GT - DIREITO TRIBUTÁRIO E INTERVENÇÃO DO ESTADO SOBRE O DOMÍNIO ECONÔMICO

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1 GT - DIREITO TRIBUTÁRIO E INTERVENÇÃO DO ESTADO SOBRE O DOMÍNIO ECONÔMICO ISENÇÃO DO IPVA PARA CARROS ANTIGOS: UMA POLÍTICA ECONÔMICA INCOMPATÍVEL COM O DIREITO FUNDAMENTAL AO MEIO AMBIENTE SUSTENTÁVEL Allan Mark Azevedo Barroso, Discente do Curso de Direito da UFRN, Natal-RN, Brasil Endereço eletrônico: Fernando Laerd Soares Xavier, Discente do Curso de Direito da UFRN, Natal-RN, Brasil Endereço eletrônico: Júlio Rogério Rocha, Discente do Curso de Direito da UFRN, Natal-RN, Brasil Endereço eletrônico: Ítalo Mendonça Freire, Discente do Curso de Direito da UFRN, Natal-RN, Brasil Endereço eletrônico: Watson Andrade de Melo Lira, Discente do Curso de Direito da UFRN, Natal-RN, Brasil Endereço eletrônico: Sob a ótica do Sistema Jurídico brasileiro, em específico o Direito Constitucional e o Direito Tributário, este artigo objetiva estudar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), em específico as isenções de cobrança que são direcionadas para proprietários de veículos antigos. Partindo desta premissa, é importante analisar os impostos de forma geral, bem como suas especificidades no ramo tributário nacional, passando pelo estudo da extrafiscalidade dos impostos e desembocando na capacidade extrafiscal do IPVA de se um imposto também relacionado a preservação do Meio Ambiente sustentável. Para tanto, é importante fazer uma análise da importância econômica do IPVA para os cofres públicos, não esquecendo de que, como característica principal, o imposto é uma espécie tributária não vinculada a qualquer prestação específica do Estado. Com todo o embasamento teórico a ser projetado no texto, será possível formar a tese de que as isenções do IPVA para carros antigos, prática realizada em grande parte dos Estados brasileiros, se contradiz com o Direito fundamental ao Meio Ambiente sustentável. Por fim, expor saídas indutoras à preservação do Meio Ambiente, como a isenção para carros híbridos ou que utilizem-se apenas de energia elétrica para locomoção, de modo que a privilegiar realmente o contribuinte que preza pela proteção ao Meio Ambiente. Palavras-Chave: Direito Tributário. Isenção do IPVA. Extrafiscalidade. Preservação ambiental.

2 ISENÇÃO DO IPVA PARA CARROS ANTIGOS: UMA POLÍTICA ECONÔMICA INCOMPATÍVEL COM O DIREITO FUNDAMENTAL AO MEIO AMBIENTE SUSTENTÁVEL 1 INTRODUÇÃO O presente artigo científico tem como objetivo estudar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), discutindo-se a atual política deste tributo, que, atualmente, privilegia os proprietários de veículos mais antigos em vários Estados com a isenção fiscal, sob a égide do princípio da capacidade contributiva. Neste sentido, discute-se a ponderação entre o princípio da capacidade contributiva e a proteção ao meio ambiente e combate à poluição em todas as formas, objetivo constitucional trazido no art. 23, inc. VI da Constituição Federal de O IPVA, embora tenha conteúdo originariamente fiscal (arrecadatório), também possui natureza extrafiscal, cuja direção legislativa voltada ao meio ambiente poderá induzir comportamentos ambientalmente sustentáveis e benéficos, tema que não vem tendo atenção pela maioria dos Poderes Legislativos estatais. Logo, visualiza-se a necessidade de adoção de um sistema tributário voltado à proteção ambiental e para a restauração de danos causados ao meio ambiente, cuja extrafiscalidade do imposto deverá instigar uma ação mais ambientalmente consciente do contribuinte. Neste diapasão, busca-se evidenciar a atual direção política tributária adotada no Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), que vai no sentido contrário às recomendações internacionais de proteção ao meio ambiente. Desta forma, observa-se a necessidade, cada vez maior, do Estado intervir sobre o domínio econômico a fim de melhor atender os preceitos constitucionais e o interesse coletivo de proteção ao meio ambiente. 2 OS IMPOSTOS E SUAS ESPECIFICIDADES O imposto é a espécie de tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, diretamente

