2º SEMINÁRIO NACIONAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO ÁREA TEMÁTICA: PLANEJAMENTO TERRITORIAL, GOVERNANÇA

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "2º SEMINÁRIO NACIONAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO ÁREA TEMÁTICA: PLANEJAMENTO TERRITORIAL, GOVERNANÇA"

Transcrição

1 2º SEMINÁRIO NACIONAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO ÁREA TEMÁTICA: PLANEJAMENTO TERRITORIAL, GOVERNANÇA O PAPEL DO G20 NA GOVERNANÇA ECONÔMICA GLOBAL APÓS A CRISE FINANCEIRA DE 2008 HEIM, Tatiana Nascimento 1 OLIVEIRA, Antonio Gonçalves de. 2 MUNIZ, Sergio T. G. 3 Resumo A presente pesquisa bibliográfica e documental tem por objetivo discutir a latência do papel do G20 na Governança econômica global após a crise financeira de A referida crise internacional colocou em evidência a carência de estruturas regulatórias do setor de finanças e ausência de coordenação de políticas macroeconômicas claras e eficazes. Em meio à crise financeira de 2008, o G20 surge como promessa de estabilização do mercado financeiro. O método utilizado foi exploratório-descritivo, uma vez que se busca explicar e proporcionar maior entendimento de um determinado problema posto, respondendo perguntas do tipo porque e como. Os resultados demonstram que embora o G20 tenha estabelecidos diversos objetivos para superação da crise internacional, verifica-se que o referido fórum apresenta problemas com a prestação de contas (accountability), transparência (disclosure) e legitimidade das instituições, o que em ultima instância reduz a sua eficácia. Palavras-chave: Crise Financeira Internacional, Governança Econômica Global, G20. 1 HEIM, Tatiana Nascimento. Pós- graduada em Direito, Logística e Negócios Internacionais e Direito Empresarial Tributário pela PUCPR, atualmente mestranda no programa de Planejamento e Governança Pública na UTFPR. 2 OLIVEIRA, Antonio Gonçalves de. Professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)- Departamento Acadêmico de Gestão e Economia (DAGEE). Professor e Coordenador Adjunto do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Planejamento e Governança Pública (PGP/UTFPR). Pesquisador e líder do Grupo de Pesquisa em Gestão Pública e Desenvolvimento (UTFPR/CNPq); Bacharel em Ciências Contábeis e em Direito, Mestre em Administração e Doutor em Engenharia de Produção. Tutor do Programa de Educação Tutorial (PET/MEC) em Políticas Públicas. 3 MUNIZ, Sergio T. G. Professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR. Coordenador do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Planejamento e Governança Pública (PGP/UTFPR); Mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (1996) e Doutor em Engenharia (Engenharia de Produção) pela Universidade de São Paulo (2005) e doutorado-sanduíche na Universidade de Paris - FRA ( ).

2 Abstract This bibliographic and documental search aims to discuss the latency of the role of the G20 in global economic governance after the financial crisis of Such international crisis has highlighted the lack of regulatory frameworks in the finance sector and the absence of clear and effective coordination of macroeconomic policies. Amidst the financial crisis of 2008, the G20 appears to promise to stabilize the financial market. The method used was exploratory and descriptive, since it seeks to explain and provide greater understanding of a particular problem posed by answering questions such as why and how. The results show that although the G20 has set several goals for overcoming the global crisis, it appears that that forum has problems with accountability, disclosure and legitimacy of institutions, which ultimately reduces their effectiveness. Keywords: International Financial Crisis, Global Economic Governance, G20. Introdução A globalização trás uma dualidade na busca de sua materialização, pois, da mesma forma em que se vive localmente, o pensamento da sociedade, dos Estados e das instituições, haja vista as evoluções e inovações, principalmente tecnológico-social havidas nas últimas décadas, necessariamente precisa ser global. Dessa forma, não faz mais sentido, principalmente nas nações ocidentais, postar-se contra a globalização, pois ela já faz parte da sociedade e da unicidade do mundo. Não obstante, este fenômeno não é isento de críticas, pois se observam pontuais apontamentos doutrinários que o mesmo além de ter proporcionado o crescimento econômico e inclusão de países, outrora relegados um segundo plano no cenário mundial, ocasionando recessões, inseguranças e destruição ambiental (STILGTZ, 2006). De fato, em razão da globalização a crise econômica global de 2008 partiu dos Estados Unidos e se espalhou rapidamente trazendo recessão e desempregos em nível global (LANGMORE). Nesse sentido, há nova concepção do modelo de Estado que desafia a dicotomia tradicional entre esfera doméstica e internacional (CAMARGO, 1999). Portanto, mostra-se necessário buscar outros caminhos para retomar o crescimento, desenvolvimento e ainda questões como, por exemplo: os desequilíbrios mundiais, recuperação da estabilidade dos sistemas financeiros, crescimento sustentável e, principalmente, a busca ao atendimento sustentável das economias emergentes (ASIA DEVELOPMENT BANK,2011).

3 A governança econômica global aparece como uma resposta à crise financeira de 2008, que embora pareça distante numa temporalidade, ainda fazem-se latentes seus reflexos para a maioria das nações, a exemplo, a crise fiscal europeia evidenciada nos últimos três anos. Neste matiz, combater a crise financeira que trazia falta de crescimento, desempregos e grande recessão os governos buscaram uma resposta conjunta aos acontecimentos (HOFMEISTER, 2009). Nesse mesmo lume, afirmou o presidente da Comissão Européia (CE) José Manuel Durão Barroso "Ninguém pode pretender estar totalmente a salvo dessa crise. Ou nadamos juntos ou nos afogamos juntos (sic.)" (GLOBO, 2008). Consoante se observa, a governança global nada mais é que um conjunto de normas, padrões e procedimentos que estabelecem a economia mundial. Esse processo é realizado por organizações internacionais conjuntamente com governos nacionais. Dentre as instituições que desempenham esse papel pode-se destacar a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional e o Grupo dos 20 países industrializados e emergentes (G20) (WALTER, 2011). O G20 é um fórum para a cooperação econômica internacional e sua composição inclui 19 países mais a União Europeia. Sua finalidade é fortalecer a economia global, melhorar as instituições financeiras internacionais, propor reformas econômicas, entre outros. Ademais, dentre os países membros da organização internacional está o Brasil (G20, 2014). É neste cenário colocado em lume que se busca responder o seguinte problema direcionador deste estudo: Qual o papel do G20 na Governança econômica global após a crise financeira de 2008? Na busca do atendimento ao objetivo de verificar o papel do G-20 no contexto da Governança Econômica Global, este estudo desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica e documental, envolvendo obras doutrinárias, documentos oficiais produzidos pelas organizações internacionais, bem como, artigos científicos relevantes publicados em revistas impressas ou eletrônicas (GIL, 2010). Este artigo, consoante sua problematização e objetivo, está subdividido em três seções seguidas das referências bibliográficas, sendo que a primeira seção pretende trazer uma contextualização e fundamentação teórica ao problema investigado, na qual trata

4 sobre a crise financeira de A segunda seção versa sobre a os conceitos basilares de governança econômica global e seu relacionamento com os países do G20 perante a crise econômica de Por fim, na terceira seção, a partir da análise dos dados demonstrados, são tecidas as considerações finais, seguidas pelas referências bibliográficas que dão sustentação a este estudo. Em relação à classificação, conforme sua finalidade, a pesquisa é considerada e básica porque tem como propósito preencher uma lacuna no conhecimento (GIL, 2010, p. 26). O método utilizado é o exploratório- descritivo uma vez que busca explicar e proporcionar maior entendimento de um determinado problema posto respondendo a pergunta do tipo porque e como (GUSTIN et al. 2013, p.295). A importância desta pesquisa está em verificar quais soluções os países do G20 apresentaram frente a crise financeira de Este estudo se mostra relevante, pois é necessário entender os impactos da crise financeira na governança global para compreender quais medidas podem e/ou devem ser tomadas futuramente. Assim, por obvio, este trabalho não tem a pretensão e nem a condição de esgotar tão relevante e extenso assunto aqui albergado. Máxime então que este estudo e um recorte de um fecundo campo para novos estudos. 2. Suporte teórico 2.1 A crise financeira de 2008 A crise financeira de 2008 ocorreu nos principais países capitalistas e com desdobramentos globais. Essa crise foi responsável pelo alargamento da importância do G- 20 uma vez que, o mundo viu-se com carência de estruturas regulatórias suficientes para o setor das finanças e ausência de políticas de coordenação macroeconômicas claras e eficazes (RAMOS et al, 2012). Vale ressaltar que no final dos anos noventa os Estados Unidos apresentavam baixos índices de inflação doméstica advinda das duras políticas monetárias adotadas nos anos 80. Ademais, a partir dos anos 70 o sistema financeiro americano foi desregulado por conta de uma onda ideológica neoliberal, que estabeleceu a autorregulação do Mercado (BRESSER- PEREIRA, 2009), fato este que, tendo em vista, a baixa inflação, levou o

