Prática de exercícios físicos para crianças e adolescentes obesos: revisão da literatura

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1 22 ARTIGO DE REVISÃO Prática de exercícios físicos para crianças e adolescentes obesos: revisão da literatura Practice of physical exercises in obese and overweight children and adolescents Diego Marcondes Porto 1, Ana Laura Ricci Vitor 2, Renan Marcondes Porto 1, Daniel Ribeiro 1, Luiz Carlos Marques Vanderlei 3 1 Educador Físico, Especialização, Escola Superior de Pesquisa e Pós-graduação, Faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu-FAESI 2 Fisioterapeuta, Mestrado, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente. 3 Fisioterapeuta, Doutor e Livre Docente, Departamento de Fisioterapia, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente Resumo Introdução: Em virtude da alta prevalência da obesidade infantil e sua associação com complicações na saúde, a pratica de exercícios físicos tem sido recomendada como tratamento. Objetivo: Este estudo teve por objetivo reunir e descrever informações brasileiras atuais sobre as características da prática de exercício para crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Material e Métodos: Foram selecionados na lista do WebQualis da área 21, periódicos de circulação nacional que utilizam a palavra educação física no título e com classificação maior ou igual a B2. Para identificação dos estudos foram utilizadas as palavraschave: obesidade, obesidade infantil e exercícios utilizados isoladamente e em cruzamento. Os estudos selecionados foram descritos de forma qualitativa. Resultados: Os 11 artigos selecionados mostraram que não há literaturas nacionais que abordem recomendações atuais sobre intensidade, frequência, duração e tipo de programas de exercícios físicos em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Os estudos reunidos nesta revisão exploram informações a respeito da etiologia multifatorial da obesidade, bem como identificam a atividade física como forma de prevenção e tratamento. Apenas dois estudos avaliam os efeitos do exercício físico agudo ou crônico, sendo necessária a realização de estudos que apliquem exercícios e que investiguem seus efeitos nessa população. Conclusão: Não há uma diretriz brasileira atual que reúna informações sobre a prática de exercícios em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Descritores: Obesidade; Obesidade pediátrica. Abstract Introduction: As a result of the high prevalence of pediatric obesity and its association with numerous health complications, the practice of physical activity has been recommended as a treatment. Objective: The aims of this study are to gather and describe current Brazilian information addressing the characteristics of physical exercises in obese or overweight children and adolescent. Materials and Methods: We selected from the list of WebQualis/CAPES da área 21, journals of national circulation using the word physical education in its title and classified as B2 or higher. In order to identify the articles published, the following keywords were used separately and combined in Portal Periódicos Capes database: obesity, pediatric obesity and exercises. The selected studies were described qualitatively. Results: Eleven studies were included in this review and submitted to analysis. The studies showed that there is no national literature addressing current guidelines regarding physical activity intensity, physical activity for long periods of time, frequency and type of the physical activity in obese children and adolescents. The studies included in this review address information related to the multifactorial etiology of obesity and identified the suited physical activity for obese or overweight children and adolescents, as well as the best prevention and treatment. Only two studies have evaluated the effects of acute and chronic exercise. It is necessary more studies addressing the practice of physical exercises in order to investigate its effects in this population. Conclusion: There is no current Brazilian guideline addressing the physical activity recommendations in obese or overweight children and adolescents. Descriptors: Obesity; Pediatric obesity. Recebido em 13/08/2014 Aceito em 07/10/2014 Não há conflito de interesse