3 ligada à atividade ou patrimônio do contribuinte, conforme disposto no art. 16 do Código Tributário Nacional. Logo, o imposto está associado ao âmbito privado do contribuinte, cujo fato gerador está previsto em lei como necessário e suficiente à sua ocorrência, ou seja, uma situação que faça nascer à obrigação de pagar esta espécie de tributo. No caso do IPVA, o fato gerador está associado à propriedade de veículo automotor de qualquer espécie. Assim, para que lhe seja imposta o pagamento de um imposto, basta à realização, pelo particular, do fato gerador, não havendo a necessidade de uma contraprestação estatal que ofereça vantagens ao contribuinte. Trata-se de medida que objetiva a captação de riqueza para o tesouro público. A receita dos impostos visa custear as despesas públicas gerais e universais. O imposto, por outro lado, não pode estar atrelado a qualquer órgão, fundo ou despesa, consoante princípio da não afetação. Logo, a receita dos impostos, dada a sua natureza difusa, também tem por finalidade a proteção ao meio-ambiente. Quanto à classificação dos impostos, há vários critérios, podendo ser detalhados em impostos diretos ou indiretos, fiscais ou extrafiscais, etc. O imposto será direto quando a carga econômica a ser suportada for dirigida diretamente ao contribuinte que deu causa ao fato gerador previsto em lei, como é o caso do IPVA, que também é classificado como imposto de natureza real, tendo em vista a sua ligação direta de propriedade de bem ou coisa. 2.1 A extrafiscalidade dos impostos e o meio ambiente Os impostos são facilmente aplicados aos fins ambientais, pois, admitindo sua incidência sobre os mais diversos fatos econômicos, podem ser concebidos de modo a inviabilizar determinadas atividades pautadas na degradação ambiental, perfeitamente condizente com a aplicação do princípio da seletividade (TUPIASSU, 2006). Os tributos e os incentivos fiscais podem ser utilizados como forma de incentivar a preservação ambiental, estimulando condutas não poluidoras e ambientalmente desejáveis, inclusive na produção de veículos menos poluentes (IPVA).

4 O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, editou a Lei n. 948/85, buscando privilegiar os carros com equipamento de gás natural, concedendo um desconto de 75% para esses veículos menos poluentes, em detrimento daqueles que utilizam gasolina e etanol. Tradicionalmente, o imposto tem como finalidade abastecer o tesouro público, visando custear a atividade estatal. No entanto, o abastecimento financeiro não é o único objetivo do Estado, que também deve prezar pelo seu próprio desenvolvimento, inclusive o seu desenvolvimento sustentável, preocupando-se em preservar o meio-ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas, conforme preceitua o art. 23, inciso VI da Constituição Federal de A utilização extrafiscal dos tributos tem sua origem relacionada ao crescimento da atividade intervencionista do Estado, pois, à medida que evoluem as funções sociais do Poder Público, se pode demonstrar de forma mais clara a ampla eficácia dos tributos enquanto elementos de regulação do mercado e reestruturação social, adquirindo fundamental importância a noção de extrafiscalidade, despindo a figura tributaria de seu caráter puramente arrecadatório (TUPIASSU, 2006, p. 119). 3 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE DE VEÍCULO AUTOMOTOR (IPVA) A indústria automobilística instalou-se no Brasil a partir da década de 50, momento em que a produção de automóveis passou a ser realizada em larga escala, o que revolucionou o mercado consumidor desse meio de transporte. A integração do automóvel na vida econômica da sociedade brasileira fez nascer uma crescente demanda por serviços públicos de controle administrativo e de tráfego. Com isso, surgiu a necessidade de se alocar cada vez mais recursos para investimentos em infraestrutura, como a construção e manutenção de vias, rodovias, estradas e pontes. (OLIVEIRA, 2009, p. 357). Para suportar essas despesas, implementou-se a arrecadação de receitas por meio de tributação, competindo aos Estados e ao Distrito Federal a instituição dos impostos sobre propriedade de veículo automotor, nos termos do art. 155, III, da CF/88.

