APLICAÇÃO DOS CONCEITOS E PRÁTICAS DA LOGÍSTICA REVERSA NO RERREFINO DE ÓLEO LUBRIFICANTE: UM ESTUDO DE CASO

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1 ISSN APLICAÇÃO DOS CONCEITOS E PRÁTICAS DA LOGÍSTICA REVERSA NO RERREFINO DE ÓLEO LUBRIFICANTE: UM ESTUDO DE CASO Elizandra Machado Ogliari, Rafael Mozart da Silva, Eliana Terezinha Pereira Senna, Guilherme Bergmann Borges Vieira (Universidade do Vale do Rio dos Sinos; Centro Universitário Univates; Universidade de Caxias do Sul) Resumo: A prática da logística reversa para algumas organizações pode significar muito além de um negócio com fins lucrativos, pois o tratamento de resíduos de forma adequada pode proporcionar benefícios ao meio ambiente, sociedade e as pessoas. Neste sentido o presente trabalho apresenta às práticas e conceitos aplicados a logística reversa de pós-consumo, realizados por uma empresa que atua no segmento de óleos lubrificantes. Constata-se ao longo desta pesquisa que as práticas adotadas pela empresa no que tange ao processamento e rerrefino do óleo lubrificante usado, estão adequados e aderentes aos conceitos da logística reversa. Palavras-chaves: Logística Reversa; Canais Reverso; Pós-Venda; Pós-Consumo; Sustentabilidade

2 1. INTRODUÇÃO A constante competição por uma maior eficiência tem levado algumas empresas a se atualizarem e utilizarem novas formas para a realização de seus negócios, tendo como um de seus principais objetivos a busca de melhorias sob a forma de desenvolvimento de novos modelos de gestão ou mesmo adotando o uso intenso de tecnologia no aprimoramento de processos, produtos e serviços. O aumento deste dinamismo condiciona as empresas a utilizar de novas formas de organização, que possam ser capazes de responder rapidamente e com flexibilidade as exigências do mercado, mantendo, sobretudo a qualidade e os custos dos produtos. Os negócios atualmente transitam em um ambiente global que reforça as empresas, independentemente da sua base de mercado ou localização, a considerar o restante do mundo em uma análise mais estratégica (DORNIER et al., 2000).Nos ambientes globalizados e de alta competitividade, as empresas modernas reconhecem cada vez mais que, além da busca pelo lucro em suas transações, se faz necessário atender a uma variedade de interesses sociais, ambientais e governamentais, garantindo sua lucratividade e seus negócios, satisfazendo desta forma os diferentes stakeholders que avaliam a empresa sob diferentes perspectivas (LEITE, 2009). O objetivo deste trabalho foi apresentar as práticas de logística reversa utilizada por uma empresa que atua no mercado de fornecimento de óleos lubrificantes e realiza o rerrefino deste mesmo óleo reinserindo-o este produto no próprio processo produtivo, pois a coleta, rerrefino e produção de óleo básico atende a três princípios fundamentais da política ambiental dos organismos gestores brasileiros: reduzir, reutilizar e reciclar, desta forma possibilitam um equilíbrio no meio ambiente e também corrobora sob o aspecto econômico minimizando a necessidade de importação de matéria-prima o petróleo leve para uma posterior transformação em óleo lubrificante. Na Seção 1 deste trabalho é apresentado o tema e uma breve contextualização do problema investigado. Na Seção 2, apresenta-se o referencial teórico sobre logística reversa, gestão ambiental e ciclo de vida do produto que serviu de base para o desenvolvimento da pesquisa. A metodologia de pesquisa utilizada para a realização deste trabalho é demonstrada na Seção 3. A aplicação do estudo de caso e o desenvolvimento da pesquisa é apresentada na Seção 4. Por fim, na Seção 5, apresenta-se as conclusões e contribuições do trabalho, as quais poderão ser utilizadas como hipóteses para novas pesquisas. 2

