Estilismo e Design. Agregando Valor ao Mercado. Edição:

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1 Estilismo e Design Agregando Valor ao Mercado Edição:

2 2001, ABICALÇADOS Associação Brasileira das Indústrias de Calçados É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de parte do mesmo, por quaisquer meios, sem autoriação expressa da ABICALÇADOS. 1 a Edição: exemplares Endereço para Contato: ABICALÇADOS Associação Brasileira das Indústrias de Calçados Rua Aloísio de Azevedo, 60 CEP: Novo Hamburgo/RS Fone: (51) Fax: (51) Site: Elaboração: ABICALÇADOS e PSI/APEX Programa Setorial Integrado da Indústria Brasileira de Calçados Pesquisa e texto: FIERGS Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul SENAI / RS Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Centro Tecnológico do Calçado SENAI Novo Hamburgo Web site: Núcleo de Apoio ao Design / Núcleo Hipermídia Autores: Heinz Hugo Hartkopf (coordenador), Elenilton Gerson Berwanger, Luis Augusto Kempf, Mauri Rubem Schmidt e Mônica Haisser Supervisão: América Consultoria e Projetos Internacionais Design Gráfico: Hypervisual Clóvis Leopoldo Reichert Núcleo Hipermídia / CTCalçado SENAI Ilustrações: Alexandre Moschini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F293e Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Centro Tecnológico do Calçado. Estilismo e design: agregando valor ao mercado / Centro Tecnológico do Calçado. Novo Hamburgo: ABICALÇADOS, p. (Calçados via exportação; v. 3) 1. Indústria de calçados Competitividade 2. Indústria de calçados Novas tecnologias. 3. Desenvolvimento de produto. 4. Calçados - Design. I. Centro Tencológico do Calçado. II. Título. III. Série.CDU Bibliotecária Responsável: Deisi Maria Hauenstein CRB-10 Prov. 42/01

3 Índice Introdução 5 Capítulo I A Moda 7 Capítulo II Desenvolvimento do Produto 13 Capítulo III Profissionais do Desenvolvimento do Produto 19 Capítulo IV Estilismo 23 Capítulo V Design 35 Capítulo VI Modelagem Criativa 43 Capítulo VII Um pouco de História 45 Capítulo VIII Novas Tecnologias 47 Bibliografia 49

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5 Introdução Os conceitos de moda, design e estilismo têm sido objeto de interpretações divergentes e, muitas vezes, mistificadoras, causando problemas na comunicação externa e interna das empresas. Esta cartilha buscará desmistificar estas interpretações, de forma a permitir que estes poderosos instrumentos de inovação e competitividade passem a fazer parte do dia a dia da sua empresa. A moda é abordada como um fenômeno sócio-cultural, já que expressa os valores da sociedade - usos, hábitos e costumes - em um determinado momento. Já o estilismo e o design são elementos integrantes do conceito moda, cada qual com os seus papéis bem definidos. Veremos que o estilista é o artista que percebe e interpreta as tendências de mudanças nos mais diversos ambientes e países, antecipando uma visão de futuro através de formas, cores, materiais e estruturas. No capítulo destinado ao design, mostraremos como o designer integra, isto é, casa o estilo com as necessidades e expectativas do consumidor ditadas pelo marketing, levando a harmonia do produto à arquitetura do pé. Na Modelagem Criativa, abordada em sucinto capítulo, verificamos como os modelistas desenvolvem a modelagem da construção do calçado, parte inferior e cabedal, selecionando materiais e cores para a confecção das amostras. Finalmente, são apresentadas Novas Tecnologias que, com certeza, irão auxiliá-lo na busca de uma maior agregação de valor a seu calçado. Com a difusão destes conceitos, notadamente os de estilismo e design, objetivamos, também, sensibilizar os empresários e os técnicos das pequenas e médias empresas do setor calçadista, acerca da importância de utilizar profissionais qualificados no seu esforço de inserção competitiva no mercado internacional. 5

