Pré-sal: o futuro é logo ali

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1 Revista Brasileira do Aço - Ano 18 - Edição Novembro de As reservas do pré-sal prometem alavancar o crescimento de diversos setores consumidores de aço. O problema é saber quando esses setores poderão contar efetivamente com a extração do óleo como mais uma fonte de elevação de receitas e catalisador de resultados. A indústria naval, por exemplo, tem muito a ganhar com o pré-sal, a menina dos olhos do governo federal, e se diz bastante preparada para isso. De acordo com Ariovaldo Rocha, presidente do SINAVAL (Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore), os estaleiros brasileiros estão preparados para o desafio de produzir navios-sonda, plataformas de produção, navios de apoio marítimo, petroleiros e todos os equipamentos necessários para essa nova fase do Brasil na produção de petróleo nas camadas profundas do subsolo marinho, conhecidas como o pré-sal. De acordo com o SINAVAL, o se- tor emprega diretamente 46.5 pessoas. O intuito da indústria da construção naval é empregar cerca de mais 15 mil pessoas em um prazo de quatro anos, e o pré-sal é o catalisador perfeito para o alcance desta meta. Mesmo antes do início das atividades, a Petrobras já tem sido a responsável por grande parte dos pedidos da indústria de bens de capital, segundo informa a ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). A associação acredita que os pedidos aumentariam significativamente com o início da extração do óleo e defende ampla participação da indústria nacional no processo. No mês de outubro, a Abimaq apresentou duas emendas parlamentares ao projeto que trata da partilha do présal, que têm o objetivo de assegurar a soberania do setor de bens de capital brasileiro, além de criar reais oportunidades para o setor ser competitivo na exploração do pré-sal, estimulando a aquisição de equipamentos nacionais. As emendas pleiteiam ainda um regime tributário especial de produção e desoneração da produção e comercialização de bens e serviços e linhas especiais de financiamento no âmbito do BNDES. Em agosto, os índices do setor foram alavancados por medidas especiais anunciadas pelo BNDES, que atendeu pedidos da entidade. Portanto, uma nova concessão do governo não está descartada. Mais importante que as perspectivas dos setores consumidores em relação ao pré-sal é o uso que se fará com as riquezas por ele geradas. Especialistas, políticos e consumidores divergem quanto à importância dada ao pré-sal. O senador Tasso Jereissati afirmou, em debate sobre o assunto, que nenhum país desenvolvido tirou suas riquezas do petróleo. O Brasil surpreendeu ao entrar na crise por último e sair primeiro. A caminho do desenvolvimento, podemos surpreender novamente, inovar. A conferir. Pré-sal: o futuro é logo ali O que dois dos principais setores afetados pelos investimentos do pré-sal esperam de uma das mais recentes e mais promissoras descobertas do país RevistaACO_117.indd 1 11/18/9 2:28:9 PM

2 EStatÍStiCaS Distribuição Setorial das Vendas Janeiro a Setembro de Na variação versus, podemos notar que os setores Agrícola/Rodoviário e Tubos de Pequeno Diâmetro foram os que mais apresentaram queda em suas vendas. Já no setor Automobilístico e Utilidades domésticas houve um crescimento se compararmos com o mesmo período de, fato diretamente relacionado com um aumento das vendas de produtos industrializados, benefi ciadas devido à redução de IPI promovida pelo governo federal. Distribuição Setorial das Vendas Janeiro a Setembro de Outros 44% Automobilístico 9% Agrícola/ rodoviário 7% Desempenho Setorial das Vendas Janeiro a Setembro de Unid: 1 ton Tubos de pequeno diâmetro 3% Utilidades domésticas e comerciais 8% Construção civil 9% Máquinas e equipamentos industriais 2% ,7% Automobilístico ,9% Agrícola/ Rodoviário ,6% -17,8% 18,2% ,7% Máquinas e Equipamentos Industriais Construção Civil Utilidades Domésticas e Comerciais Tubos de Pequeno Diâmetro Em relação a par ticipação da distribuição entre os setores consumidores, constatamos um aumento na participação no segmento de utilidades domésticas, que passou de 5,9% em Janeiro a Setembro de para 8,5% no mesmo período de. São Paulo 48.1% Distribuição Regional das Vendas Janeiro a Setembro de Paraná 1.6% Santa Catarina 6.1% Rio Grande do Sul 8.6% Norte 