ANÁLISE DOS ROEDORES URBANOS EM TRÊS BAIRROS DA CIDADE DE CAMPINA GRANDE-PB

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1 Página 14 ANÁLISE DOS ROEDORES URBANOS EM TRÊS BAIRROS DA CIDADE DE CAMPINA GRANDE-PB Helder Neves de Albuquerque 1, José Salonildo Alexandrino da Silva 2, Isis Correia Sales de Albuquerque 3, Mario Luiz Farias Cavalcanti 4 RESUMO A presença do roedor em áreas urbanas e rurais gera agravos econômicos e sanitários de relevância ao homem. Estes inimigos históricos dos humanos conseguem sobreviver e proliferar nos mais diversos ambientes, graças a uma adaptabilidade extraordinária. O estudo propôs identificar as espécies de roedores que incidem na zona urbana de Campina Grande, avaliando o nível de infestação por roedores na cidade e reconhecer as áreas críticas quanto às condições de proliferação e propor medidas de controle dessa problemática para o município. Constatou-se a realização apenas do controle químico e que não há registro ou acompanhamento do controle desses animais. A cidade caracteriza-se com um alto nível de infestação de roedores, o que caracteriza a necessidade urgente e imediata de um programa de controle permanente de roedores. Esse problema é um grande desafio para as administrações públicas a dinâmica populacional das espécies varia de acordo com as condições ambientais, presença ou não de inimigos naturais e doenças. Unitermos: Ratos, Doenças, Infestação, Área Urbana, Medidas de Controle. ANALYSIS OF THE URBAN RODENTS IN THREE NEIGHBORHOODS OF THE CITY OF CAMPINA GRANDE - PB ABSTRACT The presence of rodent in urban and rural areas generates economical and sanitary damages to man's relevance. These historical enemies of the humans can survive and proliferate in the most several environments, thanks to an extraordinary adaptability. The work intended to identify the species of rodents that occurs in the urban area of Campina Grande, evaluating the infestation level for rodents in the city and recognizing the critical areas about the proliferation conditions proposing control measures regarding that problem for the municipal district. It was only verified the accomplishment of chemical control and that aren't any registration or attendance of those animals' control. The city is characterized with a high level of rodents infestation, what shows the need of an urgency and immediate program of permanent control of these invaders. That problem is a great challenge for the public administrations in the population dynamics of the species which varies in agreement with the environmental conditions, presence or not of natural enemies and diseases. Uniterms: Mice, Diseases, infestation, Urban Area, Control Measures. INTRODUÇÃO Os roedores pertencem à ordem Rodentia, cujo nome deriva da palavra latina rodere que significa roer. A principal característica que os une é a presença de dentes incisivos proeminentes 1 Biólogo; Professor Mestre do Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba UEPB. E- mail: 2 Biólogo, Especialista em Educação Ambiental pelo Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba UEPB 3 Farmacêutica; Mestre e Inspetora da Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande-PB. 4 Biólogo; Professor Doutor do Departamento de Ciências Fundamentais e Sociais do Centro de Ciências Agrárias da UFPB Campus II. s: e