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7 Capítulo I A moda 7

8 Na introdução dessa cartilha constatamos que a moda é parte integrante de nossa vida profissional. Precisamos agora analisar esse conjunto para conhecer como ele funciona e interage com seus elementos, como por exemplo, o estilismo e design. Somente dessa maneira conseguiremos empregar a moda a nosso favor, o que quer dizer, aumentar, conseqüentemente, o lucro da empresa. O que é moda, afinal? Moda é o uso ou hábito geralmente aceito, variável no tempo, resultante de determindao gosto ou idéia, e de interferências do meio. Reflete os costumes, os valores da sociedade em um período de tempo. Por isso, a moda também é considerada um fenômeno social e cultural, consistindo na mudança constante de estilo, mudança esta advinda da necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social. Podemos dizer que a história da moda acompanhou a história do vestuário, praticamente desde a origem do ser humano. O calçado é parte integrante do vestuário. Inicialmente a indumentária (vestuário e calçado) só foi concebida para proteção, mas logo depois começou a ser um objeto perfeito para receber detalhes e adornos, e assim exprimir concepções artísticas, status e poder. Hoje sabemos que a moda está influenciando profundamente não somente o aspecto e aparência do vestuário e dos calçados, mas também dos automóveis, das casas e da música. Mas não é só isso: a moda está influenciando igualmente nossas atitudes e gestos, nosso sorriso, nossa linguagem, nossa maneira de caminhar, nossos sonhos... 8

9 Destacamos que no passado as mudanças da moda nunca ocorreram tão rápidas como vemos hoje. Temos aqui o verdadeiro motor da indústria de bens de consumo. Na área da moda, quando se desenha o calçado, leva-se em consideração o modelo, linha, estilo, ergonomia, conforto e a forma do salto e bico; observa-se o modo de vestir, os materiais, cores e texturas. Afirma Gucci: A roupa pode ser linda, mas os calçados são o que fazem o complemento da beleza. Os calçados dizem muito sobre a mulher. Eles dão equilíbrio ao corpo. Um bom par de calçados proporciona um efeito harmônico no visual. Ainda seria interessante saber se o ser humano precisa da moda ou se a moda precisa dele. Pensamos que um e outro estão juntos. Para a sua propagação, a moda precisa de ídolos e também de publicidade. Parece estranho que a imitação seja uma condição para essa propagação e ao mesmo tempo a destruição. O ser humano imita outros, enquanto está experimentando a sua auto-realização. Quando a imitação geral alcança seu máximo e assim fica uniforme, cada moda desaparece de maneira mais ou menos rápida, enquanto uma nova moda surge. É a dinâmica do processo. Naturalmente cada pessoa envolvida no processo moda precisa ser capaz de detectar mudanças, assim como ter um sentido perfeito para o tempo justo de agir em conseqüência disso. Parece óbvio que essas qualidades também fazem parte do marketing eficaz. Além disso, gostaríamos de destacar a importância do corpo humano no contexto da moda, como objeto da criatividade, tanto no passado como no presente. 9

10 Cada época teve conceitos diferentes quanto ao ideal estético vigente em relação ao corpo humano. Decorrente disso, em cada uma dessas épocas a vestimenta destaca uma parte do corpo humano enquanto está escondendo outras. O mesmo princípio aplica-se aos calçados. Isto significa que a composição do vestuário muda as proporções do corpo humano. Nesse contexto, identificamos na maioria das tendências da moda uma tentativa de aumentar a estatura. Isto é particularmente visível na área dos calçados femininos (altura do salto). A sexualidade exerce muita influência sobre a moda. É um dos fatores ou componentes subconscientes na percepção, assim como na avaliação do vestuário humano, incluindo os calçados. Quando falamos de qualidade, normalmente nos referimos à resistência física que pode ser considerada o inimigo de mudanças vinculadas à moda. No entanto, na atualidade ninguém concebe que um artigo de vestuário seja transmitido à geração seguinte! Na área do vestuário e calçados, qualidade exprime-se hoje em fatores e valores diversos para diferentes usuários. Conforto instantâneo e caimento perfeito contam muito, assim como elasticidade. Citamos a moda como o verdadeiro motor da indústria de bens de consumo. Se observarmos friamente o que acontece na indústria calçadista, poderíamos falar da institucionalização da moda. A moda segue uma agenda: coleções primavera-verão e outono-inverno e muitas vezes temos também pré-coleções e pós-coleções, acompanhando cada uma das coleções principais. Temos, portanto, desenvolvimentos contínuos. A tendência é a criação da coleção permanente, quando o serviço de marketing coloca novas criações no mercado de maneira constante. Nesse sistema, um artigo de vestuário ou calçado seria retirado das lojas 10