2 Introdução A obesidade é considerada um dos principais problemas de saúde pública, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento (1), e estima-se que pelo menos 20 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos apresentem sobrepeso e obesidade (2). Além disso, o excesso de peso, quando observado na infância ou adolescência, tende a persistir até a vida adulta e está associado ao desenvolvimento de diversas complicações (3). A obesidade tem etiologia multifatorial, destacando-se fatores genéticos, ambientais e comportamentais (4-6). Apenas 5% dos casos configuram obesidade endógena com causas hormonais, sendo os demais caracterizados por um desequilíbrio entre consumo e gasto energético, geralmente induzido por elevado aporte energético contido na dieta e o sedentarismo (3-5). Dentre as complicações relacionadas à obesidade, podem ser citadas as doenças articulares, os distúrbios lipídicos, o aumento do risco por mortalidade cardiovascular (4,7), a hipertensão arterial, a aterosclerose e o câncer (3). Outro aspecto diretamente relacionado com a obesidade é o baixo nível de aptidão física, definida como o conjunto de atributos que o ser humano possui ou alcança que podem ser mantidos ou melhorados por meio do exercício físico, também entendida como a capacidade de realizar trabalho sem apresentar sinais evidentes de fadiga (6). Destacase que crianças e adolescentes obesos apresentam redução da capacidade motora e do nível de atividade física, com influência negativa no desempenho em testes motores de velocidade, flexibilidade, agilidade e equilíbrio, dentre outros (3,8-9). Existem diretrizes internacionais (10-12) que apresentam recomendações quanto à prática de atividade física em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade, dentre as quais se destacam orientações no sentido de reduzir atividades sedentárias no tempo livre, atividades que visem diversão e lazer e que foquem benefícios em mais curto prazo (13), que as crianças acumulem pelo menos 3 horas de atividade física ao longo do dia (10-13), pelo menos uma hora de atividade física moderada a vigorosa (12-13). Adicionalmente, algumas recomendações apresentam fraco consenso de recomendação, ou mesmo tem forte recomendação, mas são baseadas em ensaios clínicos randomizados com importantes limitações com menor nível de evidência (13). A determinação do nível de atividade física e a realização de exercícios físicos em crianças e adolescentes obesos têm sido recomendadas (5,14). Na literatura brasileira, não há uma diretriz ou uma revisão que agrupe informações quanto à prática de exercícios físicos em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Desse modo, é importante reunir e descrever informações brasileiras atuais sobre as características da prática de exercício para crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade para maior popularização de informações sobre esse tema em âmbito nacional. O objetivo do presente estudo é realizar uma revisão de literatura da prática de exercícios físicos para crianças e adolescentes obesos. Material e Métodos Este estudo constitui-se uma revisão da literatura nacional que aborda o nível de atividade física e os programas de exercícios em crianças e adolescentes obesos, publicados em periódicos nacionais, no período de 2004 a Para sua realização, inicialmente, foram selecionados na lista de periódicos do 23 WebQualis da área 21, todos os periódicos de circulação nacional que utilizassem a palavra educação física em seu título e que possuíssem classificação maior ou igual a B2. A partir desses critérios, foram selecionadas as seguintes revistas: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, Motriz: Revista de Educação Física e Revista da Educação Física. Em seguida, a busca foi realizada nos endereços eletrônicos das revistas selecionadas Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, Motriz: Revista de Educação Física e Revista da Educação Física, em fevereiro de Como as revistas selecionadas apresentam disponibilidade livre nesses sítios somente a partir de 2004, o período selecionado para a busca foi de 2004 a Os descritores utilizados para identificação dos estudos, definidas com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) foram obesidade, obesidade infantil e exercícios, utilizadas isoladamente e exercício, e obesidade ou obesidade infantil utilizadas em cruzamento. Os estudos passaram, inicialmente, por uma seleção com base em seus títulos e foram excluídos aqueles que cla-ramente não estavam relacionados com o tema da revisão ou textos repetidos. Os textos completos dos artigos potencialmente relevantes foram analisa-dos para identificar aqueles que atendessem aos critérios de inclusão. O fluxograma que descreve a estratégia de busca e seleção pode ser observado na (Figura 1) e foi baseado na estrutura do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). RBEFE (36) Motriz (729) Revista da Educ. Física (209) Total: 974 Resultou em 38 resumos para checagem de textos completos A seleção final foi composta por 11 artigos. Excluídos: Textos não