Estudo de benchmarking internacional sobre práticas e instrumentos de apoio ao empreendedorismo

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1 Estudo de benchmarking internacional sobre práticas e instrumentos de apoio ao empreendedorismo Relatório Final Maio 2011

2 Índice Ficha Técnica 3 3. Estudos de caso 25 Visitas Realizadas Barcelona 26 Objectivos do Estudo Helsínquia Finlândia Enquadramento Conceptual São Paulo Conceitos 7 4. Lições da experiência do processo de apoio à actividade empreendedora impactes Processos eficientes de incubação Tipologia Relações entre Universidades, incubadoras e empresas Determinantes de empreendedorismo Relacionamento com o sistema financeiro Indicadores internacionais da dinâmica do empreendedorismo Conclusões e Desafios Indicadores de resultados Conclusões Dinâmica empreendedora e factores de sucesso Desafios 70 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 2

3 Ficha Técnica Título Estudo de benchmarking internacional sobre práticas e instrumentos de apoio ao empreendedorismo Relatório Final Maio 2011 Autoria Promotor do Estudo ANJE e CEC Autoria Sociedade de Consultores Augusto Mateus & Associados (AM&A) Promotor do Estudo Coordenação Global Augusto Mateus Coordenação Executiva Sérgio Lorga Projecto Promotor do Projecto Co- Promotores do Projecto Comité Consultivo Augusto Mateus Clara Braga da Costa Gonçalo Caetano José Furtado Paulo Madruga Rui Ferreira Vasco Varela Virgínia Trigo Consultores Filipa Lopes José Vasconcelos Ilustrações SXC Office 2010 Wikimedia Augusto Mateus & Associados e entidades citadas Cofinanciado por: Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 3

4 Visitas Realizadas A equipa de projecto da Sociedade de Consultores Augusto Mateus & Associados agradece a disponibilidade e a informação prestada pelos seguintes entrevistados: Helsínquia Finlândia São Paulo Barcelona Aalto Start-Up Center Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil AICEP Barcelona Anne Gustafsson Pesonen Laura Gurgel Manuel Martinez Garnica Marika Pakkala Ana Carolina Fioravante Fatima Magalhães Tekes SEBRAE Barcelona Activa Kari Komulanen Emerson Morais Vieira Marc Sans Otaniemi FINEP Fundació Bosch i Gimpera Ari Huczkowski William Respondovesk M. Carme Verdaguer i Montoyà Federation of Finnish Entreprises Lucia Klein Park Cientific Thomas Palmgren FIEP Jesús Purroy Max Lindholm AICEP (Helsinki) Kristiina Vaano Fabrizio Sardelli Panzini Paula Cristina Correa Bolonha Samir Mikhael Hamra Neto CIESP Vânia Strepeckes Lopes CIETEC Sergio Wigberto Risola HUB S. Paulo Pablo Handl Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 4

5 Nota Introdutória «The three core virtues for entrepreneurs: be honest, be frugal and be prepared» Janne Hukkinen in «Dismantling the barriers to entrepreneurship in reindeer management in Finland» 2006 «There is no one best way to foster entrepreneurship; it requires pratical strategies targeted to specific conditions» In Paths to Prosperity, promoting entrepreneurship in the 21st Century Monitor Group 2009 «When an inventor in Silicon Valley opens his garage door to show off his latest idea, he has 50% of the world market in front of him. When an inventor in Finland opens his garage door, he faces three feet of snow» J.O. Nieminen, CEO Nokia Mobira 1984 Motivação do Estudo O objectivo geral da elaboração do presente estudo é contribuir para melhorar o apoio activo ao empreendedorismo nacional, incrementando a competitividade das empresas empreendedoras desde a sua formação, e dos seus empresários, através da proposta de acções concretas, baseadas no estudo comparativo de casos seleccionados de boas práticas a nível internacional. Estas boas práticas serão analisadas nos seguintes âmbitos de abordagem: Identificação de boas práticas conducentes a melhores resultados comprovados; Identificação de boas práticas de incubação; Identificação de boas práticas decorrentes do mérito das empresas criadas nos centros de incubação. Para a concretização destas abordagens, o Conselho Consultivo identificou três sistemas internacionais de apoio ao empreendedorismo: o caso de Barcelona (Espanha), o caso de São Paulo (Brasil) e o caso de Helsínquia e Finlândia. Estas experiências foram seleccionadas tendo em consideração a maturidade e o reconhecimento internacional das suas políticas de promoção do empreendedorismo. O estudo encerra com um conjunto de conclusões sobre aspectos que podem contribuir para reforçar o sistema de apoio ao empreendedorismo e reforçar a sofisticação do modelo de intervenção- O estudo identifica um conjunto de desafios para promover a eficiência das entidades que em Portugal intervêm na promoção do empreendedorismo. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 5

6 1. Enquadramento Conceptual

7 1.1.Conceitos Definição de Empreendedorismo De acordo com a definição da OCDE empreendedorismo é «toda a acção humana empresarial em busca da criação de valor através da criação ou expansão da actividade económica, pela identificação e exploração de novos produtos, processos e mercados». Associadas a esta capacidade de geração ou aproveitamento de oportunidades, de assunção do risco de criação de riqueza, de actividade empreendedora, estão as pessoas que, pelas qualidades próprias evidenciadas, são denominadas empreendedoras. As qualidades referidas, são genericamente apelidadas de «orientação empreendedora». Múltiplos estudos têm-se dedicado a este tema, discutindo quais as características dos empreendedores, com base na verificação dos traços de personalidade de empreendedores de sucesso. Sucintamente, a maioria concorda com três traços base: a capacidade de iniciativa ou proactividade, a apetência para assumir riscos e capacidade de inovação. São também relevantes e centrais as competências associadas à agressividade competitiva e à autonomia. No âmbito do presente trabalho, iremos usar o termo empreendedor correspondente à definição actualmente adoptada pela OCDE (2011) 1 : «Detentores de negócio que procuram gerar valor, através da criação ou expansão de actividade económica identificando e explorando novos produtos, processo e mercados». O fomento do empreendedorismo tem sido realizado através de intervenções na cultura para a dinamização das capacidades empreendedoras de jovens, de criação de estruturas que apoiam o início da actividade, da facilitação de acesso a crédito, da formação profissional dos empreendedores, da constituição de redes e da constituição de ambientes propiciadores à inovação. Actualmente, é considerado fundamental para o seu desenvolvimento a constituição de ambientes propiciadores de empreendedorismo. O conjunto desta cultura e ambiente com o território envolvente denomina-se Ecossistema Empreendedor. Empreendedores, no sentido mais lato, são provocadores de mudança ou de ruptura através de iniciativa empreendedora, criando empresas (start-up), criando novos negócios ou conceitos dentro de organizações (intra-empreendedorismo) ou na sociedade (empreendedorismo social). (1) No entanto, ao longo deste capítulo serão discutidas várias tipologias associadas ao conceito de empreendedorismo Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 7

8 1.2.impactes Impacte do Empreendedorismo O empreendedorismo associa-se à aceleração das alterações estruturais da economia e à criação de emprego, pela constante inovação e aumento de produtividade, enquanto motor de competitividade e de desenvolvimento económico das cidades, das regiões ou dos países. O impacte do empreendedorismo depende das características do ecossistema e dos empreendedores e da natureza das suas actividades, assumindo-se que cada ecossistema tem propriedades próprias e gera impactes diferenciados em termos de intensidade e de qualidade. Varia ainda com o desenvolvimento e natureza da economia em que tem lugar. Em economias mais frágeis, o empreendedorismo poderá gerar formas viáveis e sustentadas de sobrevivência de indivíduos e de comunidades. Assume-se como uma forma eficaz de combate à pobreza. Gerando actividade económica onde esta não existia, contribui para o desenvolvimento e sustentabilidade de regiões ou países. Em regiões com sectores mais produtivos, os negócios criados apresentam maior sofisticação. Nestes ambientes, o seu impacte mede-se em crescimento económico, inovação ou internacionalização. O empreendedorismo é visto também como indutor de bem-estar social. O empreendedorismo social, realizado por entidades da Administração Pública e Organizações não Governamentais (ONG) é um forte motor de mudança das condições de vidas das populações. O ambiente/cultura empreendedora gerada no seio dos ecossistemas é conducente ao bom ambiente social e psicológico, passível de elevar níveis de motivação e de optimismo entre as pessoas. Por natureza, estabelecem-se redes que favorecem a entreajuda e que podem amortecer crises sociais. Determinantes Legislação Políticas Infra-estruturas Transferência de I&D Educação Normas Culturais e Sociais Mercados desempenho Empresarial Inovação Tomada de risco Proactividade Impacte Criação de emprego Crescimento económico Erradicação da pobreza Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 8

9 1.3.Tipologia Tipologia de Empreendedorismo Social Natureza Empresarial Induzido por necessidade Motivação Induzido por oportunidade Negócio tradicional/simples Tipo de Negócio Elevado uso de tecnologia/inovação Start-Up Tipo de Empresa Corporativo Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 9

10 1.3.Tipologia Induzido por necessidade Social Natureza Empresarial Motivação Induzido por oportunidade Os Empreendedores Sociais reconhecem problemas da sociedade e usam os princípios de empreendedorismo e a dinâmica empreendedora para criar, organizar e gerir iniciativas para provocar mudanças sociais, rompendo com os actuais cânones da Sociedade, criando uma nova forma de organização social ou apenas para resolver problemas de algumas populações ou grupos. Os empreendedores sociais procuram gerar valor social. Preocupam-se em gerar capital social no médio e longo prazo através de intervenções adequadas a cada um dos seus objectivos. Os empreendedores empresarias orientam o focus da sua actividade para o desempenho do negócio em que estão empenhados em desenvolver. Ambos procuram gerar resultados para a sua iniciativa. Distinguem-se pela sua atitude e práticas e na procura de resultados. Em muitas situações, o que os distingue é o beneficiário da sua acção empreendedora: os empresariais geram riqueza para si ou para a organização em que estão envolvidos e os sociais procuram beneficiar a Sociedade ou um grupo no seu seio. O empreendedorismo social carece de sustentabilidade económica e o empreendedorismo empresarial de reconhecimento social. Em países em desenvolvimento surgem cada vez mais exemplos de formas de empreendedorismo social, que assumem também carácter empresarial (veja-se a importação do modelo de microcrédito para países europeus). Entre as definições extremas apresentadas, encontram-se empreendedores empresariais preocupados com o impacte da sua actividade na mudança da sociedade e empreendedores sociais a cuidar também dos resultados económicos da sua iniciativa, procurando a sua própria sustentabilidade e viabilidade económica. Há lições nas práticas de uns e outros que importa conhecer. Cada empreendedor tem diferentes motivações para iniciar o seu negócio: por necessidade - procurando auto-emprego ou forma de auto-subsistência em situação de desemprego -, ou por vontade de autonomia, independência ou forma de aumentar o seu rendimento. Segundo o estudo do GEM (Global Entrepreneurship Monitor, 2010), a distribuição da motivação dos empreendedores relaciona-se, de perto, com o nível de desenvolvimento da economia. Conforme a economia e a produtividade evoluem, o rendimento per capita cresce e, geralmente, verifica-se uma migração do trabalho para sectores com maiores valias (do sector agrícola/construção para a indústria e daqui aos serviços). Em economias menos desenvolvidas, há maior proporção de actividades básicas movidas pela necessidade que usam mão de obra não especializada. A procura de emprego é tipicamente superior à oferta e uma grande proporção de pessoas tem que criar o seu próprio emprego e assegurar a própria subsistência. O desenvolvimento acarreta aumento da produtividade e maior exigência do trabalho em competências e em conhecimento. O aumento da riqueza estimula a criação de negócios baseados na exploração de oportunidades, passando o empreendedorismo a ser motivado, na sua maioria, pela ambição de crescimento, inovação e internacionalização. Dependem do acesso a condições financeiras, assumindo-se, acima de tudo, como vectores de crescimento económico e de criação de riqueza. A confiança (nas regras e na capacidade de as fazer cumprir) e a sensação de segurança (probabilidade de estar a salvo da criminalidade) é outro dos aspectos determinante para a prevalência de empreendedorismo por oportunidade. A previsibilidade das regras e da sua alteração bem como a eficácia do sistema judicial influenciam também factores que influem no tipo de empreendedorismo dominante encontrado nas regiões ou países. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 10

11 1.3.Tipologia Tradicional /Simples Tipo de Negócio Elevado uso de tecnologia /inovação Start-up Tipo de empresa Corporativo A utilização de tecnologia condiciona o tipo de negócio. O conceito start-up vulgarizou-se com empresas tecnológicas, que permitiam crescimentos rápidos. Com a queda do NASDAQ, em 2001, generalizou-se a ideia de que não basta ter tecnologia para ser uma iniciativa com sucesso e que as iniciativas menos intensivas em tecnologia podem também ter crescimentos rápidos. O conceito de Negócio Tradicional associa-se, na maioria das situações, a empreendedorismo de necessidade, cujas actividades se encontram inseridas no sector do comércio ou oficinas de profissões tradicionais ou artesanais (como acontece frequentemente no empreendedorismo por necessidade em países em vias de desenvolvimento). No entanto, verificam-se vários novos negócios, de iniciativa de empreendedores individuais ou corporativos com muito sucesso e que têm baixos níveis de recurso a tecnologia (mas não carecem de inovação) com êxito assinalável. A maioria das iniciativas empreendedoras que se verificam em países da OCDE têm elevada incorporação de conhecimento, e os empreendedores nelas envolvidos têm um elevado nível de incorporação de conhecimento. Com a crise de emprego que presentemente se vive na maioria dos países europeus, a percentagem de empreendedorismo por necessidade tem vindo a aumentar em termos relativos. Assumindo o processo empreendedor como dinâmica de identificação e aproveitamento de oportunidades e os empreendedores como agentes de mudança e crescimento numa economia de mercado então o empreendedorismo tanto se verifica dentro como fora das empresas. Poderá ainda verificar-se empreendedorismo da empresa como um todo, face ao mercado, como agente da economia, ou, no seu seio, dos elementos da empresa. Os colaboradores da empresa, quando empreendedores, assumem continuamente novos riscos, inovando e sendo proactivos na parte do processo de produção/gestão/comercialização que lhes compete (intra-empreendedorismo). As start-up podem ou não corresponder à implementação de uma estrutura empresarial, sendo sempre da iniciativa de um ou de um conjunto de empreendedores que se organiza para o aproveitamento da oportunidade de negócio. Neste caso, não se verificam pontos intermédios, sendo no entanto, frequente uma start-up, depois de madura continuar a assumir-se como uma empresa empreendedora, não apenas pela forma como se organiza para corresponder às oportunidades que o mercado gera, como também pela iniciativa e pela forma como gera as próprias oportunidades e assume os riscos inerentes. Grandes empresas comummente geram spin-off. Estes são manifestações de empreendedorismo dos seus colaboradores ou da empresa como um todo, destinadas a dar corpo à inovação gerada no seu seio e com o objectivo de participar em mercados dinâmicos muito especializados onde a estrutura humana e física pode ser determinante. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 11

12 1.4.Determinantes de empreendedorismo Condições determinantes de empreendedorismo Finanças Empreendedoras Disponibilidade de recursos financeiros para a criação de negócio ou sua sobrevivência sob as diferentes formas Forma como o Sistema Financeiro se relaciona com empreendedores Educação de Empreendedorismo Incorporação no Sistema Educativo de capacitação para a geração de negócios Existência de programas de desenvolvimento de capacidades empreendedoras relevantes Regulação de Mercados A natureza dos acordos comerciais, da regulação da concorrência e da transparência dos mercados condiciona mudanças nos mercados e a facilidade de entrada nestes de novas empresas Politicas do Governo Encorajamento ou neutralidade das politicas governamentais, regionais ou locais através de regulamentações ou tributação fiscal Programas de Apoio ao Empreendedorismo Existência e acessibilidade de programas de apoio à formação de novos negócios e empreendimentos e qualidade dos Recursos Humanos que os gere ou implementa Transferência de Tecnologia Investigação e o desenvolvimento que chega às empresas para a aplicação de Inovação Realização da Inovação que as empresas necessitam. Infra-estruturas Comerciais e Profissionais Estruturas de apoio à propriedade industrial, direitos comerciais, serviços de contabilidade e de apoio legal para apoio às PME Que qualidade têm estes serviços? Infra-estruturas Físicas Acessibilidade e qualidade das infraestruturas necessárias à realização de novos negócios : comunicações, internet, energia, água, áreas de incubação, escritórios, acesso a matérias primas e recursos naturais, etc Normas Sociais e Culturais Influência das normas sociais e culturais no estímulo de novas actividades e na forma como estas são geridas (atitude perante o erro, o risco, a perda, a criação de riqueza, a inovação, etc.) Nota: De acordo com EFC- Entrepreneurship Framework Conditions Fonte: Global Entrepreneurship Monitor 2010 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 12