11 quando as vendas diminuíssem. Quem for o mais rápido, ganha. Citamos um exemplo: em 1998 Hennes & Mauritz foi a primeira entre 500 das maiores empresas européias na lista do aumento do valor agregado da empresa. A empresa H&M é ativa em design e marketing de vestuário e sua produção é terceirizada. Fabian Mansson, o diretor geral, explica que o sucesso da H&M está baseado numa combinação de qualidade, moda e preço, mas também sobre o senso de urgência. H&M precisa somente de 5 semanas desde o primeiro rascunho (design) até a entrega às lojas. A mercadoria fica nas lojas, no máximo, durante 4 semanas. Em resumo: a arte do Estilismo assim como a arte do Design são parte integrante do conjunto (processo) que chamamos MODA. Para não dilatar mais esse argumento, propomos adotar a segiunte definição: a moda exprime de maneira temporária conceitos geralmente aceitos pela cultura contemporânea. 11

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13 Capítulo II Desenvolvimento do Produto 13

14 Algumas considerações preliminares Hoje, a qualidade deve ser algo palpável e mensurável. A qualidade deve ser definida pelo cliente, e não só pela empresa. O cliente exige bem mais do que um produto qualquer, do tipo Se é bom para um, é bom para todos. O cliente define a qualidade, mas as necessidades do cliente mudam continuamente. Mais do que nunca, o sucesso depende da capacidade tecnológica, criatividade, vontade e determinação em oferecer ao cliente novas soluções. Uma inovação tem sucesso somente com base na rapidez da sua aplicação. Para assegurar o futuro, deve-se inovar e explorar áreas desconhecidas. A intensidade da inovação de uma empresa depende principalmente da competência e criatividade dos colaboradores. Para isto, o sistema Design to Cost deve ser utilizado. Design to Cost significa incluir os clientes no processo do desenvolvimento e determinar, em conjunto, quais são as características do produto que eles realmente precisam e que preço eles estão dispostos a pagar. Em outras palavras, determinar se a relação entre preço e valor do produto (ou do serviço) para o usuário é adequada. É o tempo dispendido desde o surgimento da idéia inicial no marketing, passando pelo desenvolvimento de um produto até sua entrega ao cliente. A competição pela inovação não pára. A única direção é para frente, mas cada vez mais rápido. Time to Market é o novo paradigma. Time to Market - é o tempo dispendido desde o surgimento da idéia inicial no marketing, passando pelo desenvolvimento de um produto até sua entrega ao cliente. Somente uma equipe reduzida (não uma organização anônima), com um líder determinado e com vontade de vencer pode realizar isto com competência, paixão e capacidade de obter consenso. Como no esporte, a rapidez decide! 14

15 A integração das idéias e das atividades, assim como um clima inovador dentro da empresa, combinado com senso de urgência, são a base do sucesso. Até aqui falamos de algumas expectativas do mercado, onde encontramos a vida real, nosso sucesso ou nosso fracasso. Fizemos essas descrições para destacar o lugar exato onde Estilismo e Design entram no jogo do processo criativo. Este jogo chama-se desenvolvimento do produto. Em seguida, falaremos brevemente sobre essa atividade, mas o suficiente para posicionar corretamente Estilismo e Design. O conceito do Desenvolvimento do Produto As necessidades dos clientes não podem mais ser atendidas por meio de um sistema rígido e burocrático. Por isso as pessoas responsáveis pelo marketing estabelecem a visão do produto. Essa visão precisa ser transformada em uma especificação exata do futuro calçado. Essa atividade é de responsabilidade do serviço de desenvolvimento do produto, em cooperação constante com o marketing e com os diferentes contribuintes no processo criativo e produtivo, incluíndo-se neste grupo os estilistas, designers, planejadores, compradores e responsáveis pela produção. Isso realmente é um trabalho de equipe e de integração. É preciso conduzir essa integração com confiabilidade, vontade, determinação e rapidez. O processo de Desenvolvimento do Produto Esse processo baseia-se nas seguintes informações e especificações: grupos-alvo de produtos com preços coerentes fôrmas necessárias e adequadas (tamanhos e larguras) materiais para solados e cabedais categorias de desenhos (definição da coleção) 15

