CONFERÊNCIA EUROPEIA

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3 CONFERÊNCIA EUROPEIA CONSTRUIR A COESÃO SOCIAL (Comunicações) BUILDING UP SOCIAL COHESION (Proceedings) Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2 27 de Abril de 2009 Conferência organizada pelo Conselho Económico e Social Conselho da Europa Em colaboração com Comité Económico e Social Europeu Comissão Europeia Fundação Calouste Gulbenkian Lisboa, 2009

4 Editor: Conselho Económico e Social Rua João Bastos n.º Lisboa Telefone: Fax: Internet: Revisor: Centro de Documentação e Informação do CES Impressão e Acabamento: António Coelho Dias, S.A. Tiragem: 300 exemplares Depósito Legal n.º /09 ISBN:

5 NOTA DE APRESENTAÇÃO FORWARD

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7 CONFERÊNCIA EUROPEIA CONSTRUIR A COESÃO SOCIAL VII NOTA DE APRESENTAÇÃO O presente volume reúne as comunicações apresentadas na Conferência Europeia sobre Construir a Coesão Social que teve lugar em Lisboa, a 27 de Abril de 2009, na Fundação Calouste Gulbenkian. A conferência foi uma iniciativa do Conselho Económico e Social, em parceria com o Conselho da Europa (Estrasburgo), e contou com a colaboração do Comité Económico e Social Europeu (Bruxelas), da Comissão Europeia (Bruxelas) e da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). O principal objectivo do encontro foi o de debater alguns aspectos relevantes da coesão social, com base no relatório produzido no âmbito do Conselho da Europa, pelo Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre a Coesão Social no século XXI. A noção de coesão social não é totalmente nova. A expressão vem sendo utilizada pelo discurso político nos últimos tempos. Porém, mais de forma avulsa e pontual, do que de modo a traduzir uma reflexão sistemática sobre o tema. A Europa tem revelado sensibilidade para alguns dos principais factores de fragmentação da sociedade, quer latentes, quer manifestos, para os quais se tem proposto soluções. Esta abordagem sectorial é importante, mas não dispensa uma reflexão aprofundada sobre a coesão na sua globalidade e em aspectos estruturais que, pela sua natureza transversal, não chegam a ser habitualmente considerados. Foi o reforço desta última perspectiva que constituiu o objectivo desta Conferência. Como se sabe, o Conselho da Europa é, sem dúvida, a organização internacional que mais sistematicamente se vem dedicando ao tema da coesão. Importa salientar que, no entendimento dos textos do Conselho da Europa, o termo social não se limita ao que correntemente se designa por políticas sociais. O que está em causa é a coesão da sociedade em todas as suas dimensões, designadamente nas que encerram riscos potenciais ou reais de fragmentação social. Ao publicar as comunicações da Conferência, o Conselho Económico e Social pretende contribuir para que o tema da sociedade coesa venha a merecer um lugar de destaque na agenda política do país e, desejavelmente, da Europa. Alfredo Bruto da Costa Presidente Conselho Económico e Social

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9 EUROPEAN CONFERENCE BUILDING UP SOCIAL COHESON IX FOREWARD The present volume compiles the proceedings of the European Conference on Building Up Social Cohesion, that took place in Lisbon, on the 27th April 2009, at the Calouste Gulbenkian Foundation. The Conference was the initiative of the Portuguese Economic and Social Council, in partnership with the Council of Europe (Strasbourg), and the collaboration of the European Economic and Social Committee (Brussels), the European Commission (Brussels) and the Calouste Gulbenkian Foundation (Lisbon). The main aim of the Conference was to debate several relevant aspects of social cohesion, taking as the background paper the Report produced by a High Level Task Force of the Council of Europe on Social Cohesion in the 21st century, Towards an Active, fair and Socially Cohesive Europe. The notion of social cohesion is not totally new. The term has been used by the current political discourse. However, most frequently in a dispersed way that does not reflect a systematic and comprehensive thought on the subject. Europe has shown some sensitivity towards the main factors of social fragmentation, both latent as well as manifest, and has sought solutions to the corresponding problems. This sectoral approach is no doubt important, but it does not substitute a deep reflection on cohesion in its overall aspects, which are structural in nature and cut across the various individual social problems. The Conference aimed at emphasising the relevance of the latter approach. The Council of Europe is, undoubtedly, the international organization that has more systematically given attention to social cohesion. It should be stressed that, in the understanding of the Council of Europe, the term social when applied to social cohesion is not limited to what is currently understood as social policies. What is at stake is the cohesion of the society as a whole, in all its dimensions, namely those that contain potential or real risks of social fragmentation and unrest. With this edition, the Portuguese Economic and Social Council aims at contributing towards giving the theme of a cohesive society the place that it deserves in the national and European political agenda. Alfredo Bruto da Costa President Portuguese Economic and Social Council