2 Página 15 que crescem continuamente. Existem atualmente cerca de espécies de roedores no mundo, representando ao redor de 40% de todas as espécies de mamíferos existentes (Carvalho-Neto, 1974, 1995). Os roedores vivem em qualquer ambiente terrestre que lhes dê condições de sobrevivência. Apresentam extraordinária variedade de adaptação ecológica, suportando os climas mais frios e os mais tórridos, nas regiões de maior revestimento florístico e nas mais estéreis; suportam grandes altitudes e em cada região podem mostrar uma grande adaptação fisiológica (Garcia, 1998). Algumas espécies são consideradas sinantrópicas por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem. No meio urbano e rural com atividades econômicas predominam as espécies sinantrópicas comensais e algumas espécies silvestres que podem, ocasionalmente, invadir as habitações humanas (Carvalho et al., 1998). Não há no Brasil, até a presente data, uma legislação em âmbito federal específica regulamentadora da atividade do controle de roedores, seja na área da saúde pública, seja no campo da atividade privada. Essa regulamentação passa então à responsabilidade dos Estados pelos seus respectivos códigos sanitários. A luta contra roedores é um desafio permanente e histórico da humanidade. Ratazanas, ratos e camundongos sempre coabitaram com o homem, atraídos pelos seus estoques de alimentos e dejetos orgânicos (Bucke e Smith, 1994). A presença do roedor em áreas urbanas e rurais gera agravos econômicos e sanitários de relevância ao homem. Os ratos participam da cadeia epidemiológica de pelo menos trinta doenças transmitidas ao homem. Leptospirose, peste e as hantaviroses são doenças de importância epidemiológica no Brasil por eles transmitidas. Ocorrem, em média, cerca de casos de Leptospirose humana no país anualmente, com letalidade em torno de 12%. Já os casos de Síndrome Pulmonar por hantavírus vêm ocorrendo no país desde 1993, com alta letalidade tendo o roedor silvestre como reservatório (FUNASA, 1993). Os roedores competem com a população humana em consumo de alimentos, causando enormes prejuízos econômicos e inutilizam anualmente, cerca de 4 a 8% da produção nacional de cereais, raízes e sementes. Os prejuízos causados vão desde a ingestão de alimentos como pela sua contaminação por urina, fezes, pelos desperdícios por rompimento de sacarias e roeduras parciais de grãos; da mesma forma, os roedores afetam estoques de alimento para animais, como rações farelos e grãos (Carvalho Neto, 1995). Além desses agravos inconvenientes, os roedores são responsáveis pela transmissão de zoonoses que já provocaram epidemias terríveis desde a Idade Média, como a peste e, hoje em dia, outras doenças como leptospirose, tifo, salmonelose, triquinose e outras também são transmitidas aos humanos (Garcia, 1998). A importância da participação e o envolvimento da população pela educação em saúde também são fundamentais para a efetividade das ações propostas. Historicamente, a fixação do homem à terra, gerando excedentes alimentares a partir do advento da agricultura, e o desenvolvimento dos povoados, cidades até as megalópoles, criaram condições ideais à ligação comensal dos roedores com o homem, originando um processo de sinantropia. Esta sinantropia dos roedores e a precariedade dos processos de urbanização, com problemas crescentes de disposição de resíduos sólidos, drenagem adequada de águas pluviais e de construção e tratamento de esgotos, exigem a integração das ações da municipalidade e comunidade como mecanismo básico para a implantação de um programa de controle de roedores capaz de resultados consistentes (Carvalho, 1999). A proliferação destes animais ocorre porque o homem, e a sociedade como está organizada, fornecem, de forma abundante, o que os roedores necessitam para sobreviver: alimento, água e abrigo proporcionando conseqüentemente, um desequilíbrio populacional destes animais gerando prejuízos econômicos e a transmissão de graves doenças ao homem e aos animais domésticos ou de criação (Davis, Casta e Chatz, 1977).

3 Página 16 Estes inimigos históricos da população humana conseguem sobreviver e proliferar nos mais diversos ambientes, graças a uma adaptabilidade extraordinária. Dotados de instintos apurados, prolíficos, extremamente habilidosos e resistentes, exigem para seu controle, um profundo conhecimento sobre sua biologia e seus mais diversos hábitos. Dessa forma, este estudo propôs realizar um estudo para identificar as espécies de roedores que incidem em três bairros na zona urbana de Campina Grande, bem como, avaliar o nível de infestação por roedores nestes bairros, reconhecer as áreas críticas quanto às condições de proliferação desses roedores e propor medidas de controle dessa problemática para o município. MATERIAL E MÉTODO Os diferentes métodos permitem avaliar com certa aproximação, a quantidade de roedores existentes em determinado ambiente. Cada uma apresenta vantagens e inconvenientes e seu emprego se justifica para se fazer uma estimativa da quantidade de raticida a ser utilizado e para a previsão dos demais recursos necessários. Realizou-se um estudo descritivo/experimental através da análise bibliográfica e pesquisa de campo (Avaliação da presença de sinais de atividade dos roedores e Avaliação pela captura de roedores) no período de março a agosto de 2006 para identificar a dinâmica populacional e as diferenças de hábitos, os aspectos bioecológicos, as espécies e a avaliação do nível de infestação por roedores nos bairros de Bodocongó, Severino Cabral e Ramadinha através da avaliação da presença de sinais de atividade e captura dos roedores. Escolheu-se esses bairros por serem propícios a este tipo de infestação e constituírem a população onde está localizada o Centro de Controle de Zoonoses de Campina Grande-PB. Avaliar a presença de sinais de atividade dos roedores Este método é mais viável para áreas fechadas ou em áreas específicas. Consiste em levantar os principais sinais indicadores em recintos fechados ou ao ar livre como: trilhas, manchas de gordura por atrito corporal, gorduras diversas, fezes, tocas ou ninhos e ratos vistos. Avaliação pela captura de roedores Este método é o mais adequado para grandes áreas externas como parques, praias, cais, leitos de ferrovias, bairros, campus universitários e similares que consistiu em: Distribuir 100 (cem) armadilhas com iscas adequadas e armadas em diversos locais dentro da área a ser avaliada; Colocar as ratoeiras ou armadilhas às 22 horas e retirar na madrugada, às 5 horas. A notar a quantidade e as espécies de roedores capturados; Repetir as operações três noites consecutivas; Somar o total de animais capturados; Para a avaliação, utilizou-se os dados do quadro abaixo conforme metodologia da FUNASA (2004), onde as capturas de davam no período de 22h00 da noite as 05h00 da manhã durante três dias consecutivos: Quadro 01. quantidade de roedores e o respectivo nível de infestação no bairros pesquisados QUANTIDADE DE ROEDORES NÍVEL DE INFESTAÇÃO 01 a 05 Baixo 06 a 15 Médio 16 a 29 Alto > 30 Infestação Maçiça Identificação A identificação das espécies infestantes nas áreas estudadas foi realizada pelo exame das características físicas dos espécimes recolhidos na área; avaliação e o exame das numerosas fezes