16 Durante todo o processo de desenvolvimento é necessário assegurar que as fôrmas a serem utilizadas respeitem: a influência de fatores étnicos na construção de palmilhas de fôrma; perfis adequados de bico, traseiro, enfranque; dimensões adequadas da chave de fôrma; a graduação correta na relação tamanho/largura (linear ou não); a padronização necessária (70 % do comprimento). Considerando a concorrência e as necessidades do mercado, o ideal é que, hoje, o prazo entre o início do trabalho (visão) e a entrega da amostra não seja superior a seis semanas. Isso explica facilmente como essa atividade depende do jogo perfeito da equipe, assim como do senso de urgência onipresente. O Consumidor Sintonizado com os tempos de globalização, o consumidor está cada vez mais informado e exigente na compra do produto. A empresa deve focar o seu cliente como um consumidor que busca boa qualidade, preço compatível, praticidade, design moderno e funcionalidade nos produtos que deseja consumir. A exigência está em uma maior proximidade da empresa com os clientes, buscando o diálogo para um conhecimento mais profundo sobre o seu perfil de consumo, devido à maior necessidade de diferenciação. Autor de estudos e pesquisas sobre o tema, Edgard Menezes afirma que O norte dessas mudanças está em uma reordenação dos negócios para a idéia de que o cliente será o patrão das empresas. Portanto, a ordem da atualidade é a mudança. Isso envolve uma abordagem ampla e direta do consumidor, para conhecer seus hábitos e opiniões, dando uma melhor resposta às suas necessidades (produto x serviço). 16

17 Qualidade do Produto A qualidade do produto é uma das principais ferramentas de posicionamento e constitui-se em duas dimensões nível e consistência. Qualidade é a capacidade do produto de desempenhar suas funções. Inclui sua durabilidade geral, confiabilidade, precisão, facilidade de operação e de consertos e outros atributos valiosos. A qualidade deve ser baseada na percepção do comprador. É escolhido um nível de qualidade que se associa com as necessidades do público-alvo e com a qualidade dos produtos concorrentes. A alta qualidade pode também significar fornecer aos consumidores, de forma consistente, produtos com ausência de defeitos ou variações. Todas as empresas devem esforçar-se para atingir altos níveis de consistência de qualidade. Realismo A empresa vende seu produto, não o processo necessário para produzi-lo. Para alcançar a qualificação de desenvolvedor de nível mundial é preciso aceitar a necessidade de se aperfeiçoar continuamente, aprender a aprender, aprender a comunicar, aprender a antecipar e aprender a gerenciar o processo de desenvolvimento do produto. Na área de desenvolvimento de fôrmas do setor calçadista, destacamos que a consideração primordial deve ser a perfeita seleção de fôrmas, cujas medidas e perfis correspondam exatamente à anatomia do pé dos usuários-alvo. Essas fôrmas precisam ser padronizadas. É necessário desenvolver o senso de urgência. Daqui para frente, o rápido vencerá o lento. Devido às crescentes e contínuas mudanças do mercado, faz-se necessário um formato de desenvolvimento dinâmico, interativo e ontínuo, em todos os setores da empresa. 17

18 Ciclo de Vida de um Produto O ciclo de vida normalmente se divide em 4 estágios: introdução: período de crescimento lento das vendas; crescimento: período de rápida aceitação de mercado; maturidade: período de redução do crescimento de vendas, porque o produto já foi aceito pela maioria dos compradores potenciais; declínio: período quando as vendas mostram forte queda. Contudo, os novos produtos podem fracassar. Os riscos em inovações podem ser tanto elevados, quanto recompensadores. O caminho para a inovação bem sucedida habita no desenvolvimento de pesquisas mercadológicas e em procedimentos de decisões bem planejadas, tais como: estabelecer critérios específicos para a aceitação de idéias, selecionar os novos produtos e mercados a serem enfatizados; definir o objetivo do produto, analisar se ele irá gerar alto fluxo de caixa, sua participação de mercado, etc. Deve definir, também, quanto esforço deve ser destinado ao desenvolvimento de novos produtos ou na modificação dos já existentes e na adaptação de produtos dos concorrentes. 18

