TEMAS 10 Democracia. Supremo Tribunal Federal (STF) Caso Cesare Battisti ( ) Caso da Lei de Anistia (2010) Caso da Lei da Ficha Limpa (2012)

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1 TEMAS 10 Democracia Supremo Tribunal Federal (STF) Caso Cesare Battisti ( ) Caso da Lei de Anistia (2010) Caso da Lei da Ficha Limpa (2012) GUIA DE ESTUDOS Diretores: Bruno Fleury Camila Ramos Henrique Ratton Leonardo Antonacci

2 "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar; o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de Eu sou juíza e não justiceira! Ministra Carmem Lúcia, durante o julgamento do processo EXT-1047, em julho de 2012.

3 Sumário I Apresentações dos diretores;... 1 II Introdução do guia de estudos;... 3 Título I: Do Supremo Tribunal Federal:... 5 Subtítulo I: Breves considerações históricas;... 5 Subtítulo II: Funcionamento da Corte;...8 Subtítulo III: Competências da Corte Título II: Do Mérito: Subtítulo I: Do Caso Cesare Battisti ( ): ) Do histórico da questão; 2) Das perspectivas jurídicas; 3) Do processo. Subtítulo II: Do Caso da Lei de Anistia (2010): ) Do histórico da questão; 2) Das perspectivas jurídicas; 3) Do processo.

4 Subtítulo III: Do Caso da Lei da Ficha Limpa (2012): ) Do histórico da questão; 2) Das perspectivas jurídicas; 3) Do processo. Referências... 65

5 Apresentações Bruno Fleury: Graduando em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Historicamente, nutriu muito interesse pela área do Direito Internacional e da Política Internacional, no entanto o decurso da faculdade o fascinou pelo estudo jurídico, bem como pelo trato com a ordem pátria. Apesar de ainda apreciar muito leituras acerca de diversas áreas do conhecimento humano (como História, História Militar, Relações Internacionais, Filosofia e Economia), o Direito tornou-se seu interesse hegemônico. Uma vez que o TEMAS traz uma nascente tradição de comitês jurídicos e ele já conduziu um STF juntamente com sua co-diretora, a escolha de comitê para o TEMAS 10 foi natural. Está à disposição dos delegados e espera brindar o TEMAS com mais um dos habituais comitês de excelência. Camila Ramos: Tem 19 anos, é aluna de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e o TEMAS 10 será sua décima participação em modelos e a terceira na simulação temática. O Direito é algo que lhe interessa e envolve desde o berço e, não coincidentemente, o escolheu como curso. O debate das controvérsias jurídicas é um dos seus principais campos de interesse e identificação pessoal, bem como questões históricas, políticas, econômicas e tudo aquilo que envolve e interfere a dinâmica social do homem. O STF, como comitê, está presente em sua vida desde 2010 quando teve sua primeira experiência como delegada no modelo secundarista SiEM, em São Paulo. Além disso, o STF foi sua primeira participação temática. Por terem sido experiências interessantes e desafiadoras, desenvolveu um interesse particular tanto pelo órgão real quanto por simulá-lo. Por isso, convida e incentiva a todos aqueles interessados a 1

6 participarem desse comitê, bem como do TEMAS, pois, para ela, esse é sem dúvida um modelo especial, que promove continuamente seu engrandecimento pessoal e acadêmico. Henrique Ratton: É graduando em Direito pela Faculdade de Minas Gerais. Desde sempre teve paixão pelos debates seja em qual área for. Traz consigo verdadeira admiração pelo STF, pois ele traduz toda a elegância da fala e do argumento, afinal, soma a tradição da república com o poder de inovação em decisões paradigmáticas. No campo do Direito, possui profundo interesse pelas áreas do Direito Constitucional e Internacional, não obstante o seu fascínio pelo Direito Penal. A oportunidade de auxiliar um comitê jurídico no TEMAS foi recebida com grande entusiasmo, sobretudo após as repercussões do julgamento da AP-470, cuja rotina acompanhou de perto. Sempre pronto para discussões, espera que do contato com os delegados surjam diversos diálogos engrandecedores. Pretende também completar a equipe do TEMAS com entusiasmo e empenho para que esta edição, assim como as outras, seja memorável. Leonardo Antonacci: É estudante de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Começou a participar de modelos ainda no ensino médio. Teve a oportunidade de fundar e organizar, por dois anos seguidos, a simulação interna de seu colégio. Ali, também, foi vice-presidente do grêmio estudantil, onde iniciou seus interesses em política e direito e que perduram até hoje. Somado a isso, apresenta interesses em economia, história e filosofia. Participa da política partidária e pode agregar habilidades e interesses. Espera utilizar todas essas experiências para o fortalecimento do TEMAS 10 e do comitê STF. 2

