Aumento no tamanho global do corpo ou tamanho atingido por partes específicas do corpo

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1 Crescimento Aumento no tamanho global do corpo ou tamanho atingido por partes específicas do corpo Três processos celulares subjacentes: hiperplasia (aumento no número de células); hipertrofia (aumento no tamanho das células); acreção (aumento nas substâncias inter-celulares) Maturação Processo inerente ao tornar-se maduro ou tempo de progresso até ao estado biológico maduro (natureza direccional) Varia de acordo com o sistema biológico considerado (maturidade sexual, maturidade esquelética...) Consideráveis variações individuais nos níveis de maturação 1

2 Desenvolvimento Desenvolvimento biológico Diferenciação de células segundo linhas de especialização e refinamento de funções Processos pré-natais e pós-natais Desenvolvimento comportamental Emergência e refinamento de competências numa variedade de domínios interrelacionados à medida que a criança se ajusta ao seu meio cultural (símbolos, valores, habilidades e comportamentos característicos de uma população) Competência cognitiva ou intelectual, competência moral, competência social, competência emocional... Enculturação Conceito desenvolvido no interior da antropologia cultural (Herskovits, 1948) Processo pelo qual as crianças e os jovens aprendem e adoptam as formas e os modos julgados necessários no âmbito de uma cultura, sem que tal decorra de ensino específico e deliberado Envolve os pais, outros adultos e pares (modelos apropriados), numa rede de influências que são susceptíveis de limitar, moldar e dirigir o desenvolvimento individual Relativa aos produtos do processo de socialização - aspectos da cultura de natureza subjectiva, subjacente e psicológica que vão sendo internalizados no decurso do desenvolvimento Ocorre mediante o envolvimento dos indivíduos pela sua cultura de pertença, levando-os à incorporação de comportamentos apropriados nos seus repertórios (competência cultural geral) 2

3 Socialização Conceito desenvolvido no interior da sociologia e da psicologia social Processo de aprendizagem e internalização de regras e de padrões para comportamento mediante instrução Ocorre no decurso de um longo processo temporal e envolve a aprendizagem e o domínio deliberados de normas, atitudes, valores e sistemas de crenças de natureza social e cultural Agentes socializadores Variabilidade nos processos e nos resultados da socialização Aculturação Processo de adaptação (ou adopção) a uma cultura diferente daquela em que o indivíduo foi enculturado Mudanças ocorridas num grupo cultural ou num indivíduo em resultado do contacto com outra cultura Estratégias de aculturação: assimilação (abandono da sua própria cultura), integração (manutenção da herança cultural), separação (manter a própria cultura e evitar a participação) e marginalização (não mantêm a herança cultural e não participam) Adaptação psicológica à aculturação Stresse aculturativo (ansiedade, depressão e sintomas psicossomáticos) Adaptação sócio-cultural à aculturação 3

4 CULTURA, BIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO Desenvolvimento filogenético e desenvolvimento ontogenético Co-evolução, sob a forma de interacção dialéctica, entre a filogenia (mecanismos filogenéticos) e a história cultural A evolução cultural (criação, uso, modificação e acumulação de artefactos; linguagem; organização e cooperação social) começa a interactuar com os princípios da evolução biológica Parte substantiva da expansão cortical humana sequenciou dealbar da cultura Sobreposição entre mudanças culturais e mudanças biológicas (ainda que menos acentuadas a partir do homo sapiens) Interdependência entre a maquinaria navegacional do cérebro no corpo e os mapas de rotas para viver e sobreviver facultados pela cultura Factores de modelação somática do homem no processo de desenvolvimento filogenético A viabilidade do sistema nervoso humana implica a aquisição de cultura A história e as circunstâncias de cada pessoa reflectem-se na circuição única e individual do seu cérebro (re-educação sináptica) CULTURA, BIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO Contextualização cultural-histórica do processo de desenvolvimento ontogenético Mudança filogenética, mudança cultural e mudança ontogenética Coincidência e entrelaçamento das linhas (cordas com muitos fios) natural e cultural do desenvolvimento, da filogenia e da história cultural no decurso da ontogenia Enfatização dos sistemas de mediação cultural (linguagem, simbologias e práticas culturais, interacções, artefactos) em interacção com as possibilidades/restrições biológicas Centralidade das actividades quotidianas cultural e socialmente organizadas A heterogeneidade dos processos cognitivos suporta-se nas actividades sociais Factores bio-psico-sócio-culturais da performance desportiva 4

