A Europa e a Crise Financeira Mundial

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1 A Europa e a Crise Financeira Mundial Balanço da resposta política da UE Fundação Robert Schuman Sebastian Paulo April 2011 / Europe and the Global Financial and Economic Crisis Explained In 10 Sheets / Fondation Robert Schuman

2 Ficha Técnica Edição da Representação da Comissão Europeia em Portugal, traduzida do original da Fundação Robert Schuman, da autoria de Sebastian Paulo, de abril de 2011.

3 Preâmbulo Desde o início da crise financeira que assolou a Europa e o mundo, que encontrará explicada nos textos que se seguem de autoria da Fundação Schuman, a Comissão Europeia tomou um conjunto de iniciativas com a intenção de prevenir crises semelhantes e preservar a estabilidade financeira da União. Destacam se, neste preâmbulo, as mais importantes e recentes. Em junho de 2012, foi lançada uma proposta de diretiva que estabelece um regime comum de recuperação e resolução de instituições financeiras 2. Esta proposta visa criar um regime harmonizado de intervenção precoce em instituições financeiras em risco de falência por parte das autoridades competentes nacionais, bem como um regime harmonizado de recuperação e resolução daquelas entidades, garantindo que os interesses dos contribuintes são defendidos. Uma das características importantes do regime de resolução bancária harmonizado proposto é a previsão de cláusulas que invocam a responsabilidade dos credores do banco em caso de falência de modo a que estes assumam a correspondente quota parte das perdas registadas, potenciando assim uma redução do esforço dos contribuintes no processo. Em setembro de 2012, a Comissão lançou a Comunicação «A roadmap towards a Banking Union», acompanhada de duas propostas legislativas, que defende a criação de um sistema único de supervisão bancária. O sistema baseia se na atribuição de competências específicas de supervisão ao Banco Central Europeu (BCE), reforçando assim o seu papel na arquitetura de supervisão financeira da Europa. Prevê que o BCE passe a dispor de uma estrutura inteiramente dedicada à supervisão dos cerca de 6000 bancos da área do euro, independente da estrutura a que está cometida a condução da política monetária, para prevenir, evitar e mitigar possíveis conflitos de interesses no âmbito das duas atividades. Estas duas componentes da integração dos sistemas de supervisão e resolução financeiros dos Estados Membros da União vêm acrescer a um conjunto de normas técnicas que disciplinam o funcionamento do sector financeiro a nível europeu, que se tem vindo a consolidar de forma constante e progressiva, graças à ação conjunta da Autoridade Europeia Bancária e das autoridades competentes nacionais. A Comissão apresentará ainda uma proposta para um mecanismo único de resolução que governe a resolução de bancos e coordene em particular a aplicação das ferramentas de resolução a bancos pertencentes à união bancária. A maior integração dos sistemas de garantias de depósitos nacionais no sentido de se instituir um sistema de garantia de depósitos único que proteja os depositantes da área do euro é outra das metas a alcançar defendida pela Comissão Europeia. Entretanto, estão criadas as condições para tornar operacional o Mecanismo Europeu de Estabilização (MEE). O MEE, cujo tratado fundador foi assinado em fevereiro de 2012, entrou em vigor em setembro de 2012 na sequência da sua ratificação (ou aprovação ou aceitação) por um conjunto de membros da União representativos de 90% do capital do fundo. Atualmente são signatários do MEE os Estados Membros da área do euro que já ratificaram o tratado (apenas a Estónia não o fez), porém, o MEE está aberto à participação de outros Estados Membros. O MEE substitui o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF), instrumentos temporários cuja vigência caduca em Estes foram, e ainda são, decisivos para o financiamento dos programas de assistência económica e financeira acordados com a Irlanda em novembro de 2010, com Portugal em maio de 2011, com a Grécia em 2012 (segundo programa), e mais recentemente, em julho de 2012 do programa de assistência ao setor bancário de Espanha. 2 COM (2012)280/3 management/2012_eu_framework/com_2012_280_en.pdf COM (2012)510 com _en.pdf European Banking Authority (EBA). council.europa.eu/media/582311/05 tesm2.en12.pdf

4 Com um capital de 700 mil milhões de euros e uma capacidade máxima de financiamento fixada em 500 mil milhões de euros, o MEE é a maior instituição financeira internacional a nível mundial. É financiado pelas contribuições de capital social dos Estados Membros da área do euro e por operações no mercado de capitais. Através do MEE, será possível conceder empréstimos aos Estados Membros e diretamente às instituições financeiras dos mesmos, sendo a operação sujeita a estrita condicionalidade. O MEE pode intervir nos mercados obrigacionistas primário e secundário de dívida soberana dos Estados Membros que recorram à assistência do MEE. No caso da atuação no mercado secundário tal pode revelar se necessário, no sentido de agir sobre os preços dos títulos soberanos como forma de contribuir positivamente para a redução dos custos de financiamento dos Estados Membros que prosseguem políticas orçamentais sólidas, adotam reformas estruturais que visam o crescimento e o emprego, e corrigem os desequilíbrios macroeconómicos. As condições da intervenção do MEE nos mercados de dívida soberana dos Estados Membros são definidas por processos políticos entre os líderes nacionais e de nível europeu. O poder de proceder à recapitalização direta de instituições financeiras de um Estado Membro da área do euro permite que seja prestada assistência financeira direta a bancos sem que o impacto negativo dessa assistência se reflita diretamente nas finanças públicas do Estado Membro em questão, em particular fazendo aumentar o défice orçamental e a dívida pública. Desta forma, torna se possível mitigar ou mesmo quebrar a ligação entre o risco soberano e o risco de crédito das instituições financeiras em países cujos mercados se encontram já sob intensa pressão. Como se pode aferir do exposto, a União Europeia está empenhada em reforçar a sua integração financeira e monetária. Em simultâneo, o processo de integração financeira da União esteve e está a ser acompanhado de um processo de coordenação das políticas económicas dos Estados Membros. Estas normas de governo económico promovem padrões comuns de sustentabilidade das finanças públicas entre Estados Membros, em especial dos pertencentes à União Económica e Monetária (UEM). Para suprir as deficiências do governo económico da União que a crise económica e financeira pôs a descoberto, foi posto em prática o Semestre Europeu em setembro de 2010 e, subsequentemente foi adotado o chamado «six pack», cujas medidas se enquadram no contexto do Semestre Europeu. O Semestre Europeu significa que a UE e a área do euro procedem à coordenação ex ante das suas políticas orçamentais e económicas, em linha com o Programa de Estabilidade e Convergência (PEC) e com a Estratégia Europa O Semestre Europeu é, assim, o ciclo anual de coordenação das políticas económicas através do qual todos os anos a Comissão Europeia realiza uma análise detalhada dos programas de reformas económicas e estruturais dos Estados Membros da UE e lhes fornece recomendações para os meses seguintes. Os Estados Membros devem apresentar os seus planos para assegurar a solidez das finanças públicas (PEC) e reformas e medidas para fazer progressos no sentido de um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, em áreas como o emprego, a investigação, a inovação, a energia e a inclusão social (Programas Nacionais de Reforma) ou, por outras palavras, as suas propostas nacionais para o avanço da estratégia Europa No caso de as recomendações não serem postas em prática dentro de um determinado prazo, pode ser emitido um aviso por parte do Conselho, sendo que, no caso da persistência de desequilíbrios macroeconómicos excessivos ou desequilíbrios orçamentais, multas poderão ser infligidas. Foi também para promover a coordenação económica da União, tornada ainda mais necessária pela crise, que foi adotado o chamado «six pack», um conjunto de seis atos legislativos que entrou em vigor em dezembro de 2011, e que compreende quatro componentes principais. A primeira componente é uma maior ação preventiva, através do reforço do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e do aprofundamento da coordenação orçamental. Os Estados Membros ficam comprometidos a fazer progressos significativos para atingir objetivos orçamentais de médio prazo (OMP), sendo usados novos e melhores indicadores para aferir do ajustamento necessário. Os países da área do euro que não respeitem estas regras estão obrigados a constituir um depósito não remunerado de montante equivalente a 0,2% do PIB.

