO FISCAL Ivo Nicolielo Antunes Junior, Nelson Luiz Stábile e Nizar Qbar Pólos da Região Metropolitana de São Paulo Coordenador - Nélson César Menetti Costa Carvalho e Centro - Célia Maria Machado Ambrósio Leste - Luciomar dos Santos Werneck Norte - Oswaldo de Oliveira Vieira Oeste - Evandro Nunes de Oliveira Ponte Pequena - Aram Kemechian Pólos AESABESP Regionais Baixada Santista - Ovanir Marchenta Filho Botucatu - Osvaldo Ribeiro Júnior Franca - Helieder Rosa Zanelli Itapetininga - Valter Katsume Hiraichi Lins - Marco Aurélio Saraiva Chakur Presidente Prudente - Robinson José de Oliveira Patricio Vale do Paraíba - José Galvão F. Rangel de Carvalho CONSELHO EDITORIAL Luiz Henrique Peres (Coordenador) Viviana Marli de Aquino Borges Carlos Alberto de Carvalho José Marcio Carioca Célia Maria Machado Ambrósio FUNDO EDITORIAL Marcelo Kenji Miki (Coordenador) José Antônio de Oliveira Jesus, Nilton Akihiko Furukawa, Sonia Maria Nogueira e Silva e Jairo Tardelli Filho, Francisca Adalgisa JORNALISTA RESPONSÁVEL João B. Moura - MTB Ano IX - nº25 - Maio/Junho 2007 PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E PRODUÇÃO GRÁFICA L3ppm - publicidade, propaganda e marketing Ltda IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica IPSIS Associação dos Engenheiros da Sabesp Rua 13 de maio, casa 1 - Bela Vista São Paulo - SP Fone (11) Fax (11) * Impresso em papel reciclado

5 INFORMATIVO Programação do XVIII Encontro Técnico da AESABESP Três dias de intercâmbio de conhecimentos tecnológicos entre os mais gabaritados profissionais do setor de saneamento ambiental do País MARIA LÚCIA DE ANDRADE Entre 7 e 9 de agosto de 2007, a Associação dos Engenheiros da Sabesp promoverá o seu XVIII Encontro Técnico, em caráter simultâneo com a Fenasan Feira Nacional de Materiais e Equipamentos para Saneamento, no Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, em São Paulo - SP. O evento reunirá os mais expressivos nomes do setor de saneamento ambiental, que apresentarão os seus trabalhos, através da seguinte programação: DIA 7 DE AGOSTO: Às 9 horas, será iniciado o credenciamento de congressistas. Às 10 horas, será realizada, no Auditório Principal, a Solenidade de Abertura, com a apresentação das autoridades presentes, e na seqüência a Palestra de Abertura Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez, ministrada pelo Prof. Steven Dubner Fundador e coordenador geral da ADD Associação Desportiva para Deficientes. Às 12 horas, terá início o credenciamento do visitantes da Fenasan, seguido, às 13 horas, pela solenidade de abertura oficial da Feira. Ainda no dia 7, no Auditório Principal, será apresentada, com início às 13:30 horas, a primeira Mesa Redonda, voltada ao tema Mudanças Climáticas e o Saneamento, sob a coordenação do Superintendente de Gestão Ambiental da Sabesp e Professor Doutor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Eng. Wanderley Paganini. Os demais integrantes da Mesa serão Prof. Luis Gylvan (USP), Rubens H. Born (ONG), Giovani Barontini (iniciativa privada) e João Wagner Alves (área pública). Nos demais Auditórios haverá apresentação de diversos trabalhos inscritos e palestras técnicas. DIA 8 DE AGOSTO: Pela manhã, com início às 9 horas, será apresentada a segunda Mesa Redonda, no Auditório Principal, voltada para o tema Gestão da Automação dos Processos Operacionais, coordenada pelos profissionais da Sabesp, Alexandre Rocha e Érika Martins Andrade. Também haverá a participação do Eng. Constantino Seixas Filho (Sabesp), do Eng. João Nogueira (Companhia Vale do Rio Doce) e da Eng. Rita Becher (Sanepar). No Auditório 2 serão realizados cursos ministrados pela Tratamento de Água, além da apresentação de diversos trabalhos inscritos e palestras técnicas, nos Auditórios 3, 4 e 5. Na parte da tarde, no Auditório Principal, será iniciada às 13:30 horas a terceira Mesa Redonda do Encontro, que abordará o tema Gestão do Uso Racional da Água e será coordenada pelo Diretor Metropolitano da Sabesp, Eng. Paulo Massato Yoshimoto. A Mesa também será integrada pelo Prof. Dr. Ricardo Toledo Silva (Secretaria de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo), pelo Dr. Orestes Marracini Gonçalves (Escola Politécnica da USP), por Wilson Passeto (ONG), por Jack M. Sickermann (Consórcio da Chuva 3P Technik/Acquasave) e Stela Goldenstein (Secretaria do Meio Ambiente do Município de São Paulo). Nos demais Auditórios haverá apresentação de diversos trabalhos inscritos e palestras técnicas. DIA 9 DE AGOSTO: A quarta Mesa Redonda do XVIII Encontro Técnico será iniciada às 9 horas, no Auditório Principal, com abordagem voltada para o tema Serviços Ambientais para Proteção de Mananciais. A mesma será coordenada por Sergio Antônio da Silva e contará com a participação de - Fernando Antonio da Silva (The Nature Conservancy), Helena Carrascosa Von Glen (Secretaria do Meio Ambiente), Rosely Ferreira dos Santos (Unicamp), João Luis Guimarães (Fundação O Boticário) e Paulo Henrique Pereira (Prefeitura de Extrema). Vale destacar as apresentações Qualidade dos materiais adquiridos na Sabesp, com o palestrante Eng. Luiz Narimatsu (Sabesp CSQ) e Sistema de Gerenciamento de Licitações Compras Eletrônicas SGL com o palestrante Eng. Álvaro Mendes (Sabesp CSQ) no Auditório 4, respectivamente às 11:00 e 11:40 horas. Nos Auditórios 2, 3 e 5, haverá apresentação de trabalhos inscritos e palestras técnicas. E fechando a série de Mesas Redondas, a quinta realização será no Auditório Principal, com início às 13:30 horas, cujo destaque está na abordagem do tema Legislação do Setor de Saneamento. A coordenação estará sob a responsabilidade do presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp, Walter Antonio Orsatti, que contará ainda com as presenças do presidente da ABES, José Aurélio Boranga, além de representantes da AESBE (Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais), da ABCON (Associação Brasileira das Concessionárias de Serviços Públicos de Água e Esgoto), da Caixa Econômica e do Ministério das Cidades. Espera-se ainda a presença da Secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena. Simultaneamente, serão realizados no Auditório 2, os Cursos Manutenção Produtiva Total TPM (com início às 13:30 horas) e Meios de Comunicação (ministrado pelo Gerente de Imprensa da Sabesp, Jornalista Sérgio Lapastina, com início às 15:30 horas), além da apresentação de trabalhos inscritos e palestras técnicas nos Auditórios 3, 4 e 5. O encerramento do Encontro será realizado com a palestra do presidente da Sabesp Gesner de Oliveira. Maio/Junho de 2007 Saneas 05