13 1.4.Determinantes de empreendedorismo Actuar sobre o empreendedorismo no seio das sociedades implica melhorar as características dos condições determinantes de empreendedorismo dessas mesmas sociedades, actuando sobre o Território e utilizando práticas e instrumentos de apoio à dinamização do empreendedorismo. Determinantes de Empreendedorismo Finanças empreendedoras Neste estudo, foram seleccionadas três destes instrumentos como elementos de comparação e de melhoria potencial: a troca de experiências entre empreendedores; as práticas decorrentes do mérito das empresas criadas, com caracterização de práticas de inovação tecnológica, organizacional e de marketing; as práticas de incubação, consequência da metodologia de selecção aplicada, das técnicas de acompanhamento utilizadas, da forma de apoio na promoção e selecção de mercados, etc. Educação do empreendedorismo Regulação dos mercados Políticas do Governo Transferência de tecnologia Infra-estruturas físicas Programas de apoio ao empreendedorismo Infra-estruturas comerciais/ profissionais Normas sociais e culturais Práticas e instrumentos de apoio ao empreendedorismo Formação para Empreendedores Incentivos Fiscais para Start-Ups Estruturas de Incubação Troca de experiências entre empreendedores Organização de Business Angels Acesso a Crédito Bonificado Práticas de incubação Práticas decorrentes do mérito das empresas criadas Apoio à transferência de tecnologia Coaching e mentoring a empreendedores Micro- Crédito Organização de Business Angels Ensino de Empreendedorismo nas Escolas Facilidade de registo Propriedade Intelectual Acesso a Capital de Risco Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 13

14 2. Indicadores internacionais da dinâmica do empreendedorismo

15 2.1.Indicadores de Resultados Empreendedorismo em Portugal: Condicionantes Portugal tem um enquadramento geral do empreendedorismo que, quando comparada com o conjunto das nações da OCDE, evidencia vários aspectos positivos. No inquérito de 2010 do Banco Mundial, Portugal encontra-se sensivelmente na média dos países da OCDE com maior facilidade para iniciar um negócio. Os portugueses revelam forte apetência para empreender, posicionando-se entre os três países cujos habitantes maior preferência demonstram pelo o auto-emprego. Barreiras ao empreendedorismo: Comparação Escala de 0=restrições mínimas a 6=restrições máximas 4,0 Barreiras ao empreendedorismo é um indicador que reflecte o enquadramento das instituições e das politicas do país. Mede, nomeadamente, a facilidade de realização de uma iniciativa empreendedora, do lado dos obstáculos que o Estado levanta. Estão aqui incluídos legislação, regulamentações ou licenças, custos administrativos, atendimento e orgânica do Serviço Público. Portugal, como a maioria dos países da OCDE melhorou muito nos últimos dez anos, principalmente no que concerne à acessibilidade aos organismos públicos responsáveis por licenciamentos e registos com a generalização de e-governance e a redução da carga administrativa. A digitalização de processos e a utilização de documentos digitais ou de front desks sobre a Internet foram instrumentos muito importantes para a realização deste processo. 3, ,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 Fonte: OCDE, Indicators of Product Market Regulation 2008 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 15

16 2.1.Indicadores de Resultados Prestígio social: imagem positiva do empreendedorismo e dos empreendedores A forma como as pessoas encaram o empreendedorismo é o principal factor de prestígio dos empreendedores e condiciona fortemente a propensão para que, numa sociedade, estes surjam espontaneamente. Na generalidade dos países da OCDE, a imagem dos empreendedores é positiva, sendo largamente maioritária a ideia de que os empreendedores são responsáveis pela criação de emprego e contribuem, ou são a base, para a criação de riqueza do país ou das regiões. Percentagem de inquiridos que concordam com cada uma das afirmações (população >15) 2007 No entanto, cerca de 50% dos inquiridos em Portugal pensa que para tornar isso possível, os empreendedores são também responsáveis pela exploração do trabalho alheio e acusam-nos de dar prioridade aos seus próprios interesses financeiros, face aos da comunidade em que se integram. É essa também a percepção de grande parte dos inquiridos nos países da OCDE. O relatório de 2011 confirma a percepção favorável que os portugueses têm dos empreendedores (superior a 60% dos inquiridos) acrescentando que em mais de 65% dos casos a Escola contribuiu para a compreensão do papel dos empreendedores na sociedade em que se inserem Entrepreneurship is the basis for wealth creation, benefiting us all Entrepreneurs are job creators Fonte: EU Flash Eurobarometer, Entrepreneurship Survey Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 16

17 2.1.Indicadores de Resultados Atitudes e percepções sobre empreendedorismo Resultados 2010 Global Entrepreneurship Monitor: Média das economias orientadas para inovação (Innovation Driven) Média das economias orientadas para eficiência (Efficiency Driven) Oportunidades de negócio onde vivem 33,4 20,3 18,8 51,1 42,9 48,1 Capacidades para começar um negócio 44,4 52,1 50,2 39,5 55,9 57,9 Medo de falhar que impede de começar 33,1 29,7 36,4 28,6 31,7 33,2 Carreira desejável 59,2 67,5 65,4 46,1 72,8 78,0 Elevado status do empreendedor de sucesso 70,3 70,5 62,5 86,5 69,8 79,0 Atenção dos media ao sucesso nos negócios Intenção de empreender nos próximos três anos 55,5 52,6 40,7 71,4 62,5 81,1 8,2 8,8 5,8 5,9 23,2 26,5 Fonte: Global Entrepreneurship Monitor 2010 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 17

18 2.1.Indicadores de Resultados Valorização das condições para o empreendedorismo Global Entrepreneurship Monitor 2010: 1. Finanças - 2.a. Políticas Nacionais 2.b. Regulação Programas Governo - Este quadro resulta, como o anterior, do inquérito realizado em cada país a vários peritos, entidades e empreendedores, no âmbito do GEM (Global Entrepreneurship Monitor). No quadro da página anterior, compara-se a notação média do painel de peritos sobre um conjunto de factores, de uma escala de 0 a 100. Mais do que o valor absoluto, importa comparar o valor de cada país face à média do grupo de países em que se insere. No caso de Portugal, o grupo de referência é o dos países orientados para a inovação (Innovation Driven). No âmbito deste benchmarking, incluem-se os resultados do Brasil, ainda que o ecossistema estudado de São Paulo não reflicta a realidade brasileira, por se encontrar num nível muito acima da média do país em todos os indicadores de desenvolvimento. 4.a. Educação Básica e Secundária 4.b. Educação ao longo da vida 5. Transferência de I&D 6. Infra-estruturas Comerciais 7.a. 7.b. Dinâmica do Mercado Interno Abertura do Mercado Interno 8. Infra-estruturas Físicas 9. Normas Sociais e Culturais Na comparação realizada no quadro da página anterior, Portugal destaca-se positivamente pela capacidade de iniciar negócios, pela atractividade da carreira de empreendedor e destaca-se negativamente pelas oportunidades de negócio, isto é, é considerado um mercado onde as oportunidades de negócio escasseiam. O presente quadro realça os pontos fracos e pontos fortes de cada país em cada classe de determinantes do empreendedorismo. Tipicamente os países europeus têm como aspecto forte as infraestruturas comerciais e físicas, fruto de investimentos consistentes apoiadas pelos fundos estruturais europeus nos últimos anos. Espanha realça-se (como o Brasil) pela dinâmica do mercado interno, típico de países grandes. Portugal realça também o esforço da educação ao longo da vida, em parte consequência dos investimentos co-financiados pelo Fundo Social Europeu nos últimos anos. A Finlândia tem a regulação como ponto forte, em parte consequência da forte estruturação e foco no empreendedorismo dado pela política pública finlandesa nos últimos anos. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 18

19 2.1.Indicadores de Resultados Empreendedorismo como solução de Emprego Trata-se de um indicador interessante, ainda que a criação do auto emprego possa ser um objectivo secundário para muitos dos empreendedores que se constituem em economias conduzidas pela inovação (Innovation-Driven), que é característica dos países mais ricos e desenvolvidos do planeta. Por ser uma forma de integração na sociedade local, o elevado número de auto-emprego gerado por cidadãos estrangeiros é uma característica de muitos países. Este emprego não abrange apenas o emprego sub-qualificado, baseado em competências pessoais de serviço pessoal ou ligados ao comércio, mas abrange também iniciativas tecnológicas de grande valor acrescentado e de rápido crescimento. Corresponde, em alguns países, à captação de talentos para os quais o ecossistema empreendedor do país que o alberga é favorável. Portugal não tem tradição de imigração de talentos. A maior parte do auto-emprego gerado é assegurado por indivíduos de nacionalidade portuguesa. Auto-Emprego em percentagem do emprego total 2007 (15-64 anos) Native-born Foreign-born Fonte: EU Flash Eurobarometer, Entrepreneurship Survey Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 19

20 2.1.Indicadores de Resultados O nível educacional da população e a sua implicação no empreendedorismo Quanto mais bem preparada e educada for uma população melhor poderá ser o desempenho económico do seu país. É também um determinante relevante do empreendedorismo, porque é condicionante de atitudes e competências empreendedoras, bem como da geração de conhecimento científico e competências técnicas necessárias ao surgimento de inovação. População com Educação Superior em percentagem da população total Com a crescente importância do empreendedorismo tecnológico no desenvolvimento dos países, este aspecto tem-se verificado ser cada vez mais relevante. A evolução parece ser favorável na generalidade dos países com excepção da Alemanha, Israel e USA. Portugal verifica um incremento muito elevado. No entanto, o gráfico abaixo mostra que a distância para os países com melhores qualificações é ainda muito significativa Fonte: OECD, Education at a Glance, 2009 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 20

21 2.1.Indicadores de Resultados Acesso ao Financiamento A utilização de Capital de Risco é tido como um indicador do acesso ao financiamento de start-ups e de negócios com alto potencial de crescimento pela sua importância na substituição ou complementaridade com os meios tradicionais de obter financiamento para as iniciativas empreendedoras. Financiamento: capital de risco em percentagem do PIB ,25 Em termos comparativos realça-se o facto de a utilização de capital de risco se situar abaixo dos 0,05% do PIB de Portugal, ficando aquém da fronteira que, na óptica da OCDE, diferencia os países com um mercado de capitais de risco mais desenvolvidos. Outro aspecto preocupante é a proporção do capital de risco utilizado no nosso país para start-ups comparativamente à sua utilização para o financiamento de desenvolvimento e expansão do negócio. O capital de risco aposta pouco no desenvolvimento da 2ª etapa de crescimento das empresas, sendo um factor de inibição de processos de crescimento mais ambiciosos, especialmente para as empresas que se pretendem internacionalizar. Early development and expansion Seed/start-up 0,2 0,15 0,1 0,05 0 Fonte: OECD Entrepreneurship Financing Database, based on ECVA, ABS, VEC, NVCA, KVCA, NZVCA Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 21

22 2.1.Indicadores de Resultados Número de redes ou grupos de business angels Dinamarca 3 Austria 3 Hungria 3 Holanda 9 Bulgária 2 Portugal 10 Suiça 8 Irlanda 4 Noruega 7 Bélgica 4 Polónia 5 França 66 Portugal tem um número significativo de redes de business angels, dada a sua dimensão, o grau de especialização das actividades e, acima de tudo, à novidade do fenómeno. As dez redes nacionais, constituem-se formalmente como Associações de Business Angels, têm uma distribuição regional e em alguns casos estão associados a uma incubadora ou organismo com missão de desenvolvimento do empreendedorismo regional e local. Estas Associações estão reunidas na Federação Nacional de Business Angels, que tem um papel relevante, não apenas na divulgação do conceito junto de empreendedores ou de estruturas de suporte mas como interlocutor das instituições da administração publica, para a constituição do Fundo de Co-Investimento. A especialização temática ou sectorial dos Business Angels ainda é incipiente em Portugal, ao contrário do que se verifica noutros países R. Checa 2 Letónia 1 Itália 11 Reino Unido 18 Suécia 22 Espanha 37 Alemanha 38 Finlândia 1 Número de Redes Número de Business Angels União Europeia Estados Unidos Eslovénia 1 Grécia 1 Investimento «per round» Fonte: OECD Entrepreneurship Financing Database, based on ECVA, ABS, VEC, NVCA, KVCA, NZVCA Investimento Total 3-5 biliões 17.8 biliões Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 22

23 2.1.Indicadores de Resultados Uma demografia empresarial turbulenta A demografia empresarial em Portugal tem-se verificado inconstante e sujeita a enormes variações anuais. Apesar disso sublinhe-se que a taxa de natalidade de empresas até 2005 foi sempre superior, ou muito superior à respectiva taxa de mortalidade. União Europeia: taxas de entrada e de saída 2006 Esta tendência inverteu-se em Portugal foi um dos países analisados com maior taxa de natalidade empresarial (tendência confirmada em 2007) e o país com maior taxa de mortalidade entre os países analisados. Este facto é determinante na reflexão sobre as condições em que se realiza o empreendedorismo e a influência dos respectivos determinantes. Fonte: OEDC, 2009 Portugal: Evolução da demografia empresarial Fonte: Gab. Estratégia e Estudos. MEID, 2010 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 23

24 2.2. Dinâmica emprendedora e factores de sucesso Empreendedorismo em Portugal Os custos de contexto reduziram-se muito nos últimos anos, os tradicionais obstáculos administrativos foram em grande parte debelados. Iniciativas como empresa na hora ou o registo de propriedade industrial por meios digitais foram importantes para facilitação da vida dos empresários. A imagem dos empreendedores em Portugal é socialmente positiva, resultado não apenas do contexto mas da acção da escola e da mudança cultural que nos últimos anos se tem vindo a verificar. No contexto da OCDE a qualificação dos portugueses fica ainda muito aquém da média. Apesar da sua boa performance ao nível da formação ao longo da vida. As infra-estruturas são um ponto forte do país, estando assim preparadas as condições físicas necessárias para, na generalidade se verificar o surgimento de iniciativas empreendedoras. Portugal tem uma taxa de iniciativa empresarial tradicionalmente elevada, encontrando-se, entre as mais elevadas entre os países europeus avaliados. No entanto, Portugal tem também uma taxa de mortalidade das iniciativas empresariais muito elevada, entre as mais elevadas na comparação internacional realizada. Por outro lado, há a percepção de relativa falta de oportunidades em Portugal (principalmente quando comparada com outros países como o Brasil), o que poderá indicar a necessidade de outro tipo de intervenção da política pública para o desenvolvimento do empreendedorismo. Ainda que não seja possível retirar conclusões definitivas dos dados apresentados relativamente à motivação dominante entre os empreendedores portugueses, estes podem significar que existe uma parte significativa do empreendedorismo realizado por necessidade. Este facto explicaria também a falta de preparação que eventualmente terão conduzido à falência de muitas das iniciativas. Apesar das redes de venture capital serem em número equiparável a outras realidades europeias, verifica-se que começam agora a entrar numa nova fase de maturação mais adequada às necessidades de mercado (entidades recentes, com carteiras de investimento de pequena dimensão e com pouca experiência, quando comparadas com outros países) A concentração dos apoios nas fases de early stages é uma lacuna que o mercado necessita de ultrapassar e que poderá melhorar o rácio entre as iniciativas de sucesso e as falidas ao fim de três, quatro ou cinco anos. As políticas de apoio ao empreendedorismo devem voltar-se cada vez mais para o aumento da taxa de sobrevivência empresarial e, por isso, incidir mais na qualidade dos projectos empresarias (adequação do modelo de negócio e estrutura de financiamento) e na preparação e qualificação das pessoas para empreender. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 24

25 3. Estudos de caso

26 3.1.Barcelona Área População 2011 PIB 2007 Emprego 2007 Área (km2) 100 % de Espanha 0,02% Cidade de Barcelona Área Metropolitana % de Espanha 3,6% População Activa (2007) 77,2% Densidade (habitantes/km2) População Estrangeira 15,6% PIB ( Milhões) PIB Barcelona/PIB Catalunha 30,5% PIB Área Metropolitana/PIB Cataluna 71,2% Taxa de Desemprego 16,9% Taxa de Emprego 66,1% Empregos no sector TIC Emprego no sector criativo 13% Turismo Milhões de Dormidas por ano 12,8 Empresas Educação 2010 Empresas < 10 trabalhadores 86% Taxa de Terciarização 82,1% Analfabetização Barcelona 9,95% Analfabetização Espanha 11,19% Educação Superior Barcelona 24,8% Educação Superior Espanha 23,38% Número de estudantes universitários Fonte: Departament Estadistica Ayuntamento Barcelona e INE España Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 26