relacionados ao tema(905) Textos repetidos (31) Total: (936) Não incluídos (27) Figura 1. Fluxograma que resume a estratégia de busca e seleção Os estudos selecionados foram descritos de forma qualitativa e suas principais informações (autores e ano do estudo, características da população, objetivo do trabalho, resumo dos métodos e conclusões) foram reunidas em tabelas. A busca eletrônica resultou em um total de 974 títulos. Dentre estes, a primeira eliminação resultou na exclusão de 905 artigos e resumos, cujos títulos não continham palavras como: atividade física, exercício físico, gasto energético, coordenação motora, educação física, prática esportiva e esforço físico. Em seguida, foram excluídos 31 textos repetidos, totalizando a exclusão de

3 24 Quadro 1. Critérios de inclusão utilizados para selecionar os artigos relacionados com o tema desta revisão. Presidente Prudente, Tipo de estudo Foram incluídos ensaios clínicos, estudos observacionais e transversais. Tipo de participantes Foram selecionados apenas estudos que relataram resulta-dos referentes à população de crianças e adolescentes obesas e eutróficos. Tipo de intervenção/observação Foram selecionados os estudos que investigaram o nível de atividade física ou envolviam exercícios físicos e composição corporal. 936 textos. Os 38 títulos restantes foram submetidos a uma avaliação de seus textos completos. Posteriormente, 27 textos não apresentaram os critérios de inclusão (apresentados no Quadro 1) gerando, finalmente, a amostra composta por 11 artigos. Resultados e Discussão Não há uma diretriz brasileira que reúna recomendações sobre a prática de exercícios em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade, e nos artigos encontrados, os autores não aplicam exercícios nessa população e não apresentam métodos padronizados. Os textos selecionados nesta revisão investigaram em crianças e adolescentes obesos e eutróficos: 1) a relação entre aspectos da atividade física e/ou aspectos nutricionais e a composição corporal (Tabela 1); 2) efeitos do exercício físico agudo ou crônico (Tabela 2); 3) revisões sobre atividade física e composição corporal (Tabela 3). Tabela 1. Características dos estudos que mostram a relação entre aspectos da atividade física e/ou aspectos nutricionais na composição corporal em crianças e adolescentes obesos e eutróficos. Presidente Prudente, Autores e ano Nardo - Junior et al (15) Pierine et al (5) Características da população e do exercício 97 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos. 441 indivíduos (219 masculino e 222 feminino), média de idade 11,6 ± 3 anos. Objetivos Métodos Resultados Conclusões Avaliar o NAF, a ingestão energética e de macronutrientes e os níveis de aptidão física de adolescentes. Avaliar o NAF e composição corporal de estudantes do ensino fundamental e médio. Registros de atividade física de Bouchard et al (15). e alimentar de três dias e adotada a bateria de testes de aptidão física relacionada à saúde descrita por Guedes e Guedes (16). NAF pelo IPAQ, composição corporal pelo IMC para a classificação da obesidade, DCT, CB e CC. Os NAF e a ingestão alimentar de energia e macronutrientes da maioria dos integrantes do estudo não atendem às recomendações, o mesmo ocorrendo com os componentes da aptidão física força/resistência muscular e capacidade aeróbia. 60% (n = 265) sedentários ou insuficientemente ativos. 67% (n = 297) eutróficos, 22% (n = 99) sobrepeso, 11% (n = 45) obeso. DCT 32% (n = 140) alta adiposidade. CC 53% (n = 235) alta circunferência da cintura. Necessidade de mais estudos observacionais, juntamente com programas de intervenção na escola com enfoque na promoção da saúde. Elevada prevalência de sedentarismo e obesidade entre os alunos. Alerta para criação de programa de exercício físico e educação alimentar. Fernandes (1) Foram selecionados 60 indivíduos do sexo masculino (30 obesos), com idade entre10 e 14 anos, classificados pelo IMC Comparar o hábito alimentar e o NAF entre meninos eutroficos e obesos As variáveis da composição corporal (percentual de gordura e massa corporal magra) foram estimadas pela antropometria e pela bioimpedância. O NAF e o hábito alimentar foram avaliados por questionários. Os grupos apresentaram diferenças no peso, no IMC e em ambas as variáveis da composição corporal. Os eutroficos apresentaram maior ingestão de alimentos do grupo III no café da manha e durante o dia e do grupo de alimentos VI no intervalo escolar. Os obesos, de alimentos do grupo III à noite. Os eutróficos praticam mais atividades intensas e leves. Conclui-se que, para este estudo, o baixo NAF foi mais importante que o tipo e a frequência de alimentos ingeridos no grupo obeso.