6 CAPA PLANEJAMENTO, TECNOLOGIA E OS NOVOS RUMOS DA SABESP POR VICENTE DE AQUINO Fotos: Divulgação Sabesp Crescer com a atenção voltada para a preservação do meio ambiente, otimizar o controle de perdas, conquistar tecnologias e dar oportunidade para que novos talentos apareçam dentro da empresa. Esses são quatro dos pilares que a nova diretoria da Sabesp coloca como desafios para o futuro. E essa linha mestra de conduta aparece de forma clara e objetiva nas entrevistas concedidas à nossa revista pelo presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, e pelos diretores Marcelo Salles Holanda de Freitas, de Tecnologia e Planejamento, Paulo Massato Yoshimoto, Metropolitano, e Umberto Cidade Semeghini, de Sistemas Regionais. GESNER OLIVEIRA PRESIDENTE DA SABESP Antes de ser presidente da Sabesp, Gesner Oliveira fez carreira em diversos setores. Na pública foi Presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Secretário Adjunto da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e Secretário Interino de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. No setor privado, foi Presidente do Instituto Saneas Maio/Junho de 2007

7 Tendências de Direito e Economia, Sócio-diretor de Tendências Consultoria Integrada, Consultor e Árbitro nas áreas de regulação de infra-estrutura e defesa da concorrência, e Consultor de cenários e análise de conjuntura para diferentes grupos econômicos. Com os títulos de Doutor, Mestre e Bacharel em Economia, Gesner lançou livros e lecionou economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na escola de economia da Fundação Getúlio Vargas, além da experiência na Universidade de Columbia (EUA) e na Universidade de Califórnia (Berkeley). Como é assumir o comando da terceira maior empresa de saneamento do mundo? Qual é o grande desafio em comandar a Sabesp? Gesner: Assumir a presidência da Sabesp me impôs um triplo desafio. O primeiro será administrar uma empresa com as dimensões da Sabesp. Reconhecida mundialmente, a empresa atualmente opera em 367 municípios paulistas com Unidades de Negócio descentralizadas e para se ter uma idéia, apenas para manter os níveis de cobertura que hoje apresenta, necessita adicionar 250 mil ligações de água e esgoto a cada ano, o que significa incorporar um contingente populacional equivalente ao da cidade de Florianópolis a cada ano. O segundo desafio será cumprir o Programa de Governo. Faz parte de sua estratégia básica promover uma maior aproximação e parcerias entre Sabesp, Municípios e Governo Estadual. E o terceiro ponto será enquadrar a Sabesp nas novas regras instituídas pelo Marco Regulatório do Saneamento. De maneira geral, a minha gestão deverá preparar a empresa para o aumento da competição e se fortalecer com a geração de soluções tecnológicas criativas e com o aumento da eficiência. Hoje, a Sabesp possui condições de promover e liderar o setor de Saneamento neste novo contexto, mas, ainda é preciso avançar em algumas questões que a consolidarão como empresa moderna de prestação de serviço público, que faz da eficiência e da rentabilidade instrumentos da universalização do saneamento. Quais são as providências imediatas? Gesner: Como providências imediatas, estabelecemos uma forçatarefa para renovar os contratos com os municípios cujas concessões estão vencendo. Iniciamos também um processo de revisão do planejamento estratégico da empresa, que aproveita o que já havia sido feito anteriormente. Além disso, estamos buscando estabelecer diretrizes para aprofundar a remuneração com base no desempenho e no cumprimento das metas estabelecidas pelo planejamento estratégico. Como o senhor avalia a Lei de Saneamento? O que ela muda nos objetivos da Sabesp? Gesner: O Marco Regulatório, uma luta dos últimos 20 anos, representa um grande avanço para o saneamento ao definir regras claras para aqueles que atuam no setor. Embora não tenha atacado questões importantes, cria incentivos para boas práticas de regulação e estabelece algumas regras gerais antes inexistentes, além de reduzir insegurança jurídica em aspectos como das renovações de concessões vencidas. Com a lei, as empresas de saneamento e os investidores ganham maior segurança para aplicar recursos, desenvolver projetos e obras, e buscar alternativas e melhorias operacionais para o saneamento. O resultado de tudo isso será uma melhor atuação das empresas de saneamento, já que se exigirá cada vez mais eficiência, transparência e qualidade. A lei trará para a Sabesp a possibilidade de uma maior captação de recursos, sejam privados ou provenientes de organismos multilaterais, e contribuirá também com as negociações dos contratos de prestação de serviços com os municípios. Com o ambiente regulado, acredito que a Sabesp consolidará sua boa atuação no mercado de saneamento, ampliando seus índices de atendimento em água e esgoto em busca da universalização e melhorando a qualidade e eficiência dos serviços prestados. A Sabesp deve se consolidar como uma empresa pública moderna, o que certamente agregará ainda mais valor às ações da Empresa. Como buscar o padrão de exigência do ponto de vista ambiental? Dr. Gesner: O meio ambiente constitui objetivo estratégico da empresa. A nova gestão pretende levar às últimas conseqüências este fato. Já não é mais possível ignorar os efeitos de nossos processos produtivos e os seus impactos no meio ambiente. Desta forma, vamos investir na continuidade das obras do Projeto Tietê, num intenso programa no Litoral, por meio das obras do Programa de Recuperação Ambiental da Baixada Santista e ainda no Programa de Despoluição dos Córregos da Capital o Programa Córrego Limpo. Além disso, investimentos na busca por técnicas e tecnologias aplicadas ao saneamento que contribuam para a preservação do meio ambiente também serão intensificados. Uma mudança de postura em toda a empresa será proposta para que as exigências ambientais sejam cumpridas. Quais são as prioridades da Sabesp e os projetos de maior importância? Gesner: Nossa grande prioridade será a renovação dos contratos dos municípios com concessões vencidas ou vincendas. Teremos Maio/Junho de 2007 Saneas 07