27 3.1.Barcelona A cidade de Barcelona possui um modelo próprio de desenvolvimento socioecónomico que se tornou um case-study internacional. Parte deste caso, relaciona-se com a forma como se interliga a estruturação da cidade com fenómenos como a criação de emprego, a actividade das universidades e a dinâmica das empresas ali sediadas. A sua grande tradição industrial é, desde o séc. XIX, nas áreas das indústrias têxteis, do agro-alimentar, química e maquinaria. Essa indústria em grande parte desapareceu entre os anos 70 e 80 do século passado. Nos últimos 30 anos, Barcelona sofreu uma transformação brusca. A política pública contribuiu de forma importante para esta transformação, não apenas pela infra-estruturação que realizou, nomeadamente aquando da realização dos Jogos Olímpicos de 1992, como pelo fomento de diversas agências e organizações associadas a este desenvolvimento. A transição de uma economia industrial para uma economia de inovação e do conhecimento, baseada no espírito empresarial e empreendedor associado à marca muito forte de Barcelona, envolveu uma forte aposta no conhecimento (papel de Universidades, Escolas e muitas outras organizações de ensino e formação), de política pública coerente e constante ao longo de mais de 20 anos de desenvolvimento empresarial e de retenção de talentos. Barcelona assumiu-se como um Centro de Competências e de Inovação em áreas como Cultura, Ciências Médicas, Indústrias Criativas e TIC. Possui alguns centros de competências com reconhecimento mundial, como é o caso das escolas de gestão (IESE e INSEAD) ou de algumas especialidades biomédicas. A integração do mundo universitário na actividade empresarial tem sido uma grande preocupação, quer no desenvolvimento da actividade dos discentes de cursos universitários, quer na realização de investigação aplicada através de organismos universitários e de organismos de interface, responsáveis pela transferência de tecnologia e com a propriedade intelectual. Dada a localização geográfica e os equipamentos, é sede de condições muito favoráveis para transporte marítimo, aéreo e rodoviário. Tem sido feito grande esforço para dotar a cidade de comunicações e rede de internet em óptimas condições para todos. Barcelona é responsável por importante parte da actividade económica de Espanha e, como tal, centro de enorme competitividade interna. Esta característica capta mão de obra especializada nas diferentes áreas em todo o mundo e torna-a pólo de atractividade para muitas empresas multinacionais ou empresas que procuram a conquista de mercados externos. É a porta de entrada em Espanha de uma grande parte da inovação (sob a forma de mercadorias, conhecimento, intercâmbios ou outra forma). O Turismo é também uma actividade importante, sendo a cidade com maior número de visitantes do país. A gestão da cidade tem particular cuidado no seu planeamento, procurando evitar a desertificação do seu centro ou da sua zona industrial. Pelo contrário, tem vindo a converter esta em zona de inovação onde se têm instalado empresas, universidades, centros de investigação e empresas ecologicamente responsáveis. É a região e cidade de Espanha com maior número de estrangeiros residentes e com maior número de empresas. Contribui para este cosmopolitismo a localização geográfica, a história e o facto de os catalães terem apetência para a aprendizagem de línguas. O crescimento económico da cidade é superior ao de Espanha. Apesar da taxa de desemprego não ser tão elevada como a do país, é suficientemente elevada para ser uma constante preocupação das autoridades regionais e da cidade. Desta preocupação, no fim dos anos 80, nasce a organização do Barcelona Activa, iniciativa do Ayuntamento e parte mais activa da conjugação dos esforços da política de promoção de empreendedorismo na cidade. A crise actual afectou o sector imobiliário e o sector bancário da região e da cidade. Das 46 Cajas de Ahorro existentes, prevê-se que o programa de fusões e aquisições leve à consolidação de apenas três. Em consequência da actual crise, verifica-se dificuldade na disponibilização de meios financeiros e de investimento Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 27

28 3.1.Barcelona Barcelona Activa Neste estudo, acompanhou-se, em particular, a actividade da Barcelona Activa como centralizadora e promotora da actividade empreendedora na cidade e de centros de investigação e instituições de transferência tecnológica. Barcelona Activa é a agência de desenvolvimento municipal. Foi fundada em 1986 para promover empreendedorismo e criação de emprego como meio de inclusão e coesão social e forma de estimular o crescimento económico. Nos últimos 20 anos, liderou a mudança que ocorreu em Barcelona através de serviços de: O modelo de apoio à criação de empresas baseia-se numa plataforma digital que permite o acompanhamento dos milhares de candidatos anualmente, desde a formalização de ideia, realização de planos de negócio até à formalização da empresa e no aconselhamento por peritos. Da formalização inicial da ideia até ao funcionamento da empresa os empreendedores podem ser ajudados através da plataforma on line. A plataforma divide-se em três partes: i. Testar a Ideia: contribui para a sua formulação e testa-a, resultando uma análise SWOT da ideia; i. Desenvolvimento de cultura empreendedora e criação de empresas ii. Apoio à consolidação e crescimento dos negócios inovadores ii. Realização do Plano de Negócios: com um guia e aplicações práticas apoia a realização de todos os aspectos, apenas servindo como guia para no Plano de Marketing, para obrigar o empreendedor a ir conhecer e testar o mercado; iii. iv. Desenvolvimento de Capital Humano e de novas oportunidades de emprego Melhoria da qualidade do emprego v. Promoção da Cultura Digital iii. Auto-avaliação:cada um realiza um conjunto de testes para aferir as suas competências pessoais para se tornar um empreendedor. A plataforma está disponível em algumas outras línguas além do Espanhol e do Catalão. Esta é uma medida considerada fundamental para atracção de talentos estrageiros para Barcelona. O programa Do It in Barcelona é especialmente orientado para estrangeiros (com prioridade a homens e mulheres dos 25 aos 45 anos). Além da plataforma multilingue, inclui acções de formação e interlocutores especializados no seio da organização. Nesta plataforma, os empreendedores podem testar a sua ideia, realizar o seu plano de negócios e avaliar as suas capacidades empreendedoras. As acções de formação são gratuitas, recorrentes (várias por mês), sempre em horários diferenciados, permitindo aos interessados empreendedores ou não que se inscrevam no programa e receber a formação que necessitam. Cada acção de formação conta créditos para a pontuação do percurso de cada um e para a avaliação do seu perfil e da sua ideia. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 28

29 3.1.Barcelona Mapa para Empreender: Barcelona Activa Conheces as tuas futuras obrigações fiscais? Necessitas de Financiamento? 7 Queres avançar connosco? 8 Queres instalar-te em Barcelona? 9 Assessoria Personalizada Actividades e Instrumentos Específicos Aplicativo Testideia Informações detalhadas Artigos Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada Aplicativo Plano de Negócios Assessoria Personalizada Tens um Plano de Negócio? 3 Tens as competências necessárias para empreender? 4 Aplicativo Auto diagnóstico Queres constituir a empresa? 5 Guia de Procedimentos Actividades e Instrumentos Específicos 6 Guia Fiscal e Informações detalhadas Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada Guia Produtos Financeiros e Informações detalhadas Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada Ponto de Assessoria e Inicio da Tramitação Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada Espaço de Pré-Incubação Informações detalhadas. Artigos Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada 1 Que tens na Cabeça? Uma ideia, um sonho ou um possível negócio? 2 Falas o Idioma do Mercado? Actividades e Instrumentos Específicos Avaliação do Plano de Negócios Chaves para Empreender Actividades e Instrumentos Específicos Assessoria Personalizada Assessoria Personalizada Fonte: Barcelona Activa, 2010 Etapa Questão caracacterizadora da etapa Instrumento Barcelona Activa Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 29

30 3.1.Barcelona O Centro para la iniciativa empreendedora alberga os serviços centrais e uma incubadora dedicada à inovação (Vivero de empresas de Gloriés). Tem no R/C um amplo espaço de recepção destinado ao enquadramento de todos os empreendedores (ou aspirantes). Possui sala de recepção onde diariamente se realiza a sessão de introdução ao programa, gratuita, distribuindo a todos os participantes uma password de acesso a todo o sistema. Possui várias salas de formação, um espaço aberto multifunção. Alguns dos postos de trabalho são ocupados por técnicos da B.A. para prestar apoio aos ocupantes dos espaços disponíveis. Há ainda salas de reunião fechadas, para encontros entre empreendedores e representantes de entidades financiadoras, ou outras entidades participantes no processo de constituição de empresas ou outros. Associado a estas salas encontra-se um Centro de Formalização de Empresas. É neste espaço que se formaliza o PAIT Ponto de Assessoria e Inicio da Tramitação. A filosofia subjacente é a de reunir, no mesmo espaço, todos os serviços e soluções que possam contribuir para a criação de actividade empresarial ou emprego. A facilidade parece ser a palavra de ordem: facilidade de entrar em contacto, facilidade de realizar, de aprender, de inovar, de empreender. Este espírito levou mais de um milhão de pessoas a recorrer aos serviços de Barcelona Activa nos seus 24 anos de funcionamento. Para dar apoio a todo o dispositivo de Barcelona Activa, trabalham cerca de 250 pessoas (cerca de metade associados a projectos). Graças ao dispositivo montado e à organização da equipa de gestão, é possível ter até utilizadores simultâneos. Entre as Incubadoras e dentro delas é fomentado um clima de colaboração e de entreajuda. Há espaços comuns para socialização, para refeições, onde se realizam reuniões e apresentações. Onde todos se podem conhecer e aprender. Tem capacidade disponível para incubar até 50 empresas em Glories e 36 na incubadora tecnológica de TeckPark. Estão também disponíveis espaços para incubação temporária, caso de iniciativas temporárias para estrangeiros. Barcelona Activa em 2009 Apoio a Empreendedores Participantes nos Serviços de Empreendedorismo : Sessões de Formação Profissional: 809 Projectos apoiados: Projectos apoiados que deram origem a empresas: 70% % de empreendedores estrangeiros apoiados: 22% Apoio ao Crescimento das Empresas Taxa de sobrevivência empresas incubadas (3ºano): 83% Média de facturação das empresas no 4º ano: % de empresas exportadoras incubadas (TeckPark): 53% Valor médio de facturação de empresas exportadoras incubadas: > 1M % de empresas incubadas que cooperam entre si: 51% Total de empresas apoiadas no seu crescimento: 396 Empregos directos criados: Nº Médio de empregos criados por empresa incubada: 9 % de empresas de iniciativa estrangeira incubadas: 33% Captação de fundos privados para financiamento: 43 M Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 30

31 3.1.Barcelona Às empresas em incubação são prestados diferentes serviços com o objectivo de garantir o seu sucesso organizacional e o desenvolvimento dos seus negócios: No apoio à estratégia e Gestão: i. O Plano de Crescimento Estratégico, associa o IESE Business School a esta iniciativa, e consiste num instrumento TI de autodiagnóstico e definição estratégica que permite o pleno conhecimento e compreensão da situação corrente e a estratégia mais adequada para alcançar os objectivos previamente identificados. Permite acompanhar a introdução de indicadores para medir o alcance das metas e acompanhar o sucesso e o insucesso, possibilitando a criação de cenários alternativos. ii. O Programa de Mentoring procura apoiar a consolidação e crescimento das empresas criadas, através da assessoria de gestores ou empresários experientes, activos e bem sucedidos que apoiam as decisões chave dos novos empresários, no aconselhamento na formulação de objectivos realistas e opinando sobre a estratégia assumida. iii. A Academia do Crescimento garante workshops de quatro sessões intensivas e acções de follow-up da estratégia escolhida. O objectivo é permitir um trabalho conjunto da equipa de gestão das empresas com peritos do IESE. iv. Inclua um MBA na sua empresa faz a ligação entre as empresas incluídas em incubadoras e os estudantes dos cursos de MBA com experiência internacional para desenvolver projectos singulares e potenciar o seu potencial sucesso. v. Põe um sénior na tua empresa é um serviço conjunto com a Associação de Voluntários em business coaching, entidade sem fins lucrativos formada por ex- CEO s ou directores gerais com conhecimentos adequados e experiência que oferecem conselhos e coaching de forma gratuita às empresas incubadas. vi. vii. O Programa AXELERA procura identificar as empresas de Barcelona com maior potencial que podem tornar-se referência da cidade a um nível global, implementando um programa de coaching para aceleração da sua consolidação nos mercados interno e internacionais. Instrumentos Básicos de Gestão são sessões de três horas para responder a questões específicas da gestão diária das empresas incubadas. Utiliza uma metodologia de aprendizagem muito eficiente e rápida. viii. Barcelona Activa apoia-se numa Rede de Peritos especialmente comprometidos no desenvolvimento de start-ups inovadoras. No apoio à Internacionalização: i. Pontes de Inovação e Tecnologia é um programa de apoio à penetração em mercados globais a empresas inovadoras realizado em parceria com a Câmara de Comércio de Barcelona. Permite contactar empresas inovadoras seleccionadas em todo o mundo, conhecer novas tendências, novos modelos de negócio e aumentar a agenda de contactos e de relações, através de uma agenda de encontros e reuniões com empresas líder. ii. iii. ERASMUS para jovens empreendedores é um projecto da União Europeia que permite ganhar experiência de desenvolvimento da sua iniciativa em outros países europeus. Plug & Play Tech Center em Silicon Valley é uma iniciativa da Câmara de Comércio de Barcelona para promover a presença de empresas tecnológicas no exterior. Permite a dez empresas de Barcelona a permanência durante seis meses, de forma gratuita, no Plug & Play Business Acceleration Center em Sillicon Valley. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 31

32 3.1.Barcelona Na Cooperação Empresarial: i. XARXACTIVA - rede de cooperação empresarial é um espaço de colaboração em rede para PME que permite o contacto e a troca de oportunidades entre si. Inclui almoços com VIP do mundo empresarial, políticos ou dirigentes de instituições influentes ao nível global. ii. Biznetbarcelona.com é uma plataforma digital ponto de encontro de empresários, empreendedores, peritos e investidores para realizar negócio, para partilhar conhecimento e experiências e para desenvolver projectos conjuntos em Barcelona. Como hospeda todas as Associações de empreendedores de Barcelona funciona como uma rede de redes, um portal que permite a todos serem mais visíveis e a aumentar a sua potencialidade de cooperar e de crescer. Apoio ao acesso a financiamento: i. Fóruns de Investimento são programas que apostam na elevada qualidade da formação e na conexão entre empreendedores e entidades de financiamento privado europeu. ii. Ready4Growth (R4G) é a organização de seminários de dois dias dedicados a proporcionar aos participantes instrumentos de acesso a financiamento que permita o crescimento das suas iniciativas inovadoras, especialmente através de investimento privado. iii. Barcelona Venture Hub tem como objectivo captar investimentos para o Possui um espaço de escritórios devidamente equipado, serviços de logística partilhada na incubadora de Glòries e presta serviços de marcação de reuniões, organização de eventos, etc. iv. Barcelona Activa tem acordos preferenciais com entidades financeiras como o Banco Sabadell, BBVA, Caixanova e outras instituições que permite às empresas localizadas nas incubadoras ter acesso a capital de risco. v. O Serviço de aconselhamento para aplicação de R&D&I Innoactiva resulta da participação de Barcelona Activa no networking do Centro de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial o que permite às empresas inovadoras ter acesso a informação personalizada, a coaching para acesso ao financiamento mais adequado e à oferta de serviços de peritos externos. vi. Barcelona Activa: Acção sobre o Ecossistema Estás pronto para Investir? é uma ferramenta on line que verifica se a empresa reúne as condições necessárias para recurso a fundos privados de investigação. A integração no território é um facto neste projecto, não apenas por ser da iniciativa e gestão do Ayuntamento, como pelos projectos de regeneração urbana e desenvolvimento económico em curso da com a participação desta estrutura. Entre as iniciativas e projectos em curso, destaca-se o Centro Tecnológico Barcelona Digital e o projecto Thought Up in Barcelona como iniciativa de sucesso na acção sobre o ecossistema empreendedor, nomeadamente através da intervenção na divulgação e promoção de utilização de TIC e da cultura digital no recém inaugurado Edifício onde todos têm acesso a suporte e cursos na área das TIC e de Inovação. Há em todas as iniciativas um enorme cuidado com a comunicação e design, o que se pretende que seja uma marca da cidade e tenha influência decisiva sobre a atracção de talentos e negócios. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 32