7 Introdução O interesse e a satisfação dos delegados é o que move uma boa Mesa Diretora. Assim, a disposição de cada pessoa que comprou a ideia desse comitê, diferenciado em muitos aspectos, é um grande combustível para os redatores deste guia. À guisa desse interesse, bem como das peculiaridades dessa iniciativa de simulação, um material igualmente diferente foi elaborado. Seus parâmetros são fruto das convicções pessoais dos diretores, que creem na autonomia e no esforço de aprendizagem como forças motrizes do conhecimento. Pautado por esses valores, este não é como os guias regulares que se vê na maioria dos modelos. Ele objetiva cumprir o mandado de sua rubrica: guiar os estudos, mas nunca exaurilos. Este material deve ser considerado um mero vestíbulo propedêutico nas matérias pertinentes ao comitê, uma vez que se faz necessário dar enfoques a temas tão vastos. Além disso, conta-se com a possibilidade da participação de delegados que não vêm da área do Direito e seria inconcebível deixá-los órfãos de um subsídio mínimo de estudos. Entretanto, não se pode esperar um artigo científico preocupado com todas as regras da ABNT e que objetive passar por todas as nuances dos assuntos sobre os quais se debruça. Em suma é necessário entender qual é o papel deste guia: fornecer algumas noções conceituais básicas, fornecer muitas fontes de ampliação das pesquisas (por isso há um bom número de referências no texto) e, acima de tudo, problematizar e levantar questões. Uma vez que uma corte tem a conclusão de seus trabalhos em um processo deliberativo, nada mais justo do que estimular a liberdade de convencimento com a reflexão. Com efeito, nos aspectos pertinents, este guia trará os principais questionamentos concernentes às ações e indicará um substrato inicial para respondê-los. Contudo, o processo só é concluído com a proatividade do delegado, que deve se empenhar em buscar as próprias respostas para formular uma opinião fundamentada. Para não se alongar em demasia, dois assuntos foram propositalmente omitidos e serão tomados como de compreensão básica presumida: (I) a hermenêutica jurídica, pois foi considerada campo de estudo muito zetético e vasto, de modo que seria de pouca utilidade abordá-la aqui. Espera-se que os delegados busquem se informar sobre a interpretação das normas, principalmente em seu ramo constitucional e suas modalidades. (II) o controle de constitucionalidade, que aparece mencionado diversas vezes, como não poderia deixar de ser. 3