3 2. LOGÍSTICA REVERSA A logística das organizações vem se adaptando ao longo dos anos, conforme definição do próprio Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP) Logística é parte da cadeia de suprimentos, que planeja, implementa e controla de modo eficiente o fluxo direto e reverso e a armazenagem de bens, serviços e informações relativas entre o ponto de origem até o ponto de consumo de modo a atender os requisitos do cliente (CSCMP, 2013). Desta forma a logística reversa que trata dos fluxos de pós-venda e pós-consumo, pode ser compreendida sob as perspectivas estratégicas e operacionais, tornando-se mais holística em suas atenções a eliminação ou utilização dos inibidores das cadeias reversas (LEITE, 2009). Para Rogers e Tibben (1999), adaptando a definição de logística do Council of Supply Chain Management Professionals (anteriormente denominado de Council of Supply Chain Management - CLM), definem a logística reversa como o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e informações correspondentes do ponto de consumo ao ponto de origem com o propósito de recapturar o valor ou destinar à apropriada disposição. Conforme Lacerda (2006), o conceito de logística reversa é amplo e está correlacionado ao ciclo de vida, pois a vida de um produto do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e deve retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Sob o ponto de vista financeiro, que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Outro aspecto a considerar é o ponto de vista ambiental, pois é necessário verificar e avaliar qual o impacto que um produto tem sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Esta última abordagem sistêmica é fundamental para um adequado planejamento e utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Através dos programas e práticas de Logística Reversa, as empresas podem substituir, reutilizar, reciclar e descartar seus produtos de maneira eficiente e eficaz, atendendo não somente as exigências dos clientes e parceiros, como também podendo cumprir as leis. A adequada administração da Logística Reversa não somente pode resultar em redução dos custos, como 3

4 também pode aumentar as receitas mesmo que estes itens sejam considerados refugo e não representem a base principal da competição da empresa, sendo possível ter uma eficiência e eficácia do fluxo reverso (ROGERS, TIEBBEN-LEMBKE, 1999). Ainda para os autores a Logística Reversa é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e de baixo custo de matérias-primas, materiais em processo, produtos acabados e informações relacionadas desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recuperar valor ou obter o descarte apropriado OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS De acordo com Leite (2009), os canais de distribuição reversos (CDRs) podem ser compreendidos como canais reversos de Pós-Venda e Pós-Consumo. Os canais reversos de Pós-Venda: O produto logístico de pós-venda, de natureza durável, semidurável ou descartável, constitui-se de bens comercializados por meio dos diversos canais de distribuição mercadológicos e que são devolvidos sem uso ou com pouco uso, por diferentes motivos, pela própria cadeia de distribuição direta ou pelo consumidor final (LEITE, 2009). Para Kotler (2005), a atividade de simplesmente efetuar a venda do produto é um pressuposto básico do marketing. A real estratégia de marketing de pósvenda está na possibilidade de se estabelecer o marketing pró-ativo, de parceria com o cliente, que após a concretização da venda continua a ser trabalhado o relacionamento com o cliente, com o objetivo de descobrirem-se meios de se alcançar melhor desempenho no que diz respeito ao atendimento das expectativas do cliente e na oportunidade de serem desenvolvidos novos produtos; Os canais reversos de Pós-Consumo: Para Kobaiashi (2000), a logística como um sistema que serve como uma espécie de ferramenta para responder às demandas de mercado, necessita integrar-se com os sistemas de produção e vendas, exigindo uma maior flexibilidade nos seus processos. Todo bem durável ou semidurável produzido pela indústria que após o seu uso por parte do consumidor é descartado passa a fazer parte do ciclo reverso de pós-consumo. O ciclo reverso de pós-consumo pode ser caracterizado como o retorno de produtos que podem ser reciclados ou reutilizados, como por exemplo, os bens industriais que depois de utilizados são descartados pelo consumidor de diferentes maneiras e possuem ciclo de vida útil, agregando novamente valor a estes produtos. 4