33 3.1.Barcelona Fundació Bosch y Gimpera A Fundació Bosch y Gimpera é o Centro de Transferência de Tecnologia da Universidade de Barcelona (UB). Tem como missão pôr à disposição das empresas, de outras instituições e da sociedade em geral, a capacidade técnico-científica, os resultados da investigação e o know-how gerado. Disponibiliza ao mercado os resultados da investigação com potencial realizada na UB através da criação de novas empresas de base tecnológica e do registo de patentes e outros instrumentos de Propriedade Intelectual. Procura desenvolver o espírito empreendedor no meio universitário. Desde 1983, que a sua actividade passa por detectar necessidades do mercado e por organizar e comunicar a oferta mantendo um catálogo acessível às empresas. O seu foco é a venda. Por isso, participam em feiras internacionais, participam ou estimulam as empresas e spin-offs a participar em programas europeus de I&D e fazem a permanente triagem da inovação resultante do trabalho dos investigadores da UB em todas as áreas temáticas e sectores de actividade. Outra forma de fazer chegar ao mercado o resultado da actividade de investigação e de inovação da Universidade é a realização de spin-offs, apoiando desde a sua constituição até à gestão da empresa, de forma a permitir aos investigadores concentrarem-se na sua actividade. A oferta assume-se sob a forma de investigação por contrato, de comercialização de produtos inovadores desenvolvidos na UB ou do desenvolvimento de soluções para as empresas, nomeadamente através das patentes já registadas. A Fundação faz a gestão de toda a Propriedade Intelectual da UB, protegendo o conhecimento aqui gerado, valorizando através da procura de financiamento e promovendo projectos colaborativos transnacionais. Proporciona os seguintes serviços: i. Estudos de Mercado ii. Definição de modelos de negócio iii. Planos de Negócio iv. Estratégias de protecção de IP. Fundació Bosch i Gimpera em 2010 Investigação Contratada 182 projectos sobre Empresas: 5,4 M 259 projectos de Administração e Instituições: 7,8 M 43 Projectos para a União Europeia: 25,5 M 229 Acordos de Colaboração: 1,7 M 60 Projectos de Gestão de programas e Serviços: 6,5 M Nº de Invenções: 55 Nº de Patentes: 27 Nº de patentes PCT: 19 Nº de patentes a transferir: 57 Nº de Acordos de Licenciamento: 8 Nº Projectos em gestão:99 Desde 2001 Start-Ups criadas: +70 Projectos captadores de Capital Semente (governos): 49 Projectos captadores de Capital Semente (BA e Capital de Risco): 16 Captação total de fundos para criação de Spin-off: +11 M Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 33

34 3.1.Barcelona Parc Cientifíc Barcelona O Parque é gerido por uma Fundação que integra a UB, a Fundació Bosch y Gimpera e outras entidades públicas e privadas. Assume-se interface entre a esfera do público e do privado. Procura por isso ser um espaço físico onde se dá resposta a necessidades da Universidade, das empresas e da Sociedade em geral através da aplicação de ciências da vida. Procura potenciar a qualidade da investigação com o suporte das tecnologias mais modernas e adequadas, dinamizar a relação entre as empresas e a universidade, promover o surgimento de spin-off s e promover o diálogo sociedade-ciência e encorajar careiras profissionais nessa área. Conta com diversos espaços para realização dos seus objectivos - uma incubadora tecnológica; uma bio-incubadora; laboratórios apoiados em 8 plataformas tecnológicas: i. Plataforma Automática de Cristalografia ii. iii. iv. Plataforma de Drug Discovery Plataforma de Nanotecnologia Plataforma de Quimica Combinatória v. Plataforma de Proteómica vi. vii. Pesquisa aplicada em animais de laboratório Plataforma de Transcriptómica viii. Unidade de Toxicologia Experimental e Ecotoxicologia As plataformas tecnológicas incluem cerca de 800 investigadores e técnicos permanentes e um director. Funcionam como pequenas empresas, com a direcção a assumir todos os contactos empresariais e os investigadores a dedicarem-se por inteiro à sua actividade. O seu modelo de gestão permite grande flexibilidade na articulação entre o mundo empresarial e o mundo da investigação e da Universidade. Além destas estruturas, no Parque estão sediados diversos organismos, centros de Investigação ou institutos públicos de pesquisa, entidades do Sistema de Inovação da Universidade de Barcelona (nomeadamente a Fundació Bosch y Gimpera e o Centro de Patentes), empresas, serviços do próprio Parque e plataformas tecnológicas, centros de documentação e laboratórios, que ocupam grande parte dos já construídos 9,6 ha de construção. Alberga numerosas empresas, na sua maioria tecnológicas. Possui ainda espaços para serviços de alguns dos seus co-fundadores do Sistema Financeiro. Estas entidades (como o Banco Santander, La Caixa e a Caixa Catalunya) têm um papel fundamental no financiamento do Parque. Apesar da importância do negócio gerado com o conhecimento, do arrendamento dos espaços e dos serviços gerados pelo Parque, grande parte dos fundos necessários para o seu financiamento provêm de subvenções e donativos. O Parque presta serviços de apoio nas áreas da comunicação, consultoria e formação profissional, recursos humanos, qualidade, informática e comunicações, recepção, apoio fiscal e aspectos logísticos como a restauração. Têm colaboração com várias instituições assumindo a sua actividade como networking based. Procuram sempre responder a todas as solicitações, mesmo quando a procura excede a sua capacidade de resposta (quantitativa e qualitativamente), com base na capacidade dos parceiros. O Parque iniciou com uma área de m2 em 1999 e tem constantemente investido em novos espaços e edifícios. No final de 2009, já disponibilizava um total de 46,600 m2. Prevêse que até ao final do presente ano, as obras em curso estejam terminadas, o que permitirá mais que duplicar os espaços disponíveis até aos m2. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 34

35 3.1.Barcelona Relevância na inovação e acções para a melhoria do sistema de apoio ao empreendedorismo A cidade de Barcelona destaca-se pelos resultados de politicas aplicadas persistentemente durante os últimos 20 anos. As apostas no Conhecimento, na Inovação, no Design, no modelo de gestão territorial e da sua articulação com os cidadãos apresenta resultados evidentes. O permanente esforço de comunicação granjeou-lhe justo mérito e reconhecimento internacional, assumindo-se como um dos pólos de desenvolvimento de nível global. A Agência de Desenvolvimento Local, a Universidade de Barcelona e as suas agências têm um papel decisivo na vida e desenvolvimento da cidade. São uma referência no desenvolvimento de um ecossistema empreendedor bem estruturado, funcional e reconhecido por todos os cidadãos. É uma referência a nível mundial pelo modelo de apoio ao empreendedorismo que utiliza, tendo-o exportado já para diversos países não europeus. Neste modelo destaca-se a eficiência do modelo de promoção de empreendedorismo baseado na facilidade de acesso e gratuidade da maioria dos serviços. Estes são possíveis graças ao financiamento do Ayuntamento, mas também pela enorme eficiência de que é portador. Para essa eficiência, é essencial a concentração de serviços num mesmo local, a utilização de uma plataforma digital de fácil acesso com diversos processos de apoio que se provaram eficazes e a articulação entre iniciativas. Conjugando de forma exemplar o combate ao desemprego, o fomento do empreendedorismo, a formação profissional para toda a população (seja desempregada, activa, empreendedora, reformada ou estudantil), foca-se no objectivo e simplifica todos os processos administrativos. A cidade conseguiu nestes anos ganhar uma dinâmica empreendedora que é transversal a sectores ou instituições, assumindo-se internacionalmente como um meio favorável ao surgimento de inovação. Assume-se completamente como espaço muito concorrencial, ao nível de negócios, ao nível do espaço, ao nível do emprego e do conhecimento. A Universidade participa activamente neste esforço, tendo vindo a estruturar-se de forma a acompanhar a dinâmica e contribuindo activamente para a utilização da Tecnologia em todos os sectores e actividades. O Design, as Ciências Biomédicas e alimentares, as TIC e os serviços (nomeadamente ao nível de Gestão) são já referências na cidade. O surgimento de iniciativas empreendedoras acompanham o ritmo da evolução da cidade. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 35

36 3.2.Helsínquia Finlândia Área Total (km2) População Total População 2010 População Activa Densidade (habitantes /km2) 16 População Estrangeira 0,3% PIB Emprego 2010 Comércio Milhões Taxa de Crescimento 3,6 Taxa de Emprego 68,1% Taxa de Desemprego 8,0% Exportações Totais 2010 ( Milhões) Balança Corrente 2009 (% PIB) 1,3 Despesas em I&D (% PIB) 3,73 Inovação 2008 das quais Empresas 70,3% das quais Governo 21,8% Percentagem de Empresas Inovadoras 37,3% Patentes por milhão habitantes ,8 Até Ensino Básico 33,8% Educação 2009 Até Ensino Secundário e Pós Secundário 38,9% Até Ensino Superior 27,3% Licenciatura 0,2% Doutoramento 0,6% Fonte: Eurostat, Statistics Finland 2011 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 36

37 3.2.Helsínquia Finlândia No caso finlandês, evidencia-se, sobretudo, a concentração de esforços dos principais actores para tornar a inovação relevante à escala internacional, alinhando prioridades na estratégia nacional de inovação, promovendo a concentração de universidades (sendo a AALTO, um bom exemplo desta política), concentrando centros de investigação para alcançar massa crítica, desenvolvendo políticas de capacitação da gestão para padrões de referência internacional, incentivando a captação de talentos a nível internacional e estabelecendo a confluência de esforços entre organismos que apoiam a internacionalização. A análise do caso prossegue com a apresentação de algumas das mais relevantes instituições do sistema de inovação com actuação sobre o empreendedorismo (TEKES, SITRA, FINNVERA e VTT) e finaliza com a apresentação das principais características de base territorial sobre a região de Helsínquia (a Universidade de AALTO e a grande iniciativa de Otaniemi). Esta abordagem tem conduzido à valorização de políticas focadas na pertinência e na eficácia da acção, que se estabelece, desde logo: i. ao nível dos objectivos globais, com foco na obtenção de níveis de produtividade comparáveis ao núcleo de países mais desenvolvidos do mundo e na determinação em ser pioneiro em inovação à escala global em sectores seleccionados; ii. ao nível da percepção das transformações dos paradigmas internacionais de competitividade, encarando-as como uma oportunidade para ser relevante nas áreas de intervenção seleccionadas; iii. ao nível do contributo institucional para facilitar o contexto competitivo, induzindo o aparecimento de empresas finlandesas competitivas em segmentos de mercado globalizados. Apesar da complexidade do sistema e da existência de várias zonas de sobreposição, por exemplo ao nível do papel das entidades que apoiam a internacionalização, sublinha-se a determinação em trabalhar de forma consistente na eliminação de pontos fracos. Tem-se presente que os destinatários das políticas são as empresas e não as entidades. Na estrutura institucional finlandesa não há uma entidade que centralize, por si só, o apoio ao empreendedorismo, sendo esta responsabilidade repartida por um conjunto alargado de organismos pertencentes ao Ministério da Educação e ao Ministério do Emprego e da Economia. Fonte: Evaluation of the Finnish National Innovation System 2009 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 37

38 3.2.Helsínquia Finlândia Principais actores do Sistema Nacional de Inovação Fonte: Evaluation of the Finnish National Innovation System 2009 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 38

39 3.2.Helsínquia Finlândia Tekes Agência Finlandesa de Financiamento à Tecnologia e Inovação A Tekes é a agência especialista em financiamento à investigação, desenvolvimento e inovação mais importante na Finlândia. A experiência de trabalho contínuo ao longo das últimas décadas, a independência de actuação e a autonomia técnica granjearam-lhe um grande prestígio, assumindo-se, por isso, como um dos principais actores do sistema nacional de inovação. A agência promove a inovação aplicando uma visão alargada, onde não só trabalha para reunir financiamentos ao desenvolvimento de tecnologias disruptivas que revolucionem o mercado, como também salienta a importância da rede de relacionamentos, do design, dos negócios e das inovações sociais no tecido económico daquele país. A agência trabalha com as melhores empresas e centros de investigação e desenvolvimento da Finlândia. Todos os anos, a Tekes financia cerca de 1500 projectos de investigação e desenvolvimento de negócios e perto de 600 projectos de investigação públicos de universidades, centros de investigação e politécnicos. Os fundos de investigação, desenvolvimento e de inovação são dirigidos a projectos que criem no longo prazo os maiores benefícios para a economia e para a sociedade. Cerca de dois terços dos projectos são realizados por grupos empresariais, ficando o remanescente a cargo das universidades e instituições de investigação. A Tekes não tem como fim retirar qualquer lucro financeiro das suas actividades, nem reclamar quaisquer direitos de propriedade intelectual. Note-se, a este respeito, a tolerância ao risco na selecção dos projectos: 1/3 fracassam, sendo esta taxa encarada com grande normalidade. A sua acção é assegurada por um quadro de pessoal de quase 300 pessoas recrutadas, fundamentalmente, do sector empresarial, evidenciando a sua orientação para o mercado ( nós falamos a mesma linguagem das empresas ). Uma das prioridades recentes do TEKES é o financiamento de projectos inovadores na área da melhoria organizacional (processos e métodos de trabalho), abrangendo empresas de todas as dimensões, sectores, associações e entidades publicas impacte e resultados da Tekes e das actividades de inovação O ano de 2010 assistiu à conclusão de mais de projectos, que resultaram em: 392 produtos novos ou melhorados 406 serviços novos ou melhorados 317 processos produtivos novos ou melhorados 562 aplicações de patentes 632 teses académicas publicações Estrutura do financiamento aos projectos de investigação e desenvolvimento para empresas : 233 milhões de euros (61%) visaram PME 104 milhões de euros (27%) visaram pequenas empresas com menos de seis trabalhadores 70% visaram empresas com menos de 500 trabalhadores Áreas de investigação estratégica determinadas pelos Centros Estratégicos para Ciência, Tecnologia e Inovação: Negócios em redes de cooperação globais Criação de valor com base em soluções e activos intangíveis Serviços de renovação e de produção por meios digitais Ambiente inteligente Recursos naturais e economia sustentável Qualidade de vida das pessoas Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 39

40 3.2.Helsínquia Finlândia Finnvera Agência Finlandesa Oficial de Crédito às Exportações A Finnvera reforça o potencial produtivo e a competitividade das empresas finlandesas, concedendo empréstimos, garantias domésticas, investimentos de capital de risco, garantias de crédito às exportações e outros serviços associados com o financiamento de exportações. De frisar que os riscos incluídos no financiamento são partilhados entre a Finnvera e outras instituições de crédito. As operações da Finnvera são dirigidas por objectivos de política industrial e de propriedade estabelecidos pelo Estado. Entre estes objectivos contam-se: aumentar o número de empresas criadas, possibilitar o financiamento e o aconselhamento financeiro para as mudanças a que a empresa está sujeita e a promoção do crescimento empresarial e internacionalização. A agência está disposta a correr maiores riscos que as instituições financeiras comerciais, porque o Estado da Finlândia cobre parte do crédito concedido pela Finnvera, garantindo possíveis perdas. O Estado é responsável pelas garantias de crédito à exportação, garantias de exportação e garantias especiais concedidas. Anualmente, o Ministério do Trabalho e da Economia define metas para as operações de Finnvera. A agência tem o objectivo estratégico da auto-sustentabilidade económica. Isso significa que, no longo prazo, a Finnvera deve ser capaz de cobrir, com os rendimentos recebidos a partir de operações comerciais, as suas despesas de funcionamento próprio, o crédito e as perdas de garantia da sua responsabilidade. Financiamento por dimensão de empresa 10^ Principais resultados 2010 O número de clientes atingiu o valor mais elevado dos últimos cinco anos, cerca de clientes. O valor de financiamento doméstico é de 913,7 milhões de euros. O valor de financiamento às exportações foi de 2.379,4 milhões de euros. Objectivos estratégicos para 2015 Financiar a criação de novas empresas por ano. Financiar investimentos importantes para as PME e de desenvolvimento regional, bem como projectos que promovam o uso de energias renováveis e melhorar a produtividade. Financiar o crescimento e internacionalização das empresas Investir em empresas inovadoras e estimular os investimentos de capital privado nos nossos objectivos de investimento. Fornecer soluções para o financiamento das exportações, soluções estas internacionalmente competitivas com o intuito de beneficiar a economia finlandesa. Através da adopção de práticas eficientes, melhorar a produtividade e a satisfação do cliente. Clientes por dimensão de empresa Micro empresas Micro empresas Outras PME Outras PME Grandes empresas e outros negócios Grandes empresas e outros negócios Total Total Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 40

41 3.2.Helsínquia Finlândia Sitra Fundo de Inovação da Finlândia Sitra é a designação do Fundo de Inovação da Finlândia. Trata-se de uma Fundação pública e independente, criada em 1967, por ocasião do 50º aniversário da Independência, através de uma doação do Banca da Finlândia com a missão de «construir o Futuro» do país. O papel da Sitra é per se um factor de inovação. É simultaneamente um financiador de negócios e um líder de opinião na sociedade finlandesa, com um objectivo ambicioso estipulado por lei: promover o desenvolvimento sustentável da Finlândia, o crescimento da economia, a competitividade internacional e a cooperação. A qualidade de vida da população finlandesa está no centro dos seus objectivos. Encoraja as pessoas, as organizações e as empresas a experimentar e a escolher modelos de negócios e modelos operacionais sustentáveis que renovem o conceito de «boa vida» («a good life»). Tem como missão acelerar mudanças que permitam responder aos desafios mundiais: i. Envelhecimento da população; ii. iii. iv. Alterações climáticas; Globalização; Avanço tecnológico; v. Concorrência pela mão de obra qualificada. As mudanças são promovidas através do lançamento de ambiciosos Programas de mudança. Sob a alçada de cada Programa, são coordenadas operações integradas e complementares, em cooperação com entidades nacionais e internacionais, nos domínios da investigação, processos estratégicos e reformas estratégicas, experiências de inovação, desenvolvimento de negócios, investimento na internacionalização ou venture capital. Foram já completados os Programas Alimentação e Nutrição, Saúde, Ambiente, Rússia, Índia, e Inovação, estando em curso Programas para aumentar a capacidade de mudança dos serviços municipais (The Municipal Programme), da Administração Pública (The Public Leadership and Management Programme), da viabilidade das áreas agrícolas (The Landmarks Programme), da indústria Mecânica e Metalúrgica (The Growth Programme for The Mechanical Industry) e Energia (The Energy Programme). Fundada em 1967 como divisão do Banco da Finlândia Tutelada pelo Parlamento desde empregados Portfólio actual de 70 empresas Fundo ascende a 697 milhões de euros em 2010, com retorno do investimento de 14,6% em 2009 e 9,3% em Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 41