3.8% Nordeste 5.5% Desempenho Regional das Vendas Janeiro a Setembro de Unid: 1 ton 1,968 1,52-22,8% -18,9% -27,4% -8,3% -3,6% -4,6% -14,3% Rio de Janeiro 3.3% Minas Gerais e Espírito Santo 9.6% Centro-oeste 4.5% NORTE NORDESTE CENTRO-OESTE SUDESTE PARANÁ SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL Na divisão Regional, São Paulo continua como principal polo de distribuição, respondendo por 48,8% da demanda - um pouco menor que no mesmo período de, quando o percentual era de 51%. Já a participação de Santa Catarina passou de 4,8% entre janeiro e setembro de para 6,1% no mesmo intervalo de. O movimento de alta também é observado na variação do volume de vendas do estado, que passou de 146 mil toneladas vendidas entre janeiro e setembro do ano passado para 152 mil toneladas de aço no mesmo período deste ano. Expediente Diretoria Executiva Presidente: Carlos Jorge Loureiro Vice-presidente: José Eustáquio de Lima Diretor Administrativo e Financeiro: Miguel Jorge Locatelli Diretor para Assuntos Extraordinários: Nuno Francisco Bruno Saramago. Conselho Diretor: Alberto Piñera Graña; Carlos Henrique Stella Rotella; Heuler de Almeida; Luiz Ernesto Migliora; Newton Roberto Longo. Superintendente: Gilson Santos Bertozzo. 2 Revista Brasileira do Aço Revista Brasileira do Aço Fone: Jornalista Responsável: Zilda de Assis (Mtb: MG /JP) Pautas, redação e edição: Luana Ribeiro Sistemas de Informação/Estatísticas: Oberdan Neves Oliveira e Camilla Reis Diagramação: Conceito Comunicação e Design Impressão: HRosa. Distribuição exclusiva para Associados ao Inda. Os artigos e opiniões publicados não refl etem necessariamente a opinião da Revista Brasileira do Aço e são de inteira responsabilidade de seus autores. RevistaACO_117.indd 2 11/18/9 2:28:1 PM

3 EStatÍStiCaS Distribuição mantém recuperação Por Oberdan Neves Oliveira Como já era esperado, no mês de setembro as vendas caíram 5,4% em relação a agosto, totalizando 316,6 mil toneladas. Em movimento inverso, as compras subiram 7,6% na comparação com o mês anterior, totalizando 313 mil. Assim, os estoques da distribuição fecharam setembro com ligeira queda de,5% em relação a agosto, totalizando 758,2 mil toneladas e mantendo seu nível em 2,4 meses de estoque. Embora as perspectivas de demanda doméstica continuem crescentes para os próximos dois meses, mantemos nossa sugestão de atenção aos estoques, pois tanto o câmbio do dólar quanto os preços internacionais continuam exercendo pressão de baixa sobre o mercado interno. PRODUÇÃO MUNDIAL AGOSTO Var.% 16,87 112, % ESTOQUE¹ JUNHO Var.% % PANORÂMICA DO AÇO PRODUÇÃO AMÉRICA LATINA AGOSTO Var.% 4,892 6,15-2.5% DESEMPENHO DOS ASSOCIADOS COMPRAS² SETEMBRO Var.% % Unid.: 1 ton. PRODUÇÃO BRASIL SETEMBRO Var.% 2,717 3,14-9,9% Unid.: 1 ton. VENDAS SETEMBRO Var.% % COMPRAS VENDAS ESTOQUES MESES EM ESTOQUE Importações de Aços Planos 3 TOTAL CHAPA GROSSA BOBINA QUENTE ¹ incluem importações informadas pelos associados ² incluem os embarques das usinas para outros setores via distribuição. ³ Produtos: LCG, BQ, BF, CZ, CPP, CAZ e EGV BOBINA A FRIO INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 3 RevistaACO_117.indd 3 11/18/9 2:28:12 PM

4 SEtoriaL Setor automobilístico tem o melhor mês de outubro da história Fator IPI gerou antecipação da demanda e impulsionou as vendas, colaborando para um resultado recorde Os números apresentados pela ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) no início de novembro mostram uma melhora nas vendas de veículos, apesar da queda que se verifi cou no mês de outubro na comparação com setembro. O mês de outubro, aliás, foi avaliado pela entidade como o terceiro melhor outubro da história. Para o presidente da associação, o bom resultado deve ser atribuído principalmente à antecipação da demanda em setembro, que ocorreu devido ao fi m do desconto do IPI. Setembro já era recorde e, mesmo assim, outubro foi o melhor da história, afi rmou o presidente da entidade, Jackson Schneider. A indústria automobilística vem comemorando os bons resultados desde o início do ano, quando já destoava dos outros setores consumidores de aço, ainda que houvesse perdas nos índices na comparação com - que também foi um ano recorde para os fabricantes de veículos. Ao que tudo indica, a festa do setor tende a continuar, para a alegria da indústria