19 Capítulo III Profissionais do Desenvolvimento do Produto 19

20 Estilista Quem é: o estilista é o profissional da área de criação que transforma informações sobre comportamento, tecnologia e tendências em coleções de produtos, adaptadas às condições técnicas da empresa em que atua e ao mercado que atende. O que faz: descreve um ambiente propício como, por exemplo, proporções, linhas, materiais, estruturas, cores e combinações de materiais. Essas recomendações representam quase a bula para a preparação das especificações do futuro calçado. Formação: faculdade de Moda, Design de Produto e/ou Belas Artes são desejáveis para o exercício da função. Designer Quem é: o designer é o profissional responsável pelo estudo da cadeia calçadista. Responde também pela pesquisa de novos produtos, levando em consideração as características naturais, químicas e físicas do produto, de acordo com as necessidades do mercado. O que faz: o designer, com as recomendações do estilista e com base nas necessidades do marketing, tenta adequar o estilo à arquitetura do pé humano, destacando a ergonomia e a funcionalidade do seu trabalho. Assim, o designer concentra-se sobre uma harmonia do estilo com a função do produto. Ele recomenda materiais, cores, combinações, alturas de salto, perfil do bico, perfil do salto, etc. Casar um estilo com a funcionalidade do produto é a verdadeira tarefa do designer. Formação: faculdade de Desenho Industrial, Engenharia do Produto e/ou Design de Produto são requisitos desejáveis para um bom desempenho da função. 20

21 Modelista Criativo Quem é: o modelista criativo é o profissional indispensável no desenvolvimento do modelo. Responde por uma modelagem harmoniosa e pela melhor adequação dos materiais. O que faz: o modelista criativo utiliza as linhas gerais do estilista e/ou designer como base para preparar um conjunto de linhas perfeitas e harmoniosas sobre a base da fôrma do calçado escolhida, de acordo com as possibilidades tecnológicas da empresa. Formação: curso Técnico em Calçados e cursos de aperfeiçoamento na área estética são importantes para o bom desempenho da função. Modelista Técnico Quem é: o modelista técnico é o profissional do departamento técnico da modelagem que ajusta detalhes do modelo (sem mudar a aparência) em função das necessidades do processo. O que faz: o modelista técnico, baseado no trabalho do modelista criativo, ajusta perfeitamente a modelagem à fôrma. Também desenvolve escalas e faz testes de produção, sempre levando em consideração o melhor aproveitamento dos materiais e a otimização do processo de produção. Formação: curso Modelista Técnico e/ou Técnico em Calçados são desejáveis para o bom desempenho da função. 21

22 Observação: atualmente percebe-se que, no setor calçadista, as atividades do profissional estilista se fundem com as funções do designer. Um ocupa o lugar do outro. Dificilmente encontraremos estes dois profissionais atuando numa mesma empresa. Esta mesma observação pode ser ainda válida ao analisarmos as atividades do designer, quando comparadas com o modelista criativo, especialmente no que diz respeito à engenharia da fôrma e do calçado. 22

23 Capítulo IV Estilismo Estilismo é o apuro estético no estilo e no conceito de produto. 23

24 Alguns Comentários Procedentes de uma tradição industrial conservadora, a maioria dos calçadistas, por vezes, hesitavam em buscar uma compreensão da Arte do Estilismo como ferramenta realmente essencial na busca do sucesso, num mercado cada dia mais internacional. Estilo é uma percepção e interpretação de pressentimentos de mudanças futuras na atitude e no sentido da vida, na filosofia prática, nos diferentes ambientes dos diferentes países do mundo. Esses artistas (os estilistas) tentam simplesmente antecipar-nos uma visão de mundo que, na ótica deles, será o nosso mundo, num futuro próximo. Essas descrições de um mundo virtual podem ser feitas, por exemplo, através de sons, de cores, de materiais diferentes, de superfícies e desenhos com estruturas diversas. O estilo é o que faz uma pessoa ser única, singular, sua marca registrada. Não é somente a maneira de se vestir, é o modo de ser, agir, pensar e de estar. A moda é comprável, enquanto o estilo é aprendido e vivido, ficando agregado ao indivíduo para sempre. A moda passa, o estilo permanece. Esse processo nunca para. Em conseqüência, novos estilos aparecerão. A nossa responsibilidade é verificar se a visão de nossos produtos fica em unissonância com o conceito atual, o estilo do momento. Também é nossa a tarefa de verificar em que grau um estilo emergente é empregável para uma determinada faixa de nossos produtos, acompanhando constantemente, a evolução desse estilo. Isto significa que para nós, calçadistas, o estilismo é uma ferramenta necessária, um guia no desenvolvimento de rumos. É o catalisador no processo da tomada de decisões, quando construímos estruturas e horizontes de planejamento de novas coleções. 24