8 CAPA uma atuação integrada com as prefeituras, com a sociedade e demais organismos governamentais em programas de urbanização de favelas, recuperação de córregos e mananciais. A nova gestão da Sabesp também irá atuar em parceria com as instituições que cuidam do meio ambiente nos três níveis de governo, já que o meio ambiente está na função-objetivo da empresa, a sustentabilidade. Pretendemos também fortalecer o programa de investimentos da empresa integrando-o ao planejamento e promover um salto de eficiência mediante sistemáticas reduções de custo. O foco dos investimentos da Sabesp será sempre na universalização do abastecimento de água, na ampliação dos índices de coleta e, em especial, do tratamento de esgotos, no aperfeiçoamento do relacionamento com os clientes e em todos os programas e projetos que contribuam para isso, além do fortalecimento da imagem da empresa social, econômica e ambientalmente responsável. Mas investimentos não significam somente alocação de recursos econômicos. Haverá grande esforço na consolidação do planejamento estratégico da empresa na busca da excelência, na prestação dos serviços e na confiança que a sociedade tem em cada trabalho realizado. Como a Sabesp se posiciona quanto à perspectiva de prestar serviços em outros mercados? É viável a curto prazo? Gesner: No curto prazo, a Sabesp tem como objetivo renovar os contratos com os municípios cujos contratos estão vencidos ou por vencer. Porém, também faz parte das metas da Companhia incorporar novos municípios, fortalecendo ainda mais a presença da Sabesp no Estado. É preciso preencher os espaços vazios no mapa de São Paulo e já estamos vocacionados para isso. Uma vez consolidada nossa atual base de operação, não há dúvida de que estaremos preparados para expandir nossos serviços no restante do Estado e em outros territórios. Quais são as preocupações com a satisfação do cliente e os mecanismos institucionais de entendimentos com os órgãos de defesa do consumidor? Gesner: A Sabesp iniciou uma nova era de relacionamento com os clientes, fato evidenciado por este tema ser destaque no plano de metas e no novo planejamento estratégico da Empresa e pela aproximação com os órgãos de defesa do consumidor. Temos agora o cliente como foco absoluto e, por isso, precisamos ter metas específicas para a satisfação do consumidor. Contudo, mais do que isso, é essencial adotar uma postura padronizada, onde são estabelecidas regras claras, porém, com uma flexibilidade fundamental para problemas específicos. A Sabesp quer ouvir mais o cliente, para aumentar sua satisfação. A Sabesp, neste ano, já promoveu um evento com entidades de defesa do meio ambiente e com órgãos de defesa do consumidor, o que ressalta o interesse da empresa na aproximação com todos os setores da sociedade que interagem direta ou indiretamente com o negócio da prestação de serviços públicos de saneamento básico e ambiental, uma prática que será constante daqui para frente. Com base nessa série de diálogos com a sociedade, a Sabesp busca inserir na revisão do seu planejamento estratégico para o período de , a melhoria da qualidade dos serviços prestados e do atendimento ao consumidor, em especial em seus canais de relacionamento, tais como a Central de Atendimento 195, o Disque-Sabesp, Agência Virtual, Ouvidoria, Comunicação, Marketing e outros. Como será o novo perfil de relacionamento com o poder concedente? Quais são os planos de melhoria que a Sabesp vem desenvolvendo junto com os municípios parceiros? E quais são os índices destas renovações e novas parcerias? Gesner: Diante das diretrizes estabelecidas pelo Marco Regulatório, a Sabesp buscará o diálogo. Neste sentido, a Secretaria de Saneamento e Energia juntamente com a Sabesp já estão empenhadas em estabelecer uma nova relação com o poder concedente, dialogando e negociando os novos contratos com as prefeituras, que agora terão uma maior participação no planejamento das ações de saneamento em seu município, podendo inclusive, opinar sobre as áreas que requerem maiores investimentos, como a construção de uma Estação de Tratamento de Esgotos, por exemplo. O trabalho de negociação já rendeu seu primeiro resultado, com a assinatura do Contrato de Programa entre a Sabesp e o município de Lins, permitindo assim a continuidade da prestação dos serviços de saneamento pela Sabesp nos próximos 30 anos. Além disso, hoje, com a aproximação maior com os municípios através da Superintendência de Negociação das Concessões e das Assembléias de municípios intensificamos as negociações que caminham muito bem. Já temos acertado novos contratos com praticamente 50 prefeituras e as negociações estão muito avançadas com outras 30. Atualmente qual é o nível de satisfação dos funcionários da Sabesp? Gesner: Para saber o nível de satisfação dos nossos funcionários 08 Saneas Maio/Junho de 2007

9 é realizada uma Pesquisa de Clima Organizacional, que acaba por identificar as oportunidades de melhoria e possibilita também direcionar ações para a gestão do clima na Empresa. Em geral, os resultados obtidos nos dois últimos ciclos desta pesquisa apontam que há cerca de 70% de satisfação dos funcionários. É interessante ver que algumas questões da pesquisa merecem destaque como: Sinto orgulho em trabalhar na Sabesp e Estou satisfeito em trabalhar na Sabesp que tiveram resultados expressivos de 89% e 88%, respectivamente. Mesmo com este tipo de resultados, nosso intuito é de incorporar melhorias, aumentando a satisfação dos funcionários e, consequentemente, o desempenho da Sabesp. Como o senhor vê o quadro de funcionários da Sabesp, sua renovação e a questão da remuneração por competências? Gesner: Nos últimos anos a Sabesp realizou concursos públicos, proporcionando uma renovação de aproximadamente 55% de seu quadro de pessoal, pautando-se em assegurar o provimento de pessoas com competências necessárias para garantir a qualidade dos serviços prestados. É prática permanente a realização de seleções internas com o objetivo de adequar o perfil dos funcionários às funções. Visando a incorporação de modernas práticas de mercado, o sistema de remuneração é focado em competências. Atualmente a Sabesp possui um quadro de funcionários qualificado tecnicamente e comprometido com a organização, o que explica os excelentes resultados empresariais obtidos nos últimos anos. Tais resultados são compartilhados com os funcionários através do programa de Participação nos Lucros e Resultados. Ampliando ainda mais as oportunidades de aperfeiçoamento profissional, a empresa disponibiliza hoje, à todos os funcionários, 86 cursos à distância que podem ser feitos pela Intranet, além de aproximadamente 180 cursos e palestras anuais pela TV Corporativa A formação de mão-de-obra atende às expectativas e metas colocadas? Gesner: Como a nossa meta é a excelência do atendimento aos clientes, a Sabesp tem como princípio fundamental a preparação e desenvolvimento dos funcionários, promovendo a educação contínua e disseminando a atitude de autodesenvolvimento. Assim, direcionando os investimentos para as questões essenciais ao negócio, nos últimos anos proporcionou subsídio em cursos de MBA e Pósgradução à 1130 universitários e gerentes. Contemplou também 317 pessoas da carreira técnica e operacional com subsídio para a realização de cursos Técnicos profissionalizantes, principalmente nas áreas de saneamento e meio ambiente, representando um incremento significativo no padrão de escolaridade e de desempenho. Consciente da importância da preservação da vida, prevenção de acidentes e melhoria da qualidade de vida, só em 2006 verificou-se participações em atividades específicas neste segmento. Ampliando ainda mais as oportunidades de aperfeiçoamento profissional, a empresa disponibiliza hoje, à todos os funcionários, 86 cursos à distância que podem ser feitos pela Intranet, além de aproximadamente 180 cursos e palestras anuais pela TV Corporativa. A partir de esforços como estes, em 2006 aferiu-se cerca de participações de pessoas de categorias e cargos em atividades de capacitação voltadas ao desenvolvimento das competências primordiais ao alcance dos objetivos da Sabesp. O que a Sabesp vem realizando a partir dos resultados da pesquisa de satisfação? Gesner: A Sabesp incrementa as ações de Recursos Humanos aprimorando benefícios como: salários compatíveis com o mercado, plano de saúde, participação nos resultados, oportunidades de desenvolvimento, através da Universidade Empresarial Sabesp, programa de remuneração por competência, programa de promoção à vida, convênios com instituições de ensino para empregados e familiares, centro de convivência infantil, entre outros. Entretanto a Sabesp está sempre disposta e aberta para debater com as entidades sindicais sugestões que possam potencializar o que existe. Maio/Junho de 2007 Saneas 09