5 Banco Central Americano ( o Federal Reserve) a manter baixas as taxas de juros, resultando em baixos ganhos em aplicações realizadas pelos bancos e financeiras daquele país que até os dias de hoje representam a força motriz do capitalismo ocidental (CARVALHO, 2008). Portanto, nessa época havia a competitividade entre o sistema financeiro americano e os bancos, ao lado de baixos ganhos dos mercados tradicionais de empréstimos a empresas, consumidores e governo. Entretanto havia uma abrangência da área de atuação das instituições financeiras, aumentando a competição dos mercados domésticos. Nesse cenário, buscavam-se novos mercados que trouxessem maiores lucros, portanto, o primeiro passo foi conceder empréstimos para países emergentes (CARVALHO, 2008). Não obstante o ímpeto pelos ganhos em novos mercados, a crise de balanços de pagamentos em adição com o tamanho reduzido dos mercados emergentes freou o interesse dessas instituições financeiras. Portanto, viu-se no mercado de financiamento imobiliário americano um grande negócio. (CARVALHO, 2008). Vale destacar que em 1970 foi criada a Federal Home Loan Mortgage Corporation (Freddie Mac) com a finalidade de fomentar o mercado de hipoteca, sendo então responsável pela emissão de mortgage-backed securities (MBSs) os quais são títulos lastrados em hipoteca vendidos a investidores. (PEGORER, 2008). Iniciava-se então o processo de transferência de diversos contratos de hipotecas para um único fundo de investimento- mortagepool. Esse fundo emitia cotas denominadas tranches (do Frances fatias) em classes diversas (TORRES, 2008). Ao risco- retorno de cada tranche foram atribuídas as notas: sênior tranches ( AAA), a nota mais alta de grau de investimento de crédito, mezzanine tranches ( AA até BB), e equity tranches (GALDINO, 2008), aprovados pelas principais empresas de classificação de risco. Em seguida aparece outro instrumento financeiro, os CDO s Obrigação de Dívida Colateral, nele há uma mistura de vários tipos de créditos como por exemplo, dividas de cartões, etc (ALBERINI,2008). Dessa forma, quando se compra um CDO não está comprando hipotecas, créditos de cartão ou empréstimos de automóveis. Nem mesmo está comprando uma média ponderada dos ativos dentro do CDO. O que se está

6 comprando, na verdade, é todo o arcabouço de avaliação e gestão de risco subjacente (ALBERINI, 2008, p. 5). Se o título não for pago o investidor poderá ficar com o ativo dado em garantia (colateral) (GALDINO, 2008). Esses derivativos têm como finalidade transformar hipotecas em títulos livremente negociáveis, que passam a ser vendidos para outros bancos, instituições financeiras, companhias de seguro e fundos de pensão (SILVA et al, p.2). Para uma melhor inteleção acerca da referenciada transformação de hipotecas em títulos negociáveis, Torres (2008, p,6), de forma simplista, a título de exemplo, mostra que (...) cada US$ 100 em cotas já existentes de risco BBB, que eram incluídas na carteira de um CDO, davam lugar a US$ 75 em títulos novos de classificação superior, ou seja, AAA, AA e A. Dessa forma, os bancos poderiam obter recursos mais baratos para financiar essa parte menos nobre dos suprime Em outras palavras, conjugando-se no presente, os bancos emprestam ao mutuário dinheiro para comprar uma casa e recebem pagamentos mensais do empréstimo, que é vendido ao banco maior, que empacota os empréstimos juntos em títulos lastreados em hipotecas (MBSs). O banco maior, em seguida, emite ações desta segurança, chamados tranches, para os investidores que as compram e, finalmente, recolhem os dividendos na forma de pagamentos de hipoteca mensais. Estas parcelas podem ser vendidas e (re)vendidas novamente como outros títulos, chamados obrigações de dívida garantidas (CDOs). Observa-se que na tranche com maior risco, como aqueles relacionados com o mercado suprime foi montada as empresas denominadas SIV (special investment vehicles) cuja finalidade era expedir títulos de curto prazo denominados commercial paper (TORRES, 2008), que eram adquiridos por bancos de investimento e fundos diversos. (SILVA et al, 2010). Outro derivativo deste mercado era o CDs (credit default swaps) que estabelecia que no caso de inadimplência dos tomadores de empréstimo e a não concretização dos fluxos monetários da dívida, o vendedor do título deveria pagar um bônus. (TORRES, 2008)

7 Ressalta-se que o subprime, que era basicamente um contrato de longa duração de financiamento de alienação de residências, onde o próprio imóvel é dado em garantia do empréstimo. Ressalta-se que as hipotecas subprime,são aquelas que o adquiridor do crédito hipotecário não é capaz de dar qualquer entrada e/ou não tem renda comprovada. Já a hipoteca prime são aquelas concedidas em que os tomadores comprovam seus rendimentos (GONTIJO, 2008). Ainda, haviam operações realizadas com os chamados ninjas, pessoas que não tinham renda, trabalho e bens (TORRES, 2008). Verifica-se, contudo, que essas operações tinham elevado risco, pois, eram operações com prazo extenso de 30 anos, sendo que nos primeiros 2 ou 3 anos, pagava-se taxas de juros fixas e baixas. Nos próximos anos os juros eram mais elevados e reajustados com base na taxa de mercado. Os tomadores conseguiam adimplir nos primeiros anos da dívida e após, quando havia o aumento na taxa de juros, trocava-se por outra hipoteca. Novamente, essas pessoas pagam a hipoteca nos primeiros anos e, por óbvio, tinham dificuldade no restante. Essa troca de financiamentos era possível, pois, o valor das hipotecas estava subindo (TORRES, 2008). A crise referenciada neste estudo tem seu marco inicial a partir da desaceleração do mercado imobiliário conjuntamente com a queda nos preços das residências. Desse modo, tornou-se mais complicado renegociar as hipotecas subprime, o que gerou inadimplência. Em seguida, os investidores buscaram resgatar suas aplicações o que agravou a crise. (TORRES, 2008) Importante ressaltar que o endividamento da nação está intimamente ligado à cultura norte-americana do consumo, como destacado e questionado por Dowpor (2009, p.7): O endividamento como nação se reflete na situação das famílias. O americano adulto medio tem oito cartões de crédito, e gasta um terço da sua renda com o pagamento de dívidas. Apresentado no momento da concessão, o crédito aparece como um instrumento de dinamização da conjuntura, pois aumenta a capacidade de compra da família. No entanto, cada dívida significa não só o reembolso, como pagamento de juros, e na realidade, o que se consegue com o endividamento é uma antecipação do consumo, e não seu aumento. Quando chega a hora de pagar, o efeito se inverte. Até onde irão as famílias norteamericanas no faz-de-conta da prosperidade? (DOWBOR, 2009, p.7 ) Estima-se que 10 milhões de pessoas perderam seus empregos, houve aumento da pobreza, diminuição da confiança nas instituições, entre outros (FITZERALD,2010). Essa desconfiança do mercado está ligada a dois fatores: o primeiro é o enfraquecimento