5 A segunda dimensão do pacote corporiza se numa maior ação corretiva, através de um PEC reforçado. A instituição de um Procedimento de Défice Excessivo (PDE) a um Estado Membro pode agora resultar não só da evolução do défice orçamental, como da evolução da dívida pública. Os Estados Membros com dívidas superiores a 60% do PIB devem ativamente procurar reduzir a sua dívida. Uma vez mais, os países da área do euro que não respeitem estas regras verão ativadas sanções financeiras progressivas ainda numa fase precoce do PDE. A terceira componente prende se com a definição de requisitos mínimos para a programação orçamental. Os Estados Membros devem garantir que os seus programas orçamentais estão em linha com padrões mínimos de qualidade, com metas quantificadas, abrangendo todos os níveis da administração pública e adotando uma perspetiva multi anual. A quarta dimensão é a prevenção e correção dos desequilíbrios macroeconómicos e competitividade. Durante a última década, os Estados Membros fizeram escolhas que contribuíram para gerar ou aprofundar divergências de competitividade e desequilíbrios macroeconómicos na União. Um novo mecanismo de supervisão visa prevenir e corrigir tais divergências. Este vai contar com um sistema de alerta que recorre a um painel de indicadores e estudos aprofundados, bem como a regras rígidas sob a forma de um novo Procedimento Relativo ao Desequilíbrio Excessivo (PRDE). A possibilidade de aplicação de sanções financeiras aos Estados Membros que não acatem com as recomendações deverá assegurar o seu melhor cumprimento. O cumprimento das novas regras será reforçado por via do recurso à votação segundo a regra da «maioria qualificada invertida»: com este sistema de votação, considera se aprovada uma recomendação ou proposta da Comissão ao Conselho, a menos que uma maioria qualificada de Estados Membros vote contra. Igualmente em dezembro de 2011, os Estados Membros da área do euro acordaram em avançar para uma união económica mais forte através de um novo pacto orçamental e de uma coordenação reforçada das políticas económicas através de um acordo internacional o Tratado sobre a Estabilidade, a Coordenação e a Governação na UEM (TECG). Este tratado intergovernamental, também conhecido como «fiscal compact», foi assinado pelos Estados Membros da União (à exceção do Reino Unido e da República Checa) em março de 2012 e encontra se em fase de ratificação. É apenas vinculativo para os Estados Membros da UEM. O TECG exige que seja incorporada no direito nacional, de preferência no direito constitucional, uma regra segundo a qual os orçamentos nacionais devam estar em situação de equilíbrio ou excedente, podendo essa regra ser fiscalizada pelo Tribunal de Justiça da UE. Em termos práticos, obriga as partes contratantes a respeitar/assegurar a convergência para o OMP definido no PEC, e a respeitar um limite de défice estrutural. No que respeita à coordenação de políticas económicas e à convergência, prevê se a vigilância reforçada e a cooperação em política económica, incluindo a coordenação ex ante dos planos de emissão de dívida e programas de parceria económica dos Estados Membros no contexto do Procedimento de Défice Excessivo, detalhando as reformas estruturais julgadas necessárias para uma correção eficaz e duradoura dos referidos défices. O TECG contribuirá para desenvolver uma coordenação mais estreita na área do euro a fim de assegurar uma gestão duradoura, sã e robusta das finanças públicas e desse modo lidar com uma das principais fontes de instabilidade financeira. A entrada em vigor do tratado está prevista para janeiro de 2013, após a ratificação por pelo menos 12 países da área do euro. O TECG e o Mecanismo de Estabilidade Financeira são instrumentos de política económica e financeira que se complementam para a promoção da responsabilidade e solidariedade orçamentais na UEM. A partir de março de 2013, a concessão de assistência financeira a um Estado Membro ao abrigo do MEE estará condicionada à ratificação do TECG por parte daquele.

6 Está ainda em curso a discussão de medidas adicionais ( two pack ) com o objectivo de reforçar os mecanismos de vigilância orçamental na área do euro. O conteúdo desta proposta legislativa apresentada em novembro de 2011 prevê: A monitorização e avaliação das propostas de orçamento anual do estado dos Estados Membros de modo a assegurar a correção de défices excessivos da área do euro 6, o que incluirá a aplicação de regras orçamentais comuns a nível nacional, monitorizadas por instituições independentes, e a apresentação à Comissão e ao Eurogrupo, antes de 15 de outubro de cada ano, das propostas nacionais de orçamento e das previsões macroeconómicas subjacentes. Trata se de melhorar os mecanismos de monitorização e partilha de informação orçamental entre Estados Membros, mais próximo da data de adoção dos respetivos orçamentos nacionais. O reforço da supervisão económica e orçamental dos Estados Membros afetados ou ameaçados por graves dificuldades no que diz respeito à sua estabilidade financeira na área do euro 7. Trata se de pôr em prática mecanismos específicos de supervisão económica e orçamental dos países objeto de programas de assistência precaucionária ou integral. No conjunto das iniciativas relativas ao governo económico da União destaca se ainda o Livro Verde da Comissão sobre a viabilidade da introdução de obrigações de estabilidade 8, de novembro de 2011, que tem por objetivo lançar uma ampla consulta pública sobre o conceito de «obrigações de estabilidade». Dito de outra forma, o documento avalia a viabilidade da emissão comum de obrigações soberanas entre os Estados Membros da área do euro e as condições requeridas para tais emissões. Tal significaria a partilha dos fluxos de receitas e dos encargos do serviço da dívida a ela associados. Considera se que uma maior integração financeira e política na União, em particular na área do euro, é essencial para se alcançar um mais forte alinhamento dos interesses dos Estados Membros, dessa forma tornando mais fácil o combate a fatores externos, nomeadamente quando estes introduzem clivagens intra União e constituem uma ameaça à capacidade de resposta comum e ao próprio processo de integração. A situação que se tem vivido nos mercados de dívida soberana dos países da área do euro, registando comportamentos antagónicos simultâneos, demonstra claramente o quanto os riscos de desagregação são reais, e quão imprescindível é a resposta conjunta da União e do BCE. Com o fim de preservar a estabilidade financeira na área do euro no clima de excecional turbulência, o BCE tem tomado medidas excecionais de política monetária que muito têm contribuído para estabilizar os mercados europeus e manter a confiança no sistema financeiro. Dessas medidas, destacam se as operações não convencionais de cedência de liquidez ao sistema financeiro. O BCE lançou em dezembro de 2011 e em fevereiro de 2012 operações de refinanciamento de montante ilimitado às instituições financeiras, por um prazo máximo de três anos as chamadas «Long Term Refinancing Operations (LTRO)». Estas operações, bem como a descida das taxas diretoras das operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez mantidas em níveis historicamente reduzidos, vieram aliviar as pressões de liquidez e financiamento vividas por muitas instituições financeiras da área do euro, em especial as dos países afetados por crises de dívida soberana. Em setembro de 2012, o Conselho do BCE anunciou a intenção de intervir nos mercados secundários de dívida soberana dos Estados Membros da área do euro mediante condicionalidade. A intervenção é realizada através da execução de transações monetárias definitivas as chamadas Outright Monetary Transactions (OMT) do Eurosistema, que consistem na aquisição de títulos de dívida soberana dos países em causa, de maturidade 6 COM (2011) 821 final. 7 COM (2011) 819 final. 8 COM(2011) 818 final.