4 Página 17 (cíbalas). Ao identificar-se qual o roedor problema, automaticamente obtém-se uma série preciosa de informações sobre sua biologia, hábitos e habilidades. Tais conhecimentos são indispensáveis facilitando sobremaneira o planejamento das ações de combate (Figura 01). Figura 01. Coleta e identificação dos roedores. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como resultado detectou que a dinâmica populacional das espécies varia de acordo com as condições ambientais, presença ou não de inimigos naturais e doenças. Foram identificadas para as áreas as espécies: Rattus norvegicus, Rattus rattus, Mus musculus e Bolomys spp. É um roedor silvestre que devido ao crescimento desordenado dos centros urbanos está se tornando urbanizado como os Mus musculus, Rattus rattus e R. norvegicus, porém ainda não tem tanto importância quanto a transmissão de zoonoses. Características morfológicas são: pêlos curtos, ligeiramente ásperos e de coloração castanho acinzentado no dorso; parte ventral esbranquiçada; pêlos claros formando um círculo castanho em redor dos olhos; cauda curta, pilosa, mais escura na parte dorsal e esbranquiçada na parte ventral. O peso corporal dos adultos varia de 26g a 64g; o comprimento da cabeça e corpo juntos varia de 86mm a 124mm; a cauda mede 65mm a 94mm; o pé posterior 20mm a 24mm e a orelha 12mm a 15mm. Comportamento: suas populações são normalmente formadas por pequeno número de indivíduos com capacidade de multiplicação rápida. A ratazana é a espécie mais comum na faixa litorânea brasileira. Vive fossorialmente em colônias cujo tamanho depende da disponibilidade de abrigo e alimento no território habitado. Com o auxílio de suas patas e dentes, cavam ativamente tocas e/ou ninheiras no chão, formando galerias que causam danos às estruturas locais. Encontram-se facilmente em galerias de esgotos e águas pluviais, caixas subterrâneas de telefone, eletricidade. Embora possam percorrer grandes distâncias esta espécie tem raio de ação (território) relativamente curto até 50m. Na área delimitada por feromônios constroem seus ninhos, onde se alimentam, procuram e defendem seus parceiros sexuais. Apresentam neofobia, sendo este comportamento variado de população para população e de indivíduo para indivíduo, sendo mais acentuado naqueles locais onde há pouco movimento de pessoas e objetos. Nos locais onde haja movimento contínuo de pessoas, objetos e mercadorias, a neofobia é menos acentuada ou inexistente e os novos alimentos (iscas) e objetos (armadilhas) são imediatamente visitados, tornando-se, desta forma, mais fácil o seu controle. O rato de telhado é um comensal predominante na maior parte do interior do Brasil. Além das diferenças morfológicas, apresentam hábitos, comportamentos e hábitat bastante distintos da ratazana. Por ser uma espécie arvícola, cultivam o hábito de viver usualmente nas superfícies altas