8 da hegemonia Norte Americana, trazida pela crise e pela condução da guerra no Iraque, utilizando a democracia como forma de dominação. O segundo fator seria o erro do governo norte-americano em não ter salvado o Lehmann Brothers, pois foi a partir dessa decisão que o quadro financeiro mundial entrou em franca deterioração. (BRESSER- PEREIRA, 2009, p. 134) Contudo, é importante ressaltar que a extrema pobreza continuou a cair na maioria das regiões do globo, o que fez com que o os países em desenvolvimento atingissem seu primeiro Millenium Development Goal (DREZNER, 2012). Por outro lado, a citada crise demonstra a inocência dos bancos e investidores em acreditar que o valor das casas continuaria subindo e subestimando o risco financeiro que poderia ser provocado. Além disso, os políticos e assessores foram seduzidos por lobistas para que houvesse uma desregulamentação excessiva do mercado financeiro (LANGMORE,2010). O sentimento envolvido na crise era de que os países foram incapazes de realizar uma coordenação de políticas que poderiam ter minimizados os efeitos da crise. Ainda mais, as pessoas se viam frustradas com a incapacidade dos países em resolver problemas econômicos (FRIEDEN, 2012). A crise financeira, como referenciada, baseia-se na ideologia neoliberal que acredita no papel mínimo do mercado, na redução dos gastos em investimentos públicos e impostos, na privatização de empresas estatais e desregulamentação do setor financeiro e coorporativo e intervenção estatal somente para controle de imperfeições do mercado (LANGMORE). Nota-se que o mercado financeiro internacional foi integrado como um único mercado, no entanto, não há um líder internacional de regulamentação (CHO,2011). Não obstante, há criticas em relação a essa ideologia por não levar em conta questões como, por exemplo, em quais casos seria necessária a intervenção estatal ou ainda, como intervir efetivamente no mercado, considerando-se que a questão não é o tamanho do mercado, mas seu papel. O pós- consenso de Washington reconhece que o estado tem falhas do mesmo modo que o mercado tem suas imperfeições, portanto, os dois devem ser entendidos como complementares (STIGLIZ, 2006). (...) quando vemos (sic.) o Estado surgir em cada país como a única tábua de salvação, como o único possível porto seguro, fica evidente o absurdo da oposição entre mercado e Estado proposta pelos neoliberais e neoclássicos. Um liberal pode opor coordenação do mercado à do Estado, mas não pode se colocar,

9 como os liberais se colocaram, contra o Estado, buscando diminuí-lo e enfraquecê-lo. O Estado é muito maior do que o mercado. Ele é o sistema constitucional-legal e a,organização que a garante; é o instrumento por excelência de ação coletiva da nação. Cabe ao Estado regular e garantir o mercado e, como vemos agora, servir de emprestador de última instância (sic.) (BRESSER- PEREIRA, 2009, p.134) Outra consequência da crise financeira seria como o poder o poder do balanço global econômico foi abarcado pelos países emergentes, o que traz mudanças significativas na governança econômica global conforme se discute na próxima seção. 2.2 O G20, as Instituições de Bretton Woods e a governança global econômica. A crise financeira internacional gerou uma grande desconfiança e inseguridade no sistema financeiro e na economia como um todo. Nesse cenário buscava-se fórmulas para solucionar a crise e ai emerge a importância do Grupo dos 20 países industrializados e emergentes (G20). O G20 foi criado em 1999, na crise econômica da Ásia como um fórum de discussão entre ministros das finanças e responsáveis pelos bancos centrais de países considerados relevantes (VESTERGAARD, 2011). No entanto, em meio à referenciada crise financeira de 2008 ele foi elevado ao grau de Fórum de Líderes, é composto por 19 países mais a União Europeia. Suas reuniões são anuais, sendo que, durante o ano os Ministros das Finanças e os Presidentes dos respectivos Bancos Centrais se reúnem periodicamente para debater sobre as formas de fomentar a economia global. Em paralelo, um grupo de funcionários e grupos de trabalho de coordenação política discutem questões pontuais ocorridos no ano (G20). Valorizando este matiz, o G20 se auto intitula um fórum internacional para cooperação econômica (G20, 2008). Atualmente o G20 é formado pela Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul, Turquia, Estados Unidos, Reino Unido e União Européia. Ademais, os principais CEOs das organizações internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fundo Monetário Internacional (FMI), Nações Unidas, Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC) (G20, 2008) participam das

10 reuniões. Ressalta-se que também são convidados a participar das reuniões outros estados e instituições, por exemplo, Ethiopia, a União Africana. Registra-se essas organizações internacionais, principalmente o FMI, Banco Mundial e a OMC foram instituídas após a Segunda Guerra Mundial (GUEDES, 2002), em diferentes momentos históricos para tratar de questões econômicas específicas. Dessa forma, apresentam composição, estrutura e governança institucionais distintos (LIMA, 2013). Ressalte-se a partir de Menezes (2013) que após a Segunda Guerra Mundial houve o rompimento do eurocentrismo e o restabelecimento do papel do Estado na sociedade internacional que buscaram nos foros internacionais respostas para seus problemas. Nota-se no mesmo lume que a nova sociedade internacional fundamenta-se em bases principiológicas, jurídicas, econômicos distinta dos parâmetros estabelecidos anteriormente. Dos ensinamentos de Dal Ri (2003) acerca da multilateralidade dos mercados, infere-se que após árduos anos de conflitos foi se percebendo que a estabilidade econômica traria mais vantagens para os fluxos comerciais do que a imposição pela força. Dessa forma, verificou-se a necessidade de que o comércio internacional fosse regido por normas multilaterais, que auxiliassem a integração dos Estados, baseadas em política de estabilidade e confiança recíproca. Portanto, foi fundamental construir um sistema multilateral de comércio com normas claras sobre matérias financeiras, monetárias e comerciais. Nesse contexto, ao invés dos países celebrarem acordos bilaterais, três ou mais países decidiram trabalhar para atingir um fim comum (SEITENUS, 2005, p. 29). Assim vieram as primeiras reuniões, depois as conferências; e surgindo uma demanda de organização em comum e infraestrutura. Desse modo nascem as primeiras organizações internacionais, que possuem três características principais: Multilateralidade, permanência e institucionalização (SEITUNUS, 2005). A permanência se subdivide em dois elementos: O primeiro se relaciona com a duração por prazo indeterminado, isto é, as organizações internacionais são criadas com a finalidade de durar indefinidamente. O segundo elemento são as criações de secretariados,

11 com sede fixa e com personalidade jurídica internacional, que admite a assinatura de tratados internacionais (SEITUNUS, 2005). A institucionalização, por sua vez, se reparte em previsibilidade, soberania e vontade. A previsibilidade é demonstrada principalmente nas sanções previstas nos tratados, onde é visível qual conduta levará a uma sanção determinada. Cria-se, assim, um espaço institucional de solução de conflitos e de relacionamento interestatal. Neste sentido, o advento das organizações internacionais é um importante fator de jurisdicionalização das relações internacionais. (SEITUNUS, 2005, p. 29) O conceito de soberania, por sua vez, se modifica dependendo do tempo e espaço nele inserido, pode ser classificado como uma limitação do estado em nome da coletividade em detrimento de seu interesse nacional (SEITUNUS, 2005). Contudo, notase que há uma alteração do papel tradicional do Estado na tomada de decisão política em frente aos organismos internacionais (DUNN e LERRO, 2013), uma vez que o governo está impossibilitado de promover ações contra indivíduos e companhias, pois, está limitado por tratados internacionais que impedem em alguma medida o seu direito de soberania (STIGLITZ, 2006). O terceiro elemento como seu nome já explica, é a vontade dos Estados em aderirem organização internacional, por meio da assinatura do tratado (SEITUNUS, 2005). Portanto, a definição de organização internacional: uma sociedade entre Estados, constituída por meio de um Tratado, com a finalidade de buscar interesses comuns materializados a partir de uma permanente cooperação entre seus membros. (SEITENUS, 2005, p., 33). Nesse contexto, em 1944, visando à reconstrução e organização da ordem financeira, foram criadas três organizações intergovernamentais O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização Internacional do Comércio (OIC). (GUEDES, 2002) Esses três organismos teriam como objetivo reerguer o mundo ocidental abalado por duas guerras mundiais: O Banco Mundial como um órgão de concessão de financiamentos para obras consideradas relevantes, o Fundo Monetário Internacional como a função de garantir o equilíbrio da balança de pagamentos e fixando parâmetros e finalmente, a OIC, como um fórum de discussões sobre temas relacionados ao comércio. (GUEDES, 2002, p. 17)