7 entre 1 e 3 anos, e sem limite de quantidade pré fixado. A condição necessária à realização destas operações é a verificação de uma condicionalidade estrita e eficaz nos termos de um programa de assistência financeira associado do FEEF/MEE. Tais programas podem assumir a forma de um programa de ajustamento macroeconómico integral ou um programa de precaução (linha de crédito com condicionalidade). As OMT pressupõem a possibilidade de o FEEF/MEE adquirir títulos no mercado primário. A decisão relativa às OMT acarretou a descontinuação do temporário Programa de Compra de Títulos 9 do BCE iniciado em À semelhança deste programa, as OMT destinam se a salvaguardar o mecanismo de transmissão monetária e a unicidade da política monetária. Foram também tomadas medidas para aumentar e preservar a disponibilidade de garantias a utilizar pelas contrapartes nas operações de refinanciamento, com o fim de manter o acesso destas às operações de cedência de liquidez do Eurosistema. As medidas e opções de política económica e monetária devem ser encaradas à luz dos novos desígnios da União. Por isso, no seu discurso anual sobre o estado da União de setembro de 2012, o Presidente da Comissão Europeia apresentou argumentos convincentes para um novo rumo e um novo pensamento para a Europa que projete os seus valores, a sua liberdade e a sua prosperidade no futuro de um mundo globalizado. Assim se justificam as propostas para um Mecanismo Único de Supervisão Europeu e para uma união bancária. A questão da equidade no que toca à resolução da crise não foi descurada, enquadrando se nesta a defesa de um imposto sobre as transações financeiras justo e ambicioso a aplicar pelos Estados Membros que estiverem de acordo. A Comissão vai publicar um plano de aprofundamento da UEM ainda em 2012, cujo mote é: O segundo elemento de uma união económica mais profunda é avançarmos para uma união orçamental. Neste contexto, a particular situação de Portugal merece uma menção. Em 2011, os efeitos conjugados da recessão económica, da crise de solvabilidade das finanças públicas nacionais e de um ambiente de turbulência nos mercados financeiros internacionais, conduziram Portugal à necessidade de recorrer a assistência internacional. O país foi então objeto de um programa de assistência económica e financeira por parte da UE, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do BCE, assinando se um Memorando de Entendimento. O governo português pôde então aceder a empréstimos no montante de 78 mil milhões de euros para fazer face aos seus compromissos financeiros 10. Até à data, foi utilizado cerca de 70% daquele valor total. O desembolso das quantias remanescentes terá lugar na sequência das avaliações regulares à execução do programa, efetuadas pelos técnicos das três organizações internacionais. À semelhança das quatro anteriores avaliações, o resultado da quinta avaliação revelou que Portugal continua, em geral, a progredir. Em 2012, apesar dos ventos contrários vindos de fora, o crescimento real do PIB não se afastou das estimativas, o desempenho das exportações tem sido melhor do que o previsto e a rápida redução do défice externo tem contribuído para reduzir as necessidades de financiamento externo. Contudo, o aumento do desemprego, a redução do rendimento disponível e uma deslocação para atividades com menor tributação estão a ter consequências desfavoráveis na própria cobrança de impostos, na economia e no apoio político e social que tem contribuído para a implementação do programa. É neste contexto que terão de continuar a ser tomadas as decisões políticas que recoloquem a economia em crescimento sustentável. A recapitalização do setor bancário encontra se praticamente concluída, tendo sido injetados nos quatro principais bancos portugueses mais de 7 mil milhões de euros 11,. O fundo de apoio à solvência bancária foi criado no contexto do programa de assistência para apoiar especificamente o setor bancário e tem uma capacidade de 12 mil milhões de euros. Assumiram também grande importância para o mercado português as operações de refinanciamento de longo 9 Securities Market Programme (SMP) mil milhões de euros referem se a empréstimos da União Europeia e 26 mil milhões de euros provêm do Mecanismo Alargado de Financiamento do FMI. 11 Financiados em 4,5,5 mil milhões de euros com recurso ao fundo de apoio à solvência bancária e o remanescente através de fundos públicos nacionais ou de fundos privados.

8 prazo (3 anos) de montante ilimitado anteriormente referidas, cuja taxa de juro aplicável foi de 1%. O efeito conjugado das recapitalizações e das condições de política monetária excecionais criadas no Eurossistema para fomentar a liquidez têm permitido ao sistema bancário português fazer face aos seus constrangimentos de liquidez. A desalavancagem do sistema bancário tem prosseguido a bom ritmo, sendo expectável que a generalidade dos bancos portugueses alcance o rácio de transformação de depósitos indicativo de 120% em Não obstante, o acesso ao crédito em condições aceitáveis continua a ser difícil para determinados setores da economia. Estão a ser preparados diversos instrumentos com vista a assegurar que as empresas viáveis, nomeadamente nos setores dos bens transacionáveis, possam obter financiamento adequado para as suas atividades, designadamente por via da diversificação das fontes de financiamento do setor empresarial. Enquanto se aguarda a entrada em vigor da legislação europeia relativa à supervisão e resolução bancária, as autoridades portuguesas têm avançado com um processo legislativo nacional 13. Com este enquadramento, a Representação da Comissão Europeia em Portugal disponibiliza, em português, um conjunto de textos produzidos pela Fundação Schuman, que contribuem para a boa compreensão e análise serena da crise que tem assolado a Europa desde Outubro de Atualmente o rácio situa se em 137% (2T2012) para a generalidade do sistema financeiro, tendo descido de 161% no final de Estão atualmente a ser finalizadas as propostas legislativas e as normas de supervisão relevantes sobre intervenção precoce para a prevenção e gestão de crises, sobre a resolução bancária e sobre o sistema de garantia de depósitos, que se espera estarem concluídas a breve trecho. Está prevista a criação de um fundo de resolução de âmbito nacional que será financiado pelas instituições financeiras participantes e a criação de um quadro legal para o funcionamento dos chamados bridge banks, ou seja, bancos controladas por entidades públicas criados no contexto da resolução de instituições financeiras, com um tempo de vida pré determinado, e que se destinam a gerir os ativos do banco insolvente tendo em vista a sua alienação futura.