5 Página 18 das construções, em forros, telhados e sótãos onde constroem seus ninhos, descendo ao solo em busca de alimento e água. Vivem em colônias de indivíduos com laços parentais, cujo tamanho depende dos recursos existentes no ambiente. Seu raio de ação tende a ser maior que o da ratazana, devido à sua habilidade em escalar superfícies verticais e à facilidade com que anda sobre fios, cabos e galhos de árvores. Sua dispersão em zonas urbanas tem sido facilitada pelas características de verticalização das grandes cidades aliadas aos modelos de construção dos modernos prédios de escritórios: forros falsos e galerias técnicas para passagem de fios permitem o abrigo e a movimentação vertical e horizontal desta espécie. No Rio de Janeiro e São Paulo, a presença do R. Rattus é cada vez mais comum e predominante em bairros onde anteriormente a ratazana dominava. O papel do R. rattus na transmissão de doenças como a leptospirose ainda é pouco conhecido, mas seu hábito intradomiciliar permite um contato mais estreito com o homem. Sendo assim, é necessário que o potencial desta espécie como transmissora de doenças seja melhor estudado para que a necessidade de controle da espécie com enfoque sanitário. O camundongo é a espécie que atinge maior nível de dispersão, sendo encontrado praticamente em todas as regiões geográficas e climáticas do planeta. Tornaram-se comensais do homem ao invadirem os locais onde os cereais colhidos eram estocados. Sua associação com o homem é, portanto, bastante antiga, sendo a habitação humana compartilhada com esses roedores há alguns milhares de anos. São transportados passivamente para o interior das residências, tornando-se importantes pragas intradomiciliares. Uma vez em seu interior, podem permanecer longo período sendo notados quando a infestação já está estabelecida. Seu raio de ação é pequeno, raramente ultrapassando os 3m. Costumam fazer seus ninhos no fundo de gavetas e armários pouco utilizados, no interior de estofados e fogões e em quintais onde são criados animais domésticos. Neste último caso, podem cavar pequenas ninheiras no solo, semelhantes às das ratazanas, podendo formar numerosos complexos de galerias onde houver grande oferta de alimentos. A detecção e avaliação das fezes (cíbalos figura 02 abaixo) serviu de orientação para instalação de pontos de coletas por gaiolas (Figura 03) e/ou espingarda chumbinho. Figura 02. Presença de cíbalos nas áreas pesquisadas. No que diz respeito ao nível de infestação pode-se detectar que nos três bairros o nível é de médio a alto como apresentado no quadro abaixo.

6 Página 19 Quadro 02. Nível de infestação de roedores nos bairros pesquisados BAIRRO QUANTIDADE DE ROEDORES NÍVEL DE INFESTAÇÃO Bodocongó III Médio Ramadinha Alto Severino Cabral Alto Figura 03. Gaiolas utilizadas para apreensão dos roedores NTIFICAÇÃO DOS PONTOS CRÍTICOS E LOCAIS DE PROLIFERAÇÃO Examinado o ambiente e identificado à espécie, teve-se condições de apontar as razões da ocorrência da infestação: de onde vem, para onde está indo, por onde passa e circula, o que busca e de que se alimenta, onde estão suas ninheiras. Como pontos de reprodução verificou-se: 1. As sobras de comidas e a obstrução das águas nos córregos, canais e galerias são fatores preponderantes para a instalação, reprodução e ações dos roedores, conforme as figuras de 4 a 11 abaixo. Figura 04 Obstruções da passagem das águas e acúmulos de resíduos sólidos Figura 05 Acúmulo de comidas O mau acondicionamento dos resíduos domésticos também contribui para isso.