8 Seja nas ações como o habeas corpus e o Recurso Extraordinário, a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ou ainda em termos como controle abstrato e controle incidental essa temática é fio condutor das atividades de uma corte constitucional. Ademais, há infindável número de trabalhos sobre a matéria, que podem ser buscados, de sorte que tratá-la da forma merecida seria desnecessário. Há alguns breves esclarecimentos no item que trata das competências do Tribunal, mas o aprofundamento nesse tema é uma das primeiras recomendações que se faz aos delegados. Porém, não há motivo para preocupação, uma vez que todos os bons manuais de Direito Constitucional perpassam ambas as matérias. Indicam-se aqueles que nortearam a redação do guia, cujos autores são Kildare Gonçalves, Gilmar Mendes/Inocêncio Coelho/Paulo Gustavo Branco, Uadi Bulos, Bernardo Gonçalves, José Afonso da Silva e Paulo Bonavides, todos devidamente citados na bibliografia. Além disso, há ótimos artigos que podem ser encontrados na internet. Com isso não se abraça apenas os estudantes que já chegam com muita experiência e conhecimento. Ao contrário, tem-se aqui uma iniciativa que objetiva estimular que todos agreguem novos fatos a seu arcabouço jurídico, social e de vida. Dessa forma, não se espera um comitê formalista, que se atenha apenas às minúcias do direito, mas sim delegados que compreendam a relevância material do poder que terão em mãos. O exercício de simular só tem sentido quando o aluno se coloca no lugar de outrem, com todas as responsabilidades e consequências de seus atos. Esse fenômeno encontra manifestação ímpar na mais alta corte do país, que toma decisões de grande concretude e tem potencial de interferir drasticamente para bem ou para mal nos rumos da democracia brasileira. Cabe lembrar que o guia não será um emaranhado de palavras complicadas que só turvará ainda mais o complexo mundo do direito. É do interesse de todos que a comunicação seja a mais fluida possível, por isso o texto é enxuto e objetivo em conteúdo e forma. Não por ausência de recursos, mas para realizar seus objetivos de ser apenas norteador da pesquisa. Por último, deve-se dizer que a equipe do comitê optou não por combater, mas sim abraçar a ideia de que este seria um material forjado a quatro mãos. Por isso, no guia de regras se assume que cada diretor possui uma especialização funcional. Com efeito, este guia foi elaborado para poder ser lido e entendido como um todo. Porém, pari passu, pode ainda ser compreendido como um conjunto de quatro artigos, que, em homenagem à peculiaridade de seus temas, receberam estruturação diferenciada quando pormenorizados. 4

9 Durante toda essa epopeia, os delegados não estarão sozinhos. Contarão com os mais interessados diretores, que não hesitarão em ajudá-los em sua preparação e durante o evento. Seja por , facebook (grupo do comitê ou inbox dos diretores) ou telefone, estarão às ordens, não para poupar os delegados de seus trabalhos, mas para contribuir com o crescimento de seus Ministros e com a verdadeira oportunidade que é o TEMAS! Título I: Do Supremo Tribunal Federal Subtítulo I: Breves considerações históricas: Na década de 1530, por ordem do rei D. João III, sob o comando de Martim Afonso de Sousa, deu-se início, no Brasil, um processo de colonização e povoamento que se pretendia mais eficiente dos que os adotados até então, de sorte que a terras da colônia foram divididas nas chamadas capitanias hereditárias. A tentativa de iniciar a exploração colonial por meio da iniciativa privada obviamente não logrou êxito, pois a escassez quase completa de recursos fez com que alguns donatários não arriscassem seus bens nessa empreitada e os que o fizeram, em sua larga maioria, perderam muito alguns até a própria vida 1. Com efeito, passaram-se muitos anos de tentativas de organização da exploração da colônia por parte da metrópole portuguesa até que fosse possível instalar, no Brasil, um aparato administrativo que pudesse operar e tentar cumprir suas competências. Apenas em 1609, por alvará do rei D. Felipe III, foi fundada, em Salvador, a Relação do Brasil, primeiro órgão judicante da colônia, incipiente forma de instância superior do Poder Judiciário. Observa-se que uma estrutura tida como indispensável hodiernamente demorou mais de setenta anos para ser instalada no Brasil, ineficiência administrativa que cobraria seu preço ao longo da história do futuro país independente que o Brasil viria a ser. Em homenagem à brevidade, cabe apenas relatar que no Período Colonial, em 1763, a Relação do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro com o nome de Relação do Rio de 1 KOSHIBA, Luiz. PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. 8ª edição. São Paulo: Ed. Atual, P ; 5