5 Conforme Leite (2009) uma parcela dos bens que são vendidos por meio da cadeia de distribuição direta retorna ao ciclo de negócios ou produtivo pelos canais de distribuição reversos. Os bens de pós-venda, com pouco ou sem nenhum uso, constituem os canais reversos de pósvenda, enquanto os bens de pós-consumo, que foram usados e não apresentam interesse ao primeiro possuidor, serão retornados pelos canais reversos de pós-consumo. Para Sheu et al. e Stock et al. (apud. Nascimento et al., 2008) as questões ambientais podem ser ajustadas de forma simultânea com os processos operacionais do gerenciamento da cadeia de suprimentos, incluindo soluções de logística reversa. Logística reversa abrange os retornos e também as atividades relacionadas aos itens de movimentação para trás (backwards) na cadeia de suprimentos, sendo que estes retornos tradicionalmente podem resultar de problemas, dificuldades ou erros de venda e também decorrer dos níveis de estoque mínimos para atender os consumidores. 2.2 GESTÃO AMBIENTAL E CICLO DE VIDA DO PRODUTO Atualmente a necessidade de compartilhamento entre fornecedores, produtores e clientes através de mecanismos da gestão da produção, gestão da qualidade e planejamento estratégico tem garantido o aumento da competitividade e sobrevivência de muitas organizações em diferentes setores produtivos. Benefícios sociais, econômicos e ambientais também podem ser verificados em função da adoção de medidas de adequação aos critérios de responsabilidade social, governança corporativa e gestão ambiental, respectivamente (TZENG e HENDERSON, 1999; HEISKANEN, 2005). Para Barbieri (2007), o conceito de Sistema de gestão Ambiental (SGA) compreende a articulação de funções administrativas e operacionais para amenizar ou impedir impactos negativos das atividades econômicas sobre a natureza, possibilitando além de soluções pontuais, um adequado SGA pressupõe um nível de sistematização maior, incluindo a criação de normas e objetivos e monitoramento contínuo onde a gestão não fica concentrada nas mãos de departamentos específicos. Com relação à SGA o autor ainda destaca que em primeiro lugar está o comprometimento com a sua efetivação por parte da alta direção ou dos proprietários, se estes forem os dirigentes. Um alto grau de envolvimento facilita a integração das áreas da empresa e permite a disseminação das preocupações ambientais entre funcionários, fornecedores, prestadores 5

6 de serviço e clientes. Um bom sistema é aquele que consegue integrar o maior número de partes interessadas para tratar as questões ambientais. Outros elementos essenciais são o estabelecimento das políticas ambientais, a avaliação dos impactos ambientais atuais e futuros, os planos fixando objetivos e metas, os instrumentos para acompanhar e avaliar as ações planejadas e o desempenho do SGA como um todo (BARBIERI, 2007). Para Ramalho-Filho et al. (1997), a implantação de um sistema de gestão ambiental (SGA), é a resposta dada pelas empresas para controlar os impactos causados, isto é, representa uma mudança organizacional, motivada pela internalização ambiental e externalização de práticas que integram o meio ambiente e a produção. Podem ser alcançados inúmeros benefícios com a implementação da SGA como: a melhoria da imagem perante os diversos atores que interagem com o empreendimento (stakeholders); redução dos custos ambientais; menores riscos de infrações e multas; aumento de produtividade; melhoria da competitividade e surgimento de alternativas tecnológicas inovadoras. Conforme Ljungberg (2005), a Análise do Ciclo de Vida (ACV) consiste em uma técnica de avaliação de aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto e compreende etapas que vão desde a retirada, no meio ambiente, das matérias-primas (berço) até a disposição do produto final. 3. METODOLOGIA DE PESQUISA O estudo foi realizado através de uma pesquisa aplicada do tipo descritiva exploratória. A pesquisa aplicada, de acordo com Cervo e Bervian (1996), é utilizada quando o investigador é movido pela necessidade de contribuir para fins práticos, buscando soluções para problemas concretos, que se difere da pesquisa básica, em que o pesquisador tem como meta o saber, buscando satisfazer uma necessidade intelectual pelo conhecimento. Para Malhotra et al. (2005), a pesquisa descritiva é um tipo de pesquisa que tem como objetivo principal, descrever algo que normalmente se refere à características ou funções de mercado. Gil (2010) acrescenta que, este tipo de pesquisa, além de descrever características de uma determinada população, pode ainda, identificar relações entre variáveis. A pesquisa também pode ser caracterizada como exploratória, que segundo Malhotra et al. (2005), permite explorar 6