5 3.1 Fato Gerador Analisando as leis dos Estados brasileiros que versam sobre a implementação do IPVA em seus respectivos territórios, viu-se que, de maneira geral, esse imposto tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor terrestre, anfíbio, aquático e aéreo, sendo devido o pagamento no local onde ele foi registrado ou licenciado. Segundo as lições de Oliveira (2009), o pressuposto de incidência do fato gerador do dever jurídico é a relação de domínio entre o proprietário pessoa natural ou jurídica e o seu bem veículo automotor, destinado ao transporte de pessoas ou cargas, impulsionado por motor movido a vapor, eletricidade ou combustível. Desse modo, a imposição do imposto não está condicionada à utilização do automóvel, mas à relação jurídica de propriedade havida entre o bem específico e o destinatário do tributo. Portanto, é irrelevante o fato de o automóvel ser utilizado mais ou menos tempo dentro do território de determinado Estado, a fim de se impor a contribuição, bastando saber o local em que ele foi licenciado. 3.2 Isenções As legislações estaduais preveem inúmeras hipóteses de isenção de pagamento do IPVA, dentre elas podem ser destacadas as que desobrigam os automotores agrícolas empregados exclusivamente em serviços rurais, as ambulâncias e os veículos de propriedade de corpo diplomático. A isenção encontra seu fundamento no equilíbrio econômico-social entre o Estado e o contribuinte. Ela incentiva o desenvolvimento de categorias profissionais agricultores, taxistas e bugueiros e de serviços públicos transporte coletivo e ambulâncias, além de favorecer a sociedade de baixa renda e os portadores de necessidades especiais. Nesse cenário desonerações, pode-se destacar que a maioria das leis isentam do IPVA os carros antigos, cuja variação de Estado para Estado situase entre 10 e 25 anos, contados a partir da data de sua fabricação.

6 Apenas dois Estados da Federação não proporcionam tal desobrigação, limitando-se a estabelecer reduções progressivas de acordo com o ano do veículo, são eles Minas Gerais e Pernambuco. Essa hipótese de isenção causa certa controvérsia entre doutrinadores e legisladores. Sustenta-se que essa prática de desonerar carros antigos está em desconformidade com a tendência mundial de renovação gradativa da frota veicular, haja vista o automóvel antigo ser mais poluidor do meio ambiente, quando comparado ao mais novo. 4 IPVA E SUA IMPORTÂNCIA NA ORDEM ECONÔMICA Oriundo da TRU (Taxa Rodoviária Única), o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores, surgiu com a Emenda Constitucional nº 27, de , que acrescentou o inciso III ao art. 23 da Emenda nº 1, de 17 de outubro de Posteriormente, a Emenda Constitucional nº 3, de 1993, ratifica o poder dos Estados e do Distrito Federal em instituir o IPVA, incluindo o inciso III do artigo 155 da Constituição Federal de De acordo com o 13º da Emenda Constitucional nº 27, de 28 de outubro de 1985, o IPVA consiste em receita estadual e municipal numa proporção de 50% para cada ente, sendo as prestações municipais creditadas em contas especiais. O mesmo dispõe o artigo 158, inciso III, da Constituição Federal. O Sistema Constitucional Tributário deve estar em harmonia com o ordenamento econômico e financeiro, com as propostas e metas de desenvolvimento nacional, visando à mesma finalidade: satisfação das necessidades da população e o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável. (RIBEIRO; MAIDANA, p. 7389, 2011). Diante da crise econômica nos dias de hoje, os municípios e estados brasileiros enfrentam sérias dificuldades financeiras de forma que toda receita é indispensável a saúde financeira das edilidades. Assim, o IPVA proporciona uma receita importantíssima aos entes da administração direta do Estado, até porque a aplicabilidade dos recursos originários do IPVA não é vinculada, podendo ser utilizado em diversas áreas de políticas públicas. Nessa esteira, faz-se mister dissertar um pouco sobre as políticas públicas nos dias de hoje. Uma das características do Estado moderno diz respeito ao incremento da implementação de políticas públicas no intuito de