10 Janeiro e, em 1808, quando da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, o Tribunal passou a ser chamado de Casa de Suplicação do Brasil. Com a Independência veio a Constituição Imperial de 1824, primeira Lei Suprema do Brasil. Em seu art. 163 estava disposto: Na Capital do Império, além da Relação, que deve existir, assim como nas demais Províncias, haverá também um Tribunal com a denominação de Supremo Tribunal de Justiça, composto de Juízes letrados, tirados das Relações por suas antiguidades; e serão condecorados com o título de Conselho. Na primeira organização poderão ser empregados neste Tribunal os Ministros daqueles que se houverem de abolir. O Supremo Tribunal de Justiça, integrado por 17 juízes, foi instalado em 9 de janeiro de 1829, na Casa do Ilustríssimo Senado da Câmara, tendo subsistido até 27 de fevereiro de Suas funções se limitavam a julgar alguns recursos específicos, bem como autoridades com prerrogativa de foro. O coup d etat que deu origem à República, também ensejou os moldes atuais de nossa Suprema Corte, o que fica evidente na Constituição de 1891, primeiro aparato normativo a trazer a denominação Supremo Tribunal Federal para a mais alta corte do país, que seria a última instância recursal do Poder Judiciário e órgão responsável pelo controle constitucional do ordenamento jurídico. A influência da doutrina jurídico-política norte-americana não ficou apenas no nome do país Estados Unidos do Brasil, mas sim avançou nas concepções de corte suprema e na organização do Poder Judiciário. Até uma Emenda Constitucional de 1926, é de destaque o papel legado ao habeas corpus, principalmente pela atuação de Rui Barbosa, que pregava que o remédio constitucional deveria dedicar-se à proteção de todos os direitos fundamentais previstos na Lei Maior. A chamada Doutrina do habeas corpus recebeu severas críticas do Ministro Pedro Lenza, mas foi adotada em julgados polêmicos do Supremo, como a decretação da inconstitucionalidade do Código Penal da Marinha. Os atritos com o Executivo, ainda no início da judicatura da nova suprema corte levaram à supracitada emenda, que determinou que a referida ação constitucional se prestava apenas à proteção da liberdade ambulatorial, como defendia Lenza. A Constituinte aventou a possibilidade de conferir ao Supremo o poder de controle abstrato, mas a ideia não prosperou. A Carta de 1934 também não apresentou ações de controle abstrato no rol de competências do Supremo, mas trouxe uma interessante inovação. Entendeu-se que decisões 6

11 de inconstitucionalidade do STF poderiam ter efeitos erga omnes, contudo, pelo seu efeito nas espécies normativas vigentes, o Senado foi eleito como órgão responsável pela suspensão de execução das leis taxadas com esse vício. O instituto que constava do antigo art. 90, IV, encontra par no art. 52, X da Constituição da República. A Constituinte de 1934 viu ser apresentado projeto de criação de uma corte constitucional nos moldes austríacos idealizados por Kelsen. Contudo, a influência do pensamento estadunidense em matéria de jurisdição constitucional era muito forte e o projeto também não foi positivado. A Constituição de 1937, apelidada de Polaca, estendeu seu autoritarismo também ao Pretório Excelso, uma vez que o Presidente da República tomou para si o poder de nomear o Presidente da Casa, bem como foi criada a faculdade de o Parlamento Nacional suspender decisões de inconstitucionalidade do STF. Essa competência foi exercida principalmente pelo próprio titular do Poder Executivo da União, por meio de decretos-lei. Esses atos foram justificados com a noção de que a jurisdição seria antidemocrática e potencialmente ofensiva aos interesses do povo. Em 1946, uma nova Lei Maior consagrou um regime democrático. Contudo, não houve grandes alterações no que tange o STF até o Estado Novo. O controle incidental foi mantido nos mesmos moldes e a suspensão de execução pelo Senado ainda era a única forma de emprestar eficácia erga omnes às decisões de inconstitucionalidade. Inovação que merece relevo foi a criação de uma espécie de ação direta, em que o Procurador Geral da República (doravante, em todo o guia, PGR) podia arguir violação a princípio constitucional sensível constantes do art. 7º da Carta Política e requisitar ao Supremo que determinasse representação interventiva. A ADI Interventiva foi positivada no art. 34, VII da Constituição de 1988 e segue o mesmo espírito de sua ancestral. Outra curiosidade interessante é o fato de que essa Constituição instituiu a composição do Tribunal Pleno com onze Ministros, número igual ao atual, segundo a disciplina do art. 101 CR/88. O Regime Civil-Militar instaurado com o Golpe de 1964 foi marco de ingerências por parte do Executivo no Judiciário. Diversos atentados à autonomia dos Poderes foram perpetrados, mas nenhum tão gravoso como o Ato Institucional número 5, que alterou drasticamente a ordem constitucional vigente. Além de suspender as garantias constitucionais, suspendeu as garantias da magistratura e afastou três Ministros, por meio de aposentadoria compulsória. 7