7 um problema ou situação para promover critérios e compreensão, e em geral, é utilizada em situações em que o pesquisador não possui entendimento suficiente para prosseguir com o estudo. Quanto ao caráter desta pesquisa, configura-se através da abordagem qualitativa que de acordo com Malhotra et al. (2005), proporciona melhor visão do problema, já que o explora com poucas idéias preconcebidas sobre o resultado da investigação, sendo geralmente utilizada para definir o problema com mais precisão, podendo fornecer julgamentos antes ou depois do fato, sendo desta forma, mais adequada para o estudo em questão, pois busca descrever os procedimentos e não quantificá-los. O estudo de caso será apresentado como forma de delineamento de pesquisa, pois segundo Gil (2010), este tipo de estudo caracteriza-se como profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de forma que permita seu amplo e detalhado conhecimento. Para o autor, o método apresenta diversas vantagens, como: o estímulo a novas descobertas, em virtude da flexibilidade de seu planejamento; a ênfase na totalidade, em que o pesquisador foca o problema como um todo, e; a simplicidade dos procedimentos quando comparados com outros tipos de delineamento. 3.1 UNIDADE DE ANÁLISE Para Collis e Hussey (2005) uma unidade de análise é o tipo de caso que se referem às variáveis ou os fenômenos em estudo, bem como o problema de pesquisa, e sobre os quais são coletados e analisados os dados. A unidade de análise utilizada no estudo de caso foi uma empresa produtora de óleos lubrificantes que também atua no segmento de rerrefino, que segundo o Sindicato das empresas de rerrefino do Brasil é uma das maiores empresas da América Latina neste segmento. Aborda-se com mais profundidade as características da empresa e mercado que esta inserida no tópico quatro denominado estudo de caso. 3.2 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS Para a coleta de dados da presente pesquisa, utilizou-se de dois tipos de fontes, sendo que muitas das informações necessárias para uma adequada compreensão do processo de rerrefino foram obtidas através de dados secundários, principalmente em registros internos da empresa estudada como: planilhas de controle de estoques e solicitações de materiais. Com relação aos 7

8 dados primários, foi realizada a aplicação de entrevistas em profundidade, que conforme citado por Cervo e Bervian (1996), devem ser conversas orientadas para um objetivo definido: recolher, através do interrogatório do informante, dados para a pesquisa, e são normalmente utilizadas quando se tem necessidade de obter dados que não podem ser encontrados em registros e fontes documentais, mas podem ser fornecidos por determinadas pessoas. No caso da presente pesquisa, as entrevistas em profundidade tiveram como participantes, as pessoas que atuam na área de logística da empresa estudada. Apresenta-se a seguir o Quadro 1 das pessoas que foram entrevistadas: Quadro 1: Pessoas Entrevistados na Empresa Respondente Função Idade Tempo de Empresa R1 Gerente de Logística 45 anos 12 Anos R2 Supervisor de Logística 39 anos 08 Anos R3 Analista de Coleta 28 anos 06 Anos Fonte: Elaborado pelos autores Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se um questionário semi-estrutura o qual foi subdivido em blocos de perguntas (Quadro 2): Bloco 1 Bloco 2 Quadro 2: Questões do Bloco 1 utilizadas nas Entrevistas Processo de Coleta do OLUCs 1. Quais são os critérios de recebimento do óleo devolvido pelo cliente? 2. Quais são os tipos de resíduos industriais gerados em sua empresa e a sua destinação? 3. Há geração de efluentes líquidos e como estes são monitorados e controlados? Processo de Rerrefino o Óleo Lubrificante 1. Quais são e como funciona o processo de rerrefino utilizado pela empresa? Quais as formas de controle do deste processo? 2. Na empresa Alfa, há geração de subprodutos derivados de suas atividades? Qual o destino dos mesmos? Estratégia e Visão do Negócio da Empresa 1. A empresa desenvolve algum tipo de pesquisa sobre óleo lubrificante? 2. Na visão da empresa, as penalidades impostas pela Legislação Ambiental são suficientes para garantir à sociedade e às empresas o respeito ao meio Bloco 3 ambiente? Por quê? 3. A empresa ao preocupar-se com o tratamento de resíduos e/ou a gestão ambiental obtém o retorno financeiro através da maximização de seu rendimento econômico? 4. Existem planos de expansão do modelo de negócio da empresa? Fonte: Elaborado pelos autores As respostas das entrevistas resultantes do questionário foram transcritas de forma parcial, levando em consideração o objetivo da pesquisa. De acordo com Mattar (1998), a etapa de análise de dados é tão importante quanto qualquer outra etapa do estudo e tem como principal objetivo, permitir que o pesquisador consiga 8