10 CAPA MARCELO SALLES HOLANDA DE FREITAS DIRETOR DE TECNOLOGIA E PLANEJAMENTO Marcelo Salles Hollanda de Freitas é engenheiro civil, formado há 27 anos. Iniciou seus trabalhos já na área de saneamento de uma iniciativa privada. Logo após ingressou na Sabesp como engenheiro, em 1985, cargo que ocupou durante 16 anos. De 1998 até 2001 fui vice-presidente da empresa no setor de operações. Primeiro no interior e depois na região metropolitana. Em 2001 saí da Sabesp e voltei para a iniciativa privada, comenta. Trabalhou então em uma multinacional na área de água que tinha interesses em concessões no Brasil, ficando lá por seis anos. Em 2007, na mudança de governo, fui convidado para voltar. Então retornei para a minha casa profissional, comemora. A Sabesp tem atuação fora de São Paulo ou do Brasil? Marcelo: A Sabesp está limitada em sua atuação em razão da legislação. Está concentrada em São Paulo onde opera água e esgoto de 367 municípios, o que representa 25 milhões de pessoas atendidas. No exterior, a empresa tem intercâmbios e participações em congressos e seminários, além de uma troca de conhecimentos com empresas da América Latina, norte-americanas e européias. A atual preocupação com o meio ambiente altera objetivos da empresa? Marcelo: Não altera os objetivos, mas altera a prática. A Sabesp é uma empresa que visa o saneamento. Na sua base ela atua saneando e melhorando o meio ambiente. A empresa está adequando suas práticas aos regulamentos ambientais. Faz parte da Sabesp, por exemplo, corrigir a poluição de rios por esgoto. Todo nosso trabalho tem que ser feito em comum acordo com os órgãos ambientais. Quais são as tecnologias utilizadas? Marcelo: Temos uma ampla gama. Atendemos desde cidades muito pequenas (com menos de ligações), onde usamos uma tecnologia de custo mais baixo, até a região metropolitana de São Paulo com seus 20 milhões de habitantes e tecnologia sofisticada. E o que seria essa tecnologia sofisticada? Marcelo: Poderia citar muitas. Por exemplo: o tratamento de água por causa da degradação de mananciais, a utilização de softwares avançados para detectar vazamentos, o domínio da técnica de trabalhar em área de escassez de água. O que o mundo vai sofrer daqui a 50 anos (falta d água) nós já vivemos na região da Grande São Paulo. A situação é crítica, de escassez mesmo. Se você pegar o volume de água e dividir pela população, o número per capita de litros será menor que o do sertão da Paraíba e Pernambuco. 10 Saneas Maio/Junho de 2007

11 Quais medidas precisam ser tomadas para minimizar o problema? Marcelo: Detectar desperdícios é vital. Nas casas e na própria rede da Sabesp. A mobilização financeira também é vital para dar água para 20 milhões de pessoas. E as parcerias também são importantes. Muitas tecnologias acabaram nascendo em conjunto com empresas privadas. Muito do que existe hoje em termos de hidrômetros foi um trabalho conjunto. A questão da automação dos laboratórios, por exemplo, é típica. Qual o diferencial da nova diretoria? Marcelo: Acho que um dos diferenciais mais marcantes é a evolução permanente. Todas as diretorias deram sua contribuição para a melhoria de desempenho da empresa, mas a atual tem uma marca que talvez seja o reflexo dos novos tempos. Somos seis pessoas: três engenheiros e três economistas. Na época da construção, as diretorias eram compostas somente por engenheiros. Hoje a Sabesp, cada vez mais, deixa de ser uma empresa de construção para ser uma prestadora de serviços. A nova diretoria sabe muito bem disso. E a prestação de serviços volta a esbarrar na questão ambiental? Marcelo: Sem dúvida alguma. Essa questão é um dos principais desafios a ser enfrentado atualmente. Não basta apenas ser a favor do meio ambiente. Não basta só tirar o esgoto do pé do cidadão. A Sabesp tem um alto nível em coleta de esgoto e está aprimorando o seu nível de tratamento. Você não consegue fazer um trabalho de tratamento de córregos e rios se não tiver ao seu lado as áreas Social e de Habitação. Em São Paulo, a grande maioria dos córregos está ao lado de favelas. Retirá-las é uma ação social demorada e que não é fácil. Tudo está muito interligado. Como o consumidor vê a empresa? Marcelo: As pesquisas mostram que o nosso cliente vê a Sabesp como fornecedora de água, mas não vê a empresa na questão do rio poluído. Mas a sociedade faz essa ligação e isso pressiona as entidades e órgãos ambientais. A Sabesp acaba sendo pressionada e precisa correr atrás das soluções. Sempre foi assim? Marcelo: Não. Na década de 1980, a gente era feliz tirando o esgoto do pé do cidadão. Faziase a coleta e jogava-se no rio. A nossa consciência era de que estávamos tirando doenças da casa do cidadão. Hoje em dia eu não posso tirar esgoto de casa nenhuma se não houver uma rede que leve para o tratamento. Jogar no rio é crime ambiental. Mesmo se houver abaixo-assinado dos moradores, nós não podemos fazer. Antes fazíamos de boa fé. Era uma solução. Mas o mundo muda, o pensamento muda. É a sociedade que pressiona? Marcelo: A sociedade não pressiona. Ela simplesmente não aceita o rio Tietê do jeito que está. Hoje não há condições de se tirar o esgoto da casa do cidadão e não tratá-lo. Existe uma consciência coletiva em torno disso. E nós precisamos seguir os apelos da sociedade. Quais os grandes projetos da Sabesp hoje? Marcelo: O Projeto Tietê e o Programa de Recuperação da Baixada Santista. O Tietê consiste em melhorar o esgotamento sanitário da Sabesp na região metropolitana. O projeto já está na segunda etapa. Há 15 anos estamos trabalhando nisso e ainda deve demorar mais dez anos ou mais. Estamos lançando a terceira etapa para atingir 100% de esgoto coletado e tratado. Isso trará a vida de volta ao Tietê? Marcelo: O rio irá melhorar bastante, mas voltar a ter vida depende de outros fatores. A poluição difusa é um deles. Uma chuva mais forte, por exemplo, pode levar para o Tietê uma carga de poluição muito grande. Transformaremos o Tietê em um novo Tâmisa? Marcelo: O Tâmisa (na Inglaterra) é um trabalho admirável, mas que começou há 150 anos. Os grandes esgotos de Londres foram construídos no final do século 19. A principal lição dos ingleses é mostrar que a gente consegue despoluir um rio dentro de uma grande metrópole. Temos que resolver primeiro o problema do esgoto no Tietê e depois pensar em dar vida ao rio. Temos questões pontuais. Às vezes a tubulação está lá, mas o cidadão não liga o esgoto. É uma questão de conscientização. Com certeza em dez anos estará muito melhor, mas daqui a 20 estará melhor ainda. E o Programa de Recuperação da Baixada Santista? Marcelo: Hoje só 53% das pessoas têm coleta de esgoto nos nove municípios da Baixada. Queremos, em quatro anos, elevar o atendimento para 90% (coleta e tratamento). Despoluir o mar é bem mais fácil do que um rio. Ele é enorme e existe o efeito das marés. Se você parar de jogar esgoto em um dia, no dia seguinte o mar estará despoluído. Como é o nível de satisfação dos funcionários? Marcelo: A Sabesp tem um grupo de pessoas muito comprometida com a empresa. O pessoal gosta de vestir a camisa. Mas como toda grande empresa, passamos por fases melhores e piores. Na média, acredito que o nível de satisfação seja bom e a maioria das pessoas esteja contente. Maio/Junho de 2007 Saneas 11