7 Página 20 Figura 06 - Disposição de lixo fora da lixeira, facilitando o alcance pelo roedor Deveria ser acondicionado em latões tampados para que não sejam acessados por roedores. Se forem, no entanto, acondicionados em sacos plásticos, estes não devem ser deixados nas calçadas, ao nível do piso à espera do caminhão coletor; devem ser dispostos sobre anteparos apropriados que os mantenham longe do solo ou sobre o muro da residência, se este for de uma altura que permita ser recolhido manualmente pelo gari. Os vazadouros do lixo coletado pelo serviço público, devem ser operados como aterro sanitário e não como depósito a céu aberto, conhecidos como mini lixões ou lixões dos bairros. Figura 07 Lixão a céu aberto atraindo a presença de roedores e outros animais Figura 08 Danos em esgoto domiciliar Figura 09 Entulhos no quintal de domicílio Figura 10 - Entulhos na borda do canal

8 Página 21 Figura 11 Entulhos em canais roedores e humanos disputam comida A canalização de córregos a céu aberto é por si só uma medida que dificulta extraordinariamente a instalação de ratazanas nas barrancas de suas margens. Um outro conjunto de medidas, agora de caráter preventivo, poderá evitar a penetração ou a presença de roedores na área. Pode-se citar entre elas, a título de exemplo: A construção de edificações à prova de roedores, ou seja, construir de forma tal que a penetração ativa dos roedores naquelas instalações torne-se praticamente impossível. Aplicação de defesas nas estruturas de sustentação (pilotis, vigamento do telhado, etc.) e nas fiações aéreas que chegam à edificação. Essas defesas são discos TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DE CONTROLE Armadilhas A mais difundida em todo o mundo é a popular ratoeira quebra-costas cujas origens remontam a épocas medievais. Outro tipo de armadilha que tem sido utilizada modernamente é a armadilha colante. Para fins de diferentes estudos sobre os roedores, são empregadas armadilhas incruentas, geralmente do tipo gaiola, capazes de capturá-los sem lhes causar maiores danos físicos. - O controle biológico Na prática, apenas os gatos rueiros ainda conservam seus instintos plenos e os exercitam constantemente. Todavia, utilizá-los de forma maciça como método de controle da população murina, é medida arriscada em virtude do próprio potencial de transmissão zoonótica que os felinos domésticos possuem, ou seja, eles são capazes de transmitir doenças à espécie humana como a raiva e a toxoplasmose. - O controle químico (raticidas) O controle químico é praticado através de substâncias naturais ou sintéticas, capazes de provocar a morte dos roedores que as ingerirem. São chamadas genericamente de raticidas em nosso país, ainda que o termo correto devesse ser rodenticidas. Os raticidas podem ser divididos, quanto à rapidez de sua ação, em agudos (provocam a morte dentro das primeiras 24 horas após sua ingestão) e crônicos (a morte ocorre após as primeiras 24 horas de sua ingestão). - Controle permanente

9 Página 22 Esta é a estratégia mais eficiente, que assegura uma sistemática redução de custos, possibilita maior engajamento da população em um processo de educação continuada e, conseqüentemente, melhor proteção à saúde. O controle permanente incorpora o atendimento de denúncias e reclamações e a estratégia de controle de áreas de risco como elementos básicos de seu planejamento. - Controle de Roedores O controle mecânico de roedores urbanos visa proteger a saúde da população além de prevenir acidentes e perdas econômicas. Consiste na aplicação de medidas de desratização e antiratização dentro de uma área predeterminada, com a finalidade de reduzir o nível de infestação até obter um grão de risco mínimo aceitável para aquela área. - Controle mecânico Os meios físicos de controle de roedores podem se dividir em dois grupos: 1. Sistemas de proteção física contra invasão por roedores ou processos passivos. 2. Sistemas de capturas ou de destruição mecânica de roedores ou processos ativos. Todos os recursos a serem aplicados para evitar a penetração das três espécies de roedores urbanos nesses ambientes, levam em consideração os conhecimentos sobre a biologia, o comportamento e principalmente as características e habilidades físicas desses animais. Basicamente, os processos físicos passivos consistem em: - Eliminar aberturas ou frestas maiores que 0,5cm, interligando o meio externo ao ambiente interno das edificações. - Controlar os locais de passagem, como portas, janelas, evitando sua permanência em aberto, principalmente nos períodos noturnos. Os vasos sanitários deverão ser equipados de válvulas ou mecanismos, impedindo o refluxo dos efluentes e ao mesmo tempo, a penetração de ratos. - Os dutos de ventilação ou aberturas permanentes deverão possuir grades de ferro resistentes a roeduras. - A parte inferior das portas que dão acesso ao meio externo, deve ser bem nivelada e feita de material resistente às roeduras, e se necessário, receber uma verdadeira blindagem com chapas de ferro. - Aplicação de dispositivos simples como discos, cones ou placas lisas de metal em pilares, tubulações, cabos, encanamentos ou mesmo em árvores (coqueiros), visando impedir a subida dos roedores pelos mesmos. Controle Químico dos Roedores Indiscutivelmente é o método mais eficaz para a eliminação dos roedores em larga escala. Consiste no uso de substâncias químicas tóxicas destinadas a matar os roedores, entretanto, como não existe veneno específico contra os mesmos, é necessário ter cuidado na sua aplicação para não intoxicar animais não alvo e o próprio ser humano. Medidas para o Controle de Roedores Urbanos A Curto Prazo: implantação de um programa Mínimo de controle de roedores, com ações básicas de vigilância, inspeção, desratização e antiratização, atendendo principalmente às solicitações da população. A Médio Prazo: Ampliação dos Programa Municipal de Controle dos Roedores (PMCR) com ações programadas em áreas de risco, previamente identificadas e classificadas por rodem de prioridade.