7 intervenção do Estado na sociedade civil, com fito de cumprir seus deveres de concretizar os direitos fundamentais, assim reconhecidos na Constituição Federal. Neste sentido, é evidente que o Estado pode e deve promover políticas públicas para a tutela dos direitos fundamentais. Destarte, sendo o IPVA responsável por 30% da arrecadação de um município, possui grande importância no orçamento público municipal. Assim, por ser de tamanha relevância aos cofres das municipalidades, a destinação dessa receita não está voltada apenas no que concerne as políticas públicas referentes aos benefícios dos automóveis, tendo em vista que são oriundos destes, mas sim em qualquer área essencial aos municípios. Dessa forma, os recursos tributários provenientes dos automóveis não são utilizados apenas nas melhorias de rodovias, por exemplo, mas pode ser utilizado na saúde, na segurança ou em qualquer área que seja essencial à atividade pública. Ademais, deve ser destacado a sua função extrafiscal, que será vista no próximo tópico. Portanto, o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores é de extrema importância na esfera econômica estadual e municipal, por se tratar de uma fonte de receita de relevante valor e pela possibilidade de ser aplicado em diversas áreas essenciais às atividades estatais. 5 A CAPACIDADE EXTRAFISCAL DO IPVA COMO MEDIDA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL A utilização dos tributos como instrumento de proteção ambiental não descaracteriza-o do previsto na teoria geral da tributação (TORRES, p. 171, 2011). Desta feita, o IPVA, que tem função originariamente fiscal (arrecadatória), também tem natureza extrafiscal, pois sua isenção ou alíquota reduzida estimula a utilização de determinados veículos, que pode ter consequências positivas ou negativas a depender do modo de sua aplicação. O que notamos hoje é a necessidade de adaptação de todo o sistema tributário para o fim da proteção ambiental e da restauração dos danos já causados, quando possível for. Com isso, fica simples vincular o IPVA também a função de controle ambiental, tanto por meio da arrecadação de receitas para tal fim, como por intermédio de medidas indutoras de comportamentos ambientalmente sustentáveis, com a modificação de alíquotas para inibir posturas ecologicamente agressivas.

8 Em alguns estados a alíquota zero para os veículos elétricos (não poluentes), neste momento, instituiu-se também sua natureza extrafiscal, representando esta redução de alíquota um estímulo à diminuição da poluição causada pela emissão de gases oriundos dos veículos tradicionais. Neste caso, o IPVA se caracteriza como um exemplo de tributação em prol da proteção ambiental, embora o imposto originalmente não tenha sido instituído com esta finalidade. Entretanto, exemplos como o do Estado do Rio Grande do Norte e outros no país, que beneficiam proprietários de carros antigos com a isenção do IPVA, fazendo com que as frotas de veículos antigos se tornem um atrativo, principalmente, para a população brasileira de baixa renda que se utiliza da precária rede de transporte público para deslocamentos diários. Portanto, a isenção para os veículos antigos, é uma proposta antagônica à proteção do meio ambiente, considerando que tais veículos são mais poluentes do que os mais novos. Seus usuários não poderiam ser premiados com uma alíquota reduzida. Estamos, pois, diante de uma questão também de política ambiental e não meramente de política fiscal. 6 DIREITO AO MEIO AMBIENTE SUSTENTÁVEL vs PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E A ISENÇÃO DO IPVA O Direito fundamental a um meio ambiente sustentável antecede a Constituição Federal de 1988 e nos remete às Convenções da ONU para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável do início da década de A atual Carta Magna prevê em sua topografia o direito fundamental ao meio ambiente sustentável, mais precisamente, no artigo 225. De acordo com relatórios elaborados pela Organização das Nações Unidas, a sustentabilidade trata da exploração racional dos recursos naturais e a preservação dos ecossistemas para a atual e futura geração de habitantes, cujas diretrizes se espraiaram para as Constituições mais atuais, inclusive na Constituição Federal de Pela sua extensão e localização geográfica, o Brasil apresenta um dos patrimônios ecológicos mais expressivos e diversificados do mundo e sua proteção alcançou o corolário constitucional.