12 CAPA PAULO MASSATO YOSHIMOTO DIRETOR METROPOLITANO Paulo Massato Yoshimoto, Engenheiro Civil formando em Lins, começou sua carreira no planejamento urbano, como ele mesmo diz: Pensando sobre a metrópole, como crescer e para onde crescer, pensar a estrutura urbana do ponto de vista do transporte. Tudo isso foi muito importante para que depois eu participasse do sistema de operação na Sabesp. Toda essa experiência ajudou Paulo a pensar em diferentes soluções de saneamento. Desde 1983 ele está na área de operação da Sabesp passando por várias áreas da diretoria metropolitana: manutenção, hidrometria, eletromecânica, sistema adutor metropolitano. Tudo isso me deu a experiência necessária para ocupar o cargo de diretor metropolitano, explica. A Sabesp tem atuação fora de São Paulo ou do Brasil? Paulo: Nós temos algumas prestações de serviços como assessoria e consultoria, mas não temos concessões fora do Estado de São Paulo. Temos repassado para diversas empresas nossa experiência e tecnologia, mas apenas como forma de contribuição. Do ponto de vista empresarial, nossa atuação fora de São Paulo praticamente não existe. A atual preocupação com o meio ambiente altera objetivos da empresa? Paulo: As questões ambientais são uma evolução da sociedade e não alteram os objetivos. Hoje quem já tem rede de água e esgoto começa a pedir o tratamento como forma de melhoria ambiental. A Sabesp acaba sendo forçada pelo Ministério Público e por organizações não governamentais e passa a incorporar a preocupação ambiental em todos os seus empreendimentos. O foco mudou muito? Paulo: Demais. O foco no passado era na rede de esgotos. Tirar o esgoto do pé do cidadão significava melhoria nas condições de vida. O ambiente urbano ficava salubre, mas hoje é necessário trabalhar na despoluição dos cursos d água. Mas esse é um investimento que, a princípio, não tem retorno financeiro. O sistema de coleta e o tratamento do esgoto é um produto mais caro do que o produto água. E como é no resto do mundo? Paulo: A nível mundial, o tratamento de esgoto sempre foi realizado pelos próprios governos a fundo perdido. Aqui no Brasil, as companhias estaduais estão fazendo essa melhoria ambiental através das tarifas. É um peso a mais para a população que tem de pagar esse investimento. Mas acho que estamos conseguindo bons resultados. Quais são as tecnologias utilizadas pela Sabesp? Paulo: Um dos pontos principais para a nossa evolução foi a melhoria dos equipamentos oferecidos pelo mercado. A tecnologia da Sabesp é a ação sobre a demanda. Estamos situados na bacia do Alto Tietê. Não há água suficiente para atender a demanda de 20 milhões de habitantes. A região é tipicamente de estresse hídrico. Por isso, passamos dez anos com rodízios para 10 milhões de pessoas. A conclusão das obras do Plano Metropolitano de Águas eliminou o rodízio. Então começamos a atuar no uso racional da água. Isso é uma tecnologia da Sabesp. Também contamos com uma participação efetiva dos fabricantes que investiram em tecnologia para melhorar a qualidade das torneiras, das válvulas hidráulicas e dos vasos sanitários. Hoje acho que a gente não 12 Saneas Maio/Junho de 2007

13 encontra mais a torneira de courinho, graças a Deus! É uma peça de museu e era uma das maiores causadoras de desperdício pelo vazamento. O courinho ficava velho, a pessoa não trocava e o vazamento aparecia. Hoje todas as torneiras e vasos sanitários são economizadores de água. Essa é uma tecnologia de que a Sabesp participou ativamente. Existem tecnologias mais sofisticadas? Paulo: Sim. Participamos do desenvolvimento de automação dos laboratórios de controle de qualidade de água. Trouxemos para o controle de desperdício a tecnologia das válvulas. Esse equipamento reduz as perdas por vazamento. Nós temos em São Paulo tubulações de 60 a 100 anos ainda funcionando. Reduzir as perdas trocando essa tubulação não é um investimento viável de imediato. Os custos são elevados? Paulo: Coloca elevado nisso. É preciso muito dinheiro, bilhões de dólares. Não há como onerar a população. Como nós sabemos que mais de 90% dos vazamentos são invisíveis, implantamos o sistema de válvulas. Trabalhamos sobre a variável de pressão. Os vazamentos continuam pois a água não aflora no asfalto e se perde no aquífero subterrâneo, mas estamos perdendo menos. Principalmente à noite, quando o consumo é menor e a pressão é maior. Temos três tipos de válvulas: fixa, por tempo e aquela que eu chamo de inteligente (tem um sensor de consumo na ponta). É a mais cara, mas dá melhor resultado. A experiência de administrar uma grande metrópole conta muito na tecnologia? Paulo: Sem nenhuma dúvida. Nós temos um conhecimento acumulado de como trabalhar em uma metrópole que cresce de forma desorganizada. Isso é uma tecnologia de alto nível. Se você colocar aqui algum técnico do Hemisfério Norte, onde as cidades são todas planejadas e não há favelas, ele vai se perder. Sabemos trabalhar em cidades com grandes taxas de explosão demográfica. Aprendemos a correr atrás de colocar rede de água e esgoto e temos que ter criatividade para promover soluções. Aqui a exceção vira regra. A última grande estação é de De lá para cá nenhuma nova água foi colocada para a população. Nosso grande desafio é justamente esse. Construir uma nova estação e reduzir de forma substancial as perdas Qual o diferencial dessa nova diretoria? Paulo: Acredito que seja a integração. É uma característica forte. O partilhamento de informações, de busca de soluções. O produto mais escasso que nós temos é o tempo. Tudo aqui é para ontem e nunca para amanhã. Isso nos obriga a imprimir uma velocidade muito maior na busca de decisões e execução das ações. Como analisa o potencial de crescimento da empresa? Paulo: Nosso potencial é muito grande. Seja na área comercial ou operacional. Temos condições de abraçar o mundo, principalmente em cidades de grandes conglomerados urbanos. Acredito que temos um mercado grande na Ásia, África e América Latina. As chances de crescimento são fortes e favoráveis, mas precisamos desatar o nó. Quais os grandes projetos da Sabesp hoje? Paulo: A renovação das concessões é um dos maiores. Estamos negociando. Temos que trabalhar para atender a demanda dos prefeitos que são os nossos maiores clientes. Nós também temos os projetos ambientais, de despoluição de córregos e rios. Temos que iniciar rapidamente a terceira etapa do Projeto Tietê e também pensar em dar mais água para a população. Como dar mais água em uma região de escassez? Paulo: A última grande estação é de De lá para cá nenhuma nova água foi colocada para a população. Nosso grande desafio é justamente esse. Construir uma nova estação e reduzir de forma substancial as perdas. Dessa maneira, mesmo em uma região onde a água per capita é tão valorizada, teremos condições de aumentar a nossa produção. Mas como fabricar mais água? Paulo: Explorando os últimos mananciais na cabeceira do Alto Tietê. Depois teremos que ir buscar água fora dessa bacia. O rio Paraíba pode ser uma solução, mas se pensarmos em termos de limpeza do meio ambiente, a reversão do rio Pinheiros também pode ser uma solução. A burocracia emperra os projetos? Paulo: A maior burocracia é a lei de licitações. O próprio mercado tem se mostrado um dificultador para que consigamos implementar ações. São liminares e ações no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que barram obras importantes. E essas ações se arrastam por seis anos ou mais. Fale do nível de satisfação dos funcionários? Paulo: Falta aqui o estresse de uma empresa privada, que faz a pessoa crescer profissionalmente. Em consequência, poderia dizer, isso gera uma acomodação natural pelo fato de nossa rotatividade ser muito baixa. O nível de satisfação é mais alto nos funcionários de ponta. Naqueles que enxergam o resultado do seu trabalho. E é maior no funcionário que está no meio do caminho, normalmente. de nível universitário. Maio/Junho de 2007 Saneas 13