10 Página 23 A Longo Prazo: Elaboração e execução de um Programa Integrado de controle de Roedores, abrangendo, se possível, a totalidade da área urbana do Município sede e municípios circunvizinhos, envolvendo todos os setores atuantes em Saneamento do Meio, Educação e Saúde. - Medidas preventivas A principal tarefa das equipes do programa de controle de roedores é orientar, trabalhar em conjunto, utilizando os recursos legais para que as medidas preventivas venham a constituir-se em uma atitude da população, que evite sistematicamente condições favoráveis aos roedores e, principalmente, funcione como exemplo multiplicador. - Medidas de controle ambiental Melhorias do ambiente a fim de se corrigirem irregularidades que predisponham a instalação e proliferação de roedores; Acondicionamento e disposição adequada do lixo doméstico; Remoção e destino correto de entulhos de construção domiciliar como material de demolição, telhas, tijolos, madeiras, caixas de papelão, etc; Não permitir sobras alimentares dos animais domésticos principalmente ao anoitecer, por ser hábito dos roedores se alimentarem destas sobras; Cuidados com caixas de água, cisternas, vazamentos e águas paradas. - Medidas Legais: - Disciplinar o acondicionamento, recolhimento e destino dos diversos tipos de lixo existentes no Município, em particular, os de origem alimentar. - Regulamentar o destino de entulhos, sucatas e a limpeza de terrenos baldios. - Normatizar o armazenamento e a distribuição dos alimentos no comércio e demais fatores que favorecem a atração e proliferação de roedores. - Estabelecer multas e penalidades nos casos de infração às leis e normas acima. - Adequar código Municipal de Edificações à prevenção contra roedores. - Medidas Educativas - Divulgar e esclarecer as medidas legais implantadas, junto à população. - Conscientizar a comunidade sobre os perigos e riscos à saúde que os roedores representam e da necessidade do controle da população murina. - Obter a participação da população na adoção das medidas de antiratização e na cooperação com os órgãos públicos, no controle dos roedores. - Medidas Corretivas - Fiscalizar e fazer cumprir as medidas legais. - Aplicar multas e demais penalidades em caso de infração. - Medidas de Antiratização: - Aplicação de obstáculos visando impedir o acesso dos roedores a determinadas áreas ou edificações. Modificação do meio ambiente no sentido de eliminar as condições favoráveis à atração e proliferação de roedores. - Medidas de Desratização - Conjunto de ações visando eliminar os roedores em áreas ou locais previamente identificados.