9 estabelecer conclusões, a partir dos dados coletados. O método a ser utilizado para a análise dos dados obtidos através da pesquisa foi a análise de conteúdo, que representa um método formal que visa analisar dados qualitativos, podendo ser uma maneira de converter sistematicamente texto ou outras formas de comunicação como áudio e vídeo, em variáveis numéricas de acordo com unidades de códigos que são pré-construídas pelo pesquisador. 4. ESTUDO DE CASO Conforme apresentado anteriormente o estudo de caso foi realizado em uma empresa produtora de óleos lubrificantes e que também atua no segmento de rerrefino do óleo. Atualmente é considerada uma das maiores empresas da América Latina que atua neste mercado. A sede da empresa possui uma área construída de m² e localiza-se na região metropolitana de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente a empresa possui mais de 200 colaboradores e conta com uma frota 60 caminhões do tipo tanque, adequado para o transporte de óleos e derivados. 4.1 Processo de Coleta de OLUCs A empresa realiza a coleta dos óleos lubrificantes usados através do próprio canal de distribuição de venda, com objetivo de tornar economicamente viável a operação. Em relação as tratativas adotadas para o de recebimento do óleo lubrificante usado e que foi devolvido pelos próprios clientes, a empresa procura observar principalmente as medidas técnicas de manuseio e armazenagem, conforme a respostas dos próprios entrevistados. Para o R1 [...]o produto tem que ser manuseado com cuidado, por que trabalhamos com produto perigoso e deve-se preservar acima de tudo a integridade das pessoas. O R2 corrobora da mesma ideia, pois segundo o mesmo a empresa procura adotar sempre medidas preventivas obedecendo às normas e procedimentos de segurança e higiene industrial. A empresa necessita constantemente observando as condições para retirada do óleo lubrificante usado ou contaminado dos pontos de geração ou recolhimento, pois a característica dos clientes onde a empresa retira o óleo usado são postos de gasolina, pontos de troca de óleo dentre outros. Conforme relatado pelo R3 se faz necessário para a coleta de óleos lubrificantes usados, utilizar-se de veículos especificamente equipados, identificados e apropriados para este fim, proporcionando condições adequadas para o transporte urbano e rodoviário de forma segura 9

10 do resíduo. Segundo o R1 os veículos dedicados ao transporte deste resíduo não podem, sob hipótese alguma, serem autorizados também ao transporte de outros tipos de produtos. A Figura 1 ilustra um exemplo do tipo de veículo que é utilizado para a coleta de óleo lubrificante usado, conforme informações do Sindirerrefino. Figura 1: Veículo Coletor de Óleo Lubrificante Fonte: Sindirerrefino (2011) Por tratar-se de um resíduo perigoso às condições de carga e descarga do óleo lubrificante usado ou contaminado nas bases de armazenamento também são diferenciadas, pois a movimentação e armazenagem deste tipo de produto deve seguir os procedimentos de segurança, verificação constante das condições dos equipamentos utilizados na operação. No que tange aos tipos de resíduos industriais gerados e o tratamento dos mesmos, o R1 informou que há o controle do volume de resíduos gerados nos processo de rerrefino, o qual apresenta a indicação dos componentes químicos gerados. Foi possível constatar através das entrevistas com R1 e R2 que ocorre na empresa estudada o tratamento de forma adequada dos efluentes gerados ao longo do processo de rerrefino, pois a água removida do processo passa por um tratamento intenso e complexo antes de ser efetivamente descartada, em função da alta contaminação e concentração de componentes como o fenol e os hidrocarbonetos leves. Conforme o R1 para o descarte da água é necessário um documento que outorga o uso da água, sendo este emitido pelo órgão fiscalizador competente, que atesta a utilização, o tratamento e o descarte final dos recursos hídricos de forma correta. Constata-se ainda durante as entrevistas que os resíduos e a água decorrente do processo de desidratação são encaminhados a um forno onde através de um processo de superaquecimento onde é realizada a separação e eliminação dos 10