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11 ÍNDICE CONTENTS

12 XII CONFERÊNCIA EUROPEIA CONSTRUIR A COESÃO SOCIAL ÍNDICE/CONTENTS Nota de Apresentação/ Foreword Alfredo Bruto da Costa...VII Sessão de Abertura/Opening Session Emílio Rui Vilar...:...3 Alfredo Bruto da Costa...5 Alexander Vladychenko...9 Jérôme Vignon...13 Mario Sepi...15 Jorge Sampaio...17 Comunicação/Keynote Speach Social cohesion in the 21st century...25 Jørgen Søndergaard Painel 1 Factores de Coesão Social/Panel 1 Factors of Social Cohesion Eduardo Marçal Grilo...33 L Apport des Droits de l Homme à la Cohésion Sociale...35 Françoise Tulkens Participação e diálogo civil e político...43 João Salgueiro Diálogo social hoje...53 João Proença

13 ÍNDICE/CONTENTS XIII Sessão de Abertura da Tarde/Afternoon Opening Session Reforçar a coesão social durante e depois da crise...77 Mário Soares Painel 2 Principais Desafios da Coesão Social/Panel 2 Main Challenges to Social Cohesion Principais desafios da coesão social...83 Francisco van Zeller Organização do trabalho, família e sociedade...85 Manuel Carvalho da Silva Migrações e coesão social...91 Roberto Carneiro Coesão territorial (Nacional e Europeia) Maria João Silveira Botelho Sessão de Conclusões/Conclusions Session Guilherme d Oliveira Martins Apresentação das conclusões Isabel Guerra Sessão de Encerramento/Closing Session José António Vieira da Silva Anexo/Annex Programa da conferência/ Conference programme Curricula vitae...137

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15 SESSÃO DE ABERTURA OPENING SESSION

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17 SESSÃO DE ABERTURA 3 COMUNICAÇÃO Emílio Rui Vilar Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian 1. Em nome do Conselho de Administração e no meu próprio gostaria de vos dar as boas- -vindas à Fundação Calouste Gulbenkian. Ao acolher iniciativas como esta Conferência sobre Coesão Social, organizada pelo Conselho Económico e Social, a Fundação está também a cumprir uma das suas missões que consiste em assumir-se como um centro de reflexão esclarecida sobre as grandes questões que afectam a nossa sociedade. A parceria que o Conselho Económico e Social estabeleceu com o Conselho da Europa, bem como a colaboração com o Comité Económico e Social Europeu e com a Comissão Europeia, colocam neste mesmo auditório os principais actores regionais europeus com responsabilidades e competências ao nível da coesão social europeia, o que constitui uma garantia da relevância desta iniciativa. Gostaria, por isso, de felicitar pessoalmente o Professor Alfredo Bruto da Costa pelo cuidado com que desenhou o alinhamento desta conferência, que espero venha a beneficiar da ressonância que merece junto das autoridades, agentes sociais e da opinião pública. 2. Um dos elementos centrais da Estratégia Revista para a Coesão Social do Conselho da Europa consiste na ideia da responsabilidade partilhada entre o sector público e o sector privado, assimilando-se desta forma a profunda mutação do papel do Estado nas sociedades actuais. De acordo com este documento, esta alteração apela ao diálogo e ao envolvimento de novos parceiros sociais na construção da coesão social na Europa, segundo o seu conceito transversal que incorpora diferentes dimensões, não apenas sociais, mas igualmente económicas, políticas e culturais. O mais recente Programa de Acção constante do relatório do Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre a Coesão Social no século XXI, que irá ser objecto de debate ao longo do dia de hoje, mantendo que a coesão social constitui uma das tarefas primordiais dos Estados Nação, reforça igualmente o imperativo de aumentar o sentido de responsabilidade social entre todos os actores envolvidos, incluindo necessariamente a sociedade civil e as suas organizações, numa perspectiva simultaneamente local e global. 3. No universo que me é mais próximo, o das fundações, posso afirmar que esta noção de responsabilidades partilhadas, não só é activamente incorporada na nossa intervenção como constituiu uma das premissas da nossa actividade, para o que contribuem as nossas características genéticas e institucionais. Por um lado, tratando-se de organizações que emergem da própria sociedade civil para a prossecução de finalidades de interesse social, as fundações constituem em si mesmas um exercício