12 Todavia, apenas as duas primeiras instituições foram aceitas pelo Congresso americano, a OIC, por sua vez, resultou em um tratado, General Agreement on Tariffs and Trade (GATT) (CRETELLA, 2003). Nasceu então, durante a rodada do Uruguai a Organização Mundial do Comercio (OMC),que por trata-se de uma organização internacional que ao contrario do GATT, possui personalidade jurídica própria, um foro permanente de negociações para elaboração de regras e para a solução de controvérsias. As principais decisões da OMC são tomadas por consenso, portanto não há voto qualificado, cada membro tem direito há um voto. São signatários 124 países mais a União Europeia (THORSTENSEN, 2001). As instituições de Bretton Woods surgiram com a finalidade de liberalização de suas contas de capital determinando uma doutrina bipolar na qual estipula que os países membros devem ou flutuar sua taxa de câmbio de forma limpa ou então fixá-la adotando algum dispositivo institucional como um fundo de estabilização cambial (WILLIAMSON, 2008). O Fundo monetário internacional foi fundado em 1944 em Bretton Woods, com sua finalidade de organizar a desordem monetários advinda da crise de 1929 e a da Segunda Guerra Mundial (DAL RI, 2003). Dessa forma, o papel do FMI era prover a estabilidade cambial e também fomentar a redução de restrições cambiais. Para tanto, o fundo oferece empréstimos a governo em crises econômicas. (LIMA, 2013) Diferentemente do FMI, o Banco Mundial é uma instituição internacional fundada com a finalidade de assegurar assistência financeira a países em desenvolvimento, para redução da pobreza (WRIGHT, 2009), com quatro principais frentes: assistência financeira, garantias de risco, assistência técnica e aconselhamento sobre políticas tanto para governos como para empresas privadas em países em desenvolvimento (WRIGHT, 2009, p.85). As três organizações mundiais fortaleceram o capital transnacional que ocasionaram em dependência às economias periféricas onde as normas são: impostas e geridas por instituições internacionais e em foros internacionais, gerando um sistema verticalizado, no qual as economias centrais e desenvolvidas ditam as regras de acordo com seus interesses econômicos (WAGNER, 2013, p. 79)

13 Acreditava-se que quanto mais aberto o comércio e as políticas de investimento mais os países em desenvolvimento iriam se beneficiar economicamente. A justificativa dessa política de abertura comercial estava no sucesso dos países da Oeste da Ásia, que conseguiram aumentar o seu padrão de vida (KEANE,2011). Nesse contexto, o Banco Mundial utilizou-se do conceito de governança global para se referir à instituições e praticas políticas que possuem boa governança. O termo foi utilizado para se referir a governos que respeitam as leis para o bom funcionamento do mercado, a proteção da propriedade privada e à segurança dos investimentos. Posteriormente, a partir do fim da Guerra Fria, em um contexto de aceleração do processo de globalização, aumento do número de empresas transnacionais, evolução dos sistemas de informação e de comunicação, desregulação do mercado financeiro e monetário, houve duas novas utilizações para o conceito (CAMARGO, 1999). A primeira concepção de governança relaciona-se com a crise da governabilidade em adição com a perda de credibilidade e eficiência do estado. Esse entendimento enxerga o mundo como complexo e o Estado como incapaz de responder as demandas da sociedade. Dessa forma, os verdadeiros detentores do poder seriam os mercados internacionais sendo que suas decisões eram realizadas por instituições especializadas. Já a outra concepção sobre o tema entende que o sistema internacional deve ser analisado como uma junção entre Estado e sociedade, buscando incorporar diferentes forças sociais e que fossem além da preservação da segurança nacional e ordem internacional (CAMARGO, 1999). Assim, a estrutura e latência da governança global seria um sistema de estados nacionais, soberanos, permeado de instituições públicas e privadas nacionais e internacionais (DUNN e LERRO, 2013). Ademais, na visão institucionalista liberal a finalidade do sistema internacional não seria instituir um governo mundial, mas construir práticas que ampliem a coordenação mundial ao mesmo tempo em que mantém o Estado- Nação como organização política (LIMA, 2013). Nota-se que a visão predominante na época era que a ampliação comercial traria crescimento e redução da pobreza, por meio de um mercado mais eficiente capaz de corrigir suas falhas (GONÇALVES et. al, 2011). Neste lime, sob o contexto da crise financeira internacional de 2008, os países do G20 apresentaram uma recuperação rápida e adquiriram um status diferenciado, concretizando-se como atores importantes na discussão sobre governança econômica

ESTUDO DE CASO MÓDULO XI. Sistema Monetário Internacional. Padrão Ouro 1870 1914

ESTUDO DE CASO MÓDULO XI. Sistema Monetário Internacional. Padrão Ouro 1870 1914 ESTUDO DE CASO MÓDULO XI Sistema Monetário Internacional Padrão Ouro 1870 1914 Durante muito tempo o ouro desempenhou o papel de moeda internacional, principalmente por sua aceitabilidade e confiança.

Leia mais

OMC: estrutura institucional

OMC: estrutura institucional OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 Enquanto o GATT foi apenas

Leia mais

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Análise Integração Regional / Economia e Comércio Bernardo Erhardt de Andrade Guaracy 15 de outubro de 2003 Organização Mundial do Comércio: Possibilidades

Leia mais

Comunicado Oficial Reunião de Ministros e Diretores São Paulo Brasil 8-9 de novembro de 2008

Comunicado Oficial Reunião de Ministros e Diretores São Paulo Brasil 8-9 de novembro de 2008 Comunicado Oficial Reunião de Ministros e Diretores São Paulo Brasil 8-9 de novembro de 2008 1. Nós, os Ministros da Fazenda e Diretores dos Bancos Centrais do G-20, realizamos nossa décima reunião anual

Leia mais

A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil

A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil A Redução do Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto e as Implicações para o Brasil Análise Economia e Comércio Bernardo Erhardt de Andrade Guaracy 30 de outubro de 2003 A Redução do Fluxo de Investimento

Leia mais

BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul MECANISMOS INTER-REGIONAIS BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul O que faz o BRICS? Desde a sua criação, o BRICS tem expandido suas atividades em duas principais vertentes: (i) a coordenação

Leia mais

A importância dos Bancos de Desenvolvimento

A importância dos Bancos de Desenvolvimento MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO AO OFÍCIO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA NOTA DE TRABALHO A importância dos Bancos de Desenvolvimento G E NEBRA A OS 5 DE Segundo

Leia mais

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições I. Informações preliminares sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ( Rio+20 ) De 28 de maio

Leia mais

O sucesso do Plano Real na economia brasileira RESUMO

O sucesso do Plano Real na economia brasileira RESUMO 1 O sucesso do Plano Real na economia brasileira Denis de Paula * RESUMO Esse artigo tem por objetivo evidenciar a busca pelo controle inflacionário no final da década de 1980 e início da década de 1990,

Leia mais

MACROECONOMIA DA ESTAGNAÇÃO

MACROECONOMIA DA ESTAGNAÇÃO MACROECONOMIA DA ESTAGNAÇÃO Fernando Ferrari Filho Resenha do livro Macroeconomia da Estagnação: crítica da ortodoxia convencional no Brasil pós- 1994, de Luiz Carlos Bresser Pereira, Editora 34, São Paulo,

Leia mais

Relatório de Gestão & Contas - Ano 2012 RELATÓRIO DE GESTÃO. Resende e Fernandes, Construção Civil, Lda.