11 resíduos presentes na água. Após este processo a água passa por uma filtragem de forma que os contaminantes sejam eliminados antes do descarte final. 4.2 Processo de Rerrefino De acordo com o R2 as tecnologias mais conhecidas para o rerrefino são os processos de Ácido-Argila com Termocraqueamento; Desasfaltamento à Propano (PDA); Processo interlinear; Evaporação Pelicular (TFE); Desasfaltamento Térmico (TDA) dentre outros tipos. Conforme o R1 e R2, os processos de rerrefino utilizados pela empresa foram relacionados em dois tipos processos, os quais demonstra-se na Figura 2: Figura 2: Fluxo do Processo de Rerrefino Fonte: Sindirerrefino (2014) No processo de Ácido-Argila com Termocraqueamento ocorre uma redução do percentual de ácido sulfúrico e dos neutralizantes, obtendo como resultado do rerrefino a produção de Óleo Básico RR - Neutro Pesado. Com relação ao processo de Evaporação Pelicular, acontece a redução de ácido sulfúrico e dos neutralizantes e clarificantes. Percebe-se que além das precauções com relação à saúde e proteção do trabalhador, existe à constante orientação e treinamentos para o adequado manuseio do material de forma segura. Outra informação importante relatada pelo R2, diz respeito ao transporte, pois os resíduos são 11

12 transportados e devem obedecer todos os requisitos previstos na regulamentação legal de transporte de cargas perigosas. O descarregamento das embalagens mais pesadas é feito por meio de empilhadeira. As embalagens contendo os produtos não devem ser manuseadas de forma indevida e também colocadas sob qualquer tipo de superfície. As embalagens vazias possuem local próprio para a lavagem, organização e acondicionamento. De acordo com o R3 nas operações de carga e descarga existem procedimentos que visam evitar a ocorrência de vazamentos do produto, pois evita-se que este produto químico atinja o lençol freático ou o mesmo o solo. Ainda para o respondente, o mesmo informou que nos locais onde se manipulam produtos químicos é realizado o monitoramento da exposição dos trabalhadores, de acordo com o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). 4.3 Estratégia e Visão de Negocio da Empresa Com relação aos investimentos realizados em pesquisa, o R1 informou que a empresa lançou no ano de 2010 uma nova linha de lubrificantes automotivos e industriais, sendo que este tipo de ação não ocorria no mercado há aproximadamente quinze anos. Segundo relato do R1 na empresa convivemos com o desafio de atuar na conscientização da sociedade e das empresas sobre a necessidade da preservação do meio ambiente e do respeito à legislação que regulamenta a destinação correta do óleo usado. Para o R2, o trabalho também envolve a divulgação da importância do rerrefino e de que a nossa empresa possui todas as licenças operacionais necessárias tanto para a coleta, transporte, assim como para a destinação final do óleo lubrificante usado e também esta apta a realizar a logística reversa. A empresa tem como foco garantir a qualidade de seus produtos, equipamentos e processos operacionais, além de buscar constantemente reduzir as emissões de poluentes associadas ao rerrefino do óleo lubrificante usado e à extração do óleo básico, pois segundo o R1 a confiança que temos por parte de nossos clientes direciona ainda mais nossas ações no sentido de cumprir a legislação e buscar a melhoria contínua de nosso atendimento. Com relação aos principais produtos comercializados pela empresa são óleos lubrificantes básicos, graxas para lubrificação de ferramentais, óleos para motor, óleo para engrenagens e transmissões entre outros, onde observa-se de acordo com R1 a linha óleos básicos tem uma elevada representatividade no negócio. Segundo o R2 [...] para atender à demanda de óleos 12