9 Sebastian Paulo Licenciado em ciências políticas (Paris) e mestre em International Relations and Diplomacy of the EU (Collège d Europe); participou na redação do estudo Perspectives du développement mondial 2010 pela OCDE e no Relatório Schuman sobre o estado da União em RESUMO A 24 e 25 de março, o Conselho Europeu aprovou o Mecanismo de estabilidade europeia e o Pacto Euro+. Estas decisões marcam o final de uma longa série de reformas cuja origem remonta a 2007, no início da maior crise financeira mundial em 80 anos. Essa crise desestabilizou todo o sistema financeiro e mergulhou a economia em recessão. Em jeito de prolongamento da crise financeira, uma deterioração acentuada das finanças públicas afetou gravemente vários países da zona euro, comprometendo a credibilidade da moeda única europeia. As turbulências financeiras e a crise do euro revelaram deficiências em matéria de integração europeia e chamaram a atenção para a necessidade de se agir em conjunto. O período de mostrou que a União Europeia é um sistema político que evolui com as crises. Esta crise deu origem a uma dinâmica de reforma considerada impossível desde o fracasso dos referendos francês e neerlandês sobre a Constituição Europeia em As 10 fichas explicativas que se seguem apresentam um resumo sobre a forma como a União Europeia tem vindo a enfrentar os desafios criados pela turbulência financeira em curso desde Têm por objetivo facilitar a compreensão do contexto da crise que a União tem vindo a atravessar e fornecer um panorama das reformas adotadas para lhe fazer face. As primeiras seis dizem respeito à crise financeira mundial e às medidas tomadas tanto a nível internacional como europeu para gerir os efeitos e reduzir as probabilidades de se vir a repetir no futuro. Na União Europeia estas medidas incluem, nomeadamente, a criação de uma nova estrutura de supervisão financeira e uma grande produção legislativa em termos do Regulamento Financeiro. As últimas quatro fichas incidem sobre a crise e o euro e a reforma da União Económica e Monetária. Ficha 01 Índice Ficha 01 A crise económica e financeira em resumo 8 Ficha 02 Crise financeira mundial: causas e ensinamentos extraídos 10 Ficha 03 Reforma da arquitetura financeira mundial 11 Ficha 04 Regulamento Financeiro e Supervisão na UE (I) Novas instituições: intensificação da supervisão financeira na UE 14 Ficha 05 Regulamento Financeiro e Supervisão na UE (II) Reforço da capacidade de resistência do sistema financeiro 16 Ficha 06 Regulamento Financeiro e Supervisão na UE (III) Um setor financeiro mais transparente e mais responsável 19 Ficha 07 Da crise financeira à crise do euro 21 Ficha 08 Caraterísticas dos países em dificuldades 23 Ficha 09 Como reformar a união económica e monetária? (I) 26 Ficha 10 Como reformar a união económica e monetária? (II) 28 Lista de abreviaturas e símbolos 31

10 A crise económica e financeira em resumo Ficha O colapso da bolha do imobiliário nos EUA esteve na origem da crise A maior crise económica e financeira desde a década contavam com o aumento de preços dos bens imóveis de 1930 teve origem num setor específico do mercado para limitar os riscos. Em caso de incumprimento, poderiam sempre revender a um preço mais elevado. Em de crédito hipotecário americano, o mercado de alto risco. O crédito hipotecário de alto risco (sub prime) 2006, este tipo de empréstimo representava 10% do é um tipo de empréstimo que facilita o acesso à habitação por aqueles que não têm as garantias necessá da bolha do setor imobiliário nos EUA traiu a lógica do mercado de crédito hipotecário americano. O colapso rias para serem elegíveis para empréstimos normais sub prime. A taxa média de incumprimento aumentou, passando de cerca de 11% no início de 2006, para (prime). O sub prime é um crédito hipotecário de alto rendimento que implica um risco considerável de incumprimento por parte do mutuário. Os mais de 20% em mutuantes 2. A titularização do sub prime facilitou o contágio no sistema financeiro A titularização é uma operação financeira que permite partilhar riscos. As carteiras de empréstimos são integradas em conjunto num único produto que é dividido em valores mobiliários de níveis de risco variáveis. Por conseguinte, o risco de incumprimento é partilhado entre muitos credores. É uma garantia efetiva enquanto os incumprimentos se mantiverem como casos isolados. Todavia, se se verificar um incumprimento maciço e simultâneo, tal como foi o caso na crise do crédito hipotecário de alto risco, a titularização alastra o risco a todo o sistema financeiro. O grau de complexidade e de opacidade das operações de titularização torna difícil avaliar com segurança a exposição real aos ativos tóxicos. 3. A desconfiança mútua congela o mercado interbancário A incerteza criou um clima de desconfiança, tendo os bancos deixado de emprestar dinheiro entre si. Viram se obrigados a vender os ativos que ainda não tinham sido afetados pela crise. Consequentemente, a enorme venda de ativos de boa qualidade conduziu igualmente a uma diminuição do seu preço. Sem liquidez e face à depreciação do respetivo capital, muitas instituições financeiras encontraram se à beira da falência. A Europa foi tão afetada quanto os EUA; exemplo disso foi a nacionalização em fevereiro de 2008 do Northern Rock, o maior banco de crédito hipotecário do Reino Unido. 4. A falência do Lehman Brothers cria o pânico A crise atingiu um ponto culminante em setembro e outubro de 2008, quando as autoridades americanas decidiram não salvar o banco de investimento Lehman Brothers. Em ocasiões anteriores, o Governo americano tinha decidido salvar diversas instituições financeiras, tais como o banco de investimento Bear Sterns e as agências de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. A decisão de não o fazer no caso do Lehman Brothers conduziu à desestabilização do mercado financeiro mundial. A companhia de seguros AIG teve de ser intervencionada pelo governo; os bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley foram transformados em bancos comerciais para serem elegíveis para ajuda de liquidez do FED. Na Europa, os grupos Dexia e Fortis, duas instituições financeiras com ramificações transnacionais complexas, foram resgatados pelos países do Benelux e por França. Confrontada com deficiências no setor bancário, as autoridades públicas enfrentam um dilema: a difícil escolha entre o risco moral do resgate garantido e a desestabilização do sistema financeiro em geral causada pela falência de instituições importantes do ponto de vista sistémico ( demasiado grande para falhar ).

11 5. A crise financeira converte se em crise económica No final de 2008, a crise financeira começou a atingir a economia real. Em 2009, o PIB mundial baixou 0,6%; tratou se da primeira recessão a nível mundial desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a crise não afetou todos os países da mesma forma: enquanto os países desenvolvidos sofreram uma importante contração das suas economias, os países emergentes resistiram relativamente bem. O PIB da UE diminuiu 4,1%, sendo a Polónia o único Estado Membro a registar um crescimento positivo. A taxa de desemprego média na UE passou de 6,1% em 2008 para 10% em 2010 (nos EUA, de 5,8% para 9,7%). Taxa de crescimento em % do PIB Fonte: FMI Mundo UE EUA Japão China Índia Ficha 01 Os canais de transmissão crise: Embora as economias desenvolvidas tenham sido as que mais se contraíram, a crise não afetou só os países mais integrados do ponto de vista financeiro, que foram diretamente expostos a ativos tóxicos. A crise económica propagou se através de vários canais. A contração da oferta de crédito foi sem dúvida o principal canal de contágio: a crise do crédito afetou em especial as PME, que dependem mais do financiamento através de empréstimos bancários do que as grandes empresas. De um modo mais geral, o declínio da procura e a contração do comércio internacional contribuíram para o alastramento da crise: as exportações mundiais diminuíram 12% em Consequentemente, os países mais orientados para as exportações sofreram as maiores reduções do PIB (Alemanha 4,7%, Japão 5,2%). Os bancos também reduziram a sua exposição aos mercados emergentes racionando o crédito nas suas sucursais locais e evitando as saídas de capitais para estes países (em especial, a Europa Central e Oriental). Os países em desenvolvimento foram igualmente afetados em graus variáveis: os exportadores de produtos de base primários tiveram de enfrentar acentuadas descidas dos preços; outros países em desenvolvimento foram afetados por reduções das remessas dos emigrantes ou dos investimentos diretos estrangeiros (os fluxos mundiais de IDE diminuíram 37% em 2009). 6. Intervenção pública para fazer face à crise Bancos centrais: Os principais bancos centrais reduziram as suas principais taxas de juro para entre 0 e 1%. Substituíram o mercado interbancário como mutuantes de último recurso. Regressaram às medidas não convencionais de flexibilização destinadas a estabilizar o sistema financeiro: por exemplo, a promessa explícita de manter as taxas de juro baixas por um período de tempo prolongado a fim de reduzir a incerteza; a intervenção direta nos mercados financeiros através da aquisição de produtos financeiros específicos para influenciar as curvas de rendimento ou para estimular setores importantes do ponto de vista sistémico do mercado de crédito. Governos: Nos países desenvolvidos, os governos apoiaram as instituições financeiras em dificuldades através do seguinte: injeção de capital para reforçar a base de capital dos bancos; garantias para facilitar o acesso dos bancos ao financiamento; aquisição ou garantia de ativos tóxicos O grau de intervenção varia consideravelmente de país para país. Os pacotes de salvamento dos bancos foram maiores nos países em que o setor financeiro é grande, em relação à economia real, como no Reino Unido. Por último, os governos em todo o mundo adotaram pacotes de estímulo consideráveis para apoiar a economia real.