9 Neste sentido, observa-se a necessidade do legislador levar em consideração a adoção de leis que estimulem a atuação ambientalmente sustentável por parte dos contribuintes, por força das normas programáticas constitucionais que insculpiram a necessidade da República Federativa do Brasil em preservar o meio ambiente e combater todas as formas de poluição. O princípio tributário da capacidade contributiva não deve se justificar como fundamento maior para a isenção fiscal do IPVA de veículos automotores antigos, uma vez que o meio ambiente reclama uma atuação mais racional e sustentável da Sociedade, cujo atendimento não deve estar condicionado à capacidade contributiva dos indivíduos. É direito fundamental difuso e dever de todos o acesso e manutenção de um ecossistema sustentável. Neste sentido, os princípios norteadores do IPVA devem ser revistos, de forma a favorecer a utilização de frota veicular que atenda aos padrões mínimos de sustentabilidade, independentemente da idade dos automóveis. Paradoxalmente, veículos mais antigos, abarcados pela atual política de isenção tendem a ser mais poluentes, pelo próprio desgaste natural das peças que na maioria das vezes não são repostas. Inequivocamente esta é uma conotação do Direito Tributário desenvolvida sobre o Direito Ambiental. A minoração ou majoração de um imposto para fins ambientais através de regulamentação legislativa e de iniciativa política se delimita como uma medida louvável e de cunho notadamente ecológico. Também o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores IPVA vem sendo denominado de IPVA Verde, quando voltado ao fomento à circulação de carros mais eficientes no controle da emissão de gases. Já são sete estados brasileiros com alíquota zero para veículos não poluentes. São eles: Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. Em mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo as alíquotas para os veículos não poluentes são reduzidas (CAVALCANTE, 2012). Como afirma Denise Lucena Cavalcante, tais inovações aplicadas ao direito tributário com efeitos no campo da ecologia e sustentabilidade, também se operam na esfera federal, neste caso, em outro imposto, o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados):

10 No âmbito federal, o governo anunciou através da Lei n , de 17/09/2012, o novo regime automotivo brasileiro Inovar-Auto que será válido entre 2013 e 2017, cuja regulamentação está prevista no Decreto n , de 03/10/2012. Nessa legislação há a previsão de redução do IPI como incentivo as empresas que invistam em processos de fabricação e uso de componentes mais eficientes para reduzir o consumo de combustíveis e minimizar a poluição. A intenção do novo regime é propiciar a elaboração de carros mais eficientes, modernos, baratos e com menos emissão de carbono. (CAVALCANTE, 2012). 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pelo exposto, observa-se que a atual política de isenção fiscal sobre o IPVA para veículos automotores antigos, adotada pela maioria dos Estados da República Federativa do Brasil, contribui para a elevação dos níveis de poluição, uma vez que a utilização desses veículos é indubitavelmente mais vantajosa do ponto de vista econômico, justamente pelas facilidades e isenções fiscais para esses veículos, mas altamente danosa para a preservação da saúde e do meioambiente constitucionalmente assegurados. A política adotada pelo IPVA na maioria dos Estados da Federação revela a despreocupação do Poder Legislativo em preservar o meio-ambiente, indo no sentido contrário ao atual direcionamento mundial de renovação das frotas veiculares, cuja prioridade tem sido a renovação para a utilização de veículos tecnologicamente mais econômicos e menos poluentes. Certamente, a renovação da frota nacional de veículos convergirá para níveis inferiores de emissão de gases poluentes na atmosfera, contribuindo enormemente para a melhoria das condições ambientais e mais salubres, principalmente nos grandes centros urbanos que sofrem com a poluição atmosférica em níveis elevados. Não obstante a isenção do IPVA para veículos nas unidades da federação corresponder a um incentivo econômico para a comercialização de veículos usados e sua constante manutenção, através do mercado de peças de reposição, deve-se avaliar o outro lado da moeda, cuja realidade reflete-se na utilização de veículos mais antigos, muitas vezes utilizados negligentemente por carência de reposição de peças que inibem a emissão de grande quantidade de poluentes, sobretudo de veículos que utilizam diesel, como caminhões e ônibus.