5 Contextualização e indigenização da psicologia do desenvolvimento (Gardiner, 2001) Os resultados das investigações monoculturais da psicologia geral não se adequam nem respondem aos processos e às necessidades desenvolvimentais de vastas e diversificadas populações Necessidade de se examinarem os contextos sociais, regionais, étnicos e as inerentes influências culturais constitutivas da diversidade psicológica e comportamental no desenvolvimento humano Atenção às condições sócio-económicas adversas Crianças em circunstâncias particularmente difíceis (Aptekar & Stocklin, 1997) Modelo Ocidental = modelo humano/familiar de independência (Kagitcibasi, 1996) Educação de crianças em cenários híbridos ou biculturais (Eldering, 1995) TEORIA DOS ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE PIAGET Teoria dos 4 estádios Sensório-motor (0-2 anos) Ansiedade na presença de estranhos, aquisição da permanência do objecto, aquisição da linguagem, imitação diferida e imagens mentais Pré-operativo (2-6/7 anos) Não conservação, centração, irreversibilidade, egocentrismo e animismo Operações concretas (6/7-11 anos) Conservação, focagem em mais do que uma característica de um problema, resolução por tentativas e erros Operações formais (a partir dos 11 anos) Pensamento lógico acerca de conceitos abstractos, racionalização e sistematização Assimilação e acomodação como mecanismos primários responsáveis pela transição entre estádios 5

6 PERSPECTIVAÇÃO TRANSCULTURAL DA TEORIA DOS ESTÁDIOS DE PIAGET Os estádios sucedem-se segundo a mesma ordem nas diferentes culturas? Aparentemente sim As idades associadas a cada estádio do desenvolvimento são as mesmas em todas as culturas? Surpreendentes variações culturais nos 3ºe 4ºestádios Existem variações culturais no interior dos estádios, mais do que entre os mesmos? Consideráveis variações culturais As culturas não ocidentais consideram o raciocínio científico como o culminar do desenvolvimento? Claramente não PERSPECTIVAÇÃO TRANSCULTURAL DA TEORIA DOS ESTÁDIOS DE PIAGET Aspectos conclusivos Em algumas culturas, são raras as pessoas capazes de concluírem as tarefas inerentes ao 4ºestádio (testes culturalmente desajustados e pouco significativos para outras culturas) Pessoas que não tenham frequentado o ensino secundário ou a universidade em sistemas escolares ocidentalizados obtêm performances paupérrimas em testes de operações formais (Laurendeau-Bendavid, 1977; Shea, 1985) Tarefas piagetianas dependerão mais de conhecimentos prévios e de valores culturais do que propriamente de habilidades cognitivas 6

7 PERSPECTIVAÇÃO TRANSCULTURAL DA TEORIA DOS ESTÁDIOS DE PIAGET Aspectos conclusivos Existem consideráveis diferenças no interior de cada cultura a nível do desenvolvimento cognitivo (ex.: ao contrário do postulado por Piaget, o raciocínio científico parece não estar muito bem distribuído nas sociedades ocidentais) Impossibilidade em demonstrar a universalidade do 4ºestádio Incompatibilidade entre experimentador e experimentando relativamente à noção do que está a ser avaliado Enfatizou os factores ambientais, mas dispensou pouca atenção aos factores sociais e culturais TEORIA DOS ESTÁDIOS MORAIS DE KOHLBERG Moralidade pré-convencional Submissão às regras como forma de evitar punições e de obter recompensas Moralidade convencional Ênfase na conformação às expectativas dos outros e na manutenção da ordem social e das regras instituídas Moralidade pós-convencional Focagem nos direitos individuais gerais partilhados por toda a sociedade Ênfase no raciocínio moral conforme à consciência e aos princípios individuais (independentemente das leis sociais ou dos costumes culturais) Escolha pessoal dos princípios éticos da justiça, dos direitos humanos e do respeito pela dignidade de cada ser humano 7