12 Intervenção pública no setor bancário (até junho de 2009) Pacotes de estímulo (até março de 2009) Mil milhões % do PIB Mil milhões de dólares % do PIB Alemanha autorizações despesas ,1 6,1 Alemanha 130,4 3,4 Espanha 75,3 4,5 França autorizações despesas ,9 5,3 França 20,5 0,7 Itália 7 0,3 Ficha 01 Itália Países Baixos Espanha Reino Unido EUA autorizações despesas autorizações despesas autorizações despesas autorizações despesas autorizações despesas n.d. 10 n/d 0, ,6 16,6 n.d. 31 n.d. 2, , ,3 7,4 Reino Unido 40,8 1,5 EUA 841,2 5,9 Japão 104,4 2,2 China 204,3 4,8 Fonte: Banco de Itália Japão autorizações despesas ,7 0,1 Fonte: Brookings Institution Ficha 02 Crise financeira mundial: causas e ensinamentos extraídos Embora seja fácil encontrar o ponto de partida da crise financeira mundial na crise do crédito hipotecário, identificar as respetivas causas subjacentes é mais complicado. A crise não pode ser explicada por uma única causa. Em contrapartida, pode ligar se a um conjunto complexo de causas interdependentes a que os peritos concedem diferentes graus de importância. São duas as principais explicações que moldam a resposta política, tanto ao nível internacional como a nível europeu. 1. A crise como uma falha da regulação e da supervisão financeira A primeira explicação considera a crise essencialmente como a falta de um quadro regulamentar e de supervisão. De acordo com esta interpretação, os atores financeiros funcionaram em estruturas que levaram a uma subavaliação dos riscos e à assunção de riscos excessivos. Falhas na gestão de risco nas instituições financeiras: As práticas de remuneração incentivaram a assunção de riscos e levaram a uma incidência em resultados a curto prazo (prémios sob a forma de opções e ações sem restrições de cash out; prémios ligados ao desempenho anual dos operadores, etc). Avaliação de riscos inadequada: Exposição a choques sistémicos subestimada pelos modelos de risco. Testes de resistência frequentemente com base em condições económicas demasiado favoráveis. 10

13 Opacidade e complexidade de produtos financeiros complicaram a avaliação de risco: a titularização é um exemplo. O modelo originar e distribuir limitou o interesse numa avaliação dos riscos adequada. Falta de transparência na maior parte dos mercados financeiros, nomeadamente nos mercados de balcão de derivados. Os mercados de balcão de derivados não são negociados na bolsa, mas de forma privada entre compradores e vendedores. Confiança excessiva nas agências de notação de crédito: métodos imperfeitos, conflitos de interesses (os avaliados pagam pela notação, uma prática conhecida por rating shopping ). Práticas de regulamentação e supervisão financeira: O quadro regulamentar sobrestimou a capacidade Problemas no intercâmbio de informações e na dos bancos para gerirem o risco e, como resultado, coordenação entre os vários atores na supervisão subestimou o nível de capital que devem possuir. financeira. Não existe nenhum mecanismo para garantir que qualquer tomada de decisão coletiva co Demasiado relevo dado à regulamentação microprudencial das instituições financeiras e negligência mece por uma identificação de risco. da evolução mais geral e dos riscos sistémicos. 2. A crise como resultado de desequilíbrios macroeconómicos A crise financeira mundial foi precedida de um período de transações correntes dos EUA é uma manifestação de condições económicas particularmente favoráveis destes desequilíbrios e reflete se nos excedentes de marcadas pela abundância de liquidez e taxas de juro países asiáticos (principalmente a China) e dos países exportadores de petróleo (Médio Oriente, Rússia). baixas. Estes dois fatores contribuíram grandemente para a crise financeira. Foram resultado tanto da adoção de políticas monetárias expansionistas nas econocipalmente financiado por uma considerável entrada O crescimento do crédito nos Estados Unidos foi prinmias desenvolvidas como dos desequilíbrios macroeconómicos mundiais. A crescente procura por parte dos EUA tem sido sa de capital dos países excedentários. As políticas monetárias laxistas, especialmente nos EUA tisfeita por importações provenientes da China e de após a crise dos dot.com, levaram ao crescimento do outros países asiáticos. Em troca, os excedentes destes países foram investidos em obrigações do Governo crédito, que estimulou o consumo e o investimento. Uma consequência direta disso foi o desenvolvimento americano e outros ativos de baixo risco. Como resultado, os baixos rendimentos das obrigações incenti da bolha imobiliária, cuja explosão despoletou a crise financeira. varam os investidores a procurarem oportunidades de Ao mesmo tempo, os desequilíbrios macroeconómicos consideráveis foram sendo acumulados durante a (com maiores riscos). investimento que ofereçam rendimentos mais elevados década anterior à crise. O enorme défice da balança Ficha 02 Reforma da arquitetura financeira mundial Ficha 03 A crise financeira mundial levou a uma mobilização política a nível internacional a fim de evitar uma crise como a de A crise de 29 traz à memória respostas fragmentadas e puramente nacionais que agravaram as suas consequências económicas. 11