13 básicos, temos uma frota própria de 60 caminhões e carretas, com rotas diárias para São Paulo e Rio de Janeiro. Conforme o R1, a empresa apresenta planos de expansão de seu negócio em face da oportunidade que o mercado oferece, pois pretende expandir para outras áreas do estado do Rio Grande do Sul, como a região do Planalto, Centro Oeste e Norte do estado. A empresa também esta buscando expandir seus negócios para os estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro em prazo de até cinco anos. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando o objetivo proposta da pesquisa que buscava apresentar de que forma ocorria o processo de rerrefino de óleos lubrificantes realizados pela empresa em estudo, constata-se que a existência de procedimentos adequados e também que se faz necessário para este tipo de atividade uma estrutura adequada para tratamento deste tipo de resíduo. A empresa também utiliza como forme de minimizar os custos e tornar viável economicamente a operação, utilizar-se do mesmo canal de distribuição de vendas junto aos seus clientes, para realizar a coleta do óleo lubrificante usado. Contata-se que a empresa em estudo apresenta conceitos e práticas de logística reversa, por se tratar de uma reutilização do material, um caso de pós-consumo. Percebe-se a relevância do tema abordado nesta pesquisa, pois envolve aspectos relacionados ao meio ambiente e também de alternativas de processos para minimizar os impactos decorrentes do descarte inadequado de materiais ou produtos na natureza. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental empresarial. São Paulo: Saraiva, CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, FIGUEIREDO, Kleber Fossati; FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter. (orgs.) Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento do fluxo de produtos e dos recursos. Centro de Estudos em Logística. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em Administração: Um guia prático para alunos de graduação e pós-graduação. Tradução de Lucia Simonini. 2. ed. Porto Alegre: Bookmann, COUNCIL OF SUPPLY CHAIN MANAGEMENT PROFESSIONALS (CSCMP). Disponível em: Acesso em: 06 de dezembro de

14 COPPEAD, UFRJ. São Paulo: Atlas, 2003KOBAYASHI, Shun Ichi. Renovação da logística: como definir as estratégias de distribuição física global. São Paulo: Atlas, DORNIER, P. ; ERNST, R. ; FENDER, M.; KOUVELIS, P. Logística e Operações Globais: textos e casos. São Paulo: Atlas, HEISKANEN, E. Reducing the natural resource intensity of private and organisational consumption: the potential of ICT and service innovations. Progress in Industrial Ecology, Vol. 2, (3 4), p , KOTLER, Philip. Marketing essencial: conceitos, estratégias e casos. 2ª ed. São Paulo: Prentice Hall, LACERDA, Leonardo. Logística Reversa: Uma visão sobre os conceitos e as práticas operacionais. In: MATTAR, Fauze Najib. Pesquisa de Marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, LACERDA, Leonardo. Logística reversa e a responsabilidade empresarial. Logística reversa: uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. Disponível em: <http://www.tfscomunicacao.com.br>. Acesso em fevereiro de LEITE, Paulo Roberto. Logística Reversa: meio ambiente e competitividade. Ed. Pearson Education do Brasil Ltda, LJUNGBERG, L. Responsible products: selecting design and materials. Design Management Review, v. 16, n. 3, p , MALHOTRA, Naresh K. et al. Introdução à Pesquisa de Marketing. Tradução de Robert Brian Taylor. São Paulo: Pearson, NASCIMENTO, L F, Lemos, ADC, Mello, MCA (2008). Gestão Socioambiental Estratégica. São Paulo: Bookman. RAMALHO-FILHO, A. ; OLIVEIRA, Ronaldo Pereira de ; PEREIRA, L. C. Use of geographic information systems in (planning) sustainable land management in Brazil: potentialities and user needs. ITC Journal, Holanda, v. 3, p , ROGERS, D. S.; TIBBEN-LEMBKE, R. S. Going backwards: reverse logistics trends and practices. Reno: University of Nevada, SINDIRREFINO: Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais. Disponível em Acesso em: 25 janeiro de

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