18 4 EMÍLIO RUI VILAR de cidadania responsável, um factor indispensável para a construção de sociedades mais coesas. Por outro lado, esta matriz constitutiva acompanha as nossas actividades em todos os momentos, moldando as nossas características institucionais que tornam as fundações particularmente aptas para a intermediação entre diferentes actores que a coesão social reclama. Muito brevemente, permito-me, por isso, referir os atributos institucionais das fundações que lhes dão vantagem comparativa e, em contrapartida, acrescida responsabilidade a este nível: a independência dos diferentes ciclos económicos, mediáticos ou políticos; a capacidade de assunção de riscos e de mobilização de recursos de origens diversas; uma actuação orientada para o impacto e o longo prazo; e, finalmente, a proximidade das pessoas e dos problemas. As actuais circunstâncias, com agravamento da situação económica e com graves reflexos sociais, conduzem a que a actuação das fundações seja ainda mais necessária. Daí iniciativas como a que lançámos recentemente, País Solidário, procurando conjugar contributos vários da sociedade civil para responder a necessidades e carências de famílias que não beneficiam dos esquemas de protecção social públicos ou em que estes se revelam insuficientes. 4. Gostaria de concluir reafirmando que o movimento fundacional europeu está preparado para desempenhar as funções que entende como suas ao nível da contribuição para a coesão social na Europa. Temos a experiência, os recursos, as pessoas, a motivação e o método. Confiamos que os restantes actores sociais saibam igualmente honrar o compromisso que todos temos com as gerações futuras de tornar a Europa uma região mais justa, inclusiva, participativa e coesa. Formulo votos de um bom debate.

19 SESSÃO DE ABERTURA 5 COMUNICAÇÃO Alfredo Bruto da Costa Presidente do Conselho Económico e Social Senhor Dr. Jorge Sampaio Senhor Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian Senhor Director-Geral da Coesão Social, do Conselho da Europa Senhor Director da Protecção Social e Inclusão Social, da Comissão Europeia Senhoras e Senhores Conselheiros do Conselho Económico e Social Senhoras e Senhores É com o maior prazer que damos início a esta Conferência europeia sobre Construir a Coesão Social que o Conselho Económico e Social entendeu promover. Tenho dois tipos de razões para que assim seja. A primeira está na relevância do tema em si: os países europeus e a Europa como um todo apresentam sinais claros de serem sociedades fragmentadas, estruturalmente fragmentadas. São sinais com os quais essas sociedades têm convivido, porque são normalmente silenciosos, relativamente pacíficos, com ressurgimentos esporádicos, que embora por vezes graves, não chegam a criar um clima permanente de instabilidade e insegurança. Neste sentido, para a generalidade das pessoas e autoridades, as sociedades são tidas por coesas, e a própria construção europeia é porventura lida como um processo coeso. Todavia, estamos bem dentro do século XXI, quase no fim da sua primeira década, e é forçoso que olhemos para o mundo e a Europa em que vivemos com um olhar mais atento. Veremos, então, sobretudo depois de a crise mundial se ter tornado manifesta para se tornar preocupante, que a coesão social não poderá continuar a ser uma referência ocasional do discurso político. Terá, antes, de merecer um lugar de relevo e permanente na agenda política dos países, da Europa, e do mundo. Creio que a pouca importância que se tem dado à coesão social resulta em parte de a olharmos a partir das clivagens sociais. É uma perspectiva necessária. Porém, ao concentrarmo-nos nos problemas sociais que denunciam a falta de coesão, a referência fica centrada nesses problemas e não na coesão. Adoptar-se-ão políticas específicas para atenuar aqueles problemas, talvez no pressuposto de que a coesão será a resultante automática das políticas sectoriais, como se algum fio invisível (já que a mão invisível está desacreditada) as justapusesse numa manta de retalhos a que se daria o nome de coesão.