25 O Processo do Estilismo Como se aplica a ferramenta Estilismo na realidade? O estilista e/ou designer recebe do serviço de marketing uma visão certa do produto que respeita todas as necessidades do usuário do segmento de mercado escolhido. Essa visão serve quase como um esqueleto para o futuro calçado. Obtemos assim a especificação crua do futuro calçado. Essa especificação será transformada em leiaute da futura coleção. Esse processo deve ocorrer por um consenso de integração das diferentes opiniões do time (especialistas em marketing, estilistas, designers, planejadores, compradores, responsaveis pela produção) e dos diferentes contribuintes do processo criativo e produtivo. É preciso, portanto, conduzir essa integração com confiabilidade, vontade, determinação e rapidez. Limites da empregabilidade do Estilismo O mercado e a organização das empresas não é algo único ou padronizado. O fluxograma e as funções dos profissionais que trabalham numa empresa moderna são muito variáveis. Muitos fatores podem contribuir para tal organização, tais como: o mercado em que a empresa atua, o porte da empresa, sua filosofia de trabalho, etc. Neste sentido, sob a ótica das profissões, o uso do estilismo não fica restrito à pessoa do estilista. O designer e o próprio modelista de calçados fazem também uso do estilismo no desenvolvimento do seu trabalho. Já sob a ótica do produto em si, os limites do uso do estilismo estão diretamente relacionados com a funcionalidade do produto e, porque não dizer, com a razão custo/benefício que o produto tem a oferecer. Com funcionalidade do produto quer se dizer que não basta que algo seja esteticamente aceitável e admirável, que tenha um bom design (aplicação da harmonia, estética, ergonomia, etc.), como dizemos cotidianamente. 25

26 É também preciso que atenda perfeitamente a uma determinada função. Aliás, a funcionalidade também deve fazer parte dos estudos e esforços de todos os profissionais quando do desenvolvimento de novos produtos. Quando falamos da relação custo x benefício, de forma bem prática, podemos afirmar que um bem ou produto é interessante até o ponto em que o uso e/ou o benefício que o consumidor terá adquirido, compense o preço que o mesmo paga para obtê-lo. Neste sentido, a indústria moderna, com toda a sua tecnologia, deve conseguir produzir objetos em série, mas todos com bom design agregado. Conforto Dois aspectos básicos de um calçado na visão funcional são os movimentos do pé e o calce. Esses aspectos ergonômicos, no entanto, podem ser considerados como limitadores da criatividade, diminuindo as possibilidades de variações de materiais, linhas de estilo e alturas. Por outro lado, desafiam a equipe de desenvolvimento, provocam uma evolução de conceitos e não é raro surgir um produto diferenciado, especial, com base em um estudo mais elaborado e portanto fruto de um trabalho consciente. Recicláveis A preocupação ecológica não é mais um privilégio apenas dos ambientalistas. O consumidor está muito sensível aos conceitos de reciclagem. Em breve, os fabricantes terão de volta seus produtos, que foram vendidos para os clientes meses antes. Haverá a necessidade de reciclar esses produtos. Para profissionais de mentalidade aberta, este limite poderá se tornar uma oportunidade de trabalho, revolucionando conceitos pré-existentes em novos produtos recicláveis. Este será o novo desafio. Vencerão as melhores idéias. 26

27 A Contribuição do Estilista No setor calçadista o significado da contribuição do estilista no processo criativo começa a ser reconhecido cada vez mais. Para aprofundar a compreensão do leitor quanto ao trabalho do estilista, coletamos algumas informações úteis. O estilismo e o design seguem princípios que a estética da arte ensina. Além de propor, mostra o que somos e como somos. Traduz em produto conceitos atuais. Quando queremos viver na nostalgia, nos supre de recursos; quando queremos ser futuristas, cria um novo mundo. Mas como saber o que o mundo quer e precisa? Afinidades O que há em comum, por exemplo, entre uma catedral e uma sinfonia musical, um quadro e uma estátua? Têm afinidades, leis comuns, diferenças que poderiam ser chamadas congênitas, análogas. São essas incógnitas (tendências) que o estilista sabe traduzir, filtrar, sentir, absorver, processar. Logo, ele tem a capacidade de estabelecer uma interelação deste complexo enorme de informações político-sócio-culturais para o seu trabalho, criando assim uma estrutura de design que tenha o mesmo conceito estético que o conceito das expressões traduzidas da atualidade. Trata-se de uma questão apaixonante, contanto que o estilista esteja firme, decidido a não filtrar os aspectos vãos, mas admitir, por exemplo, apenas analogias estruturais, morfologias positivamente observáveis e que possam ser anotadas, construídas, criadas e expressas numa linguagem conceitual rigorosa e coerente. Além de uma formação acadêmica, onde são assimilados conhecimentos estéticos, culturais, morfológicos, etc, o estilista deve ser um freqüentador assíduo de shopping centers, ruas, vitrines, galerias, clubes, teatros, cidades, países, feiras. Ele pesquisa o comportamento e a cultura; o que as pessoas fazem no mundo real, para, só assim, buscar o conceito a ser desenvolvido. O profissional deve olhar para o interior, analisando características como colocar-se no lugar de, pensar de forma 27