42 3.2.Helsínquia Finlândia VTT VTT é um grande instituto de investigação por contrato. Os seus mais de investigadores fazem dele o maior do Norte da Europa. Fornece soluções de alta tecnologia e serviços de inovação. O valor dos serviços prestados superou os 292 M em 2010, correspondendo 32% a financiamento público. A sua autonomia e orientação para o mercado pode medir-se também pelos 16% de receita que são provenientes do estrangeiro. europeias, americanas e japonesas. Actualmente está presente em Silicon Valley (EUA), Shangai (China), São Petersburgo (Rússia), KonKuk (Coreia) e Bruxelas (Bélgica), preparando actualmente a entrada no Brasil. As áreas tecnológicas são muito variadas e prestam serviços de inovação na aplicação de materiais, processos bioquímicos, energia, TIC, sistemas industriais, microtecnologia e, finalmente, electrónica, serviços e construção sustentável. Os serviços aos clientes incidem sobre as áreas da previsão tecnológicas e de mercado, análise estratégica, desenvolvimento de produtos ou serviços, comercialização de propriedade intelectual, opinião de peritos, testes e certificações e gestão tecnológica e desenvolvimento da inovação. Do total de recursos humanos, 8% são cientistas provenientes de outros países, o que atesta a sua capacidade para captar recursos humanos altamente especializados e qualificados (provenientes fundamentalmente da China, Alemanha e Itália). Do ponto de vista organizacional, o VTT segue um modelo de grupo contendo empresas prestadoras de serviços especializados (VTT Expert Services, VTT Ventures, VTT International e VTT Memsfab). Do ponto de vista dos resultados destaca-se que 20% dos 1520 clientes empresariais são provenientes de fora da Finlândia. O seu portefólio inclui mais de 1100 patentes e patentes de aplicações. O seu papel no sistema de inovação finlandês é incontornável, liderando ou integrando um número alargado de iniciativas e programas de trabalho. Os programas de clusterização dos SHOK tiveram uma participação activa do VTT sua concepção (definição estratégica e plano de acção). Participa em dezenas de tecnológicos, a maioria deles em parceria com o TEKES. O VTT é um parceiro activo num conjunto importante de redes Strategic Centres for Science, Technology and Innovations (SHOKs) Os SHOKs são uma iniciativa de promoção de clusters sectoriais nas actividades mais tradicionais em curso desde os anos 80. São vistos como experiência bem sucedida na renovação de factores competitivos e base tecnológica das grandes empresas. Implementados na última década, com grande apoio da VTT e do TEKES entraram numa nova fase, avançando para lógicas de contratualização do financiamento da sua actividade (aumentando o seu grau de autonomia). Os programas de financiamento público são alocados aos SHOKs que decidem a prioridade dos projectos a financiar. É proveniente das empresas 50% do financiamento dos projectos, que incidem sobre fases desenvolvimento pré-competitivo, Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 42

43 3.2.Helsínquia Finlândia A procura de relevância internacional na I&D A constituição da Universidade de Aalto, em Helsínquia, é um bom exemplo da capacidade de fazer confluir interesses em defesa de uma visão estratégica. Na sequência da reforma do enquadramento legal das universidades, em 2009, foi tomada a decisão de fazer a fusão de três universidades de Helsínquia nas áreas da Ciência e Tecnologia, Economia e Artes e Design, que constituíam entidades líderes no panorama universitário finlandês. Com esta fusão, a Universidade passou a ter cerca de 20 mil estudantes, estudantes de mestrado, 184 doutorados e 338 Professores. Estes números, que podem não ser referência para outros países com demografias mais elevadas, valem sobretudo pela noção do caminho que se pretende percorrer num mundo globalizado em que a escala é determinante para poder competir. nova Universidade, afirmar o posicionamento de excelência na área da investigação e o aparecimento de externalidades positivas com as outras entidades do sistemas de inovação fora da universidade. A Aalto será uma das âncoras de Otaniemi, devendo assistir-se a um processo de mútuo reforço dos projectos, com as actividades da universidade a serem beneficiadas pelo envolvimento de excelência. Refira-se que, de acordo com o novo enquadramento legislativo das Universidades, o seu financiamento será premiado caso se atinjam as metas contratualizadas na área da inovação. A Universidade procura assumir-se como uma entidade relevante à escala internacional, apostando na interdisciplinaridade especialmente na confluência das áreas temáticas que estão na génese da sua fusão. Defende como valores a «exploração das fronteiras do conhecimento, liberdade criativa e critica, coragem para influenciar e promover a excelência, a responsabilidade social, inclusão e inspiração e a ética elevada, abertura e igualdade». A Universidade procura ter impacte nas áreas da: i. Qualidade operacional, ii. Utilização de competências na multidisciplinaridade e nas parcerias para desenvolver know how na área da inovação; iii. Internacionalização; iv. Autonomia; v. Profissionalização da universidade e exploração das TIC. A Universidade de Aalto tomou a decisão de concentrar toda a sua actividade em Otaniemi (nova cidade de ciência e tecnologia, que está a entrar na terceira fase de construção), abandonando os edifícios situados em Helsínquia. Apesar da qualidade das instalações actuais e da curta distância que separa as duas localizações, esta mudança visa estimular o processo de integração entre as áreas de saber que integram a Grandes desafios do sistema de inovação Actividade inovadora num mundo sem fronteiras Orientação para a procura como base da actividade inovadora Criação de inovação a nível individual e colectivo Abordagem sistemática e interdependência dos factores de sucesso Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 43

44 3.2.Helsínquia Finlândia Universidade de Aalto Aalto Start-Up Centre A incubadora da Aalto tem como principais objectivos a promoção do empreendedorismo dentro da universidade, o desenvolvimento de novos negócios e o crescimento e desenvolvimento empresarial. A Aalto Start-Up Centre promove programas de curta e longa duração de apoio ao empreendedorismo e à capacitação das PME. Realizam-se anualmente 200 sessões, envolvendo mais de 3500 participantes, em várias áreas de competências na área da gestão (vendas, marketing, finanças, logística, estratégia, internacionalização, liderança). Os serviços de incubação procuram dinamizar projectos que resultem do cruzamento das três grandes áreas de saber da universidade: tecnologia, arte e design e economia. Os processos de empreendedorismo são também estimulados pela valorização de créditos de cadeiras que resultam de trabalhos em empresas. A actividade da incubadora está orientada para a prestação de serviços em todas as fases do ciclo de vida da empresa. Para apoiar os ciclos de crescimento das empresas, a incubadora conta com o apoio de uma vasta rede de contactos e de mentores que integra 200 voluntários. Os mentores recebem um formação pedagógica inicial que visa maximizar os efeitos da sua intervenção. O apoio às segundas fases de desenvolvimento do negócio é prestado através de programas de consultoria em áreas de gestão de processos de expansão, definição e fixação de recursos adequados, afinação das vantagens competitivas e financiamento. A incubadora evidencia uma grande motivação para a promover a sua internacionalização, estabelecendo-se em São Petersburgo, e Talim, desenvolvendo programas de apoio ao empreendedorismo com várias universidades russas e estabelecendo programas de cooperação com incubadoras e academias de empreendedorismo na Estónia, Letónia, Lituânia, Suécia, Dinamarca e Alemanha e Polónia. O ciclo de vida das empresas e o apoio do Small Business Centre Fundação para as Invenções Finlandesas Fonte: Aalto Start-up Centre Busca e avalia invenções e ideias inovadoras geradas por particulares e empresas start-up e ajuda a transformá-las em negócios. Desenvolveu uma metodologia de avaliação sistemática e coerente de ideias de negócio. As ideias promissoras, com potencial de crescimento em negócios internacionais são convertidas em propostas de negócios Conta com o apoio de 15 centros de desenvolvimento económico e agentes de inovação baseados em universidades e instituições de ensino superior Usa uma rede de Business Angels para apoiar as melhores ideias de negócio. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 44

45 3.2.Helsínquia Finlândia Otaniemi A essência do projecto consiste na criação de condições de trabalho de excelência, com capacidade para captar e fixar talentos na área da investigação, atrair investimento de grandes empresas multinacionais, gerar empresas de crescimento rápido vocacionadas para operar em mercados internacionais e originar economias de aglomeração, aproveitando a proximidade das instituições e a intensificação das redes relacionais pessoais e organizacionais. Esta cidade de ciência e tecnologia contará com 32 mil pessoas, divididas entre sedes de empresas, a universidade de Aalto e os principais centros de investigação finlandeses (VTT, TKK, MIKES,GTK, CSC, Nokia, Kone, Neste Oil, etc,). Otaniemi, situa-se em Espoo, na vizinhança de Helsínquia e procura posicionar-se como a principal centralidade tecnológica dos países Nórdicos na área tecnológica. O projecto é uma parceria público-privada promovida por um conjunto alargado de actores-chave que procura concentrar, numa única localização, um conjunto de entidades e de competência capazes de gerar um ecossistema inovador world class. Note-se que este esforço de concentração é de tal forma significativo que mesmo a muito recente e bem instalada universidade de Aalto decidiu localizar todo o seu campus em Otaniemi, abandonando as infraestruturas situadas no centro da cidade de Helsínquia. Aspectos chave de Otaniemi De acordo com os promotores do projecto, com algumas fases já concluídas, as suas principais características distintivas são: A principal centralidade tecnológica dos países Nórdicos concentrada em 4 km2 32 mil pessoas, divididas entre sedes mundiais e regionais de 800 de empresas (contando com a sede mundial da Nokia), a universidade de Aalto e 5000 investigadores dos principais centros de investigação finlandeses A criação de 40 a 70 start-ups por ano e facilidade de obtenção de financiamento Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 45

46 3.2.Helsínquia Finlândia Relevância na inovação e acções para a melhoria do sistema de apoio ao empreendedorismo A procura de relevância à escala internacional é um desígnio levado a sério nas várias áreas do sistema de inovação. A perspectiva da concentração de esforços promove novos paradigmas de competitividade, obtém padrões de produtividade alinhados com os países mais bem sucedidos (capitalizando a elevada qualificação dos recursos humanos e o esforço de investimento em I&D em percentagem do PIB) e permite o aparecimento de empresas capazes de se afirmarem internacionalmente. Exemplos desta determinação são a criação da Universidade de Aalto como resultado da fusão de três universidades de Helsínquia, a concentração da investigação no VTT e a construção da cidade de ciência e tecnologia de Otaniemi. Nos últimos cinco anos, a grande prioridade do sistema de apoio à inovação e ao empreendedorismo passou a ser a criação e desenvolvimento de empresas com elevado potencial de crescimento, em detrimento de abordagens anteriores mais focadas na capacitação sectorial. O apoio ao aparecimento de empresas com elevado ritmo de crescimento tem provocado alterações na estrutura pública de incentivos ao empreendedorismo, para além das iniciativas de facilitação do acesso através redução da complexidade institucional. Ao nível regional, sublinha-se a existência de 15 centros regionais de apoio às empresas (ELY), pertencentes aos Ministério do Emprego e Economia. Os técnicos acompanham cada projecto empresarial que surge em cada uma das regiões ( os técnicos vão ter com as empresas e acompanham a sua evolução, conhecem-nas por isso desde a sua criação ). É ao nível regional que são desenvolvidas as acções de formação de empreendedores. As instituições públicas de apoio à inovação e ao empreendedorismo (dentro do Ministério da Economia e Emprego e do Ministério das Finanças) estão a iniciar o processo de criação de key account managers (com poucas dezenas de técnicos) que passarão a acompanhar a vida HGEF (previsivelmente 200 a 300 empresas) no seu relacionamento com as entidades/agências públicas. Estas instituições estão a iniciar o processo de desenvolvimento de mecanismos de CRM no acompanhamento das empresas, visando implementar circuitos de informação e procedimentos eficientes de resposta atempada às necessidades das empresas reduzindo desta forma a complexidade institucional do sistema. Neste domínio distinguem-se os seguintes aspectos, sempre mantendo como prioridade o apoio a empresas que procurem rápidos crescimentos através da internacionalização: i. a complementaridade temática dos fundos públicos de capital de risco que se dividem pela Finnish Industry Investment, Seed Fund Vera, Business Accelerator, TEKES YIC & TULI e Foundation for Finnish Inventions; ii. o reforço da aposta do capital de risco nos processos de aceleração empresarial, vocacionados para as segundas fases de crescimento; iii. A tentativa de envolver mais activamente o Ministério das Finanças, para além do Emprego e Economia, nas políticas de promoção do empreendedorismo, através de medidas fiscais de estímulo à actividade de capital de risco e à actividade de criação de empresas. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 46

47 3.3.São Paulo Área Total do Estado (km2) Total da Área Metropolitana Estado São Paulo (milhões) 41,6 % Brasil 21,8% População 2010 Área Metropolitana São Paulo (milhões) 19,7 % Brasil 10,3% Município São Paulo (milhões) 11,2 Densidade (habitantes /km2) Estado São Paulo ($R Milhões) PIB 2010 Região Metropolitana São Paulo Cidade São Paulo População Activa Metropolitana (milhões) 16,8 Emprego 2010 (1ºT) Milhões de desempregados 1,4 Taxa de Desemprego Cidade São Paulo 12,1% Taxa de Desemprego Metropolitano 13,1% Educação Brasil 2007 (OCDE)* Até ensino Secundário 63,2% Ensino Secundário (ou formação profissional pós secundário) 27,2% Educação de nível superior 9,6% Fonte: SEADE 2011 e (*) OCDE, 2011 Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 47

48 3.3.São Paulo A cidade de São Paulo não representa a típica cidade brasileira. É uma cidade líder, um exemplo seguido em toda a América Latina, pela sua dinâmica e desenvolvimento. É a capital financeira e empresarial do Brasil. A sua dimensão faz dela a maior cidade sulamericana e umas das dez maiores do planeta, um dos maiores centros financeiros do mundo, sede de mais de 60% das empresas multinacionais presentes no Brasil e residência oficial de mais de milionários. É por isso, uma das cidades mais caras do mundo. grandes eventos: Jogos Olímpicos e Campeonato Mundial de Futebol. O sector agro-alimentar é responsável por 37% das exportações e 28% do PIB. A política pública tem contribuído de forma determinante para o fomento do empreendedorismo, designadamente através do dispositivo de Compras Governamentais, que permite a micro e pequenas empresas (MPE s) serem fornecedoras do Estado, ou através dos processo de desburocratização em curso. São Paulo é também uma cidade de contrastes onde, graças ao crescimento económico dos últimos anos, uma maioria menos privilegiada vai gradualmente ganhando poder de compra, criando uma classe média que permite o boom de sectores como o varejo (comércio) e o imobiliário. Devido aos preços e a politicas rígidas de licenciamento, muitos dos sectores mais dinâmicos da economia têm-se deslocado para as zonas limítrofes da cidade ou para cidades satélites e vizinhas. Nas últimas décadas os sucessivos Governos têm apostado no ensino superior. Verifica-se, por isso, um número crescente de pessoas com habilitações de nível superior. No entanto, a grande maioria das habilitações de grau superior obtidas são da área de humanísticas e apenas uma pequena parte é habilitado em áreas tecnológicas ou em engenharia. Mesmo assim, em termos absolutos, regista-se um grande aumento de técnicos no mercado de trabalho de São Paulo. O sector financeiro tem uma importância determinante na evolução recente da economia brasileira. A forte regulamentação a que está sujeito proporcionou uma menor exposição à crise de 2008 que a generalidade da banca internacional. A forte austeridade fiscal, resultado de uma política focada na redução do endividamento externo e nos investimentos internos, também preservou o país dos efeitos devastadores que assolaram outros países. A cidade de São Paulo contribui para o crescimento da economia brasileira, na generalidade, e do estado de São Paulo, em particular. O crescimento do investimento, com aquisição de máquinas e de equipamentos e com crescimento do imobiliário, é fruto do aumento de procura de habitação e das expectativas geradas em torno de Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 48