20 6 ALFREDO BRUTO DA COSTA É outra a perspectiva desta Conferência. Queremos olhar a coesão como objectivo em si, entendido na sua natureza e nas exigências que traz nas suas diversas dimensões. Queremos olhá-la sobretudo nas componentes em que não é habitual ser abordada: componentes transversais, que, precisamente por serem transversais, correm o risco de passarem despercebidas ou de serem subestimadas. Analisaremos, antes do mais, o papel dos direitos humanos. Até mesmo os direitos civis e políticos, que são aqueles a que as culturas europeias estão mais sensibilizadas, têm de ser aprofundados, designadamente no sentido de reconhecer que cada tipo de direito só é real (a liberdade, por exemplo) quando estão asseguradas as condições económicas e sociais necessárias ao seu exercício condições que têm relação estreita com os direitos económicos, sociais e culturais, área em que, como sabemos, o atraso é manifesto, e o progresso necessário, quer no âmbito do Conselho da Europa, quer no da União Europeia. Trata-se, no fundo de um problema de cidadania. A participação e o diálogo constituem outro eixo fundamental na construção da coesão, quer na sua expressão cívica ou civil, quer nos domínios social e político. A organização do trabalho, em si própria e na sua relação com a família e a sociedade é outra das grandes áreas de reflexão e mudança. Uma área que tem estado totalmente subjugada às exigências da actividade económica, como se o ser humano fosse fundamentalmente, se não exclusivamente, homo economicus e homo faber, no sentido mais estreito destes termos. Também se relaciona com este tema o vasto problema das migrações. Problema que reclama cada vez mais o reconhecimento de algum tipo de cidadania mundial, conceito que vimos construindo demasiado lentamente, com prejuízo, por vezes grave, para todas as partes. Por último, uma referência à coesão territorial. Também esta é uma perspectiva transversal, com a particularidade de que a fragmentação reveste aqui duas expressões distintas: exclusão das pessoas e das famílias, por um lado, mas também exclusão do próprio território. São zonas excluídas do progresso, zonas urbanas ou suburbanas, regiões inteiras ou países dentro de um contexto mais vasto, europeu ou mundial. Como disse, a coesão que aqui nos ocupa tem carácter estrutural. Não se trata, portanto, do que é específico em resultado da crise mundial, embora certamente a crise tenha agudizado a situação nalguns aspectos. Daí que interesse reflectir sobre o problema quer durante quer depois da crise. A segunda razão pela qual expresso satisfação está em termos conseguido dar a esta Conferência um carácter europeu. O Conselho da Europa é um dos organismos internacionais que mais reflexão tem sobre a coesão social, nesta perspectiva abrangente, e o relatório produzido pelo High Level Task Force reflecte bem essa preocupação. Agradeço a pronta abertura do Conselho da Europa, através da Direcção Geral da Coesão Social e da Direcção-Geral dos Direitos Humanos, para ser nosso parceiro na realização desta Conferência. Ao Director-Geral da Coesão Social, Alexander Vladychenko, agradeço também o empenho que pôs em estar aqui presente pessoalmente.