14 CAPA UMBERTO CIDADE SEMEGHINI DIRETOR DE SISTEMAS REGIONAIS POR MARIA LÚCIA S. ANDRADE Após uma década de afastamento, Umberto Cidade Semeghini retoma ao quadro da Sabesp. Engenheiro Industrial formado na FEI - Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial, Umberto trabalhou na Sabesp no período de 83 à 95, sempre na área Metropolitana, como gerente em várias unidades. Fui diretor durante dois anos, então, voltar agora à frente da Diretoria de Sistemas Regionais, é um grande desafio, com sabor de novidade, comenta. Há algum tipo de trabalho na sua Diretoria envolvendo a América Latina ou outros países? Umberto: Não, pois ainda temos pouco tempo nessa gestão e a preocupação no momento é com a nossa área tradicional de atuação, mas está na pauta a idéia de futuramente expandir a prestação de serviço da empresa. Devido à crescente atenção dada para a preservação do meio ambiente, o que muda nos objetivos da Sabesp? Umberto: Há uma consideração diferente do que tem sido feito até hoje na área de preservação ambiental. A Sabesp considera que a utilização de uma política focada nessa esfera é um fator positivo e trará muitos benefícios para a nossa atuação. A incorporação dessa postura deverá fazer parte do andamento de nossas ações em investimentos e obras em todos os municípios operados, tanto no tratamento de água como na coleta de esgoto, numa verdadeira mudança de cultura, que priorize as exigências ambientais. Para tanto, a empresa criou, inclusive, uma Superintendência de Gestão Ambiental e tem procurado estreitar relações com instituições que também operam na preservação do meio ambiente, para poder trabalhar em conjunto. A sua diretoria tem algum objetivo específico voltado ao meio ambiente? Umberto: Bem, a nossa atividade cotidiana já tem uma grande relação com o meio ambiente. Nesse universo, encontramos situações com muitos projetos ambientais, para os quais estamos tentando equacionar os investimentos necessários para atender as suas necessidades, especialmente em relação ao tratamento de esgotos, que é onde existem as maiores pressões em termos de atendimento. Também temos feito algumas tentativas de reuso e de disposições de iodo para fertilizantes. Enfim, podemos dizer que muitas ações de nossa diretoria têm características ambientais e tecnológicas. Na sua diretoria de Sistemas Regionais, existe alguma novidade na área ambiental? Umberto: Não especificamente nessa diretoria, mas na empresa como um todo, com a criação de Superintendência de Gestão Ambiental que está cuidando de todos os arquivos ambientais e, dentro da nova proposta da Empresa, é de suma importância. Quem pode dar um melhor detalhamento é o Marcelo Salles de Holanda Freitas, líder da Diretoria de Tecnologia e Planejamento, na qual a nova Superintendência está integrada. Há alguma nova parceria na área ambiental? Umberto: Nada concreto com o setor privado, mas estamos com projetos de busca. Como está o quadro das negociações de renovação dos contratos de concessão com as prefeituras dos municípios operados pela Sabesp? Umberto: A renovação aos contratos de concessão é uma prioridade da política definida pela Secretária Dilma Pena e pelo nosso presidente, Gesner Oliveira. Está havendo exigências das prefeituras para assinar esses contratos? 14 Saneas Maio/Junho de 2007

15 Umberto: Nós estamos considerando esse processo como um processo de negociação a ser feito e é lógico que cada prefeitura é um caso à parte e a negociação é feita separadamente, inclusive com a realização de assembléias em municípios. Porém, temos alguns instrumentos de negociação. Por exemplo: nós alteramos alguma coisa na tarifa social para os mais pobres. Procede o comentário de que algumas prefeituras querem implantar um programa para redução do volume de água, mediante um contrato de bonificação que oferece uma tarifa diferenciada, ou seja, um grande desconto na conta de água e esgoto? Umberto: É verdade. Nós estamos utilizando esses critérios nos municípios com até habitantes e principalmente nos que 50% da população vivem abaixo do nível de pobreza. Nós estamos dando 50% de desconto na tarifa e as suas prefeituras serão comprometidas a um convênio de utilização do Pura (Programa de Uso Racional da Água). Para municípios que estão acima dessa faixa, a proposta é de 25% de desconto, desde que haja um compromisso e atividades com o mesmo propósito do uso racional. O senhor que conheceu a Sabesp anteriormente poderia apontar os grandes diferenciais da atual diretoria? Dr. Umberto: Eu vejo muita diferença, inclusive eu acho que a Sabesp melhorou em muitos aspectos principalmente na área de gestão. A nova diretoria é de um dinamismo evidente e está sempre procurando mexer e mexer, para projetar os melhores caminhos. Como estão os investimentos que a Sabesp tem em pauta? Umberto: No momento, a preocupação da nossa diretoria e do presidente é conseguir metas para a gestão. Estamos preocupados em melhorar a nossa performance em relação à capacidade de empreendimentos. Temos um compromisso maior com os prefeitos com relação ao cumprimento de metas estabelecidas pelos programas e nos contratos estabelecidos, quais os investimentos a serem efetivados, como ampliações de coleta de água, aumento do esgotamento sanitário, bem como e quando deveremos efetivá-los. Outra coisa que estamos vendo é como melhorar a prestação de serviço com mais eficiência. Temos muito sucesso nessa atividade, mas também algumas dificuldades, que nos fazem elaborar alternativas de melhora nos padrões de operação, de manutenção, de sistemas e de programa de renovações. Basicamente são três eixos que adotamos como prioritários: a Realização de Empreendimentos, a Melhoria no Padrão de Operação e a Gestão Empresarial. O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa aos leitores da nossa Revista? Umberto: Somente o meu entusiasmo em retornar à Sabesp e deparar com uma empresa que abriga profissionais do mais alto nível no mercado em que operamos. O passado da Sabesp foi uma grande ponte para desenvolvimento que a empresa mostra agora? Umberto: Sem dúvida. Eu tenho como referência uma visão da Sabesp criada na década de 70, com o objetivo de construir, pois naquela época havia uma grande demanda de obras. E ela fez muito bem esse papel, que começou a ser incrementado na década de 80, com a valorização da área de operação. Eu participei dessa transição, principalmente na criação de espaço na área de negócios, que foi um marco nesta virada, em que a operação passou a predominar. Então, a Sabesp sempre foi movida a desafios, que enriquece os profissionais que participam dos mesmos. Hoje, eu diria que o grande desafio está voltado para a gestão. Como o senhor vê o desenvolvimento da Sabesp? Umberto: Eu vejo com muita esperança e muito entusiasmo. Nós, neste processo de renovação de contratos de concessão, estamos tendo contato com o Estado inteiro, com os prefeitos dos municípios, e vislumbramos um imenso mercado para avançar aqui mesmo no Estado de São Paulo. Ainda temos muitos municípios para atuar, aliás metade deles não são operados pela Sabesp, mas eu acho que essa direção é muito viável, uma vez que a nossa principal atividade é oferecer saúde para a população. Ainda não podemos desconsiderar que o fato da Sabesp operar hoje em 367 municípios no Estado de São Paulo é uma garantia de saúde para as populações que neles habitam. Maio/Junho de 2007 Saneas 15