49 3.3.São Paulo Sistema de apoio ao empreendedorismo Políticas Sectoriais Politicas e Dinamização Empreendedorismo Educação Competências Empreendedoras Transferência Tecnologia /Incubação /Formação O sistema de apoio ao empreendedorismo no Brasil está bem planificado e resulta já de muitos anos de estruturação institucional. Algumas das organizações, como as Universidades, a Financiadora de Estudos e Projectos (FINEP) ou o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), foram fundados ou delineados ainda durante os anos 70 do século passado. Governo Federal e Estadual FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Universidades Escolas de Formação FIESP SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial FINEP Financiadora de Estudos e Projectos SIBRATEC Sistema Brasileiro de Tecnologia Fundação Gertúlio Vargas ENDEAVOR Apesar da multiplicidade das instituições estaduais e federais, municipais e privadas, que participam de diferentes formas na promoção do empreendedorismo em São Paulo, há esclarecimento relativamente às instituições que regulam, financiam e que dão apoio. Cada entidade tem missão própria e definida e realiza actividade com os seus próprios meios mas com o apoio e, muitas vezes em complementaridade com outras. O dinamismo, não apenas das instituições, como também da sua capacidade de mobilização surpreende. As prioridades nacionais e regionais bem como os instrumentos de política são definidas pelos Governos Federal e Estadual. À Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) compete representar os interesses de 132 sindicatos patronais e de cerca de empresas junto das instituições governamentais, assumindo-se como principal interlocutor do sector produtivo. Financiamento Grandes Investimentos BNDES Pequenos e Médios Investimentos FINEP Incubadoras Capital de Risco Venture Capital BOVESPA No seio da FIESP, desenvolveram-se algumas outras entidades que assumiram grande importância para o Estado de São Paulo, como é o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Esta é uma estrutura de apoio ao ensino profissional para a Indústria, que procura preparar jovens com competências que esta necessita ou virá a necessitar a breve prazo. Realiza ainda acções de formação para trabalhadores da industria, de forma a que estes possam manter se actualizados e assim contribuir melhor para a competitividade das suas empresas. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) está no cerne do sistema e apoia, dinamiza e financia uma grande parte das iniciativas de apoio ao empreendedorismo do Estado de São Paulo. Muitas vezes assume o papel de articulação entre entidades que participam no esforço de desenvolvimento de empreendedorismo. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 49

50 3.3.São Paulo SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas O SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas - foi fundado em 1972 como entidade privada sem fins lucrativos e financiada por fundos públicos. Tem como missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável de Micro e Pequenas Empresas (MPE). Busca o fortalecimento do empreendedorismo e participa na aceleração do processo de formalização da economia por meio de parcerias com os sectores público e privado, programas de capacitação, acesso ao crédito e à inovação, estímulo ao associativismo, feiras e rodadas de negócios (reuniões destinadas a identificar oportunidades de desenvolvimento de negócios). A informação é determinante na intervenção do SEBRAE. Todas as acções têm subjacente que apenas a cultura e a aprendizagem ao longo da vida podem garantir uma gestão competitiva, eficiente e moderna. Para isso, promove cursos, consultoria, formação profissional, seminários, eventos vários e publicações. Intervém directamente, através de contactos pessoais ou colectivos, de forma presencial ou através da Internet. A sua actividade divide-se em três eixos temáticos: i. Apoio ao Agro-Negócio Familiar através do apoio ao acesso a tecnologia, serviços financeiros e mercados, através da resolução de barreiras comerciais ou através da obtenção de certificações de qualidade e/ou de origem. ii. iii. Apoio à Indústria - dá prioridade ao desenvolvimento de alianças entre empresas fomentando sinergias entre projectos e integração da cadeia produtiva. Apoio a Comércio e Serviços usando cursos e consultoria com metodologias de integração cooperativa (qualificar, modernizar, ampliar, a competitividade dos pólos e redes de estabelecimentos) e desenvolvendo negócios no sector dos Serviços (principalmente Turismo, Entretenimento, e Artesanato). Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 50

51 3.3.São Paulo A criatividade no desenvolvimento de novas soluções e a quebra de paradigmas são fundamentais para a sustentação e viabilidade da missão do SEBRAE. O SEBRAE actua em quatro áreas-chave para o desenvolvimento do empreendedorismo: i. Articulação de políticas públicas que criem um ambiente institucional mais favorável; ii. iii. Acesso a novos mercados; Acesso a tecnologia e inovação; iv. Facilitação e ampliação do acesso aos serviços financeiros. O SEBRAE trabalha o Ecossistema, intervindo a vários níveis: ambiente, sectores e territórios e junto das empresas. Três níveis de intervenção do SEBRAE Ambiente No primeiro nível de intervenção Ambiente -, o SEBRAE articula-se com várias entidades para o desenvolvimento de cultura empreendedora. Nomeadamente, com os Municípios, procurando que seja proporcionada formação na área de comportamentos empreendedores nas escolas a crianças desde os oito anos. Para este efeito disponibiliza os programas e os materiais de apoio dos cursos/disciplinas e procura desenvolver: cultura de cooperação (trabalho em rede), cultura de inovação (necessidade constante de renovação), sustentabilidade ambiental e ética e cidadania. Todos os anos é eleito um foco temático distinto para a promoção do empreendedorismo junto das populações (Ecossistema). Desenvolve um programa de disponibilização gratuita de Inteligência de Mercado, que pretende pôr on line o conhecimento reunido nas bibliotecas e nas pesquisas de mercado que o SEBRAE executa. Este é um projecto importante que envolve 38 pessoas a tempo inteiro em São Paulo. Organiza vários prémios, entre eles um de educação empreendedora para professores universitários e realiza concursos de empreendedorismo, de gestão de negócios num simulador, entre equipas estudantes universitários da América Latina. Sector Território Comportamentos / Lideranças Tecnologia / Inovação Micro e Pequenas Empresas Comportamento do Empresário Dominar o Negócio Gestão Tecnologia 51

52 3.3.São Paulo O segundo nível de intervenção do SEBRAE concretiza-se sobre os sectores e sobre os territórios (regiões). É a este nível que se realizam o desenvolvimento de competências, estando planeados e em curso múltiplos programas. O SEBRAE realiza a formação de um milhão de pessoas em áreas diversas. Para cumprir os objectivos da instituição, estima-se que será necessário atingir a formação permanente de cinco milhões de pessoas. Promove o programa Circuito de Negócios, que consiste em reuniões de cerca de 30 empresários, geralmente dedicado a um tema e com um pequeno seminário para animar as sessões que têm como objectivo promover networking e criar oportunidade de negócio entre estes. Cerca de empresários participam por ano nestas iniciativas. Outro objectivo é motivar o empreendedorismo por oportunidade, evitando ou desencorajando o empreendedorismo por necessidade. Para isso, propuseram várias medidas ao Governo Estadual e Nacional com o fito de promover o empreendedorismo pela procura. A medida de abertura das compras públicas a pequenos fornecedores foi um dos resultados. Apoia o desenvolvimento de Empreendedorismo Social, através de subsidiação e de outras formas de apoio de ONG que trabalham directamente com as populações alvo. Os focos temáticos não são apenas sectoriais ou territoriais. Por exemplo, têm linhas de actuação específicas para mulheres. O Empreendedorismo Feminino no Brasil é já responsável por 56% das iniciativas. O Empreendedorismo Tecnológico é outro dos focos temáticos mais importantes. Articulado com as Universidades, o SEBRAE apoia 72 incubadoras. A dimensão média das incubadoras tecnológicas no Estado de São Paulo é de 10 a 15 empresas, que permanecem durante três a quatro anos em incubação. Este apoio inclui participação financeira e, em muitos casos, participação na administração. A complementar a actividade do SEBRAE no apoio junto das empresas em incubação, tem vindo a surgir soluções de Venture Capital e alguns Business Angel. A fonte de financiamento principal das empresas tecnológicas incubadas é a FINEP. Este organismo condiciona o processo de selecção das incubadoras, através da atribuição do financiamento. Pela importância destes financiamentos alternativos, fortemente incentivados pela política pública, o SEBRAE tem vindo a desviar algum do apoio financeiro às incubadoras para outras intervenções. O terceiro nível de intervenção consubstancia-se no apoio junto das empresas, realizando a gestão das competências, fazendo diagnósticos, definindo estratégias e intervindo e apoiando as empresas recém constituídas ou outras MPE. Na área tecnológica, e articulado com as incubadoras, o SEBRAE assegura pré-incubação, prestando formação gratuita, proporcionando consultoria, tentando promover as competências empreendedoras de cada um. Caso estas não se manifestem ao nível desejado, procura encontrar sócios da área de gestão para os tecnológos ou cientistas empenhados numa iniciativa empreendedora O programa SEBRAE-TEC é outra iniciativa de apoio ao Empreendedorismo Tecnológico: apoia-se numa rede de empresas reconhecidas, que prestam apoio até 400 horas de trabalho nas áreas de consultoria e de aperfeiçoamento tecnológico. Esta iniciativa, na opinião dos responsáveis, tem mais apoio e sucesso que o apoio às incubadoras. O programa EMPRETEC, realizado com o apoio da ONU, apoia a desenvolvimento de comportamentos empreendedores junto de empresários já instalados. O SEBRAE realiza ainda Feiras de Empreendedor onde dão a conhecer a sua actividade e a dos empreendedores que nelas participam. A Feira do Empreendedor tem uma versão on line, onde se procura fazer o encontro entre a procura e a oferta de serviços. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 52

53 3.3.São Paulo A Plataforma Digital do SEBRAE possui várias aplicações e permite alargar muito a base de oferta de todos os serviços. É o caso do atendimento e educação/formação a distância, de rodadas de negócios (encontros entre empresários, financiadores, universitários, responsáveis de organizações públicas, etc.), as já enunciadas feiras do empreendedor, grupos de discussão, disponibilização de documentos, testes de personalidade ou de notícias especializadas. Para articular todos estes serviços, o SEBRAE de São Paulo possui 800 colaboradores permanentes e uma rede de consultores especializados, que participam nos seus programas. Os modelos digitais são também utilizados para gestão interna do SEBRAE. O modelo de Gestão Orientada para Resultados (GEOR), abrange centenas de projectos da instituição e parceiros, permitindo a coordenação, sistematização e actualização de toda a informação em tempo real. O GEOR produz indicadores consistentes sobre a evolução dos projectos e os impactes que produzem nas comunidades e regiões. Permite ainda ajustes nos percursos e monitorizar as etapas vencidas, ou aumentar a velocidade de disseminação de boas práticas com redução de custos e do tempo de implementação. Esta metodologia permitiu ao SEBRAE alavancar, num curto prazo, a sua capacidade de atendimento. A estratégia de planeamento e de gestão, ao nível local ou nacional, baseia-se em quatro princípios básicos que obedecem à seguinte ordem: i. dirigidos aos beneficiários; ii. iii. iv. foco em resultados; adensamento da visão estratégica; intensidade, prontidão e proximidade da gestão. O SEBRAE destaca-se pela organização e articulação do trabalho com outras entidades. É a organização de desenvolvimento de Empreendedorismo e de apoio às micro e pequenas empresas do Brasil e também de cada Estado. Os 30 anos de actividade contribuem para o reconhecimento generalizado da sua missão e para a estruturação de equipas e estruturas. A sua intervenção, não apenas ao nível pedagógico e das competências empreendedoras e de gestão, mas também ao nível técnico permite-lhe dar uma profundidade muito grande no apoio às MPE. A plataforma digital desenvolvida permite-lhe ampliar de forma exponencial o número de pessoas / empresas que apoia. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 53

54 3.3.São Paulo FINEP Financiadora de Estudos e Projectos A FINEP - Financiadora de Estudos e Projectos é uma empresa pública, criada em 1967, para gestão do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico. Actualmente, é a principal agência de fomento à inovação do Brasil e financia todo o sistema de Ciência e Tecnologia, combinando recursos reembolsáveis e não reembolsáveis para actividades de inovação que contribuam para o aumento da competitividade do tecido empresarial. A FINEP financia todas as fase iniciais da inovação, na associação Universidade / empresa nomeadamente através de incubadoras, os parques tecnológicos, os gabinetes de investigação e as próprias universidades. A FINEP actua através de Concursos (Chamadas Públicas) para os fundos e para os programas. Gere diversos programas sectoriais e temáticos e linhas de financiamento. O empreendedorismo tecnológico é financiado pelo FINEP através do SEBRAE. Os grandes projectos são financiados, até aos projectos piloto, pela FINEP e, nos restantes estágios de desenvolvimento, pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social). Visão da FINEP Importantes programas não temáticos: Programa 14Bis: concede recursos de subvenção económica (não-reembolsáveis) para produtos, processos e serviços inovadores, visando ao desenvolvimento das áreas consideradas estratégicas nas políticas públicas federais. Programa de Apoio à Inovação para as Micro e Pequenas Empresas: é aplicado em São Paulo como Pesquisas Inovativas em Pequenas Empresas (PIPE). Programa Inova Brasil: apoia os Planos de Investimentos Estratégicos em Inovação das Empresas Brasileiras. Programa Juro Zero: proporciona empréstimos sem juros e com reembolsos em 100 prestações, com redução drástica de burocracia, para financiamento de MPE inovadoras. Programa Prime - Primeira Empresa Inovadora: cria condições financeiras favoráveis consolidação com sucesso da fase inicial de desenvolvimento. É o programa usado para financiar incubadoras e start-ups. Programa SIBRATEC: apoia actividades de I&D de inovação em produtos e processos, em consonância com as prioridades das políticas industrial, tecnológica e de comércio externo. O objectivo final é aumentar a competitividade das empresas brasileiras. As entidades a ele associadas estão organizadas em três redes: Rede de Centros de Inovação, Redes de Serviços Tecnológicos e Redes de Extensão Tecnológica. Programa de Subvenção Económica: visa aumentar as actividades de inovação e a competitividade das empresas e da economia. Permite a aplicação directa de recursos públicos não reembolsáveis em empresas, partilhando os custos e riscos inerentes a tais actividades. Programa Inovar: apoia as empresas inovadoras através de venture capital (capital semente e de risco). Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 54

55 3.3.São Paulo O Prémio FINEP de Inovação Tecnológica foi criado com o objectivo de disseminar a importância da inovação tecnológica para o desenvolvimento do País. Em sua primeira edição, a participação no Prémio ficou restrita a empresas da região Sul. Em 1998, dos 25 projectos inscritos, sete foram premiados nas categorias produto e processo. Em cada uma foi feita uma classificação dos trabalhos de acordo com o segmento de actuação de cada empresa, conforme previa o regulamento. A selecção de projectos candidatos a programas ou a fundos é muito cuidada e tem como base o mérito das propostas apresentadas. O objectivo geral é sempre o de promover a inovação nas empresas, com sustentabilidade, promover a sua competitividade e debelar as assimetrias regionais e federais. Em todas as circunstâncias são fomentadas as relações com as Universidades. O FINEP assume-se como uma agência de promoção de inovação e de financiamento de transferência de tecnologia. Os Fundos Sectoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999, são instrumentos de financiamento de projectos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Há 16 Fundos Sectoriais, dos quais dois transversais: i. FVA Fundo Verde-Amarelo, para a interacção universidade-empresa; ii. Fundo para apoiar a melhoria da infra-estrutura de Inovação, Ciência e Tecnologia; iii. Outros fundos sectoriais: CT-Aero CT-Amazonia CT-Aquavivário CT-Biotec CT-Energia CT-Espacial Audiovisual CT-Infra CT-Info CT-Mineral CT-Petro CT-Saúde CT-Transporte Funttel Fonte: FINEP 55

56 3.3.São Paulo CIETEC - Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia O CIETEC - Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia tem como missão incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica e apoiar a criação, fortalecimento e consolidação de empresas e empreendimentos inovadores, de base tecnológica. Resulta de um acordo entre a Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, o SEBRAE-SP, a Universidade de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Realiza pré-incubação, incubação e pós-incubação de empresas de base tecnológica., O CIETEC possui duas unidades de negócio: i. A Incubadora ii. O Núcleo de Empresas e Empreendimentos Tecnológicos Localiza-se na Cidade Universitária de São Paulo, o que é um aspecto importante por ser o maior e mais importante centro de conhecimento do país em muitas áreas tecnológicas e pela proximidade a muitas empresas de base tecnológica. A incubadora do CIETEC está localizada no Bloco I do CIETEC, em m2 de área construída, com módulos até 50 m2 para uso das empresas. Incubadora de Empresas de Base Tecnológica Empresas Residentes Estão disponíveis as seguintes modalidades de pré-incubação e incubação de empresas : Hotel de Projectos Destina-se a pré-incubação de empresas ainda na fase de sua constituição jurídico-administrativa e de captação de recursos financeiros para sua instalação, com planos de negócios em elaboração ou revisão. Empresas Tecnológicas Para empresas novas de base tecnológica, em especial micro e pequenas empresas, já constituídas jurídica e administrativamente, com planos de negócios aprovados pelo CIETEC e disponibilidade de recursos financeiros para sua instalação e início de operação. Empresas de Tecnologia da Informação Para empresas com negócios nas áreas de tecnologia de informação e comunicação com planos de negócios aprovados pelo CIETEC e disponibilidade de recursos financeiros para sua instalação e início de operação. O CIETEC disponibiliza instalações com infra-estruturas específica para o desenvolvimento desses negócios. Empresas não Residentes Destina-se a empresas de base tecnológica, com planos de negócios consolidados e aprovados pelo CIETEC que não prevêem sua instalação física no CIETEC, mas que usufruem dos serviços de apoio oferecidos nas áreas de gestão tecnológica, empresarial, mercadológica e afins. Fonte: CIETEC Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 56