21 SESSÃO DE ABERTURA 7 Agradeço também a presença da Juíza Françoise Tulkens, do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, do Conselho da Europa, bem como a do Vice-Presidente do HLTF atrás referido, Jørgen Søndergaard, que irá fazer a primeira comunicação da Conferência. A outra organização que quis associar-se na realização desta Conferência foi o Comité Económico e Social Europeu, através do seu presidente Mario Sepi, que infelizmente teve de cancelar a sua vinda mas enviou uma vídeo-mensagem que iremos apresentar. Agradeço ao nosso Conselheiro Carlos Pereira Martins o trabalho que teve em servir de elemento de ligação entre o CES e o CESE na fase inicial deste processo. Também temos entre nós um representante da Comissão Europeia, Jérôme Vignon, Director da Protecção Social e Inclusão Social, da Direcção-Geral do Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades. Uma palavra de agradecimento e muita estima à Fundação Calouste Gulbenkian, na pessoa do seu presidente Emílio Rui Vilar, pela cedência das suas diversas instalações e sua presença nesta sessão. Agradeço muito sinceramente a todos quantos aceitaram o nosso convite para colaborarem neste evento, quer na mesa quer na plateia, quer nos bastidores. Entre estes, uma palavra especial de agradecimento aos colaboradores e colaboradoras permanentes do CES, de modo particular à Renata Mesquita, que coordenou os trabalhos de organização da Conferência. Senhoras e senhores Como é sabido, o bom êxito de iniciativas como esta depende de todos. Na qualidade de presidente do Conselho Económico e Social coloco elevadas e justificadas expectativas no bom êxito desta Conferência.

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23 SESSÃO DE ABERTURA 9 STATEMENT BY Alexander Vladychenko Director-General of Social Cohesion, Council of Europe President Sampaio President Bruto da Costa Ladies and gentlemen The background document distributed for our conference says that the notion of social cohesion is not new. I do agree with this. Anyhow, the well established definition of social cohesion is still missing. Even the Council of Europe managed to reach an agreement on this definition only in So, what does it mean for us? As understood by the Council of Europe, social cohesion is the capacity of a society to ensure the welfare of all its members, minimising disparities and avoiding polarisation. A cohesive society is a mutually supportive community of free individuals pursuing these common goals by democratic means. Social cohesion is not a legal instrument, which can be defended in courts. It is the political concept that highlights the strong and systematic relationship between the core values of the Council of Europe: human rights, democracy and the rule of law. Social cohesion is thus an essential condition for democratic security and sustainable development, since divided and unequal societies are not only unjust, but also cannot guarantee stability in the long term. Social rights, social security, public health and other social issues are central to the Council of Europe s work and were therefore included in the Organisation s activities almost from the very beginning. We continue to help set this agenda for the European continent! It was with the drafting of the Social Cohesion Strategy in 2000, that the Council of Europe began to concentrate on social cohesion as such. The Strategy is now regularly up-dated in the light of societal developments and changing priorities. At their Warsaw Summit in 2005, the Council of Europe Heads of State and Government decided to establish a High Level Task Force (HLTF) with the task of providing the Organisation with a vision of social cohesion in the 21 st century. The HLTF prepared a report titled Towards an active, fair and socially cohesive Europe. The report was delivered in December 2007 and will be presented today in detail to you by the Vice Chair of the HLTF, Mr. Jørgen Søndergaard.