8 CULTURA E RACIOCÍNIO MORAL (Miller, 2001) Kohlberg chegou a admitir, inicialmente, que os níveis pós-convencionais estavam ligados à Ocidentalização, urbanização e estatuto sócioeconómico O esquema de Kohlberg é culturalmente circunscrito e reflecte uma perspectiva cultural que é Ocidental liberal moderna (Simpson, 1974) O raciocínio moral evidencia uma relação positiva com a educação, a urbanização e a Ocidentalização (Rest et al., 1999) Os significados e as práticas culturais afectam a definição de moralidade, condicionam a natureza e a aplicação dos códigos morais nas situações quotidianas e produzem diferenças qualitativas no raciocínio moral CULTURA E RACIOCÍNIO MORAL (Miller, 2001) Variações culturais e históricas nos domínios das crenças morais específicas e dos comportamentos moralmente relevantes Certos temas que envolvem matéria de escolhas pessoais nas populações seculares Americanas (comer ou não carne de vaca) são categorizados como violações morais pelas populações Hindus ortodoxas da Índia (Shweder, Mahapatra & Miller, 1987) Enquanto os Americanos tendem a considerar as responsabilidades interpessoais como compromissos discricionários, os Indianos tendem a atribuir-lhe um estatuto de obrigação moral Miller e Bersoff (1992): os sujeitos indianos (aprendizagem de um sentido mais generoso de responsabilidade social), mais do que os americanos, concebem o não ajudar alguém necessitado como uma transgressão moral 8

9 ESTUDOS TRANSCULTURAIS NO DOMÍNIO DO RACIOCÍNIO MORAL Snarey (1985): revisão de estudos no domínio do raciocínio moral envolvendo sujeitos de 27 países diferentes, concluindo que o raciocínio moral apresenta uma especificidade cultural muito superior ao originalmente sugerido por Kohlberg Apenas 6% das respostas reflectiam uma mescla de preocupações convencionais e pós-convencionais (estádios 4 e 5) Tão-só 2% das respostas tendiam a ser puramente pós-convencionais (populações urbanas da classe média Ocidental) As crianças chinesas tendem a atribuir maior prioridade a preocupações altruístas e relacionais, ao passo que as crianças Islandesas atribuem maior prioridade a considerações contratuais e de auto-interesse (Keller, Edelstein, Fang & Fang, 1998) ESTUDOS TRANSCULTURAIS NO DOMÍNIO DO RACIOCÍNIO MORAL Ao contrário dos Americanos de ascendência europeia, os Hindus Indianos absolvem mais frequentemente de responsabilidade moral os agentes que violam a justiça sob compulsão emocional, imaturidade ou outros factores situacionais potencialmente atenuantes (Bersoff & Miller, 1993; Miller & Luthar, 1989) Grande ênfase na sensibilidade contextual por parte dos códigos morais enraizados nas tradições culturais Confucianas, em contraposição com as tradições culturais Judaico-cristãs (Dien, 1982) Uma acentuada valorização cultural da hierarquia leva as populações Hindus ortodoxas da Índia a justificarem moralmente os privilégios desiguais entre homens e mulheres (Shweder et al., 1987) Moralidades interpessoalmente orientadas vs. moralidades orientadas para o individualismo e a autonomia pessoal 9