16 ARTIGO TÉCNICO MONITORAMENTO REMOTO DE POÇOS JOSÉ BOSCO FERNANDES DE CASTRO 1 SÉRGIO DOMINGOS FERREIRA 2 TONY Y. T. DARIDO 3 ODIR BUENO RIBEIRO 4 JOEL LEOPOLDO COSTA 5 De maneira geral, os poços apesar de não constituírem, individualmente, fontes significativas de volume de água, se caracterizam pela grande quantidade de instalações, espalhadas geograficamente. Estas características fazem com que estas instalações sejam custosas em termos de operação e manutenção, apesar de, para algumas cidades e regiões do interior, constituírem a única opção de fornecimento de água. A região do interior do Estado de São Paulo, em particular, é beneficiada pela existência do lençol do Aqüífero Guarani, considerado como uma das maiores reservas mundiais conhecidas de água potável. A sua exploração exige poços tubulares profundos, entre 500 a 2000 m de profundidade, e a qualidade da água varia em função das características geológicas da região, podendo ser bastante alcalinas, ou possuir concentrações de flúor acima do limite sanitário. Em ambos os casos a água, por vir de uma grande profundidade, é quente, entre 40 a 65 o C, necessitando ser resfriada ou misturada com água de ETA antes de ser distribuída. Atualmente, os poços de maior produção do interior exploram o Aqüífero Guarani. Ao analisar os problemas associados aos poços, vislumbra-se a possibilidade de utilizar a automação digital como solução para reduzir os seus custos operacionais e de manutenção que, dado à quantidade de instalações, possuem um enorme potencial de economia para a SABESP, principalmente se for desenvolvido uma solução padronizada e otimizada. DESCRIÇÃO DOS PROCESSOS E FUNÇÕES DE SU- PERVISÃO E CONTROLE Os principais mecanismos de automação de poços, utilizados pela SABESP, estão descritos a seguir: Saneas Maio/Junho de 2007

17 Na monitoração e controle centralizado de poços e reservatórios, ao invés do comando de acionamento da moto-bomba partir diretamente do reservatório, este envia para um Centro de Controle Operacional (CCO) que, centraliza não só os comandos de poços como também as informações dos níveis dos reservatórios da região e outros parâmetros, conforme citados anteriormente, juntamente com o controle, também centralizado, das válvulas de manobra e das elevatórias. Esta concepção possibilita uma melhor distribuição e eficiência do sistema de abastecimento, com a utilização de reservatórios intermediários para concentrar a produção de água dos poços próximos e bombear, a partir deste ponto, para os reservatórios de distribuição. Esta configuração permite que, com a localização adequada do reservatório intermediário, os motores das bombas submersíveis dos poços sejam menores e menos potentes (em torno de 50%), pois a altura manométrica e a distância de bombeamento são reduzidas, refletindo em instalações elétricas junto aos poços (cabos, transformadores, seccionadores, proteção, etc.) menos potentes e mais baratas, e maior confiabilidade e durabilidade do conjunto moto-bomba. A falha da bomba ou a perda temporária do poço, também deixa de ser crítica para a região de atendimento do poço, pois o abastecimento, sendo feito pelo reservatório intermediário, seria compensado pela maior produção dos demais poços. Reduzindo-se a necessidade de localizar o poço próximo ao seu consumo, permite que este seja perfurado na região geológica mais adequada à produção, maximizando o retorno do investimento da perfuração. AUTOMAÇÃO DIGITAL DE POÇOS A Unidade de Negócio do Vale do Paraíba foi pioneira na utilização da tecnologia digital na automação de poços (vem utilizando esta tecnologia desde 1994). A tecnologia digital traz consigo um grande conjunto de funções, dentre as quais pode-se destacar: a) Controle eletrônico (CCM) do conjunto moto-bomba. Este controle abrange desde a partida suave ( soft-start / Inversores de freqüência), que reduz o desgaste de partida do motor e elimina a necessidade das compensações de fase, até o controle de velocidade variável, através de inversores de freqüência, que permite ajustar a quantidade de água bombeada à demanda ou à capacidade de produção do poço. b) Controle do nível dinâmico do poço. A utilização de uma unidade remota inteligente, que pode ser um Controlador Lógico Programável (CLP) ou um Controlador Remoto, associado ao CCM digital com inversor de freqüência na moto-bomba e ao medidor de nível do poço, permite o ajuste da velocidade da motobomba para manter constante o nível dinâmico do poço, aumentando a sua vida útil. c) Monitoração das mais variáveis do processo, permitindo um diagnóstico de falhas mais imediato e preciso. Um exemplo é a monitoração combinada dos parâmetros elétricos da motobomba com medidas hidráulicas como a vazão e a pressão, que permite diagnosticar a perda de eficiência do bombeamento. d) Software Supervisório nos microcomputadores do CCO, permitindo uma interface gráfica e amigável com o operador. Esta característica é importante quando se passa a concentrar uma quantidade maior de informações com maior velocidade de atualização, e a controlar mais elementos e instalações. Dentre as funções que o Software Supervisório pode fornecer estão o registro e o gerenciamento de uma base de dados, preparação e apresentação de relatórios, programação remota de CLPs, e interface com outros pacotes de software, como controle estatístico de processo, gerenciamento de manutenção, etc. O CCO permite também a conexão com outras redes e a integração com sistemas gerenciais e hierarquicamente superiores. AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE AUTOMAÇÃO A decisão de automatizar ou não um poço, com tecnologia digital, não é uma decisão técnica, mas essencialmente uma decisão Maio/Junho de 2007 Saneas 17