Relatório de Gestão & Contas - Ano 2012 RELATÓRIO DE GESTÃO. Resende e Fernandes, Construção Civil, Lda. RELATÓRIO DE GESTÃO Resende e Fernandes, Construção Civil, Lda. 2012 ÍNDICE DESTAQUES... 3 MENSAGEM DO GERENTE... 4 ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO... 5 Economia internacional... 5 Economia Nacional... 5

Leia mais

A CIRCULAÇÃO FINANCEIRA NO MUNDO ATUAL

A CIRCULAÇÃO FINANCEIRA NO MUNDO ATUAL A CIRCULAÇÃO FINANCEIRA NO MUNDO ATUAL 1 -- SISTEMA FINANCEIRO E SEUS COMPONENTES BÁSICOS: >> Sistema financeiro = é formado pelo conjunto de mercados e instituições que servem para relacionar poupadores

Leia mais

Trabalho de pesquisa: Afectação do Crédito para Investimento, Estabilidade e Crescimento: Lições do Banco de Desenvolvimento Brasileiro

Trabalho de pesquisa: Afectação do Crédito para Investimento, Estabilidade e Crescimento: Lições do Banco de Desenvolvimento Brasileiro O que podem os países africanos aprender com o desenvolvimento e crescimento inclusivo no Brasil? Trabalho de pesquisa: Afectação do Crédito para Investimento, Estabilidade e Crescimento: Lições do Banco

Leia mais

O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas

O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas Análise Economia e Comércio / Desenvolvimento Carolina Dantas Nogueira 20 de abril de 2006 O processo de abertura comercial da China:

Leia mais

Imagem 1 Imagem 2. Fontes: Imagem 1 ROBIN, M. - 100 fotos do século, Evergreen, 1999./ Imagem 2 Le Monde Diplomatique ano 2, nº16 novembro de 2008

Imagem 1 Imagem 2. Fontes: Imagem 1 ROBIN, M. - 100 fotos do século, Evergreen, 1999./ Imagem 2 Le Monde Diplomatique ano 2, nº16 novembro de 2008 Nome: Nº: Turma: Geografia 3º ano Gabarito - Prova Augusto Mar/10 1. Observe as imagens abaixo e faça o que se pede: Imagem 1 Imagem 2 Fontes: Imagem 1 ROBIN, M. - 100 fotos do século, Evergreen, 1999./

Leia mais

Declaração do Capital Natural

Declaração do Capital Natural Declaração do Capital Natural Uma declaração do setor financeiro demonstrando nosso compromisso durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável [Rio +20 Earth Summit] em trabalhar

Leia mais

Reforming the Global Financial Architecture

Reforming the Global Financial Architecture Comunicações Reforming the Global Financial Architecture Data e local: 20-24 de junho de 2011, London School of Economics, Londres, Reino Unido Evento: Reforming the Global Financial Architecture Representante

Leia mais

Plataforma de Cooperação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na Área Ambiental

Plataforma de Cooperação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na Área Ambiental Plataforma de Cooperação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na Área Ambiental I. Contexto Criada em 1996, a reúne atualmente oito Estados Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique,

Leia mais

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL UM PEQUENO RELATO HISTÓRICO E UMA GRANDE CRISE

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL UM PEQUENO RELATO HISTÓRICO E UMA GRANDE CRISE FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL UM PEQUENO RELATO HISTÓRICO E UMA GRANDE CRISE Semí Cavalcante de Oliveira INTRODUÇÃO Em maio de 2011, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês

Leia mais

Palestra: Macroeconomia e Cenários. Prof. Antônio Lanzana 2012

Palestra: Macroeconomia e Cenários. Prof. Antônio Lanzana 2012 Palestra: Macroeconomia e Cenários Prof. Antônio Lanzana 2012 ECONOMIA MUNDIAL E BRASILEIRA SITUAÇÃO ATUAL E CENÁRIOS SUMÁRIO I. Cenário Econômico Mundial II. Cenário Econômico Brasileiro III. Potencial

Leia mais

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 O Acordo Internacional do Café (AIC) de 2007 é um instrumento chave para a cooperação internacional em matéria de café, e participar dele

Leia mais

Histórico da OMC: construção e evolução do sistema multilateral de comércio

Histórico da OMC: construção e evolução do sistema multilateral de comércio Histórico da OMC: construção e evolução do sistema multilateral de comércio Especial Perfil Wesley Robert Pereira 08 de setembro de 2005 Histórico da OMC: construção e evolução do sistema multilateral

Leia mais

Workshop - Mercado Imobiliário

Workshop - Mercado Imobiliário Workshop - Mercado Imobiliário Workshop - Mercado Imobiliário Workshop - Mercado Imobiliário 1. O que está acontecendo com o Brasil? 2. Por que o Brasil é a bola da vez? 3. Por que o Mercado imobiliário

Leia mais

O comportamento pós-crise financeira das taxas de câmbio no Brasil, China, Índia e Europa

O comportamento pós-crise financeira das taxas de câmbio no Brasil, China, Índia e Europa O comportamento pós-crise financeira das taxas de câmbio no Brasil, China, Índia e Europa Guilherme R. S. Souza e Silva * RESUMO - O presente artigo apresenta e discute o comportamento das taxas de câmbio

Leia mais

número 4 junho de 2005 A autonomia do Banco Central

número 4 junho de 2005 A autonomia do Banco Central número 4 junho de 2005 A autonomia do Banco Central A autonomia do Banco Central Amanutenção da política de elevadas taxas de juros reais conduzida pelo Copom - Comitê de Política Monetária - reacendeu

Leia mais

REGIMES ESPECIAIS PARA RESOLUÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO BRASIL: PREMISSAS DO MODELO VIGENTE E NECESSIDADE DE REESTRUTURAÇÃO

REGIMES ESPECIAIS PARA RESOLUÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO BRASIL: PREMISSAS DO MODELO VIGENTE E NECESSIDADE DE REESTRUTURAÇÃO REGIMES ESPECIAIS PARA RESOLUÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO BRASIL: PREMISSAS DO MODELO VIGENTE E NECESSIDADE DE REESTRUTURAÇÃO Seminário Internacional sobre Regimes de Resolução no Sistema Financeiro

Leia mais

Ensino Fundamental II

Ensino Fundamental II Ensino Fundamental II Valor do trabalho: 2.0 Nota: Data: /dezembro/2014 Professora: Angela Disciplina: Geografia Nome: n o : Ano: 8º Trabalho de Recuperação Final de Geografia ORIENTAÇÕES: Leia atentamente

Leia mais

Investimento no exterior: MORTGAGE

Investimento no exterior: MORTGAGE Investimento no exterior: MORTGAGE 01. Overview Crise do Subprime 2 01. Overview Crise Subprime Entendendo a Crise do Subprime Baixas taxas de juros levaram ao aquecimento do mercado imobiliários nos EUA

Leia mais

A GOVERNANÇA INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: ECOSOC, COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PNUMA

A GOVERNANÇA INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: ECOSOC, COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PNUMA A GOVERNANÇA INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: ECOSOC, COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PNUMA Tarciso Dal Maso Jardim 1 A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável,

Leia mais

Perspectivas para o financiamento das PPPs

Perspectivas para o financiamento das PPPs Perspectivas para o financiamento das PPPs PPP Summit 2015 20 de maio de 2015 Frederico Estrella frederico@tendencias.com.br Histórico e perfil da Tendências 2 Histórico Fundada em 1996, a Tendências é

Leia mais

Disciplina: Economia ECN001. Macroeconomia

Disciplina: Economia ECN001. Macroeconomia Disciplina: Economia ECN001 Macroeconomia Orçamento do Setor Público É a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas por um Governo em um determinado exercício (geralmente um ano).