automobilística. Devemos fechar o ano melhor do que esperávamos, com um recorde no mercado interno em, disse Schneider durante entrevista concedida à imprensa no início do mês. Dados da ANFAVEA revelam alta de 6,1% nas vendas para o mercado interno no acumulado de janeiro a outubro em relação ao mesmo período do ano passado. A alta de crédito, juros em queda e redução da inadimplência pelo terceiro mês consecutivo (outubro fechou com -4,9%), foram fatores que contribuíram para o bom desempenho das vendas no período. Para o presidente da ANFAVEA, isso é extremamente positivo, pois retoma a certeza e a confi ança na economia. O licenciamento de caminhões também esboçou recuperação, com crescimento de 12,2% na comparação com setembro. No acumulado do ano, entretanto, houve queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso se deve à queda nas exportações, uma vez que mais que 5% Há uma demanda reprimida no Brasil que ainda não foi atingida Jackson Schneider, presidente da ANFAVEA OS NÚMEROS DO SETOR EM OUTUBRO 563 postos de trabalho a mais em relação a setembro VENDAS INTERNAS Máquinas agrícolas -4,2% Jan-Set 9 X Jan-Set 8 Tratores de rodas +9,7% em relação a setembro e +18% em relação a out/8. Exportação -27 mil veículos exportados de janeiro a outubro na comparação com o mesmo período de. das empresas associadas à ANFAVEA direcionam sua produção à exportação. Este ano a diferença [das exportações] foi bem sentida na produção, lamentou o presidente. As exportações de outubro tiveram queda de quase 4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram cerca de 27 mil veículos a menos exportados de janeiro a outubro na comparação com o mesmo período de. Isso dá uma grande fábrica ou duas boas fabricas- isso sem contar novembro e dezembro, pois ainda não sabemos o que vai ser, disse Schneider. Foram quase U$D 6 bi a menos que o realizado ano passado, completou. Entre perdas e ganhos, o setor automobilístico sai vitorioso e anuncia que mais contratações estão a caminho. O nível de empregos apresentou recuperação, com um aumento de 563 postos de trabalho em relação a setembro. Foi o quarto mês de melhora consecutiva, segundo informou a entidade. O fi m da redução do IPI não desanima a indústria automobilística, que acredita no potencial do mercado interno para manter a demanda aquecida. Há uma demanda reprimida no Brasil que ainda não foi atingida; há a venda do primeiro veiculo zero, que espelha a ascensão de uma classe D e E, disparou Schneider, que disse estar atento à taxa de câmbio. O Real valorizado desestimula exportação e estimula importação, temos que olhar isso com cautela. Vemos a lógica, defendemos isso, mas tememos os efeitos que um real valorizado pode causar, especialmente para os setores que têm um processo de produção mais complexo, fi nalizou. ESTOQUES Apesar de os estoques, tanto da indústria quanto das concessionárias, estarem se recuperando, ainda estão abaixo do esperado. O estoque não é de conforto, o mercado absorveu bem a produção em outubro e agora ele começa a se a recompor, mas ainda está 3 a 4 dias abaixo do que seria o ideal, afi rmou o dirigente da entidade. INDA amplia o quadro de associados A MBA Mercantil Brasileira do Aço é a mais nova empresa associada ao INDA. Admitida no mês de outubro, a MBA distribui chapas e bobinas para os setores automobilístico, de caldeiraria e indústria mecânica em geral e tem como principais fornecedores Usiminas e CSN. Fundada em 23, a empresa fi ca localizada no bairro da Penha, em São Paulo. Para mais informações acesse 4 Revista Brasileira do Aço RevistaACO_117.indd 4 11/18/9 2:28:15 PM

5 Suziane Fonseca/ Divulgação USo Do aço 35 TONELADAS DE AÇO Inaugurado em maio deste ano, o Memorial da Imigração Japonesa é uma ponte suspensa sobre um imenso espelho d água que divide de forma simbólica o Japão e o Brasil, em cuja construção foram utilizadas 35 toneladas de aço. O monumento, erguido no Parque Ecológico da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, é uma homena- gem aos 1 anos da imigração japonesa no país. A concepção moderna do Memorial chama a atenção para o vínculo que se estabeleceu entre os dois povos, mas também para a grande possibilidade que se abre para a nossa cidade tornar-se cada vez mais referência nas questões arquitetônicas, como, aliás, já é uma marca