12 A Constituição Cidadã de 5 de outubro de 1988 foi verdadeira solução compromisso. Sua disciplina para o Supremo será analisada conjuntamente com o Regimento Interno (RISTF pelo restante do guia) nas duas próximas seções. Para aqueles que se interessarem pelo aprofundamento nas leituras acerca da história do STF, aconselha-se a leitura das três fontes bibliográficas de maior importância na redação deste ponto, elencadas em hierarquia de utilização: Jurisdição Constitucional, de Gilmar Mendes. P. 24 a 40 2 ; Curso de Direito Constitucional, de Gilmar Mendes, Inocêncio Coelho e Paulo Gustavo Branco. P. 980 a 990; O Supremo Tribunal Federal, de Oscar Corrêa. P 70 e ss; Link da página do STF: orico. Subtítulo II: Funcionamento da Corte: O artigo 92, 1º e 2º 3 da CR/88 determinam que o STF tem sede na Capital Federal, bem como jurisdição em todo o território nacional. No art. 101, a Constituição começa a tratar especificamente sobre o Supremo e disciplina o processo de escolha dos Ministros: Art O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal 4. É interessante ressaltar que para ser Ministro da Suprema Corte Brasileira não é necessário que a pessoa seja magistrada ou mesmo bacharel em Direito. 2 As páginas tem como referência a edição citada na bibliografia; 3 Com redação dada pela EC 45/2004, conhecida como Reforma do Judiciário ; 4 Constituição da República disponível em: 8

13 A Constituição ainda reconhece ao Tribunal iniciativa exclusiva em projeto de lei sobre o Estatuto da Magistratura, que regulamenta o ofício judicante no país. As determinações constitucionais abstratas são complementadas pelo RISTF 5, que teve força de lei garantida pela Constituição de Contudo, a EC 7/77 obrigou revisão completa do antigo regimento. O resultado é o dispositivo atual, que data de A Carta de 1988 não autorizou o Supremo a editar normas regimentais sobre processo 6 e decisão. No entanto, até que lei seja editada sobre essas matérias, o regimento deve aplicar-se segundo entendimento majoritário na Corte. As demais questões mantêm a previsão regimental. O RISTF tem importância fundamental na condução dos trabalhos da Corte: ele trata das competências do Presidente (inclusive com menção a sua atuação no Conselho Nacional de Justiça art. 103-B, I CR/88), das Turmas (art. 4, 4º e art. 66 do RISTF, e.g.), de quórum (oito dos onze Ministros), de número de votos que compõem maioria (seis votos) e da exclusão de Ministros em caso de impedimento ou suspeição (art. 277 RISTF). Vale notar que desde 1985, o Supremo consolidou entendimento no sentido da inadmissibilidade de exclusão de Ministros em ações de controle abstrato. O regimento é muito extenso e trata de diversos formalismos que não são o foco do comitê. Nos momentos em que ele se fizer importante o guia lhe dará algum destaque. Aconselha-se, no entanto, que os delegados o tenham a mão, pois sua consulta no decorrer dos processos pode ser valiosa 7. Finalmente, cabe tratar de um tema relevante para o STF e para o comitê. O Supremo não delibera apenas com base em questões de tecnicismos jurídicos e exegéticos. Seus Ministros também se amparam em questões de fato, na concretude da realidade sociopolítica e econômica para emitir suas sentenças. Sua Excelência, o Eminente Ministro Gilmar Mendes cunhou o termo prognoses para se referir a esses elementos que embasam as decisões do 5 Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disponível em: 6 Historicamente o processo no Supremo foi regulamentado pelo Código de Processo Civil em paralelo com o RISTF. Contudo, a nova ordem constitucional criou dilemas processuais complexos. Exemplo de grande valia foi a polêmica acerca dos embargos infringentes na Ação Penal 470, em setembro de O Plenário dividiu-se acerca da aplicação do Regimento ou da Lei Número 8.038/90. Uma vez que o foco dos debates deve ser a matéria e não o processo civil em si (salvo em algumas preliminares de mérito), espera-se que as questões processuais tenham relevância menor no comitê, para otimizar a fluência e profundidade das discussões; 7 9