Leia mais

Negócios Internacionais

Negócios Internacionais International Business 10e Daniels/Radebaugh/Sullivan Negócios Internacionais Capítulo 3.2 Influencia Governamental no Comércio 2004 Prentice Hall, Inc Objectivos do Capítulo Compreender a racionalidade

Leia mais

Gerenciando a Crise. 10 º Congresso Internacional de Gestão Porto Alegre, 20 de julho de 2009

Gerenciando a Crise. 10 º Congresso Internacional de Gestão Porto Alegre, 20 de julho de 2009 Gerenciando a Crise 10 º Congresso Internacional de Gestão Porto Alegre, 20 de julho de 2009 Apresentação de Martin Forst & Hanna Kleider Divisão de Gestão e Desempenho do Setor Público Diretoria de Governança

Leia mais

* (Resumo executivo do relatório Where does it hurts? Elaborado pela ActionAid sobre o impacto da crise financeira sobre os países em

* (Resumo executivo do relatório Where does it hurts? Elaborado pela ActionAid sobre o impacto da crise financeira sobre os países em * (Resumo executivo do relatório Where does it hurts? Elaborado pela ActionAid sobre o impacto da crise financeira sobre os países em desenvolvimento) A atual crise financeira é constantemente descrita

Leia mais

VII. Organismos Financeiros Internacionais. Fundo Monetário Internacional

VII. Organismos Financeiros Internacionais. Fundo Monetário Internacional VII Organismos Financeiros Internacionais Fundo Monetário Internacional O FMI foi criado por ocasião da Conferência de Bretton Woods, em 22 de julho de 1944. Entrou em vigor em 27 de dezembro de 1945,

Leia mais

EDITAL DO LEILÃO Nº 2/2011 ANEXO 9 DO CONTRATO PLANO DE TRANSFERÊNCIA OPERACIONAL (PTO)

EDITAL DO LEILÃO Nº 2/2011 ANEXO 9 DO CONTRATO PLANO DE TRANSFERÊNCIA OPERACIONAL (PTO) EDITAL DO LEILÃO Nº 2/2011 CONCESSÃO PARA AMPLIAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXPLORAÇÃO DOS AEROPORTOS INTERNACIONAIS BRASÍLIA CAMPINAS GUARULHOS EDITAL DO LEILÃO Nº 2/2011 ANEXO 9 DO CONTRATO PLANO DE TRANSFERÊNCIA

Leia mais

O papel anticíclico do BNDES sobre o crédito

O papel anticíclico do BNDES sobre o crédito 3 ago 2006 Nº 7 O papel anticíclico do BNDES sobre o crédito Por Ernani Teixeira Torres Filho Superintendente da SAE Nas crises, sistema bancário contrai o crédito. BNDES atua em sentido contrário e sua

Leia mais

Encontro de Bancos Centrais de países de língua portuguesa

Encontro de Bancos Centrais de países de língua portuguesa Encontro de Bancos Centrais de países de língua portuguesa Antônio Gustavo Matos do Vale Diretor de Liquidações e Desestatização 4 de outubro de 2010 1 Evolução recente da economia brasileira O momento

Leia mais

COMÉRCIO EXTERIOR. Causas da dívida Empréstimos internacionais para projetar e manter grandes obras. Aquisição de tecnologia e maquinário moderno.

COMÉRCIO EXTERIOR. Causas da dívida Empréstimos internacionais para projetar e manter grandes obras. Aquisição de tecnologia e maquinário moderno. 1. ASPECTOS GERAIS Comércio é um conceito que possui como significado prático, trocas, venda e compra de determinado produto. No início do desenvolvimento econômico, o comércio era efetuado através da

Leia mais

CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015

CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015 CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015 1 SUMÁRIO 1. Economia Mundial e Impactos sobre o Brasil 2. Política Econômica Desastrosa do Primeiro Mandato 2.1. Resultados

Leia mais

ESTATUTO DO COMITÊ DE AUDITORIA DO CONSELHO DIRETOR 23 DE OUTUBRO DE 2014

ESTATUTO DO COMITÊ DE AUDITORIA DO CONSELHO DIRETOR 23 DE OUTUBRO DE 2014 ESTATUTO DO COMITÊ DE AUDITORIA DO CONSELHO DIRETOR 23 DE OUTUBRO DE 2014 I. FINALIDADE A finalidade do Comitê de Auditoria da AGCO Corporation (a Empresa ) é auxiliar o Conselho Diretor (o Conselho )

Leia mais

Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro

Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Análise Economia e Comércio / Integração Regional Jéssica Naime 09 de setembro de 2005 Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Análise Economia

Leia mais

Investimento internacional. Fluxos de capitais e reservas internacionais

Investimento internacional. Fluxos de capitais e reservas internacionais Investimento internacional Fluxos de capitais e reservas internacionais Movimento internacional de fatores Determinantes da migração internacional: diferencial de salários; possibilidades e condições do

Leia mais

ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Índice 1. Apresentação da Disciplina...3 2 1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A disciplina Economia de Mercado objetiva apresentar as relações econômicas que balizam

Leia mais

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO (Tradução não oficial 1 ) Recomendação 202 RECOMENDAÇÃO RELATIVA AOS PISOS NACIONAIS DE PROTEÇÃO SOCIAL A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho,

Leia mais

Fortaleza, 4 de novembro de 2013.

Fortaleza, 4 de novembro de 2013. Fortaleza, 4 de novembro de 2013. Discurso do Ministro Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central do Brasil, no V Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira Senhoras e senhores, boa tarde a todos.

Leia mais

Brazil and Latin America Economic Outlook

Brazil and Latin America Economic Outlook Brazil and Latin America Economic Outlook Minister Paulo Bernardo Washington, 13 de maio de 2009 Apresentação Impactos da Crise Econômica Situação Econômica Brasileira Ações Contra-Cíclicas Previsões para

Leia mais

1) a) Caracterize a Nova Ordem Econômica Mundial;

1) a) Caracterize a Nova Ordem Econômica Mundial; 1) a) Caracterize a Nova Ordem Econômica Mundial; A Nova Ordem Econômica Mundial insere-se no período do Capitalismo Financeiro e a doutrina econômica vigente é o Neoliberalismo. Essa Nova Ordem caracteriza-se

Leia mais

O Brasil e a Crise Internacional

O Brasil e a Crise Internacional O Brasil e a Crise Internacional Sen. Aloizio Mercadante PT/SP 1 fevereiro de 2009 Evolução da Crise Fase 1 2001-2006: Bolha Imobiliária. Intensa liquidez. Abundância de crédito Inovações financeiras Elevação

Leia mais

Prof. José Luis Oreiro Instituto de Economia - UFRJ

Prof. José Luis Oreiro Instituto de Economia - UFRJ Prof. José Luis Oreiro Instituto de Economia - UFRJ Palma, G. (2002). The Three routes to financial crises In: Eatwell, J; Taylor, L. (orgs.). International Capital Markets: systems in transition. Oxford

Leia mais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais RELATÓRIO Samira Santana de Almeida 1 1. Apresentação

Leia mais

Cadernos ASLEGIS. ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br. http://bd.camara.leg.br

Cadernos ASLEGIS. ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br. http://bd.camara.leg.br ASSOCIAÇÃO DOS CONSULTORES LEGISLATIVOS E DE ORÇAMENTO E FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Cadernos ASLEGIS ISSN 1677-9010 / www.aslegis.org.br http://bd.camara.leg.br Glohalização das finanças:

Leia mais

ESTRUTURA ORGÂNICA E FUNCIONAL

ESTRUTURA ORGÂNICA E FUNCIONAL ESTRUTURA ORGÂNICA E FUNCIONAL Diretor Geral O Diretor Geral supervisiona e coordena o funcionamento das unidades orgânicas do Comité Olímpico de Portugal, assegurando o regular desenvolvimento das suas

Leia mais

Gestão Estratégica no Setor Público. Roberta Clemente ILP 30/10/2007

Gestão Estratégica no Setor Público. Roberta Clemente ILP 30/10/2007 Gestão Estratégica no Setor Público Roberta Clemente ILP 30/10/2007 Organização da Apresentação Introdução Estratégia Histórico da Intervenção estatal Crise do Estado Especificidades do caso brasileiro

Leia mais

Breve análise acerca das Instituições Comunitárias de Educação Superior

Breve análise acerca das Instituições Comunitárias de Educação Superior Breve análise acerca das Instituições Comunitárias de Educação Superior Kildare Araújo Meira Advogado sócio da Covac Sociedade de Advogados, Pós Graduado em Direito Processual Civil pelo Instituto Brasiliense

Leia mais

A ascensão dos subdesenvolvidos. Geografia Professor Daniel Nogueira

A ascensão dos subdesenvolvidos. Geografia Professor Daniel Nogueira GE GRAFIA A ascensão dos subdesenvolvidos Geografia Professor Daniel Nogueira Os grupos econômicos são grupos de países com comportamento econômico específico. Geralmente economias com aspectos semelhantes.