14 O G20 está atualmente no cerne da nova arquitetura financeira mundial. Além disso, o papel das várias instituições especializadas no domínio da regulamentação e da supervisão financeira foi reforçado, designadamente o do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Conselho de Estabilidade Financeira (CEF). Estas reformas refletem também uma mudança no equilíbrio mundial de forças a favor dos países emergentes e em detrimento dos poderes instituídos, nomeadamente os países europeus. 1. G20: O novo comité diretor da governação económica e financeira mundial Ficha 03 Em 1999, o G20 foi criado em resposta à crise financeira que atingiu alguns países emergentes nos anos mundial, a partir daí a nível de Chefes de Estado e de o G20 foi promovido a fórum de direção da economia 90, designadamente a crise asiática. Os ministros Governo. O aumento de importância do G20 foi acompanhado da perda de importância do G8. Represen das finanças e os governadores dos bancos centrais dos países industrializados e dos países emergentes tando 85% da economia e 66% da população mundial, reúnem se uma vez por ano neste formato. Em 2008, o G20 reflete melhor as realidades do século XXI. G20: Membros: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido, EUA, UE. Podem ser convidados outros países e organizações regionais a participarem nas cimeiras. Balanço de cinco cimeiras do G20: o que foi alcançado? Coordenação das medidas destinadas a limitar os efeitos da crise tomadas a nível nacional (medidas de apoio para os bancos, injeção de liquidez pelos bancos centrais, planos de recuperação, etc.): a coordenação é necessária a fim de otimizar a resposta política e evitar problemas de ação coletiva (free riders). Contudo, a cooperação nem sempre ocorre sem problemas ou sem reflexos protecionistas. Dois exemplos são o litígio sobre a cláusula buy America no pacote de incentivo dos EUA e os litígios monetários, especialmente críticas à subvalorização do renminbi (Yuan). Definição da agenda de reforma para efeitos de regulamentação e supervisão financeira. Washington Novembro de 2008 Londres Abril de 2009 Pittsburgh Setembro de 2009 Toronto Junho de 2010 Seul Novembro de 2010 Reforço da capacidade de concessão de empréstimos das instituições financeiras internacionais. A Cimeira de Washington, por exemplo, aumentou os recursos do FMI e dos bancos de desenvolvimento em 850 mil milhões de euros. Reforma das instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, CEF, etc.), a fim de os tornar mais eficazes e aumentar a sua legitimidade, nomeadamente reconhecendo a influência crescente dos países emergentes. 2. FMI recupera protagonismo na sequência da crise O FMI foi uma das organizações internacionais criadas pelos acordos de Bretton Woods em Inicialmente, o seu principal objetivo era garantir o bom funcionamento do regime monetário de Bretton Woods (sistema de taxas de câmbio fixas mas reguláveis), que chegou ao seu termo em O FMI tem redefinido permanentemente o seu papel ao longo das crises petrolíferas dos anos setenta, as crises da dívida da década de 80, os desafios com que se deparam as economias de transição após a guerra fria e as crises da dívida da década de 90. Após um período em que o papel do FMI foi em grande medida desacreditado e enfraquecido, a crise trouxe o FMI de volta para a linha da frente da política internacional. O FMI tem alguns instrumentos importantes à sua disposição para ajudar os seus membros a ultrapassar os desafios colocados pela crise: Recursos financeiros para ajudar os países com problemas de balança de pagamentos: a capacidade de concessão de créditos do FMI totalizava milhões de dólares antes da crise. Em abril de 2009, o G20 decidiu triplicar esse montante. Durante muito tempo o FMI foi conhecido pelas condições duras que impunha à concessão de empréstimos. Ao longo da crise, o FMI tem vindo a introduzir instrumentos de concessão de empréstimos mais flexíveis. Supervisão bilateral e multilateral para assegurar a estabilidade financeira e macroeconómica nos Estados Membros e na economia mundial. Análise (World Economic Outlook, relatório sobre a estabilidade financeira mundial) e assistência técnica. 12

15 Com 187 membros, o FMI abrange praticamente todos os países. No entanto, a influência dentro da organização depende, em primeiro lugar, do peso económico dos Estados Membros. A cada Estado Membro é atribuída uma parte de quota. As quotas determinam a contribuição financeira que os membros fazem para os recursos financeiros do FMI. A distribuição de quotas é revista de cinco em cinco anos. Sob o impulso do G20, a governação do FMI foi reformada. Em dezembro de 2010, foi efetuada a 14.ª revisão geral das quotas. A reforma previu uma duplicação das quotas resultante de uma transferência de 6% da distribuição de quotas a favor dos países emergentes. A China, a Coreia do Sul, a Índia, o Brasil e o México são os principais beneficiários da reforma. Com uma parte de 17%, os EUA mantêm o seu poder de veto (as principais decisões têm de ser tomadas com uma maioria de 85%). O Conselho Executivo tornou se mais representativo e é agora integralmente eleito. O Conselho de Administração é composto por 24 lugares, sendo um máximo de sete reservado para os membros europeus. Os europeus desistiram, portanto, de dois lugares e têm de chegar a um acordo intraeuropeu (incluindo a Suíça) no que diz respeito à atual distribuição desses lugares até Conselho de Estabilidade Financeira (CEF) O Conselho de Estabilidade Financeira é o sucessor do nacionais (BPI) em Basileia. As cimeiras do G20 de Fórum sobre a Estabilidade Financeira (FEF), criado pelos Ministros das Finanças e governadores dos bancos do FEF, rebatizado CEF. A sua composição atual reflete Washington e de Londres deram início a uma reforma centrais do G7 em 1999 para promover a estabilidade melhor o papel crescente desempenhado pelos países financeira. Trata se essencialmente de um órgão de emergentes, tendo o seu mandato sido reforçado. Estas alterações corrigem a lógica errada inerente ao FEF coordenação, com o objetivo de formar um consenso sobre as melhores práticas em matéria de regulamentação e supervisão financeira, bem como a deteção de devia sobretudo às economias emergentes, podendo segundo a qual a fonte de instabilidade financeira se vulnerabilidades no sistema financeiro mundial. O seu portanto os países desenvolvidos monopolizar o direito Secretariado funciona no Banco de Pagamentos Inter de estabelecer regras para o resto do mundo. Ficha 03 Os países membros do CEF têm entre um e três lugares ocupados pelo respetivo banco central e/ou o Ministério das Finanças; os países com três lugares estão também representados por uma autoridade de supervisão financeira. Os 24 Estados membros (com o respetivo número de representantes) são os seguintes: Argentina (1), Austrália (2), Brasil (3), Canadá (3), China (3), França (3), Alemanha (3), Hong Kong (1), Índia (3), Indonésia (1), Itália (3), Japão (3), México (2), Países Baixos (2), Coreia do Sul (2), Rússia (3), Arábia Saudita (1), Singapura (1), África do Sul (1), Espanha (2), Suíça (2), Turquia (1), Reino Unido (3), EUA (3). Além disso, algumas organizações internacionais estão também representadas no CEF (BPI, Comissão Europeia, BCE, FMI, Banco Mundial, OCDE). Estão também representadas seis organizações setoriais em matéria de desenvolvimento de normas financeiras internacionais (por exemplo, o Comité de Basileia sobre Supervisão Bancária). 4. Organizações setoriais Comité de Basileia sobre Supervisão Bancária (BCBS): O Comité de Basileia sobre Supervisão Bancária é um fórum de cooperação internacional que visa melhorar a supervisão bancária. A sua sede é no BPI em Basileia. Foi criado em 1974 pelos governadores dos bancos centrais do G10 (Alemanha, Bélgica, Canadá, França, Itália, Japão, Países Baixos, Suécia, Reino Unido, EUA). Tal como o CEF, a sua base de membros foi alargada a fim de incluir os países emergentes. O Comité de Basileia é conhecido pelos acordos de Basileia em matéria de requisitos de capital mínimo, ou seja, a relação entre os montantes que os bancos podem emprestar e o capital que são obrigados a deter (Basileia I 1988; Basileia II 2004; Basileia III 2010). Outras organizações incluem: Conselho das Normas Internacionais de Contabilidade (IASB); Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (OICV); Associação Internacional das Autoridades de Supervisão de Seguros (IAIS) 13