10 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO SÓCIO-EMOCIONAL DE ERIKSON Oito estádios gerais: 0-18 meses: confiança / desconfiança 8 meses-3 anos: autonomia / vergonha 3-6 anos: iniciativa / culpa 6-12 anos: indústria / inferioridade 12-18/20 anos: identidade / confusão 18/20-30 anos: intimidade / isolamento anos: generatividade / estagnação após os 65 anos: integridade / desespero TEORIA DO DESENVOLVIMENTO SÓCIO-EMOCIONAL DE ERIKSON NUMA PERSPECTIVA TRANSCULTURAL Suporta a diversidade cultural ao nível da enculturação Diferenças de grau nas resoluções dicotómicas dos conflitos Séries de resoluções ao longo da vida Variações culturais na definição de resoluções bem sucedidas Diferentes culturas fornecem diferentes tendências para as resoluções dos conflitos Diferenças culturais em termos de designações Culturas individualistas vs. colectivistas Progressão ordenada, mais do que fixa (Erikson, 1950) 10

11 TEMPERAMENTO Um estilo de interacção com o mundo que está presente desde o nascimento e que supostamente é de base biológica Três grandes categorias de temperamento (Thomas & Chess, 1977) Temperamento fácil estilo de comportamento muito regular, adaptável e ligeiramente intenso, apresentando-se como positivo e compreensivo Temperamento difícil estilo de comportamento intenso, irregular, retraído, geralmente marcado por humores negativos Temperamento lento a animar-se (slow-to-warm-up) típico de crianças que necessitam de tempo para realizarem transições entre actividades e experiências Interacção entre os temperamentos de filhos e pais parece ser decisivo no desenvolvimento da personalidade (goodness of fit) ESTUDOS TRANSCULTURAIS RELATIVOS AO TEMPERAMENTO As diferenças de temperamento encontradas como características de um grupo cultural podem reflectir diferenças nas histórias genéticas e reprodutivas Deve considerar-se a influência da interacção entre as respostas dos pais e o temperamento da criança Temperamento sossegado e plácido em crianças pertencentes a backgrounds asiáticos e nativos (América) posteriormente estabilizado pelas respostas das mães (crianças Navajo e Hopi) 11

12 ESTUDOS TRANSCULTURAIS RELATIVOS AO TEMPERAMENTO Freedman (1974): bebés Sino-Americanos são mais calmos e mais plácidos do que os Euro-Americanos e Afro-Americanos; as mesmas diferenças foram encontradas em crianças Navajo e de ascendência Japonesa Chisholm (1983): confirmou que as crianças Navajo são mais calmas do que as Euro-Americanas; ligação entre a condição da mãe durante a gravidez (elevados níveis de pressão sanguínea) e a irritabilidade da criança Este último resultado foi encontrado em crianças Australianas brancas e aborígenes, Chinesas e da Malásia (Garcia Coll, 1990) VINCULAÇÃO Ligação especial que se desenvolve entre a criança e aquele que cuida da mesma Proporciona segurança emocional Separação é geradora de ansiedade e de angústia Experiências de Harlow e Harlow (1969) Existência de bases biológicas, pré-programadas para a vinculação (Bowlby, 1969) Três diferentes estilos de ligação: seguro, evitante e ambivalente (Ainsworth, Blehar & Wall, 1978) Confiança básica (Erikson, 1963) 12

13 ESTUDOS TRANSCULTURAIS NO DOMÍNIO DA VINCULAÇÃO Culturas diferem relativamente à noção de ligação ideal Mães americanas ligação segura Mães alemãs ligação evitante Crianças israelitas dos Kibbutz maioria revelam ligações ambivalentes ansiosas Famílias japonesas tradicionais ligação ambivalente ansiosa (mães encorajam um forte sentido de dependência)?? Alguns estudos transculturais comprometem a noção, segundo a qual a intimidade com a mãe é necessária para que ocorra uma vinculação segura e saudável As crianças Efe (tribo africana) passam a maior do tempo afastadas das mães, sendo cuidadas por uma grande variedade de pessoas, com quem mantêm laços emocionais, revelando-se emocionalmente saudáveis EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS Diferentes estilos de exercício da função parental (Baumrind, 1971) Pais autoritários Pais permissivos Pais autorizados Pais não envolvidos (Maccoby & Martin, 1983) Diversas condições económicas produzem processos de socialização extremamente variados de cultura para cultura Saúde física e sobrevivência Auto-suficiência Promoção de valores culturais como moralidade e prestígio Estrutura das famílias 13

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