24 10 ALEXANDER VLADYCHENKO Ladies and gentlemen, The Council of Europe puts a unique and mutually reinforcing set of structures, bodies, instruments and activities at the member States disposal, which aim at transforming social cohesion from a concept to a reality. Governments are requested to make a major commitment to invest into social rights. The European Social Charter is a Council of Europe legal instrument, which has not only set out social and economic rights and freedoms, but through a system of country reports makes sure governments continue to respect their commitment. The Social Charter is complemented by other legal instruments, such as the European Code for Social Security, which define minimum standards for social protection, an issue which seemed to have been achieved in Europe. Sadly, these instruments gain new relevance in the context of the global economic crisis and its social consequences, as the question of social protection becomes more important again in Europe. However, social cohesion is not the exclusive domain of public authorities. It is crucial to share responsibilities. Authorities on national, regional and local level need to incorporate social cohesion and sustainability concerns into economic decision-making processes. At the same time they should encourage and empower citizens to act responsibly, not only with regard to their civic rights and duties, but also in their employment, consumption and other life style choices. In developing social responsibilities there is room, too, for the social partners and NGOs for enterprises and the media. Indeed, everyone is concerned because social cohesion is for all of us. Individuals as well as institutions have to be aware of the social changes that affect and transform human, family, labour and local community relations in Europe. In order to promote a meaningful dialogue between public authorities and other partners, the HLTF recommends that a forthcoming meeting of the Council of Europe s Forum for the Future of Democracy should be devoted to a major topic related to social cohesion, such as the interdependence of democracy and social rights, which addresses precisely the issue of interaction between democratic institutions and individuals in the context of shared and social responsibilities. Democracy is a process which only functions if all partners play the game. If citizens feel, rightly or wrongly, that they are increasingly excluded and alienated from democratic decision-making, than this is a development which is contrary to social cohesion and also contrary to the functioning of democracy itself. We have to address it. Ladies and gentlemen, In a democratic society the concept of representation is of a vital importance. For the Council of Europe, those who are at risk of poverty and exclusion have to be enabled to represent themselves first and foremost. The list of those who are at risk is long. I will mention just one group of people which is very much in focus of the Council of Europe. These are people with disabilities. Independently of

25 SESSÃO DE ABERTURA 11 whatever other group they belong to, their human rights and dignity need to be respected and public authorities need to take measures to guarantee equal opportunities, non-discrimination and full citizenship. The Council of Europe Disability Action Plan gives a clear guidance to the 47 member States of our Organisation to how make life of people with disabilities better in practical terms. I am very happy that Portugal is one of those member States of the Council of Europe who is very much in line with our Disability Action Plan. To build a secure future for all is perhaps the biggest challenge, which may sound like a provocation to some. Markets crumble, what looked safe can no longer be guaranteed and people in Europe realise that what they have come to believe since the end of the Second World War, namely that each generation would be a little bit better off than the previous one, is not necessarily true any more. And governments do act they invest billions in order to stabilise the economy and to avoid unimaginable consequences for the majority of the population. This is incredibly important. But making the economy work is not enough. Even providing a good legal framework is not enough. Governments also have to make society work. People need to believe in their future again. Parameters change, and people s preferences and possibilities, indeed their values, change. It will therefore be necessary to radically re-think concepts for interaction between governmental institutions and a variety of civil society and private sector partners, and to develop policy models which favour social mobility and people s active involvement in their own life plans. Social cohesion is a transversal concept, which requires and creates synergies and complemen tarities. The wide range of policies and activities developed and implemented by the Council of Europe proves this point. There is no part of our Organisation which does not have a role to play work on legal solutions to debt-problems, on education for the children of migrants or on developing indicators for social well being, and many more. The recent Conference of Ministers responsible for Social Cohesion (26-27 February, Moscow) asked for a Council of Europe Action Plan on Social Cohesion to be elaborated. This plan should transform the recommendations of the High Level Task Force into specific steps to be implemented by member States according to their needs and priorities. The Action Plan will partly be based on the work carried out previously, in particularly the Social Cohesion Strategy and the High Level Task Force report and relevant legal instruments, and it will take into account the global economic crisis and its social consequences. The Action Plan should be ready at the latest by May 2010 that is in a year. And the Council of Europe would be happy to hold another similar conference in Portugal to present it to the Portuguese as well as to the large European public. Thank you very much.