28 local, ter empatia e viver a cultura de outras etnias e sociedades (miscigenação). Essa vivência e experiência fornecem os subsídios para o desenvolvimento conceitual do produto final. Requisitos do profissional Estilista Constata-se a necessidade de que o empresário brasileiro invista e possibilite ao estilista profissional a realização dos procedimentos de pesquisas mencionados anteriormente. Através do enriquecimento das informações coletadas e processadas é que surge o desenvolvimento de projetos que sustentam as novas visões de produtos. Para desenvolver plenamente esta atividade, deve possuir o seguinte perfil: observador e avaliador - capacidade analítica e memória visual; criativo e interativo - original, com raciocínio abstrato e lógico; sensibilidade e comunicabilidade ; iniciativa e dinamismo; auxilia o designer para que este possa ter uma visão de forma como um todo; apurado senso estético (harmonia, equilíbrio, sensibilidade, estrutura, morfologia, beleza); referencial estético muito forte ( domina o detalhes na harmonia da base e construção do produto ); tem uma maneira de viver e de entender os conceitos, usando um estilo próprio, o que reflete a sua postura frente aos elementos pesquisados; uma filosofia: a cultura como um todo, busca e valorização dos elementos mais básicos para compor uma idéia (o ser e viver); um modo, uma linha, um estilo e busca um conjunto coerente 28

29 atento às manifestações culturais, sociais e econômicas mundiais; pesquisa estilo e moda para as estações, sempre correlacionando a tendência anterior, somada à nova. Essa mudança não se faz de forma radical. A evolução se faz junto com os clientes. Operacionalizando de forma adequada estes conhecimentos, o estilista poderá criar a base para coleções coerentes com a moda vigente, dentro de um estilo próprio e com ampla afinidade com as necessidades dos consumidores. Isto possibilita, que a empresa forme o seu conceito e firme sua identidade frente ao mercado. Observatório O estilista trabalha para traduzir comportamento. Pode-se dizer que o estilista antecipa acontecimentos e é capaz de viabilizar a manifestação, os desejos e movimentos da sociedade. 29

30 Para ser fiel a esta sociedade e ser aceito pela mesma como provedor de componentes fundamentais destas manifestações (produtos), o estilismo exige muita sensibilidade, além de uma entrega total para o trabalho. É a confirmação da expressão: vive a moda 24 horas por dia. Neste enfoque pode-se fazer notar três fases: Observar é uma etapa. Interpretar rapidamente as expectativas do mercado alvo, suas exigências e suas necessidades é uma segunda fase. Fazer voltar à sociedade os produtos por ela esperados e fazêlos combinar com ela, é o desafio maior. Portanto, a sociedade é uma fonte inspiradora, mas é ao mesmo tempo a beneficiada. Mesmo com a globalização, os povos mantém particularidades, suas tradições, sua cultura, seu biotipo. Algumas manifestações sociais também são particulares. O estilismo capta isto tudo, com a missão de personalizar a moda e seus produtos para bilhões de consumidores. Portanto, olho aberto e antenas ligadas! Riquezas do passado Sabemos que a moda é cíclica. É comum valorizar movimentos marcantes do passado. A assimilação desta vontade de retorno é mais uma fonte para o estilista fazer a sua coleta de elementos que poderão ser um parâmetro para novos desenvolvimentos. Mais uma vez vemos a importância da fidelidade do estilismo com o seu mundo e neste particular é fundamental o conhecimento estético e histórico da moda e de quem dela faz uso. Ambientes As propostas de arquitetura e decoração de ambientes e o próprio ambiente são uma das fontes mais seguras para o estilista buscar elementos de definição dos grandes temas de estilismo. As pessoas criam seu habitat de acordo com suas verdades e tendem a aceitar propostas de produtos que tenham uma identificação com o seu jeito de ser e viver. 30

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