Leia mais

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL PARECER Nº, DE 2015 Da COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL, sobre o Projeto de Decreto Legislativo nº 155, de 2015 (nº 62, de 2015, na origem), de autoria da Comissão de Relações Exteriores

Leia mais

Discurso do presidente Alexandre Tombini na comemoração dos 30 anos da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC).

Discurso do presidente Alexandre Tombini na comemoração dos 30 anos da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC). São Paulo, 21 de março de 2013. Discurso do presidente Alexandre Tombini na comemoração dos 30 anos da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC). Senhoras e senhores É com grande satisfação que

Leia mais

Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras

Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras Prof. Onivaldo Izidoro Pereira Finanças Corporativas Ambiente Econômico Em suas atividades uma empresa relacionase com: Clientes

Leia mais

GASQUEZ, Márcio Roberto Martinez 2

GASQUEZ, Márcio Roberto Martinez 2 202 A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DE POUPANÇA PARA A REALIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS: O COMPORTAMENTO DOS UNIVERSITÁRIOS FRENTE AO PARADOXO DA POUPANÇA E DO INVESTIMENTO 1 GASQUEZ, Márcio Roberto Martinez 2 A

Leia mais

A GESTÃO PÚBLICA NO BRASIL E SEUS CONTROLES INTERNO E EXTERNO RESUMO

A GESTÃO PÚBLICA NO BRASIL E SEUS CONTROLES INTERNO E EXTERNO RESUMO A GESTÃO PÚBLICA NO BRASIL E SEUS CONTROLES INTERNO E EXTERNO RESUMO O presente estudo é resultado de uma revisão bibliográfica e tem por objetivo apresentar a contextualização teórica e legislativa sobre

Leia mais

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Fevereiro/2014 A taxa de câmbio é um dos principais preços relativos da economia, com influência direta no desempenho macroeconômico do país e na composição de

Leia mais

A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO DO GOVERNO FEDERAL E A MACROMETA DE

A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO DO GOVERNO FEDERAL E A MACROMETA DE A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO DO GOVERNO FEDERAL E A MACROMETA DE AUMENTAR O INVESTIMENTO PRIVADO EM P&D ------------------------------------------------------- 3 1. O QUE É A PDP? ----------------------------------------------------------------------------------------

Leia mais

Apresentação de Teresa Ter-Minassian na conferencia IDEFF: Portugal 2011: Coming to the bottom or going to the bottom? Lisboa, Jan.31-Fev.

Apresentação de Teresa Ter-Minassian na conferencia IDEFF: Portugal 2011: Coming to the bottom or going to the bottom? Lisboa, Jan.31-Fev. Apresentação de Teresa Ter-Minassian na conferencia IDEFF: Portugal 2011: Coming to the bottom or going to the bottom? Lisboa, Jan.31-Fev.1, 2011 Estrutura da apresentação Antecedentes Principais características

Leia mais

Brasília, 9 de maio de 2012

Brasília, 9 de maio de 2012 Brasília, 9 de maio de 2012 Discurso do presidente Alexandre Tombini em evento no Sebrae para lançamento do Plano de Ação para Fortalecimento do Ambiente Institucional para a Adequada Inclusão Financeira

Leia mais

Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais

Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais Exmo Senhor Presidente da Associação Angolana de Bancos Sr. Amílcar Silva Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais Estimados Bancários Minhas Senhoras

Leia mais

GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA E GLOBALIZAÇÃO PRODUTIVA

GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA E GLOBALIZAÇÃO PRODUTIVA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA E GLOBALIZAÇÃO PRODUTIVA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA Interação de três processos distintos: expansão extraordinária dos fluxos financeiros. Acirramento da concorrência nos mercados

Leia mais

Instrumentalização. Economia e Mercado. Aula 4 Contextualização. Demanda Agregada. Determinantes DA. Prof. Me. Ciro Burgos

Instrumentalização. Economia e Mercado. Aula 4 Contextualização. Demanda Agregada. Determinantes DA. Prof. Me. Ciro Burgos Economia e Mercado Aula 4 Contextualização Prof. Me. Ciro Burgos Oscilações dos níveis de produção e emprego Oferta e demanda agregadas Intervenção do Estado na economia Decisão de investir Impacto da

Leia mais

Introdução... 4. Percepção sobre a economia e o comércio... 5. Gargalos da economia brasileira... 7. Consumo das famílias... 8

Introdução... 4. Percepção sobre a economia e o comércio... 5. Gargalos da economia brasileira... 7. Consumo das famílias... 8 Conteúdo Introdução... 4 Percepção sobre a economia e o comércio... 5 Gargalos da economia brasileira... 7 Consumo das famílias... 8 Ambiente regulatório... 9 Logística pública... 10 Mão de obra... 10

Leia mais

O privilégio exorbitante dos EUA

O privilégio exorbitante dos EUA O privilégio exorbitante dos EUA Michael Pettis Valor Econômico, 15.9.2011. O status dominante de uma moeda levou a desequilíbrios que criaram um sério risco para o sistema financeiro global. Alguns países

Leia mais

Uma proposição de política cambial para a economia brasileira +

Uma proposição de política cambial para a economia brasileira + Uma proposição de política cambial para a economia brasileira + Fernando Ferrari Filho * e Luiz Fernando de Paula ** A recente crise financeira internacional mostrou que a estratégia nacional para lidar

Leia mais

Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável

Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável Este artigo é cópia fiel do publicado na revista Nu e va So c i e d a d especial em português, junho de 2012, ISSN: 0251-3552, . Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável

Leia mais

27.03.12. Paulo Safady Simão Presidente da CBIC

27.03.12. Paulo Safady Simão Presidente da CBIC 27.03.12 Paulo Safady Simão Presidente da CBIC REPRESENTANTE NACIONAL E INTERNACIONAL DAS ENTIDADES EMPRESARIAIS DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO E DO MERCADO IMOBILIÁRIO SINDICATOS, ASSOCIAÇÕES E CÂMARAS 62

Leia mais

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas BRASIL Setembro 2011 Profa. Anita Kon PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS GRADUADOS

Leia mais

Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE)

Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE) Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE) Países em recessão oficial (dois trimestres consecutivos) Países em recessão não-oficial (um trimestre) Países com desaceleração econômica de mais

Leia mais

O Banco Mundial: dos empréstimos para o ajuste aos empréstimos para políticas de desenvolvimento. Análise Economia e Comércio / Desenvolvimento

O Banco Mundial: dos empréstimos para o ajuste aos empréstimos para políticas de desenvolvimento. Análise Economia e Comércio / Desenvolvimento O Banco Mundial: dos empréstimos para o ajuste aos empréstimos para políticas de desenvolvimento Análise Economia e Comércio / Desenvolvimento Prof. Javier Vadell 29 de outubro de 2004 O Banco Mundial:

Leia mais

Taxa de Empréstimo Estatísticas Financeiras Internacionais (FMI - IFS)

Taxa de Empréstimo Estatísticas Financeiras Internacionais (FMI - IFS) Taxa de Empréstimo Estatísticas Financeiras Internacionais (FMI - IFS) África do Sul: Taxa predominante cobrada pelos bancos de contas garantidas prime. Alemanha: Taxa sobre crédito de conta-corrente de

Leia mais

CONTABILIDADE SOCIAL: O BALANÇO SOCIAL EVIDENCIANDO A RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES.