4 Figueiredo (9) indivíduos (463 meninos) com idades entre 11 e 18 anos. Relacionar NAF, AptF, maturação biológica e ESE com as prevalências de risco ponderal de adolescentes. O NAF foi avaliado pelo questionário de Baecke e a AptF por quatro testes da bateria Fitnessgram. O ESE foi estimado a partir do acesso aos escalões atribuídos pela Ação Social Escolar e a maturação biológica a partir do offset maturacional. O risco ponderal dado pela classificação do mensurado o IMC. 6% dos alunos eram obesos e 19,5% tinham sobrepeso. NAF foram baixos a moderados independentemente do sexo ou status ponderal. Os meninos eram mais ativos que as meninas, mas não houve diferença entre os alunos com obesidade e sobrepeso e os normoponderais. Na AptF, um número superior a 50%, foi considerado inapto pois não obtiveram taxas de sucesso em todos os testes. Os alunos com sobrepeso e obesidade foram mais inaptos. Alunos com offset maturacional mais avançado e os mais novos tinham mais chances de ter sobrepeso e obesidade, mas não houve relação entre o ESE e o status ponderal. 25 Não houve relação entre a maturação biológica, ESE e NAF com o risco ponderal, apesar de estes serem baixos ou moderados. Já indivíduos com sobrepeso e obesidade foram mais inaptos para AptF. Balbinotti 2011 (17) 274 alunos do ensino fundamental e médio foram divididos em 3 grupos: obesos (n = 99); com sobrepeso (n = 88); eutróficos (n = 87). Comparar os níveis de motivação à prática regular de atividades físicas conforme a composição corporal. Para avaliação da composição corporal, foi realizado o IMC e a motivação foi investigada pelo Inventário de Motivação à Prática Regular de Atividades Físicas e Esportivas (IMPRAFE-54), Para obesos a motivação é saúde; para sobrepeso e eutróficos: estética, saúde e prazer. Na comparação inter-grupo (obesos; sobrepeso; eutróficos), a dimensão Estética se destacou na diferença entre os grupos de sobrepesos e obesos. Independente dos grupos, as principais motivações para a prática regular de atividade física são saúde, estética e prazer, destacando-se saúde para o grupo obeso. Espera-se que esses resultados possam contribuir para a prática pedagógica da educação física escolar. Silva (16) 40 indivíduos de 14 a 16 anos do sexo masculino. Comparar o gasto energético e consumo calórico por diferentes %G. %G foi obtido por meio das dobras subescapular e tricipital adaptado pela idade, sexo e etnia, sendo baixo (<11%), alto (>20%). Gasto energético pelo acelerômetro e consumo calórico por questionário recordatório. Indivíduos com baixo %G tiveram menor consumo calórico em comparação aos jovens com alto %G (2603,3 ± 413,6 vs. 2755,6 ± 531,8 kcal.dia, p>0,05). Ademais, apresentaram gasto energético relativo maior em comparação aos jovens com alto %G (2301,7 ± 507,1 vs. 2922,4 ± 663,4; p<0,05). Indivíduos com diferentes %G apresentam diferentes padrões de gasto e consumo energéticos, sendo que sujeitos com %G acima do ideal consomem mais calorias do que gastam, sendo o inverso verdadeiro para aqueles com baixa %G.