57 3.3.São Paulo Processo de Incubação do CIETEC Selecção A pré-selecção de empresas é realizada três vezes por ano após avaliação de painel de peritos. O processo demora quatro meses e é muito exigente: apenas as iniciativas que cumprem todos os requisitos acedem à incubação. A apreciação dos Planos de Negócios é realizada em dois momentos: no workshop, onde se apresentam as ideias e o plano negócios e na avaliação por consultores ad-hoc. O potencial empreendedor é avaliado com base em metodologias estabilizadas através de entrevistas individuais. Acolhimento Formação de competências de gestão, marketing, comunicação e comercialização, para educar o potencial empreendedor e capacidade científica e técnica dos incubados. Comunicação das empresas (integradas ou não na comunicação da incubadora), incluindo relação com a imprensa. Participação em feiras e outros eventos no Brasil e no exterior. Acesso a informação e serviços científicos e tecnológicos e parcerias com entidades do investigação e desenvolvimento (USP, IPT, Instituto Butatan). Super-Orientação para o mercado Temos 10 gestores seniores que são 10 feras nós somos o olho do empresário, o investidor não investe em empresas que não tenham resolvido a questão da propriedade intelectual Eventos para realização de grandes rodadas de negócios como o Café Tecnológico, Festas Juninas, Festa de Natal. Soluções inteligentes para Financiamento Parceria com BOVESPA FINEP Endeavour Foundation: Triagem de apenas 20 projectos dos melhores 150 identificados. Dois meses para desenvolvimento do Plano de Negócios Encontro de matching com 30 a 40 Business Angels. Saída Empresas incubadas que não apresentam resultados são convidadas a sair para dar lugar a outras eventualmente mais competitivas. O Núcleo de Empresas e Empreendimentos Tecnológicos Inovadores está instalado nos Blocos I e II do CIETEC, perfazendo, cerca de m2 de área construída, com módulos até 200 m2 para uso das empresas em processo de pós-incubação e de consolidação de seus negócios tecnológicos inovadores. Trata-se de um ambiente de apoio a empresas qualificadas por incubadoras, estruturadas jurídica e administrativamente, já com participação relevante no mercado e na geração de empregos, cujos planos de negócios tenham sido aprovados pelo CIETEC. A infraestrutura física e operacional e os serviços de apoio proporcionados pelo CIETEC têm como objectivo capacitar as empresas na resolução de dificuldades tecnológicas e de gestão identificadas nos seus planos de negócios. Os serviços disponibilizados incluem acesso a informação científica, tecnológica e de mercado; apoio ao estabelecimento de parcerias com instituições de ensino, ciência e tecnologia, em especial na Cidade Universitária de São Paulo; assessoria para captação de recursos financeiros; orientação para elaboração de planos estratégicos e de negócios, marketing, comunicação e comercialização, gestão tecnológica, incluindo propriedade intelectual, design, aspectos jurídicos e fiscais, licenciamento e transferência de tecnologia e apoio à participação em eventos tecnológicos, comerciais e empresariais, nacionais e internacionais. O CIETEC destaca-se por: Articulação institucional, nomeadamente com instituições científicas e tecnológicas, que põe à disposição das incubadas. Rigor colocado na selecção e em todo o processo de prestação de serviços de apoio às empresas. Soluções inovadoras de financiamento que põe à disposição das empresas incubadas ou associadas. Apoio a nível das condições de trabalho: informática, assessoria legal e fiscal, design e comunicação. Agressividade competitiva que estimula e exige das empresas: a orientação para o mercado é palavra de ordem. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 57

58 3.3.São Paulo HUB de São Paulo O HUB de São Paulo é uma organização com fins lucrativos, inserido numa rede mundial de 22 incubadoras para iniciativas de empreendedores de negócios sociais. Gere um espaço infra-estruturado, que se constitui como um grande open-space, com diversos postos de trabalho individuais ou múltiplos, uma zona de contactos informais com mesas e algumas zonas de trabalho e bar. Possui ainda zona de reuniões e um espaço polivalente onde se realizam vários eventos. É uma rede colaborativa de relações informais, em que as empresas mais adiantadas no processo de empreender ajudam as recém chegadas. Inspira-se no conceito que defende que a circulação horizontal de informação e de relações de ordem colaborativa é mais propiciadora do sucesso que o fluxo vertical. O ambiente de colaboração entre pessoas e empresas é fomentado em todos aspectos, não apenas pela partilha do espaço físico ou pela informalidade das relações interpessoais, que assumem a forma de ajuda e se tornam um estimulo à troca de prestação de serviços, ou ao seu pagamento ser realizado em género numa lógica de permuta. O aspecto fundamental do conceito HUB é a manifestação da rede no espaço ser fundamental: o encontro das pessoas é condição para o funcionamento da rede. Prestadores de serviços especializados são entidades associadas que alugam o espaço e apoiam as empresas no espaço de incubação, sendo muitas vezes a remuneração obtida através da participação nos proveitos do projecto (profit share). Um exemplo é consultoria da McKinsey, que se encontra no espaço como outra qualquer iniciativa. O espaço ocupado não é exclusivo ou arrendado por longos períodos de tempo. Os contratos são vendidos em pacotes de horas de utilização. A ideia é precisamente permitir a sua utilização ao maior número possível de pessoas e simultaneamente à sua permuta em termos de espaço, contribuindo assim para o contacto entre si. Pretendese que cada empreendedor (e suas equipas até 6 colaboradores) partilhem o espaço e por isso contribuam para a lógica colectiva. O espaço é actualmente partilhado por 250 empreendedores na sua maioria jovens. Apoiam a sua actividade 7 pessoas. A procura parece ser superior à disponibilidade de espaço. Procuram por isso expandir-se. Fonte: Hub São Paulo Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 58

59 3.3.São Paulo Os princípios que parecem fundamentar o conceito HUB são os da Geração Y: independência é cool e vou resolver todos os problemas que surgirem. Oficializa-se a tendência light hacker e a necessidade de partilha e de aprendizagem colectiva é exponenciada. As pessoas precisam e querem discutir ideias. Não defendem apenas a incubação de negócios mas um life-style, uma cultura associada à defesa das causas sociais, do ambiente e da sustentabilidade. Partilhar passa também pela discussão pública de Planos de Negócios, de Ideias. É o caso dos: Start-up Lab ou seminário de captação de investimento, pondo em contacto pessoas com ideias de negócio em desenvolvimento com potenciais investidores: i. Pitchers (cinco minutos) falam sobre modelo de negócio, histórico e perfil do empreendedor, exposição das necessidades para empreender: investimento, sociedade, recursos físicos e cliente ii. Juízes (cinco minutos) avaliação, críticas sobre o negócio e a apresentação, propõem sugestões de melhoria e contactos. A plateia também pode entregar ao empreendedor sugestões por escrito. Teste de conceito ou obtenção de sugestões e identificação de oportunidades (investidores, sócios, clientes ) em discussão com parceiros, interessados ou co-incubados. Os HUB, como rede que são mantêm um permanente intercâmbio, não apenas para aprendizagem e evolução dos conceitos, com também para troca de empreendedores que queiram ter experiências internacionais. O HUB de São Paulo destaca-se por: Forte associação a um estilo de vida em que os conceitos característicos da Geração Y estão muito presentes. A eficiência do modelo é muito motivada pela necessidade da sua própria sustentabilidade (como negócio que é). A frugalidade e a procura de soluções eficientes é uma constante do modelo. A informalidade e a partilha surgem como a via para encontrar soluções e viabilidade para negócios que, por si só, em condições normais poderiam não o ser. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 59

60 3.3.São Paulo Relevância das acções para a melhoria do sistema de apoio ao empreendedorismo Na cidade de São Paulo movimentam-se mais de 30 milhões de pessoas numa constante actividade e procura de oportunidades. A dimensão do mercado gerado, a forte cultura associada e o dinamismo das pessoas assume proporções gigantescas, quando comparadas com os ecossistemas estudados na Europa e com o português. Apesar da diferença de escala existem vários modelos, várias lições a aproveitar neste caso. O caos aparente de instituições, pessoas e interesses é ordenado pela estabilidade e funcionamento das instituições. À semelhança de outros locais a persistência das instituições, a evolução das politicas aparenta ser uma das condições para o sucesso das iniciativas de fomento do empreendedorismo. Em São Paulo há duas instituições estruturantes na área do empreendedorismo e inovação, tecnológica ou não: o SEBRAE e o FINEP. A política é estruturada para o ganho de eficiência da economia local, estadual e nacional. A inovação tecnológica é apenas mais um dos aspectos que é perseguido, entre muitos outros. Apesar disso, verificou-se que todas as instituições usam instrumentos tecnologicamente evoluídos, sendo a Internet e os meios digitais amplamente usados com grande sucesso. A preocupação com a sustentabilidade e a competitividade é transversal a todos os sectores. A dimensão do mercado torna-o competitivo, mas também retira motivação aos empreendedores a procurarem os mercados externos. Nos mercados tecnológicos, esta dificuldade é muito importante, pois pode ser impeditiva de ganhos de escala a nível internacional. A Universidade de São Paulo, entre outras, tem um papel fundamental no desenvolvimento do empreendedorismo tecnológico, mas o foco da actividade continua a estar nas empresas e na iniciativa privada. É o mercado que conta. Os apoios estaduais e federais apenas servem para estruturar iniciativas e mecanismos de suporte. Não existe uma clara aposta num sector ou num tema para o desenvolvimento da economia. A actividade comercial é, em todas as situações, prioritária. Toda a organização da actividade se organiza em função da actividade comercial. O apoio ao empreendedorismo (ao nível das start-up) é considerado em termos paritários com o apoio a Micro e Pequenas Empresas (MPE). No entanto, verifica-se que, ao nível de muitas instituições, esta não se torna mais importante que o apoio a iniciativas empreendedoras nas grandes empresas. Estas grandes empresas possuem um papel importante na dinamização e viabilização de muitos negócios e iniciativas pois permitem criar volume critico à oferta e têm capacidade para o lançamento de novos produtos a escalas impossíveis às MPE. Os mecanismos de promoção dão, sempre que possível, prioridade ao fomento pela oferta. O sistema financeiro, que aparentemente preservou o Brasil da crise mundial em 2008, é um dos obstáculos ao seu crescimento. Apesar dos vários mecanismos de apoio das agências estaduais e federais, o difícil acesso ao crédito e as condições em que este se verifica ainda é um obstáculo a maior dinâmica empreendedora na cidade de São Paulo. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 60

61 4. Lições da experiência do processo de apoio à actividade empreendedora

62 4.1.Processos eficientes de incubação Identificação de boas práticas de incubação e mecanismos de melhoria do funcionamento dos centros de incubação Os casos estudados, pertencentes aos ecossistemas de promoção do empreendedorismo de Barcelona, Helsínquia e São Paulo, reflectem a existência de modelos bem consolidados, apoiados em organizações que prosseguem políticas bem definidas, financiadas com predominantemente a partir de fundos públicos, que actuam conjugadamente e que perduram no tempo. Os apoios às empresas estão tipificados numa lógica de ciclo de vida empresarial, servindo várias necessidades, vários estágios de evolução do projecto, desde a pré-incubação até à aceleração de negócios para mercados locais ou internacionais. O apoio ao processo empreendedor (da ideia à empresa) assenta na promoção de um ecossistema eficiente baseado nas temáticas da gestão e estratégia empresarial, cooperação empresarial, acesso ao financiamento e internacionalização. Nota-se uma forte preocupação com a redução dos custos de contexto, para que os empreendedores concentrem a sua actividade a explorar todo o potencial do negócio e a crescer em nichos globais. Os processo de pré-incubação mais eficientes baseiam-se na existência de um sistema de recursos que ampara as iniciativas mas que anda ao ritmo dos interesses e capacidades dos empreendedores. É responsabilidade do novo empreendedor aproveitar as potencialidades dos serviços que lhe são disponibilizados, constituindo um sistema de auto-selecção de promotores e iniciativas. A preocupação com o fortalecimento das capacidades do empreendedor combina formação nas competências pessoais/comportamentais com formação na área empresarial. Na fase de incubação, destacam-se as práticas de apoio à configuração de modelos de negócios baseadas em técnicos da incubadora, especialistas na elaboração e análise de planos de negócios, disponíveis para apoiar empreendedores apenas quando solicitados, excluindo o plano de marketing por ser entendido como a forma do empreendedor conhecer o seu mercado. A equipa de gestão das incubadoras pode ter um papel determinante na configuração do modelo de negócio (confrontando pressupostos e apontando fraquezas) e contribuindo para reduzir as ameaças à viabilidade do projecto. Neste papel, a equipa pode ser auxiliada por ferramentas informáticas desenvolvidas para o efeito assegurando rácios superiores de eficiência, distingue-se nesta matéria o caso de Barcelona Activa. Uma outra prática de incubação com resultados a destacar consiste no incentivo à interacção entre promotores de projectos em fase mais adiantada com outros promotores no início de preparação do plano de negócios. A integração em redes de conhecimento e de competências são uma preocupação das incubadoras estudadas, participando activamente na dinamização de redes regionais, nacionais e internacionais nas áreas da investigação, inovação e na área financeira. Estas redes têm como principal finalidade empurrar os projectos empresariais para ritmos de crescimento mais elevados, dando-lhes condições para utilizarem todas as forças do ecossistema a seu favor. O grande desafio à escala internacional consiste em contribuir para o aparecimento de casos de sucesso empresarial que cresçam muito rapidamente e que se afirmem como grandes players em mercados internacionais (especialmente nas áreas de intensidade tecnológica elevada, através dos designados projectos high tech high growth). A equipa de gestão das incubadoras dinamiza regularmente actividades para estimular o networking das empresas, visando concretizar parcerias para aproveitar oportunidades de integração em redes empresariais (desde o estabelecimento de contratos mais comuns de fornecimento de produtos/serviços até à aquisição parcial ou total de capital). Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 62

63 4.1.Processos eficientes de incubação Troca de experiências entre empreendedores As relações colaborativas informais dentro das incubadoras são um forte contributo para o estabelecimento de processos de entreajuda das empresas, estimulando laços profissionais e pessoais, o que contribui para o estabelecimento de uma lógica global de organização aprendente. A partilha de experiências entre empresas nas incubadoras contribui para bons resultados nos processos de incubação. As empresas mais adiantadas nos seus projectos empresariais, dentro do espaço da incubadora, servem de exemplo às mais recentes. Esta prática de learning by interacting permite uma partilha de experiências em que as empresas mais novas utilizam as lições da experiência dos promotores com processos mais avançados para impulsionar o seu projecto. Um bom exemplo desta prática é o Hub São Paulo. Neste, as novas empresas são, inclusivamente, estimuladas a trocar trabalho em género e a efectuarem o pagamento dos serviços através de acordos de share profit (partilha de resultados em função do sucesso alcançado). O estabelecimento de relações de confiança entre empreendedores pode resultar no aproveitamento de oportunidades de negócio em consequência de um melhor conhecimento das competências dos parceiros e da identificação de soluções resultantes da combinação de saberes e de contactos comerciais. A existência de espaços comuns (área de trabalho, café, livraria, ginásio, etc.) e de eventos frequentes (apresentação de novas empresas, formação, encontros com investidores, etc.) contribuem para a criação de um sentimento de pertença a uma comunidade e a frequente partilha de preocupações, soluções e oportunidades. A criação de uma cultura orientada para a realização de projectos, para a afirmação das capacidades individuais e colectivas, reflectese em acréscimos motivacionais e estimula o aparecimento de processos geradores de inovação. Fonte: Hub São Paulo Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 63