18 ARTIGO TÉCNICO econômica. Deverão ser analisados e ponderados os custos e os benefícios da automação para a tomada de decisão, e não automatizar por automatizar. Dentre os benefícios decorrentes da automação digital, pode-se citar: a) Maior durabilidade e mais eficiência na produção do poço. Com o controle do nível dinâmico do poço e a utilização de rotação variável na moto-bomba, a extração de água é ajustada no limite da capacidade de produção da mesma, evitando-se a extração excessiva que poderia levar à perda do poço. b) Maior confiabilidade do abastecimento, através da manutenção corretiva e preditiva. A monitoração permanente e automático possibilita que as anomalias sejam imediatamente detectadas e alarmadas, agilizando e melhorando a precisão da ação da manutenção. Além disso, a coleta e registro de parâmetros de desempenho, tais como vazão da água bombeada contra consumo de energia elétrica do motor para o mesmo nível do poço, permitem que se detecte uma perda de eficiência gradual, e se programem ações de manutenção preditiva, antes da ocorrência de problemas. c) Maior economia na operação do poço. A operação remota permite uma redução de custo de mão-de-obra do poço, eliminando a necessidade de manutenção de equipes no local, ou mesmo de inspetores volantes. A maior eficiência na utilização dos motores permite uma economia de energia e, ajustando-se com a capacidade de reservação, torna-se possível uma programação que desligue os motores nos horários de pico, resultando, em função da negociação com a concessionária de energia, em redução do custo total em energia. O controle mais ajustado das dosagens poderá significar também em uma redução no consumo de produtos químicos. d) Estabilização e garantia da qualidade da água. O controle mais preciso das dosagens de produtos químicos, proporcionais à vazão da água, a monitoração on-line dos parâmetros de qualidade da água (turbidez, ph, cloro residual, etc.) juntamente com ações rápidas de bloqueio e paralisação das instalações, asseguram uma melhor qualidade da água produzida, em atendimento às novas normas sanitárias mais rigorosas. e) Proteção contra intrusão e vandalismo. Independentemente da instalação estar desassistida ou não, todo o sistema produtor e distribuidor de água deve ser protegido, da melhor forma possível, contra intrusões, vandalismo e sabotagem. O sistema de automação pode ser projetado com funções de segurança, tais como detecção de presença, sensores de porta aberta, alarmes, discagem automática à central em caso de intrusões, etc. f) Independência da distância do poço com o reservatório, para fechar a malha de controle da moto-bomba do poço, e uma melhor separação entre a produção (poços) e o consumo (reservatórios). g) Redução da equipe volante, em função da monitoração remota e da centralização operacional. Naturalmente, o nível de automação a ser implantado em um sistema de poços dependerá do porte (produção), da importância e do investimento realizado no mesmo. Não se justifica, por exemplo, uma automação complexa com controle de nível dinâmico para um poço que atende com folga a sua região de consumo, passando a maior parte do tempo com a sua bomba desligada. No entanto, se este poço for a única fonte de água de uma comunidade, justificase pelo menos uma monitoração remota e algumas funções de manutenção preditiva, para maximizar a confiabilidade do abastecimento para esta comunidade. 18 Saneas Maio/Junho de 2007

19 RECOMENDAÇÕES PARA AUTOMAÇÕES Como qualquer outro sistema, a automação possui peculiaridades que precisam ser compreendidas para que o resultado final não seja comprometido. Alguns destes cuidados são: a) Possuir e treinar pessoal qualificado em automação, em quantidades necessárias, para operar e manter tais sistemas. Mesmo que o projeto e a instalação da automação sejam realizados por empresas privadas, é necessário que haja conhecimento especializado, tanto em automação como em processos de saneamento, para especificar e acompanhar o fornecimento. A qualificação em automação não deve ser subestimada, pois trata-se de uma área complexa e dinâmica. b) Evitar protocolos de comunicação proprietários (fechados e pertencentes a um único fornecedor / fabricante). A palavra-chave dos sistemas centralizados e hierarquizados é a conectividade, pois pela própria natureza da função, tanto o CCO como as unidades remotas (CLPs) necessitam comunicar com uma grande variedade de equipamentos e instrumentos, de fornecedores diferentes. Apesar da tentação em se selecionar um protocolo padrão qualquer e solicitar como requisito nas aquisições, na prática existe uma variedade muito grande de protocolos no mercado, nenhum claramente dominante. A solução mais adequada é solicitar que, tanto o software supervisório, a ser utilizado no CCO, como o software das unidades remotas (CLPs), disponham de drivers (conversores) para os principais protocolos do mercado, permitindo a comunicação e a integração destes equipamentos ao sistema. Deve ser possível também, que o usuário possa desenvolver os seus próprios drivers, a partir de ferramentas fornecidas juntamente com os softwares. Esta solução possibilita também que futuras expansões e/ou atualizações tecnológicas transcorram de forma mais suave e controlada, com a adição ou a substituição, em princípio, dos drivers. c) Possuir um leque de opções de telecomunicação, para conectar os diversos elementos dispersos geograficamente que compõem o sistema. As principais opções são: linha privada, linha discada, telefonia celular, rádios (VHF, UHF, microondas) e satélites. Cada opção possui características próprias de desempenho, confiabilidade, custo e viabilidade. A composição final do sistema de comunicações deverá ser resultado de uma análise, realizada por especialistas, ponderando tais características. Em comum, todas as opções devem utilizar modems para realizar as conexões. Deve-se tomar cuidado ao interligar CLPs em configurações mestre-escravo com modems entre OBS: Teste realizado com o registro fechado Curva Roxo - Temperatura Curva amarela - Tempo Curva Azul - Vazão eles, pois normalmente são projetados pressupondo uma conexão direta, sem atrasos na comunicação. Assim, mesmo rádio-modems ditos transparentes, são inadequados para realizar estas conexões. d) Realizar proteções contra descargas atmosféricas. A tecnologia digital é inerentemente complexa e sensível, por lidar com fluxos de informações e não com energia. Assim, proteções que normalmente dão cobertura a equipamentos elétricos, não protegem suficientemente os equipamentos e instrumentos eletrônicos. Os projetos de aterramentos devem ser revistos, caso já estejam instalados e, em particular, deve ser observada a conformidade à nova versão da norma NBR 5410 da ABNT sobre segurança e proteções elétricas, que contempla proteções aos sinais. CONCLUSÃO Potencialmente, todas as etapas do saneamento podem ser supervisionadas e controladas automaticamente. O principal benefício da automação no setor de saneamento é o de tornar a operação mais eficiente e econômica, racionalizando a distribuição de água de acordo com as características de cada cidade. A economia de energia é um dos principais fatores a serem levados em conta, pois a automação é a única forma de se adequar, rapidamente, a distribuição de uma demanda de consumo tão oscilante. Com isso, a automação também possibilita o deslocamento dos operadores para áreas mais qualificadas, tais como diagnoses de problemas. É comum, por exemplo, romperem adutoras; com a automação, a localização e o conserto dos vazamentos são agilizados rapidamente. Assim, as perdas de água são menores, o que pode ser decisivo para o abastecimento numa época de seca e calor. Maio/Junho de 2007 Saneas 19

20 ARTIGO TÉCNICO AUTOMAÇÃO DE SISTEMAS DE ÁGUA E ESGOTO DO LITORAL NORTE DO ESTADO DE SÃO PAULO JOSÉ RICARDO AMADEL 1 KLEBER CASTILHO POLISEL 2 LEANDRO DE JESUS TERSIGNI 3 ANDRÉ LUIZ POINTO 4 Os projetos de automação abrangem todos os municípios do Litoral Norte Paulista, constituída de 4 municípios, Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião e Ilhabela, conta com população total aproximada de habitantes, sendo fixos e flutuantes, área de grande desenvolvimento do turismo com orla extensa (aproximadamente 350 km), com grande fluxo de turistas de vários Estados do Brasil. A população flutuante representa cerca de três vezes a população residente, também chamada de população fixa. Fica patente a importância do turismo na região com reflexos diretos nas diversas atividades econômicas (comércio, setor imobiliário, indústria da construção civil, prestação de serviço). Essa população característica de fins de semana, feriados e períodos de temporada provoca um substancial aumento no consumo de água e na geração de esgotos sanitários exigindo que os sistemas de água e esgo- 1 Unidade RN / 2 Unidade RNO / 3 Unidade RNOM / 4 Unidade RNOM / 20 Saneas Maio/Junho de 2007

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