5 26 Melo Foram avaliados (2) indivíduos de ambos os sexos e idade entre 6 e 9 anos. O propósito do estudo foi analisar a associação entre o IMC e a CM. As crianças foram avaliadas pela bateria de testes KTK. O IMC foi calculado a partir das medidas de peso e altura para classificação da composição corporal. Ocorreram diferenças significantes na CM entre os três grupos do IMC, sendo normoponderais de obtiveram melhores resultados do que os sujeitos com sobrepeso e estes obtiveram melhores resultados do que os obesos. A CM está moderada e negativamente associada com o IMC. As crianças com sobrepeso e obesas de ambos os sexos apresentaram menores níveis de CM do que as crianças normoponderais. A CM está moderada e negativamente associada com o IMC. As crianças com sobrepeso e obesas de ambos os sexos Legenda: NAF: Nível de Atividade Física; IPAQ: Questionário Internacional de Atividade Física; IMC: Índice de Massa Corpórea; DCT: Dobra Cutânea Tricipital; CB: Circunferência de Braço; CC: Circunferência da Cintura; G: Gordura corporal; CM: Coordenação Motora; KTK: Körperkoordinationstest für Kinder; AptF: Aptidão Física; ESE: status socioeconômico. Quanto aos aspectos nutricionais e composição corporal em crianças e adolescentes obesos e eutróficos, os estudos apontam que indivíduos eutróficos não atendem às recomendações para a ingestão alimentar de energia e macronutrientes (15) e apresentam um padrão alimentar caracterizados por maior ingestão de frutas, legumes e hortaliças, no intervalo escolar bem como maior ingestão de alimentos, como pães, massas, leguminosas e derivados no café da manhã e durante o dia, sendo diferentes dos indivíduos obesos, os quais apresentam maior consumo durante o período noturno (1). Tabela 2. Características dos estudos que mostram os efeitos do exercício físico aplicado de forma aguda ou crônica em crianças e adolescentes obesos e eutróficos. Presidente Prudente, Autores e ano Características da população e do exercício Objetivos Métodos Resultados Conclusões Bankoff (4) 12 indivíduos obesos entre 11 e 18 anos de idade, sendo 07 masculino com média de idade de 12 anos e 05 feminino com média de idade 15 anos. Estudar por meio das variáveis FC, PAS e PAD, adolescentes obesos submetidos ao teste de esforço em esteira ergométrica. Coletadas as medidas PA e FC para realização do teste de esforço utilizando o protocolo de Naughton Modelo I. O maior valor PAS no grupo masculino foi de 185 mmhg e no grupo feminino de 210 mmhg. Em relação à PAD, os maiores valores registrados foram 117,5 mmhg para o grupo masculino e 135 mmhg para o feminino. Na FC máxima o maior valor verificado no grupo masculino foi 179 bpm e no grupo feminino o maior valor foi de 195 bpm. Houve aumento tanto na FC, quanto na PAS e PAD dos adolescentes obesos durante teste de esforço

6 27 Barbosa Filho (3) Foram selecionados 22 indivíduos (13 no Grupo Esportivo e 9 no Recreativo) com idades entre 10 e 14 anos com excesso de peso. Analisar o impacto de programas de exercício físico de longa duração, focados em atividades esportivas e recreativas, na composição corporal e no desempenho motor. Programa exercício: 3x Verificou-se nos semanais, 60 minutos de adolescentes do Grupo atividades específicas Esportivo e Recreativo para cada grupo, 60-80% redução na dobra cutânea da frequência cardíaca de subescapular (12,55% e reserva, sendo 10 minutos 14,65%), soma das dobras de aquecimento, 45 minutos de parte principal de 14,52%) e percentual de cutâneas (12,39% e cada grupo e 5 minutos de gordura corporal (11,52% e relaxamento seguindo as 7,58%), bem como aumento normas da ACSM. na massa corporal magra Duração: 11 meses. Para (7,85% e 9,45%) após os composição corporal,imc, programas de exercício CC e CQ para fazer a RCQ, físico. Todas as variáveis %G. Teste de agilidade por do desempenho motor shuttle-run, equilíbrio (posição flamingo) e flexibili- alterações significativas. também apresentaram dade (sentar-e-alcançar). Evidenciou-se que práticas esportivas e recreativas ocasionaram alterações positivas na composição corporal e no desempenho motor dos adolescentes Legenda: IMC: Índice de Massa Corpórea; CC: Circunferência da Cintura; G: Gordura corporal; CQ: Circunferência do Quadril; RCQ: Relação Cintura/Quadril; ACSM: American College of Sports Medicine; FC: Frequência Cardíaca; PAD: Pressão Arterial Diastólica; PAS: Pressão Arterial