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27 SESSÃO DE ABERTURA 13 COMMUNICATION Jérôme Vignon Directeur pour la Protection sociale et l inclusion sociale à la Commission Européenne Monsieur le Président Jorge Sampaio Monsieur le Président de la Fondation Gulbenkian, Emílio Rui Vilar Monsieur le Président du Conseil économique et social du Portugal, Alfredo Bruto da Costa Monsieur le Directeur-Général pour la Cohésion sociale, au Conseil de l Europe, Alexander Vladychenko Chers amis Au nom du Président Barroso et du Commissaire Špidla, je voudrais partager avec vous le sentiment que nous vivons une grande et belle circonstance, en étant réunis ce matin autour du remarquable rapport que le Conseil de l Europe a consacré à la Cohésion sociale. Le moins remarquable n est pas que ce rapport ait été approuvé par les 47 Etats membres du Conseil de l Europe, comme l a souligné Monsieur l Ambassadeur Vladychenko. L Union européenne ne peut que saluer cette manifestation d unité. Elle signale une richesse culturelle commune, une identité sociale commune, large et riche dans le monde global d aujourd hui. Oui, il s agit bien de construire ensemble, comme l a dit le Professeur Alfredo Bruto da Costa, la Cohésion sociale, selon les principes et la définition évolutive qu en a donné la task-force animé par Mary Daly: La Cohésion sociale est la capacité d une société à assurer le bien-être de tous ses membres, en réduisant les disparités et en évitant la marginalisation. Il s agit en outre de mettre l accent sur la capacité de la société à gérer les différences et les diversités et à se donner les moyens d assurer la protection sociale de l ensemble de ses membres. A cette construction commune, l Union européenne peut et doit donner tout le poids de son expérience et de son projet que je résumerai en trois points: - Dès le milieu des années 70, alors que le Portugal entrait dans la liberté et la démocratie, l UE a promu l objectif d une société inclusive comme une société où les pouvoirs publics s astreignent à lutter contre la pauvreté et à assurer la participation de tous à la vie commune. On retrouve ce principe de participation dans le rapport du Conseil de l Europe. - Dès 1992, notamment à la suite de l adhésion du Portugal et de l Espagne à l Union européenne en 1986, l Union européenne a inscrit dans son Traité un titre complet consacré à la Cohésion économique et sociale. Cette politique commune a été dotée de moyens

28 14 JÉRÔME VIGNON budgétaires important grâce au triplement en quelques années du montant des Fonds structurels au point qu ils représentent aujourd hui plus de 40 milliards d Euros par an. Ces fonds expriment la solidarité entre Etat et Régions, riches et pauvres et sont assignés à des objectifs concrets de développement économique et social. L adjonction du qualificatif économique à la Cohésion sociale illustre la volonté de Jacques Delors, à l époque, de toujours associer les forces économiques du marché et les forces sociales de la cohésion. - Enfin le projet de Cohésion sociale, tel que porté par l Union européenne, se veut holistique, intégrant les multiples facettes des acteurs et des actions qui concourent à la cohésion. Pour la première fois, cette dimension d intégration sera clairement explicitée par le prochain Traité de Lisbonne, dont nous espérons la pleine ratification en 2009: il s agit là aussi d une préconisation du Rapport du Conseil de l Europe. L Union européenne se réjouit donc de l impulsion politique majeure que le Conseil de l Europe va donner désormais à la perspective de la Cohésion sociale. Le signal mondial ainsi donné par l autorité morale et culturelle du Conseil de l Europe revêt une valeur irremplaçable, dans un moment où les grandes régions du monde sont en recherche pour leur propre compte, d une forme d humanisation de la mondialisation. La proximité entre le rapport du Conseil de l Europe et les principes d action de l Union Européenne devrait ouvrir la voie à de nouvelles synergies en particulier dans les relations entre l Union européenne et son voisinage, comme avec son grand partenaire qu est la Russie: la Cohésion sociale peut devenir un fédérateur concret de leurs interactions. Mais réciproquement, le Conseil de l Europe peut bien compter sur l Union européenne comme sur un moteur actif de la Cohésion sociale.

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