CONTABILIDADE SOCIAL: O BALANÇO SOCIAL EVIDENCIANDO A RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES. Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 417 CONTABILIDADE SOCIAL: O BALANÇO SOCIAL EVIDENCIANDO A RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES. Alice da Silva

Leia mais

CRISE NORTE-AMERICANA: UM MODELO EXPLICATIVO DE SUA CAUSA

CRISE NORTE-AMERICANA: UM MODELO EXPLICATIVO DE SUA CAUSA 170 CRISE NORTE-AMERICANA: UM MODELO EXPLICATIVO DE SUA CAUSA GALLE, Juliano M. 1 CAVALI, Roberto 2 SANTOS, Elaine de O. 3 Resumo: A crise financeira que surgiu nos EUA tem afetado o mercado financeiro

Leia mais

Os bancos públicos e o financiamento para a retomada do crescimento econômico

Os bancos públicos e o financiamento para a retomada do crescimento econômico Boletim Econômico Edição nº 87 outubro de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Os bancos públicos e o financiamento para a retomada do crescimento econômico 1 O papel dos bancos

Leia mais

Análise CEPLAN Clique para editar o estilo do título mestre. Recife, 17 de agosto de 2011.

Análise CEPLAN Clique para editar o estilo do título mestre. Recife, 17 de agosto de 2011. Análise CEPLAN Recife, 17 de agosto de 2011. Temas que serão discutidos na VI Análise Ceplan A economia em 2011: Mundo; Brasil; Nordeste, com destaque para Pernambuco; Informe sobre mão de obra qualificada.

Leia mais

INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NO BRASIL

INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NO BRASIL JANEO 2013 INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NO BRASIL MEDIDA PROVISÓRIA 601/2012: BENEFÍCIOS FISCAIS DE FIDCS DE PROJETOS DE INVESTIMENTO (INCLUSIVE INFRAESTRUTURA) A. Introdução 1. A fim de aprimorar os

Leia mais

ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) DAS EMPRESAS DE PAPEL E CELULOSE POR MEIO DE INDICADORES

ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) DAS EMPRESAS DE PAPEL E CELULOSE POR MEIO DE INDICADORES ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) DAS EMPRESAS DE PAPEL E CELULOSE POR MEIO DE INDICADORES RESUMO O presente estudo aborda a importância da DFC para a organização, pois além de ser uma

Leia mais

Apresentação do presidente da FEBRABAN, Murilo Portugal no 13º Seminário Tendências Perspectivas da Economia Brasileira: Cenário Econômico e Político

Apresentação do presidente da FEBRABAN, Murilo Portugal no 13º Seminário Tendências Perspectivas da Economia Brasileira: Cenário Econômico e Político 1 Apresentação do presidente da FEBRABAN, Murilo Portugal no 13º Seminário Tendências Perspectivas da Economia Brasileira: Cenário Econômico e Político Cenários para os países desenvolvidos, sua inter

Leia mais

A nova classe média vai às compras

A nova classe média vai às compras A nova classe média vai às compras 18 KPMG Business Magazine Cenário é positivo para o varejo, mas empresas precisam entender o perfil do novo consumidor Nos últimos anos o mercado consumidor brasileiro

Leia mais

Texto para Coluna do NRE-POLI na Revista Construção e Mercado Pini Abril 2015

Texto para Coluna do NRE-POLI na Revista Construção e Mercado Pini Abril 2015 Texto para Coluna do NRE-POLI na Revista Construção e Mercado Pini Abril 2015 O Brasil Adota o Modelo do Covered Bond Filipe Pontual Diretor Executivo da ABECIP A Medida Provisória 656, de 2014, aprovada

Leia mais

JOSÉ CRETELLA NETO Advogado empresarial; Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP.

JOSÉ CRETELLA NETO Advogado empresarial; Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP. JOSÉ CRETELLA NETO Advogado empresarial; Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP. EMPRESA TRANSNACIONAL E DIREITO INTERNACIONAL exame do tema a luz da globalização

Leia mais

Choques Desequilibram a Economia Global

Choques Desequilibram a Economia Global Choques Desequilibram a Economia Global Uma série de choques reduziu o ritmo da recuperação econômica global em 2011. As economias emergentes como um todo se saíram bem melhor do que as economias avançadas,

Leia mais

Economia. Comércio Internacional Taxa de Câmbio, Mercado de Divisas e Balança de Pagamentos,

Economia. Comércio Internacional Taxa de Câmbio, Mercado de Divisas e Balança de Pagamentos, Economia Comércio Internacional Taxa de Câmbio, Mercado de Divisas e Balança de Pagamentos, Comércio Internacional Objetivos Apresentar o papel da taxa de câmbio na alteração da economia. Iniciar nas noções

Leia mais

FINANÇAS E MERCADOS FINANCEIROS A Consolidação do Mercado de Capitais Brasileiro João Basilio Pereima Neto *

FINANÇAS E MERCADOS FINANCEIROS A Consolidação do Mercado de Capitais Brasileiro João Basilio Pereima Neto * FINANÇAS E MERCADOS FINANCEIROS A Consolidação do Mercado de Capitais Brasileiro João Basilio Pereima Neto * O mercado de capitais brasileiro vai fechar o ano de 2007 consolidando a tendência estrutural

Leia mais

Emilio Botín: O objetivo é nos tornarmos o banco privado número um do Brasil

Emilio Botín: O objetivo é nos tornarmos o banco privado número um do Brasil Nota de Imprensa Emilio Botín: O objetivo é nos tornarmos o banco privado número um do Brasil Presidente mundial do Banco Santander apresenta em São Paulo o Plano Estratégico 2008-2010 para o A integração

Leia mais

Nas sombras de 1929: A crise financeira nos EUA

Nas sombras de 1929: A crise financeira nos EUA Marketing Prof. Marcelo Cruz O MARKETING E A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL Nas sombras de 1929: A crise financeira nos EUA I O Impasse Liberal (1929) Causas: Expansão descontrolada do crédito bancário; Especulação

Leia mais

PROPOSTAS DA INDÚSTRIA PARA AS ELEIÇÕES 2014

PROPOSTAS DA INDÚSTRIA PARA AS ELEIÇÕES 2014 PROPOSTAS DA INDÚSTRIA PARA AS ELEIÇÕES 2014 Propostas para os candidatos Desde as eleições de 1994, a CNI apresenta à sociedade e aos candidatos sugestões para melhorar o desempenho da economia. Propostas

Leia mais

PORTUGAL Economic Outlook. Carlos Almeida Andrade Chief Economist Julho 2008

PORTUGAL Economic Outlook. Carlos Almeida Andrade Chief Economist Julho 2008 PORTUGAL Economic Outlook Carlos Almeida Andrade Chief Economist Julho 2008 Portugal: Adaptação a um novo ambiente económico global A economia portuguesa enfrenta o impacto de um ambiente externo difícil,

Leia mais

PROPOSTAS PARA APRIMORAMENTO DA PROTEÇÃO DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS E SERVIÇOS FINANCEIROS

PROPOSTAS PARA APRIMORAMENTO DA PROTEÇÃO DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS E SERVIÇOS FINANCEIROS PROPOSTAS PARA APRIMORAMENTO DA PROTEÇÃO DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS E SERVIÇOS FINANCEIROS O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Idec, organização sem fins lucrativos e independente de empresas,

Leia mais

DECLARAÇÃO UNESCO/UBC VANCOUVER. A Memória do Mundo na Era Digital: Digitalização e Preservação

DECLARAÇÃO UNESCO/UBC VANCOUVER. A Memória do Mundo na Era Digital: Digitalização e Preservação DECLARAÇÃO UNESCO/UBC VANCOUVER A Memória do Mundo na Era Digital: Digitalização e Preservação 26 a 28 de Setembro de 2012 Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá A Tecnologia Digital oferece meios sem precedentes

Leia mais

ipea 45 NOTA TÉCNICA Pobreza e crise econômica: o que há de novo no Brasil metropolitano anos

ipea 45 NOTA TÉCNICA Pobreza e crise econômica: o que há de novo no Brasil metropolitano anos ipea 45 anos NOTA TÉCNICA Pobreza e crise econômica: o que há de novo no Brasil metropolitano Rio de Janeiro, maio de 2009 1 Pobreza e crise econômica: o que há de novo no Brasil metropolitano Marcio Pochmann

Leia mais

WP WGFA 2/06 Add. 1 Rev. 1

WP WGFA 2/06 Add. 1 Rev. 1 International Coffee Organization Organización Internacional del Café Organização Internacional do Café Organisation Internationale du Café WP WGFA 2/06 Add. 1 Rev. 1 10 janeiro 2007 Original: inglês P

Leia mais