14 Tribunal 8. Para tanto, o STF conta com os chamados amici curiae, termo em latim plural de amicus curiae que pode ser traduzido literalmente como amigos da corte. Esse termo designa pessoas que vão falar na tribuna do Plenário ou das Turmas ou enviam parecer escrito e têm a função de representar instituições relevantes para o processo ou mesmo de fornecer informações técnicas, caso o conhecimento dos Ministros seja insuficiente 9. Um amicus curiae costuma ser um advogado, seja de pessoa ou instituição. Caberia ao Ministro Relator despacho irrecorrível para que amici curiae sejam arrolados. No entanto, assim como no caso da Presidência, esse poder de convocação será transferido à Mesa Diretora da simulação. Cabe ainda ressaltar que exemplo de previsão da convocação de amigos da corte são disciplinados pela lei nº. 9868/99, em seu art. 7º, 2º, no tocante a ADIs e ADCs. Subtítulo III: Competências da Corte: Cabe abrir essa seção com um esclarecimento sobre o desenvolvimento de seu texto. Como bem já adiantou a Introdução do guia, não será esmiuçada a teoria do controle de constitucionalidade. Apesar de ser matéria que, comumente, se encontra ao final dos cursos de direito do Brasil, não seria pertinente a um guia que se objetiva simples aventar tudo o que há sobre a matéria. Assim, será dada notícia, apenas para que termos que já tenham sido usados ou que ainda o serão possam ter compreensão facilitada. Além disso, o estudo de cada um dos casos que serão discutidos pelo comitê trará considerações sobre o tipo da ação ajuizada, o que também ajudará nos estudos do tema. Entender o controle de constitucionalidade é fundamental para se entender a atividade do Supremo, portanto, mais uma vez, aconselha-se que esse seja um dos primeiros pontos de aprofundamento dos estudos. Adentrando as competências do STF, a doutrina divide-as em basicamente duas espécies: a competência recursal (art. 102, II e III CR/1988) e a originária (art. 102, I CR/1988). A questão é tão simples como os nomes fazem parecer: na primeira, o Tribunal recebe recurso (ordinário ou extraordinário) de decisão de uma instância inferior e faz papel de nível superior do Poder Judiciário; na segunda, trata-se de ações que podem ser ajuizadas 8 NARANJO, Leonardo. VARGAS, Henrique Mendes de. CERIZZE, Mariana. TEMAS 8 Minorias 2012; Supremo Tribunal Federal: União Estável Homoafetiva e Direitos Fundamentais das Minorias; 9 Audiências públicas realizadas pelo STF também podem ter a função de agregar conhecimento técnico e de fazer ouvir a visão da sociedade civil sobre uma ação; 10