64 4.1.Processos eficientes de incubação Práticas decorrentes do mérito das empresas criadas O exercício de benchmarking internacional não permitiu identificar aspectos particularmente inovadores na valorização dos sucessos empresariais de empresas incubadas. Naturalmente que o sucesso das empresas incubadas contribui para o reforço da notoriedade da infra-estrutura, para a motivação da equipa de gestão e incentiva os novos empreendedores a seguirem o seu exemplo. Neste aspecto, o Instituto Pedro Nunes tem uma prática interessante que decorre da prática do que constituiu uma comunidade de empresas incubadas em que as empresas seniores (que abandonaram fisicamente a incubadora), mantém uma ligação através da plataforma de incubação virtual, a preços simbólicos, e constituem para as novas empresas uma fonte de contactos, negócios e aprendizagem (in Estudo de Benchmarking de Nacional sobre Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo, 2011). Tal como foi referido no estudo de benchmarking nacional verificase a existência dos seguintes aspectos que devem ser destacados: i. o relacionamento das empresas seniores com as novas empresas possibilita o estabelecimento de relações do tipo win-win. ii. As empresas mais novas obtêm a possibilidade de acelerar o seu ritmo de crescimento através da integração em cadeias valor já formadas, através da inclusão de clientes relevantes na sua carteira comercial, o que lhes proporciona notoriedade. iii. As mais velhas têm acesso a negócios inovadores que podem reforçar a sua oferta de soluções, sem perder o foco nas actividades nucleares, ou a propostas que juntam valor estratégico à sua actividade que podem ser objecto de formas mais ou menos completas de parceria (da comercialização conjunta à fusão/aquisição) 3. (3) in Estudo de Benchmarking Nacional sobre Práticas e Instrumento de Apoio ao Empreendedorismo (2011) Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 64

65 4.2. Relações entre Universidades, incubadoras e empresas A gestão do conhecimento produzido dentro das Universidades e a sua utilização pelas empresas existentes ou novas é um aspecto crucial para o aproveitamento das competências nela residentes. Este processo é induzido quando existe uma decisão estratégica das Universidades de passar a valorizar económica e socialmente a sua base de conhecimento científico. A criação de infra-estruturas como Parques de Ciência e Tecnologia ou Incubadoras de Base Tecnológica são instrumentos que contribuem para o aparecimento de iniciativas inovadoras que resultam da combinação de conhecimento científico, tecnologia e recursos humanos qualificados. A constituição de entidades especializadas na gestão da propriedade intelectual gerada dentro da Universidade e na gestão da transferência de tecnologia (envolvendo contratos de investigação, licenciamento e patentes e a criação de spin-offs) são um passo decisivo para a captação de receitas e para a mobilização de conhecimentos de professores e alunos. O aparecimento destas entidades consagra o princípio de uma abordagem sistémica de gestão do conhecimento com especialização das actividades de ensino, investigação fundamental e aplicada (laboratórios e centros de tecnologia) e desenvolvimento empresarial (incubadora). Nestas entidades de transferência de tecnologia procura-se combinar pessoas com cultura predominantemente científica com outras provenientes do mundo empresarial. Esta articulação é feita em função de objectivos bem delineados, mas fundamentalmente é promovida por uma liderança e equipa de gestão orientada para a resolução de problemas dos clientes empresariais. número de investigadores envolvidos na prestação de serviços às empresas e para a comercialização dos serviços prestados pelos Centros de Investigação e pelo Parque Científico da Universidade. Nos últimos anos, esta Fundação tem-se afirmado como uma fornecedora completa às empresas de serviços de consultoria na área da inovação e um nó importante de uma rede de âmbito, regional, nacional e internacional (participando activamente em projectos europeus financiados por programas da UE). O CIETEC, de São Paulo, constitui um bom exemplo da valorização de spin-offs universitários, seleccionados muito criteriosamente e formatados para se autonomizarem através de uma forte orientação para o mercado. Os recursos científicos e tecnológicos eventualmente necessários são facilitados pelos contactos da equipa de gestão com a extensa rede de parcerias e de laboratórios com ligações à Universidade de São Paulo. O apoio à segunda fase de desenvolvimento dos negócios é uma prática da Aalto Start-up Centre (Helsínquia) que presta serviços de consultoria visando assegurar a continuidade do crescimento em áreas como a definição de vantagens competitivas, a fixação de recursos necessários e o financiamento dos planos de crescimento. Nos processos de incubação, destaca-se o clube de mentores da Aalto Start-up Centre que integra 200 voluntários, sujeitos a um programa pedagógico inicial, que apoiam novos empreendedores. Este programa de mentoring apoia fundamentalmente as segundas fases de desenvolvimento dos negócios. No caso finlandês merece realce a valorização dos modelos de negócio das incubadoras que procuram elas próprias processos de internacionalização (caso da Aalto Start-up Centre). O trabalho desenvolvido pela Fundação Bosch y Gimpera da Universidade de Barcelona, ao longo dos últimos 25 anos, é um bom exemplo de ligação entre a investigação e o mercado. A sua acção tem contribuído para o aparecimento de spin-offs empresariais (com potencial de geração de sinergias com os centros de investigação da universidade), para a protecção da propriedade intelectual gerada dentro da Universidade, para o aumento do Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 65

66 4.3.Relacionamento com o sistema financeiro Financiar as várias fases do ciclo de vida do projecto Os ecossistemas estudados caracterizam-se pela sofisticação da oferta dos sistemas de apoio ao financiamento de novos projectos empresariais. O sistema financeiro, em cada um deles, apresenta uma oferta complexa de instituições e de instrumentos. As entidades promotoras do empreendedorismo promovem o acesso a uma rede de parceiros que asseguram uma multiplicidade de fontes financiamento da actividade empreendedora. No entanto, em cada um dos ecossistemas, objecto de análise, existem enfoques diferentes e especificidades de abordagem que devem ser valorizadas. Em todos os casos começa a notar-se uma sofisticação crescente da oferta de capital de risco e business angels, com apostas temáticas e domínios sectoriais bem delimitados (por exemplo nas TIC, energias renováveis, nanotecnologias, etc.). Regista-se uma inversão do circuito de financiamento, passando também as entidades financeiras a perscrutar activamente o mercado à procura de start-ups com grande potencial de crescimento, virando, por isso, a sua atenção para as incubadoras em especial de base tecnológica. Nesta matéria, configura-se o reforço de mecanismos de relacionamento entre investidores potenciais e novos empreendedores. Procura-se a captação de capital de risco internacional para apoiar a segunda etapa de crescimento dos projectos financiando a penetração no mercado global. A organização de eventos para promover o encontro entre investidores e novos empreendedores/projectos são um recurso muito utilizado pelas equipa de gestão das incubadoras. O modo como estas rondas de negociação são organizadas é relevante, devendo ter em consideração as características dos projectos, as preferências sectoriais e temáticas dos investidores e a metodologia de follow-up dos contactos estabelecidos. Neste domínio, evidenciam-se em São Paulo o CIETEC com o seu enfoque permanente na promoção de rondas de negociação e o Hub São Paulo com as iniciativas Start-up Lab em que se colocam em contacto ideias de negócio com investidores potenciais. No caso de São Paulo vale a pena destacar a abordagem do CIETEC na preparação dos promotores para a negociação com os financiadores. Esta incubadora adoptou uma abordagem que valoriza um processo rigoroso de selecção de ideias e empreendedores, aposta na formação das competências pessoais do empreendedor, na formatação adequada do estudo de viabilidade económico-financeira e, finalmente, no matching com um grupo de grandes business angels seleccionados pelo BOVESPA (bolsa de São Paulo). O caso finlandês evidencia a concentração de esforços na promoção urgente de medidas que contribuam para o aparecimento de empresas com elevado ritmo de crescimento empresarial (High Growth Entrepreneurial Firms HGEF, na denominação finlandesa) vocacionadas para competir em nichos de mercado globais. A criação de 200 ou 300 empresas com estas características é uma prioridade da política pública. Na Finlândia, as instituições públicas de apoio ao empreendedorismo (dentro do Ministério da Economia e Emprego e do Ministério das Finanças) estão a começar a desenvolver mecanismos de CRM (Customer Relationship Management) no acompanhamento destes projectos, criando procedimentos de resposta atempada às necessidades das empresas sem necessitar de revoluções organizacionais. As empresas com maior potencial de crescimento deverão passar a ser acompanhadas por um gestor de cliente público, contornando desta forma a complexidade institucional do sistema. O objectivo é que para apoiar o aparecimento de HGEF o sistema de apoio seja complementar, eficaz, fácil de entender e de aceder. Esta lógica de acompanhamento dos projectos finlandesa deverá ser extensível às instituições e agências públicas de apoio à internacionalização, procurando a sua especialização, a coordenação de esforços e a construção e inserção em redes internacionais. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 66

67 5. Conclusões e desafios

68 6.1.Conclusões Reforçar o Sistema de Apoio Existente 1. Os ecossistemas estudados realçam a importância da definição de uma estratégia clara que coloque a promoção do empreendedorismo no centro das prioridades de desenvolvimento da competitividade económica. 2. Alinhado com esta estratégia, encontra-se um sistema que se caracteriza pela estabilidade institucional, autonomia organizacional, competência técnica baseada na experiência e na retenção de quadros técnicos e, fundamentalmente, foco nos objectivos. 3. Para a eficiência das intervenções, contribui, de forma decisiva, a institucionalização e maturação de processos e agentes. 4. As principais entidades, nos ecossistemas estudados, são agências públicas com missão e financiamento contratualizado com entidades nacionais ou regionais, assegurando a continuidade da intervenção e a complementaridade de actuação com outras instituições públicas e privadas. 4. A concentração de esforços e noção de premência da aposta na promoção de mecanismos eficazes de apoio aos vários segmentos de empreendedorismo. 5. Nas experiências europeias estudadas, é muito acentuada a vontade de ser competitivo à escala internacional, desenvolvendo políticas activas de captação de talentos e de suporte à internacionalização de empresas que se possam afirmar em mercados de nicho globais intensivos em conhecimento e de alto valor acrescentado. 5. A eficiência dos ecossistemas de estímulo ao empreendedorismo depende da eficiência de um conjunto de sistemas, como o ensino, I&D, sistema financeiro, etc. 6. Mais do que haver uma entidade que isoladamente tenha por missão desenvolver o empreendedorismo, destaca-se a importância da existência de mecanismos de integração das políticas e das actividades das instituições. 6. A simplificação da tarefa dos empreendedores nas várias fases do ciclo de vida das empresas (não apenas nos seus estágios iniciais), deve ser o principal mote de acção dos organismos do sistema. 7. A orientação para o mercado conduziu as instituições finlandesas a iniciarem um processo de simplificação de procedimentos dentro das instituições e entre as instituições, valorizando uma lógica de CRM e de acompanhamento personalizado das empresas que procuram alcançar crescimento elevados através da internacionalização. 7. A atractividade do empreendedorismo é o principal mote de actuação. A motivação dos públicos-alvo, o estímulo à participação nas actividades e a facilidade de acesso são uma preocupação constante da actuação das entidades mais envolvidas no sistema. 8. Para esse efeito aposta-se muito na comunicação, na qualidade dos espaços, na informalidade de contacto e na redução de custos de contexto através da simplificação de procedimentos. 9. A criação de um ambiente propício ao empreendedorismo combina-se com mecanismos de valorização da educação para o empreendedorismo enquanto forma de pensar/estar das pessoas, reconhecendo o primado de uma cultura inovadora. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 68

69 6.1.Conclusões Sofisticação do modelo de intervenção 1. Numa economia global, os acréscimos de competitividade geramse através de especialização da oferta e da sofisticação dos serviços, evidenciando a sua vocação internacional. 2. As instituições não agem sozinhas, mas em rede, gerindo as competências internas de forma a maximizar a eficiência da resposta às solicitações e o aproveitamento das oportunidades. 2. Os sistemas integram entidades complementares, por vezes concorrentes ou com áreas de sobreposição ou redundância, como agencias de desenvolvimento regional, sectorial ou temático, universidades, entidades de transferência de tecnologia, agentes de propriedade intelectual, empresas e representantes em diversos locais no globo. 3. As redes, geralmente de origem regional ou nacional, podem, no entanto, ser temáticas e multinacionais. Cada organização intervém no seu espaço de influência e contribui com as suas capacidades para o somatório dos elementos do sistema ou da rede. 3. As melhorias na eficiência de cada organização são complementadas por abordagens em que colectivamente se procuram reforçar mecanismos de comunicação e de relacionamento institucional, na perspectiva de defesa dos interesses do empreendedor (nas suas várias fases do ciclo de vida das empresas), reduzindo custos de contexto. 4. Nos ecossistemas mais evoluídos os aspectos críticos são trabalhados de forma sistemática, onde os aspectos mais positivos são utilizados como factores de diferenciação e de marketing territorial e os negativos são enfrentados com planos de acção que visam a sua eliminação. Normalmente, a identificação de uns e de outros são suportados por exercícios de benchmarking. 5. O modelo de promoção do empreendedorismo deve ter uma forte orientação para o mercado, isto é, promover as competências dos empreendedores já não é suficiente. 6. O sistema regional ou nacional, tem que actuar promovendo a procura através da criação de oportunidades e mercado para os seus empreendedores, através da participação em projectos mobilizadores da sociedade, de forma a que a inovação surja como resposta a necessidade do mercado e a sustentabilidade do sistema a prazo seja assegurada pela renovação dos desafios. 6. Os serviços de apoio ao empreendedorismo numa versão evoluída, como em qualquer negócio, serão necessariamente de elevada qualidade, acessíveis facilmente de todas as formas (várias plataformas e canais de comunicação), locais da rede e multilingues. 7. A utilização de tecnologias cada vez mais sofisticada é necessária para a facilidade exigível e, simultaneamente auto-alimenta em prestígio as soluções escolhidas quando concebidas pelos parceiros ou clientes da rede. 7. O apoio ao empreendedorismo passa assim a ser um apoio integrado. 8. O apoio não se esgota ao nível da incubação ou das start up. Inicia-se no ecossistema com processos de captação de ideias, de motivação para o acto de empreender, de pre-incubação a montante da formalização do negócio. 9. Acompanha-o ao longo da incubação e apoia-o na segunda etapa, quando se assume na conquista de dimensão crítica para entrar em mercados internacionais. As redes de mentores (devidamente organizadas e metodologicamente enquadradas) e o acesso a redes de business venture sofisticadas são elos importantes na gama de serviços de apoio à incubação. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 69

70 6.2.Desafios Mecanismos indutores da eficácia da intervenção Os ecossistemas estudados permitem identificar um conjunto de desafios, cuja resposta pode contribuir para uma maior eficácia da intervenção das políticas de apoio ao empreendedorismo enquanto instrumento de dinamização da competitividade empresarial. Nos pontos seguintes, sugerem-se medidas susceptíveis de reforçar a sofisticação da oferta de serviço de incubação e, fundamentalmente, de consolidar os esforços para o aparecimento de uma abordagem sistémica de apoio ao empreendedorismo: 1. Identificar em cada ecossistema regional as entidades que podem reforçar a rede de serviços especializados. Estabelecer parcerias com entidades que podem tornar mais sofisticados e/ou especializados os serviços de suporte ao empreendedorismo (business angels, mentores, consultores especializados, etc.). 2. Identificar e implementar mecanismos de interligação e procedimentos de relacionamento entre entidades com o objectivo de simplificar a vida dos empreendedores; partilha de instrumentos e serviços comuns nas várias plataformas de comunicação dos promotores (simuladores, conteúdos de formação, conteúdos multilingues, etc.). 3. Definir programas de trabalho comum relacionados com os sectores de especialização regional, pólos de competitividade e clusters no sentido de identificar oportunidades de negócio que possam ser desenvolvidas numa lógica de aproveitamentos de complementaridades e de integração em redes de negócios regionais e nacionais. 5. Alargar as lógicas de apoio dos early stages (foco actual) para uma lógica alargada de ciclo completo de evolução ao longo de todo o ciclo de vida da empresa. Criar serviços de apoio à aceleração de empresas utilizando a rede de serviços especializados em especial de venture capital e os clubes de mentores. 6. Segmentar as empresas por necessidades de suporte e por potencial de internacionalização encaminhando-as para a formalização de parcerias e de tipologias de apoio mais apropriadas ao seu processo de fortalecimento. Sendo importante a valorização de modelos de negócios ambiciosos, orientados para o mercado europeu com cerca de 500 milhões de habitantes por oposição a lógicas de entrada no mercado local sub dimensionados em termos de recursos humanos, organizacionais e financeiros. 5. Seleccionar e apoiar um conjunto de empresas-piloto (inicialmente restrito) que se possam tornar emblemáticas de processos indutores de crescimentos rápidos e que tenham como objectivo a penetração em mercados internacionais. 4. Identificar e participar activamente em redes internacionais, assegurando a participação em projectos de ciência e tecnologia com potencial de apropriação de conhecimento e de obtenção de financiamento através da participação em redes de I&D europeias. Benchmarking Internacional: Práticas e Instrumentos de Apoio ao Empreendedorismo AM&A 70

71 AM&A Lisboa R. Laura Alves, 12-3º Andar Lisboa T F AM&A Porto Rua Cunha Júnior, 41-A, 2.º PORTO T F

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