16 Ficha 04 Regulamento Financeiro e Supervisão na UE (I) Novas instituições: intensificação da supervisão financeira na UE A crise financeira mundial provocou uma grande atividade legislativa na UE. Uma parte importante das reformas em curso figurou no relatório do Grupo de Larosière, apresentado a 25 de fevereiro de A Comissão Europeia solicitou ao antigo diretor geral do FMI que presidisse a um grupo de alto nível para elaborar as propostas de reforma. Regulamento: regras que regem as atividades das instituições financeiras Supervisão: processos e estruturas criadas para assegurar que as regras são respeitadas A crise pôs em evidência a fragmentação da supervisão financeira na UE. Os mecanismos estabelecidos estavam pouco adaptados a um mercado financeiro europeu integrado. Para corrigir as deficiências do atual sistema, foi criado um novo quadro europeu da supervisão financeira. Em janeiro de 2011, tornaram se operacionais quatro novas instituições de fiscalização. 1. A supervisão financeira na UE antes da crise: um sistema altamente fragmentado As autoridades financeiras nacionais constituem a base da supervisão financeira na UE. Até há pouco, funcionavam no âmbito de três comités de supervisão europeus: Comité das Autoridades Europeias de Supervisão Bancária (CAESB) Comité das Autoridades Europeias de Supervisão dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (CAESSPCR) Comité Europeu dos Reguladores dos Valores Mobiliários (CERVM). Estes comités, que tinham apenas poderes consultivos, não foram capazes de superar as diferenças de tradições nacionais de supervisão e formar um quadro de supervisão coerente. A maior parte das normas técnicas foram definidas a nível nacional e persistem diferenças significativas entre Estados Membros. Além disso, as competências das autoridades de supervisão variam de país para país. O resultado foi uma aplicação desigual do quadro regulamentar em toda a UE. Este tipo de fragmentação é prejudicial para a estabilidade financeira por exemplo, ao permitir a deslocação da atividade financeira para os territórios em que a supervisão é menos rigorosa. O sistema de supervisão financeira da UE não dispunha igualmente de mecanismos fiáveis para resolver as diferenças relativas a atividades financeiras transnacionais. O intercâmbio de informações entre as autoridades nacionais era inadequado. Em caso de crise, as autoridades nacionais não podiam tomar medidas de emergência coordenadas (a proibição isolada da venda a descoberto pela Alemanha é disso um exemplo). Em suma, o sistema de supervisão da UE revelou se difícil de gerir. O Relatório Larosière identifica como uma das suas principais deficiências a falta de qualquer mecanismo formal para assegurar que a identificação de riscos implique medidas coordenadas a nível europeu. 14

17 2. A nova estrutura da supervisão financeira europeia Com base nas recomendações do Grupo de Larosière, a Comissão elaborou propostas para o estabelecimento de um novo sistema europeu de supervisão financeira. A 22 de setembro de 2010, o Parlamento Europeu aprovou o novo quadro de supervisão proposto pela Comissão. A decisão foi adotada pelo Conselho de Ministros a 17 de novembro de Três autoridades europeias de supervisão (AES) e o Comité Europeu do Risco Sistémico (CERS) iniciaram os seus trabalhos em janeiro de 2011 e substituíram os antigos comités de supervisão. 3. O braço macroprudencial : Conselho Europeu do Risco Sistémico (CERS) O CERS é responsável pela supervisão dos riscos sistémicos. Inclui um mecanismo de alerta rápido para garantir a solidez do sistema financeiro no seu conjunto. O respetivo secretariado funciona nas instalações do BCE em Frankfurt. Ficha 04 Estrutura O Conselho Geral é o principal órgão de tomada de decisão do CERS. Composição: todos os governadores dos bancos centrais europeus, o presidente e o vice presidente do BCE; um membro da Comissão Europeia e os presidentes das três autoridades europeias de supervisão. As autoridades nacionais de supervisão e o Presidente do Comité Económico e Financeiro (CEF) estão igualmente representados no Conselho de Administração, mas sem direito de voto. O Comité Diretor é responsável pela preparação das decisões. É composto pelo presidente e o primeiro vice presidente do CERS, o vice presidente do BCE, quatro outros membros do Conselho Geral que são igualmente membros do Conselho Geral do BCE, os presidentes das novas autoridades europeias de supervisão, o presidente do CEF e um membro da Comissão. O presidente é eleito pelos membros do Conselho Geral por cinco anos, sendo o mandato renovável. O presidente do BCE assegurará a presidência do CERS por um período inicial de cinco anos. Como funciona o sistema de alerta rápido? O CERS identifica perigos para a totalidade do sistema financeiro. Emite alertas de risco e recomendações no que respeita a medidas a tomar. Os destinatários podem ser a UE como um todo (Conselho), um ou mais Estados Membros, uma ou mais AES e uma ou mais autoridades nacionais de supervisão. Se o destinatário concordar com a recomendação, terá de comunicar as medidas aplicadas para resolver o problema. Se o destinatário não seguir a recomendação, tem de fornecer uma justificação adequada. Se as justificações fornecidas forem consideradas insuficientes, o CERS informa o Conselho de Ministros. Em geral, as recomendações do CERS devem ser transmitidas ao Conselho. A fim de evitar uma reação exagerada dos mercados, a publicação de alertas e recomendações será decidida caso a caso. 4. O braço macroprudencial : as três autoridades europeias de supervisão (AES) Autoridade Bancária Europeia (ABE) Londres Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares Frankfurt Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados Paris As AES substituíram os três comités de supervisão. As autoridades nacionais são ainda responsáveis pela supervisão diária do setor financeiro, embora as AES garantam uma aplicação coerente das regras. Como elo de ligação entre a macro e a microssupervisão prudencial, um comité misto assegura a cooperação e o intercâmbio de informações entre as AES e o CERS. 15

18 Ficha 04 O mandato das AES: promover um conjunto único de regras de supervisão harmonioso, assegurar a aplicação coerente das regras na UE, facilitar o intercâmbio de informações, a coordenação e o acordo entre as diversas autoridades nacionais, designadamente no âmbito dos colégios de autoridades de supervisão (responsáveis pela supervisão de entidades financeiras transnacionais). A este respeito, podem promover a avaliação de risco e desencadear e coordenar as simulações de crise a nível da UE, a fim de avaliar a capacidade de resistência das instituições financeiras, supervisionar as agências de notação de crédito, exercer poderes de decisão em situações de emergência, incluindo as proibições harmonizadas de certos produtos financeiros e atividades, por exemplo, as vendas a descoberto a nu ( naked short selling ). As AES respondem perante o Conselho de Ministros e o Parlamento Europeu. Qualquer decisão restritiva tomada pelas AES está sujeita a controlo por parte das jurisdições competentes na UE. Além disso, as AES estão sob a alçada do Tribunal de Contas Europeu e do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF). Ficha 05 Regulamento Financeiro e Supervisão na UE (II) Reforço da capacidade de resistência do sistema financeiro Um primeiro conjunto de reformas no domínio do Regulamento Financeiro tem um duplo objetivo: promover a estabilidade financeira e fazer com que o sistema financeiro contribua para os custos das crises: 5. Requisitos de capital A reforma das regras em matéria de requisitos de capital mínimo é uma das medidas destinadas a tornar o setor bancário mais resistente no futuro. O rácio de adequação dos fundos próprios é o rácio entre o capital que um banco deve possuir e os riscos que implicam as suas atividades (por exemplo, empréstimos bancários). Este capital constitui um amortecedor que permite absorver perdas potenciais. Acordos de Basileia: quadro internacional em matéria de requisitos de capital. A nível internacional, as regras que regem os requisitos de capital são definidas pelo Comité de Basileia de Supervisão Bancária. O primeiro acordo de Basileia data de O regulamento dos requisitos de capital a nível mundial é necessário para assegurar que os bancos são capazes de absorver as perdas sem provocar crises sistémicas. Em 2004, seguiu se um segundo acordo de Basileia. O Acordo de Basileia II só entrou em vigor em janeiro de 2008 na UE e em abril de 2010 nos EUA. Em resposta à crise e para resolver algumas deficiências do Acordo de Basileia II, o Comité de Basileia de Supervisão Bancária adotou o Acordo de Basileia III em setembro de Este acordo foi aprovado pela Cimeira do G20 em novembro de