15 diretamente na Suprema Corte, como as ações de controle abstrato, remédios constitucionais com polos passivo e ativo específicos, extradições e ações penais com réus detentores de prerrogativa de foro, e.g. Comparativamente a suas antecessoras, a Constituição de 1988 expandiu largamente o rol de competências do STF. Principalmente as competências originárias, uma vez que trouxe previsão para ações diretas controle, como a ADI, ADC (Ação Direta de Constitucionalidade) e ADPF, bem como algumas inovações, como o controle das omissões legislativas no Mandado de Injunção e a possibilidade de obtenção de informações pessoais que o Estado detenha, por meio do habeas data. Em lugar de analisar cada competência, convém deixar a Lei das Leis falar por si: Art Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual; a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;(redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999) d) o "habeas-corpus", sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o "habeas-data" contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal; e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território; f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta; g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro; h) a homologação das sentenças estrangeiras e a concessão do "exequatur" às cartas rogatórias, que podem ser conferidas pelo regimento interno a seu Presidente; (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 11

16 i) o "habeas-corpus", quando o coator ou o paciente for tribunal, autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 22, de 1999) j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados; l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados; o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal; p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade; q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal; r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II - julgar, em recurso ordinário: a) o "habeas-corpus", o mandado de segurança, o "habeas-data" e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; b) o crime político; III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Parágrafo único. A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. 1.º A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. (Transformado em 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93) 2.º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. (Incluído em 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93) 12

17 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Cada uma das supracitadas ações tem disciplina, legislação e doutrina próprias. Contudo, como já foi dito, as ações pertinentes ao comitê serão tratadas em cada caso específico, com conceituação, histórico e pontos de importância para os debates. Mais uma vez aconselha-se algum aprofundamento neste item (os cinco tipos de ação que serão apregoadas), para que os delegados tenham noção (jurídica e não só fática) do que estão julgando e de seus efeitos no ordenamento pátrio. Entre as mudanças feitas pelo Constituinte Originário, merece destaque a aproximação do modelo austríaco de corte constitucional, por meio de ações diretas de controle concentrado com efeitos erga omnes (art. 102, 2º - CR/1988). A ADI e a ADC encontram-se previstas no art. 102, I, a CR/1988 e, apesar de possuírem lei que as discipline (Lei número 9.868/1999), também constam do art. 103 da Carta Política: Art Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa; V - o Governador de Estado; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 13

18 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal. 2º - Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. A ADPF encontra-se nos mesmos moldes, prevista no art. 102, 1º da Constituição e disciplinada na Lei número 9882/1999. Todas essas ações foram verdadeiro avanço no papel dúplice do STF como mais alta instância do Poder Judiciário e Corte Constitucional. O controle concentrado ou abstrato se define a partir de um órgão com competência exclusiva para decidir sobre a constitucionalidade de um dispositivo normativo ou ato do poder público e emprestar efeito vinculante a seu veredito, em toda a sua jurisdição. No caso da Carta de 1988, tem-se o Supremo, e para as Constituições Estaduais, os Tribunais de Justiça de cada Estado-membro da Federação e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A autorizada doutrina do Professor Canotilho (2009) postula que não há lide entre dois polos nos processos de controle abstrato, mas sim um verdadeiro esforço das partes e da Corte para proteger a Constituição. Pari passu, tem-se o controle difuso ou incidental de constitucionalidade, aquele historicamente exercido pela Suprema Corte por meio de recursos extraordinários (RE). A mesma atribuição foi legada à Corte pelo art. 102, III, a, b, c CR/88. Contudo, os efeitos da decisão do Plenário ou das duas Turmas possui efeitos inter partes e não erga omnes, como na via concentrada. Assim, apenas as partes da lide são vinculadas pela sentença, bem como a inconstitucionalidade só se verifica nos limites do pedido. Por essa razão, foi mantido o instituto da suspensão da execução, de modo que o Senado Federal ainda pode ungir com a oponibilidade contra todas as decisões do Supremo em sede de RE (art. 52, X CR/1988). Vale salientar que todas as instâncias da Justiça Brasileira, por meio de seus órgãos competentes, têm poder para proferir esse juízo de fiscalização constitucional (daí o caráter difuso do controle), mas no caso dos TJs, deve-se recorrer às Assembleias Legislativas e não ao Senado, para se proceder com a suspensão. Recorrer ao Poder Legislativo ainda é a única forma de ser retirar formalmente uma lei do ordenamento jurídico. Em outras palavras, as 14