Sistólica; PA: Pressão Arterial. Já em relação a aspectos da atividade física, encontrou-se que indivíduos eutróficos apesar de não atenderem às recomendações para a prática de atividade física (15), praticam mais atividades físicas, com intensidades variadas (mais vigorosas ou leves), quando comparados a indivíduos obesos (1). Neste estudo, as recomendações consideradas foram Tabela 3. Características dos estudos textos de revisão bibliográfica sobre atividade física e composição corporal em crianças e adolescentes obesos. Presidente Prudente, Autores e ano Características da população e do exercício Prati Estudo 2001 (19) bibliográfico com adolescentes obesos. Santos (20) Revisão da literatura compreendida principalmente o período de 1998 a Objetivos Métodos Resultados Analisar, mediante estudo bibliográfico, alguns dos fatores desencadeantes da obesidade em adolescentes, e tentar propor alternativas relacionadas à atividade física para auxílio no tratamento e minimização desse problema. Estabelecer a relação entre a prática de atividades físicas e a prevalência de obesidade, de modo a propor que a disciplina Educação Física possa ser efetivamente utilizada como meio preventivo. Os termos-chave obesidade infantil, obesidade em adultos, exercício físico, atividade física e Educação Física foram utilizados para busca em bases de dados tais como LILACS, Bireme, Scielo e PubMed. A partir da análise, pôde-se perceber que a atividade física, sendo utilizada de forma consciente (programada, controlada e respeitando as limitações e níveis de desenvolvimento humano), associada às modificações no comportamento e estilo de vida dos adolescentes, pode ser favorável à reversão do estado de obesidade e melhoria na qualidade de vida dessas pessoas. A Educação Física pode ser considerada a principal disciplina que transita nas áreas de educação e saúde, com a vantagem de seu conteúdo teórico ser trabalhado essencialmente durante as práticas de atividades físicas. A partir do momento que a Educação Física escolar começar a valorizar suas prerrogativas de desenvolver simultaneamente a capacidade de raciocínio, as habilidades, as capacidades físicas e os hábitos saudáveis, de forma concreta e eficiente, mais que prevenir a obesidade e as doenças associadas, ficará caracterizada como a disciplina mais completa, tornar-se-á uma das mais atrativas e será muito mais valorizada pela sociedade.

7 28 valores abaixo de 1,7, que é o valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para crianças e adolescentes, obtido por meio de equações que estimam o gasto energético. Complementarmente, Silva (16) compararam o gasto energético e o consumo calórico em crianças com diferentes percentuais de gordura corporal e observaram que aquelas que apresentam valores de gordura corporal acima do ideal, consomem mais calorias do que gastam, sendo o inverso para aquelas com baixo percentual de gordura. Adicionalmente, as prevalências de sedentarismo e obesidade nessa população encontram-se altas, o que demonstra a importância de se realizar intervenções como programas de exercício físico e educação alimentar (5). Além do nível de atividade física, outros aspectos devem ser considerados em relação à composição corporal, ou seja: 1) a maturação biológica dos tecidos, uma vez que está associada à regulação do peso e da gordura corporal e a integridade estrutural e funcional do tecido muscular esquelético; 2) o estado socioeconômico que possui uma relação inversa com a obesidade e com aumento da prevalência da obesidade em crianças com baixas condições socioeconômicas; 3) a aptidão física que é menor nos indivíduos obesos (9) ; 4) o aspecto motivacional, que pode auxiliar a prática da atividade física (17) e a coordenação motora que apresenta prejuízos em crianças com sobrepeso ou obesidade (2). Figueiredo (9) estudando a relação entre o risco de obesidade e o nível de atividade física, a aptidão física, a maturação biológica e o estado socioeconômico, observaram que os indivíduos com sobrepeso e obesidade foram mais inaptos que os eutróficos. Os autores observaram também que indivíduos com nível maturacional mais avançado, tem mais chance de possuir sobrepeso e obesidade. Contudo não observaram relação com o nível de atividade física e o estado socioeconômico. Balbinotti (17) descreveram que é comum crianças e adolescentes obesos participarem das mesmas atividades físicas, propostas