19 Principais alterações de Basileia III: Aumento dos requisitos de capital mínimo, tanto em termos de quantidade como de qualidade do capital detido. A qualidade refere se a uma definição mais rigorosa do que conta como capital de fase I (capital mais adequado para absorver os choques); Atenuação dos efeitos pró cíclicos dos requisitos de capital através de um tampão anticíclico entre 0 e 2,5% para além dos requisitos mínimos. As normas de Basileia foram sempre alvo de críticas no que diz respeito ao efeito pró cíclico (devido ao facto de os riscos e, em resultado, os requisitos de capital mínimo, serem subestimados em períodos económicos favoráveis que impedem a acumulação de capital adequado para absorver as perdas em tempos de crise). O tampão anticíclico deve ser ativado em períodos de crescimento excessivo do crédito; Introdução de um rácio de alavancagem e novos rácios relativos aos riscos de liquidez. As diretivas da UE em matéria de requisitos de capital bancos, bem como introduzir os tampões anticíclicos. datam de 2006 (Diretivas 2006/48/CE e 2006/49/CE). Além disso, as definições dos requisitos de capital necessitam de ter melhor em conta os riscos associados Em outubro de 2008, a Comissão Europeia apresentou uma primeira alteração, seguida de uma segunda proposta em julho de De acordo com Basileia III, para o setor dos seguros uma reforma dos requisitos aos produtos titularizados. Está igualmente prevista as propostas têm por objetivo melhorar a qualidade e a quantidade dos fundos próprios detidos de capital (Solvência II). pelos Ficha Resolução ordeira das falências bancárias A falta de regras que permitam uma resolução ordeira do incumprimento por um banco sem correr o risco de desestabilizar o conjunto do sistema financeiro revelou se onerosa para o contribuinte. Os pacotes de salvamento dos bancos durante a crise financeira atingiram cerca de 13% do PIB da UE. A Comissão Europeia está a preparar uma proposta legislativa sobre a gestão de crises. Sugere a criação de uma rede harmonizada de fundos nacionais de resolução. A longo prazo, poderia ser estabelecido um único fundo de resolução a nível da UE. Para contribuir para a resolução ordenada dos bancos, os fundos podem ser utilizados para o financiamento de um determinado número de medidas: transferência total ou parcial dos ativos e/ou passivos de instituições financeiras em dificuldade; divisão «bom banco/mau banco». A tributação dos bancos é uma maneira de fazer o setor bancário contribuir para o financiamento dos fundos de resolução de crises. Alguns Estados Membros, como a Suécia, o Reino Unido e a Alemanha, já introduziram um imposto bancário ou decidiram fazê lo. A Comissão Europeia propôs que os 27 Estados Membros da UE introduzam este tipo de imposto para financiar fundos de resolução de crises. No entanto, não existe consenso sobre esta questão: a França e o Reino Unido, por exemplo, gostariam de ver as receitas da imposição bancária diretamente atribuídas ao orçamento do Estado. Países como a Itália, que não lançaram operações de salvamento de bancos onerosas durante a crise, rejeitam a ideia enquanto tal. 7. Sistemas de garantia de depósitos A questão de proteger os depositantes está estreitamente ligada à questão do incumprimento pelos bancos. A crise num banco expõe os depositantes ao risco de perderem o dinheiro; as corridas aos bancos para levantar dinheiro podem contribuir para desestabilizar o sistema financeiro. Durante a crise financeira mundial, foi tomada a decisão de garantir até euros por depositante na UE. É essencial estabelecer um nível de proteção harmonizado na União Europeia, a fim de evitar que as poupanças sejam transferidas para países onde as regras protegem melhor em tempos de crise. Uma proteção desigual pode também conduzir a diferentes graus de proteção dentro do mesmo país; tal poderia conduzir a uma situação em que os clientes de um banco local beneficiem de um grau de proteção diferente de clientes de uma filial de um banco estrangeiro. O objetivo é estabelecer um sistema de garantia de depósitos pré financiado pelo setor privado e que só excecionalmente poderia ser subsidiado por fundos públicos. Além disso, a Comissão está a explorar formas de melhorar os sistemas de garantia de seguros. 17

20 Ficha 05 A ideia de um imposto sobre as transações financeiras internacionais foi apresentado como uma medida para estabilizar os mercados financeiros e obrigar os atores financeiros a contribuírem para os custos das crises. Embora o imposto tenha sido rejeitado pelo G20, alguns Estados Membros da UE, nomeadamente a França, a Alemanha e a Áustria, sugeriram a sua introdução a nível da UE. A proposta austríaca tem por base uma taxa de 0,01%. Os proponentes do imposto argumentam que penalizaria em especial os fluxos financeiros especulativos e não prejudicaria a economia real. A Suécia e o Reino Unido não pretendem aplicar um imposto sobre as transações financeiras sem a participação dos EUA e de outros grandes centros financeiros. Receiam que seja prejudicial para a capacidade de atração da União Europeia como centro financeiro. De acordo com a Comissão Europeia, um imposto sobre as transações financeiras poderia gerar receitas significativas (cerca de 20 mil milhões de euros, e até mesmo dez vezes este montante se fossem incluídos derivados). No entanto, a introdução de tal imposto implicaria problemas de ordem prática, devido sobretudo ao facto de 70% das receitas fiscais serem geradas pela city de Londres. Este seria igualmente um argumento contra a introdução de um imposto sobre as transações financeiras apenas na zona euro. A 8 de março de 2001, o Parlamento Europeu votou uma resolução a favor da aplicação de uma taxa mundial sobre as transações financeiras. Caso o imposto não pudesse ser aplicado a nível mundial, a UE deveria dar o exemplo. A ideia de tributar as transações financeiras não é nova. Inicialmente, foi lançada nos anos 70 pelo economista James Tobin. 8. Agências de notação de crédito (ANC) A excessiva confiança dada às ANC foi um fator importante para a crise financeira mundial. As ANC avaliam a solvabilidade dos mutuários (empresas ou Estados) e a qualidade dos produtos financeiros. Os principais pontos fracos das ANC: A crise financeira pôs em causa métodos e modelos de risco utilizados para determinar as notações. As agências de notação de crédito não conseguiram prever o impacto de choques sistémicos como, por exemplo, o colapso da bolha imobiliária nos Estados Unidos e o contágio através da titularização, o que fez cair os preços de produtos financeiros que tinham efetivamente recebido a melhor notação (AAA). Conflitos de interesses: as agências de notação de crédito são pagas pelas entidades que devem avaliar. Esta prática permite o rating shopping (ou seja, escolher a agência que é suscetível de publicar a melhor notação). Falta de concorrência: o mercado das ANC é dominado por três instituições americanas (Fitch, Moody s e Standard & Poor s). Em 2009, foi adotado um primeiro regulamento das ANC, que entrou em vigor a 7 de dezembro de As agências devem registar se e respeitar regras com vista a aumentar a transparência e evitar os conflitos de interesse. Publicação de modelos, métodos e hipóteses nos quais as agências de notação baseiem as suas notações de risco; Publicação de um relatório anual de transparência; Estabelecimento de um sistema de controlo interno a fim de garantir a qualidade das notações de risco; Os conselhos das agências devem incluir, pelo menos, dois membros remunerados independentemente do desempenho económico da agência. Tendo em conta o papel desempenhado pelas agências de notação na crise da dívida do euro, a Comissão Europeia sugeriu a revisão do regulamento das ANC em junho de Uma nova proposta tem por objetivo reforçar a supervisão das ANC e reserva um papel central a este respeito às novas autoridades de supervisão. Além disso, os emitentes de instrumentos financeiros estruturados devem fornecer a todas as agências de notação de crédito as informações que comunicaram à agência escolhida para fazer a notação (permitindo assim a publicação de notações não solicitadas). Para aumentar a concorrência entre as agências de notação de risco, a Comissão está a examinar medidas estruturais; por exemplo, a criação de uma agência de notação de crédito europeia. 18

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