11 A questão ambiental tem ganho notoriedade nos últimos anos, principalmente nos países em desenvolvimento. O Brasil é um país inovador no tocante à criação de combustíveis renováveis, principalmente com experiências positivas experimentadas com o etanol veicular que data o início da década 1970 e o biodiesel no início do século XXI. Entretanto, questões referentes à produção e distribuição, emperraram ou simplesmente desestimularam a compra ou a utilização de veículos movidos a etanol. Prevalece até hoje a utilização da gasolina como combustível que favorece um maior rendimento, entretanto, com maior poluição. Louváveis e de vanguarda se mostram as isenções de IPVA para veículos movidos exclusivamente a etanol e na atualidade, os veículos elétricos. Este é um tema relevante, pois além da poluição do ar nos centros urbanos os níveis elevados de emissão de gases tóxicos também contribuem para elevar o efeito estufa e as mudanças climáticas. Em periódico publicado pela UNESCO, Mar Asunción Higueras explica: Los países industrializados, con su modelo de desarrollo basado en un elevado consumo de energía fundamentalmente procedente de combustibles fósiles, son los que más han contribuido históricamente a elevar lãs concentraciones de CO² en la atmósfera, y además son los que disponen de los recursos financieros y las tecnologías para hacer la transición hacia um modelo energético sostenible basado em el ahorro y la eficiência energética, así como em lãs energías renovables. p. 3. A isenção fiscal sobre o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de veículos movidos exclusivamente a etanol e gás natural, é um grande exemplo de que o Estado pode intervir diretamente sobre o domínio econômico a fim de contribuir positivamente para a preservação do meio ambiente, através de incentivos econômicos que motivam o contribuinte a exercer ações sustentáveis, que, coletivamente, poderá trazer resultados monumentalmente positivos ao meio-ambiente e ao bem comum social. BIBLIOGRAFIA CAVALCANTE, Denise Lucena. Tributação Ecológica: Os reflexos da tributação ambiental sobre o meio ambiente e como fator de sustentabilidade. Revista Enfoque Fiscal. 4ª ed. Dez

12 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. 4 ed. São Paulo: Saraiva, HIGUERRAS, Mar Asunción. Cambio Climático. UNESCO. 4p. Disponível em <www.unescoetxea.org/ext/manual_eds/pdf/03_cambio_castellano.pdf>. Acesso em: 07 mar OLIVEIRA, José Jayme de Macêdo. Impostos Estaduais: ICMS, ITCD, IPVA. São Paulo: Saraiva, RODRIGUES, Alessandra Mahé Costa et al. A Contribuição do IPVA à Proteção do Meio Ambiente. Congresso Nacional do CONPEDI (16 : 2007 : Belo Horizonte, MG). Anais do XVI Congresso Nacional do COMPEDI Florianópolis: Fundação Boiteux, TORRES, Heleno Taveira. Direito constitucional tributário e segurança jurídica: metódica da segurança jurídica do Sistema Constitucional Tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, TUPIASSU, Lise Vieira da Costa. Tributação ambiental: a utilização de instrumentos econômicos e fiscais na implementação do direito ao meio ambiente saudável. Rio de Janeiro: Renovar, 2006.

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