em aulas de educação física, que indivíduos eutróficos. Contudo, diferentes características pessoais levam a diferentes motivações para a prática de tais atividades. Nesse sentido, investigaram a motivação à prática regular de atividades físicas conforme a composição corporal e observaram que independente dos grupos, as principais motivações para a prática regular de atividade física são saúde, estética e prazer, destacando-se saúde para o grupo obeso. Tais resultados podem contribuir para a prática pedagógica da educação física escolar. Melo (2) estudaram a associação entre uma variável de composição corporal, representada pelo índice de massa corporal (IMC) e a coordenação motora, e mostraram que a coordenação motora encontra-se moderada e negativamente associada com o IMC, sendo que as crianças com sobrepeso e obesas, de ambos os sexos, apresentam menores níveis de coordenação motora do que as crianças eutróficas. De forma geral os resultados dos trabalhos reunidos nesta revisão, abordaram indivíduos com idade entre 6 e 18 anos, de ambos os sexos, com sobrepeso e obesidade, cujas avaliações dos níveis de atividade física foram obtidas pelos registros de atividade física de Bouchard et al (15), questionário internacional de atividade física (1,5) e inventário de Baecke (9). Os outros aspectos em relação à avaliação do nível de atividade física foram avaliados pela bateria de testes para aptidão física (9,15,18), a motivação pelo Inventário de Motivação à Prática regular de Atividade Física e Esportiva (17) e a bateria de teste KTK (2) para avaliação da coordenação motora e gasto energético por acelerômetro (16). Os aspectos nutricionais foram avaliados por questionários recordatórios (1,15-16), já as avaliações em relação à composição corporal foram feitas pelo IMC (2,5,9,17), dobras cutâneas (5,16), circunferências corporais (1,5) e bioimpedância (1), adaptadas para idade e/ou peso e altura. Sobre os efeitos do exercício físico em crianças e adolescentes obesos, apenas dois estudos foram encontrados (Tabela 2). Bankoff (4) descreveram os efeitos agudos durante teste de esforço teste de esforço, realizado em esteira ergométrica, utilizando o protocolo de Naughton I, que é indicado para pacientes idosos e cardiopatas, sobre pressão arterial sistólica, diastólica e frequência cardíaca. Os autores relataram escassez de literatura a respeito do tema de desenvolver atividades físicas e, até mesmo, de protocolos de avaliação da aptidão física dessa população. Barbosa Filho (3) avaliaram os efeitos crônicos de um programa de 11 meses de exercício com frequência de 3 sessões semanais e duração de 60 minutos (distribuídas em 10 minutos de aquecimento, 45 minutos de exercícios coletivos, relacionados com as modalidades natação, voleibol, basquetebol e handebol, selecionadas por conveniência conforme a disponibilidade do material e instalações para a realização do programa e 5 minutos de relaxamento), com intensidade de 60 a 80% da frequência cardíaca de reserva sobre a composição corporal e desempenho motor. Os resultados apontaram melhora da composição corporal, agilidade, equilíbrio e flexibilidade indicando também melhora do desempenho motor. Foram também selecionadas duas revisões abordando atividade física e composição corporal em crianças e adolescentes obesos e eutróficos (Tabela 3), as quais reuniram informações gerais sobre a etiologia multifatorial da obesidade e exploraram a atividade física como prevenção e tratamento (19). Diretrizes internacionais do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) (10), Canadá (11), Austrália (12), recomendam a prática de atividade física em crianças e adolescentes, dentre as quais se destacam recomendações para reduzir atividades sedentárias no tempo livre (como tempo jogando vídeo game e em frente à televisão), atividades que visem diversão e lazer e que foquem benefícios em mais curto prazo (13), que as crianças acumulem pelo menos 3 horas de atividade física ao longo do dia (10-13), pelo menos uma hora de atividade física moderada a vigorosa (12-13). Adicionalmente algumas recomendações apresentam fraco consenso de recomendação, pois são informações narrativas, baseadas em experiência clínica ou mesmo tem forte recomendação, mas são baseadas em ensaios clínicos randomizados com importantes limitações com menor nível de

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