registrada da região da Pampulha, destaca. A força do consumidor de baixa renda Consumidores que têm uma renda familiar entre um e três salários mínimos já representam mais de 6% da população do País, mas muitas empresas não sabem como chegar a esta classe O livro aborda desde o surgimento do mercado de baixa renda, seu comportamento ao longo do tempo até a relação e reação do mercado perante os efeitos da crise mundial. Com prefácio de Marcelo Rosenbaum e participação do senador Cristovam Buarque, o título também traz a análise do consumidor de baixa renda sob a ótica de empresários de diversos setores do mercado, como varejo, alimentício, calçadista, farmacêutico, entre outros. O autor, certificado pelo INDA como Operador do Mercado do Aço (OMA), reuniu pesquisas e análises feitas desde 22, fornecendo aos profissionais de mercado uma visão geral a respeito do consumidor de baixo poder aquisitivo, disponibilizando dados que os posicionam dentro do cenário de consumo nacional. A Nova Era do Consumo de Baixa Renda Autor: Sérgio Nardi Editora: Novo Século Preço médio: R$34,9 Memorial da Imigração Japonesa, localizado no Parque da Pampulha, em Belo Horizonte Presidente do INDA participa de Congresso do ILAFA O presidente do INDA, Carlos Loureiro, esteve em Quito, no Equador, para participar do ILAFA-5 Congress, realizado entre os dias 25 e 27 de outubro. Um dos maiores eventos da siderurgia da América Latina, o Congresso do ILAFA é realizado anualmente e reúne os maiores nomes da indústria siderúrgica mundial. Na edição deste ano, o evento contou com painéis que abordaram os efeitos da crise no setor, o futuro da indústria siderúrgica, economia mundial e construção sustentável. INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 5 RevistaACO_117.indd 5 11/18/9 2:28:17 PM

6 artigo O alto preço da falta de foco Por Frederico Porto Você certamente já viu, ou melhor, provavelmente já viveu a seguinte cena: sentado em uma mesa de trabalho em frente a um computador, o celular toca, ao mesmo tempo em que você está lendo um documento e recebendo e- mails, e, para completar, tem um colaborador querendo falar contigo. Qual o impacto dessa correria na produtividade de um homem moderno? Segundo o headhunter Claudio Fernandez-Araoz, pesquisas mostram que a diferença de produtividade entre uma pessoa mediana e uma que se destaca é enorme. No caso de um trabalhador manual em uma linha de produção, é de 4%; no de um trabalhador do conhecimento, 24%; e no de um profissional de criação, como um desenvolvedor de software ou consultor, chega a 14%. Por isso, um dos grandes desafios de nossa era é conseguir aumentar a produtividade desses trabalhadores do conhecimento e de criação. Para tal, provavelmente, teremos de ter uma visão integral do ser humano e não tratá-lo como uma máquina, como era feito na época de Taylor. Eu acredito que um dos aspectos atuais que mais contribui para que um trabalhador não expresse todo o seu potencial é o fato de ter de cuidar de diversas tarefas ao mesmo tempo, pois o nosso cérebro não foi selecionado para isso. Somos capazes de lidar com 5 a 9 unidades de informação ao mesmo tempo, uma média de 7; por isso, teríamos 7 cores, 7 notas musicais e, originalmente, 7 algarismos em um número de telefone. A excelência somente existe quando há foco Devido a esse excesso de estímulos, passamos a desenvolver o que o psiquiatra norte-americano Edward Hallowell chama de Traço de Déficit de Atenção (TDA), para diferenciar da doença Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O traço seria induzido pelo meio ambiente enquanto o transtorno tem um componente mais genético e, por isso, deveria ser tratado com medicamentos. Ele fala que o TDA é epidêmico no mundo corporativo, sendo os sintomas distração, impaciência e inquietação interna. As pessoas com esse traço têm dificuldade de se manter organizadas, de determinar prioridades e de gerenciar o tempo. Segundo esse autor, uma das dificuldades de perceber o impacto desse excesso de atividades é devido ao fato de não considerarmos o tempo de voltar a pensar com agilidade quando se retorna à tarefa após ser interrompido. Um estudo de 21 mostrou que a interrupção constante aumentava o tempo para a conclusão de tarefas rotineiras complexas entre 2 e 4%. Uma pessoa leva 64 segundos em média para