19 decisões fruto do controle abstrato ou incidental 10 inconstitucional, apenas afastam sua aplicação. não revogam a norma declarada Estudo da mais alta qualidade é realizado pelo professor Kildare Gonçalves em seu manual (2009) página 361 à 588 da edição citada na bibliografia. Precedentes como a Denúncia número 103/1951, Rel. Min. Luiz Galotti e a Reclamação número 2138/DF, julgada em 2003 sob a relatoria do Min. Carlos Velloso, asseveram a existência de competências implícitas do Tribunal, mesmo em um sistema de constituição analítica, como o Brasileiro. Mais uma vez, relembrar o magistério de Gomes Canotilho (2002) se faz mister. O ilustre professor português mostra que a força normativa constitucional é incompatível com a adoção de competências não explícitas para um tribunal. A essa regra geral, coloca duas exceções que são complementares às competências positivadas: o aprofundamento necessário da competência (por exemplo, o tribunal que decide é competente para deliberar acerca de forma da decisão) e o preenchimento de lacunas por meio de raciocínio analógico. Nessa seara, tem-se como exemplos a competência do Supremo para julgar mandado de segurança contra ato de Comissão Parlamentar de Inquérito, bem como para julgar habeas corpus contra a Interpol em face de mandado de prisão emitido por magistrado estrangeiro. Outros dois assuntos que merecem ser trazidos à baila também foram adventos da EC- 45/2004, a Reforma do Judiciário. Primeiramente, tem-se a súmula vinculante (SV para este guia), prevista no art. 103-A da Carta Magna e regulamentada pela Lei número /2006: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº , de 2006). 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 10 É importante ressaltar que o juízo de constitucionalidade pode se fundar em aspectos materiais (o conteúdo do dispositivo normativo ou o ato do Poder Público) e formais (o processo de elaboração da norma ou formalidades que são requisitos do ato). Em ambos os casos, mantêm-se o âmbito dos efeitos do tipo de controle em questão; 15

20 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.(incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Desde os tempos de Casa de Suplicação, o STF edita súmulas como forma de consolidação densificada de sua jurisprudência. No entanto, a ideia de um precedente vinculante (o binding precedent do sistema de Common Law) só foi normatizada em A criação do instituto da súmula vinculante tinha como fim tornar mais célere a tramitação de processos na morosa justiça brasileira e, para evitar o prolongamento da lide com infindáveis recursos, deu poder para o Supremo editar normas obrigatórias gerais. Segundo o Min. Gilmar Mendes (2009), o fito material desse instrumento é sanar controvérsias atinentes à validade, eficácia e interpretação de normas ante a Constituição. Assim garante-se uniformização na jurisprudência de todo o país em alguns casos mais cinzentos e consequente aumento da segurança jurídica. A edição de SVs possui requisitos constitucionais: a aprovação de dois terços dos Ministros (para edição, revisão ou cancelamento) e a fundamentação em reiteradas decisões da Corte. Veda-se assim a súmula que deite raízes em julgados isolados. É necessária a convergência de precedentes que sejam fruto de debates maturados no Plenário ou nas Turmas. Além disso, o próprio Supremo Tribunal vincula-se ao entendimento contido na súmula vinculante e dele só pode se afastar mediante ato formal que expresse a revogação daquele entendimento e, consequentemente, do dispositivo. Trata-se de instituto que foi e é alvo das mais diversas críticas doutrinárias, uma vez que confere a um órgão judicante o poder de editar aparato equivalente a uma lei. Argumentase que em sistemas de tradição romanistas a tripartição dos Poderes erige-se a partir de um órgão criador do direito e outro aplicador. Os questionamentos são contundentes e impõem ao tribunal tato ao tratar dessa temática. Em segundo, tem-se a repercussão geral, previsto no art. 102, 3º CR/1988: 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o 16

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