11 Página 24 Em qualquer sistema de manejo integrado suas ações devem ser estudadas e conduzidas de forma tal que os custos sejam os menores possíveis e os riscos envolvidos sejam minimizados para a biodiversidade, especialmente o homem, e para os demais componentes do meio. - Aplicar multas e demais penalidades em caso de infração. - Medidas de Antiratização: - Aplicação de obstáculos visando impedir o acesso dos roedores a determinadas áreas ou edificações. Modificação do meio ambiente no sentido de eliminar as condições favoráveis à atração e proliferação de roedores. - Medidas de Desratização - Conjunto de ações visando eliminar os roedores em áreas ou locais previamente identificados. CONCLUSÃO Constatou-se que o Centro de Controle de Zoonoses e Vigilância Ambiental do município realiza apenas o controle químico quando acionado pela população e que não há registro ou acompanhamento do controle desses animais. Foram encontradas quatro espécies de roedores, são elas: Rattus norvegicus, Rattus rattus, Mus musculus e Bolomys spp. A dinâmica populacional das espécies varia de acordo com as condições ambientais, presença ou não de inimigos naturais e doenças. Os três bairros pesquisados n cidade de campina grande, de acordo com os resultados obtidos caracterizam-se com um alto nível de infestação de roedores, como em outros grandes centros urbanos, o que caracteriza a necessidade urgente e imediata de um programa de controle permanente de roedores. AGRADECIMENTOS A Polícia Militar da Paraíba em Campina Grande que nos deu o suporte e nos acompanhou das atividades noturnas de pesquisa e captura de roedores. REFERÊNCIAS Almeida A.M.P. (1989). Estudos bacteriológicos e sorológicos de um surto de peste no estado da Paraíba, Brasil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. abr/jun; 84(2): Bucke A.P., Smith R.H. (1994). Rodent pests and their control. Oxon: CAB International. Carvalho Neto C. (1974). Considerações a respeito do combate aos roedores de importância em saúde pública. O Biológico. 1974; 40: Carvalho Neto C. (1995). Manual prático da biologia e controle de roedores. São Paulo: Ciba- Geigy. Carvalho R.W. (1999). Aspectos ecológicos das faunas de pequenos roedores sinantrópicos e de seus sifonápteros (relação parasito hospedeiro) do foco de peste bubônica da Serra dos Órgãos, municípios de Nova Friburgo, Sumidouro e Teresópolis [tese]. Rio da Janeiro (RJ): FIOCRUZ.

12 Página 25 Carvalho R.W., Soares V.B., Serra-Freire N.M., Bittencourt E.B., Barbosa Silva, S.C. (1998). Sifonápteros da Região Sul (Costa Verde) do Estado do Rio de Janeiro. In: XVII Congresso Brasileiro de Entomologia ; 1973 ago; Rio de Janeiro. Cenepi. (2005). Ms/Brasìlia: Controle de roedores urbanos. Davis H., Casta A., Chatz G. (1997). Urban rat surveys. Atlanta: CDC. Fundação Nacional de Saúde. (1995). Manual de leptospirose. Brasília: FNS. Fundação Nacional de Saúde. (1993). Normas operacionais de Centro de Controle de Zoonoses: procedimentos para o controle de roedores. Brasília: FNS. Fundação Nacional de Saúde. (2004). Manual de controle de roedores. Brasília: FNS. Garcia N.O. (1998). Roedores em áreas urbanas. O Biológico; 60(2) Separata. Howard W.E, Marsh R.E. (1974). Rodent control manual. Pest Control. Jackson W.B. (1981). Of men and rats. Ohio: Bowling Green State University. University Lecture Series. Leal-Mesquita E.R.R.B.P. (1991). Estudos citogenéticos em dez espécies de roedores brasileiros da família Echimidae [tese]. São Paulo (SP): USP. Marinho-Filho, Rodrigues, N. E Guimarães, A. (1998). História Natural e Ecologia de um fragmento de cerrado do Brasil Central. Brasília. p Meeham A.P. (1984). Rats and mice: their biology and control. W. Sussex: The Rentkoil Library. Mello D.A. (1994). Roedores da Região Neotrópica e patógenos de importância para o homem [tese]. São Carlos (SP): Universidade Federal de São Carlos. Musser G.G., Carlton M.D., Brothers E.M., Gardner A.L. (1998). Systematic studies of oryzomyne rodesnts (Muridae, Sigmodontontinae): diagnoses and distribution of species formally assigned to Oryzomys capito. Bulletin of American Museum of Natural History. 236: Olmos F. (2004). Observations on the behavior and population dynamics of some Brazilian Atlantic forest Rodents. Mammalia. 58(2): Pereira L.A., Chagas W.A., Costa J.E. (1993). Ecologia de pequenos mamíferos silvestres da Mata Atlântica, Brasil. I-Ciclos reprodutivos de Akodon cursor, Nectomys squamipes e Oryzomys nigripes (RODENTIA, Cricetinae). Revista Brasileira de Zoologia. 10(3): Riedel G. (1987). Controle sanitário dos alimentos. São Paulo: Edições Loyola Woods C.A. (1993). Suborder hystricognathi. In: Wilson D.E., Reeder D.M. (eds). Mammmals species of the world: A taxonomic ang geographic reference. 2nd ed. Wahington D.C.: Smithsonian Institution Press. p

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