que uma linha de pensamento volte aos trilhos. Se você checa seus s a cada 5 minutos, por exemplo, em uma semana você perde um dia de trabalho. Eu sempre me pergunto quão contraprodutivo são smart phones que avisam sobre todo que entra em sua caixa postal. Ainda segundo um outro estudo, relatado por Thomas W. Jackson, pesquisador da universidade inglesa de Loughborough, um trabalhador gasta de 15 a 2% do seu tempo cuidando de interrupções, entendendo por interrupções qualquer atividade que leva a pessoa a parar a atividade planejada. Eles identificaram três principais tipos de interrupção: visitas pessoais, ligações telefônicas e s. Apesar de Uma pessoa leva 64 segundos em média para que uma linha de pensamento volte aos trilhos. Se você checa seus s a cada 5 minutos, por exemplo, em uma semana você perde um dia de trabalho 9% das interrupções serem de visitas pessoais e ligações, a questão dos e- mails chama atenção, porque as pessoas, nesse estudo, respondiam ao em 6 segundos, o que é mais rápido do que se o telefone tocar três vezes. Como recebemos dezenas ou centenas de s por dia, imagine o custo de ser interrompido praticamente a cada minuto! Esse é um grande paradoxo, pois vivemos em um mundo extremamente complexo, que requer muitas vezes não o pensar rápido, mas pensar de maneira profunda e sistêmica. Para tal, temos de usar a parte frontal de nosso cérebro, onde estão as chamadas funções executivas, que são aquelas que nos fazem humanos, como a capacidade de antecipar, de planejar, de priorizar. Como somos sobrecarregados de informações, os lobos frontais chegam ao seu limite e, por isso, enviam mensagens de medo e ansiedade para as regiões mais primitivas do cérebro, que, ao serem ativadas, reduzem a atividade das regiões frontais, exatamente aquelas que teriam condições de resolver os problemas apresentados. Não há receita mágica; a solução é você fazer um esforço consciente para se concentrar naquilo que está fazendo, reduzindo ao máximo o número de interrupções, especialmente se estiver lidando com uma atividade complexa. Como líder, você pode criar normas sobre o envio de s dentro do seu grupo de trabalho e, acima de tudo, gerar um clima de confiança no qual as pessoas tenham a liberdade de dizer não quando recebem um pedido, pois, em um ambiente em que não se pode dizer não, o sim não tem nenhum valor. 1 Frederico Porto é médico psiquiatra, consultor associado à DBM Brasil e professor convidado da Fundação Getúlio Vargas / São Paulo. 6 Revista Brasileira do Aço RevistaACO_117.indd 6 11/18/9 2:28:18 PM

7 PrEViDÊNCia Governo altera Regulamento da Previdência Social Com alteração, empresas devem verificar alíquota do SAT de acordo com valor estabelecido pelo INSS a título de Fator Acidentário de Prevenção. Conforme estabelecido pelo Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de, a partir de 1º de janeiro de 21, as empresas deverão levar em consideração para fi ns de verifi cação de sua efetiva alíquota do SAT (Seguro Acidente de Trabalho), o valor a elas atribuído pelo INSS a título de FAP (Fator Acidentário de Prevenção). O FAP, criado pela Lei nº 1.666/23, nada mais é que um fator que, apurado com base em critérios de frequência, gravidade e custo relativos à concessão de acidentes de trabalho, implicará diretamente numa redução ou aumento da alíquota do SAT. Isto porque, considerando que o FAP será um multiplicador variável entre,5 (cinco décimos) e 2, (dois inteiros), o SAT das empresas poderá ser reduzido para, no mínimo,,5% ou então majorado para, no máximo, 6%. (Essa majoração de forma integral não vale para 21, pois será aplicado o benefício dos 25% sobre o que exceder a 1,). O valor relativo ao FAP encontra-se disponível no site da previdência desde o dia 3/9/ e possibilita às empresas tomar conhecimento do multiplicador que deverão aplicar sobre a atual alíquota do SAT. Ocorre que o INSS, apesar de apontar o valor do FAP, não disponibilizou às empresas informações e dados sufi cientes para que seja possível averiguar com exatidão se os dados utilizados pelo INSS para apuração dos índices de frequência, gravidade e custo estão corretos, omitindo assim informações que seriam indispensáveis para análise da empresa, necessárias inclusive para questionar administrativamente este valor, sem qualquer tipo de ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Assim, considerando que existe permissivo legal para questionar a averiguação do FAP tendo em vista que o cálculo elaborado foi simplesmente apresentado, sem qualquer tipo de informação aos contribuintes as empresas poderão, com base nas informações supra citadas, ingressar com recurso administrativo questionando o FAP que lhes foi aplicado. Outrossim, independentemente da questão relativa ao cálculo do FAP, é possível também questionar judicialmente não apenas a metodologia adotada para apuração do referido fator, como também sua própria criação. Nesse caso, caberá às Empresas e às instituições de representação (neste caso, o Sindisider) avaliar e ingressar com o recurso adequado. Mais informações com o assessor jurídico do Sindisider, Dr. Carlos de Freitas Nieuwenhoff. s: INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 7 RevistaACO_117.indd 7 11/18/9 2:28:19 PM

8 Governo altera o controle de ponto vinculado ao controle de acesso do empregado. Sindisider já estuda meios para recorrer O Ministério de Estado do Trabalho e Emprego aprovou e editou a Portaria nº.1.51, de 21 de agosto de, que disciplina o Registro Eletrônico de Ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico de Ponto SREP (conjunto de equipamentos e programas informatizados destinado à anotação por meio eletrônico da entrada e saída dos trabalhadores das empresas). As principais alterações em relação aos atuais sistemas são: a) Não pode haver restrição ao horário de registro b) Não pode haver horários predeterminados, a marcação tem que ser a real. c) Não pode ter restrição ou autorização prévia para marcação de sobre jornada. d) O sistema não pode permitir qualquer dispositivo de alteração de dados O novo sistema deverá fornecer automaticamente um extrato do registro que o empregado fi zer, servindo esse de prova do dia e horário registrado. O novo ponto será submetido a uma empresa certifi cadora indicada pelo Ministério e somente depois de auditado e certifi cado é que poderá ser utilizado. A referida portaria estabelece o prazo de um ano para as empresas reformularem seus sistemas de Ponto Eletrônico, mas entende-se que, após 9 dias a contar da data de publicação da portaria, as empresas estariam obrigadas a adotar um novo sistema, diferente ou não do controle de acesso sem restrições, fi cando sob fi s- calização orientativa (conforme prevê o procedimento da fi scalização). Neste caso, há entendimentos que os sistemas de ponto atuais poderão ser aceitos até o dia 2 de novembro de, data em que completam os 9 dias de prazo da exigência prevista. A nova sistemática trará difi culdades no seu uso, visto que os atuais sistemas de acesso estabelecem regras para registro de ponto. Um exemplo é o ingresso do empregado antes do horário de início do trabalho, ou mesmo seu registro após a saída do horário fi nal de trabalho em dias que seu veículo tem restrições na circulação (rodízio). Na nova sistemática, essas horas deverão ser consideradas como trabalhadas. O Sindisider está estudando meios para recorrer desta instrução, uma vez que as empresas serão oneradas com a nova determinação. A recomendação que se faz nesse momento é que as empresas continuem com seu sistema eletrônico de controle de acesso e, em paralelo, voltem a utilizar o registro de ponto feito em car tões ou no registro em planilhas, passando pela aprovação diária de seus superiores. Sindisider fecha acordo coletivo com comerciários de São Paulo. Convenção está em fase de assinatura O Sindisider concluiu com sucesso mais uma negociação coletiva, desta vez com os comerciários da capital paulista. (as negociações com o sindicato dos comerciários de Guarulhos ainda estão em andamento). Encerrada no último dia 1 de novembro, a última rodada de negociações defi niu em 7% o percentual de reajuste salarial dos trabalhadores, e em 7,5% o piso da categoria. A convenção coletiva (documento legal que ofi cializa o acordo) já está em fase de assinatura. As negociações com o sindicato dos metalúrgicos ainda estão pendentes. O Sindisider está trabalhando para fechar mais um acordo e avisará as empresas associadas e fi liadas tão logo isso ocorra. Mais informações por 8 Revista Brasileira do Aço RevistaACO_117.indd 8 11/18/9 2:28:22 PM

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